Como prometido, capítulo novo no dia 17! Yeeey! O próximo sai dia 27, okay?

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O Legado da Akatsuki

Capítulo XIV – Ciúmes

Foi com muito pesar que Ningyo decidiu que estava na hora de voltar para sua realidade – a Akatsuki de Tsuki. Ela passara um mês com Sakura e Deidara, curtindo sua mãe e treinando com seu pai biológico. Ela não poderia estar mais feliz. Até seu ressentimento em relação ao Uchiha havia amenizado. Seu período de férias fora delicioso, mas estava na hora de voltar.

- Volte sempre que quiser. – Sakura disse enquanto amassava sua filha em um abraço de urso.

- Obrigada, mamãe.

Ningyo se desvencilhou dos braços confortáveis de sua mãe e se virou para Deidara.

- Obrigada. – ela sorriu.

Deidara sorriu de volta e se surpreendeu quando Ningyo se jogou em seus braços, apertando-o.

Sakura sentiu seu coração se apertar com a cena. Era lindo, não era? Ver os dois se dando tão bem era como um sonho que, finalmente, se realizava.

- De nada, Nyn-chan. – ele a abraçou de volta.

Ningyo estava feliz. Como Naruto, Deidara era alto o suficiente para fazer com que ela se perdesse no abraço, sentindo-se uma criança pequena, frágil e querida. Quanto tempo fazia desde que ela ganhara/dera um abraço como aquele? Tempo demais, ela concluiu.

Os treinos, as conversas, as risadas, as lágrimas, o convívio, tudo isso contribuíra para que Deidara conquistasse de vez um lugar permanente na vida e no coração de Ningyo.

Portanto, não era sem pesar que a boneca deixava os dois. Mas ela precisava voltar. Já estava na hora de ela perdoar Tsuki, embora ele nunca tivesse pedido tal perdão. Ela suspirou. Não importava realmente se ele tivesse pedido ou não, já se passara tempo o suficiente para que ela superasse o ressentimento e a mágoa que haviam se acumulado contra ele em seu coração.

Mas a verdade – que ela jamais revelaria – era que ela sentia falta do Uchiha. Ela nem mesmo entendia o sentimento. Por que sentir falta de Tsuki? O que ele fizera para ela, o que ele melhorara em sua vida para que sua ausência fosse sentida? A resposta veio tão rápida quanto a pergunta: ele a tirara do poço da solidão muito antes de ela chegar ao fundo dele. Até levando-a a seus pais contribui nesse projeto.

Ningyo suspirou mais uma vez. Quando você começa a sentir saudades de um Uchiha, significa que sua vida está começando a tomar o rumo errado. Sakura e Naruto que o digam...


A viagem para casa foi rápida e sem grandes acontecimentos. Um contraste perfeito para sua entrada na construção em estilo oriental. A cozinha estava em completo desalinho; na sala havia malas jogadas, com seu conteúdo transbordando nos tapetes; no banheiro um perfume forte e desconhecido impregnava todo o pequeno cômodo.

- O que está acontecendo aqui? – ela disse em voz alta, embora já tivesse percebido que não havia ninguém ali para responder.

Ela voltou à cozinha, pegou e vestiu suas luvas de borracha e começou a arrumá-la. Lavou as louças, esfregou o chão e as paredes, limpou a geladeira, jogou os alimentos podres fora e desengordurou o fogão. Quando acabou, partiu para a sala; varreu, tirou pó, esfregou os tapetes. Por fim, repetiu o processo no banheiro. Não aguentaria mais nem um minuto daquele perfume horroroso.

Era óbvio que havia mais alguém na casa. Tsuki não era capaz de uma bagunça tão grandiosa. Aliás, Ningyo tinha certeza de que Tsuki não era capaz de ser bagunceiro e ponto. Toda aquela zona só tinha uma óbvia explicação: ele finalmente recrutara um dos "dois outros" que ainda estavam perdidos por aí.

Ela sabia que era irracional, e sabia que não deveria, mas Ningyo sentiu seu sangue ferver. Pelo perfume, ficara bem claro que era uma garota que havia se juntado à Nova Akatsuki. E onde ela estava dormindo? Um passo para dentro do quarto de Tsuki tornou tudo bastante óbvio. Além de tudo, a invasora estava hospedada no quarto dele.

Depois de tudo o que acontecera, o idiota ainda tinha a cara de pau de fazer isso com ela! Era revoltante!

Para sua sorte – ou falta dela, se pensado por outra perspectiva – as duas assinaturas de chakra ficaram bem definidas a pouca distância. Ningyo congelou no meio da sala, os braços cruzados e os olhos cheios de fúria.

A garota chegou primeiro. Ela usava um short absurdamente curto e uma blusa que mostrava metade de sua barriga. Ningyo não podia negar que ela era muito bonita. Seu cabelo escuro era curto e repicado, os olhos eram de um exótico tom de violeta. Sem sentido dizer que seu corpo era uma verdadeira escultura.

Os olhos de Ningyo se estreitaram assim que o Uchiha pôs os pés na sala. Os olhos negros do Uchiha imediatamente se encheram de um sentimento que Ningyo não entendeu, mas, como toda reação que partia dele, aquela mudança durou míseros segundos.

- Você se importa de nos dar um minuto? – Ningyo perguntou à menina que ela ainda não conhecia, mas que já ganhara sua antipatia.

- Claro, fiquem a vontade. – ela disse, dando de ombros e se dirigindo ao anexo da casa, onde ficava o ateliê de Deidara.

- Acabou de chegar? – Tsuki perguntou numa voz calculadamente sem emoção.

- Não. – ela respondeu prontamente. – Eu já limpei a cozinha, a sala e o banheiro enquanto esperava vocês dois.

Tsuki ia abrir a boca para dizer algo em sua defesa, mas a Haruno não permitiu.

- Sou completamente descartável para você, não sou? Mesmo depois de você ter me traído daquele jeito, você simplesmente voltou para cá e me substitui como se eu nunca tivesse existido.

- Ningyo você nã-

- E essa é minha casa! Quem te deu autorização de trazer quem quer que fosse para cá? E quem te deixou largar todo esse caos para trás que eu teria que limpar? Eu realmente espero que ela valha a pena, Tsuki, por que você não fica mais com ela na minha casa por mais nem um segundo! Não faço parte de mais organização idiota nenhuma! Sinceramente, vê se morre na próxima esquina e me deixa em paz!

Dito isso, ela foi a passos duros até seu quarto e bateu a porta com um estrondo que ecoou por toda casa.

Assim que se encontrava na segurança de seu quarto, Ningyo desabou no chão, o rosto escondido nos joelhos dobrados. O que acabara de acontecer com ela? O que fora aquele sentimento explosivo e corrosivo que tomara conta dela e, aliás, ainda corria em suas veias?

Sem que ela percebesse, a garota nova entrou em seu quarto e se sentou ao lado dela.

- Acho que não me apresentei. – ela disse, assustando Ningyo. – Meu nome é Hoozuki Umi.

- Seu nome não me é estranho. – Ningyo respondeu, só para descobrir como aquela garota havia entrado em seu quarto e se sentado ao seu lado sem que ela nem percebesse qualquer movimentação.

- Sou filha de Hoozuki Suigetsu e Hoozuki Karin.

- Os antigos companheiros de Uchiha Sasuke. – Ningyo suspirou. Por um curtíssimo período de tempo eles também fizeram parte da Akatsuki. Logo depois da morte de Sasuke e antes de Pain resolver atacar Konoha. – Depois de tudo que minha mãe me contou, mal acredito que eles se casaram.

Umi deu de ombros.

- Eu... sinto muito por ter invadido sua casa sem permissão.

- Ah, esqueça isso. Estou irritada com Tsuki, não com você... Na verdade, retiro o que eu disse, você deixou minha cozinha uma zona, eu definitivamente detesto você.

Umi riu.

- Não consigo ser mais organizada. Sou como meu pai nesse e em muitos outros pontos.

- Acho que posso viver com isso. – a boneca suspirou.

Umi arregalou os olhos.

- Você não desistiu da Akatsuki? Pensei que você tivesse acabado de dizer que deveríamos ir embora.

Ningyo bufou.

- Como se ele fosse me obedecer.

Umi ergueu uma sobrancelha.

- Ele quase não fala, então não reparei...

- No quê? – Ningyo perguntou, sem entender ao que a morena se referia.

- Que vocês estavam juntos.

Ningyo quase se engasgou de tanto rir, mas logo que o surto passou, seu coração deu uma guinada estranha.

- Não estamos juntos! Não, não! Longe disso. Só estou irritada com ele desde antes. Mas, chega disso. Não quero falar sobre ele.

Umi apenas assentiu e encarou a kunoichi sentada a seu lado. Como ela tivera coragem de gritar com o Uchiha daquele jeito? Só o olhar dele já mandava um aviso bem claro de "não mexa comigo".

- Mas... você ficou ciúmes.

Ningyo teve certeza de que, se estivesse bebendo alguma coisa, todo o líquido sairia voando de sua boca.

- Não estou!

- Claro que está! Pareceu bem claro que você gosta dele!

- Eu não gosto dele! Que ideia absurda!

Umi riu, mas logo em seguida seus olhos se tornaram sombrios.

- Nós nunca escolhemos a quem nossos sentimentos serão dirigidos.

Ningo não podia deixar de concordar, mas aquela expressão, naquela kunoichi tão cheia de si e explosiva, parecia completamente fora de lugar.

- Conte-me um pouco mais sobre sua história.

Umi suspirou.

- Meus pais rapidamente desistiram da Akatsuki, e o líder não os impediu de partir. Eles se casaram pouco tempo depois, fingindo ser um casal normal em uma vila civil bem afastada, no País da Água. Eles viveram em completo anonimato durante anos, eu nasci, tudo estava bem.

Ningyo ouvia com atenção, não deixando de reparar o tom melancólico que a voz da Hoozoki adquirira no final daquela parte do relato.

- Até que a Akatsuki atacou Konoha. Eu era uma recém-nascida quando o irmão de Hoshigaki Kisame, Hoshigaki Aosame, bateu à nossa porta para questionar sobre a Samehada. Ela desaparecera e ele acreditava que meu pai a havia roubado.

- Mas ela nunca saiu do lado de Kisame.

- Exatamente. Mas, Aosame estava com raiva e completamente desvairado. Meus pais lutaram contra ele e sua esposa. Eles se mataram mutuamente.

Era trágico demais.

- E o que aconteceu com você?

- Fui criada por Juugo. Assim como o filho de Aosame. Vivemos bem juntos porque Juugo nunca nos contou a verdade. Até que, cinco anos atrás, Kisame, Itachi e Deidara atacaram Suna. De alguma forma, a Samehada foi parar nas mãos dele e a verdade veio à tona. Nós dois ficamos loucos de raiva. A batalha foi longa, mas Juugo conseguiu nos parar. Saí daquela casa e nunca mais soube de nenhum dos dois. Recentemente, ouvi rumores sobre os dois ninjas que usavam capas com uma nuvem vermelha, e procurei até acabar encontrando Tsuki enquanto ele realizava uma missão.

Ningyo não conseguiu conter uma risada amarga.

- E essa pessoa é o quarto membro do sonho dourado de Tsuki.

Umi trincou os dentes, que, como os de Suigetsu, eram levemente pontiagudos.

- Não sei o que faria se o visse de novo.

- Mas ele é o dono do seu amor, não é mesmo?

- Fico assim tão óbvio?

- Sua história não tem muitos personagens. – Ningyo sorriu de leve. – Não o culpe pelos erros de seus pais. Ele tem tanta culpa quanto você. Esse ressentimento pode envenenar seu coração e transformar sua essência em algo detestável.

- Você fala como se soubesse como funciona. – Umi disse, erguendo uma sobrancelha.

- Eu sei. – ela riu.

- Sua vez de contar.

- Minha mãe se uniu à Akatsuki para vingar a morte de Uchiha Sasuke. Mas, de alguma forma que não é muito clara para mim, ela acabou se apaixonando pelo assassino. Quando a Akatsuki resolveu atacar Konoha, ela voltou para a vila e se casou com o então futuro Hokage. Fui criada como filha dele, até que, quando fiz doze anos, a kekkei genkai apareceu e ela foi forçada a me contar a verdade. Logo depois, ela morreu em Suna numa explosão de Deidara. Passei alguns anos treinando fora de Konoha depois disso, e voltei há menos de um ano. Meu segredo foi revelado e a pessoa pela qual, supostamente, eu era apaixonada e que, supostamente, também me amava não aguentou a verdade e me condenou pelos atos dos meus pais. Fugi de Konoha. E hoje estou aqui.

- E ele se tornou uma pessoa horrível?

- Acho que, no fundo, ele já era, mas ficou detestável. É impossível até falar com ele.

- E você ainda o ama?

- Não. Não acho que cheguei a amar, de fato. Eu gostava dele, mas não acho que cheguei a amá-lo de verdade, não tinha amadurecido o suficiente para perceber.

- E os meses sozinha te ensinaram...

- Sim.

Ningyo se chocou ao ver as lágrimas em formação fazerem aqueles belos olhos cor de violeta brilharem.

- A solidão só me ensinou que eu o amo mais do que eu mesma julgaria possível.

Ningyo apertou de leve a mão de Umi.

- É por isso que somos o que somos, Umi. Essa é uma Akatsuki de pessoas renegadas que nada tem a ver com os feitos de seus pais, independente do que sentimos em relação a tais feitos. O passado que não é nosso não interessa.

Num impulso, Umi abraçou Ningyo, as lágrimas rolando por seu rosto de porcelana.

- Estou tão feliz que você também faça parte da Nova Akatsuki. – ela resmungou, a voz saindo mais fina e mais alta por conta das lágrimas. – Eu não aguentaria se fosse só aquele Uchiha que não fala e, talvez, Kai.

Ningyo riu. Então o nome do próximo membro era Hoshigaki Kai.

- Vamos ser boas amigas, Umi.

- Posso me mudar pro seu quarto? Não aguento mais aquele silêncio insuportável!

Ningyo caiu na gargalhada e assentiu.

- Desde que você me prometa que vai trabalhar em seus problemas organizacionais.

Umi riu e concordou fervorosamente.


- Está mais calma agora? – Tsuki perguntou assim que Ningyo saiu do quarto.

- Eu ainda não estou falando com você, Uchiha.

Tsuki bufou.

- Mas se você voltou, é porque não está mais irritada comigo.

- Eu nunca estive irritada com você. Eu estava magoada. Os sentimentos são diferentes. E por que você está falando tanto? Umi acabou de me contar que você tinha feito um voto de silêncio.

Tsuki revirou os olhos.

- É específico comigo? Você fala só comigo porque se diverte tentando me irritar?

Até ele mesmo ficou surpreso com aquela pergunta. Era verdade, não era? Ele se sentia muito mais à vontade ao lado dela do que de qualquer outra pessoa.

- Ela que me encontrou. Eu já sabia onde ela estava, mas ia te esperar para ir atrás dela.

- Ela já me disse isso, idiota.

Tsuki ergueu uma sobrancelha. Então porque ela ainda estava irritada com ele?

- Você realmente não entende nada sobre sentimentos, entende? Eu chego aqui depois de descobrir um segredo que você guardou de mim por meses, para encontrar a casa vazia porque você saiu em uma missão com outra pessoa! Pelas minhas costas!

Ele realmente não entendia. Por que aquilo era tão importante?

Ela suspirou.

- Eu devia ter voltado com Minato, ou algo do tipo. A prisão em Konoha deve ser menos fria do que você.

- O drama... Esse mês com Deidara não te fez nenhum bem.

- Você tem razão. Eu treinei um mês para melhorar para sua organização idiota enquanto você ia sozinho em missões com a Umi.

- E por que isso é tão ruim assim? Pelo menos temos dinheiro o suficiente para manter nossa base operacional e as dispensas cheias pelos próximos cinco meses.

Até Ningyo se fez aquela mesma pergunta. Por que ela estava tão chateada com tudo aquilo? Seria mesmo... ciúme? Ela não tinha como ter certeza. Esse sentimento era completamente novo para ela, Hideki jamais fora capaz de fazê-la se sentir dessa forma. Mas, por outro lado, isso era admitir que ela estava se apaixonando por Tsuki. Isso era possível? Não... ela podia até sentir alguma atração por ele, mas paixão já era demais.

- Esqueça. – ela disse. – Você sabe da história dela e do tal Hoshigaki?

Tsuki assentiu.

- E mesmo assim pretende ir atrás dele?

- O passado de nossos pais só influenciará essa organização pois fomos unidos por conta deles, qualquer outro fato é mero detalhe.

Ningyo assentiu sorrindo levemente. Era bom ver que ele concordava com ela nesse ponto.

- A história dela é tão horrível... O destino prega umas peças diabólicas.

Tsuki não podia concordar mais.

Ningyo foi até a geladeira e encheu um copo com água. Virou-se de costas e foi andando de volta ao seu quarto, mas a voz de Tsuki a fez congelar onde estava.

- Ningyo. É bom tê-la de volta.

A boneca se virou para encará-lo, completamente chocada, mas ele não estava olhando para ela. Ele encarava a parede oposta e ela pôde jurar que suas bochechas estavam levemente avermelhadas. Quando percebeu que ela estava olhando para ele, Tsuki se levantou e saiu da casa, deixando-a sozinha na cozinha.

- Também senti sua falta, Tsuki.

"Explain to me this conspiracy against me

And tell me how I've lost my power"


Tradução da Música: Me explique esaa conspiração contra mim/ e me diga como eu perdi meu poder

Conspiracy by Paramore