Capítulo XIV: E NO ENTANTO...

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Kuchiki Byakuya se dirigia com passo decidido ao portal que levava ao mundo humano, prestes a cruzá-lo estava, quando alguém o chamou.

- Aonde vai tão cedo, Kuchiki-taichou? - Byakuya se virou.

-Tenho uns assuntos para resolver na terra, comandante-general Yamamoto.

- Tsk… Temo que isso tenha que esperar, Kuchiki-taichou - disse o ancião. E fez um sinal para que o capitão o seguisse. Bya-kun obedeceu.

- Qual é a questão? - perguntou Byakuya com indiferença.

- Mmm… Descobrimos algo que pode interessá-lo - comentou Yama-jii enquanto lhe entregava um documento. Byakuya o pegou. Poucos seriam capazes de perceber o assombro do capitão após ler o documento.

- E foi confirmado? – inquiriu o líder dos Kuchiki.

- Bem, ainda não passam de especulações, de qualquer forma, não creio que seja recomendado deixá-la - respondeu Yamamoto e logo acrescentou quase em um sussurro - Faltam poucos dias…- Kuchiki assentiu e se retirou.

Ao chegar na mansão, Byakuya se encaminhou ao quarto de Rukia, e se surpreendeu quando não a encontrou ali.

- Rukia-sama está no escritório - disse o mordomo, atrás de Byakuya.

O capitão o observou, o ancião carregava vários pergaminhos e parecia feliz.

– Agora mesmo, estou levando estes documentos para ela. - Bya-kun o acompanhou.

O escritório era enorme, rodeado de estantes com livros e muito luxuoso. Avistaram Rukia sentada em sua mesa, lendo uns relatórios distraidamente enquanto tomava chá.

- Aqui está o que me pediu Rukia-sama - falou o mordomo.

- Muito obrigada… - disse levantando o rosto - Nii-sama!- a garota, imediatamente, se colocou em pé enquanto via o capitão adentrar no cômodo, e não se sentaria até que ele o fizesse.

oOo

Rukia se mexeu incômoda no seu assento, não lhe agradava muito ter que usar o escritório de seu irmão, porque sentia que, de alguma forma, o estorvava. Porém, não havia nada que pudesse ser feito, afinal foi Byakuya que decidiu que eles compartilhariam a mesma sala. Ainda assim, se notavam as diferenças, como por exemplo, a mesa dele, era bem maior e estava melhor posicionada que a dela.

Bya-kun começou a colocar em ordem alguns papéis, em silêncio, ao mesmo tempo em que a morena examinava os pergaminhos recém entregues.

- Tudo em ordem, Rukia-sama?- Perguntou o ancião, sentando-se ao seu lado.

- Ah sim, eram exatamente esses que necessitava – disse a shinigami enquanto procurava pelo recipiente com tinta, se irritou consigo mesma quando não o encontrou. Maldição! Teria que pedir um para o seu irmão.

Para sua sorte, o mordomo lhe entregou dois, justo antes dela abrir a boca – Mu... Muito obrigada – sorriu a garota aliviada. Incrível como ele a conhecia. Pegou a pena e começou a escrever... Este seria um dia longo, pois tinha acumulado bastante trabalho e ainda não tinha pedido desculpas ao capitão Ukitake pela irresponsabilidade e falta de maturidade que demonstrara durante estes três dias.

Sem se dar conta, ela começou a pensar na associação de mulheres e no que estariam fazendo com Ichigo nesse instante. Em seus delicados lábios, se formou um sorriso maldoso. "Tomara que tenham aplicado o castigo 12, no mínimo umas três vezes". Percebeu então, que embora ainda doesse pensar em Ichigo, os sentimentos eram amenizados quando se mantinha ocupada, e que o ditado que dizia "Não há nada que o tempo não cure" era mesmo certo.

Enquanto isso, Byakuya examinava sua irmã de soslaio. Percebeu que ela estava sorrindo enquanto escrevia. Já teria se recuperado? Não, claro que não... Ainda havia uma aura de melancolia ao seu redor, mas pelo menos... Já estava se esforçando para agir como uma Kuchiki. O capitão franziu o entrecenho... Esse Kurosaki... Se não fosse pelo que dissera Yamamoto... Ele já haveria cortado aquela irritante cabeça laranja em milhares de pedaços.

De repente, os olhos azuis se elevaram e o descobriram. Bya-kun tentou fingir que estava olhando para o outro lado. A garota levantou uma sobrancelha. Era sua imaginação ou seu irmão a estava observando? Não… Certamente eram alucinações suas. E voltou a se concentrar no trabalho, quando então lembrou de algo... Será possível que...? Outra vez levantou o rosto, desta vez Byakuya não pode disfarçar, fora pego novamente. E como se nada tivesse ocorrido, o homem perguntou, com voz indiferente:

- O que foi, Rukia?

- Ano… é que… estava me perguntando… - a morena vacilou por um instante, deveria mesmo perguntar a ele? - sobre… etto… o Illuminati…

- O Illuminati? - interrogou Byakuya levantando uma sobrancelha.

- Eh… sim… Aquele com quem esbarrei na cerimônia, o que tinha o número "um" nas costas, lembra?

- Mas é claro que me lembro, Rukia - disse friamente - e não acho que isso seja algo que deva te interessar – acrescentou.

- Oh… lamento Nii-sama… eu não… - a garota notou que ele parecia irritado, então, voltou a baixar o rosto, arrependida.

Seu irmão a espiou de canto de olho. Não tinha sido uma boa ideia falar assim. Então, juntando um pouco de paciência, Byakuya decidiu consertar o erro que acabara de cometer. É que realmente não era bom em dar ânimos. Aclarou a garganta e disse:

- Esse indivíduo… - Rukia o olhou, incrédula - não é o tipo de pessoa com quem um Kuchiki deva se misturar. No entanto, se você tem curiosidade… seu nome é Shihouin Kai – a pequena levou alguns segundos para cruzar as informações.

- Shihouin? Como… - Byakuya assentiu.

- É o irmão mais novo de Shihouin Yoruichi.

- Nossa… isso é… - começou a dizer a garota.

- Irrelevante – completou Bya-kun – Não sei como alguém como ele pode chegar a ser o mais importante dos Illuminati. Mas, posso ver porque te interessa... Kai… sempre teve uma misteriosa forma de cativar às mulheres… - a morena corou e murmurou algo como "Não é isso, Nii-sama…" Byakuya se fosse alguém normal teria sorrido ante a reação de sua irmã, mas como não o era, se limitou a franzir o entrecenho e dizer – Isso é suficiente? – ela fez um sinal afirmativo com a cabeça, agradeceu e continuou trabalhando.

- Rukia – a garota prestou atenção – Penso que o mais importante no momento, seja você ir pedir desculpas para o seu capitão. Além disso, ele deve aplicar o castigo pelo seu comportamento nesses últimos dias.

- Como queira, Nii-sama. Logo após, se levantou, fez uma reverência e antes de abrir a porta pediu permissão para se retirar – Com licença – e prestes a sair estava quando ele adicionou:

- Um Kuchiki não deve se deixar levar pelos sentimentos, deve ser um exemplo para os demais shinigamis, sempre deve manter a cabeça erguida. Não se esqueça, Rukia.

- Hai, Nii-sama!

- Vamos Ichigo! Desamarra essa cara! – ordenou Matsumoto.

Estavam na sala da A.M.S., já que ao invés de irem encontrar Rukia diretamente, decidiram primeiro armar uma espécie de plano. O problema era que o Morango com sua cara de "cachorrinho sem dono" não era de muita ajuda.

- Na minha opinião está muito bem assim. Vamos Kurosaki, pratique mais, talvez assim Rukia-san sinta pena de você e aceite te escutar – comentou Nanao.

- Ai ai… está certo então… vamos ver… Yachiru, Kiyone, Isane e Momo ficam aqui com Ichigo, enquanto eu e as outras tentamos convencer Kia-chan. Contamos a ela o que ocorreu e logo, vocês levam Ichi-kun, dizem o que deve ser dito um ao outro e TA-DÁ! Caso encerrado! – exclamou Rangiku.

Todas sorriram, embora pensassem que "Falar é fácil..."

- Wooosh! Vamos!

Para o alívio de Rukia, o capitão Ukitake, foi tão compreensivo como sempre. Nem sequer perguntou o motivo dela ter ficado assim, o que a alegrou muito. Com um sorriso, disse que não se preocupasse e acrescentou que seu castigo seria supervisionar os novatos, junto com Kiyone e Sentarou; Não pode evitar uma careta... Teria que aguentar aqueles dois... Depois da pequena conversa, a morena foi para o seu escritório e começou a ajeitar sua mesa. Tinha que admitir, desabafar fazia bem. Isso somado a imagem de Ichigo sofrendo todos os castigos da A.M.S... Começou a rir.

- Uuuuhh! Kia-chan ri sozinha.

- Agh Rangiku-san, que susto você me deu! Disse a shinigami com a mão no peito - Eh? – percebeu que metade da A.M.S. estava na sua sala – O que foi? – conseguiu controlar a si mesma para não perguntar sobre Ichigo.

- Rukia-san, viemos para relatar o resultado de nossa missão - informou Nanao.

- Mmm…- respondeu fingindo indiferença.

- Adivinha só Kia-chan, trouxemos o Ichigo pra você!

- O que? Por que diabos fizeram isso?

- Porque descobrimos o que realmente aconteceu.

- O que realmente aconteceu? Eu sei o que aconteceu! – Esbravejou a garota – e lhes asseguro que não preciso que voltem a me lembrar – e fez menção de se levantar, porém Matsumoto a deteve.

- Você não entende, Kia-chan. Não foi o Ichigo quem te disse aquelas coisas. Ele nos contou que...

- Ah, não foi Ichigo? Não foi ele? – Disse a shinigami fora de si - Ótimo! Parece que o idiota negou tudo. E vocês acreditaram! Claro que foi ele!

- Não, não… o que ocorre é que vocês foram enganados... Parece que...

- Não importa! Eu… - não pode terminar, Rangiku perdeu a paciência e com agilidade jogou Rukia no chão. Imediatamente ela e Nemu sentaram em cima da pobre garota.

- Vai nos escutar Kia-chan e depois diga o que quiser. Mas, se nos interromper, Nemu-chan aplicará em você essa injeção que tem em mãos – Nemu mostrou a ameaçadora seringa e a morena decidiu ficar quietinha, no entanto, lançou um olhar assassino para Matsumoto.

Nanao começou a relatar tudo o que haviam averiguado na Loja de Urahara. Sobre o que Ichigo falou, que ambos tinham se encontrado, mas que em realidade não eram eles, que ninguém na SS enviou qualquer mensagem para Rukia e que Yoruichi suspeitava que alguém queria, por alguma razão, acabar com a relação entre deles.

Rukia queria, mas ao mesmo tempo não, acreditar no que estavam lhe contando. Uma parte dela estava feliz ao saber que Ichigo não havia lhe dito aquelas palavras terríveis, porém outra, continuava muito magoada e descrente.

Ainda que isso fosse verdade, não apagava o que ela sentira durante todos esses dias, além do mais ele realmente havia dito que não se interessava pelo que ela tinha a dizer... E também... Estava com ela... "Que apodreça no inferno por isso!"

A pequena Kuchiki suspirou, não tinha vontade de voltar a vê-lo... E não sabia se deveria perdoar... Por quê? Justo agora que ela estava se recuperando! E por que ela foi a mais afetada? Ele não tinha passado tão mal! Era o coração dela que havia se partido! Não era justo! Uma onda de ressentimento e dor golpeou a garota. Não, estava claro. Não queria vê-lo de novo! Ele estava melhor sem ela. Rukia nisso acreditava.

- Então, vamos vê-lo, Kia-chan?

- Não…- resmungou. Todas as presentes se surpreenderam.

- Ma… mas por que? Se tudo o que te contamos é a verdade e...

- Não importa se é verdade… assim é melhor…

- O que disse? Mas você é...- não conseguiu terminar, pois fora interrompida por um grito que provinha de fora do quartel.

- RUKIA!

As mulheres se levantaram e correram para a janela, lá embaixo estava Ichigo chamando pela pequena Kuchiki a plenos pulmões. A aludida foi a única que permaneceu imóvel em seu lugar.

O garoto, ao ver que as mulheres tardavam muito em voltar com a morena, deduziu que acontecera o que ele previa. Rukia não queria vê-lo. Ele compreendia o porquê, no entanto, as coisas não podiam continuar assim. Irritado consigo mesmo, por estar agindo como um covarde, decidiu que era ele quem deveria resolver a situação. Levantou-se e, antes que as shinigamis pudessem detê-lo, se dirigiu ao 13° esquadrão.

Para localizar a reiatsu dela, elevou a sua; dois anos e ele ainda tinha dificuldades em sentir a presença dos outros. Ao chegar ali, seguiu a primeira ideia que lhe ocorreu: gritar seu nome. Viu suas defensoras aparecerem na janela do segundo andar, pareciam surpresas, porém logo adotaram uma expressão de lástima. O shinigami substituto traduziu isso como um mau sinal.

- Rukia! Desça, preciso falar com você! - não obteve resposta, as mulheres negaram com a cabeça – Rukia! É serio, por favor! Temos que conversar! – suplicou o ruivo.

- Kurosaki Ichigo... – pronunciou uma fria voz atrás dele.

O garoto se virou, era ninguém menos que Kuchiki Byakuya, com uma cara de poucos amigos… pra ser mais exato, de nenhum amigo .

- Se pode saber o que faz aqui?

- Byakuya…- murmurou, mas logo adotou sua típica voz irreverente – Preciso falar com Rukia.

- Não, não há nada que você tenha para falar com ela. Saia já daqui!

- Não irei embora até falar com Rukia, ou então, se for ela quem me pedir pra ir.

- Kurosaki… Esse comportamento… Com isso não conseguirá nada.

- Byakuya, não se meta. Isso é entre ela e eu.

- Pois ela é uma Kuchiki, assim também é assunto meu. Além disso, está perturbando a tranquilidade da Sereitei.

- Ah é? Assunto seu? E onde você estava quando a condenaram à morte?

- Kurosaki, vá embora. Não me faça repetir… na próxima vez não serei tão gentil.

- Pois terá que perder a gentileza, porque eu daqui não saio - respondeu Ichigo desafiante.

Byakuya chegou ao seu limite e desembainhou sua zanpakutou.

Ichigo se colocou em guarda.

- Chire, Senbon…

- Espere Nii-sama - disse sua irmã, o interrompendo e aparecendo frente a ele.

- Rukia! – disseram os dois ao mesmo tempo.

- Nii-sama não faça isso, não vale a pena – murmurou a garota. Seu irmão esteve a ponto de sorrir, mas se limitou a dizer:

- Como queira, Rukia – e se foi.

- Rukia, eu…- murmurou o garoto, mas ela o interrompeu.

- Kurosaki…- disse a shinigami, ainda de costas. Ele se assustou ao ouvir como sua voz soava gélida – O que quer?

- Temos que conversar - respondeu. Ela se virou, o rosto completamente inexpressivo.

- Não creio que tenhamos algo pra conversar.

- O que está dizendo, Rukia! Somente me escute, poxa! - a expressão dela não mudou em nada. Ele suspirou resignado - Por favor… só por um instante… Preciso que me ouça…

Ela deu de ombros e disse:

- Que seja então… Fale! – O Morango olhou para todos os lados e depois acrescentou:

- Pode ser em particular? - as mulheres não conseguiram se esconder a tempo.

Rukia revirou os olhos e começou a caminhar, ele a seguiu; deixando decepcionadas às espectadoras.


Fic totalmente reupada e voltando a postagem normal \o/

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