Disclaimer:

Os Vingadores são uma criação da Marvel Comics, no entanto as personagens Olívia Huscarl e Sophie Legrand nos pertencem.

Essa história está sendo produzida por duas pessoas, qualquer diferença estilística entre os capítulos não é mera coincidência.

Nos baseamos no filme "Avengers", já que os universos dos quadrinhos são variados e poderiam dificultar a compreensão.

Essa história também será publicada no site Nyah Fanfiction, com o mesmo nome de usuário. Não se trata de plágio!

Críticas e sugestões são sempre bem vindas, desde que pertinentes ao nosso propósito.

Tenham uma ótima leitura :)


XIV.

Sophie olhava assustada toda aquela movimentação, eram nove horas da manhã de um domingo e parecia que a S.H.I.E.L.D se preparava para enfrentar uma guerra. Deu de ombros, afinal quase todos os dias estava sendo aquela loucura no QG. Ao longe, viu Tony Stark polindo sua armadura e fazendo alguns ajustes nela. A médica andou até ele com apenas um propósito em mente.

- Stark. – ela precisou chamar a atenção do homem, que parecia estar deveras entretido em seus afazeres.

- Ah... Olá, doutora! – viu-o dar um daqueles sorrisinhos maliciosos e deixar as ferramentas de lado. – Veio me ajudar a examinar o Mark VIII?

- Não, não. Acho que você já está fazendo esse trabalho muito bem.

- Ora, ora, vejo que a senhorita é uma apreciadora da verdadeira arte.

Ela virou os olhos, era impressionante como Tony adorava se gabar. Nesse momento, um agente veio os interromper, dizendo que Fury precisava da presença de Stark na sala de reuniões. O Homem de Ferro fez um careta e virou-se para Sophie, pegando suas mãos e depositando-lhes um beijo.

- Desculpe-me senhorita Legrand, mas o chefão não pode viver sem mim, então teremos que remarcar a consulta.

- Creio que não será necessário, Stark. Só vim até você para dizer que aceito sua proposta. Darei continuidade às pesquisas. – ela tirou as mãos das de Tony e saiu em direção ao seu consultório, sem esperar que seu patrocinador viesse com mais alguma de suas terríveis piadinhas.

Não tinha tempo para delongas. Ao acordar, tinha claro em sua mente a solução para os problemas que o doutor Fontaine não conseguiu solucionar. Colocou a mão no bolso de seu jaleco e segurou as pequenas ampolas que deixou ali antes de sair do quarto. Mentalmente, repassou toda a composição química e a quantidade dos elementos utilizados na fabricação da droga. Já sabia qual desses componentes estava causando a confusão das sinapses e fazendo com que o corpo se paralisasse após o uso, só tinha que se atentar para diminuir sua dosagem corretamente.

Chegou ao seu consultório e se certificou que a porta estivesse trancada antes de começar seu trabalho. Com uma pequena chave, abriu uma das portas do armário localizado atrás de sua mesa e lá encontrou tudo o que precisava para ver suas novas ideias surtirem efeitos. Colocou as luvas e a máscara para sua proteção e arregaçou as mangas, era hora de encarnar o espírito de Fontaine e torcer para que tudo desse certo. Retirou as ampolas dos bolsos e despejou seu conteúdo em um tubo de ensaio, aquele era o princípio ativo da droga, o que fazia a mágica acontecer. Em seguida e com muita precisão, adicionou as demais substâncias, realizando as modificações que achava necessárias. Após colocar o líquido resultante na pequena centrífuga e analisar algumas amostras, viu que estava pronto para ser testado.

Recostou-se na cadeira e, de olhos fechados, respirou fundo. Aquela era a hora que ela menos apreciava no trabalho como pesquisadora. Desde que entrou para o projeto vinha sendo usada como cobaia humana por escolha própria, já que trabalhar com animais atrasaria os resultados. No entanto, o fato de fazer aquilo por livre iniciativa não significava que ela apreciava a situação. Abriu uma das gavetas de sua mesa e tirou dela uma seringa e uma agulha. Inseriu o conteúdo do tubo de ensaio nessa seringa, levantou a manga do jaleco e injetou-se a droga...

Poucos segundos eram necessários para os efeitos se fazerem perceptíveis. O mel dos olhos de Sophie aos poucos foi sendo ofuscado, dando lugar ao negro de suas pupilas dilatadas. Sua mente parecia ter se expandido e todas suas energias foram revigoradas, criando uma força interior que podia ser exteriorizada com grande facilidade. Claro era que aquele poderoso líquido poderia fazer até mesmo com que moribundos corressem em uma maratona e foi para esse fim que Gérard Fontaine o havia criado: dar uma esperança de vida a pessoas que foram desenganadas.

Legrand levantou-se e começou a andar pela sala, hiperativamente. Quando estava sob aqueles efeitos sentia-se agitada, tinha ganas de sair correndo, escalando muros, pulando ou fazendo qualquer coisa que a ajudasse a gastar toda aquela energia. Nesse momento, ouviu batidas na porta. Olhou para a bagunça em cima de sua mesa e um leve desespero a tomou, tinha que esconder aquilo rapidamente!

- SÓ UM MOMENTO! – gritou, enquanto usava seu vigor expandido para guardar tudo.

Depois de menos de cinco minutos tudo estava como ela havia encontrado de manhã e nenhum vestígio do que andara fazendo durante horas trancada ali podia ser encontrado. Recompôs-se, arrumando roupa e cabelos e dirigiu-se à porta. Ao abri-la, deu de cara com Banner, que a recebeu com um sorriso.

- Algum problema aí dentro, Sophie? – ele esticou o pescoço para ver se tudo estava normal no consultório.

- Não, não! Eu estava tirando um cochilo. – sussurrou e deu uma piscadinha. – Mas isso fica como um segredinho nosso.

Bruce soltou uma risada abafada, passando a mão por seus cabelos e deixando-os um pouco bagunçados. Estava estranhando vê-la tão agitada. – Posso entrar?

- Oh! Claro, que displicência a minha! Entre, entre. – ela sentou-se em cima da mesa e ficou balançando os pés, esperando que Bruce fechasse a porta e sentasse na cadeira a sua frente.

- Está tudo bem mesmo, Sophie? – ele a olhava desconfiado.

- Está sim! A que devo a honra de sua visita Bruce?

Ele sorriu, gostava quando ela o chamava assim, parecia realmente não temer o que ele era, mas logo voltou ao tom sério. Tinha ido ali para contar à doutora tudo o que estava acontecendo, pois não achava justo que ela ficasse por fora de algo tão grande e perigoso, era preciso alertá-la para que ficasse atenta. – Estamos em guerra. – declarou, antes de começar a conta-la todos os detalhes que tinha recebido de Fury na noite passada. Ao final do relato, viu que ela mantinha sua expressão, parecendo não ter se abalado pela história.

- Pelo menos Olívia está bem, Fury não devia tê-la deixado sozinha. – falou simplória, deixando Banner assustado. Vendo a expressão do homem, ela resolveu completar. – Me espanta que você esteja surpreso com isso tudo Bruce. Nós dois sabemos do que os homens são capazes em busca de poder.

- Realmente... Eu só queria não ter que me envolver nisso, os inocentes sempre são os mais prejudicados nas guerras.

- Esse é outro fato da humanid... – Sophie sentiu seu corpo enrijecer e agarrou a beirada da mesa, para que não caísse. Não tinha alcançado seu objetivo, lá estavam os malditos efeitos colaterais, embora tivessem demorado mais que o normal para aparecer.

- Sophie, o que foi? – Banner levantou-se e segurou o rosto da mulher, vendo que suas pupilas, antes dilatadas, se contraíram de tal maneira que suas orbes eram puro mel. – Fale comigo!

Ela abriu a boca, mas não conseguia falar nada. Estava completamente paralisada. Sentia o corpo rijo sendo sacudido por Bruce e ouvia a voz dele ao longe perguntando coisas que não consegui identificar. Aos poucos, também seus pensamentos eram palavras esparsas, sem nenhuma coerência, e os olhos se embaçavam, impedindo-a de enxergar.

Bruce tentava se controlar, era visível que ela estava com problemas sérios que não precisavam se agravar com a presença do Hulk. Simplesmente não sabia o que fazer, queria gritar para pedir ajuda e foi o que fez afinal. Enquanto esperava alguém vir em socorro, abraçou-a. – Vai ficar tudo bem, Sophie.


Ela revirara-se na cama a noite toda, sem conseguir pregar os olhos. Estava agitada, dentro dela um misto de ansiedade, medo e expectativa se misturavam. Levantou-se, andou em círculos, ligou a TV, tentou ler uma revista... Nada a interessava. As horas passaram assim, e só quando o dia começava a mostrar sinais de que ia nascer foi que conseguiu pegar no sono. Sonhou com trovões e com relâmpagos, até que percebeu que na verdade os trovões eram a voz de Thor a as luzes eram seus olhos, e já não estava mais na chuva, mas voando com ele de novo pelos céus. De repente, um grande homem de tapa-olhos parou à sua frente, abriu a boca para falar algo, mas foi engolido por chamas e explosões.

Deu por si gritando, levantando suada e tensa. Apoiou a cabeça nas mãos e tentou entender o que significava aquele sonho. "O que Thor estava fazendo nos meus sonhos?". Mordeu um dos lábios e pensou sobre o deus do trovão. Quando era criança, lia livros sobre mitologia e a nórdica sempre fora sua favorita. Seu pai contava-lhe histórias de ninar sobre Odin e que um dia ela cavalgaria com ele na garupa de seu cavalo de oito patas e depois voaria pelos carregada por Thor. Liv não gostava muito dele:

- Papai, o Thor é um chato. Ele só sabe implicar com os gigantes, o Odin que é legal, ele tem um tapa-olho, ele sabe de tudo, né papai?

Bom, pensando bem, Fury usava um tapa-olho também. Riu da coincidência... Seria ele o estranho de tapa-olho que sonhara? Riu mais quando imaginou contar ao pai que agora ela achava Thor um homem bem... Atraente. Bom, talvez essa fosse uma coisa que fosse melhor o pai não saber. Espantou esses pensamentos, vendo que já era tarde. Colocou o uniforme e saiu a passos rápidos, direto para a sala de reuniões.

Encontrou Fury e Stark conversando animadamente. Tony sorriu ao vê-la:

- Liv, chegou bem na hora da boa notícia.

- Boa notícia? E qual seria?

Fury respondeu:

- Stark nos ofereceu uma de suas mansões para ser o quartel general dos Vingadores.

Liv olhou para Tony, que deu uma piscadinha:

- Você vai adorar o lugar.

- Então, não precisaremos mais ficar confinados aqui nessa banheira? Ah, sem ofensas, senhor, mas é que... Você entende.

Fury sorriu:

- Vocês vão começar a ter missões a partir de agora e ficar aqui não é bem uma boa opção. Já convoquei os demais Vingadores para comunicar-lhes a decisão.

Ele deu as costas e começou a conversar sobre alguma outra coisa com a agente Hill. Stark aproximou-se de Liv e sussurrou-lhe ao ouvido:

- Fury pode parecer calmo agora, mas não estava nada agradável agora há pouco.

- Por quê?

- Porque eu e o Capitão lhe dissemos que não somos marionetes da S.H.I.E.L.D. para sermos usados a hora que lhes convir. Somos heróis, não precisamos de babás.

Liv encarou Tony e teve de concordar com ele. Para um grupo que se declarava como o mais poderoso do mundo, ela achava que estavam muito submissos aos desejos e vigilância da agência. Rapidamente, Tony lhe explicou que Fury havia relutado, mas concordou que o grupo agora deveria andar com as próprias pernas. A S.H.I.E.L.D. os apoiaria e concederia informações necessárias, mas a iniciativa, a ação, o planejamento, enfim, tudo agora estava por conta deles. Por isso ter um local próprio revelava-se importante.

Clint foi o último a chegar ao local, irrompendo pela sala a passos fortes.

- Banner não vem! – disse, irritado.

Fury levantou a sobrancelha, com uma sombra de dúvida, mas preferiu começar sem Bruce. Explicou a todos o que havia dito a Liv. Hoje deveriam arrumar seus pertences; amanhã, mudariam para a mansão Stark. Fury manteria contato com o grupo, mas somente o necessário. Natasha disse preferir ficar na agência.

- Sou uma agente antes de ser Vingadora, senhor. Posso desempenhar bem minhas funções sem ter que me mudar daqui.

Ninguém discutiu contra a opção dela e os demais Vingadores aceitaram mudar-se de lá com animação. Com a reunião terminada, cada um seguiu seu caminho, a fim de arrumar as malas, exceto Huscarl, que permaneceu sentada.

- Não vai arrumar suas coisas, Olívia? –Tony sorria para ela, sempre simpático.

Liv deu um olhar melancólico de volta:

- Bom, tudo o que eu tenho virou cinzas. Restou só pijama e os uniformes.

- Ótimo.

- Quê?

Stark mal esperou a resposta de Liv e já falava ao celular com Pepper.

- Pepper, preciso de suas habilidades femininas. Não, não... Não pra isso. Mais tarde. Não é disso que estou falando... Preciso que compre roupas para Olívia. Roupas, sapatos, bobagens de mulher. Sim. Obrigado, querida.

- Tony, agradeço muito, mas não posso aceitar... – Liv estava corada. Sabia que ele poderia comprar-lhe um shopping inteiro e isso não faria nem cócegas em sua conta bancária, mas não podia deixar de se sentir sem-graça. – É sério...

Tony ergueu seu queixo, fazendo-a olhar para ele:

- Liv, é o mínimo que podemos fazer por você. É uma Vingadora, mas também uma amiga. É um presente.

- Eu aceitarei...

- Maravilha!

- ... Mas com uma condição.

- Diga.

- Um dia eu lhe recompensarei, do meu jeito.

- Você é adorável, Liv.

Ela o abraçou, feliz. Tony riu:

- Sou um homem comprometido, cuidado para não se apaixonar por mim!

Lá atrás, Thor soltou um muxoxo profundamente mau-humorado perante a cena:

- É bom que recordes que tens um compromisso mesmo.

Liv respondeu a Tony, rindo:

- Tony, você se superestima. Eu prefiro os loiros.

- Eu não me superestimo, é que coisas incríveis assim – apontou para si próprio – são sempre difíceis de acreditar que sejam de verdade. – Ao fundo, Thor resmungou alguma coisa em seu idioma, que Liv entendeu mais ou menos como "narcisista almofadinhas, passarinho galanteador de última qualidade".

Liv riu, gostava de Tony, ele a animava e divertia. Havia feito amigos ali, ainda que em tão pouco tempo... Sophie, Tony... Mas e quanto a Thor? Poderia considerá-lo como amigo? Olhou para o deus do trovão, de braços cruzados encostado no fundo da sala. O que ele pensava dela? Thor era um homem sério, fechado. Mas era justamente por isso que ela se sentia tão compelida a saber o que havia por trás de seu rosto duro e de seus olhos impenetráveis, magneticamente atraída por sua presença. Talvez agora, que dividiriam o mesmo teto ("um teto de verdade", pensou, "não um porta-aviões frio e esquisito"), ela aprendesse mais sobre aquele homem tão misterioso. Sorriu por dentro, esperando ansiosa o que o futuro lhes reservava.


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