Capítulo Catorze

Depois que eu comprei o anel, o meu dia de trabalho se arrastou. Até mesmo o velho proprietário da empresa, que estava certamente perdendo o juízo, juntamente com o seu cabelo e sua visão, percebeu a minha distração.

"Eu conheço esse olhar vidrado", disse ele pesadamente, de pé sobre a minha mesa com os polegares enganchados nos seus suspensórios. "Você conseguiu uma menina, não é, meu filho?"

Minhas bochechas inflamaram, e eu senti os olhos dos outros no escritório sobre mim. "Sim, senhor".

"Quer se casar, não é?"

"Assim que formos capazes", eu disse, relutante em revelar informações demais para o escritório em geral - especialmente para o tirano.

"Bom para você, meu jovem. Melhor fazer isso enquanto pode - uma esposa adorável e jovem seria desperdiçada com um homem velho."

Eu tentei não pensar muito sobre o "isso" que ele pensava que eu deveria estar fazendo.

No final do dia, me foi dado o meu salário da semana. Eu tentei não suspirar para as notas na minha mão. Levaria dois anos para eu dar um lar para Bella e para mim, a este ritmo, e adicionando isso ao custo de um bom casamento... eu suspeitava que era hora de procurar outro tipo de emprego.

Meu pai estava cinco minutos atrasado para me pegar no trabalho, e eu estava quase tremendo de excitação e de nervoso quando finalmente nos dirigimos para casa. Eu corri para dentro sem mais uma palavra ao meu pai, que tinha sido extraordinariamente taciturno hoje, e encontrei Bella na sala.

"Vamos subir comigo", insisti, só então percebendo que não estávamos sozinhos. Para minha mãe, que me olhou com a testa erguida, eu acrescentei, "Apenas por um momento. Por favor."

O aceno sutil de minha mãe mostrou sua aquiescência, e eu peguei a mão de Bella sem lhe dar muita escolha no assunto. Ela seguiu-me para cima de boa vontade, embora eu pudesse sentir a sua perplexidade.

"Eu tenho algo para você", eu disse a ela, assim que estávamos abrigados em segurança em seu quarto.

Ela se sentou na cama e ficou me olhando com expectativa. "Tudo bem, eu estou pronta."

Minha mão estava suada quando se fechou em torno da caixa no meu bolso, e minhas pernas tremiam quando eu afundei em um joelho. Embora ela já tivesse concordado em se casar comigo, eu queria que ela tivesse uma proposta de verdade, e a importancia do momento pesava sobre meus ombros.

"Isabella Swan, isso irá tornar oficial," eu comecei, e só esse pensamento tinha me deixado radiante. Eu mal podia conter a minha alegria, e eu quis dizer as próximas palavras com todas as fibras da minha alma. "Eu juro, te amarei para o resto da minha vida. Você quer se casar comigo?"

Olhei seu rosto cuidadosamente. Seus olhos estavam cheios de lágrimas não derramadas, e seus lábios se levantaram em um sorriso trêmulo quando eu levantei a tampa da caixa pequena e revelei o anel. Eu esperava que ela não o achasse inadequado. Meu estômago se apertou. Ele era muito pequeno. Talvez eu devesse ter guardado dinheiro por mais tempo e comprado algo maior...

"Sim, Edward. Claro que eu vou me casar com você", disse ela, e algo em sua voz me disse que o anel não importava muito, afinal. Enfiei-o no dedo apropriado. Meu coração disparou no símbolo tangível da nossa promessa um ao outro.

"É muito bonito", disse ela, e eu senti como se eu pudesse flutuar sobre o meu alívio. "O que fez você escolher uma safira?"

Dei de ombros timidamente. Talvez ela preferisse um diamante. Talvez eu tivesse pensado demais em toda a coisa. "Ela só me fez lembrar de você", eu disse a ela honestamente. "Ela parece que está cheia de pensamentos escondidos e mistérios... e é linda, é claro."

Ela timidamente abaixou o queixo com o elogio, e levantei-me para me juntar a ela na cama. Eu enrolei minha mão em torno de sua cintura fina e deixei meu queixo descansar no ombro dela, para ver melhor o anel brilhando em seu dedo. Eu queria terrivelmente estar casado com ela.

"Eu estive pensando," eu murmurei, pensando em voz alta: "Se eu conseguir convencer meu pai a me deixar arrumar um emprego melhor nos próximos meses, nós podemos talvez casar em um ano. Se eu economizar apropriadamente."

Ela se virou para mim com um sorriso largo e apertou seus lábios nos meus. Sua mão se enrolou em torno da minha nuca, me segurando perto quando seus lábios se moveram apaixonadamente contra os meus. Seu ardor me surpreendeu, mas eu não deixei que me impedisse de enrolar meus braços em torno dela e retornar seu beijo com igual fervor. Ela permitiu que a minha língua deslizasse por seus lábios e o céu me ajude, sua boca doce me fez considerar a possibilidade de baixar as costas na cama e procurar suas saias. Eu tinha a sensação de que Bella permitiria isso.

Nesse preciso momento, o sino do jantar tocou alto, o barulho metálico me chamando de volta para os meus sentidos, e eu relutantemente abandonei minha noiva. Suas bochechas estavam vermelhas, fios de cabelo haviam se soltado de seu coque e seu seio levantava com cada respiração ofegante que ela tomava.

"Eu acho que ela fez isso de propósito", eu disse com uma mistura de gratidão e aborrecimento. Com definitivamente mais aborrecimento do que gratidão, eu decidi que tentaria corrigir a bagunça que eu tinha feito no cabelo de Bella.

"Nós podemos retomar isso mais tarde", ela me consolou. Eu sorri para ela, suspeitando que ela não tinha ideia do efeito que tinha sobre mim.

"É bom mesmo."


Quando descemos para o jantar, percebi o sorriso de minha mãe quando ela viu o anel na mão de Bella. Eu esperava que meu pai notasse a troca, mas seus olhos estavam fixados em seu prato, com os ombros flacidos de cansaço. Ele deve ter tido um longo dia no escritório. Se fosse esse o caso, eu sabia que era melhor manter as coisas calmas e normais, por isso eu não disse nada.

"Ed, querido, como foi seu dia?" Mamãe perguntou ao meu pai, como era de costume. Nossas refeições muitas vezes começavam desta forma.

Ele deu de ombros. "Nada fora do comum, embora eu tenha que admitir, eu me senti estranhamente feliz quando deu a hora de vir para casa."

"Espero que o caso do Beauchamp não esteja te sobrecarregando novamente," Mamãe respondeu. "Esse homem não vale a pena o esforço. Se ele simplesmente tomasse mais cuidado na gestão de seus negócios, ele não estaria nesta bagunça em primeiro lugar."

Deixei escapar um gemido silencioso. Meus pais haviam se queixado sobre esse caso durante os últimos seis meses.

"Mãe, você se importaria de passar as ervilhas?" Eu interrompi, não querendo que ela começasse a fazer uma reclamação que poderia durar até a sobremesa.

"Claro, querido", ela disse, passando-as para mim por Bella. "E como foi o seu dia no trabalho?"

"Longo, como de costume, e sem brilho, como de costume," eu disse com um encolher de ombros. "Mas eu recebi meu salário hoje."

A conversa diminuiu enquanto nós comemos. Meu pai ficou muito tranqüilo, e minha mãe fez a maior parte da conversa. Ela tinha decidido que Bella deveria ter algumas roupas novas para o inverno, e ela discutiu seus planos nessa linha. Meus olhos sempre voltavam para Bella, a centelha de azul em sua mão esquerda e o fio de cabelo que havia se soltado mais cedo teve que ser empurrado continuamente atrás da sua orelha.

Em um certo ponto, a conversa acalmou. Olhei para cima do meu prato para encontrar Bella e minha mãe olhando para o rosto do meu pai, que eu agora percebi que estava corado e úmido.

"Pai? Você está bem?" Eu perguntei, uma ansiedade roendo em meus ossos.

Ele olhou para cima, mas seus olhos estavam um pouco fora de foco, as suas pálpebras caídas. "Tudo bem, tudo bem. Só um pouco indisposto, eu acho."

"Talvez você deva ir se deitar," Mamãe sugeriu. Ela se aproximou da mesa e sentiu sua testa com as costas da mão. "Você está com febre, querido."

"Você pode estar certa", ele suspirou. "Sim, eu acho que vou me deitar um pouco..."

Eu o vi se levantar lentamente da mesa e passear debilmente pela sala. Febre - a febre pode significar uma série de coisas, mas a doença que agora circulava nos jornais, ela sempre começava com febre.

"Talvez eu deva ir cuidar dele", disse minha mãe. Ela parecia calma, quando se apressou para sair da mesa, mas eu conhecia minha mãe melhor do que isso. Ela sentiu medo, assim como eu. Se fosse a infame gripe espanhola, meu pai estava em perigo - como todas as pessoas nesta casa, até mesmo nesta cidade. Eu estava em perigo, minha mãe estava em perigo, e Bella... Meus olhos se voltaram para ela enquanto eu imaginava com horror o que seria de Bella se ela contraísse a doença.

Ela percebeu o meu olhar em pânico. "Edward? O que houve?"

Como eu poderia dizer-lhe tudo sem assustá-la? "Eu só estou... preocupado, Bella. Havia histórias no jornal mês passado sobre uma epidemia em Boston, algum tipo de... congestionamento nos pulmões. Ela matava em dias... horas, às vezes. E se..."

"E se chegar aqui?" Ela concluiu para mim, olhando um pouco surpresa também. "Eu vi uma pessoa desmaiar hoje no mercado. Ele estava muito fraco para ficar em pé..."

Portanto, este não era um incidente isolado. As pessoas estavam ficando doentes em Chicago, e se fosse a gripe espanhola, se espalharia rapidamente. "Eu acho que você deve deixar a cidade por algum tempo, Bella. Eu não quero correr o risco de você pegar isso."

Ela balançou a cabeça imediatamente. "Não sem você."

"Eu não posso - eu sou necessário aqui, Bella", eu implorei. Se alguma coisa acontecesse com meu pai, eu teria que cuidar de minha mãe, por isso eu sabia que ela não poderia me persuadir a deixar a cidade agora. Mas se Bella pudesse estar segura, tanto quanto eu sentiria falta dela, seria um peso tirado dos meus ombros.

"Se você ficar, então significa que também sou necessária aqui", insistiu ela, tão feroz como eu nunca tinha visto. "Não vou te deixar agora. E me importo com seus pais também – sou parte dessa família, não sou? Eu não vou fugir agora."

Eu suspirei. Essa teimosia eu sabia que ela possuía. Ainda assim, eu esperava que ela respondesse a um apelo sério. "Sabia que você não ia concordar, mas tinha que perguntar mesmo assim. Mas Bella, se lhe acontecer alguma coisa..."

"Silêncio agora", ela me acalmou, colocando a mão na minha. "Nós vamos enfrentar isso juntos." Seu sorriso era tão sincero que eu tive que acreditar nela.

"Certo, então", eu respirei. "Acho que devemos fazer alguma coisa."

Bella apertou minha mão. "Eu vou chamar Mary e ajudá-la a tirar a janta. Você deve ir lá para cima e ver se sua mãe precisa de ajuda."

Eu quase perguntei se ela iria comigo, e talvez segurasse minha mão, mas eu me abstive. Ela devia estar com medo, e ela precisava que eu fosse forte por ela.

Com tristeza, pensei em quão feliz eu estava a uma mera hora atrás. Como o destino poderia ser cruel!


N/B ~Há males que vem para o bem (Edward vampiro), tá é meio mórbido meu pensamento, mas não é verdade u-u.

Mas também é de apertar o coraçãozinho ver todos sofrendo, principalmente esse Edward imaturo :3 ~ comentem e até domingo que vem.

Lary Reeden


Nota da Irene:
Estou tão feliz com a resposta de vcs nas reviews. Obrigada a todas que acompanham. E concordo com nossa leitora "Sarcasm runs" no ponto de dizer que eu preferia que a Bella ficasse com esse Ed humano e tivesse uma vida normal e feliz. Eu não gosto tanto da idéia de ela largar a vida toda pra ter uma "eternidade" com o Ed.

Bem, cada uma tem uma opnião. E vcs? O que acham?

Beijos