CAPÍTULO XIV: Despertando a curiosidade
O corujal fedia a titica e isso fez Sirius franzir o nariz ao entrar lá. As diversas corujas da escola estavam empoleiradas ali com caras mal humoradas e a espécime azul se destacava.
Deu um pio curto quando Liliane se aproximou dela e acariciou suas penas.
-Olá, íris. – A menina cumprimentou-a. – O que você trouxe?
O animal estendeu a perna, obediente, e Liliane retirou um pacotinho.
Havia uma pequena caixinha preta e um pergaminho dobrado, que a garota abriu e leu, enquanto Sirius observava.
-Notícias de casa? – Ele perguntou.
-Não. Minha avó mora em Delfos. Minha casa fica em Atenas. – Ela disse, enfiando a carta no bolso da calça jeans. – Ela só me mandou um presente.
-Não sabia que você estava de aniversário...
-Não estou. É só... Ela resolveu me mandar uma jóia da família. – Ela estava sendo notavelmente evasiva e isso deixou o garoto curioso.
-Não vai abrir? – Ele apontou o pacote.
-Sim... – Ela abriu o laço que prendia a tampa na caixa e desvendou uma fina corrente de prata, na qual estava pendurada um pingente brilhante e translúcido em forma de coração.
-Não parece o tipo de jóias da minha família. – Sirius comentou criticamente.
-Tenho certeza de que não. – A corvinal deu uma risada.
-Quer ajuda para colocar? – Ele se ofereceu.
-Ah... Tudo bem. – Ela estendeu a caixa para o rapaz, que pegou a correntinha, e ficou de costas para ele, enquanto erguia os longos cabelos loiros, para que ele pudesse prender a jóia.
Sirius não pôde deixar de observar a pele rosada dela, enquanto prendia o fecho da corrente e sentiu vontade de senti-la, para saber se era tão boa ao toque quanto era à visão. Assim, deixou quase acidentalmente que as pontas de seus dedos roçassem a nuca dela e algo dentro dele se agitou. Seus pensamentos se voltaram para agarrá-la ali mesmo e nunca mais se desfazer dela. Balançou a cabeça, espantando aquelas coisas.
Liliane dera um passo a frente e se virava para ele.
-Acho melhor irmos embora daqui, neh? – Ela parecia um pouco nervosa.
-É, esse cheiro de caca de coruja já ta me fazendo mal. – Ele concordou, enquanto os dois se encaminhavam para a escada que saía da torre.
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Remo estava lendo, sentado numa das poltronas da sala comunal. Ou fingia estar fazendo isso...
Alicia Thompsom estava deitada de bruços sobre o tapete, traçando lentamente as formas do desenho que seria a mascote e símbolo da equipe.
Seus cabelos cor de chocolate estavam presos no alto da cabeça, num coque improvisado e ele sentia vontade de caminhar até ela e soltá-los, cheirá-los, sentir sua textura...
"Remo, Remo, você sabe que não pode pensar essas coisas. Nenhuma garota deve ficar com você. Você é perigoso e pode feri-la.", pensou consigo mesmo, soltando um suspiro.
Constatando que não conseguiria se concentrar ali, ele subiu ao dormitório masculino e ficou surpreso ao encontrar Sirius ali, atirado na cama, com um livro.
-Estou tendo alucinações... – Exclamou.
-O que? – Sirius ergueu os olhos. Depois que voltara do corujal, ele acabou indo pega algo para ler na biblioteca, já que não via perspectiva de algo interessante para fazer.
-Nunca pensei que encontraria você nessa situação, Almofadinhas. – Remo riu, apontando o livro.
-Ah... É o que a gente acaba fazendo, quando os amigos arrumam namoradas. – Sirius deu um sorriso largo e Remo corou um pouco.
-O que está lendo?
Sirius deixou o amigo ver a capa do livro, em couro vermelho, que trazia "Criaturas mágicas" escrito em letras douradas.
Remo coçou a cabeça. Normalmente, a única leitura de Sirius eram revistas trouxas sobre carros e motocicletas... Não fazia sentido que ele estivesse lendo aquele livro.
-Hum... Por que está lendo isso? – Perguntou.
-Ah, achei interessante.
-Tu... Tudo bem. – Aluado deu de ombros e sentou em sua própria cama, para fazer sua leitura, apesar de a atitude de Sirius tê-lo deixado no mínimo curioso.
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O sol estava se pondo e Lílian se surpreendeu com isso. Tinha passado a tarde inteira com Tiago e se sentira tão relaxada que nem vira o tempo passar.
-Acho melhor irmos para a escola. – Ela sugeriu.
-É, ta ficando escuro. – O garoto concordou, levantando e calçando os tênis. – Nenhuma chance de eu ganhar um beijo hoje?
-Tiago!
-Está bem... Não forçar a barra... – Ele levantou as mãos ao céu e Lílian teu um empurrão nele.
-Isso não é justo... – Ele fez cara de pidão e Lílian riu. – Eu vou ter que pegar você na marra agora! – Completou e Lílian soltou um gritinho, antes de sair correndo pelo gramado, sendo perseguida por ele.
Ele só a alcançou perto da escola e segurou a mão dela, puxando-a para junto de si, antes que ela pudesse protestar.
-Você não tem jeito, Potter... – Ela sussurrou, jogando a cabeça para trás.
-Não quando o assunto é você. – Ele sorriu.
-Vamos, temos que jantar e terminar os deveres. - Lily falou.
Tiago suspirou.
-Eu sei. Mas queria que pudéssemos só ficar assim, sempre.
Lílian deu um sorriso a ele antes de se soltar do abraço e os dois seguiram até a escola.
