Quarto de Lisbon
Não, não, não!
Era o que Teresa pensava naquele momento. Aquele (maravilhoso) beijo não podia ter acontecido. Jane só podia estar a brincar com os seus sentimentos.
Andava pelo quarto, a encharcar a carpete, enquanto pensava no que tinha sucedido.
Porque é que ele me beijou? Isto não podia ter acontecido, não podia. Vai tudo mudar entre nós.
Alguém bateu à porta e Lisbon supeitou logo quem era.
"Lisbon, abre a porta."
"Vai-te embora Jane, não te quero ver."
"Lisbon, por favor, deixa-me entrar. Isto não pode ficar assim."
Porque raios aquele homem não aceitava um simples Não como resposta?
"Já te avisei Jane, não quero falar, agora sai daí, vai para o raio que te parta, mas deixa-me em paz."
"Teresa, por favor..."
Aquele murmúrio desesperado por parte dele derrotou-a. Com lágrimas nos olhos, encostou-se à porta. Este era o maior erro da vida dela. Ter-se apaixonado por Patrick Jane estava a ser o maior erro da vida dela, e ela sabia-o perfeitamente. A busca por Red John ainda continuava e ambos não iriam ter descanso enquanto não encontrassem o assassino. Jane não iria desistir da ideia de se vingar e ela não iria desistir da ideia de detê-lo e impedi-lo de passar o resto da vida na prisão.
Perdeu o controlo ao descobrir que o seu coração batia mais forte por Jane e nem o seu caso de uma noite de sexo ocasional com Mashburn a fez esquecer o consultor. Ele era necessário na sua vida. Cada momento que não o via, sentia a sua falta, morria de saudades, e mesmo não podendo expressar o que sentia por ele, sorria sempre que o via no seu escritório, deitado no sofá ou na cozinha a preparar o seu chá.
"Teresa, abre a porta, por amor de Deus."
"Tu não acreditas em Deus, Jane."
"Então abre a porta pelo amor que sentes por mim."
O seu queixo batera no chão, tinha essa certeza. Ele sabia. Voltando-se de frente para a porta, ganhou coragem, respirando fundo e abriu. Sabia que precisava de falar com Jane e resolver a situação em que se tinham metido.
Casa de Raquel
Era de noite e Raquel encontrava-se no quarto, de frente para o computador, com meia sandes de frango comida e uma lata de coca-cola. Acabara o trabalho de inglês que ia entregar na manhã seguinte e estava cansada. Quem disse que o secundário era fácil, obviamente não era o melhor aluno da escola, nem tinha notas de 18 e 19 para manter no fim do ano. Mandou mensagem a DJ a perguntar se ele sempre ia buscá-la de manhã para irem para a escola e enquanto aguardava a resposta, resolveu fazer mais uma sandes para depois ir-se deitar.
Com o telemovel sempre na mão, andou pela casa às escuras, por já saber o caminho para a cozinha.
Sentiu um arrepio pela corpo todo e assim que entrou na despensa à procura do pão-de-forma, ouviu o barulho do trinco da sua porta e escondeu-se, sem pensar duas vezes.
Passos pesados passaram perto dela, e sustendo a respiração, tentando acalmar a sua batida cardiaca, deu graças a Deus pela casa estar coberta de escuridão. Os passos afastaram-se e, sem barulho algum, Raquel encostou a porta da despensa e ligou para o télémovel de DJ. 3 toques e ele lá respondeu.
"Hey, eu sempre vou-te bus..."
"Dj, ajuda-me."
"Raquel? O que se passa? Porque é que estás a sussurrar?"
"Está alguém cá em casa. DJ, liga para o Inspector."
"Raquel, tem calma, eu vou já para aí."
"Não! Ouve, liga para o Inspector ou para os Agentes da CBI. E caso me aconteca qualquer coisa, precisas de saber que eu te amo."
As lágrimas cobriam-lhe o rosto enquanto confessava o seu amor.
"Raquel, ouve-me, vai correr tudo bem, ouviste?"
Repentinamente a porta da despensa abriu-se e Raquel deu de caras com um homem que lhe sorria de forma maléfica. Não soube o que fazer, não havia reacção, o seu corpo parecia ter congelado, então fez o que pôde.
Gritou.
O télémovel caiu ao chão e a última coisa que ouviu foi DJ chamar o seu nome antes de entrar na escuridão total.
