Já tinha quatro dias que estavamos hospedados na casa do Inari, e da mãe gostosa dele, eu sabia que seria hoje...

Sakura estava bem mais forte, o julgamento e controle de chakra que ela tinha eram de nível chunnin, quase no mesmo nível do do Sasuke, mas eu sabia que logo ela ultrapassaria ele, e até mesmo eu.

O dia amanheceu, e a manhã foi como sempre, levantamos, e depois de tomamos café, eu e o Sasuke fomos praticar um pouco no jardim, enquanto esperavamos Tazuna-o-san arrumar as coisas pra irmos, ele sempre demorava uma meia hora mesmo...

Sakura observava nossa luta, estavamos só no taijutsu, ele havia melhorado bastante, a postura mais fechada pra ataques, bem mais equilibrada, e difícil de quebrar, mais ainda voltada mais pro ataque, em compensação, ele começou a melhorar bem sua esquiva, se abaixando, e pulando pro lado para evitar ataques, seu pé estava vindo em direção a minha cabeça agora, apoiei a mão no chão, e num giro, parei seu pé o outro ia certeiro em suas costas, mas ele também girou, só que no sentido oposto, aparando meu golpe, anulando ambos os chutes, aquele taijutsu estava em nível de chunnin, pra mais.

Tazuna finalmente saiu, com a filha -deliciosa, diga-se de passagem se despedindo dele, Inari estava dentro de casa, nesses últimos dias, ele havia se tornado um pouco mais sociável, mas nem tanto, ainda ficava muito sozinho, e calado. Sakura estava se levantando, seguindo Kakashi pra nos acompanhar, eu sabia que o ataque daqueles dois samurais idiotas seria hoje, antes havia considerado deixar um clone escondido, mas não era mais necessário...

Parei no lugar, com os olhos vidrados, Kyuubi liberou mais do seu próprio chakra, me fazendo suar rapidamente, Oba-san me olhou preocupada, sendo seguida pelos olhares dos outros.

-Naruto-kun... você esta bem?- ela perguntou.

-H-Hai... -gaguejei propositalmente- tive uma sensação ruim... Sakura...

Ela me olhou assustada, achando que a sensação era que algo de ruim acontecesse a ela.

-Você poderia ficar com Inari e a Oba-san por hoje... estou com uma sensação péssima... onegai...

Ela olhou pro sensei, e ele olhou pra mim, deu de ombros, e falou:

-Não vejo por que não, se vai te deixar mais tranquilo Naruto...

-Hai sensei -eu falei um pouco envergonhado- gomen... gomen, nee-chan...

-Iie -ela disse sorrindo- não tem problema, tomem cuidado...

-Ee -Sasuke disse- agora vamos.

Nos despedimos, e continuamos o caminho de sempre, quando chegamos, havia poucos trabalhadores na ponte, a maioria da vila havia desistido, como da outra vez, quando juntamos muitas pessoas, sempre faz a diferença, mas os medos de um, são os medos de todos, uma única pessoa é inútil, mas se uma única desistir, isso leva muitas a desistir também...

"É verdade... é a natureza humana... - Kyuubi comentou sabiamente na minha cabeça, bocejando, logo voltando a cochilar"

"Talvez seja algo mais..."

Eu podia sentir claramente o chakra do demônio da névoa, estava bem próximo, esperei alguns minutos, e então olhei pro Sasuke, ele fez um leve gesto com a cabeça, havia sentido também, uma névoa densa começou a cobrir toda a ponte não terminada, os trabalhadores correram, e uma risada fria e cruel ecoou pelas vigas metálicas e pelo concreto... iria começar agora.

Kakashi fala:

- É Ninpou, Kirigakure no jutsu ( técnica de se ocultar na névoa)...

Nisso, Naruto fecha os olhos, era desnecessário, mas, tinha que fazer como haviam treinado, para Sasuke não desconfiar. De olhos abertos, conseguia localizar oponentes e sabia que Zabuza se deslocava a grande velocidade. Notou, que tudo estava saindo diferente de antes, mas, mesmo assim, não era nada tão preocupante assim, só precisaria ser duplamente precavido e reavaliar seu plano.

Já fizera isso em missões, por erro de algum integrante, quando ainda fazia em time, sendo, que não durou essas missões, mais do que 5 meses, pois, depois disso, fazia sozinho as missões de Rank A e principalmente Rank S.

Pega sua kunai e impede o ataque do demônio. Usando sua força, bem, nada comparada com seu real poder, empurra o nukennin com violência, ao mesmo tempo que Sasuke, rebate os zenbous lançados por Haku, fazendo o metal retinir ao cair no chão.

Naruto e Sasuke se entreolham e ambos sorrindo, fazem sim com a cabeça e Uzumaki sai dali, avançando um pouco na névoa, supreendendo Haku e o golpeando, lançando-o longe e o seguindo.

Kakashi fica estupefato. Era incrivél o nivél de Naruto, de fato, estava acima do Sasuke, mas, notava que este não olhava com raiva nem nada, sorria. Não sentia inveja e aceitava o poder do amigo, pelo que julgara.

Enquanto isso, longe dali, nos arredores da casa da mãe de Inari, dois capangas de Gatou se aproximavam sorrateiramente, munidos de suas katanas.

Em um instante, quebram a parede da casa e supreendem a jovem mãe que estava na pia.

Apavorada, vê eles se aproximarem e a empurram no chão, fazendo-a quebrar pratos.

Sakura havia percebido, antes mesmo de arrebentarem a parede, mas, como tática ninja, deveria certifica-se do número de inimigos, pois, podia haver mais, afinal, o canalha do Gatou era riquissímo e tinha com certeza dezenas, senão, centenas de capangas.

Todo o cuidado era pouco e pelo que notara, observando a cena, só queriam levar a filha do Tazuna, daria tempo de averiguar o local, só precisava se certificar, que não machucariam Inari.

O mesmo surge, gritando:

- Kaa-chan!

- Não apareça aqui! Fuja daqui, rápido! - grita apavorada, temendo por seu filho.

- Quem é essa criança? - um dos capangas pergunta - Vai levar essa criança também?

- Só um refém está bom - o outro responde.

"Refém?", o menino pensa apavorado, se encolhendo contra a parede de madeira.

- Então, vou mata-lo - o maior deles fala, com o peito desnudo e erguendo sua katana, começando a desembanha-la.

- Espere! - nisso olham para trás e vêem a mulher ainda no chão - se atacar esta criança, eu morderei a minha língua até morrer!

Inari observa a cena chorando, encolhido.

- Vocês não precisam de uma refém? - tenta barganhar pela vida de seu filho, com o coração apertado.

O mais alto embanha a espada novamente e o outro, fala, sorrindo para o menino:

- Agradeça a sua mãe, garoto.

Nisso, ele cai no chão e chora compulsivamente

- Não estou satisfeito... - o mais alto comenta irritado, na cozinha.

- Pare com isso... você já cortou muitas coisas agora há pouco. Vamos levar logo essa mulher. - nisso a puxa no punho e a amarram com as mãos atrás do corpo.

- Perdoe-me kaa-chan... perdoe-me... - fala baixo, quase num murmúrio, mais para si mesmo.

Chora, com a cabeça abaixada, enquanto sua mãe é levada pelos bandidos.

- Eu sou fraco, eu não posso te proteger... Eu não quero morrer... - lágrimas caem compulsivamente de seus orbes cerrados - tenho medo...

Nisso, as palavras de Naruto lhe vem a mente, seguida das de Kakashi. Naruto já chorou e muito, mas, parou de chorar e decidiu reagir, enquanto ele, Inari, continuava um chorão, que só sabia chorar e nada mais, ao contrário do ninja que descobriu o verdadeiro significado de ser forte, assim como o pai dele, que enfrentou Gatou em nome da Vila que o acolhera.

Nisso, olha para as palmas de suas mãos e se lembra dele, das palavras costumeiras de seu pai, o heroí da vila.

"É preciso proteger... Assim, com os seus braços - fala firmemente mostrando seus braços- ... algo realmente importante para você."

Nisso seca as lágrimas e vê o rosto da mãe dele, de Kakashi e os outros, de seu avô e de Naruto e do pai dele por último.

- Eu... Será que eu consigo ficar forte também?

Cerra os punhos e se ergue, não chorando mais e com um olhar decidido:

- Kaa-chan!

Nisso, lá fora, eles que já se encontravam um pouco distante da casa, pertubando a mulher, ouvem o grito de Inari:

- Esperem!

- Inari! - a mãe o olha apavorada.

- O quê? Não é o moleque daquela hora?

- Larguem... largem a minha mãe!

- Esse moleque não tem jeito... - o maior comenta, com a mão na guarda da katana, preparando-se para desembanha-la, sobre o olhar apavorado da mulher.

- Vamos. - o outro faz a mesma coisa.

- Se fizerem isso...! - mas, é silenciada por uma pancada em sua nuca, fazendo-a cair no chão, desacordada.

- Cale a boca. Apenas durma - o de casaco azul fala à mulher desacordada, levemente irritado, com a mão espalmada, erguida.

Nisso, avançam e sentem cortar algo. Sorrindo, pensam ser o menino, mas, não era e sim, uma tora de madeira.

- Kawarimi no jutsu? - um deles pergunta.

São supreendidos por uma ninja que surge atrás deles e os golpeia fortemente com o pé, acertando-os na nuca, deixando-os desacordados.

Nisso, os amarra rapidamente e joga as espadas deles longe. Inari está ali perto, desacordado e a Sakura ao se aproximar, vê ele despertando.

- Sakura-san?

- Isso... desculpe pela demora, mas, tinha que me certificar se eram só eles... eu que precisava supreende-los e não o contrário... é a tática padrão ninja...

Ele se levanta e fala, aliviado, ambos se aproximando da mãe dele, desacordada:

- Compreendo... obrigado por me salvar e a kaa-chan... ainda bem que não foi com eles.

- Sim... originalmente eu ia, mas, Naruto teve um pressentimento ruim e eu fiquei... ainda bem... eu temo em pensar senão estivesse aqui... ele estava preocupado com você...

- Entendo. - o menino sorri, já tendo amadurecido um pouco.

Ficam juntos da mãe dele, até esta despertar.

Depois que acertei o chute no Haku, nós nos distanciamos como da outra vez, antes Sasuke é que lutava com ele, e eu estava na casa da Oba-san, agora que havia deixado Sakura lá, não havia por que me preocupar, dois samurais não eram problema pra ela, Sasuke acabou ficando com o Tazuna (eu tinha certeza que ele ia reclamar depois) e Kakashi ficou com o Zabuza, tudo estava diferente de antes, eu precisava tomar cuidado...

Haku olhava para Naruto, em posição de ataque, mas, lembrava-se do encontro dele no dia anterior.

Eu andava pela floresta em meu kimono que adorava usar, foi dado por Zabuza para mim e eu considerava meu maior tesouro, juntamente com a minha roupa ninja, modelo escolhido por aquele que admirava no fundo do meu coração.

Olho para cima, os cálidos raios de sol banham minha pele alva como a neve, assim como meu kekkei genkai, temido pelo meu país de nascença, mas, necessário para aquele que eu amava de todo o coração e que era meu Deus ao mesmo tempo, Zabuza-san. Ele se tornou meu passado, meu futuro, mesmo sendo só uma ferramenta para ele alcançar seus sonhos, mas, não me importava, aceitara de coração essa minha utilidade, que ao mesmo tempo, deixou-me feliz.

Abaixo-me e sorrindo, colho as ervas para tratar meu sensei, colocando na singela cesta que trazia. Um passarinho pousa no meu ombro e logo surge mais alguns. Sorri. Eles eram lindos e alegrava-me a compania deles.

De repente, imerso em recordações da convivência com meu mentor e minha vida ao mesmo tempo, deparo-me com alguém deitado logo á frente... Era um menino.

Vi que os passáros tinham aberto vôo, como se me mostrassem aquele jovem e logo, três estavam acima dele. Olhei mais atentamente e vi o hayate de Konoha, reconheci logo de imediato, que tratava daquele gennin, que juntamente com o outro e aquele jounnin, impossibilitaram Zabuza-san de lutar, dominando a luta contra ele o tempo todo.

Me supreendi de imediato, claro, vendo-o ali, tão vulneravél, mas, depois, pensei no perigo que era aquele rapaz para os planos de Zabuza-san, não podia permitr que ele vivesse e logo cerro os punhos, chorando por dentro por mata-lhe. Odiava matar, mas, era necessário, era minha sina, minha maldição que concordei de bom grado, quando aceitei ser a ferramenta de Zabuza-san, logo, não tinha quaisquer direitos de achar ruim e se precisasse ser um demônio por ele, assim seria.

Aproximei-me lentamente, determinado a ceifa-lhe a vida, caminhando ao destino que fazia meu coração sangrar em dor.

Sentei em meus joelhos e convicto, levei minhas mãos vagarosamente ao pescoço dele. Quando cheguei a centímetros do mesmo, minha mão tremeu. Era impossivél para mim, por algum motivo, o chakra daquele menino me impedia de fazer-lhe algo, naquele estado vulneravél, por mais que fosse fácil para mim, quebrar-lhe o pescoço, algo, que desconhecia, me impedia. Seria meu coração gentil? Será que ele me bloqueava? Aquele que considerava como meu Deus, falou-me diversas vezes que eu possuía um coração gentil e amavél.

Certamente foi isso, embora, em meu intímo, fosse o chakra dele, havia algo especial nele.

Já não conseguindo continuar com meu plano inicial de mata-lo, sacudo seu ombro para desperta-lo e falo:

- Você pode pegar uma gripe se continuar dormindo aqui.

Noto que ele se levanta e se espreguiça, olhando para mim e falando:

- Ohayou... quem é você?

Eu apenas sorrio e nota que ele sorri também.

- Obrigado por me despertar.

Noto que ele olha para a minha cesta de ervas e fala:

- Está colhendo ervas medicinais?

Apenas concordo com a cabeça, sem abandonar meu sorriso tão característico.

- Eu vou ajudar a colher alguns, como agradecimento por me acordar.

- Arigatou.

Nisso, em pouco tempo, ele colhe comigo as ervas, ele era gentil e amavél. Noto ele olhando para mim, sentando, enquanto estou sentado sobre meus joelhos:

- Tanto trabalho logo de manhã... com certeza, é para alguém especial, né?

Fico levemente corado, mas, falo, forçando uma voz firme:

- Sim... é alguém muito especial para mim...

Sinto-me um tanto envergonhado por falar de sentimentos com aquele estranho, mas, estranhamente, confiava nele, mesmo assim, procuro mudar de assunto rapidamente.

- É um shinobi ou algo assim? Por que está aqui tão cedo?

- Sou um ninja! - nisso, ele coloca a mão atrás da cabeça e fala, em seguida, determinado - Estava treinando para ficar mais forte! E acabei, creio, que pegando no sono...

Noto ele terminando um tanto sem graça. Eu ri levemente, com as mãos em frente a boca. Retomo a conversa anterior, por algum motivo desconhecido, senti que podia confia-lhe, esse sentimento de confiança crescente em meu peito:

- É para alguém? Ou só para si mesmo?

Nisso, minha mente vagueia e não consigo impedir, para meu passado antes de conhecer Zabuza, quando vivia nas ruas, em meio a neve, faminto, com sede, catando restos em meio ao lixo para sobreviver.

Lembrava-me de um dia, arremessando uma cadela longe do lixo recém-colocado, porém, vi os filhotes rosnando e a mesma e não tive coragem, por mais que estivesse necessitado, meu coração gentil impedia de agir friamente, simplesmente, deixei que fuçassem no lixo e fui embora faminto.

Nessa mesma noite, naquela ponte, foi a primeira vez que eu o vi, os olhos dele eram iguais aos meus, da primeira vez que me viu, não me olhou como os outros.

- É para alguém... principalmente... - noto que ele responde com sinceridade, vejo a transparência em seus orbes azuis serenos, convictos.

- Entendo... ficamos realmente fortes... quando queremos proteger alguém importante para nós.

Nisso me levanto e ele me olha, sorrindo, então, falo-lhe:

- Você se tornará forte...

- Hai!

- Até algum dia...

Sinto uma imensa tristeza assolar meu coração, sabia, que quando o reencontrasse, seria no campo de batalha.

Sofri só em pensar em ter que mata-lo, mas, mesmo assim, faria. Era ferramenta daquele que idolatrava como um Deus, dei minha alma e meus sonhos por ele e farei tudo o que puder para que ele os alcançe, mesmo, tendo que matar meu coração todas as vezes que cumpro a minha sina, que não odeio ou menosprezo, afinal, me tornei útil para alguém e não estou mais sozinho.

Viro-me e falo:

- Eu sou um homem.

- Eu sei - escuto ele falando, me supreendo.

Olho para ele, atentamente, que fala:

- Acredite, reconheço o que é mulher e o que é homem, mas, muitos, devem confundir você com um garota, mas, não me importa, sei que deve ter motivos para isso e bem... não me diz respeito. - o jinchuuriki fala serenamente.

- Obrigado - agradeço, me curvando levemente e saindo dali, meu coração mais pesado do que estivera antes.

Haku ainda mantinha aquela postura fria, mas era apenas uma máscara, eu não entendia como ele conseguia segurar as lágrimas, o que Zabuza havia dito a nós da outra vez era verdade, enquanto lutava conosco, o coração dele se partia, eu não havia dado muita atenção na época, mas agora entendia, o que ele sentia enquanto ia lutar comigo, era o mesmo que eu sentia quando matava, quando fazia missões de assassinato...

Haku era igual a mim...

Bem... quase... eu tinha preferências sexuais mais convencionais... mas isso não vem ao caso...

Ele caiu no chão, de costas, saiu arrastando por alguns metros, virou, e com uma cambalhota se pôs de pé, enquanto eu estava parado, esperando, olhando sério pra ele.