Capitulo 20
Não fazia muito tempo que tinha conseguido o emprego no hospital, sempre foi seu sonho trabalhar com pessoas, cuidar delas e finalmente tinha conseguido se formar, foi quando seu avô faleceu e precisou se mudar para o Kansas.
Ali, vendo o rosto sereno daquele paciente, sabia que nunca se arrependeria.
Herdou a propriedade do avô, sua fortuna, mas ainda assim, continuou com seu objetivo, com seu sonho, continuaria a cuidar das pessoas.
Alugou um quarto ali perto do hospital público, e apenas passava os fins de semana na enorme mansão que tinha herdado. A mãe não quisera vir junto, nunca teve uma boa relação com o sogro e como o esposo tinha morrido muito cedo, criou o filho sozinha.
Chad agradecia por não ter sido criado perto do avô paterno, pelo pouco que o conhecera e ouvira falar dele, sabia que era uma pessoa terrível, criou os filhos de maneira muito rígida, até mesmo deserdou seu tio mais velho pelo fato dele se casar com uma negra.
Nunca tinha se encontrado com ele, mas com certeza seu avô não lhe daria herança nenhuma se soubesse de algumas preferências suas.
Levantou claramente feliz aquela manhã, tomou um banho arrumou-se, era sua folga, mas não tinha nenhum lugar para ir, tinha pedido a Jared para ficar no hospital, disse que não se importava se não recebesse, mas o moreno alto negou, dizendo que não podia fazer isso.
Ligou para a mãe, disse que estava com saudade e chorou enquanto ouvia a voz dela, convidou-a para vir morar consigo, mas ela novamente recusou, agradecendo em seguida, dizendo que estava muito bem onde estava e que não queria ficar na casa que um dia foi daquele homem detestável.
O loiro suspirou, retrucando que a casa agora não era mais do velho, e sim, dele, mas ainda assim ela não cedeu, dizendo que tinha conquistado muitas coisas ali em Boston, e que não iria embora, pediu perdão por isso, mas Chad disse não precisava pedir, ele entendia, sempre entendeu. Despediu-se, fazendo ela prometer que não demoraria a visitá-lo e então desligou.
Decidiu que naquele dia tomaria o café fora, sempre fazia o desjejum às 6:00hrs, que era o horário que acordava para ir trabalhar, mas hoje decidiu que seria diferente.
Ainda eram 7:00hrs, colocou uma calça jeans preta, uma camisa de gola alta e mangas compridas, e um sobretudo preto, estava frio lá fora, pode ver quando foi até a janela e a garoa fina caída, várias pessoas com roupas quentes e guarda-chuva. Adorava o tempo como estava, com esse friozinho, mas sentia falta de ter alguém.
Isso o levou a pensar em Jensen, perguntava-se se algum dia poderia conversar com ele, se algum dia ouviria como é a sua voz, se algum teria a oportunidade de chamá-lo para um jantar ou para ver um filme.
Sorriu inconscientemente enquanto espetava os fios loiríssimos de seu cabelo, mordeu os lábios e se analisou mais uma vez no espelho, é, até que estava apresentável.
Desceu as escadas esfregando as mãos uma na outra e assoprando, é realmente estava frio. Saiu para a rua e ao longe pode ver uma cafeteria aberta, se encaminhou para lá e entrou no estabelecimento.
Era aconchegante e bem quentinho lá dentro, várias pessoas aproveitaram o clima frio e resolveram ir para lá, pois o lugar estava lotado. Pediu para a garçonete lhe trazer o café ali no balcão mesmo, mas ela o reconheceu e lhe indicou uma mesa mais reservado, agradecendo incessantemente por ter tratado do pai dela, fazendo-o ficar envergonhado por tanta atenção, mas por fim, aceitou a mesa que ela conseguira.
Logo ela vinha de novo com uma xícara de café fumegante, insistindo para chama-la se precisasse de algo, Chad agradeceu.
Desdobrou o jornal que tinha pegado e continuou tomando seu café tranquilamente. Foi como um chamado, de repente assim, sem nenhuma explicação, levantou os olhos e o viu.
_Jen... sen... – seus lábios pronunciaram baixinho e levantou-se chocado. – Jensen? – chamou mais alto e então o outro loiro desviou seus olhos para si, aqueles lindos olhos nos seus e Chad sentiu o coração parar de bater por alguns segundos.
_Desculpe, você... Deve estar me confundindo. – ouviu o outro dizer.
_Não, eu não estou. – disse, chegando mais perto do outro, que estava alguns passos adiante. – Eu sou médico, trabalho no hospital perto daqui, você é o Jensen, é meu paciente, eu não entendo como... Como está aqui.
Viu o outro sorrir de leve, embora seu semblante se mostrasse triste.
_Não, doutor. – disse ele. – O senhor está mesmo me confundindo, eu sou Jason, irmão do Jensen.
Chad abriu a boca e fechou, abriu-a de novo e tornou a fechar. Mas é claro! Estava na ficha que preenchera no dia anterior, Jason tinha um irmão gêmeo, sentiu-se muito bobo depois disso e suas bochechas tingiram-se de vermelho.
_Me desculpe, eu pensei...
_Tudo bem, isso é mais comum do que imagina.
_Hm. – e ficou lá parado, não sabia o que devia fazer, mas não precisou dizer nada, foi o outro quem retomou a conversa.
_O senhor é médico, pode me dizer qual o estado em que ele se encontra? – perguntou. – Meu amigo, o Jared, ele disse que é melhor nos prepararmos para o pior.
Chad abaixou os olhos e então tornou a olhar para ele.
_Eu gosto de pensar que qualquer dia desses, eu vou entrar no quarto dele para examina-lo e vou encontra-lo sentado, pedindo para ir pra casa. – disse. – Eu gosto de pensar que sim, ele vai acordar.
O outro sorriu.
_Obrigado, doutor. – e olhou para o relógio que estava em seu pulso. – Que horas são, por favor?
Chad olhou para o próprio pulso.
_São 8:10hrs.
_Hm, obrigado, agora eu preciso ir. – e sorriu, agradecendo mais uma vez.
Chad acompanhou seus movimentos, gravando cada detalhe, armazenando em sua mente o modo como as pernas dele se moviam, como ele sorriu enquanto cumprimentava qualquer um, o modo como os olhos dele pareceram esperançosos quando disse que esperava Jensen acordar.
Gravou as características dele, imaginando se Jensen também era assim, suspirou. Colocou algumas notas em cima da mesa, agradeceu a moça e disse que voltaria ali qualquer dia, quando estivesse de folga e a moça sorriu, dizendo que se ele não voltasse, ela iria lá visitá-lo, Chad sorriu e se foi.
Estava de volta a rua e o frio fez sua respiração sair com forma de fumaça, passou em frente ao hospital e esfregando as mão não resistiu ao ímpeto de visitar Jensen, entrou e uma das enfermeiras sorriu para ele arqueando as sobrancelhas desenhadas.
_Olha só, – e sorriu divertida. – não consegue mesmo ficar longe não é?
_Bem, hoje eu não estou aqui como médico. – e sorriu de volta. – Eu vou apenas ver um paciente, tenho uma preocupação... Por que é que eu estou me explicando mesmo, Betty?
A moça sorriu dando de ombros, dando atenção a um dos pacientes de rotina que chegava. Chad entrou no elevador e apertou o numero que correspondia ao andar em que o quarto de Jensen ficava.
Foi um azar encontrar Jared em um dos outro andares. Sentiu as bochechas queimarem quando o moreno lhe lançou um olhar inquisidor, como se dissesse 'pensei que tinha te mandado ficar em casa' e Cahd retribuiu com um sorriso sem graça, como se respondesse 'desculpe, foi mais forte que eu', de fato, tinha sido.
_E então... – Jared arqueou as sobrancelhas, querendo puxar assunto.
_Oi. – e sorriu, ainda desconfortável. – Fiquei sabendo da novidade, 'papai'.
Jared engrandeceu o sorriso que sempre carregava consigo e seus olhos pareceram brilhar intensamente.
_Pois é, dá pra acreditar?! – e riu com gosto, abanando as mãos, que seguravam vários papeis.
Chad sorriu, tinha ficado muito feliz, todos ficaram, a toda hora algum dos enfermeiros ou outros médicos chegava, parabenizando-o pela novidade.
_Eu nem posso imaginar como está se sentindo.
_Bom, primeiro eu fiquei super feliz e empolgado, depois foi me dando um pavor absurdo, mas está tudo bem agora, estou me dando melhor com a situação. – e então encarou sério o rosto do colega. – Mas e você? O que veio fazer aqui, que me lembre, dei folga pra você hoje?
_É, eu... Eu precisei vir aqui, ver um paciente.
_Paciente? – estranhou, vendo o elevador abrir e entrar duas enfermeiras. – Quem?
Chad sentiu as pernas tremerem.
_Eu preciso ir, é esse o andar. – e tratou de sair do elevador. – Até mais, doutor. – e deu as costas para ele.
Jared estranhou, mas não disse nada, apenas acenou e viu o loiro seguir em frente, quando já estava quase no andar que tinha que sair, lembrou-se que no andar em que Chad desceu, não tinha paciente nenhum, era administração do hospital.
Chad subiu mais dois andares pelas escadas, chegou ao corredor que dava para o quarto daquele a quem tinha vindo visitar e sorriu ao encontrar tudo vazio, teria liberdade o bastante com ele.
Abriu a porta devagar, sorrindo de nervosismo enquanto entrava e a fechava atrás de si, aproximou-se e mordeu os lábios, sentando na cama, pegando na mão dele.
_Oi, Jensen. – nenhuma resposta. – Eu... Bem, olha só... É meu dia de folga e eu estou aqui... Eu preferi ficar aqui... Com você, eu precisava ver você... Parecia estar faltando algo no meu dia. – olhou para a mão branca que segurava. – Sempre parece estar faltando algo quando eu não vejo você.
Suspirou alto, queria ouvi-lo falar, queria sentir como seria o aperto da mão dele, queria saber se os olhos dele eram tão vivos e brilhantes quanto os do outro, o do irmão gêmeo, que encontrara mais cedo.
_Eu conheci seu irmão hoje, ele parecia bem preocupado com você, eu fico imaginando se algum dia você vai acordar, Jensen, é como se... A minha vida toda, eu estivesse esperando por você.
Passou a mão pelos cabelos curtos e espetados.
_Eu queria tanto... Ouvir sua voz. – desabafou, os olhos marejaram. – Eu não conheço você, nunca te vi antes na minha vida, eu não sei o que aconteceu no meu coração, eu vi você e tudo... Tudo pareceu tão certo, tudo o que eu passei na minha vida, pareceu tudo tão pequeno perto do que... Do que eu posso... Ter com você, mas você precisa acordar Jen.
Encarou a face serena dele, queria algum resquício de que suas palavras tinham surtido algum efeito.
_Então esse é o paciente que você precisava ver?
A voz de Jared encheu o quarto e Chad virou-se para ele com os olhos arregalados, a boca abriu-se minimamente, mas em nenhum momento deixou de segurar aquelas lindas mãos pálidas.
_Jared! Eu...
_HHhuummmm...
Chad sentiu o coração acelerar e respirou fundo, virando seu rosto devagar na direção do loiro que estava deitado, deixou que lágrimas escorressem por seu rosto quando viu que sim, aqueles lindos olhos verdes eram tão verdes, vivos e brilhantes quanto os de Jason.
N/a: Jason está de volta gente! E então? O que será que vem por aí? =)
