Siempre
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Sheila é uma criação única e exclusiva para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 20: Siempre.
.I.
Espreguiçou-se manhosamente, estava muito bem disposta, dormira um sono tão tranqüilo que não se lembrava de acordar tão relaxada assim antes. Suspirou vendo o sol entrar por uma frestinha na janela e logo sua atenção ser atraída para a porta se abrindo.
Virou-se achando que fosse Yume, mas surpreendeu-se ao ver uma bandeja recheada de coisas e Aioros carregando-a habilmente enquanto fechava a porta com o pé.
-Bom dia; ele falou sorrindo, enquanto seguia até uma mesinha próximo a janela e colocava a bandeja sobre a mesma.
-Bom dia; ela falou sentando-se na cama e tentando ajeitar os cabelos com a ponta dos dedos.
Viu uma sombra projetar-se sobre si e logo ele ajoelhar-se a sua frente, ergueu os orbes na direção do cavaleiro, vendo-o fitar-lhe com intensidade, enquanto estendia-lhe uma delicada flor.
Não se lembrava de já ter visto uma igual antes. Era pequena, não tinha o tamanho da palma de sua mão, possuía exatas três pétalas, das quais as duas de cima mais fartas eram amarelas e a de baixo, formando quase uma proteção as demais, era roxa com pequenos frisos brancos.
-Pra você; Aioros sussurrou colocando entre suas mãos.
De fato era uma flor muito bonita, mas o que significava? –Saori se perguntou confusa, porém logo suas duvidas foram esclarecidas.
-Amor perfeito;
-Uhn? –ela murmurou desviando o olhar da flor e voltando-se para ele.
-É um amor perfeito, para onde vamos, você poderá vê-las em qualquer canteiro nas ruas, junto com hortênsias e outras flores mais, acho que você vai gostar; ele comentou casualmente.
-Obrigada; a jovem murmurou, tentando conter a curiosidade, sabia bem que ele não iria lhe contar até o momento que chegassem, então logo desistiu da possibilidade de perguntar.
-Mas vamos tomar café, se sairmos muito tarde a viajem pode ser cansativa demais; Aioros explicou levantando-se e levando-a consigo.
-Mas...;
-Trouxe o café até aqui, espero que não se importe;
-...; Negou com um aceno, ainda não conseguia saber se o que mais lhe assustava era um Aioros passível ou alguém tão objetivo e centrado naquilo que queria como o Aioros que via agora.
Deu de ombros, pouco importava, não havia necessidade de se prender a pensamentos tão pouco significativos; ela pensou vendo-o puxar-lhe a cadeira para que se sentasse.
-Obrigada;
-A propósito, ainda não lhe dei 'bom dia' direito; o cavaleiro murmurou em seu ouvido, fazendo-a estremecer.
-Como? –Saori perguntou virando-se para ele, mas no momento seguinte os lábios do cavaleiro tomaram os seus, fazendo-a sentir-se completamente embriagada pelo calor emanado dele.
-Bom dia; ele falou num sussurro enrouquecido, enquanto um fino sorriso moldava-se em seus lábios e ele se afastava, indo sentar-se na cadeira em frente a dela.
.II.
Vestiu o roupão de linho, indo sentar-se na cadeira em frente à escrivaninha, não estava lá muito animado para ir para a fundação, por isso já ligara avisando Sora que iria aparecer só por volta das dez ou onze horas da manhã, se aparecesse.
Suspioru cansado, abrindo o lap top, para fecha-lo em seguida. Era melhor não tentar fazer nada já que sua mente estava tão dispersa. Alongou os braços para cima, sentindo os músculos tensos do corpo pela noite mal dormida relaxarem finalmente.
Ouviu alguém bater na porta e mandou entrar, viu Aioros estancar na porta, mas com um aceno pediu que se aproximasse.
-Bom dia; Shun o cumprimentou vendo-o radiante. Pelo menos a noite estressante não o afetara; o cavaleiro pensou, passando a mão levemente pelos cabelos esmeralda, tentando conter os fios rebeldes que insistiam em cair sobre seus olhos.
-Bom dia; ele respondeu.
-Então, já arrumou as malas? –o virginiano perguntou casualmente.
-...; Aioros assentiu.
-Tem certeza que não quer que eu providencie um lugar mais próximo da cidade, não sei, algo tão isolado assim não me parece muito seguro; ele comentou.
-Não se preocupe, você já fez muito nos ajudando até agora. E alem do mais, essa casa é de um amigo de confiança, não tem porque se preocupar;
-Se você diz; Shun deu de ombros. –Que horas vocês saem?
-Daqui a meia hora, Saori só esta terminando de se arrumar; Aioros explicou.
-Já deixei acertado um helicóptero para leva-los até lá, se precisarem de algo entrem em contato; ele falou.
-...; o cavaleiro assentiu.
-Ah outra coisa; Shun falou como se houvesse acabado de se lembrar de algo.
-O que?
-Voc6e já sabe; ele falou em tom de aviso.
-Já disse, não se preocupe; Aioros falou com um fino sorriso nos lábios. –Não vou magoa-la, jamais me perdoaria se isso voltasse a acontecer;
-Menos mal; Shun resmungou, dando a entender que não estava muito convencido e que iria ficar em alerta.
-Bom agora eu já vou, obrigado novamente Shun;
-Não por isso, vê-la bem já é o suficiente; ele respondeu calmamente.
Logo o cavaleiro deixava o quarto, rumo a um novo caminho e agora certamente, ninguém mais se colocaria entre seus objetivos.
.III.
Já era fim do dia quando sentou-se em uma mesinha na beira da praia, pertencente a um quiosque. Fitou as ondas quebrando em algumas rochas e uma brisa suave esvoaçou seus cabelos.
Eles já deveriam estar chegando, pela hora que partiram; ele pensou recostando-se melhor na cadeira.
-Deseja beber mais alguma coisa senhor? –um garçom perguntou apontando para o copo vazio sobre a mesa.
-Não, obrigado; ele respondeu.
Viu-o assentir e se afastar. Voltou a fitar o mar, ignorando o resto do mundo a sua volta, pelo menos tudo agora havia se resolvido; Shun pensou sentindo a presença de alguém a seu lado, mas não se sobressaltou, apenas manteve o olhar impassível de sempre.
-Você realmente conseguiu o que queria, não é? –a voz fria e controlada do imperador do mundo inferior chegou até si, como um personagem destoando do contexto tão tranqüilo e harmônico daquela praia no fim de tarde.
-Porque acha que não seria assim? –ele rebateu calmamente, embora a provocação fosse contida em sua voz. Não houve resposta e por longos minutos a pergunta vagou sobre o ar. –O que quer aqui?
-Estou de passagem; Hades falou casualmente, vendo as sobrancelhas finas do garoto arquearem-se em sinal de incredulidade. –Estou indo buscar Atreu no templo de Demeter; completou estranhamente sentindo-se obrigado a dar uma resposta.
-Como ele está? –Shun perguntou sem denotar interesse.
-Bem, é um garoto com muita energia e com os olhos da mãe; Hades respondeu sem esconder o orgulho que sentia do filho. –Mas não é sobre ele que quer saber, não é? –ele rebateu, com ar impassível como se questionar aquilo não lhe aborrecesse.
Deu de ombros, continuando a fitar o mar, não perguntaria e se ele respondesse, seria por sua própria conta.
-Mas apra você só importa que Athena esteja bem, não? –Hades falou casualmente vendo o silencio dele como uma recusa em continuar naquele assunto.
-...; Assentiu silenciosamente.
-Porque?
-Uhn?
-Porque agora que fez Zeus livra-la da promessa, esta com essa cara? –ele quis saber.
-Não sei do que você se refere; Shun respondeu calmamente deixando o outro irritado.
-O que esta querendo provar? –Hades exasperou.
-Nada; ele deu de ombros.
-Mas...;
-É melhor não deixar seu filho esperando; Shun falou dando o assunto por encerrado.
Com os orbes estreitos, ele assentiu, não iria insistir naquele assunto, mesmo porque não teria a respostas que queria. Aquele garoto conseguia tirar qualquer um do sério com toda aquela calma; Hades pensou.
-Realmente; balbuciou concordando.
Sem mais palavras a dizer, desapareceu, deixando-o ali sozinho e imerso em seus próprios pensamentos.
Ergueu a cabeça para o céu, dando um baixo suspiro, a franja esmeralda caia sobre os olhos com graciosidade, porém os mesmos estavam perdidos em um ponto qualquer.
Não queria jogar com os Deuses, como Hades estava querendo saber. Fazer com que Zeus a liberasse da promessa sem que ela perdesse a imortalidade não fora por mero capricho. Provar que os Deuses Olímpicos já não tem mais tanta voz sobre essa terra, seria um bom motivo, mas ai, voltaria a estaca zero e ao capricho.
Suspirou cansado, apenas queria ver uma amiga feliz. Apenas isso... Sem segundas intenções ou sentidos ambíguos; ele pensou, passando a mão com suavidade pelos cabelos esmeralda.
Alem do mais, decidira que ajudaria Luna, quando a mesma apareceu para si, na mesma noite que tudo começou. A jovem estava aflita, dizendo que acabara colocando tudo a perder por tentar ajudar e Saori estava indo para o Japão.
No começo havia pensando em deixar as coisas acontecerem naturalmente, mas algo em si não se conformava em deixar que as Deusas do Destino tivessem o poder de escolha daquela rodada. Sim, iria jogar com o Destino e não iria permitir que uma pessoa importante para si acabasse se machucando por causa das sandices daquelas três senhoras esclerosadas; ele pensou.
Alongou os braços para cima e logo se levantou, pelo menos agora estava tudo resolvido e os motivos de ter feito isso, não importavam mais.
.IV.
O helicóptero sobrevoava a área coberta por araucárias, tudo parecia deslumbrante visto dali. Simplesmente não conseguia acreditar que haviam dado praticamente a volta ao mundo, indo parar justamente ali.
-Aioros; Saori exclamou, apontando para um monte em forma de um baú.
-Se chama pedra do baú, é um dos pontos turísticos mais famosos daqui; o piloto falou.
Olhou através da janela, as hélices bateram vigorosamente enquanto cada vez mais aumentavam a altitude passando pelas mais variadas construções em estilo holandês.
-Como descobriu esse lugar? –ela perguntou curiosa.
-Foi um amigo que me indicou; Aioros respondeu de maneira enigmática.
-É lindo; a jovem falou distraída, olhando para fora e não insistindo em saber quem era o amigo dono da maravilhosa construção que erguia-se num ponto estratégico nos picos de Campos do Jordão.
Parecia uma casa construída no século passado, que embora a arquitetura européia fosse bem viva nela, havia alguns traços de modernidade devido a possíveis reformas que ocorreram nos últimos anos, mas isso não tirava aquela impressão de imponência que tinha ao olhar para baixo vendo o helicóptero fazer um vôo em circulo para apreciarem a vista de toda a propriedade.
Dali também podiam avistar toda a cidade, que por sinal era igualmente maravilhosa. Aos poucos sentiram o helicóptero pousar no heli-porto da propriedade.
Exultava de alegria, mal sabendo que a viagem estava apenas começando. Era como se estivessem em um mundo paralelo.
Logo um casal de senhores de idade se aproximou. A senhora vestia-se com casacos pesados e um cachecol vermelho enrolado no pescoço, enquanto ele, usava uma camisa xadrezada e luvas de couro pesadas.
-Sejam bem vindos; eles quase gritaram até o helicóptero alçar vôo.
-Obrigada; Saori falou sorrindo.
-Eu me chamo Lucas e essa é minha esposa, Beatriz; o senhor falou apontando à senhora a seu lado.
-Estamos aqui para ajuda-los no que for preciso; ela prontificou-se.
-Obrigado; Aioros agradeceu, pegando as malas e seguindo com Saori e o casal para fora do campo do heli-porto e aproximando-se da bela casa.
Olhou para cima, vendo três andares de construção, do outro lado da propriedade como vira de cima, tinha um campo amplo com uma estufa e jardins de Hortênsias. Deu um meio sorriso, a proposta fora meio inusitada mas viera a calhar; ele pensou.
Entraram na casa surpreendendo-se ainda mais com seu interior, era como se estivessem em algum castelo medieval. As paredes muitas eram revestidas por madeira e archotes modernos, com lâmpadas preenchiam os corredores.
Na sala principal, um lugar amplo, preenchido por sofás macios e tapetes persas, havia uma lareira de tijolos avista, com direito a aparadores dourados e lenha trepidando em meio as chamas que já aqueciam o ambiente a espera deles.
-Nossa; Saori murmurou, enquanto seguiam o casal.
-Vamos leva-los até o quarto, o senhor disse que poderiam ficar a vontade e não se preocupar com nada; Beatriz falou a medida que avançavam.
-...; Aioros assentiu.
-Quem é o dono daqui? –Saori perguntou curiosa.
-Um grande amigo; ele respondeu notando a hesitação da senhora em responder, provavelmente havia recebido instruções de não dizer nada alem do necessário.
-Tem muito bom gosto, esse lugar é incrível; a jovem murmurou.
-Sabia que ia gostar; Aioros brincou, piscando-lhe o olho, vendo a face da jovem adquirir um leve rubor, enquanto subiam uma escadaria de madeira rústica em direção ao próximo andar, onde estavam os quartos e demais cômodos.
-o-o-o-o-o-
Escócia...
Deu um baixo suspiro, acomodando-se da macia cadeira de couro, virou-a de frente para a janela, vendo que a noite caia lá fora e a lua erguia-se sobre o mar.
Nada melhor do que estar ali; ele pensou com os orbes vermelhos cintilando. Cruzou as pernas elegantemente, pousando as mãos sobre o colo.
Agora todos os problemas havia chegado ao fim, pelo menos aqueles que poderia garantir sua resolução; pensou com um fino sorriso a moldar os lábios de traços aristocráticos. Os cabelos negros e lisos, com nuances esmeralda caiam pelos ombros descendo possivelmente pouco abaixo da cintura misturavam-se ao couro da cadeira.
Os orbes jaziam perdidos no reflexo que a lua deixava sobre as ondas revoltas do mar. A costa de Dream Village erguia-se sobre o mar, fazendo com que o próprio castelo se tornasse uma figura imponente naquele lugar rodeado de lendas e mitos. Talvez tenha sido um dos motivos que o fizeram gostar tanto de estar ali.
-Em que esta pensando? –uma melodiosa voz soou a seu lado, enquanto uma jovem de melenas negras surgia sentada confortavelmente sobre a tampa da escrivaninha de cedro atrás de si.
-Nada com que tenha de se preocupar; ele respondeu calmamente recostando-se melhor na cadeira.
-Lucas ligou do Brasil; ela avisou.
-E? –o rapaz perguntou esperando-a continuar.
-Disse que já chegaram e estão instalados; a jovem respondeu.
-Ela quis saber de quem era a casa? –Olhos Vermelhos perguntou casualmente.
-Pelo que ele disse, perguntou, mas não espera uma resposta. Você sabe, não tem quem vá ao Soldar dos Anjos sem se sentir deslumbrado com tudo, logo ela vai esquecer até de saber quem é o dono; ela falou calmamente.
-É melhor assim; ele balbuciou levantando-se.
Os fios negros caíram sobre suas costas numa cascata lisa e brilhante, o sobretudo negro moveu-se com graciosidade quando virou-se para se afastar da cadeira.
-Aonde vai? –ela perguntou curiosa.
-Dar uma volta, quer vir? –ele perguntou cordialmente.
-...; a jovem assentiu, vendo-o lhe estender a mão num gesto cavalheiresco que aceitou prontamente. –Emmus, o que acha de tomarmos um café depois? –ela sugeriu.
-Onde? –ele perguntou já imaginando o que estava por trás da inocente pergunta.
-Não sei, qualquer lugar; ela falou casualmente. Viu-o arquear a sobrancelha num gesto elegante e refinado, porém não menos atraente. –Paris ou Verona, quem sabe; a jovem sugeriu com um sorriso infantil nos lábios. –Qualquer lugar aqui pertinho; ela completou vendo-o suspirar pesadamente.
Deu de ombros concordando, ela sempre conseguia o que queria mesmo; ele pensou antes de desaparecerem.
.V.
Folheou atentamente o guia que Beatriz lhe entregara mais cedo, queria saber todos os lugares interessantes daquela cidade para não deixar de visitar lugar algum; ela pensou riscando alguns pontos com uma caneta vermelha.
A sua frente, a lareira trepidada ainda com mais lenha para aquecer aquela noite fria, o termômetro em cima da mesma já contava com dez graus ali dentro, mas pelos seus cálculos lá fora estava cinco.
Suspirou estarrecida, poderia ter viajado para vários lugares do mundo quando ainda era adolescente, tendo que resolver coisas da fundação ou até mesmo acompanhando o avô, mas definitivamente aquele era o melhor lugar que poderia querer estar.
-O que esta fazendo? –Aioros perguntou sentando-se a seu lado sobre o tapete felpudo, enquanto colocava uma bandeja no chão, com duas xícaras fumegantes de chocolate quente.
-Marcando os lugares interessantes daqui; Saori respondeu distraidamente mordendo a pontinha da caneta.
-Uhn! E o que encontrou? –ele perguntou apoiando o queixo sobre o ombro dela, enlaçando-a pela cintura.
-Parque das Cerejeiras, Palácio do Governador, Museu Municipal e tem mais alguns que estou analisando ainda; ela explicou.
-Não tenha pressa, vamos ficar o tempo necessário para conhecer tudo; Aioros falou pegando a caneta de suas mãos e afastando-lhe o guia.
-Mas...;
-Experimente; ele falou entregando a ela a xícara fumegante. –Mas assopre, esta muito quente;
-...; Saori assentiu, pegando-a. –Aioros, queria te perguntar uma coisa; ela começou, enquanto assoprava.
-O que? –o cavaleiro falou casualmente, pousando um beijo suave sobre a nuca da jovem, vendo as mãos dela tremerem antes de levar a xícara aos lábios.
-Que bem...; a jovem balbuciou. –Você disse que a casa era de um amigo, mas...; ela falou dando um alto suspiro ao sentir a mão que jazia apoiada sobre sua cintura, deslizar suavemente por baixo do tecido da blusa, acariciando-lhe o ventre.
-Mas? –ele indagou casualmente.
Entreabriu os lábios para falar, mas era como se qualquer pensamentos houvesse fugido de sua mente. Serrou os orbes no momento que ele tirou-lhe a xícara das mãos, fazendo com que delicadamente deitasse sobre o tapete felpudo.
-Não se preocupe com coisas desnecessárias; Aioros sussurrou entre seus lábios.
Fitou-o atentamente, os orbes verdes transmitiam uma segurança que não se lembrava de ter visto antes, apenas assentiu. Sem perguntas desnecessárias; ela pensou estremecendo ao sentir a mão dele deslizar por suas costas, fazendo com que a pele acetinada se arrepiasse levemente.
Roçou-lhe os lábios, fazendo-a entreabri-los para si, enquanto de maneira sedutora sua língua deslizava pela boca dela, tirando-lhe um baixo gemido. Enlaçou-o pelo pescoço, sentindo o peso do corpo dele completamente sobre si agora.
Ninguém iria separa-los e estariam sempre juntos enquanto fosse possível.
Sempre...
Siempre...
Always
.VI.
Afrouxou o nó da gravata azul, suspirando aliviado, mais uma reunião chata chegara ao fim, jogou a pasta com as planilhas e informações que usara dentro do carro esporte estacionado na frente do prédio.
O dia estava relativamente quente e apesar de seu humor não estar nem um pouco radiante seria bom dar um passeio por ali antes de se trancar naquele quarto de hotel novamente; ele pensou ativando o alarme do carro ao mesmo tempo em que as travas eram acionadas fechando-o completamente.
Andou calmamente pelas ruas parisienses, até um modesto café na esquina. Ao longe conseguia ouvir La Fidele ressoando por toda a cidade. Ergueu os orbes para o céu, dando um baixo suspiro.
Finalmente Giovanni dera uma trégua, desde que saira do aeroporto e ligara o aparelho, o italiano não parara de ligar perguntando se estava realmente tudo bem. Bem? Tudo depende do ponto de vista; ele pensou sentando-se em uma mesa longe do movimento.
Um guarda-sol cobria a mesma, impedindo que alguns raios incômodos lhe atrapalhassem a visão do movimento, acenou chamando uma garçonete que já notara sua presença e se aproximava.
Um novo suspiro saiu de seus lábios, não era dado a jogar a toalha antes do segundo round, mas sabia quando admitir que algumas batalhas já começavam perdidas e àquela fora uma, só não percebera antes.
-Pardon mesie, o que deseja? –a jovem francesa perguntou com um sorriso gentil.
-Café puro, por favor;
-Mas alguma coisa? –ela perguntou com um olhar nada inocente sobre o Escorpião.
Virou-se para o lado e estancou, vendo que a poucas mesas a sua frente, estava uma jovem de costas para si, mas de alguma forma aquela silhueta lhe pareceu familiar. Alias, familiar demais...
-Não; Cadmo respondeu ignorando o olhar da garota.
-Com licença; ela falou deixando-o sozinho na mesa um pouco desapontada.
Fitou a garota a sua frente com intensidade, tentando ver-lhe a face, mas nada, os longos cabelos violeta caiam numa cascata ondulada pelas costas e a franja cobria-lhe parcialmente a lateral da face.
Serrou os orbes frustrado, daquele jeito não ia conseguir saber se era ou não ela; ele pensou levantando-se.
-Seu café senhor; a garçonete falou aproximando-se quase correndo quando ele levantou.
-Depois eu tomo; Cadmo falou afastando-se dela e rumando até a mesa da frente.
-Mas...; Diante de um olhar entrecortado ela calou-se, recuando com a bandeja nas mãos.
-o-o-o-o-o-o-
Levou a xícara aos lábios, olhando o relógio impaciente. Como ela poderia estar tão atrasada? –a jovem se perguntou assoprando a franja violeta que caia parcialmente sobre seus olhos.
Sentiu um olhar intenso sobre si e apenas serrou os orbes, será que não teria uma folga de pervertidos, pelo menos ali; ela pensou passando a mão pelos cabelos, jogando a franja de lado num movimento suave.
Estremeceu ao sentir uma mão forte pousar sobre seu ombro com estrema suavidade, ergueu a cabeça encontrando um par de intensos orbes azuis sobre si e mesmo sem saber ao certo o porque, corou até a raiz dos cabelos.
-Há Quanto tempo Alanis?
.::Fim::.
.::Continua em "Luthier – A Melody to Dream"::.
Domo pessoal
Sem ameaças de morte, please... lembrem-se se a autora sofrer algum acidente, as fics não iriam ter continuidade ( sorrisinho aliviado agora), mas falando sério, vocês não acharam que euzinha aqui fosse deixar o fofo do Cadmo sozinho, se bem que ainda virão muitas surpresas pela frente, então, não especulem muitas coisas com referencia a ele, porque lhes garanto, nenhuma passara perto do que essa mentezinha perversa (no caso a minha) esta tramando.
Antes de me despedir de Siempre (com lagrimas nos olhos) eu gostaria de agradecer o grande apoio que me deram ao decorrer da fic, os puxões de orelha que me fizeram tomar um rumo e os reviews que sempre me faziam rir e me estimulavam a continuar.
Graças a Siempre outras fics nasceram em minha mente e mal posso esperar pelo momento de apresenta-las a vocês, mas enquanto isso não acontecesse, espero que curtam o desfecho de Luthier, pois muitas surpresas ainda estão para acontecer nela.
Agora sei que vocês estão mais mordidas da vida comigo, por eu não revelar quem é Olhos Vermelhos, Margarida, miga... Infelizmente não posso dizer nada, mas vocês vão se surpreender com todos os segredos que envolvem o surgimento dele na saga de uma nova vida.
No mais, obrigada do fundo do coração e espero sinceramente poder vê-los nas demais fics.
Um forte abraço.
Dama 9
