Dedicado ao Spirit Day
Em memória de todas as vítimas de bullying que retiraram a própria vida;
Em nome de todos os que sofrem por discriminação;
Em protesto por um futuro diferente.
I DO CARE!
Capítulo 19
Yachou
Dia 33
Ainda não tinha amanhecido quando Naruto acordou. O loiro abriu os olhos lentamente, respirando fundo e deixando com que o corpo se encostasse ainda mais ao de Sasuke – profundamente adormecido a seu lado. Ficou assim por alguns minutos, no silêncio da noite, apenas a sentir a leve respiração do moreno, fazendo o seu peito subir e descer lentamente. Naruto gostava de ser o primeiro a acordar, ficar deitado enquanto passava as pontas dos dedos sobre um dos ombros de Sasuke, ou olhar para ele apenas para sorrir ao vê-lo dormir, ou ouvir a respiração baixa e compassada do namorado.
Levantou-se lentamente, não querendo acordar Sasuke – isso seria um verdadeiro problema – e preparou-se para a sua missão. Tomou o café da manhã, arrumou a mochila e, quando tinha tudo pronto para sair, regressou ao quarto, sentando-se na cama ao lado do amigo. Sorriu novamente apenas de olhar para ele, Naruto não conseguia evitar ser um bobo apaixonado que ficava ainda mais bobo só de ver o namorado. Passou a mão sobre os cabelos negros do Uchiha, afastando duas mechas da frente dos olhos fechados, e depositou um leve beijo sobre os lábios do moreno.
"Volto em quatro dias" murmurou, colocando uma caixa preta sobre a mesa de cabeceira. "Aishiteru, temee."
Deixou o quarto e saiu de casa em seguida, fechando os olhos por breves segundos ao sentir os primeiros raios de sol a baterem-lhe no rosto. Deixou o distrito Uchiha e atravessou a vila em direcção aos portões principais de Konoha. Admirou-se quando viu Shikamaru e Temari na entrada da vila. Era demasiado cedo e, que ele soubesse, o Nara não tinha nenhum missão em Suna nos próximos tempos. Aproximou-se dos dois.
"Bom dia-ttebayou" cumprimentou, cruzando os braços atrás da cabeça. "Não é cedo para estares aqui, Shikamaru?"
"Ordens da Godaime-sama" o moreno suspirou, bocejando em seguida. "Mandou-me ficar aqui desde cedo à espera da delegação que vem de Suna."
"Delegação?" o loiro perguntou, confuso.
"Gaara, Kankuro e mais dois jounins vêm a Konoha" Temari explicou, passando uma mão sobre os olhos, visivelmente cansada. "Eles devem estar para chegar."
"Eu não sabia que o Gaara vinha a Konoha!" Naruto exclamou, fechando a cara. "Eu tenho uma missão de quatro dias, quanto tempo ele fica? Gostava de conversar um pouco."
"Apenas para o casamento de Asuma e Kurenai" Shikamaru contou, tirando o maço de cigarros de dentro do colete. "O casamento é amanhã, logo, a delegação de Suna deve partir no dia seguinte."
"Ah, claro. Asuma-sensei é filho do Sandaime-jiisan, por isso a festa de casamento deve ser grande" o loiro murmurou, mordendo o lábio chateado. "E pensar que eu vou perder isso porque tenho de levar uma obaachan à vila vizinha."
"Missão de Rank D?" Shikamaru perguntou, sorrindo de lado.
"Rank C, mas isso também não é muito melhor" suspirou. "Shikamaru, faz-me um favor: diz à Sakura-chan que eu lhe peço para ela arrancar o Sasuke de casa e que o faça ir ao casamento. O temee anda muito anti-social outra vez, ir a uma festa vai-lhe fazer bem."
"E quando é que vocês dos dois decidem tornar a vossa relação pública?" Temari questionou, sorrindo levemente.
"Eu não sei do que estás a falar!" Naruto exclamou de imediato, ajeitando a mochila enquanto olhava para o lado. "Bem, eu tenho de ir buscar a obaachan. Dêem cumprimentos meus ao Gaara. Adeus."
Naruto saiu a correr e Shikamaru olhou de lado para a loira.
"Tu tinhas mesmo de lhe perguntar isso?" ele indagou, tragando o seu cigarro. Temari apenas aumentou o sorriso.
Os dois ficaram ali durante mais alguns minutos. A delegação vinda de Suna não deveria demorar a chegar. Shikamaru bocejou outra vez. Ele estava com sono, realmente com muito sono. Havia dois dias que Neji e Temari não saíam de casa dele. O Hyuuga tinha conseguido uma folga de três dias e todo o Team Asuma estava de férias até ao dia do casamento. Assim sendo, desde a noite do jogo que ele, Temari e Neji se dedicavam a uma outra actividade física mais... intensamente interessante.
Cinco minutos depois, a delegação de Suna apareceu no fundo do caminho que dava acesso a Konoha. Kankuro estava com um ar de poucos amigos e, inesperadamente, Gaara parecia estranhamente alegre. Em poucos segundos os quatro ninjas de Suna estava a passar os portões da vila e eram recebidos por Shikamaru e Temari.
"Seja bem vindo a Konohagakure, Kazekage-sama" Shikamaru cumprimentou, sorrindo levemente.
Gaara aproximou-se dos dois, olhando-os fixamente. Ficaram assim por alguns segundos até que o ruivo finalmente resolveu falar.
"Vocês os dois já estão casados?" perguntou, e Shikamaru apenas levantou uma sobrancelha enquanto Temari batia com a mão na testa.
x . NS . x
Neji estava – tal como os seus dois parceiros – cansado. Demasiado cansado, rabugento e com sono, para ser chamado ao escritório da Hokage. Uma grande parte de si só queria mandar o chunnin que o tinha ido chamar à merda e voltar para a sua cama – leia-se: a cama Shikamaru. Ele tinha acabado de chegar a casa, na propriedade Hyuuga, apenas para ir buscar uma muda de roupa e dedicar o resto do seu dia e meio de folga a pura diversão, por que é que ele tinha de ser chamado à Hokage? Ele não tinha feito nada!
Bufou, mandando o chuunin embora, e começou a arrumar as suas coisas, saindo em direcção à torre Hokage logo em seguida. Ele não queria ter de se preocupar com o mundo naquele momento. Neji tinha metido na cabeça que, enquanto as suas pseudo-mini-férias durassem, ele apenas queria ter duas coisas na cabeça: Shikamaru e Temari. Então porque é que ele tinha de ir lidar com qualquer responsabilidade que fosse? Responsabilidades traziam problemas, e problemas traziam dores de cabeça. E disso ele já tinha a sua dose pronta para assim que resolvesse regressar ao mundo das responsabilidades.
Em primeiro, ele tinha de lidar com uma relação louca em que se resolvera meter. Não que ele se arrependesse, claro que não – o sexo é bom demais para haver essa possibilidade, o seu inconsciente gritou – mas relações bígamas nunca eram bem vistas, ainda mais quando existem dois homens nessa mesma relação e a única mulher pertence a outra vila oculta.
Em segundo lugar, ele estava sobre a influência de uma regra que o deveria proibir de ter sexo durante dois meses e, claro, ele quebrara essa mesma regra a metade do prazo. Mesmo o maldito selo não sendo quebrado, se a Hogake ou alguém do Conselho de Jounins descobrisse sobre tal assunto, Neji estaria muito bem fodido, e não no bom sentido da palavra.
Em terceiro... Tenten. Merda! Ela a sua melhor amiga e ele, simplesmente, roubara a namorada dela. Ok, Shikamaru era o culpado de tudo, mas Neji não podia culpar Shikamaru pela sua atracção pela loira. Isso já vinha de antes do jogo, tudo o que o Nara tinha feito fora acender o rastilho e esperar a explosão. Agora, como explicar isso a Tenten sem que a menina ficasse magoada, tentasse matá-lo ou deixasse de lhe falar? Resposta: não é possível.
E, por último, Hinata. Por Kami, ele beijara a prima! Ou ela é que o beijara a ele, depende da perspectiva. A única coisa que ele tinha a certeza é que tinha havia um beijo. E ela era a herdeira da família, a menina inocente e tímida que ele tinha vindo a proteger desde os seus treze anos de idade. Como é que ele iria enfrentar a prima depois daquilo? E, pior, será que ele podia realmente pedir desculpa a Hinata sem ferir os sentimentos da menina?
Definitivamente, Neji não queria nada ter de lidar com responsabilidades antes do tempo.
Entrou na Torre, dirigindo-se ao último andar, onde o escritório da Hokage era localizado. Subiu as escadas e, quando deu a curva para esperar perto da porta, o seu coração parou ao ver a prima sentada numa das cadeiras em frente à porta do escritório. Hinata estava serena e tranquila, envolvida nos seus próprios pensamentos, enquanto esperava que a Hokage a chamasse. Neji engoliu em seco. Interiormente, ele apenas queria sair dali a correr, mas ele sabia que não podia fazer isso. Ele tinha de agir como um adulto e não como uma criança de dez anos. Suspirou, aproximando-se da prima.
"Hinata-sama" cumprimentou, vendo a menina tremer ao som da voz dele e ficar subitamente vermelha, sem nunca levantar os olhos para ele. Fantástico! Ela lembrava-se do que acontecera e também não estava a ter a melhor das reacções.
"B-bom dia, N-Neji-niisan" ela cumprimentou de volta, o olhar ainda fixo nas mãos, tentando por tudo evitar o primo. "T-Tenten-chan procurou p-por ti ontem."
Neji arregalou os olhos. Não era nada bom Tenten ter procurado por ele e não o ter encontrado, nada bom mesmo. O moreno disfarçou e tossiu forçadamente. O que Tenten teria dito a Hinata e até que ponto qualquer uma das duas sabia do que se passava entre ele, Shikamaru e Temari?
"Hum... o que ela disse?" perguntou, hesitando levemente.
"Nada demais" a Hyuuga murmurou, apertando as mãos uma contra a outra. "Apenas que deverias estar com Shikamaru-kun e Temari-san."
Se Hinata não estivesse tão concentrada em encarar as próximas mãos, ela teria visto os olhos do primo a arregalarem-se, a respiração dele a parar e todo o corpo do moreno a enrigecer subitamente. Neji não contava ouvir aquilo, muito menos vindo da boca da prima. Tenten sabia com quem ele estava. Ela sabia e ela nem sequer tinha ido até casa de Shikamaru. Ou será que fora e os vira aos três? Merda!
"Hinata-sama, eu-" ele começou, mas calou-se ao ver a menina abanar levemente a cabeça.
"E-eu não sei o que se passa, mas acho que tu e a T-tenten-chan deviam falar" a menina interrompeu-o, respirando fundo. "Se tu... gostas da Temari-san, então-"
"O que te leva a pensar isso?" Neji interrogou, o seu tom de voz levemente rouco e alterado. "Se foi pelo que se passou no bar, isso não significa que-"
"Eu ouvi-te a chamares por ela..." Hinata murmurou, corando ainda mais. Neji ficou petrificado em perfeito silêncio. "Dias antes do jogo no bar... eu ouvi-te a chamares por Temari-san."
Neji engoliu em seco. A sua respiração estava subitamente acelerada, as mãos tremiam-lhe e a sua mente corria a mil. Quando é que ele tinha chamado por Temari? Quando é que ele tinha deixado o nome da loira escapar sem ser... Merda! Só tinha havia um único momento em que ele se descuidara e deixara o nome da loira sair da sua boca. Um único momento e Hinata ouvira-o? Fantástico! Simplesmente fantástico! Já não bastava a prima tê-lo ouvido a dizer o nome de Temari, ainda o tinha ouvido enquanto ele se masturbava no banho. Caralho!
"Hinata-sama... eu... quer dizer... nós... Temari e eu..." ele tentou, falhando por completo na construção de uma frase coerente. Neji respirou fundo, tentando por tudo acalmar-se e organizar os pensamentos. "É complicado, Hinata-sama. Mas eu falarei com Tenten em breve."
A menina estava prestes a levantar a cabeça, pronta para encarar o primo perante a silenciosa afirmação de que ele estava com/gostava de Temari, quando a porta do escritório de Godaime se abriu e Shizune apareceu, encarando os dois. A morena mais velha estranhou o facto dos dois Hyuuga estarem corados e sem se encararem, mas optou por ignorar.
"Hinata, Tsunade-sama irá receber-te a seguir, pode ser? O assunto com Neji-kun não irá demorar" Shizune disse, sorrindo levemente, olhando para o Hyuuga. "Neji-kun, por favor."
Neji acenou a Shizune, fazendo uma leve vénia de respeito a Hinata e entrando no escritório. Ouviu a assistente da Hokage a fechar a porta atrás de si e caminhou até perto da secretário onde Tsunade o observava.
"Mandou-me chamar, Hokage-sama?" perguntou, completamente perdido ainda em pensamentos sobre a conversa anterior com a prima.
"Mandei sim, Neji" Tsunade confirmou, pegando em alguns papeis que tinha em cima da mesa. "Eu recebi agora os resultados do teste que fizeste no mês passado."
"Teste?" o Hyuuga perguntou, sendo arrancando da sua mente e fixando a sua atenção na sua superior. "Eu peço desculpa, Hokage-sama, mas eu não fiz qualquer teste."
"Missão de rank S onde houve problemas com shinobis de Amegakure" Tsuname relembrou-o e Neji levantou as sobrancelhas. "Isso era um teste. E pela tua reacção, parece que Gai te inscreveu em tal sem teu conhecimento."
"Gai-sensei inscreveu-me num teste para quê?" Neji indagou, cruzando os braços. "Eu espero que não seja outra vez uma das ideias imbecis dele de como competir contra Kakashi-sensei, uma vez que Sasuke também estava nessa missão e-"
"Não tem nada a ver com a rivalidade infantil entre esses dois" Tsunade cortou-o, revirando os olhos. "E Sasuke será chamado aqui mais tarde por causa do mesmo assunto. De qualquer forma, parabéns, Neji, passaste."
Neji piscou os olhos ao ver a Hokage a levantar-se e entregar-lhe uma folha de papel e uma caixa quadrada de cerca de trinta centímetros de largura e sete de altura. O Hyuuga olhou para a mulher à sua frente e dela para o que esta lhe entregava. Segurou a caixa, olhando para a folha que, no topo, tinha em letras grandes escrito: "Yachou" seguido por toda uma ficha pessoal com as suas informações.
"Não estou a compreender" ele disse, desviando os olhos novamente para a Hokage.
"Abre a caixa" Tsunade ordenou e Neji rapidamente atendeu.
Ele colocou a folha na parte de baixo da caixa, retirando a tampa em seguida. Se Neji achava que o seu dia estava a ser estranho, o facto de encontrar uma máscara branca em forma de pássaro dentro daquela caixa apenas fez com que o Hyuuga tivesse a certeza que aquele não era um dia normal. Arregalou novamente os olhos e a sua respiração ficou presa por breves instantes. Tsunade abriu um leve sorriso matreiro ao observar a reacção do moreno.
"Sê bem vindo à ANBU" disse.
x . NS . x
"Nós estamos com um grande problema!" Temari rosnou baixinho, segurando um braço de Shikamaru enquanto esperavam que Gaara saísse de dentro do escritório da Hokage. "Tu viste como ele olhou para nós durante todo o caminho desde os portões da vila até aqui!"
"Tu não lhe tinhas dito que irias cumprir a missão?" Shikamaru perguntou, olhando para a loira ao seu lado e cruzando os braços.
"E desde quando Gaara ouve o que eu lhe digo?" a mulher de Suna bufou, sacudindo a cabeça. "Ele quer-nos casados, ele irá fazer de tudo para isso acontecer!"
"Nós não podemos casar, Temari. Eu não posso ir contigo para Suna!" o Nara exclamou, tentando sempre manter o tom de voz baixo para que os dois jounins da Areia que estava perto não os ouvissem. "Especialmente não agora que Neji está finalmente a ser racional."
"Irracional, queres tu dizer" a loira riu, uma expressão maldosamente divertida a passar-lhe pelo rosto. "Onde eu iria imaginar o comportado e controlado Hyuuga Neji neste tipo de situação?"
"Não importa. O que interessa agora é como é que vamos convencer o teu irmão que nós não queremos casar quando estamos praticamente a viver juntos?" Shikamaru questionou, suspirando. "Problemático!"
"Nós temos de arranjar uma maneira de manter Gaara distraído enquanto está em Konoha" Temari murmurou, pensativa. "Se ele não estiver a pensar noutra coisa qualquer, talvez nos deixe em paz e não obrigue a casar."
"Eu acho que tenho uma ideia... mas isso vai-nos custar caro" Shikamaru disse, olhando directamente nos olhos da companheira. "Eu sei da pessoa ideal para o manter longe de nós."
"Quem?" Temari perguntou, vendo a porta do escritório da Hokage ser aberta e Gaara a passar por ela, seguido de Kankuro.
"Simples" o Nara sorriu. "Ino."
x . NS . x
Tsunade suspirou e olhou para o relógio na parede à sua frente. Ainda não eram dez horas da manhã e ela já tinha lidado com mais de metade de um dia de trabalho. Comunicar a Neji a sua entrada na ANBU, dar as boas vindas ao Kazekage e garantir que ele ficava propriamente hospedado em Konoha e ainda ter de lidar com três relatórios de missões de Rank A, não era coisa que Tsunade costumasse fazer em apenas duas horas. E pensar que naquele dia ainda teria de lidar com o feitio de Uchiha Sasuke ao informá-lo do teste para ANBU que, ela tinha a certeza, o jovem fizera sem saber, tal como Neji, não era uma boa perspectiva.
Duas leves batidas na porta fizeram com que Tsunade saísse do seu rumo de pensamentos. Ela disse a quem quer que fosse que estava do outro lado para entrar e não se admirou ao ver Hyuuga Hinata a passar pela sua porta. Suspirou novamente, apoiando dois dedos sobre os olhos. No meio de tanta confusão, Hinata era-lhe como uma pequena luz no meio de uma noite escura. E Tsunade desejava realmente que essa luz, de certa forma, se tornasse em dia.
"Senta-te, Hinata" a Hokage pediu, indicando a cadeira à frente da sua secretária. "Eu peço desculpa pelo tempo que te fiz esperar, mas a conversa com o teu primo não era tão longa quanto esta será e eu não contava que o Kazekage chegasse tão cedo."
A morena apenas acenou com a cabeça e olhou para a mulher mais velha. Hinata não fazia ideia do motivo de estar ali. Tendo em conta que Kurenai se iria casar no dia seguinte, a Hyuuga estava de férias por conta do casamento da sua sensei. Ela realmente não tinha ideia do motivo por estar a ser chamada. Por alguns momentos, Hinata pensou que Kiba e Shino fossem libertados para poderem ir ao casamento, mas não lhe parecia que esse fosse o motivo, uma vez que Tsunade estava demasiado séria e preocupada.
"Hinata, segundo a tua ficha, tu tens conhecimentos de medicina de nível médio, sim?" a Hokage perguntou, segurando a ficha da mão, e a menina acenou com a cabeça. "Aqui diz que não és uma ninja-médica, mas que os teus conhecimentos são mais que suficientes para o campo de batalha."
"Eu não tenho o nível de conhecimentos que Sakura-chan tem e penso que Ino-chan também está levemente à minha frente nesse aspecto" a morena murmurou, ponderando. "Mas sim, eu tenho conhecimentos suficientes para o campo de batalha."
"Quão vasto é o teu conhecimento sobre vírus?" Tsunade perguntou directamente e Hinata engoliu em seco.
"É um assunto que costumo estudar" a mais nova disse. "Shino tem interesse na área por causa dos seus insectos e eu costumo ajudá-lo com pesquisas e estudos."
"Óptimo" a Hokage murmurou, entrelaçando os dedos e apoiando o queixo sobre os mesmos. "Hinata, o que eu te vou pedir a seguir é algo complicado. Não é uma missão, tendo em conta que se trata do tratamento de um paciente. Mas é perigoso e arriscado em demasiadas maneiras. Eu vou explicar a situação toda, mas tens de ter ciente que, caso aceites trabalhar neste caso comigo, tu não podes comentar nada com absolutamente ninguém."
Hinata engoliu em seco. Ela nunca vira Tsunade a falar assim. Era quase como se a Hokage lhe fosse pedir algo completamente imoral. Respirou fundo, humedecendo os lábios antes de acenar novamente com a cabeça.
"Compreendo" disse, esperando que a mulher mais velha continuasse.
"Eu entendo que és a herdeira do teu clã e eu realmente não queria ter de te pedir isto, mas eu preciso dos olhos de um Hyuuga e tu és a única que eu sei que não contará a ninguém o que quer que vejas" a Hokage começou, fechando os olhos. "Há messes atrás, foi encontrada uma pessoa em estado crítico. Essa pessoa foi trazida para Konoha em segredo máximo e eu iniciei o respectivo tratamento. Mas existe qualquer coisa no corpo dessa pessoa que a permite aceitar a medicação. O estado do paciente foi piorando dia após dia e ele acabou por entrar em coma. Eu tenho feito de tudo para o trazer de volta, de tudo para o salvar, tal como eu lhe prometera quando ele aqui chegara. Mas o corpo dele não reage a nada. Tentei de tudo e não consigo perceber o que está errado" Tsunade fez uma pausa, a sua expressão num misto de tristeza e irritação consigo mesma. "Lembrei-me, então, que talvez fosse um vírus que lhe estivesse a afectar o corpo. Mas o estado de dano é tal que eu não consigo realizar qualquer tipo de teste para verificar a minha suspeita. Assim sendo, eu preciso dos teus olhos, Hinata. Preciso que jures segredo sobre este caso, não importa o que acontecer, e que venhas comigo, actives o teu byakugan e me digas o que vês. Se for realmente um vírus... se o conseguires identificar... então eu posso salvá-lo."
Hinata estava de olhos bem abertos e apertava novamente as mãos uma contra a outra. A forma como Tsunade falava não era a forma como ela se habituara a ouvir a Hokage falar. Aquilo não era um paciente qualquer, era algo pessoal, algo que mexia directamente com os sentimentos da mulher. Ela acenou mais uma vez.
"Com certeza, Hokage-sama" a menina abriu um leve sorriso. "Eu juro segredo de toda e qualquer informação que eu tenha conhecimento em relação a este paciente, não importa o que aconteça."
"Eu agradeço a tua imediata disponibilidade, Hinata" a loira afirmou levantando-se. "Segue-me, por favor."
As duas mulheres saíram do escritório e rapidamente estavam no Hospital, tendo entrado por uma porta lateral para não serem vistas. Desceram ao piso inferior e logo estavam em frente a uma porta, trancada por vários selos que Tsunade depressa os desfez. A Hokage abriu a porta, deixando Hinata entrar antes de fazer o mesmo e fechar a porta atrás de si. Olhou para a Hyuuga esperando qualquer tipo de sinal da parte da menina, mas esta apenas ficou a encarar o paciente em coma. Os olhos claros percorriam os traços do rosto, os cabelos, a delicadeza daquele semblante adormecido.
"Quando quiseres" Tsunade disse, sorrindo suavemente.
Hinata acenou e activou o seu byakugan. A menina ficou a encarar o paciente por algum tempo, aproximando-se, analisando tudo o que via. Mordeu o lábio. Sim, era um vírus e sim, o tratamento iria ser mais difícil do que Tsunade pensara. A Hyuuga estava prestes a revelar as informações à sua superior quando percebeu qualquer coisa diferente no paciente. Aproximou-se ainda mais, tendo a leve ousadia de se inclinar sobre o paciente para ter a certeza do que via.
Afastou-se abruptamente, olhando quase que aterrorizada para a mulher mais velha.
"Hokage-sama" chamou, engolindo em seco e percebendo que Tsunade a olhava como se soubesse o que ela ia dizer em seguida. "Quem é este homem? E porque ele possui este kekkei genkai?"
x . NS . x
Sasuke acordou sentindo um frio estranho a correr-lhe o corpo. Não era como se ele estivesse com frio como se fosse inverno e ele tivesse pouca roupa no corpo, era algo diferente. Era um frio que lhe corria por dentro, no sangue, na alma e não no corpo. Ainda de olhos fechados, ele relembrou-se que Naruto tinha saído para uma missão e, por isso, não estaria a seu lado. Suspirou. Era por isso que ele sentira frio. Rebolou na cama e abriu os olhos sonolentos, encarando o tecto. Quatro dias sem Naruto implicava quatro dias de tédio. Ainda por cima havia o casamento de Asuma e Kurenai. E era claro que, se Naruto não estava, Sasuke não iria ao dito casamento.
Olhou para o lado, procurando o relógio na sua mesa de cabeceira, tentando saber que horas eram, quando viu uma caixa preta sobre a mesma. Estranhou. Era uma caixa completamente quadrada, com cerca de dez centímetros de medida. Esticou o braço para pegar na caixa, segurando-a entre os dedos pálidos antes de a trazer para si e a abrir. A primeira coisa que viu foi um papel amassado com um enorme "VAI AO CASAMENTO-TTEBAYO" escrito. Contudo, foi o pequeno "P.S.: Aishiteru" que lhe arrancou um sorriso dos lábios. Sasuke tirou o papel de dentro da caixa, e os seus olhos brilharam ao verem o verdadeiro conteúdo da mesma. Sempre o mesmo Naruto, a fazer de tudo para o obrigar a cumprir as suas promessas. O seu sorriso aumentou ainda mais.
"Não demores na missão" murmurou para o ar, tirando de dentro da caixa a gravata laranja que o namorado lhe oferecera.
x . NS . x
N.A.: Eu peço desculpa pelo Hiatus da semana passada, mas uma vez que eu esgotei todos os capítulos extra que tinha, vai ser-me difícil eu actualizar certamente todas as semanas. Eu tentarei actualizar sempre que posso, mas o ritmo vai ser incerto.
Mudanças e cenas interessantes para breve!
"Yachou" significa Pássaro Selvagem.
"Kekkei genkai" linhagem sanguínea avançada.
Review!
Just
