Capítulo 19 – A última Horcrux
Depois de uma queda longa, Gina finalmente sentiu o chão debaixo de seus pés. Estava em um cano enorme que facilmente permitiria o movimento do Basilisco e a associação logo trouxe memórias de uma época em que era a caçula de uma grande família, cheia de idéias fantasiosas sobre como seria sua vida escolar. Pareciam duas pessoas tão distintas que era difícil acreditar que ainda era Ginevra Weasley. Talvez passara tanto tempo sendo outras pessoas através de poções polissuco que perdera sua identidade num meio de disfarces?
Devia estar correndo, avançando desesperadamente até a Câmara, atrás das Horcruxes, atrás de Harry, mas só conseguia andar com hesitação e sentir seu coração acelerar a cada passo.
Mesmo dizendo que acreditava em Draco, a verdade era que não conseguia aceitar a possibilidade. Ela queria Harry de volta, mas não daquele jeito. Mais uma vez tudo estava fora de seu controle e capacidades. E o pior de tudo que era que Draco Malfoy estava sozinho e sangrando, ela não tinha tempo para dúvidas ou hesitações.
Estava irritada com ele por jogá-la, mas infelizmente no momento os sentimentos que ganhavam era preocupação e pena. Será que o veria novamente?
"Se eu continuar hesitando... Não." concluiu, percebendo o quão errada estava encarando aquela situação. Afinal, o que quer estivesse a esperando no final daquele túnel, teria que enfrentar de qualquer forma. E teria que o fazer rápido.
"Pessoas dependem de mim. A Ordem, Rony, Hermione e... Malfoy" pensou determinada. "Dessa vez não há ninguém me impedindo, nenhuma pessoa se colocando entre mim e o perigo. Sem mais desculpas, sem mais hesitações".
Suas mãos podiam estar tremendo, mas agora estava correndo. O peso da espada não parecia lhe incomodar, só tinha olhos para o caminho iluminado fracamente por sua varinha. Seus passos ecoavam pelo cano enorme e, conforme se aproximava da entrada, o ar ficava mais quente. Para seu enorme choque chegou à entrada, esperando por algum tipo de obstáculo mas, em vez disso, encontrou a porta aberta, como se a convidasse para entrar. Porém, o mais surpreendente foi o que encontrou na câmara em si.
Ao entrar, foi introduzida à praticamente uma sala comunal. Sofás, estantes de livros por todos os lados, tapetes cobrindo antes o chão de pedra e cortinas vermelhas e grossas escondendo entradas para mais canos e os pilares adornados com cobras. E o principal: abaixo dos pés da estátua de Salazar Slytherin havia agora uma lareira acesa e acima dela a tiara de Rowena. Ansiosa, Gina se aproximou apressada do fogo, determinada a destruir o objeto rapidamente, porém, finalmente notou um último, mas importante detalhe.
Ao lado da lareira havia uma cadeira confortável de couro onde ninguém mais do que Harry Potter estava sentado, lendo um livro calmamente. A mão de Gina parou de tremer e a Horcrux foi esquecida por alguns segundos.
- Era verdade... - sussurrou, mal acreditando no que seus olhos viam.
Harry levantou o rosto do livro, sorrindo. Gina piscou, sem saber o que dizer.
- Eu sabia que alguém viria um dia - ele explicou, levantando da cadeira e colocando livro numa estante próxima. - Não imaginava que seria você, mas...
Ele suspirou, se aproximando dela e colocando uma das mãos no ombro dela.
- Harry... - foi o máximo que conseguiu falar.
- Ei, Gina - cumprimentou-a, sorrindo ainda. - Faz um bom tempo, não?
- Bom tempo? Harry... Quase onze anos... Todo esse tempo você estava aqui? Escondido? Vivendo nesse lugar, bem debaixo do nariz de todos?
Não sabia por que, mas sua voz continha raiva.
- Sou um prisioneiro aqui, não estou me escondendo - explicou com calma. - Achei que soubesse. Afinal, está com a espada.
Foi então que lembrou dos objetos, da espada, Rony, Hermione e Draco, mas antes que pudesse responder, Harry continuou.
- Ah, mas agora nada disso importa. Você veio acabar com tudo certo? Chega de viver nesse buraco, sem poder fazer nada.
- Sim... - tentou, incerta. - Vim destruir as Horcruxes.
Harry sorriu ainda mais, parecia aliviado. Saiu de perto dela, dando-lhe espaço para passar e seguir até a tiara guardada acima da lareira. Relutantemente e olhando para ele, Gina o fez. Pegou a tiara e a cortou ao meio com a espada, o objeto se despedaçando logo em seguida. Deveria se sentir triunfante naquele momento, porém era capaz apenas de fitar Harry, tentando entender o que sentia. Entender a razão de não estar feliz.
- Todos esses anos eu esperei por você. Dizia que não, negava para mim mesma. Tentei me convencer de muita coisa - desabafou, segurando com mais força a espada e se aproximando dele. - E agora aqui estamos. Por que ainda me sinto um lixo?
O sorriso dele se esvaiu.
- Eu não sei, Gina. Talvez porque tem que matar agora? - retrucou um pouco irônico.
- Não... Não é isso - tentou explicar.
- Ah, então você quer me matar? - ele riu, empurrando seus óculos para trás, depois ficou sério. - Eu entendo se for o caso. Não posso dizer que sou um herói muito bom. Decepcionei a todos.
Ela o encarou e depois, para sua surpresa, assentiu.
- Você sumiu.
- Eu sei.
- Não deu noticias, me deixou para trás.
- Eu sei.
- Você não o destruiu. Não salvou a todos - sua voz revelava a dor escondida, o rancor e desespero. - Por que não tentou? Por que não lutou mais? Como pôde desistir tão fácil? E daí que é uma Horcrux? E daí que tudo parecia ter dado errado? Devia ter continuado! Achado algum jeito!
Estava gritando agora e começara a bater contra o peito dele com os punhos fechados. Continuou o batendo até perder as forças, deixando que ele a abraçasse.
- Me deixou sozinha... - murmurou, contra seu peito. – Eu te odeio!
- Está tudo bem, Gina - disse calmo, beijando sua testa. - Tudo vai acabar agora.
Draco estava assustadoramente calmo, considerando sua situação. Pelo vermelho nas bandagens, o ferimento estava aberto de novo. E sua companhia? Um corpo e um fantasma irritante. Estava morrendo e a última coisa que ouviria seria o lamento incessante de Murta-Que-Geme. Perfeito.
- Garrafa de firewhiskey – pediu, o objeto se materializando logo em seguida. – Obrigado.
Se fosse morrer, que fosse bêbado.
- Pobre Fenrirzinho! – Murta urrou entre lágrimas. – Tão bonzinho!
Contra seu próprio julgamento, resolveu responder.
- Bonzinho? Sua lunática! Ele matava criancinhas e coelhinhos fofinhos para a sobremesa.
A fantasma cruzou os braços, indignada com a acusação.
- Para sua informação ele era só incompreendido.
Deixou uma risada escapar, entre tosses.
- Qual o problema das mulheres? Por que querem sempre defender os cafajestes?
- Ele não era cafajeste! – protestou, flutuando até Draco com seu dedo indicador contra o rosto dele. – Não fale assim!
Revirou os olhos.
- Merlin, uma fantasma apaixonada. Que patético.
- Minhas opções são limitadas, visto que só posso assombrar aqui! – gritou, chorando. – Sabe o que é viver eternamente como adolescente? Certo, não viver, porque estou morta, mas você entendeu! É um sofrimento! Meus hormônios me obrigam a isso! E o que uma moça pode fazer? Ficar sozinha? Entre Fenrir e aquele homem estranho nos canos... Não tinha muito jeito!
Ignorou a maior parte do discurso irritante dela, se concentrando em acabar com a garrafa o mais rápido possível, mas a última parte o forçou a responder.
- Homem estranho nos canos? Você quer dizer Potter, certo?
Murta colocou a mão no queixo, confusa.
- Quem?
- Harry Maldito Potter, Murta! Você o conhece! – gritou, tenso.
- Eu o conhecia, claro! Não sou surda, não grite.
- É ele lá embaixo, certo? – continuou apontando para a Câmara, mais nervoso. – Potter é quem está lá!
- Ei, olhe o respeito! Pare de gritar!
Se pudesse, teria segurado a fantasma pela gola do uniforme e a chacoalhado que nem uma boneca de pano. Mas, infelizmente não tinha como pressioná-la fisicamente. Então tentou não gritar e repetiu a pergunta.
- Quem é o homem estranho nos canos, Murta? – questionou entre dentes.
- Não é Harry Potter, isso sim! Pelo menos, não é mais.
- O que raios isso quer dizer?
Murta cruzou os braços e flutuou para perto do corpo de Fenrir.
- Quer dizer isso, ué! Eu sempre o visitava, no começo. Mas um dia ele não era mais Harry, entendeu? Me expulsou logo de cara, agia totalmente diferente. Fenrir ao menos conversava comigo!
Draco jogou a garrafa quase vazia contra a parede, satisfeito em vê-la quebrar em mil pedaços de vidro. Murta gritou, assustada e flutuou direto para uma das privadas, sumindo de vista.
- Bosta de dragão! – gritou, colocando uma das mãos no rosto. – Merda!
Esforçou-se para levantar, ignorando a dor que percorria seu corpo como um raio e a visão embaçada pelo álcool. Era um completo idiota, deixando-a sozinha! Agora podia ser tarde demais e seria sua culpa.
Apoiou uma das mãos contra a parede e fitou o túnel escuro com apreensão. O que teria a oferecer a ela naquele estado? No máximo a atrapalharia. Bêbado e sangrando não teria forças nem para lançar um feitiço simples, muito mais uma das maldições imperdoáveis.
Estava tão pronto para fechar os olhos e morrer! Por que ela continuava, mesmo à distância, o forçando a se levantar?
Maldita Weasley...
Deixou que ele continuasse o abraço, enquanto tentava compreender suas próprias palavras. Ela queria Harry vivo, mas não aquele Harry. Não dez anos depois, derrotado e confortável em sua prisão, não um Harry que perdera e nem sequer lutara para fugir. Não uma Horcrux que esperava ser destruída sem protestos, como um animal esperando o abate.
Era tarde demais e sua vida fora uma grande piada, reinada por injustiças e anos perdidos. Draco estava certo todo aquele tempo: promessas não serviam de nada. E Gina era inocente demais. Não havia finais felizes, nem mesmo depois de mais uma década de perdas e escuridão.
Mas, pelo menos por alguns minutos, podia fechar os olhos e fingir que estava de volta ao casamento de Gui, dançando com Harry. Ele acabara de elogiar seu vestido e ela lutava contra o desejo de beijá-lo e ordená-lo que voltassem a namorar.
Quando abrisse os olhos, a fantasia seria destruída e ela faria o que ninguém a julgava capaz: mataria Harry Potter. E o que sobrasse dela voltaria para a luta, destruindo Voldemort de uma vez por todas. Lidaria com a culpa e arrependimentos depois.
Estava prestes a abrir os olhos quando sentiu a mão dele perto da sua, devagar tirando a varinha de seus dedos. De imediato ficou tensa e tentou se soltar.
- Ei, está tudo bem - ele continuou, a segurando com mais força. - Seja uma boa menina.
Seu sangue gelou. Conhecia aquele tom. Nunca poderia esquecer a sensação de cobras subindo por seu corpo e esmagando seu pescoço.
- Você não é Harry - concluiu, segurando com força a espada.
- Não - veio a resposta satisfeita e zombando dela. - Claro que não.
- Onde ele está? - respondeu, tentando o empurrá-lo para longe, mas ele a segurava com uma força espetacular.
- Bem aqui.
Fechou os olhos, buscando forças. Estava realmente pronta para confrontar Tom Riddle? Ele era seu terror pessoal, era a voz dele que surgia quando um dementador estava próximo, seria ele em quem seu bicho-papão se transformaria.
- Eu sabia que algum amiguinho dele viria cedo ou tarde. Meu outro pedaço querendo ou não. Mas fico imensamente feliz por ser você, Gina. Sei que tem uma relação especial comigo.
- Cale a boca!
- Ah, vamos. Não seja assim. - a forçou a encará-lo, colocando sua mão debaixo de seu queixo e levantando seu rosto. - Somos velhos amigos, de certa forma. Quem sabe algo mais? Afinal, sou Harry Potter.
De repente, ele estava chocando seus lábios contra os dela, lhe enchendo de ódio e nojo. Resistiu o máximo que pôde e usou a distração para empurrá-lo para longe. Ele tinha sua varinha, mas Gina ao menos estava com a espada.
- Se é Tom Riddle... Por que me deixou destruir a tiara? - questionou, de repente, querendo distraí-lo.
Harry, ou melhor, Riddle, sorriu e dessa vez deixando toda sua malícia e crueldade aparecerem.
- Só pode existir um Lorde das Trevas, Ginevra.
- Você quer... Matar a si mesmo? - concluiu, chocada. - E tomar o lugar dele?
- Por que não? Tenho um corpo mais jovem, saudável... É o lógico a fazer. Ele não entende isso, claro. Não passou anos adormecido, lutando para sair e dividindo espaço com outra pessoa no mesmo corpo. Quero minha vingança e ao mesmo tempo o poder dele. Por que acha que ele me mantém prisioneiro aqui? - gargalhou. - Quando conseguiu encontrar um meio de matar Potter, achou que tudo estaria perfeito. A alma dele e o pedaço que sou eu em essência estavam separados e foi apenas uma questão de extrair a de Potter e preservar o corpo intacto. Mas ele não previu que um corpo não é como um diário ou medalhão, na verdade, é o perfeito lugar para nutrir uma alma. Eu finalmente estava vivo.
- Vocês se merecem - retrucou, enojada. - E merecem morrer.
Riddle continuava sorrindo, despreocupado com qualquer ameaça. Olhou para a varinha dela, satisfeito.
- Anos e anos, esperando por esse momento. Finalmente vou poder sair daqui e graças a sua ajuda, Ginevra. Muito obrigado. Essa varinha vai me libertar e poderei tomar meu lugar de direito. Infelizmente, você não vai presenciar minha ascensão ao poder.
Apontou a varinha contra ela, mas Gina foi mais rápida, pulando para o lado e usando como escudo a estante mais próxima de livros. Sem sua varinha, o máximo que podia fazer era fugir e quando o momento fosse ideal, usar a espada contra ele. Correu o mais longe o possível, torcendo para que as estantes lhe proporcionassem cobertura o suficiente.
- Se esconder não vai ajudar – Riddle anunciou, sem pressa. – Estamos totalmente sozinhos. Cedo ou tarde, vou descobrir onde você está. Que tal cooperar?
Manteve-se em silêncio, passando de estante a estante, para cada vez mais se distanciar dele e, com sorte, pegá-lo de surpresa. Não sabia o que era pior, a noção de que Harry estava morto depois de viver anos aprisionado e sem ajuda, ou que Voldemort tinha conseguido utilizar seu corpo daquela forma horrível, intencionalmente ou não. Não via hora de destruir aquele maníaco e todas as versões que existiam dele.
Porém Riddle estava em silêncio por tempo demais, deixando-a preocupada. Por que raios tinha que ter perdido sua varinha? Era uma completa idiota caindo no ato de alguém que obviamente não era Harry! E agora estava praticamente indefesa!
"Quis acreditar que era Harry, por isso não vi os sinais", suspirou para si mesma, tentando se manter alerta em meio a suas lamentações.
- E pensar que se vocês tivessem sido mais corajosos... Alguns anos atrás e teriam salvado Harry Potter. Mas não se preocupe, eu tenho todas as memórias dele, se quiser, posso fingir que sou ele de novo enquanto você morre lentamente em meus braços. Devido às circunstâncias, acredito que seja uma ótima oferta, não concorda? – a voz de Riddle agora estava distante, sua risada ecoando pela câmara e lhe dando calafrios.
Engoliu seco, passando a mão nos olhos para secar algumas lágrimas que ameaçaram cair. Não podia deixar que as palavras daquele monstro a afetassem, seria fazer exatamente o que ele queria. Precisava de uma distração para pegá-lo por trás e despreparado. Pensou em jogar-se contra uma das estantes e derrubá-la, mas não tinha força suficiente.
Foi quando ouviu uma voz familiar confrontar Riddle.
Péssima idéia. Se não estivesse sangrando e com um pé na cova, jamais teria se arriscado de forma tão estúpida e ridícula. Agora era tarde, de qualquer forma. Praticamente usando as paredes como apoio, lentamente seguiu pelo cano enorme, se perguntando quem teria sido o idiota que achara uma boa idéia usar canos ridiculamente grandes, dando espaço para um monstro mitológico com apetite por alunos.
Chegou até a Câmara e se surpreendeu com o conforto presente. Seria essa a razão para Snape limpar o local? Tornar uma prisão em algum tipo de lar distorcido para Potter? Ouviu então uma voz masculina, provocando alguém que só podia ser Gina. Engoliu seco, ignorou a dor e segurou firme sua varinha, entrando na Câmera o mais silenciosamente possível.
Viu uma figura distante andar por entre as estantes, sem pressa e o reconheceu como Potter. Mais velho magro e pálido do que Draco lembrava, mas era definitivamente Harry Potter. Aproximou-se com cautela, não querendo chamar atenção antes do devido. Onde Weasley estava?
-... Se quiser, posso fingir que sou ele de novo enquanto você morre lentamente em meus braços. Devido às circunstâncias, acredito que seja uma ótima oferta, não concorda? – o antigo Escolhido provocou em alto tom.
Murta falara a verdade, aquele não podia ser Potter.
Seu sangue ferveu, a mera sugestão de Gina morrer o apavorava e o revoltava tanto que levantou a varinha e correu com dificuldade até Potter. Bastava um Avada Kedrava e estariam a um passo de destruir Voldemort, simples. Fácil. Então por que seu coração estava acelerado e a mão que segurava a varinha tremia?
"Perda de sangue, claro" justificou para si mesmo, tentando deixar o nervoso para trás."Tantas vezes quis matar Potter, eis minha chance finalmente!"
Exceto que o nervosismo e o álcool acabaram tomando conta de seu cérebro, pois cometeu o erro de provocar ao invés de ser prático e lançar o feitiço definitivo antes.
- Uma oferta melhor seria você morrer e ficar bem longe dela – disse conjurando seu melhor tom de ameaça.
O homem no corpo de Potter se virou, encarando Draco com surpresa e interesse. Também não mostrou medo de sua tentativa fraca de assustá-lo. Era estranho estar frente a frente com Potter e, ao mesmo tempo, encontrar uma expressão tão sonserina em seu rosto. Praticamente um sacrilégio.
- E exatamente quem vai garantir tal coisa? – riu, ignorando a varinha apontada contra ele e se movendo para perto de Draco. – Mal consegue se segurar de pé, tolo.
- Desde quando é preciso ficar de pé para lançar um Avada?
Continuou sorrindo e abriu os braços, convidando Draco a se provar.
- Vamos lá, Sr. Herói. Não demore muito ou então vai manchar meu carpete com seu sangue sujo.
Manteve-se no mesmo lugar, mas não focava em Potter e sim em que estava atrás dele: Gina aproximando-se com cuidado e carregando a espada de Godric, a meros segundos de agir. Abaixou sua varinha.
- Ah, desistiu então? – Potter concluiu, entediado e baixando seus braços. – Mas que modo irritante de perder meu tempo.
Draco abriu um sorriso.
- Ou ganhar tempo para ela – informou triunfante.
Potter franziu a testa, mas antes que pudesse responder ou se virar, a espada de Godric atravessou seu peito brutalmente. Potter caiu no chão, sem vida e Gina retirou a espada, sem fôlego e expressão sóbria no rosto. Encararam o corpo por um longo tempo, tentando absorver o fato de que Harry Potter estava morto, assim como a última Horcrux destruída, caso Granger e Weasley tivessem tido sucesso com a cobra.
- Você está bem? – Gina finalmente arriscou a perguntar.
- Tirando a perda de sangue e os ferimentos, estou ótimo.
Ela abriu um sorriso fraco. Draco não retribuiu, preocupado em como ela estava lidando com o fato que matara o homem (ou o corpo do homem) que amava, mas estava fraco demais para tentar ler a mente dela.
- Eu devia ter vindo junto – confessou, irritado consigo mesmo. – Subestimei a capacidade de o destino arruinar nossas vidas. Achei que Potter...
- Tudo bem, eu precisava fazer isso sozinha – interrompeu, depois se aproximou dele, passando por cima do corpo sem hesitar. – O ferimento abriu, não?
Assentiu, deixando que ela o guiasse para perto de uma estante e o encostasse contra à madeira. Não sabia o que dizer para consolá-la, nem como lidar com tudo que tinha dito antes. Observou em silêncio enquanto ela trabalhava novamente para fechar o corte, suas roupas e mãos estavam com manchas de sangue e em seu rosto havia apenas concentração. Não sabia se iria sobreviver, mas estava contente em vê-la sã e salva, pelo menos por enquanto. O alívio era tanto que atreveu a empurrar alguns fios do cabelo dela para trás de sua orelha, para analisar o rosto cheio de sardas sem obstáculos. Ao sentir a mão dele, Gina levantou o rosto para fitá-lo, revelando lágrimas escorrendo por suas bochechas.
Draco não precisou de mais explicações ou sinais, e como se fosse a coisa mais natural e certa do universo, a abraçou com força, esquecendo completamente da dor em seu peito e beijou suavemente o topo da cabeça dela, desesperadamente tentando consolá-la de alguma forma.
- Cheguei tarde demais – ela sussurrou entre soluços. – Por que não fui mais rápida? Ele estava aqui... Se ao menos...
Deixou que ela desabafasse, sabendo que nada que pudesse falar ajudaria. Passados alguns minutos, ela começou a se acalmar, relaxando sob os braços dele e lhe dando tempo de lembrar o quanto estava apaixonado por Ginevra Weasley e infelizmente o quanto não era recíproco. Não se lembrava de jamais se importar tanto assim com alguém. O mundo provavelmente estava acabando lá em cima, Voldemort já devia ter percebido o plano deles, e mesmo assim se recusava a largá-la.
Ilógico, imbecil e insano.
- Nós vamos vencer, Draco – anunciou de repente, determinada.- Ele vai morrer e vamos vencer.
- Não tenho tanta certeza - completou, não conseguindo controlar a amargura.
Ela levantou a cabeça, o fitou por um breve momento e então, para sua surpresa, pressionou seus lábios contra os dele delicadamente. O choque o impediu de retribuir o gesto e o beijo foi curto.
- Nós vamos vencer – repetiu, sorrindo. – Eu prometo.
Estava espantado demais para contestá-la, então ficou em silêncio enquanto ela continuava o processo para fechar seu ferimento mais uma vez. Quando terminou, saíram juntos da Câmara, começando o longo caminho de volta para o banheiro e então o reencontro com Granger e Weasley, dedos cruzados para que Nagini estivesse em pedaços naquele momento.
Tentou esquecer de Gina e seu beijo estranho e concentrar as forças que lhe restavam em ficar de pé e vencer o Lorde das Trevas, que os esperava em breve.
N/A: Sorry pela demora! Estamos chegando ao fim, gente! O_o. Só para esclarecer, caso não tenha explicado direito (que triste), Harry não estava mais lá dentro (do corpo) ok? hahah.
Thaty Malfoy: Ele não morreu, calma! Hahah, pelo menos não até agora. Sim, essa entrevista é bem antiga, tinha até me esquecido dela O_o *vergonha*. Bringada pela review!!
Dark-bride: Hahaha, sorry! Mas pelo menos ele se redimiu né? Percebendo que a Gina estava em perigo ele foi atrás dela! :) Valeu pela review!
Marcia B.S.: Thanksss!! Seu desejo foi realizado, Gina matou "Harry" (mesmo que não era mais Harry ela conseguiu!).
Daia Black: Obrigada!! Desculpe a demora :/
carol: Hahah prometi pra minha beta que ia ter um beijo por capítulo pra compensar o resto da fic! E vou cumprir a promessa :P
Lucy: Eee Lucy! Thanks pela review e POR BETAR!! Yay! Cliffhangers são uteis hahaha
Munyra Fassina: Ele continua vivo, yay! Hahaha. Se for pro Draco morrer, vai ser no próximo *risada maligna*
Thata Black-Cullen-Malfoy: Draco é uma pessoa dramática, gosta de falar bobagens :P Valeu pela review!
Loh Malfoy: Eee, bem-vinda! Espero que continue gostando :D
Carolina Trujillo: Risos, sorry pela demora! Melhoras para sua filha!!! :(
