Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Maya Banks do seu livro Seduzida por um guerreiro escôces – Série Montgomerys e Armstrong. Essa Fanfic é uma adaptação.

Capítulo 19

Sakura suspirava em completo contentamento enquanto Sasuke a carregava através do pátio e para dentro da fortaleza. Manteve os olhos fechados, pois estava determinada a não deixar que nada arruinasse o momento. Nada de olhares das pessoas do clã. Nada de comentários maldosos. Nada de insultos.

Ele a carregou para dentro e depois subiu as escadas, e ela apenas abriu os olhos quando entraram no corredor que levava aos quartos.

Ino estava cuidando da lareira quando Sasuke entrou no quarto. Ela apressou-se e depois fez um gesto na direção da cama.

– Separei um vestido para ela usar e deixei um cobertor perto do fogo, como você me pediu.

Sakura não se ajeitou para poder enxergar a resposta de Sasuke, porém sentiu as vibrações em seu peito.

Sentiu não apenas nos ouvidos, mas também contra a pele.

Ela adorava o som e a sensação de sua voz. Queria voltar a escutar, para que não fizesse nada além de ouvi-lo falar. Ele devia ter a voz mais maravilhosa do mundo.

Por que outra razão soaria tão deliciosamente em seus ouvidos?

Antes de sair do quarto, Ino acenou levemente para Sakura com o olhar, como que dizendo "agora é com você". Não que Sakura se importasse. Ela adorava ter o marido apenas para si, quando ele podia falar diretamente com ela sem ninguém para se intrometer ou fazer coisas, como derramar cerveja sobre ela.

Estava começando a gostar muito da ideia de ter Sasuke como marido, e seria melhor ainda se pudessem superar o constrangimento causado pelas mentiras de seu passado. Sakura sabia que deveria revelar-se em algum momento para ele, mas quando? Será que isso destruiria a ternura que ele sentia por ela? Será que ele apenas sentia essa ternura por pena de seu estado?

Essa ideia fez o estômago de Sakura se revirar, pois tudo poderia terminar de um jeito maravilhoso, mas também poderia terminar muito, muito errado, e qualquer proteção que ela tivesse no momento poderia simplesmente se evaporar num instante se a verdade fosse revelada.

Sasuke colocou-a na frente do fogo e depois apanhou o cobertor que Ino havia deixado para esquentar.

Sakura olhou rapidamente para o rosto dele, sem querer perder nada que Sasuke dizia.

– Vou segurar o cobertor e você poderá soltar esse em que está enrolada e depois se cobrir com este até secar e se aquecer o bastante para se vestir.

Ela percebeu o desconforto no rosto de Sasuke e isso a deixou curiosa. Será que ele não a via como mulher?

Não, não era isso. Ele a beijara. Reagira a ela como um homem reage a uma mulher. Sakura já vira seus pais se beijando. Já testemunhara outras pessoas em seu clã compartilhando beijos ardentes. O que acontecera entre ela e Sasuke com certeza sacudiu suas fundações.

Talvez ele não quisesse vê-la como uma mulher. Talvez nem a quisesse como esposa. Na verdade, não havia dúvida sobre isso. Estava óbvio que ele não queria uma esposa e, provavelmente, não mudara de opinião.

Mas nenhum dos dois teve escolha e, para Sakur, o jeito era tirar o melhor daquela situação. Ela gostava de Sasuke. Quanto mais tempo passava em sua presença, mais gostava dele e o respeitava.

Sasuke fora gentil e compreensivo com ela. Qualquer homem que fizesse isso com a filha de seu pior inimigo não poderia ser um homem mau.

Lentamente, Sakura deixou o cobertor cair e Sasuke apressou-se com o outro cobertor. Ela sorriu, prendeu-o sobre os braços e enrolou-se, enquanto se sentava no banco. Depois, fez um gesto para ele se sentar ao seu lado, querendo que também se secasse em frente à lareira.

– Preciso tirar estas roupas molhadas – ele disse.

Ela assentiu e se virou, pois estava óbvio que ele se sentia desconfortável despindo-se na presença dela. Como não conseguiu virar-se completamente, ela acabou enxergando-o com a visão periférica.

Sakura estava extremamente curiosa sobre o corpo de seu marido e queria poder vê-lo por inteiro. Nunca vira um homem completamente nu antes.

Ela segurou a respiração quando ele, rapidamente, tirou a túnica e a calça. Sasuke virou-se de lado quando apanhou roupas secas de um baú ao pé da cama.

Ele era… Sakura não sabia exatamente que palavras usar para expressar o seu espanto e admiração. Ele tinha o corpo de um guerreiro, mas era… lindo. Pernas grossas, músculos pesados, assim como os braços e os ombros largos. No meio de suas pernas havia cabelos escuros ondulados e a sua masculinidade… Ela engoliu em seco, nervosamente, sem querer ser flagrada olhando, mas estava fascinada por aquela porção de sua anatomia em particular.

Sakura conhecia o suficiente sobre todo o processo de acasalamento para saber o que entrava onde, mas não conseguia imaginar como. Parecia grande demais para caber dentro dela e, por mais que quisesse ser uma esposa de verdade e consumar o casamento, ela não conseguia imaginar que aquilo pudesse ser feito sem dor e sem um esforço considerável de sua parte.

Mesmo assim, esse passo seria importante se quisesse se tornar uma esposa de verdade para Sasuke. E Sakura queria isso. Queria sua aceitação e, eventualmente, a aceitação de seu clã, se é que isso era possível. Ela não queria ser para sempre a esposa que prendia Sasuke, como um fardo que ele precisava carregar para que houvesse paz entre os clãs.

Rapidamente, ela forçou os olhos para a frente quando Sasuke terminou de se vestir e, um momento depois, ele se sentou ao seu lado diante da lareira.

Sakura olhou para ele, sem querer perder nada do que dizia, mas ele permaneceu em silêncio, com os olhos focados nas chamas.

Talvez ela pudesse beijá-lo de novo. Ela queria isso, mas estava nervosa sobre quanto ele seria receptivo, agora que não havia mais o elemento surpresa.

Ela lambeu os lábios e continuou olhando para ele.

Como se pudesse sentir a força do olhar da esposa, Sasuke virou-se em sua direção. Seus olhos castanhos brilhavam com a luz da lareira, e ele parecia estudá-la, quase como se estivesse considerando seus pensamentos e palavras.

– Eu não sei o que fazer com você, Sakura Haruno.

Ela sentiu a resignação em sua postura e expressão.

Sakura ficou preocupada, não gostando das implicações daquela afirmação.

– Não sei se o que sinto é correto e não gosto da culpa que me atingiu por ter gostado tanto do nosso beijo.

Ela sorriu, com o coração mais leve do que antes, e sentiu uma vergonha repentina. Teria desviado os olhos, mas sabia que era importante enxergar o que ele diria em seguida.

Então ela tocou seu queixo, movendo lentamente os dedos sobre seus lábios. Ele fechou os olhos, parecendo gostar daquele toque. Antes que pudesse reabri-los,

Sakura chegou mais perto e beijou-o.

O cobertor se abriu parcialmente, mas ela não deu importância e manteve seus lábios cobrindo a boca dele com firmeza. Ela queria sentir seu sabor novamente, queria saborear sua língua e senti-la deslizando contra a sua. A respiração de Sasuke vibrou contra os lábios de Sakura quando ele soltou um suspiro. De resignação? De entrega? Ela não podia dizer. Sabia apenas que ele abrira a boca e que a língua dele acariciava a sua calorosamente, retribuindo o beijo na medida certa.

Parecia não haver relutância, nenhum sinal de que estivesse lutando contra essa emoção que surgia entre os dois.

Fora o prazer mais doce já sentido por Sakura. Ela queria que o momento nunca terminasse, mas Sasuke foi o primeiro a desfazer o contato, com olhos semiabertos enquanto a olhava.

Ele afastou-a gentilmente. Pareceu um gesto mais simbólico do que uma simples separação, quase como se ele estivesse erguendo uma barreira visível entre os dois, ou como se precisasse da distância.

– Tenho trabalho a fazer – ele disse.

Sem olhar novamente para ela, Sasuke levantou-se e andou até a porta do quarto. Ela não olhou sobre o ombro, por mais que quisesse. Sakura estava ao mesmo tempo encantada e desiludida pelo beijo e pela reação do marido.

Ela ficou observando para as próprias mãos por um longo tempo, tentando digerir as diferentes emoções que sentia. Não tinha experiência nos assuntos do coração.

Sua única experiência com um marido em potencial fora desastrosa, e ela jurara que nunca mais se permitiria colocar em uma situação como aquela em que se encontrara com Kabuto Yakushi. Mas a verdade era que não tinha escolha com Sasuke, e tudo poderia acabar tão mal ou pior do que um casamento com Kabuto. Ela apenas teve sorte por Sasuke mostrar gentileza em vez de vingança.

Respirando fundo, levantou-se, deixando o cobertor cair, e depois andou até a cama onde Ino havia lhe deixado um vestido. Sakura não permitiria que nada estragasse o seu dia. Nenhum comentário maldoso dos membros do clã. Nem suas próprias dúvidas ou medos sobre revelar a verdade a Sasuke.

Ela gostou de seu primeiro beijo, o primeiro sabor da paixão e as primeiras faíscas de um desejo que gostaria de perseguir.

Sabendo que Ino estaria curiosa sobre o que fez Sasuke carregá-la de volta, Sakura desceu as escadas, determinada a seguir bravamente entre as pessoas do clã. Ela era a esposa de Sasuke, quisessem ou não aceitar isso. Ela própria já havia aceitado e, se tudo desse certo, Sasuke também logo aceitaria. Com o tempo, seu clã o seguiria. Ela tinha de acreditar nisso.

Quando terminou de descer os degraus, Sakura respirou fundo e passou pela porta que dava no saguão. Apressou-se até o outro lado, onde ficava a saída para o pequeno escritório onde Ino gostava de passar tanto tempo. Mas o lugar estava escuro, com as cortinas cobrindo as janelas, e Ino não estava em lugar algum.

Contrariada, voltou para o saguão, decidindo aventurar-se fora da fortaleza, onde esperava descobrir o paradeiro da cunhada.

Embora antes o saguão estivesse quase vazio, com exceção de algumas mulheres indo e vindo da cozinha, Sakura agora precisou encarar uma verdadeira multidão, ou, ao menos, era isso que parecia com tantas pessoas bloqueando o caminho para o pátio.

Na frente do grupo de mulheres – Sakura contou cinco – estava Karin, cuja expressão irritada podia apenas significar que esse não seria um encontro amigável.

Karin apertou os lábios.

– Vadia.

Sakura piscou, surpresa. Aquele não era seu método normal de insulto. Sakura francamente pensara que ela conseguia apenas falar uma palavra. As outras mulheres assentiram, com expressões tão intensas quanto a de Karin.

– Você não tomará nosso laird com a sua sedução barata – Karin continuou. – Ele é um homem, e homens podem se encantar com um rosto bonito e um corpo disposto. Mas a nós você não engana. Não deixaremos que ele se esqueça quem e o quê você é. Você nunca será bem-vinda aqui, cadela dos Haruno.

Uma fúria quase cegou Sakura. As outras mulheres também jogavam insultos para ela. Todas concordavam com Karin e apoiavam o que ela dizia. Mas Sakura não conseguia acompanhar todas as bocas. O grupo de mulheres se tornou um borrão em sua visão enquanto ela era tomada por uma grande raiva.

Sakura virou-se para a grande lareira no centro do saguão. Uma lareira onde havia duas espadas penduradas acima na parede. Estavam ao seu alcance, mas ela duvidava que estivessem prontas para um combate.

Pareciam mais ornamentais do que qualquer outra coisa, mas ela não se importava. Uma daquelas espadas, com certeza, ajudaria em sua causa.

Se elas queriam loucura, então loucura é o que teriam.

Sakura correu para a lareira, ficou na ponta dos pés e agarrou uma espada, rezando para que se soltasse e, depois, rezando para que não fosse pesada demais.

O cabo era antigo e estava gasto, e a lâmina não era tão grossa ou grande como aquelas que seu clã carregava ou mesmo aquelas que vira os guerreiros dos Uchiha carregando.

A espada se soltou sem protestar, e a raiva alimentou sua força quando cambaleou com o peso. Sakura se virou para as mulheres que agora a encaravam com inquietude.

Ela se lançou para a frente, erguendo a lâmina para o alto, e então gritou, sem pensar no volume da voz. Não se importava se o teto tremesse. A palavra – a única palavra – que foi capaz de articular surgiu do fundo do peito e se arrastou pela garganta com toda a força que conseguia.

– F-F-FORAA!

CONTINUA!