Gente, mais um capítulo. Antes que vocês queiram me trucidar, leiam alguns esclarecimentos logo abaixo do capítulo. E muito obrigada pelos reviews. São seus comentários que me incentivam a continuar a fic. Agora é certo. Se estão animados a continuar a ler, saibam que a história via chegar até o capítulo 36, não mais do que isso, e se bobear, até um ou dois a menos. OK? Então vamos lá!
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Sakura corria sem parar. Não olhava para trás. Ao invés de tomar a direção que a conduziria até a sua casa ou à academia, ela se embrenhou pelo bosque adentro. Corria sem parar. Não queria pensar. Não queria sentir. Queria apenas correr. Fugir dali. Fugir de Itachi. Fugir da dor.
Corria às cegas e não prestava atenção ao seu redor. Corria entre as árvores. De repente, tropeçou na raiz de uma delas e caiu. Mas não se levantou. Ficou deitada no chão coberto pela relva e voltou a chorar de uma forma violenta. Era um choro de cortar o coração. Até que, por fim, parou de chorar e ficou com o olhar perdido, sem se fixar em nada. Levantou-se apoiando seus braços numa árvore e encostou suas costas na mesma. Seus joelhos estavam ralados pela queda, mas ela não se importava. Não se importava com mais nada.
Fechou os olhos. As palavras de Itachi não lhe saíam da cabeça: "Eu não te amo e nunca te amei, Haruno Sakura." Ecoavam em sua cabeça e ela prensou-a entre as duas mãos como que tentando impedir o pensamento se deter naquelas palavras e em outras frases da conversa que lhe vinham à mente. Abriu os olhos novamente e não havia nenhum brilho neles. Queria parar com a dor. Não queria mais senti-la. Sua mão estava prestes a pegar numa kunai que havia trago consigo junto com o material que sempre trazia para as aulas da academia. Quem sabe um rápido golpe acabaria com tudo aquilo? Não mais sentiria aquela dor insuportável.
Mas antes que fizesse isso, ela sentiu uma dor pior ainda do que a que ia na alma. Sentiu seu ventre se contorcer e colocou suas duas mãos ali. Que estava acontecendo? Olhou para baixo e para seu espanto uma enorme poça de sangue estava se formando debaixo dela. Ela ficou assustada. Será que estava morrendo? Seu desejo estava se tornando realidade sem ser preciso ela agir? Porém, queria que fosse menos doloroso e mais rápido. Ela usava uma blusa preta e uma sai branca que se avermelhava na parte de baixo devido ao sangue. Este escorria sem parar por entre suas pernas. Ela resolveu esperar a morte ali mesmo. Estava apática. Gemia de dor, mas se era assim que as coisas deveriam terminar que assim fosse.
- Sakura! - alguém gritou
A voz era grave e parecia com a de Itachi. Meu deus, seria ele? Estava arrependido e vinha lhe dizer que tudo não passara de engano? Mas agora era tarde demais, estava morrendo. Não! Não podia morrer! Tinha que viver pelo amor dele. Porém, a pessoa que se postou à sua frente, que ela vislumbrou antes de perder os sentidos e que a tomou pelos braços completamente apavorado pelo estado dela, não era Itachi. Era Sasuke.
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Itachi estava em seu quarto. Já se encontrava de pé trajado com um bhaku¹ vermelho de mangas, uma lajha² dourada, uma capa azul bordada e uma faixa também azul em volta da cintura. Estava pronto para seu casamento. O civil fora pela manhã e contou com a presença apenas dos familiares. Agora pela tarde só restava o religioso que o uniria em caráter definitivo com Uchiha Leiko. Finalmente chegara o "tão aguardado dia".
Deu um breve suspiro. Fazia exatamente um mês que rompera sua relação com Sakura definitivamente. Não sabia nada mais sobre ela. A única notícia que lhe chegou aos ouvidos é que ela sofreu um acidente grave e que fora parar no hospital durante três dias. Isso no dia em que tiveram aquela conversa horrível. Porém, ele só soube do ocorrido fazia uma semana. Sentiu-se extremamente culpado e quis procurar sua amada para saber como ela estava, porém, foi impedido. A pessoa que o informou garantiu que ela já estava bem e recuperava-se de tudo. Do acidente e da decepção. Decepção que ele lhe causara.
Fôra Sasuke que a acudira. Sasuke. Ele agora seria quem mereceria a admiração da rosada e sua gratidão. Esses sentimentos com certeza fariam renascer no coração da garota o amor que um dia sentira por seu irmão. Itachi sentiu uma raiva imensa em seu íntimo. Não era justo! Ele que fizera o sacrifício de vê-la bem junto com a família e Sasuke quem colheria os louros? Ele que tomara providências para que a vida dela transcorresse tranquila e feliz e seu irmão tolo que a teria nos braços? Não! Não podia aceitar isso.
Contudo, lembrou-se que fora ele quem tomara essa decisão. Sakura nunca deveria saber. Ela deveria acreditar que ele era um perfeito filho da puta. Um monstro, um canalha, um lixo, como ela lhe xingou. Seu olhar de dor e decepção, suas lágrimas, seu choro estridente ainda invadiam a mente dele como uma recordação permanente e dolorosa. Nunca iria esquecer.
- Filho! - ouviu a voz de sua mãe o chamando e o despertando de seus devaneios.
- Já estou indo - respondeu com o seu tom frio
Terminou de ajeitar seu longo cabelo num rabo-de-cavalo e saiu do quarto. Encontrou sua mãe no corredor. Ela estava deslumbrante num quimono azul celeste.
- E Sasuke e o pai? - perguntou Itachi
- Estão prontos e nos esperando na varanda - sua mãe o olhou angustiada - Tem certeza, meu filho, de que quer fazer isso?
- Tenho. É melhor nos apressarmos, senão chegamos atrasados.
Itachi encerrou o assunto antes mesmo dele começar. Não queria ouvir qualquer palavra de consolo ou incentivo de sua mãe. Tudo já estava sendo doloroso demais para isso. Mikoto suspirou e assentiu. Deu o braço a seu filho e caminharam juntos até a varanda onde estavam Sasuke e Fugaku. Ela não sabia o que fizera Itachi mudar de opinião, mas sabia que de alguma forma Fugaku conseguiu forçá-lo a lhe obedecer. Ela suspeitava que tinha algo a ver com a prisão do pai de Sakura, mas não queria levantar suposições. Tinha medo de saber do que o marido era capaz.
Chegaram depois de algum tempo e o templo budista do clã já se encontrava lotado por todos os membros. O local tinha capacidade para todos os membros e mais outras pessoas que não eram do clã. Além dos Uchihas, haviam poucos convidados da vila de Konoha que foram chamados para aquela cerimônia, mas só os de elite e importância política. Lá estavam o Hokage Minato e sua esposa Kushina, os dois conselheiros do Hokage, os membros principais do clã Hyuga, alguns membros principais da ANBU, dentre eles Hatake Kakashi e Danzou. E também estavam dois dos três sannins, Orochimaru e Jiraya³; apenas Tsunade não quis comparecer ao casamento alegando uma terrível enxaqueca e pediu para seus companheiros se desculparem por ela. Os dois sabiam bem a que se devia "àquela enxaqueca". Certamente uma noite de farra regada à bebida.
Naruto, Hinata e Sai, como eram filhos das pessoas ilustres de Konoha também foram convidados, mas por atenção a Sakura, não compareceram à celebração sob os protestos de seus familiares.
Não demorou e a noiva, finalmente, chegou. Uchiha Leiko. Era uma jovem de 19 anos, considerada a mais linda do clã e também umas das principais beldades de Konoha. Tinha os cabelos longos e pretos, que estavam presos num coque, os olhos pretos, a pele alva e delicada, o corpo esguio e cheio de curvas. Trajava um bhaku vermelho sem mangas, um lenço branco e algumas jóias de pedras preciosas que adornavam seu vestuário mais ainda. Ostentava um sorriso orgulhoso nos lábios. Não era para menos, afinal, estava se casando com o maior partido do clã e um dos maiores da vila, senão o melhor.
Foi trazida até o altar por seu pai, Uchiha Ibushi, também muito orgulhoso com aquela união. Itachi a tomou pela mão com o rosto inexpressivo. Logo, o monge começou a cerimônia e esta terminou com a união dos noivos sob as bênçãos de seus pais.
Estava feito. Uchiha Itachi estava casado.
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Num outro ponto da vila de Konoha, num campo de treinamento, encontrava-se Haruno Sakura descansando. Estava sentada numa pedra com roupas apropriadas para o treino. "A essa hora ele já deve estar casado", pensou a jovem com uma nuvem de tristeza no olhar. Mas procurou desvanecer esse pensamento. Não importava mais. Aquela dor não a consumiria mais.
O mês que decorreu fora bem díficil para ela. Ouvir comentários por todos os lados da vila sobre o casamento de seu amado. Foi um inferno! E ainda por cima, deparar-se com os olhares de todos os habitantes da vila: alguns com pena e grande parte com zombaria e desdém. A maioria dos olhares era de mulheres.
Afinal, ela fora apenas um caso do Uchiha. Quem era ela para pretender algo mais? Que se considerasse com muita sorte por ter sido alvo da atenção dele durante muito tempo, pois quase todas as mulheres da vida dele - e foram muitas - não chegavam a ficar mais do que uma semana com ele. Poucas chegavam há um mês, como a ex-mulher de um dos chefes da ANBU. Esse era o pensamento geral que passava pela mente das pessoas e, principalmente, das mulheres.
Contudo, o pior para a rosada foi o tal "acidente" que sofreu. Esse era um fato que a marcaria na alma para sempre e a faria ter mais ódio ainda do Uchiha. Nesse dia, ela não só perdeu Itachi, mas também... Era doloroso demais só de lembrar! Duas perdas num só dia. Bom, não se poderia dizer que ela perdera o Uchiha, pois não se pode perder o que nunca se teve. E Itachi nunca foi dela como ela pensava. Nunca tiveram nada, apenas um caso com fachada de namoro.
Se não fosse Sasuke, teria perdido algo mais, sua vida. Sasuke. Seria grata ao seu amigo por muito tempo, mas nem por isso pensava em baixar a sua guarda. Sabia que ele estava apaixonado por ela ou pelo menos assim parecia. Parecia. Como parecera que Itachi também a amava. Quem sabe? Não poderia confiar mais cegamente num homem de novo, especialmente num Uchiha . Até isso Itachi conseguiu tirar dela.
Levantou-se decidida. Não era hora para lamentações. O passado deveria ser enterrado. Dali há uma semana seria o exame final da academia ninja. Ela tinha que se concentrar somente nisso. No seu objetivo. Isso a faria sobreviver. Isso o maldito Uchiha não conseguiu lhe tirar. E nem ele e nem ninguém tiraria dela. Iria se tornar a maior konoichi de Konoha e uma dos principais shinobis. Seu nome seria famoso, tão conhecido ou mais do que o da legendária Tsunade. Assim que se formasse, pediria para a ninja média lhe treinar. Disseram-lhe que era meio díficil, pois Tsunade tinha a rotina cheia. Mas ela a convenceria. Impossível não faria parte do vocabulário de Haruno Sakura.
Duvidaram que ela se tornaria uma grande shinobi dominadora de todas as técnicas ninjas e, aonde ela conseguiu chegar? Era considerada a maior da academia. Claro, o preço fora alto demais: custou sua virgindade, sua inocência e sua capacidade de confiar nas pessoas. Porém, fora algo bom que pelo menos Itachi lhe deu.
- Eu não vou desistir - disse a jovem decidiada.
- E nem deve - uma voz feminina e grave atraiu a atenção da garota. Era Tsunade.
- Diretora? O que está fazendo aqui? - perguntou a jovem intrigada
- Bem, eu não gosto muito de casamentos. Eles são chatos e me trazem nostalgia - respondeu como que lembrando do passado - E depois eu queria conversar com você. Fui até sua casa e seus pais me informaram que você ia treinar aqui nesse campo.
- Falar comigo? Sobre o quê?
- Eu soube que você quer se tornar uma ninja médica e eu vim aqui pra te dizer que eu estou disposta a te treinar.
- Sério? - replicou a menina espantada - Mas como a senhora soube? Quem lhe contou?
- Isso não importa. E então, você aceita ou não?
- Claro que sim! Mas... e o exame da academia? Ainda não fiz e nem me classifiquei como chunnin.
- Nós começaremos a treinar logo depois do exame. Eu sei que você vai passar. Você progrediu muito esse ano, surpreendeu a todos e tem potencial.
- Obrigada.
- Não me agradeça. É a verdade. Bem, eu vou indo. Me procure logo depois que sair os resultados do exame.
- Hai.
- E não pense que eu vou pegar leve com você. Prepare-se pra muita dureza e treino.
- É disso que eu preciso.
Tsunade assentiu com a cabeça e deixou a garota sozinha. Ela sorria. Parecia que tudo agora iria lhe sorrir. Realmente, a vida pode fechar uma porta para algo que se deseja, mas logo em seguida abre outra para algo melhor. E ela Haruno Sakura ia entrar por essa porta com tudo. Todos veriam. Ela era e seria mais ainda uma vencedora. Nunca mais seria a Sakura chorona. Ele não ia lhe ver derrotada. Nem ele e nem ninguém.
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Notas
¹bhaku - um tipo de quimono
²lajha - uma espécie de colete
³ Na minha fic, Jiraya não está morto e nem vai morrer. Ele deve aparecer em ação mais pro final. Quanto ao Oro, não se enganem, esse continua a mesma cobra que é tal como no mangá. Também há de entrar em ação no final, mas para aprontar.
Pessoal, alguns esclarecimentos para vocês não desanimarem: primeiro, como vocês perceberam, o acidente da Sakura foi um aborto espontâneo. Era preciso porque não caberia ela ter um bebê agora nesta segunda fase em que entrará a história. Mas se o bebê não morresse, podem estar seguros que ela o teria mesmo que fosse discriminada por ser mãe solteira. E não quer dizer que ela não terá um herdeiro Uchiha. Pelo contrário, mas não vou adiantar nada agora sobre isso.
Segundo, o casamento de Itachi com a Leiko não será nada feliz e também não durará muito. Além disso, trará uma grande decepção para o Fugaku (está na hora dele tomar na cara).
Terceiro, haverá mais pra frente um capítulo bastante hentai entre o Itachi e a Sakura, o que não quer dizer que ela vai topar ser amante dele. É algo que vai acontecer fora do controle dos dois. Esta segunda fase da fic abordará a atuação tanto dela como do Itachi como shinobis, mas principalmente, a dela. Ficarão orgulhosos do desempenho dela.
Bom, até o próximo capítulo. E me mandem reviews, por favor!
