Notas da Autora

Atemu se encontra...

O Faraó decide...

Capítulo 20 - Boato

Quatro meses depois, no Egito, mais precisamente no palácio, a noite havia caído e Atemu se encontrava na bela sacada do seu luxuoso quarto, olhando para o céu, enquanto se recordava da felicidade do seu genitor ao saber sobre a gravidez de sua esposa, demonstrando uma felicidade imensa em seu semblante, para depois o sorriso desaparecer, brevemente, sobre um acesso violento de tosse seca, enquanto ele voltava a deitar na cama.

Após eles conversarem outros assuntos, com o sorriso nunca deixando os lábios do seu genitor, ele havia saído do quarto dele, enquanto confirmava que a mágica usada em torno do quarto do seu pai com a ajuda de Mahaado, para garantir que os boatos nunca chegassem aos ouvidos de Akhenamkhanen, ainda estava ativo, pois eles temiam que a preocupação e a dúvida gerada por esse boato poderiam acabar se tornando um golpe brutal para o corpo debilitado dele ao prejudicar a sua felicidade. Felicidade esta que Atemu iria garantir, pessoalmente.

Enquanto ele se encontrava pensativo, a sua prima dormia em outro aposento ao lado dele, onde continha uma porta conjugada que conectava os dois cômodos, sendo que o monarca havia se certificado de usar uma magia em forma de uma parede invisível na porta conjugada para impedi-la de se arrastar até o seu quarto.

Afinal, ele desejava que a jovem tivesse uma gravidez tranquila e encarar a fúria de um Faraó nunca traria nada de bom para uma gestante.

Inclusive, em virtude desse fato, Atemu mantinha a sua férrea determinação de não perder o resto da paciência que lhe restava, enquanto que não podia permitir que o boato que ressoava por todo o palácio fosse comprovado por suas ações perante uma possível reação.

Afinal, ele precisava mantê-lo limitado a ser apenas um dos vários boatos que sempre se perpetuavam entre a corte e enquanto mantivesse os seus atos indiferentes aos boatos, do que seria o esperado de falsas alegações, ninguém conseguiria creditá-los como verdadeiros.

O Faraó suspira novamente, sentindo que havia envelhecido vários anos, pois não bastava ter que cuidar de um império e da vida de milhares de pessoas. Agora, ele tinha que gerenciar um boato, cujo fundo era verdadeiro, gerindo-o como sendo falso pelo bem de um inocente. Ou melhor, pelo bem do futuro deste inocente, pois ele não podia permitir que este futuro fosse estraçalhado pelos atos deploráveis de sua genitora.

Claro que ele não era hipócrita.

Porém, ele desejava que se ela fosse fazer isso, fizesse após o nascimento da criança e em segredo, dando a ele e ao povo, a certeza sobre a ascendência do bebê em seu ventre.

- Atemu?

Shimon e Mahaado aparecem, fazendo o Faraó consentir, enquanto se aproximavam, exibindo semblantes preocupados.

- Quer que eu chame a serva da massagem? – Muran pergunta.

- Sim. Obrigado, Shimon.

- Você tomou a melhor decisão, amigo. Precisamos garantir o futuro dessa criança, independentemente se ele é o seu filho ou não.

- Não importa a ascendência dele. Vou amá-lo mesmo que ele não tenha o meu sangue. Os atos de sua genitora não vão ter nenhum reflexo em meus sentimentos para com a criança. Ademais, se eu continuar gerenciando esse boato verdadeiro em minha corte como sendo falso, ninguém poderá falar o contrário e o futuro dele estará preservado. Eu preciso garantir, urgentemente, a contenção dos danos.

- Só espero que a sua esposa saiba ser mais discreta com os seus amantes. Não acredito que ela vai parar.

Eles se viram para a origem da voz e avistam Seto, que ainda parecia um pouco deslocado ao agir longe da formalidade pública, embora não demonstrasse em seu semblante.

Após Atemu confrontar Akhenaden e despejar a sua fúria, que nada devia para o de um Deus em virtude do ato dele ocultar o que envolvia o ritual e os requisitos necessários como o sacrifício de noventa e nove vidas, que levou ao adoecimento do seu genitor, quando ele pediu que a culpa pela criação dos Sennen Aitemu recaísse sobre ele e não sobre o seu amado filho, Atemu, Seto havia descoberto o que consistia o ritual e o seu custo ao passar pelo corredor naquele momento, fazendo-o confrontar Akhenaden, passando a exibir o mais puro desgosto e asco em sua face ao comprovar como sendo verdadeiras as palavras do Faraó, enquanto descobria que ele era o seu pai, fazendo-o ficar estarrecido ao descobrir o seu parentesco com o atual Faraó, sendo o mesmo em relação à Atemu, que também havia exibido surpresa em seu semblante.

Depois desse acontecimento, com ele renegando veementemente Akhenaden como seu genitor, ele foi surpreendido quando Atemu passou a desejar que eles se tratassem como primos, em particular, tal como os outros o tratavam como amigo, longe do público, fazendo o shinkan ficar feliz, internamente, não demonstrando explicitamente em sua face, a felicidade que o tomava em decorrência da sensação de ter uma família, após ele ter ficado órfão quando criança, juntamente com a posterior descoberta chocante dos atos daquele que ele tinha em alta estima, até então.

Esses dois fatores o estimularam a abraçar essa família recém-descoberta na figura do seu primo, enquanto mantinha seu usual semblante frio, mesmo em particular, embora relaxasse, gradativamente, as suas feições, longe do público.

Mesmo assim, ele ainda estava tentando se ajustar a essa situação e por isso, demonstrava certo deslocamento, embora ele tenha reduzido drasticamente nos últimos quatro meses, enquanto se afastava de Akhenaden, enquanto se limitava a manter conversas formais e educadas quando ele as solicitava ao desejar discutir algum tópico ou situação.

- Eu também espero primo. Ademais, eu não serei hipócrita como muitos outros homens que têm amantes e que condenam a esposa se ela tiver algum amante. Porém, pelo status dela e por estar grávida, devia ter tomado mais cuidado. Ou melhor, ela deveria ter evitado essas relações fora do casamento, pelo menos, até que a criança nascesse, para que não houvesse qualquer dúvida sobre a sua ascendência. Afinal, o que essa criança menos necessita é uma dúvida razoável no coração do povo sobre a legitimidade de sua ascendência, que pode acabar por acarretar em problemas futuros, se eu não administrar esse boato da forma como deve ser gerido. Agora, preciso gerenciar isso para evitar essa dúvida no coração do meu povo.

- Será um trabalho árduo. Mas acredito que conseguirá lidar com ele, Atemu. Você está gerenciando de forma formidável o império. Logo, conseguirá lidar com esse boato inconvenientemente verdadeiro. – Shimon fala, exibindo uma face confiante.

- Obrigado. Eu espero. O futuro dessa criança está em jogo e eu preciso vencer. Perder não é e nunca será uma opção. Preciso garantir que esses boatos não respinguem nela, principalmente em relação ao seu futuro. Mesmo que eu não seja seu pai biológico, irei amá-la da mesma forma. – o Faraó fala com determinação em seu semblante, fazendo os homens sorrirem.

- Mas ela confirmou que a criança era sua e inclusive, você usou magia para ter essa confirmação, além de encará-la em seus olhos, encontrando a verdade em suas palavras. Portanto, não deveria restar qualquer dúvida em seu coração.

- Eu fiz isso, Mahaado. Mas mesmo assim...

- Para uma mente imersa nas profundezas da dúvida, mesmo possuindo essas confirmações, ainda irá pairar esse sentimento no fundo da sua mente. Até a criança nascer, a sua dúvida não será aplacada. – Seto comenta, olhando para Mahaado – Portanto, é compreensível.

- De fato, é compreensível. Só espero que essa criança tenha traços do Atemu para silenciar de vez as dúvidas em sua mente, Seto. Teremos graves problemas se ela herdar, demasiadamente, o lado de sua genitora. Sempre há essa hipótese.

Os outros suspiram e o Faraó fala, olhando para a majestosa lua no céu estrelado:

- Eu espero que ele tenha os meus traços, Mahaado, pois o meu primo está certo. Preciso ter essa confirmação, mesmo que o olhar dela e a minha magia tenham confirmado a ascendência dessa criança. Inclusive, mesmo que eles demonstrassem que não tinha o meu sangue, iria amá-la da mesma forma e defenderia ardentemente o seu futuro, sem ter qualquer hesitação em meu coração. – ele fala com férrea e sincera convicção, fazendo os homens sorrirem.

Após alguns minutos, Shimon fala:

- Eu vou chamar a serva da massagem para que você possa relaxar. Você está muito tenso e com razão.

- Eu preciso ver se Mana terminou de estudar a técnica mágica que eu estou ensinando, embora eu acredite que ela esteja escondida em algum vaso do palácio. Eu juro que quero compreender a obsessão dela com os vasos. – o líder da Corte dos magos de Atemu suspira, enquanto massageia as têmporas.

- Já tentou perguntar para ela? – Seto pergunta, arqueando o cenho.

- Ela falou que não sabe. Apenas gosta de fazer isso e se sente muito bem dentro de um vaso. Principalmente os da ala Oeste.

- Bem, tem coisas que são inexplicáveis e pelo visto, essa é um deles... Eu vou me retirar, primo. Eu preciso rever alguns pergaminhos, antes de dormir.

Nisso, o Faraó se despede deles e após as portas duplas serem fechadas atrás de si, ele suspira, sendo que tivera essa mesma conversa, mais cedo, com Jounouchi, Honda, Ryo e Mariku, com todos eles falando a mesma coisa que Shimon, Seto e Mahaado falaram, fazendo parecer que ele teve um Déjà vu.

O monarca sentia que o apoio de todos era fundamental para ajudá-lo nesse momento crítico, sendo que havia garantindo a sua esposa que nada aconteceria a ela, visando que a sua prima tivesse uma gravidez tranquila.

Uma semana depois, há dezenas de quilômetros do Egito, com Yuugi tendo dezessete anos, ele se encontrava sobre a condição de escravo, novamente, enquanto Yukiko bufava dentro dele, enquanto o jovem se encontrava envergonhado por ter sido capturado, de novo.

A albina havia bufado pela centésima vez, enquanto batia uma de suas garras afiadas semelhantes a diamantes no local em que se encontrava, enquanto pensava aborrecida nas várias vezes que o seu amigo se tornou escravo e dela tendo que libertá-lo ao assumir o controle do seu corpo, enquanto mantinha a promessa de não matar o mestre dele ou os que capturaram ele, com ela mantendo essa promessa.

O fato de deixa-los incapazes de sobreviverem sozinhos ao não poderem mexer nada do pescoço para baixo, enquanto eram atacados vivos por feras, não quebrava a promessa dela, pois ela não os matou e sim, as feras ou qualquer outro animal faminto que os estraçalhou vivos, rasgando a sua carne e rompendo os seus ossos sobre o grito de terror deles, com a albina se deleitando ao ouvir esses sons, pois era uma música maravilhosa para os seus ouvidos, sendo que Yukiko era plenamente ciente de que era uma sádica e por isso, procurava ocultava esse lado que possuía, para não assustar o seu amigo.

Enquanto se encontrava imersa em seu aborrecimento, Yuugi foi comprado e o motivo dela não ter matado os captores dele foi porque estavam próximos de uma cidade e não queria criar alarde.

Afinal, havia muitos deles, além de soldados fortemente armados e ela não pretendia testar a sua capacidade de atacar todos, além do fato de não desejar arriscar o corpo do seu amigo.

Portanto, decidiu esperar o momento certo para agir, enquanto se esgueirava na mente do jovem para analisar o homem que o havia comprado e se esse tentasse tocar nele de forma sexual, teria uma morte horrível, para depois ela fugir do local com ele, independentemente de quantos soldados tivesse no entorno. Enquanto ele não fizesse nada obsceno, a dragoa iria esperar pacientemente pelo momento oportuno para libertar o seu amigo, enquanto ficava pensando em quanto tempo ele seria capturado, de novo.

Yukiko fica pensativa, tentando descobrir o motivo de Yuugi ser tão visado e conforme ouvia os comentários dos captores e dos donos, através do jovem, sempre ouvira sobre o fato dele ser exótico, tanto no quesito pele, quanto cabelo e olhos, com estes sendo expressivos, juntamente com a sua aparência delicada e agravada pela sua baixa estatura.

De fato, em locais que havia pessoas de pele morena, alguém com uma cor perolada de pele, além de cabelos tricolores, olhos ametistas, além de uma constituição delicada se tornava demasiadamente tentador, tornando-o alvo de cobiça, explicando assim o motivo dele ser capturado a todo o momento. Se talvez, ele fosse moreno ou tivesse as mesmas características dos povos desse local, teria menos chance de ser capturado, mesmo que eles capturassem pessoas com a mesma etnia deles.

Pelo menos, era o que ela pensava e suspira cansada frente a esse pensamento, pois a aparência do seu amigo não podia ser alterada, por mais que ela fosse o pivô para ele ser escravizado.

A albina brande no chão a sua cauda felpuda, comprida e musculosa que tinha um porrete potente na ponta, o fazendo se chocar no solo nevado, enquanto suspirava exasperada pelo ciclo, aparentemente sem fim. Ela o libertava e ele era capturado. O libertava e era capturado e assim por diante. De fato, Yuugi precisava ter uma segunda proteção por fora, pois por dentro, as suas ações eram demasiadamente limitadas.

Pelo menos, ela conseguia subjugar a consciência dele, o prendendo em um mundo de sonhos, enquanto assumia o seu lugar nos castigos e surras, os aguentando estoicamente, enquanto ficava aliviada por poupá-lo, compreendendo que a sua natureza exótica o havia poupado de ser estuprado pelos captores, pois queriam manter a pureza dele, segundo o que ouviu deles.

Por isso, limitavam a eventuais surras e sempre procurando não marcar o corpo dele, demasiadamente, com ela o curando em seguida, sendo que somente recuava para dentro dele, devolvendo o controle da sua mente, quando o seu corpo estava sem dor e a surra que ela suportava somente fazia o seu sadismo e fúria aumentar cada vez mais, pois o seu desejo de dá-lhes uma morte horrível era ampliada em seu ser, enquanto mantinha tais pensamentos para si mesmo por conhecer o coração cristalino, gentil e bondoso do seu amigo.

Quando ela percebia que era seguro agir, a albina agia, matando os captores, proprietários ou ambos, de forma indireta ao imobilizá-los, deixando-os para as feras se banquetearem, enquanto libertava os demais escravos quando tomava o controle do corpo de Yuugi, para depois, se afastar com ele, sendo ciente que seria questão de tempo para ser capturado, de novo, com a dragoa suspirando amargurada frente a este pensamento.