Finn andou pelos corredores do Mackinley, assoviando. Viu Rachel, Kurt e Mercedes junto aos armários e se encaminhou até lá. Os três estavam reunidos, cochichando algo, e pararam de falar exatamente no mesmo momento em que o viram.
Finn os olhou, desconfiado.
– Fofocando?
Kurt cruzou os braços.
– Não é da sua conta.
– Nossa, que simpatia.
– O que está fazendo aqui? – Kurt perguntou. – Não disse que ia estar com os amigos do futebol?
– Eu estava. – Finn apoiou o ombro na estante de armários, ficando atrás de Rachel e de frente para os outros dois. Sendo ela tão pequena, Finn podia facilmente ficar naquele lugar e ainda assim ver Kurt e Mercedes, com Rachel de costas para ele. – Mas depois preferi vir para cá.
Ele tinha estado com Puck e os outros jogadores, mas desde que entrara para o New Directions, a vida de Finn com seus companheiros de time estava indo de mal a pior. Karofsky era o pior deles. Mal encontrava com Finn e já começava a provocá-lo. Portanto, não se sentia mais a vontade na companhia deles. Tivera uma discussão com Karofsky e fora embora.
– Mudando de assunto, vocês já tem a música para esta semana? – Mercedes quis saber. – Ainda não escolhi a minha.
– Também não. – Kurt respondeu. – Mas ainda tem tempo.
– Eu já tenho a minha. – Rachel informou.
– Claro, por que não me surpreende? – Kurt comentou, em tom de chacota.
Rachel deu de ombros.
– É uma música difícil e precisava de tempo para ensaiar bem.
– Qual é? – Mercedes perguntou.
– Ainda não posso dizer.
Finn pôs as mãos nos ombros de Rachel e a puxou até que ela encostou as costas no peito dele. Manteve as mãos ali e massageou de leve, distraído.
– Como se você não fosse deixar a todos impressionados, mesmo sem ensaiar sequer uma vez.
Rachel engoliu saliva, nervosa, devido à proximidade e às mãos dele em seus ombros. Aproveitou a situação e deixou o corpo relaxar, apoiado contra o dele. O coração dela reagiu batendo mais forte. Desde aquela tarde em sua casa, Rachel ficara mais sensível aos toques de Finn, os quais, aliás, ele fazia questão de não deixar faltar.
– Às vezes até eu tenho que ensaiar. – ela sentiu a pele toda arrepiar, quando Finn tirou as mãos dos ombros e as deslizou pelos braços. – Para ter certeza de que transmitirei a emoção corretamente.
– Eu te acho incrível e sempre me emociono. – Finn declarou. Rachel trocou olhares com os amigos à sua frente. – É como se... Quando você canta, eu consigo sentir... Sabe?
Um silêncio se instaurou. Finn se lembrando das vezes em que a vira se apresentar e ficara impressionado com a paixão com que ela cantava. Rachel tentando não se deixar afetar demasiadamente pelas palavras dele, mas não conseguindo. Kurt e Mercedes percebendo a tensão entre os dois. Claro, Rachel já lhes havia contado tudo o que ocorrera na casa dela. E estavam falando justamente desse assunto antes de Finn chegar.
– Enfim... – Kurt quebrou o silêncio. – Já está na hora do almoço. Todo mundo para o refeitório.
Seguindo Kurt, os três saíram de suas posições para se encaminhar ao refeitório. Kurt e Mercedes andavam mais adiante, com Finn e Rachel logo atrás, de mãos dadas. De repente, junto de outros dois jogadores do time de futebol, Karofsky apareceu com um copo de raspadinha na mão. Ele parou de frente para Finn e Rachel e jogou o conteúdo do copo no garoto.
Rachel soltou um grito de surpresa e cobriu a boca com a mão livre. Kurt e Mercedes pararam e olharam para trás, com os olhos arregalados. As pessoas que se encontravam no corredor também olharam para a cena, surpresas. Os jogadores do time riam, debochados, para Finn.
Finn, por sua vez, estava tão chocado que mal se mexera. Depois, ele largou a mão de Rachel e tirou a raspadinha dos olhos. O líquido gelado escorria por seu rosto e manchava sua roupa. Ele olhou para Karofsky, com uma expressão enfurecida, e, num movimento rápido, agarrou o rapaz pela jaqueta e o empurrou com força contra a parede.
– Mas que diabos, Karofsky! – bradou.
Karofsky segurou os pulsos de Finn e tentou se soltar.
– Tira as mãos de mim, Hudson!
Finn o puxou e o empurrou contra a parede de novo. Sentia sua raiva contra aquele idiota entrar em ebulição.
– No que acha que estava pensando?
Os outros jogadores agarraram Finn pelos braços e o puxaram. Sem poder aguentar com os dois, ele teve que se afastar de Karofsky.
– Quem manda dar uma de viadinho agora? – Karofsky perguntou, ajeitando jaqueta.
Finn partiu para cima dele, mas os outros jogadores impediram, agrarrando-o pelos braços de novo.
– Agora você tem guarda-costas, é isso?
– Acontece, Hudson, que nenhum de nós está muito satisfeito com suas últimas atitudes. – ele olhou para Kurt com cara de nojo. – Já não basta ser irmão de quem é?
Contorcendo-se para se livrar dos jogadores que o seguravam, Finn manteve os olhos fixos em Karofsky.
– Deixe Kurt fora disso!
Karofsky levantou uma sobrancelha com desdém.
– Cuidado, Hudson. É melhor começar a escolher melhor as companhias – dessa vez, ele olhou para Rachel. – e deixar de se juntar a grupinhos de bicha.
Chegando mais perto de Finn, Karofsky o encarou antes de dar um soco no estômago dele, aproveitando-se do fato dele estar preso pelos outros.
– Meu Deus! – Rachel foi, imediatamente, até Finn, que se ajoelhou no chão, devido ao golpe.
– Isso é para você aprender a como agir como homem de verdade.
Ajoelhada ao lado de Finn, Rachel olhou para Karofsky, indignada.
– Homens de verdade não batem em outros que estão sendo rendidos e não podem se defender. Você é um covarde, Karofsky!
Ao ouvi-la, Karofsky se aproximou de Rachel. Mesmo no chão, Finn se pôs na frente dela.
– Toque nela e vai realmente se arrepender. – ele disse, com tom e olhar ameaçadores.
Karofsky parou de repente. Então, encolheu os ombros.
– Já está avisado, Hudson.
Virando-se para seus "capangas", ele os chamou e os três foram embora.
Finn se sentou no chão, com a mão no estômago, fazendo cara de dor. Rachel colocou uma mão na perna esquerda dele e a outra no ombro direito.
– Você está bem?
Finn gemeu.
– Não poderia estar melhor. – respondeu, irônico.
Três dias depois do ocorrido com a raspadinha, Finn estava sentado na sala de coral. Sem ter muita certeza se deveria ter voltado para lá, ficou sentado calado em sua cadeira. Nos últimos dias, Finn estivera considerando se devia mesmo continuar no New Directions, ou não. A popularidade dele estava cada vez mais baixa e após o ocorrido com Karofsky, Finn passara a realmente ter medo do que viria pela frente.
Ele já havia percebido que sua reputação já não era mais a mesma, porém, procurara se convencer de que seria passageiro. Agora, no entanto, já não tinha tanta certeza disso. Temia que sua imagem no colégio fosse danificada a ponto de não voltar a ser como era antes.
O líquido gelado, que Karofsky jogara nele, fez com que ele despertasse. Finn nunca havia levado uma raspadinha. Nunca. Ninguém se atreveria a fazer isso antes. Mas agora, parecia que ele já não causava intimidação nos outros estudantes. Qualquer um se sentia no direito de fazer chacota dele. Não podia deixar que isso piorasse ainda mais.
Quinn estava demorando demais a cair em si. Não, Finn não podia mais continuar a se enganar. A verdade é que ela não dava mais a menor bola para ele. O plano com Rachel não estava dando certo. Ele sentia o estômago embrulhar ao pensar que não poderia mais contar com Quinn para recuperar a popularidade.
E agora ele não sabia mais o que fazer. Sem Quinn, estaria perdido. O Glee Club só fazia agravar a situação e Finn considerou seriamente a possibilidade de começar a recuperar sua antiga posição saindo do clube.
Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que isso deixaria Rachel muito triste. Ela estivera fazendo de tudo para que Finn não deixasse o New Directions. Rachel não dizia às claras, mas Finn sentia sua tensão. Ela tinha medo que ele declarasse, de uma hora para outra, que estava indo embora.
E, além do mais, tinha Jesse. Finn rangeu os dentes. Jesse o dava nos nervos.
Rachel se preparou para sua apresentação. Tinha escolhido uma música que refletia perfeitamente seus sentimentos. Por mais que tivesse tentado não criar esperanças em relação a Finn, pouco a pouco, ele a fez acreditar que também sentia algo por ela. Em determinado dia, veio-lhe o pensamento de que, dessa vez, as coisas podiam mudar e ele finalmente se daria conta de que ficar com Rachel era o que ele queria de fato.
Tinha quase certeza de que, apesar de ainda não ter se dado conta, Finn não gostava mais de Quinn como gostava antes. Com o passar do tempo, ele pôde conhecê-la e já não a achava uma fracassada. Não fora ele mesmo quem dissera que gostava quando ela cantava? Não dissera também que achava que ela sairia de Lima para triunfar em Nova York?
Finn já não a considerava uma fracassada, tinha certeza. Quinn não estava mais interessada nele, também sabia disso. Todas as chances estavam a favor dela!
Ao ver Will dar o sinal de que podia começar com a música, a garota se posicionou no centro da sala de coral, à frente de todos.
Maybe this time, I'll be lucky
Maybe this time he'll stay
Maybe this time, for the first time
Love won't hurry away
He will hold me fast
I'll be home at last
Not a loser anymore
Like the last time, and the time before
Everybody loves a winner
So nobody loved me
Lady Peaceful, Lady Happy
That's what I long to be
All of the odds are, they're in my favor
Something's bound to begin
It's gonna happen, happen sometime
Maybe this time I'll win
'Cause, everybody, they love a winner
So nobody loved me
Lady Peaceful, Lady Happy
That's what I long to be
All of the odds are, they're in my favor
Something's bound to begin
It's gonna happen, happen sometime
Maybe this time,
Maybe this time I'll win
Era depois desses momentos que Finn ficava feliz por estar no Glee Club. Rachel era incrível. Que voz, que talento.
Ele se sentia muito orgulhoso dela.
Passados mais quatro dias, Finn estava no campo de futebol, treinando. Ele percebia que se tornara um excluído ali, praticamente um alienígena. Até mesmo Puck o estava evitando. Aproveitou o intervalo que a treinadora Bieste dera e foi se sentar no banco de reservas. Foi então quando ele viu Quinn se aproximar e se sentar ao lado dele.
– Oi, Finn. – ela cumprimentou.
Com a testa franzida, tanto por causa do sol, quanto pela surpresa de vê-la ali, Finn devolveu o cumprimento com um aceno de cabeça.
– Eu soube o que aconteceu no colégio entre você e o Karofsky. – ela disse. Olhando para frente, em direção ao campo, e apoiado com os cotovelos no joelho, Finn não respondeu. – Não falei com você antes, mas eu soube. E sinto muito.
O plano que Quinn formara anteriormente, sobre convidá-lo para ir ao baile com ela, tinha sofrido um abalo depois do que acontecera com o garoto. Quinn temera que Finn já não fosse mais o par ideal. Mas depois lembrou que aquilo só aconteceu porque Finn estava andando com más companhias e que, apesar de tudo, ele ainda continuava sendo o garoto mais popular do Mackinley.
– Sente mesmo? – Finn perguntou. – Você não parece mais se importar muito comigo.
Quinn pegou no braço dele.
– Não é verdade. – expressou.
– Você mal olha na minha cara ultimamente.
Quinn concordou com a cabeça, mas com uma expressão de quem lamenta.
– Eu sei. É que eu achava que queria outra coisa. – neste momento, olhou para Puck. Afastado, o garoto não parecia ter notado Quinn conversando com Finn. – Mas descobri que não.
– O que quer dizer?
– Quero dizer que cometi um erro ao terminar com você, Finn. – ela disse, ainda olhando Puck. – Um erro muito grande. E estou arrependida.
– Arrependida?
– Sim. – ela voltou a atenção para ele novamente. – Arrependida. Finn... – ela tomou fôlego para ver se criava coragem e dizia de uma vez por todas o que fora ali para dizer. – Eu sei que você está com aquela Berry, mas isso é algo que pode ser resolvido facilmente. – Quinn declarou, como se Rachel fosse um mero detalhe sem importância. – Uma vez que você fique livre dela, nós poderíamos continuar de onde paramos.
Quinn sorriu, querendo convencê-lo de que o que dizia era a melhor ideia de todos os tempos. Finn ficou olhando para ela por um tempo, sem reação. O cérebro dele, de repente, ficou em branco.
Este era aquele momento em que aquilo que você estava querendo por muito, muito tempo, acontece e você não sabe direito o que fazer a seguir.
– Ah... – ele sussurrou.
– Eu ainda gosto de você, Finn. De verdade.
– Aham...
Finn não conseguia formular algo coerente para dizer. Ele se encontrava num estado de inércia.
– E então, o que me diz?
Por que diabos ele não conseguia dizer de uma vez que aquilo era o que ele queria também? Afinal, era o que ele queria. Não era?
Mas Finn estava tão confuso, estranhamente confuso.
– Eu acho...
– Finn, você está bem? – a garota perguntou.
Antes que Finn pudesse responder, Puck apareceu perto deles de repente.
– Quinn? – falou, de cara fechada, olhando para a mão dela no braço dele. – Estão te chamando. – ele apontou na direção das Cherioos. – E o treino já vai recomeçar, Finn.
Quinn se levantou do banco, devolvendo o olhar de Puck. Alheio, Finn não percebeu as correntes elétricas que eles se transmitiam através do olhar. Puck estava se perguntando o que Quinn poderia querer com Finn.
– Nós nos falamos de novo depois, Finn. – sem dizer mais nenhuma palavra, ela foi embora.
Vocês devem ter percebido outra referência a Glee, na parte de "Quando você canta, eu consigo sentir". :)
E, de novo, seria bom entender o que a música que a Rachel cantou diz. Qualquer coisa, é só procurar pela tradução de "Maybe This Time" no Google.
