Mesmo com as portas fechadas do quarto era possível ouvir os gritos sonoros de Freya. Hilda andava de um lado para o outro, havía deixado o quarto, para não ter que dizer à irmã que o pai de seu filho não viria.
Sentiu uma leve tontura, que a fez por um breve instante perder o equilíbrio, mas Thor estava lá para ampará-la.
- Ela vai ficar bem, srta. É mais forte do que qualquer um de nós imagina.
Talvez Thor tivesse razão, sempre subestimara a irmã, mas mesmo com tudo o que havia acontecido, ela soube manter Hyoga ao seu lado, e mesmo não admitindo tinha certeza que ela sabia do caso que Hyoga tinha mantido com a Kanmenev. Talvez tivesse protegido demais a irmã, mesmo que Freya não precisasse disso.
A paisagem era branca, mas uma figura se destacava em meio àquela imensidão do continente antártico. Um homem, era provável, não haviam muitas mulheres que se atrevessem a atravessar aquela imensidão gelada. De sua figura quase completamente coberta por um longo e pesado casaco, apenas a longa , negra e esvoaçante cabeleira negra era visível.
- Seus filhos – disse o rapaz de feições orientais se dirigindo a um outro não muito longe de onde ele estava, mas nesse apesar dos olhos e cabelos claros, o que se notava nele com mais clareza em contraste com a brancura gelada do lugar, era a pele tão dourada quanto o de um habitante dos trópicos.
- Ás vezes eu penso que eles ficarão melhor sem mim.
- É uma conclusão tão amargurada para alguém ainda tão jovem, meu amigo.
- É só ... – disse o rapaz loiro com uma pontada de tristeza na voz, - é que agora que eles estão prestes a nascer, eu não sei se sou capaz de escolher um deles, Shiryu.
- Então acolha os dois.
- Aí Freya me odiaria tanto quanto Kassandra já me odeia.
- Não é um risco válido pelo amor de seus filhos.
Os dois jovens olharam para uma pequena ilha gelada não longe de onde estavam, um grupo de pingüins nadavam a procura de comida.
- Fiz muitas escolhas erradas, e talvez essas escolhas já alcancem o futuro deles.
- O dr já chegou senhor! – disse Maria entrando apressada no quarto, onde Yuri Kanmenev via o sofrimento da filha.
- E o que está esperando mulher mande-o entrar.
- Olhe Shiryu não é a coisa mais linda do mundo? – diz Hyoga ao amigo, que ao seu lado apreciava o fenômeno único do sol da meioa noite.
- Não está na hora de ir?
- É você tem razão Shiryu, vou ver meus filhos.
Enquanto isso em dois lugares distintos, duas crianças nasciam sem derramar uma lágrima sequer.
Asgard
-
Ele é tão lindo! – a sacerdotisa de Asgard nem de longe parecia a
mesma mulher fria de sempre, que agora se derretia em elogios
para o sobrinho recém nascido, e futuro herdeiro do legado de
Asgard. Freya segurava o pequeno junto ao peito e no instinto
natural que acompanha qualquer ser vivo ele procurou pelo seio da
mãe, onde já saciava sua jovem sede.
- O que acha de
Deinrich Hilda? - É um nome forte! - Então esse
será o seu nome. Deinrich nascido sob a proteção de Polaris como
você. Hilda olhou para o céu, e realmente era verdade, Polaris
brilhava com mais intensidade naquela noite. E em silêncio rezou
para que ele não tivesse que passar pelas mesmas provações que
ela. - Deinrich de Polaris! – disse sorrindo.
São Petesburgo
Kassandra teve um parto difícil, na verdade uma mulher que como ela vivia exposta a tantos contratempos não tinha as mesmas condições de dar a luz que qualquer outra mulher. Mas Kassandra tinha sido valente, valente como uma Kanmenev, pensou seu pai, que observava de longe o rapaz, que contemplava sua filha com tanto amor no olhar. - Como está o bebê? - Não se preocupe meu jovem meu neto vai sobreviver, o médico está cuidando dele. Nasceu como um Kanmenev, com os olhos abertos para o mundo. A preocupação do rapaz chegava a convencê-lo, e por um momento se perguntou se um rapaz de alma tão frágil poderia ser o pai de seu neto. Não, Andrei, era assim que Kassandra chamou o filho antes de perder os sentidos, definitivamente não podia ser seu filho. Kassandra era uma Kanmenev, e como tal devia ter escolhido alguém muito mais especial, que aquele jovem.
- Andrei Kanmenev! É o nome de alguém que nasceu para ser grande.
Antes que aquela noite chegasse ao fim Hyoga foi procurar seus filhos. Olhou para Andrei, o menino com o cabelo ruivo mais claro que o da mãe tinha os mesmos olhos dela. Ele sorriu agitando os pequenos braços em sua direção. Num gesto paternal tomou o menino entre os braços e começou a niná-lo, para depois colocá-lo de volta no berço e lhe dar um beijo na pequenina mão.
- Espero que seja tão forte quanto sua mãe, meu filho, porque assim não precisará de mim! E espero também que um dia possa perdoar seu pai, por ter confiado nisso!
Em Asgard, Hilda ouviu passos no quarto onde mãe e filho agora dormiam.
Abriu a porta e para sua surpresa viu Hyoga, a ninar o pequeno Deinrich em seus braços.
- Deus me brindou com dois filhos fortes e saudáveis. Eu deveria estar feliz por isso, não deveria Hilda?
E assim chega ao fim minha primeira fic, Um Passo para um Futuro Incerto, mas dizer que a história acaba aqui, é bobeira.
Em breve uma nova fic dará continuação ao que foi começado aqui, Nêmesis.
Para quem acompanhou, obrigada por ler, para quem comentou obrigada pelo apoio e pelo incentivo e a todos os membros dessa família, VALEU!
Chapter End Notes:
Acabou, por enquanto.
