Deixamos Sophie passar o resto das férias na casa dos Potter. Severo queria que eu viajasse com ele.
Ele me levou á três medi-bruxos diferentes, cada um de um pais diferente. Dois deles disseram a mesma coisa: Eu morreria no parto e provavelmente, o bebê também. E um, disse que eu morreria muito antes disso.
Não é difícil de prever, eu estava muito desanimada. A cada dia que se passava, me sentia pior. Minha situação se complicava na mesma medida em que minha barriga aumentava. Eu estava dando a vida por aquela criança, literalmente.
Severo foi fiel em suas palavras, ele disse que não desistiríamos até o último momento e era isso que ele estava fazendo.
Uma velha curandeira nos indicou que procurássemos por um medi-bruxo chamado Albert Walker, de Nova York, segundo ela o homem era milagroso.
Ainda faltavam alguns dias para a volta ás aulas, de modo que eu e Severo partimos no mesmo dias atrás do tal bruxo.
–Boa tarde. – Ele nos cumprimentou quando entramos no consultório.
–Boa tarde. – Dissemos em uníssono.
–Bom, sua coruja dizia que era urgente, senhor Snape, não é?
–Sim, Snape. - - Ele pigarreou e começou a explicar tudo o que sabíamos sobre minha gravidez de risco. Quando acabou, o medi-bruxo pediu que me deitasse na maca e começou a fazer uma série de exames minuciosos. Quando o exame acabou, Severo e eu sentamos outra vez de frente ao velho homem.
–Bom, senhora Vignoli, realmente sua gravidez é de alto risco. – Senti minha ultima esperança murchar diante de outro diagnostico negativo. – Mas, a boa noticia é que eu já tive um caso semelhante ao seu antes.
–E o que aconteceu? – Snape se enrijeceu na cadeira e me estendeu a mão, eu a apertei com força.
–Gabriela tem nove anos de idade hoje. – Ele disse com um sorriso satisfeito. – É forte e saudável como um hipogrifo!
–E a mãe... – Incentivou Snape.
–A mãe está muito bem também. – Sua voz escorria orgulho. Seu peito estava estufado pela glória de ter salvo as duas.
–Acha que eu tenho chance? –
–Claro que sim. Mas aviso, será um período muito delicado. E terá que seguir o tratamento religiosamente.
–Eu farei tudo o que o senhor mandar. – Eu mal conseguia acreditar no que ouvia. Finalmente um horizonte colorido despontava para mim. Eu teria meu bebê e sobreviveria para contar essa história.
Ficamos algumas horas conversando com o medi-bruxo. Ele me receitou alguns remédios que ele mesmo tinha inventado. Contou, que a menina Gabriela era sua neta, e quando descobriu no pré-natal que sua nora tinha o mesmo que eu, tratou de se trancar no laboratório e estudar. Fez alterações em algumas poções e arriscou. O tratamento funcionou como ele planejara e assim, salvou mãe e bebê.
Ele conversou muito com Severo, lhe fez uma lista das poções que ele podia fazer para mim, para atenuar os efeitos colaterais que a medicação forte causaria.
O custo do tratamento era alto, mas Severo não permitiu que eu pagasse. Ele deu galeão por galeão ao velho homem.
Eu teria que voltar ao consultório semanalmente, para acompanhar de perto os resultados do tratamento.
POV-Snape.
As aulas recomeçaram, e isso me impedia de ficar mais tempo com Hermione. Eu preparava o medicamento de acordo com o que o medi-bruxo indicara. E ela estava respondendo bem ao tratamento. Sua barriga crescia numa velocidade absurda, o que me deixava um pouco receoso. Ela não falou mais sobre nossa reconciliação. Como previa, a criança estava aproximando ela do trouxa e a afastando de mim. Mas eu seria paciente. Eu tenho absoluta certeza de que ela me ama. Ela só está com medo, assustada, ainda que não admita, eu sei que ela tem medo de ficar comigo. Medo de que eu á deixe outra vez. Mas eu sei esperar, era uma questão de tempo pra ela correr para os meus braços.
Dois meses de passaram, Hermione estava visivelmente abatida. Apesar de o tratamento funcionar como o esperado, o medi-bruxo explicou que seria difícil, que a gravidez expirava cuidados. Por isso não gostei de saber que o marido dela iria viajar outra vez. O trouxa não tinha noção? Ele tinha que ficar ao lado de Hermione. Por mais que eu não gostasse disso, era dever dele estar perto dela. E se ela passa mal sem ninguém por perto? Argh! Se eu boto as mãos nesse cretino... Eu o mato!
Eu dei minhas aulas daquele dia, mas estava com a cabeça em Hermione. Estava preocupado com ela, sentia que algo ruim estava para acontecer. Provavelmente não era nada, mas eu resolvi ir checar. Ela tinha liberado a passagem de flu para mim, então seria mais rápido chegar até ela para entregar a poção. Mas quando peguei o pó verde nas mãos, Minerva apareceu dizendo que Alvo queria me ver. Com um suspiro pesado eu girei em meus calcanhares.
Teria que esperar para ver Hermione.
POV-Hermione.
Eu estava sozinha em meu apartamento. Preparava meu jantar enquanto ouvia uma boa musica. Eu estava me sentindo bem hoje, quase não tive tremores ou espasmos, minha cabeça também não tinha doído tanto.
Estava cantarolando feliz a canção, enquanto cortava os tomates para a salada, quando um barulho me sobressaltou. Fiquei imóvel, coloquei as mãos de forma protetora sobre meu ventre. Não tive coragem de me virar e ver quem estava ali. Eu sabia muito bem onde estava minha varinha, no quarto, sobre meu livro, encima do criado mudo.
Ouvi passos suaves em direção á cozinha e o choque tomou conta de meu corpo quando escutei a voz aguda. Girei sobre meus calcanhares, minhas mãos seguraram a pia, enquanto assistia Megan Hergert entrar na cozinha.
–Esta tremendo sangue-ruim? – Ela perguntou sorrindo. Eu estava mesmo tremendo, não sei se por nervoso, ou pela eclampsia.
–O que você quer? – Consegui dizer, mas minha voz não soou tão firme quanto pretendia.
–Você sabe o que eu quero. Quero o que você roubou de mim!
–E-eu não roubei nada de você. – Eu tremia da cabeça aos pés. Megan, que sempre foi linda, usava vestes negras e desbotadas. Os cabelos estavam curtos, cortados de forma desigual. Ela estava muito suja, percebi que sua mão apertava a varinha com tanta força, que chegava a tremer. Ninguém tinha tido noticias dela, desde que Severo "acidentalmente" usou a cruciatos nela. E agora aqui estava ela, visivelmente enlouquecida.
–Você tirou ele de mim! O único homem que eu amei! – Ela gritou. As veias do pescoço saltando. Eu sabia que tinha que reagir, mas não conseguia, estava paralisada ali. Ela estava completamente louca e eu estava sem minha varinha. Por instinto, abracei minha barriga com força e fechei os olhos.
–Se eu não posso ficar com ele, você também não vai! Sctumsempra!
Cortes profundos apareceram por todo meu corpo. Eu gritei de dor, senti o bebê se embolar dentro de mim, antes de desabar contra o chão frio. Uma risada fria ecoou pela casa. Pelo canto do olho, vi ela se curvar para sussurrar em meu ouvido :- Nós duas morreremos esta noite, sangue-ruim! . – Ela se levantou, e com a varinha, ateou fogo na casa. Me deixou la, estirada no chão da cozinha, morrendo. Eu sentia o sangue quente escorrer pela minha pele, sentia as labaredas se aproximando, me fazendo suar. Eu morreria. Depois de todo esforço para salvar minha vida e de meu bebê, tudo tinha acabado. Com o decorrer dos minutos, ficava mais difícil respirar. A fumaça entrava por minhas vias aéreas e o sangue se esvaia de meu corpo. O fogo aumentava com uma velocidade incrível, chegaria até mim em minutos, ou segundo se chegasse primeiro ao gás. Me esforcei para manter os olhos abertos, pois temia que se os fechasse, não os abriria outra vez.
POV-Snape.
Assim que sai da lareira, minha face congelou. Senti-me tonto enquanto minha mente registrava tudo o que estava vendo.
Todo o apartamento estava em chamas. Os frascos de poção que eu trazia comigo caíram no chão e minha mão voou em direção á varinha. Com um gesto complicado, todo o fogo foi sugado. Me aproximei tremulo do corpo carbonizado que jazia ali, no sofá. Não podia acreditar que minha Hermione... Não! Não podia ser verdade! Como isso pôde acontecer?
Meus olhos baixaram para o ventre e perceberam que ele estava vazio. Suspirei em alivio, aquela não era Hermione. Mas meu alivio durou apenas um segundo.
–Hermione! – Gritei em desespero. Mas não obtive resposta.
–Hermione!- Minha voz tremia. Eu andava pela casa, apagando o fogo por onde passava.
Quando finalmente a achei, ela estava coberta de sangue, os olhos vidrados e sem vida aparente. Cai de joelhos perante ela. Uma imagem de muitos anos atrás reapareceu em minha mente. Lily, desfalecida. Lembrei do desespero e da do que senti e sinto até hoje por sua partida.
POV-Hermione.
Eu sabia que estava prestes á morrer. Não era nada parecido com os filmes, minha vida não passava diante dos meus olhos. Ao invés disso, quando fechei os olhos, vi dois pares de olhos negros, os olhos de Sophie e Severo. Mesmo com a dor lancinante que vinha de minhas feridas, mesmo com o calor do fogo, mesmo com a fumaça queimando em meus pulmões, eu sorri e me entreguei.
Então é assim? Quando você morre, tudo o que você tem é o silêncio? O nada. O vazio.
Ouvi uma voz sussurrando um encantamento em uma língua que eu não conhecia, tinha um ritmo tranquilo, como uma canção de ninar. A voz de um anjo talvez. Pelo menos nisso os filmes estavam certos, havia anjos cantando. Tentei abrir os olhos, queria ver como era o anjo, mas era incapaz de mover as pálpebras. Senti alguma coisa suave e macia tocar meus lábios e repousar o rosto frio sobre minha pele. O anjo estava chorando. Senti ele me levantar do chão, os braços do anjo me apertavam com firmeza, ouvi um "POP" e depois, só o silêncio novamente.
POV-Snape.
Aparatei em frente ao com Hermione desfalecida em meus braços. Corri para dentro do hospital, gritando e amaldiçoando todos que entravam em meu caminho e atrapalhavam minha direção. Eu tinha fechado os ferimentos causados pelo Sectumsempra, mas ela ainda corria risco. Convulsionava em meus braços e estava febril também.
Ela foi atendida, e levada para o centro cirúrgico. Estuporei um enfermeiro que não quis me deixar entrar, mas logo dois aurores apareceram para me segurar. Eu fiquei lá, esperando noticias impacientemente. Hermione passou a madrugada toda entre a vida e a morte. De tempo em tempo uma enfermeira aparecia para me por á par do que estava sendo feito.
Quando finalmente os dois medi-bruxos que estavam com Hermione apareceram, eu corri em direção á eles.
O doutor Hale estava ao lado de um senhor mais velho que se identificou como Carlos Coner, o curandeiro.
–Ela está bem. – O Dr. Hale me disse antes que eu pudesse formular a pergunta. Eu suspirei e relaxei um pouco os ombros. – Mas, o bebê... Tentamos fazer o parto, mas ele nasceu morto. Mesmo que tivesse sobrevivido, não acredito que vingaria, Hermione estava só no 5° mês de gestação. –Assenti uma vez. Hermione ficaria arrasada com isso. – Ela vai precisar de cuidados, ela não pode ficar sozinha.
–Tudo bem, ela vai comigo para Hogwarts. – Eu decidi rapidamente.
–Muito bem, o senhor po...
–Posso vê-la? – Perguntei aflito.
–Daqui á algumas horas. Mas não se preocupe, ela está bem. As enfermeiras estão lhe ministrando a poção repositora de sangue e depois vão transferi-la para o quarto.
–Tudo bem. – Eu disse e me larguei em uma cadeira. Conjurei uma mensagem patrono, para ninguém menos que Harry Potter, avisando sobre o que aconteceu com Hermione e pedindo que ele viesse. Ela ia querer ver os amigos quando acordasse.
Não muito tempo depois, Harry e Ginevra Potter apareceram. A ruiva correu em minha direção, levantei a mão para cumprimenta-la, mas ela a ignorou me puxando para um abraço. Fiquei sem reação por um momento, mas então retribui o abraço. Apenas quando ela me soltou percebi que tinha deixada algumas lagrimas escaparem.
–Ela está bem?
–Sim, daqui á pouco poderemos vê-la.
–O que você fez? – Harry Potter vociferou com raiva.
–Harry! – Repreendeu a esposa.
–Nem vem Gina! Sempre que ele aparece, ela acaba mal. Primeiro ele não quis Sophie e agora isso. – Eu olhava naqueles olhos verdes que eu conhecia tão bem, não queria brigar com o Potter, não tinha cabeça para nada que não fosse Hermione.
–Eu a amo, nunca quis fazer mal á ela. Se a deixei, foi porque pensei ser o melhor pra ela. –Tentei explicar.
–E Sophie? por que nunca procurou por ela, todo esse tempo e..
–Eu não sabia, Hermione escondeu isso de mim. – Eu estava ficando impaciente.
–Mas... – Ginevra o interrompeu.
–Harry Thiago Potter! Você vai sentar e calar essa boca agora mesmo! – O Potter abriu a boca para protestar, mas a esposa levantou a mão para-lo. – Se você não parar agora, eu fasso você-sabe- o-que, em você-sabe-onde! – Vi ele bufar e se sentar. As horas se passavam lentamente, eu e o Potter andávamos de um lado para outro. Gina já tinha mandado patronos pra meio mundo, então o hospital estava apinhado de gente.
– ... Vou leva-la para Hogwarts assim que ela receber alta.- Eu disse á Lupim em determinado momento.
–Ela pode ficar lá em casa- interferiu Gina, mas eu olhei pra ela arqueando a sobrancelha. Como se fosse lhe dar uma detenção. - Ou não. - Acrescentou.
–Bom eu vou buscar umas roupas pra ela, acha que sobrou alguma coisa na casa?
–Quando eu cheguei o fogo estava por tudo, mas não verifiquei. - Dei de ombros.
–É bom que ela esteja em Hogwarts, vamos ter que reformar o apartamento todo, pra quando ela voltar.
–Ela não vai voltar!- Eu disse rispidamente.
–Que? – Perguntaram Lupim e Tonks. Vi Ginevra abafar uma risada.
–Acha mesmo que vou deixar que ela volte para aquele trouxa idiota?
–Vá com calma Snape. – Pediu Lupim.
–É. Eles são casados. – Acrescentou Tonks.
–E você não sabe se Hermione vai querer se separar. – Disse a ruiva dando de ombros.
Eu ia lhe dar uma resposta malcriada, mas uma enfermeira gorducha apareceu, dizendo que Hermione já podia receber visitas. Todos avançaram em direção para mulher, mas ela os fez parar.
–Apenas um de cada vez. Ela ainda esta fraca. – Eu me adiantei e ninguém discutiu. Só Potter que gritou: - Espere, vamos tirar no palitinho. – O garoto não era bem certo. Ao olhar por cima do ombro vi Gina lhe dar um tapa na nuca. Então segui a enfermeira.
N/A:
*O*
Megan morreu, se matou, finito! E o baby? :(No proximo... Hermione passa algum tempo morando nos aposentos de Snape, sera que depois de 11 anos eles terão, finalmente, uma noite de amor? *-*A fic agora entra num clima mais clean, mais divertida. Logo tera uma parte que eu adoooooro de paixão, algo envolvendo sonhos...
Bjjjjjs Reviews? *-*
