Este capítulo ofereço a querida Sadie, por estar aparecendo novamente um personagem que é mais dela do que de Tolkien (hehehehe - que o mestre me perdoe...)
E para não perder o costume:
Sadie (Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada!) Sua sugestões são maravilhosas!
Reggie Jolie autora de Of Elves and Humans (Está entrando em uma nova fase! Ae!) e'O Nascimento de Um Rei'. Acho que você vai gostar do persongagem que irá aparecer neste capítulo.
Gessi - Ane Sekhmet (Alguém, por favor, se habilite como beta para essa incrível escritora para que possamos curtir: 'As Areias do Tempo')
Dani ("Se Você Partir" "O Destino de Pádme!" e "O Mistério do Rei") Obrigada pelas palavras cheias de carinho.
Vindalf Dvergar, A MEGA FIC ESTÁ POR UM TRIS! FELIZ! Se morreu com o último capítulo, espero que volte a respirar com este, mellon...
Marina, querida Marina, pensando em você, fiz de tudo para postar logo!
Marcela (Soi), me fazendo suspirar com Outono!
Gilda H, SAUDADES!
Danda, hoje teremos mais um 'personagem querido', como você comentou.
Anna Pantelarou, his pride, Anna, it's a problem!
Nim , obrigada por seu carinho, mellon!
Um forte abraço em Myriara, minha eterna mestra, cujas palavras sobre esse texto me trouxeram uma alegria que não consigo descrever!
Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.
Frigga acompanhou a cunhada ao passeio a Valle. Em parte porque já estava ficando entediada. Não havia muito que pudesse fazer em uma cidade dedicada à mineração. O marido passaria o dia cuidando das defesas da fortaleza. Embora a princesa, observando as muralhas inexpugnáveis, não conseguisse imaginar que algum exército pudesse transpô-las.
Cavalgavam tranquilamente. Dis protagonizava a conversa falando à esposa do irmão sobre os belos vestidos e tecidos que poderiam adquirir, dentre tantos outros produtos.
- Não trouxe moedas comigo – disse a mais velha, que não se preocupara em desfrutar do rico comércio de Valle, pensara apenas em conhecer a cidade que florescia aos pés da Montanha Solitária.
- Sendo quem é, futura rainha de Erebor – disse Dis entre risos – receberá oferta de todos os comerciantes da cidade apenas para que use seus produtos.
A princesa pensou em dar meia-volta em sua montaria ao pensar no assédio. Abdicara do intento somente em consideração à cunhada.
Não demoraram a chegar à cidade dos homens. Valle era magnífica. Pudera observar pouco em sua primeira estada, contudo, olhando mais tranquilamente sem ter que se preocupar com o que esperar de um casamento arranjado, Frigga observava o ritmo alegre do comércio. Tudo era limpo e bem construído. Parecia não haver necessidade de nenhuma espécie. Todos se beneficiavam da riqueza dos anões. Frigga sentiu orgulho dos tesouros de seu povo. Recordou-se do avô de Thorin. Não fosse o exagero, as habilidades dos Khazâd poderiam trazer muito mais benefícios àquela linda terra.
- Chegamos! Minha mãe e minha avó devem estar aqui.
As moças entregaram suas montarias aos cuidados de um rapazote que se viu muito contente com a moeda de ouro dada por Dis.
Caminharam um pouco até chegar ao ateliê onde a mãe e a avó de Thorin escolhiam tecidos e mais tecidos.
- Que bom que chegou, minha filhinha – disse Mara, abraçando a menina – estava justamente escolhendo um vestido para seu próximo aniversário.
- Mamãe, ainda faltam meses!
- Você me conhece, não gosto de deixar nada para a última hora...
- Conheço. Provavelmente usarei antes, como aconteceu com o último que me mandou fazer.
- Se assim o for – disse Iduna à neta – poderá mandar fazer outro! Que mal há?
Dis olhou para Frigga.
- Então gostaria que outro fosse vermelho, como o que Frigga usou em seu casamento. Estava linda, minha cunhada, não estava, mamãe?
Só então as senhoras aperceberam-se da presença da esposa de Thorin. 'Também pudera', pensou Frigga. A noite anterior constituira uma exceção no que se referia ao seu modo de se trajar. O próprio Thórin vira-se surpreendido com seus trajes, logo pela manhã. Tampouco havia em seus cabeços tantos enfeites como nos das outras anãs. Apenas uma trança fazendo às vezes de uma tiara. O vestido, se comparado aos que vira,também não possuía brilho a altura do gosto das damas de Erebor. Era bonito, porém simples demais. 'Não posso culpá-las'. A expressão de consternação das mais velhas pela negligência involuntariamente cometida moveu Frigga a dirigir a elas um olhar complacente que incentivou a mãe de Thórin a iniciar um diálogo.
- Que bom que pudemos nos encontrar, querida – disse Mara, cumprimentando a nora – só teve olhos para o seu marido desde que chegou.
- Sinto se as negligenciei, senhora – Frigga respondeu, fazendo uma reverência leve.
- Não se desculpe, Frigga – disse a irmã de Thorin jovialmente – elas se enfurnaram aqui na cidade desde a cerimônia. Já devem ter comprado tanto que os pacotes não conseguirão passar pelo portão principal da cidade.
- Deixe disso, menina. Não seja ingrata, pois que boa parte do que compramos é para você – disse Iduna colocando um belo xale sob os ombros de Dis.
- Vovó, que lindo! Obrigada – agradeceu à velha anã com um abraço apertado.
- Não compramos nada para você, minha querida, porque ainda não conhecemos suas preferências. Espero que não se sinta negligenciada – desculpou-se Mara.
- Não se incomode comigo, minha senhora. Tenho tudo o que necessito.
As damas se entreolharam. O raciocínio da princesa não parecia fazer muito sentido. Por que esperar por uma necessidade para adquirir coisas tão lindas como as que saltavam aos olhos naquela infinidade de lojas?
- Não se incomode, mamãe – disse a simpática Dis – ela é assim mesmo, porém posso lhe assegurar que nunca vi Thorin tão bem!
Foi a vez de Frigga direcionar o olhar surpreso à cunhada.
- Não me olhe assim, irmãzinha. Ele está diferente desde que chegou. Claro, continua turrão e quase intratável, todavia, a vista do que estava...
- Verdade? – indagou Mara, que também se preocupava com as sombras que pareciam toldar os dias do filho nos últimos tempos.
- Claro que é verdade – prosseguiu a menina para total desconcerto de Frigga – imaginem que ela conseguiu até convencer meu avô a passar uma manhã inteira fora da sala do tesouro!
A filha de Nain viu-se novamente alvo dos olhares das mais velhas.
- Se é assim – disse Iduna – lhe somos gratas.
- Não por isso, senhoras. E se não se incomodam – prosseguiu em um cumprimento formal – preciso ir. Gostaria de conhecer um pouco a cidade antes de voltar à fortaleza.
- Se desejar, não precisa voltar hoje. Fique conosco até amanhã, que já teremos terminado.
- É melhor não... – hesitou, temerosa em magoar a sogra.
- Com certeza é melhor que ela volte, mamãe, ou Thorin poderia vir até aqui e arrastá-la pelos cabelos – gracejou Dis.
- Coisa que os khazâd são capazes de fazer apenas enquanto jovens. Enquanto o brilho do ouro não os cegou para todo o resto – disse Iduna amargamente.
E Frigga compreendeu naquele momento que a futilidade de que as senhoras foram acusadas pelos maridos no dia anterior era apenas a resposta natural à indiferença da qual as esposas eram vítimas.
Pensou em sua ida a cidade por sentir Thorin distante dela, tão preocupado com a defesa da Fortaleza. Lembrou-se que, se não fora sua iniciativa, já estariam dormindo em quartos separados. Será que alguma sina triste, como a das damas à sua frente, a aguardava? Seria esse o seu destino?
- Peço, então, que me deem licença – solicitou novamente.
- Importa-se se ficar com minha mãe, Frigga? Quero ver o que comprou para mim... – pediu a menina meigamente.
- É claro que não, minha querida. Sei o caminho de volta. Fique tranquila – disse passando a mão pelo rosto jovem da cunhada – tenham um bom dia.
A princesa viu-se aliviada ao sair do ateliê. Olhou ao redor decidindo que direção tomaria. Não queria se afastar muito do caminho feito por ela e por Dis ao chegarem à cidade, ou se perderia. O movimento era grande. Muitos homens e anões. E até alguns elfos. Todos envolvidos em algum tipo de negociação.
A vida era agitada naquela cidade de homens. Esgaroth, onde o sogro e o cunhado se encontravam, não deveria se diferente. A família do marido parecia se reunir raramente, face tantos compromissos. Pensou que gostaria de ajudar de alguma forma. Quedar-se em um ateliê escolhendo tecidos definitivamente não lhe apetecia.
A princesa caminhou pelas ruas em meio a tais reflexões até que uma conversa atraiu sua atenção.
- O velho Thrór é esperto – disse o homem prendendo o embrulho ao cavalo – forjou mais uma aliança.
- Aliança? – indagou o elfo que segurava as rédeas do animal.
- Sim, alteza – prosseguiu o vendedor – casou o neto com a filha do soberano das Colinas de Ferro. Já não lhe basta ter a todos nós presos à seus tesouros, ainda forja laços com povos mais distantes.
- Que eu saiba, eles são parentes. Além disso, se estamos acorrentados a eles, os anões também o estão a nós que lhe fornecemos o que comer, já que joias não se comem, meu senhor.
O homem riu ante a seriedade do elfo.
- Sei que apesar de sua jovem aparência, alteza, o senhor já deve somar alguns séculos de existência, contudo, a mim me parece que, por mais que acumulem anos, os de sua raça tendem a ver nos outros apenas a bondade que têm em si próprios.
- Não desperdice elogios comigo, meu senhor, são tão infundados quanto desnecessários.
- E sua alteza é tão nobre quanto simples, sempre fazendo questão de conhecer os povos com os quais o reino de seu pai negocia, permanecendo em nosso meio e mesmo conversando de igual pra igual com um simples vendedor como eu. Percebo que estar em meio às pessoas, não importando a raça, lhe é muito caro, assim como saber o que se diz pelas ruas das principais , não sei quanto a vocês, mas nossas cidades perderiam muito sem o ouro vindo das montanhas. Aqueles ambiciosos sabem mesmo produzir riquezas e nosso comércio sofreria com sua ausência.
- Não fale assim. São guerreiros valorosos e têm do que se orgulhar. Possuem o dobro da força de um homem e suas armas muito bem forjadas. Não convém tê-los como inimigos.
- Contudo eu mesmo já estou farto da companhia desses gananciosos. Por isso coloquei minha loja a venda e espero mudar-me o mais breve possível para Esgaroth, tão logo encontre alguém interessando em adquiri-lo.
- Pretende deixar Valle?
- Sim, jovem senhor, minha família já está quase toda estabelecida na cidade-lago. A única coisa que me prende aqui é este comércio.
- Esgaroth também recebe caravanas de anões frequentemente.
- Bem menos que aqui, ao pé da montanha. É assim que eles nos querem manter, à seus pés, aqueles arrogantes que têm a metade de nosso tamanho e dobro de nossa prepotência.
A princesa sentiu a ira crescer em seu coração.
- Se preza tanto nosso ouro, meu senhor, seria bom pensar duas vezes antes de nos ofender dessa maneira – disse, revelando-se e enfrentando o homem com o olhar.
O filho de Thranduil e o vendedor viram-se surpresos ante a aparição da moça, que não parecia intimidada nem pelo tamanho nem pelo fato de não ser um varão. O homem observou a figura a sua frente. Pelas poucas joias que usava, deveria se tratar de gente de pouca monta. As grandes damas de Erebor eram reconhecidas de imediato por seus adornos.
- Lamento que tenha se sentido ofendida,minha jovem, contudo, quem pensa que é para se intrometer em uma conversa para a qual não foi convidada?
- Quer saber quem sou?
- É claro!
- E que diferença faria?
- Faria muita, minha jovem, que não tenho tempo a perder discutindo com uma mocinha que deveria estar cuidando dos interesses de seus senhores em vez de estar aqui me cobrando posicionamentos.
- Cuidando dos interesses de meus senhores?
- Certamente. Deve fazer parte de alguma caravana de comerciantes.
- Entendo... – disse Frigga, cruzando os braços.
Legolas não se agradou da forma como o homem tratara a jovem. Rica ou pobre. Elfa ou anã, aos olhos do príncipe de Mirkwood, todos os seres de Arda mereciam respeito.
- Creio que deve desculpas à moça, meu senhor.
- O que está a dizer, alteza? Não devo nada a ninguém!
- Sendo assim, trate de descarregar meu cavalo e devolver-me o ouro com o qual a mercadoria foi paga. Caso ignore, o mesmo veio das minas de Erebor. E se não demonstra respeito para com eles, tampouco merece usufruir de seu ouro.
- Mas alteza...
Legolas apenas levantou as sobrancelhas em um último aviso.
O homem capitulou. Tanto pela mercadoria vendida, como para agradar o cliente ilustre. Seria uma insanidade indispor-se com o príncipe da Floresta.
- Peço que perdoe as palavras impensadas de um velho comerciante, minha jovem – disse formalmente sem, contudo, esforçar-se em esconder a contrariedade com a qual o fazia.
- Desculpas aceitas – disse a princesa, acatando magnanimamente o pedido antes de se voltar para o rapaz – e agradeço sua intervenção, Mestre elfo, embora possa lhe garantir que da próxima vez ela não será necessária. Costumo lutar minhas próprias batalhas e assumir as consequências de minhas palavras e atos – concluiu antes de sair.
O comerciante olhou boquiaberto a jovem que se retirava, ainda se perguntado quem seria.
- Eis a gratidão que recebe, meu príncipe, por ajudar a essa gente. Orgulhosos, arrogantes, ainda hei de vê-los rastejando – concluiu amargamente o mercador.
- Tanta mágoa assim só lhe fará mal, meu amigo – disse o príncipe de Mirkwood com a mão no ombro do homem.
- Não apenas a mim, alteza – respondeu ao comentário do príncipe de Mirkwood fitando o elfo com os olhos negros.
