Meus amores! Depois de um longo e tenebroso inverno, cá estou eu novamente. Monrovia Town voltou com força total, e terá updates semanais novamente, ok?
Muito obrigada por todas as reviews carinhosas. Espero que continuem gostando, e comentem! É muito importante pra mim! Um grande beijo, e bem vindas de volta! :)
Capítulo 19 – Mad World
Edward PoV
"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, porque tudo passa a acontecer dentro de nós."
(Paulo Coelho)
No momento em que acordei, Bella não estava mais ao meu lado. Não me assustei, pois sabia que era relativamente tarde, e ela havia me avisado na noite anterior que levantaria muito cedo para arrumar nosso piquenique de despedida. Eu queria ajudá-la, de verdade, mas ela mais uma vez me bloqueou, falando que era um presente, pelo qual eu aceitei.
Despedida.
Essa palavra machucava minha cabeça, como um martelo incessante. Me doía pensar que não estaríamos juntos no dia seguinte, e haviam momentos que eu sinceramente pensava em jogar isso de lado e levá-la comigo. Só bastava um momento de loucura, de insanidade. Ou uma palavra de incentivo. E ela de certa forma me dava essas coisas. Me deixava louco e despertava sentimentos e questões irracionais em mim.
Passamos a noite juntos, após ela aparecer em meu quarto falando que tinha tido um pesadelo. Bella conseguia ser absurdamente adorável, até mesmo quando estava assustada. Pedi para que ela dormisse comigo, afinal a porta estava fechada e eu sinceramente pouco estava me importando com Charlie; Era nossa última noite juntos durante um bom tempo, e eu queria estar com ela, abraçá-la, e vê-la dormir, para gravar aquela imagem em minha mente e levasse aquilo comigo para onde quer que eu fosse parar.
Antes de dormir, Charlie falou mais uma vez que queria conversar comigo. Eu confesso que estava com muito medo do que ele tinha para me falar, mas não quis alarmar Bella por nada. Ela me pareceu preocupada quando comentei, e eu fiz de tudo para acalmá-la, apesar de estar muito curioso e tenso por dentro.
Por via das dúvidas, mantive o papel que roubei de sua mesa comigo, preso em meu bolso, e fiquei certo de que negaria até a morte, se ele viesse me perguntar alguma coisa sobre isso. Aquele papel ainda me ajudaria bastante, assim eu esperava. Principalmente se eu quisesse libertar Bella dessa prisão.
Levantei da cama, pegando uma muda de roupas e indo até o banheiro. Tomei banho, escovei os dentes, e voltei para o meu quarto, arrumando minhas malas. Me senti meio anestesiado ao fazer aquilo porque na verdade, eu não queria ir embora. Pensar em deixar Isabella me deixava em uma angústia sem tamanho.
Charlie bateu na porta, dois toques suaves, e colocou a mão nos bolsos assim que fizemos contato visual.
- Já está arrumando as malas, filho?
- Já. Vou embora hoje.
- Hum... – ele levantou os ombros, e soltou uma respiração pesada. – Podemos conversar?
- Claro, claro. – fechei o zíper da mala.
- Vamos lá na sala. – ele fez menção com a cabeça em direção a sala e o segui.
Charlie mexeu na lenha seca que tinha na chaminé, acho que ganhando tempo para que eu me sentasse e para que ele organizasse seus pensamentos. Sentou na poltrona em diagonal ao ponto em que eu estava sentado no sofá, e descansou seus antebraços nos joelhos, me olhando seriamente.
Não vinha coisa boa daí. Pelo menos não parecia.
- Edward... – ele bufou e tirou o boné, jogando em cima da mesinha de centro.. – Eu sou homem, você é homem, todos nós temos segredos baseados em orgulho, e eu posso te entender... aliás, eu quero te entender.
Ok. E eu não estava entendendo nada.
- Sim... ? – falei. Era a única coisa que eu tinha para falar.
- Nos últimos sete dias, o seu carro esteve na minha oficina, e eu coloquei-o na parte de trás, onde não fosse visto por todos que passassem, porque afinal é um Volvo, é último modelo, e ficamos no meio da estrada... não queria me arriscar. Não queria chegar no dia seguinte e ver que o carro estava sumido.
- Sim. Agradeço por isso. – falei ainda receoso.
- O problema é que... algumas pessoas passaram por ali, perguntando por você e pelo seu carro.
Merda.
- Pessoas? – perguntei, tentando parecer que não estava entendendo nada. Era óbvio que devia ser alguém da família de Demetri, ou da porra da máfia ou gangue inimiga, e até mesmo a própria polícia. Tinha tanta gente atrás de mim, que o leque de opções de Charlie era muito vasto.
- Um carro preto, com três homens. Perguntaram por um Volvo, deram a sua placa... e o seu nome. E uns três dias depois foi a polícia. – ele bufou. – Eu não gosto de mentir para a polícia filho, muito menos para homens de terno que me parecem ser perigosos. Por isso eu quero que seja sincero comigo, e se tiver algo que tenha para me contar, peço que conte. Agora.
Charlie era um hipócrita. Não gostava de mentir para a polícia? Ok. Eu bem acreditava nisso.
- Charlie, eu na verdade não sei de nada... Estou tão surpreso quanto você. – fingi surpresa, mas era péssimo ator. Charlie ficou me olhando, provavelmente buscando em meus olhos alguma pista.
- Você está aqui como fugitivo, Edward? – ele falou seriamente. – Você está fugindo de alguma coisa?
- Não. – falei, tentando parecer que era verdade. Não sei se ele caiu.
- Edward, as pessoas me ofereceram dinheiro para que eu falasse sobre você. Me deram telefones.
Mais merda.
- Charlie, eu juro que eu não sei.
Se ofereceram dinheiro para ele pra saber de mim, a probabilidade de eu estar fodido era ainda bem maior. Charlie era o maior mercenário que eu conhecera.
- Tudo bem... – ele se levantou, colocando novamente a mão nos bolsos. Provavelmente desistiu de tentar arrancar algo de mim, mesmo sabendo que eu estava mentindo, ou omitindo.
Fui me levantando e ele fez com a mão para que eu sentasse novamente. Eu odiava me sentir vulnerável e por um momento não soltei alguns palavrões. Charlie não era ninguém para agir daquela forma comigo.
– Só tenho mais uma coisa para te falar, Edward... – ele deu um sorriso sem humor. – Eu não sou burro. Muito menos idiota e cego. Eu sei de você e de Isabella. E mesmo por algum motivo eu ainda não soubesse... Isso aqui é uma cidade pequena. Você deveria saber. Vocês viraram o assunto de Monrovia nos últimos quatro dias. – ele se aproximou de mim, pegando em minha camiseta e me puxando com violência para perto de si. – Experimente fazer alguma coisa com a minha filha... ou fugir com ela... e você é um homem morto. – ele falou entre dentes. – MORTO. Está ouvindo?
- Estou. – fiz uma carranca; foi a única coisa que saiu. Eu não queria demonstrar minha fraqueza, e fiquei encarando Charlie o máximo que pude.
- Enquanto isso, eu vou tentar esquecer que vocês têm se beijado, se agarrado por aí, e até mesmo dormido na mesma cama. Você vai embora, Isabella vai ficar e eu vou esquecer que você colocou as mãos na minha filha. – ele pressionou o dedo em uma de suas têmporas, como se quisesse enfiar aquilo em sua cabeça.
Como se ele se importasse com ela.
- Charlie... me solta. Agora. – falei com o semblante tão rude quanto o dele. Eu queria mostrar que eu não era qualquer um, e que eu não tinha medo de nada, nem de ninguém. Por mais que por dentro eu estivesse em pânico.
Ele me soltou, me olhando com provavelmente todo o ódio do mundo, e saiu andando para a cozinha. Me sentei no sofá, tentando processar tudo que tinha acontecido. Charlie nunca se importou com Isabella, porque agora ele ficava agindo como se ela fosse a princesinha dele? Eu dava muito mais valor a ela, e eu era a pessoa que merecia ter Bella em minha vida diariamente. Não ele. Eu queria dar uma vida, um futuro, para uma menina tão perfeita quanto ela. Charlie nunca pareceu se importar com seu futuro, principalmente pelo fato de deixá-la estudando tão precariamente em casa.
Finalmente levantei, e voltei para o quarto, terminando de arrumar minhas malas. Dei uma última olhada naquele papel, na ordem de compra de remédios ilegais, e resolvi colocar dentro de minha carteira. Esse papel agora significava muito mais, e eu ia guardá-lo com todo o cuidado do mundo. Eu queria ferrar com Charlie. Feio.
Ouvi a caminhonete dele fazendo barulho lá fora e presumi que ele estava saindo. A casa ficou em silêncio, e fui até o quarto de Bella, mas ela não estava lá. Vi sua camisola em cima da cama, a mesma camisola que ela passou a noite comigo, e provavelmente tinha trocado pela manhã. Peguei o tecido em minhas mãos, e cheirei, sentindo todo o aroma da minha menina dos sorrisos. Achando que não ia fazer falta a ela, fiquei com a camisola pra mim. Voltei para o meu quarto e coloquei dentro da mochila.
Depois de algum tempo e nenhum sinal de Isabella, fui até meu carro guardar as malas, e encontrei Emmett, que estava quase entrando em casa. Ele morava bem em frente a Bella, em uma casa muito parecida.
- Edward! – ele me viu colocando as malas no banco de trás. – Você está indo hoje, não é?
- É. – fechei a porta do carro. – Infelizmente.
- Foi um prazer te conhecer, cara. – ele estendeu sua mão, e apertamos firme. Emmett puxou meu braço, e acabamos dando um abraço, com alguns tapinhas nas costas. – E obrigado por fazer minha irmãzinha feliz. Apesar de achar errado o que vocês estão tramando, eu tenho a sensação de que é o melhor para ela. Mas ainda acho que Charlie vai te matar.
Espera aí. Emmett sabia?
- Como assim? – perguntei como quem não quer nada.
- Eu estou sabendo, Edward. – ele deu um sorriso simpático. – Estive com Bella hoje de manhã. Conversamos bastante. E confesso que foi difícil me convencer de não te dar uma porrada. – ele riu, provavelmente brincando. - Falando nisso, ela pediu para que eu te avisasse. Meio dia, no lugar de sempre.
- Lugar de sempre? – franzi o cenho.
- É até onde eu sei. – ele riu, e deu outro tapinha em meu ombro. – Bom... Boa Viagem, Edward. E quando voltar para buscá-la... boa sorte. De certa forma você pode contar comigo.
- Obrigado, Emmett. E por favor... enquanto eu não voltar... fique de olho em Bella por mim.. – engoli seco. – É só o que te peço.
- Pode deixar comigo. – ele deu um sorriso de canto dos lábios. Ótimo saber que eu podia contar com Emmett. Mas isso, de certa forma eu já sabia desde o primeiro dia em que conversamos, antes mesmo de eu e Bella darmos nosso primeiro beijo.
Olhei para o relógio no meu pulso, e vi que já eram quinze pra meio dia. Lugar de sempre? Só podia ser o celeiro dos Clearwater.
Voltei para a casa, checando mais uma vez se eu não estava esquecendo de alguma coisa, e fui para o carro, onde dirigi até aquela maldita ladeira, que por muitas vezes me fez quase colocar o pulmão para fora. De carro era tão mais fácil, que chegava a ser patético. Nem sentia que tinha uma ladeira enorme ali.
Estacionei do lado de fora do portão de entrada, e tranquei o carro. Fui para o mesmo local onde lanchamos naquelas duas vezes, e sorri ao ver que tudo estava preparado. Uma toalha verde, - destoando um pouco do verde da grama - estava estendida, com um cesto de palha segurando uma das pontas, e três pedrinhas segurando as outras três. Ventava bastante, então provavelmente Bella estava prevenindo de não arruinar nosso lanche com o vento. Havia alguns pratos de papel, o copo de vidro que comprei pra ela, outro copo comum e uma jarra de plástico, onde provavelmente tinha o suco que ela disse que ia fazer para mim.
Mas Bella não estava em nenhum lugar onde eu pudesse enxergar no momento. Olhei para um lado, para o outro, e nada. Quando fui me aproximando de nossa "mesa improvisada", ouvi um estalar de porta de madeira. Bella saiu de dentro do celeiro, usando um dos vestidos que eu tinha dado, - o branco, - all star, os cabelos completamente soltos, pendendo por seus ombros e colo, e um ramo de folhas bem verdinhas na mão.
Visão do paraíso. Acho que nenhum anjo do céu conseguia ter uma beleza comparável com a de minha Bella.
- Hortelã. – ela falou explicando-se, e abriu um sorriso, me mostrando as folhas que estavam em sua mão.
Ela veio até mim, e abri meus braços para envolvê-la em um delicioso abraço. Encostei meu queixo em sua cabeça, e ficamos ali, por um curto espaço de tempo, apenas curtindo nossos corpos juntos, unidos, como deveriam ser e estar para sempre. Eu juro que eu poderia ficar assim pelo resto da minha vida, contanto que fosse Bella que estivesse em meus braços.
- Adorei a arrumação na toalha. – falei baixo, dando um beijo em sua cabeça.
- Espere para ver o que eu preparei. Acho que você vai adorar. – ela falou animada, dando pulinhos até o pano estendido no chão.
Encantadora. Perfeita. Angelical. Tinham tantas palavras para descrevê-la.. poderia até fazer um dicionário de sinônimos para Bella, juntando todas elas. Eu estava completamente apaixonado por essa menina. Não tinha nem como negar. Era um sentimento completamente avassalador, e chegava a doer pensar que amanhã ela não estaria comigo. Mas para nosso bem, prometi a mim mesmo que não ia ficar pensando nisso, nesse nosso último momento juntos.
- Está com fome? – ela falou ajoelhando-se na toalha. Abriu o cesto, tirando dois potes grandes.
- Estou sim. – me aproximei, sentando na grama fresca, e olhando enquanto Bella retirava uns sanduíches de dentro desse pote.
- Tem de manteiga de amendoim... e de geléia de uva. – ela mostrou o pote para mim. – Qual você quer?
- Manteiga de amendoim. – respondi sorrindo.
- Ok. – ela falou, toda meticulosa, e pegou um guardanapo, envolvendo o sanduiche e me entregando. – Toma. Espero que goste.
Não pude deixar de sorrir novamente quando vi que Bella tinha feito pequenas carinhas felizes no pão, desenhadas com geléia. Eram smileys, bem parecidos com o do anelzinho que eu tinha dado a ela.
- Gostou da carinha feliz? – ela falou, mostrando sua mão e o anel que pairava em seu dedo anelar. – Foi para combinar.
- Eu amei, meu sorriso. – dei uma mordida no sanduiche. – E ele está delicioso.
- Essa é a entrada. – ela apontou para mim. – Não coma muito, porque ainda tem o almoço. E a sobremesa! – ela riu. Ela estava com uma animação estranha, parecia que queria se forçar a sorrir e me mostrar que estava bem. Eu sabia que ela não estava bem. Eu não estava. E não tinha porque ela me enganar. Ela nem tinha como me enganar, seus sentimentos eram transparentes demais.
- Tenho certeza que tudo deve estar maravilhoso... – sorri, dando mais uma mordida no sanduiche. – Mas vai ficar melhor se você ficar aqui do meu lado. Quero aproveitar o máximo com você. – estendi minha mão. – Venha. Coma aqui comigo.
- Eu... não estou com muita fome. Estou meio enjoada. – ela segurou minha mão, e se sentou ao meu lado, encostando sua cabeça em meu ombro.
- Enjoada? – dei mais uma mordida.
- É que... estou nervosa. – ela falou baixo, bem baixo. Só ouvi porque sua boca estava bem próxima ao meu ouvido.
- Nervosa porque? – levei minha mão esquerda em seu cabelo, e fiquei acariciando seus fios macios e bem lisinhos. Terminei meu sanduiche e tive vontade de pegar outro. Estava delicioso.
- Por tudo. – ela suspirou. - Pelo que combinamos, pela sua ida... pelo futuro... meu estômago tá embrulhado.
- Não fique... – limpei minha boca com o guardanapo e fiz uma bolinha com o papel. - Eu te prometo que tudo vai acontecer do jeito que a gente espera que aconteça... – dei um beijo em sua testa, e depois um em sua cabeça. – Está bem?
- Uhum. – ela assentiu rápido, aninhando sua cabeça em meu ombro.
- Come só um pouquinho... – falei pegando um sanduíche e oferecendo. – Tá tudo tão bonito, tão gostoso.. não acredito que você não quer comer...
Ela pegou o sanduíche de minha mão, e levou bem vagarosamente até sua boca. Resolvi pegar outro sanduiche e a acompanhei. Ficamos comendo em silêncio, enquanto eu ainda fazia carinho em seus cabelos com minha mão livre. Depois de um tempo ela pegou a jarra, e despejou um suco amarelo no copo que eu havia lhe dado no dia anterior. Me entregou, e dei um gole na mesma hora, sentindo um gosto bem sutil de Maracujá. Mas era muito mais gostoso, e um pouco mais doce do que o convencional. Até a textura era meio diferente.
E ali, naquele pequeno gesto, ela demonstrou que não tinha como esconder o nervosismo. Até seu suco era de uma fruta que costumava acalmar.
Bella pegou o copo da minha mão e jogou algumas folhinhas de hortelã no líquido, esmagando com uma colher, e me devolveu. O gosto ficou ainda melhor, e agora um pouco mais refrescante e menos doce.
- Você me surpreende cada dia mais. – sorri. Trocamos alguns olhares enquanto ela sorria para mim, e levei meu copo até sua boca. – Toma, bebe um pouquinho... - Ela deu um gole, e fiquei olhando como sua garganta mexia ao beber o líquido. Estar com Bella era como um passeio de montanha russa. Milhões de sentimentos espalhando-se por meu corpo. Eu podia falar sem medo de errar que estava com tesão; e ao mesmo tempo completamente apaixonado.
- Está bom. – ela colocou a mão na boca, limpando o excesso do suco do canto de seus lábios e dando um sorriso envergonhado.
- Todos seus sucos são bons. Vou realmente estudar a probabilidade de abrirmos uma loja em Nova York. – sorri.
Bella suspirou, e voltou sua cabeça para meu ombro. Peguei em seu queixo, passando meu dedo por seu maxilar, e trouxe seus lábios até os meus, encostando-os com leveza, e com muito pouca pressão. Bella partiu-os, me dando entrada, e nossas línguas se encontraram, me fazendo provar aquele gosto delicioso de maracujá, hortelã e... Bella.
Em momento nenhum entramos no assunto de darmos aquele último passo, e eu não iria falar se ela não comentasse. Mas eu sabia que era isso que rolava por sua cabeça. Ela estava visivelmente nervosa, e a minha impressão era de que se eu falasse, poderia acabar pressionando-a e levando-a a fazer algo que ela na realidade não queria e não estava preparada.
Assim que nossos lábios se afastaram, Bella colocou sua pequena mão em minha coxa, e ficou olhando seus dedos, como se estivesse fora de si, em seu pequeno mundinho, com pensamentos guardados apenas para ela. Minha curiosidade aflorou na mesma hora.
- Se me contar o que está pensando, ganha outro beijo. – coloquei minha mão em cima da sua, e entrelacei nossos dedos. Sua mão era mínima perto da minha e ela parecia tão frágil, tão pequena, tão necessitada de carinho... chegava a me doer fisicamente ficar lembrando que eu ia embora e ia deixá-la aqui. Eu gostava de protegê-la, e de passar toda a segurança que ela precisava. Eu me sentia bem. Me sentia forte.
E era justamente isso que eu precisava em minha vida.
- Não é nada demais... – ela suspirou, formando um biquinho em seus lábios tão adorável que por pouco não me fez apertá-la. - São as mesmas coisas de sempre.
Eu sabia o que tanto colocava Bella nervosa. Era a expectativa. Expectativa do que estávamos para fazer, antes que eu fosse embora. Eu queria tirar todo esse nervosismo dela, e falar que tudo ia ficar bem, mas confesso que eu estava um pouco nervoso também. E ansioso. Tinha medo que não desse certo, que eu acabasse machucando-a, e essas probabilidades tornariam todo esse momento em uma lembrança ruim. Ela não merecia lembranças ruins.
Trouxe suas duas mãos para perto de meus lábios, e dei um beijo bem leve em cada um de seus dedos. Sorri, quando vi que o anelzinho estava em seu dedo anelar, como uma aliança, uma promessa. Bella retribuiu com um sorriso fraco e os olhos bem apertados, devido ao vento que agora começava a bater em nosso rosto.
- Eu... – ela sussurrou, fugindo seu olhar do meu e eu podia sentir por seu pulso os batimentos cardíacos descompassados. – Eu... arrumei tudo lá dentro para que a gente possa...
Seu peito começou a subir e descer como se ela fosse ter uma grande falta de ar a qualquer momento. Os olhos começaram a encher de lágrimas, e eu, por pouco, não entrei em pânico. Eu não queria vê-la desse jeito, tão vulnerável e tão triste, nervosa, ansiosa... Era uma coisa difícil de se pedir, eu sei; Porque o que tivemos foi tão intenso, que era praticamente impossível pensar em nos separarmos.
Meu coração estava desesperado. Gritava e socava meu peito em uma intensidade sem tamanho.
As mãos de Bella estavam muito geladas. Peguei-as entre as minhas e comecei a esfregá-las, procurando suavizar seu nervosismo e esquentar sua pele. Confesso que encarei aquilo também como uma válvula de escape. Minhas mãos também tremiam, e pegar em suas delicadas mãos e fazer aquele movimento estava me ajudando a suavizar as ondas de nervoso que me consumiam.
Bella ficou de joelhos, de frente pra mim. Me olhou bem nos olhos, como se fosse falar alguma coisa muito importante, mas na última hora desistiu e num átimo, me abraçou.
No momento em que não havia mais espaço entre nós, comecei a sentir meu ombro ficar molhado. Ela estava chorando. Isso estava doloroso demais. Para nós dois. E cabia a mim tentar resolver isso. Tentar apagar essa dor do nosso peito, e encarar essa despedida com uma lembrança linda, e uma forma de provar a ela que ela era a pessoa mais especial do meu mundo, e que eu voltaria para buscá-la.
Peguei em seus cabelos, expondo seu pescoço para mim, e comecei a dar beijos na pele que ia aparecendo. Bella aos poucos foi se acalmando, com sua cabeça ainda no vão de meu pescoço, mas os soluços não passavam. E eu sabia que não iam passar.
Tentei ficar de joelhos com ela ainda agarrada a mim, algo que foi meio complicado, mas com algum esforço consegui. Fiz força em minhas pernas e levantei, prendendo seus braços em meu pescoço, e andando com Bella ligada em meu corpo, até o celeiro onde ela tinha preparado nosso... cantinho.
Tudo estava ajeitado de forma confortável. Haviam alguns muito cobertores no chão, um em cima do outro, formando um lugar agradável de se deitar, e livre de qualquer coisa que estivesse na grama. Um pouco distante dali, em cima de um caixote, estava uma lâmpada a gás, daquelas bem antigas, que precisavam acender a base de álcool e fósforos, algo que eu só tinha visto parecido em filmes. Porém, o tempo lá fora começava a escurecer devido ao vento e à chuva que se aproximava; e se não fosse ele, estaríamos no breu total.
Antes de deitar Bella naquele monte de cobertores aconchegantes, a apertei em meus braços, e dei um beijo em sua testa.
- Eu te amo, ok? – falei bem baixinho, assegurando-a, e passando a mão de leve em seus cabelos.
- Eu sei. – ela sussurrou, ainda dando um último soluço. – Eu também te amo. Muito.
Me agachei, e Bella sentou-se no cobertor, apoiando-se com os dois braços atrás de suas costas. Eu não sabia nem como agir. Parecia que eu também estava tendo a minha primeira vez.
Me ajoelhei entre suas pernas, e a beijei. Quis ser suave e romântico, então o importante era agir com calma e sem pressa. Eu sei que tivemos nossas noites loucas, com orgasmos, muito tesão, desespero um pelo outro e tudo mais, mas isso era muito mais importante. E diferente. Bella estava se entregando a mim. No último dos estágios em que ela podia.
Ela repousou suas mãos em meu peito, alisando-o por cima da minha camisa. Respirei fundo, sentindo toda a emoção daquele momento, e fiz de tudo em minha cabeça para me acalmar. O cheiro de Bella tomou conta de mim, e parece que era justamente o que faltava para me colocar nos eixos.
Meu calmante.
Para Ouvir: Edwin McCain - I'll Be
Respirei fundo novamente, dessa vez bem próximo de seus cabelos, e o silêncio só tornava tudo mais sexy. Peguei suas mãos, que ainda estavam em meu peito, e juntos, abrimos os botões da minha camisa. Percebi que minhas mãos estavam mais firmes que a dela, e encostei nossas testas, dando um beijo leve em seu nariz.
The strands in your eyes
That color them wonderful
Stop me and steal my breath
And emeralds from mountains
Thrust towards the sky
Never revealing their depth
- Meu sorriso... você precisa relaxar... – sussurrei, dando mais um selinho. – Eu sei que é difícil.. mas eu preciso que você relaxe, está bem? – rocei meus lábios nos dela, e ela arfou bem baixinho, balançando com a cabeça que sim.
Ela engoliu em seco, e respirou fundo, procurando a calma. Minha garota. Minha menina. Se esforçando tão graciosamente para fazer algo que eu estava pedindo. Como eu a amava. Era além de mim. Além de tudo que eu já tinha visto e presenciado em minha vida.
Quando todos os botões já estavam livres, tirei o resto de minha camisa, e não pude deixar de perceber que Bella começava a estudar meu torso nu. Sorri, e ela correspondeu ao meu sorriso, visivelmente mais calma.
Ainda bem.
Seus lábios foram agraciados com seus dentes e vi que tínhamos que continuar. Queríamos continuar. Peguei na barra de seu vestido, demonstrando o que queria fazer, e Bella apoiou as mãos novamente nos cobertores, levantando seu quadril e livrando-se do tecido na parte onde estava sentada. Seus braços encontraram meus ombros, e puxei todo o vestido para cima, deixando-a apenas de calcinha e sutiã.
Perfeição. A visão de Bella exposta daquele jeito causou uma onda de calor em todo o meu corpo.
Coloquei seu vestido com cuidado em cima de minha camisa, e ela deitou-se, respirando fundo e não perdendo o contato visual comigo, nem ao menos deixando de olhar cada coisa que eu fazia, cada movimento que eu exercia. Seu olhar me passava várias emoções diferentes, do medo à excitação, e apesar de eu não conseguir identificar todos eles, eu sabia que ela queria isso tanto quanto eu.
Agora eu estava nervoso novamente. Realmente íamos fazer. Eu teria Bella. Eu seria seu primeiro homem.
Se dependesse de mim, primeiro e único.
Parei por alguns segundos, apenas para observar a beleza à minha frente. A pele branca, as sardinhas espalhadas por seu corpo, o jeito que suas pernas balançavam devagar, suas mãos, descansando em sua barriga tão igualmente branquinha, e perfeita, macia... eu precisava dela. Para sempre.
Tirei seu tênis e me levantei, tirando meus sapatos com meus próprios pés. Abri o zíper da minha calça, sorrindo para Bella, em um pedido silencioso para que ela mantesse a calma. Me livrei logo de minha calça, empurrando-a com o pé para perto do montinho onde estavam nossas roupas, e me ajoelhei novamente entre suas pernas, apenas de boxers.
Sua respiração estava descompassada.
Ela inspirava.
Mal soltava o ar, inspirava de novo.
And tell me that we belong together
Dress it up with the trappings of love
I'll be captivated; I'll hang from your lips
Instead of the gallows of heartache
That hangs from above
Inclinei meu corpo na direção do dela, e me apoiei com um de meus cotovelos, não querendo jogar todo meu peso por sobre minha menina. Quando nossos rostos estavam bem próximos um do outro, sorrimos juntos.
- Não fique nervosa. – sussurrei, roçando meu nariz no dela. Eu sabia que era um pedido meio egoísta, porque era impossível ela não ficar tensa. Eu mesmo estava tenso.
- Você também está nervoso. – ela falou bem baixo. – Se acalma... Você não vai me machucar. Eu sei que não vai.
- Mas... – dei um selinho devagar em seus lábios. – Vai doer um pouco. É normal. Está bem? – dei outro selinho. – Mas prometo que será breve. A dor vai se transformar logo, ok?
Ela balançou com a cabeça que sim.
- Eu te amo. – falei, passando meus lábios por suas bochechas, e mais uma vez puxei o ar, recebendo seu cheiro, sua essência, meu calmante natural.
- Eu também te amo. – ela murmurou.
Me ajoelhei novamente, passando minhas mãos por suas pernas delicadas e delineando a curva que fazia seu quadril e sua cintura. Bella respirou fundo, fechando os olhos e aproveitando a sensação que minhas mãos faziam em sua pele. Meus polegares passearam por sua barriga, e ela era tão macia, tão sedosa, que me induziu a inclinar e beijá-la. Espalhei meus beijos por toda a extensão, passando por seu umbigo, até chegar nas rendinhas da barra de sua calcinha.
Segurei os lados da roupa íntima delicada e fui tirando suavemente. Quando elas alcançaram suas coxas, levantei seus joelhos para que dessem passagem ao tecido e eu pudesse tirá-lo completamente.
Bella não parava de me olhar. Ela estudava tudo que eu fazia, ainda com o olhar misterioso. Eu nunca sabia quando era medo, ou quando era tesão.
Quando finalmente sua calcinha passou por seu pé direito e eu descansei as pernas de Bella no cobertor novamente, ofereci minhas mãos para que ela se sentasse. Ela ficou meio sem entender, mas fez o que pedi, e levantei seu corpo, até que ela estivesse sentada. Ainda de joelhos, levei minhas mãos até suas costas e tirei seu sutiã. Ela sorriu, ao sentir minhas mãos subindo até sua nuca e passeando por seu pescoço, enquanto o sutiã caía em seu colo.
- Você tem certeza disso, meu anjo? – falei baixo, olhando em seus olhos.
- Absoluta. – ela respondeu, quase fazendo eu me perder naquela imensidão castanha que eram suas íris.
I'll be your crying shoulder
I'll be love's suicide
I'll be better when I'm older
I'll be the greatest fan of your life
Peguei um pedaço de seus cabelos e levei para um dos ombros, deixando o outro completamente livre para mim. Dei beijos leves, pouco molhados, mas com uma pressão certa, e pela primeira vez naquele dia ouvi um gemido de Bella, bem próximo ao meu ouvido.
- Minha linda... – falei no mesmo tom de seu gemido, passeando com meus lábios agora por seu colo. – Minha mulher...
- Oh, Edward... – ela falou suavemente, e com esse pequeno gesto ela conseguiu despertar minha ereção completa. – Eu quero ser sua... sua mulher...
- Você é minha... e vai ser minha de todas as formas...
Eu já estava em estado incompreensível. Meu membro doía entre minhas pernas, necessitando ser libertado, mas eu realmente não estava me importando tanto com a satisfação dele. Ela era meu alvo principal, era tudo que eu estava me preocupando no momento. Minhas questões ficariam pra depois.
Voltei a beijar seus lábios e fui inclinando nossos corpos na direção do cobertor. Meu corpo encaixou-se perfeitamente entre as pernas de Bella, e eu sabia que agora ela já estava me sentindo em seu centro, por cima de minha cueca; Estávamos na posição certa para o ato, se não fosse o tecido.
- Está tudo bem? – perguntei bem baixinho.
- Está... – ela murmurou, engolindo seco.
Mas eu ainda tinha que ter certeza que ela estava preparada para isso. Fiz um tracejado com a ponta de meus dedos, passando por seus braços e descendo até sua intimidade. Assim que atingi o local que queria, senti o corpo de Bella tremendo de encontro ao meu; porém ela ainda não estava úmida o suficiente. Eu entendia. Ela estava nervosa, e não seria fácil relaxar a esse ponto.
- Bella... – falei em seu ouvido. – Fique calma... – foi a minha vez de engolir seco; eu sei que eu também estava visivelmente nervoso, mas eu simplesmente precisava me acalmar se quisesse que ela se sentisse bem. – Eu não posso fazer isso se você estiver tensa, e nervosa...
- Me desculpe.. – ela suspirou, tentando se acalmar e me olhando como se estivesse pedindo perdão. Me senti mal. Ela se sentiu na necessidade de pedir desculpas porque estava nervosa. Ela não tinha que fazer isso.
- Não, você não precisa pedir desculpa. – sacudi minha cabeça, dando beijos em seu rosto. – Nada é para se desculpar meu amor... eu só quero que você se acalme de verdade, para que isso seja o menos doloroso possível... – enquanto falei, resolvi passear meus dedos por sua intimidade, e devagar, bem suavemente, introduzi um dedo. Suas paredes corresponderam instantaneamente, segurando meu dedo com força, então aos poucos foram relaxando e eu pude colocar o segundo.
Bella fechou os olhos novamente, arqueando sua cabeça um pouco para trás e partindo seus lábios, de onde saiu uma arfada deliciosa. Não pude deixar de sorrir com aquela visão de perfeição.
- Isso.. – não consegui parar de sorrir, ao ver seu corpo reagindo ao meu toque. – Fique calma... sou eu que estou aqui e eu nunca deixaria que nada de mal acontecesse à você, minha Bella... meu sorriso... – voltei a beijar seu rosto, descendo até seu pescoço.
A essa altura, meus dedos já estavam bem molhados, e sentindo o calor que emanava de Bella. Ela gemeu novamente, dessa vez mais alto. Tirei meus dedos de sua intimidade e levei-os para a barra de minha cueca, onde abaixei rapidamente. Arqueei meu corpo até a minha calça e peguei a camisinha que estava no bolso da frente. Me ajoelhei, e quando estava terminando de tirá-la do pacotinho, senti sua mão delicada tocando o meu braço.
- Posso te ajudar a colocar? – ela sussurrou.
- Claro que pode... – sorri, confesso que um pouco surpreso. Mas ela sempre me surpreendia.
Bella em seu semblante curioso, pegou a camisinha de minha mão e mordeu seus lábios. Foi quando percebi que ela não fazia a mínima idéia de como fazer aquilo. Soltei um riso baixo, e ela também riu.
Tudo estava ficando muito natural. E eu não podia ser mais agradecido por isso.
- É assim. – peguei na camisinha junto com ela, e fiz com que ela segurasse a ponta enquanto eu a desenrolava por meu membro. Bella ficou olhando, com curiosidade no olhar, e pela primeira vez pude identificar que ali não tinha medo. Ela estava muito ansiosa.
Assim que terminamos de colocar, puxei-a pela nuca e a beijei. Fomos deitando novamente, e mais uma vez senti meu coração palpitar de antecipação.
- Se doer... ou se incomodar... me fale. Não fique com vergonha. – falei entre seus lábios, puxando-os com meus dentes, de forma suave. – Eu não vou ficar com raiva, está bem? Vai ser bem devagar...
Bella respondeu que sim com a cabeça e penetrei-a bem devagar. Não coloquei quase nada, apenas a cabeça, e seu corpo deu um sobressalto com a minha presença.
- Shhh... – levei minha mão para seu rosto e cabelos. – Calma... ainda não fiz nada. Ainda não aconteceu nada, está bem?
Os batimentos cardíacos de Bella já estavam visíveis em seu colo e pescoço. Pulsavam forte.
- Está bem... – ela falou baixo, com a voz trêmula. – Está bem... – ela repetiu.
- Você quer que eu pare? – passei meus dedos por sua sobrancelha, na tentativa de acalmá-la.
- Não, pode continuar... – ela fechou os olhos e eu senti que ela queria chorar.
- Meu amor, não tem problema... se quiser eu paro. Eu não vou ficar com raiva, nem triste... não tem problema nenhum... – repetia minhas palavras para assegurá-la. Mas ela fez que não com a cabeça.
- Vou colocar só mais um pouquinho.. – incitei meu quadril um pouco mais para a frente, entrando mais um pouco. Eu já podia sentir o calor, e o pouco espaço, apertando meu membro e causando uma sensação deliciosa. Era difícil se segurar e não começar os movimentos incessantes, mas eu nunca faria isso. Só iria machucá-la. E hoje era o dia dela.
Bella soltou um gemido, mas não de prazer. De dor.
- Eu vou parar, meu anjo...
- Não! – ela pegou em meu braço, quase cravando suas unhas. – Não faça isso... eu.. eu quero.. por favor. Continue... – ela falou baixo.
- Eu não quero te machucar... – franzi o cenho, incomodado com sua dor. Eu não queria que ela se sentisse mal, nem machucada.
- Você... – ela engoliu seco. – Você não está me machucando... você não disse que é normal? – ela respirou fundo algumas vezes. – Então...
- Mas..
- Por favor, Edward. – ela me olhou bem nos olhos. – Por favor... – ela passou sua mão delicada em meu rosto, seu polegar em minha bochecha, e logo depois passeou por meus lábios. – Eu quero ser sua...
E ao ouvir isso, resolvi impelir meu quadril mais uma vez, e fui o mais devagar que pude, até o final. Bella respirou fundo, e seus olhos se apertaram. Ela mordeu seus lábios com força, e percebi uma lágrima rolando por suas bochechas.
- Não se mexa, Edward. – ela disse de supetão, prevendo que eu ia falar algo. Me surpreendi. – Por favor...
Então fiquei um tempo parado, esperando que ela se acostumasse com a minha presença dentro dela, e principalmente que ela relaxasse ainda mais. Inclinei meu corpo, dando beijos em seu pescoço, colo, e descendo até os seios. Beijei ao redor de seus mamilos, e os tive em meus dentes, mas não mordi. Apenas brinquei com minha língua. Bella gemeu, um gemido longo e mais alto, me fazendo sorrir. Ela já estava bem mais relaxada.
Ela repousou suas duas mãos em meus ombros, e subiu por meu pescoço, indo para meus cabelos. Que sensação deliciosa. Ela puxava, mas não com muita força, e foi nesse momento que resolvi começar algum movimento. Saí devagar de dentro dela, e vi que seu cenho franziu com a falta que ele já estava fazendo; Então penetrei novamente. E apesar do semblante de incômodo, ela sorriu, um sorriso fraco mas verdadeiro.
- Está melhor? – falei, ainda me controlando para não me movimentar mais rápido. – Você está bem?
- Uhum.. – ela respondeu ainda segurando seus lábios entre seus dentes.
Dei algumas investidas de leve, bem leve, e Bella aos poucos foi se acostumando. Ainda saíram algumas lágrimas de seus olhos, mas fiz questão de beijá-las. Eu queria beijar sua dor, e fazê-la passar. Queria transformar em prazer. Sei que era difícil, mas faria de tudo para que ela se sentisse confortável. E que essa fosse uma lembrança linda, daquelas que guardaríamos para sempre em nossas vidas.
Ela segurou meus braços enquanto eu aumentava a intensidade. Toda vez que ela demonstrava desconforto eu diminuia, e ficamos assim, naquele ritmo tão desconhecido para ela, e quase tão novo para mim. Ela era diferente de qualquer mulher que eu já tinha conhecido em minha vida, e para mim, estava sendo tão novo quanto para ela. Era diferente. Era especial. E eu nunca tinha passado por algo assim, tão intenso, e tão forte. Meus olhos chegaram a querer lacrimejar, mas me freei, para não chorar na frente dela.
Eu não queria parar de beijar seu rosto. Envolvi-o com uma de minhas mãos e passei meu polegar pela maçã, que estava incrivelmente corada. Sorri, ela sorriu de volta para mim, e dei um beijo em sua testa, sussurrando "eu te amo" inúmeras vezes.
Quando senti que estava perto de chegar ao meu ápice, desci meus dedos por seu corpo, e pressionei seu ponto sensível. Fiquei massageando e observando suas reações, que estavam muito interessantes. Bella partiu seus lábios, e os gemidos foram mais e mais intensos.
Seu corpo tensionou. Suas pernas apertaram meu tronco e quadris. Bella chegou a levantar seu corpo do cobertor com a sensação que eu tinha acabado proporcionar, E eu, bobo, apaixonado e louco por aquela menina à minha frente, não consegui parar de sorrir.
Nossos corpos se uniram, já suados, e eu acabei liberando toda a minha tensão, chegando ao meu ápice, enquanto sentia suas paredes ainda tensas pelo prazer tão recente. Bella agarrou-se nos cabelos de minha nuca, e imprensou seu rosto em meu ombro, até a sensação passar. Alguns segundos depois ela relaxou, e junto com ela foram suas pernas e todo seu corpo.
Ficamos ali.
Por quanto tempo eu não sei.
Eu só sei que eu não conseguia parar de repetir as cinco palavras que – por repetição - podiam até ser banais ultimamente, mas eram exatamente o que eu sentia, e o que eu tinha vontade de gritar, para que todo mundo ouvisse.
Principalmente Charlie.
Eu te amo, Isabella Swan.
Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
Ela sorriu. E riu. Bem na altura de meu ouvido. Eu sei que meu corpo estava fazendo peso em cima do seu tão frágil, mas a sensação de ouvir aquilo, aquele riso, descontraído e realmente feliz, era fora do comum. Me deixava fora de órbita.
Ela passou a mão na testa, limpando resquícios de suor, e me olhou nos olhos, com um sorriso que eu parecia nunca ter visto, apesar de ser esse detalhe em particular o que mais me encantava nela.
- Eu também te amo Edward, e te amo multiplicado por todas essas vezes que você falou que me ama. – ela deu um sorriso debochado. – E não, não venha me fazer questões de matemática, por favor. – ela riu.
- Não farei. – dei um selinho, e tirei um pedaço de franja suada que estava em sua testa.
Eu queria perguntar a ela se tinha sido bom, mas isso era o ápice do clichê então resolvi ficar calado.
- Está tudo bem? – foi o que saiu da minha boca. – Você tá bem, tá doendo?
- Não. – ela respirou fundo, e passou seus dedos por meus cabelos. – Doeu, mas agora não estou sentindo nada.
- Promete? – levantei uma sobrancelha, e ela riu.
- Prometo, meu amor.
- Eu adoro quando você me chama assim. – falei, passando meus lábios pelos seus, suavemente.
- Chamarei mais vezes. Chamarei para sempre. – ela continuou sorrindo.
Era assim que eu queria.
Ela estava tão relaxada, que parecia que estava em alfa. Me senti bem. Me senti feliz por ter cumprido minha tarefa. Não foi fácil. Não foi fácil me segurar, e frear todos os meus instintos. Eu não era virgem, eu já tinha ido para cama com outra mulher, e se controlar dessa forma era muito difícil.
Mas eu a amava. Então de qualquer jeito valia a pena.
Os trovões começaram a gritar lá fora, e o tempo fechou abruptamente. Eu tinha que pegar a estrada, então nos apressamos. Juntos, nos vestimos. Ajudei Bella a colocar o vestido, e a beijei novamente, levantando seus pés do chão.
Nosso estado de estupor era tão grande, que por alguns momentos esquecemos que essa era a nossa despedida. Eu a deixaria em casa, e iria embora. Quando chegamos no carro, e colocamos tudo no banco de trás, onde estava a minha mala, é que caiu a ficha.
Bella sentou-se e colocou a mão nos joelhos; ficou olhando para elas, sem saber o que falar.
- Não é uma despedida. – Falei olhando para frente, com minhas mãos agarradas no volante. Nesse momento a chuva começava a cair lá fora, fazendo um barulho forte no capô do carro. – Eu vou estar de volta quando você menos esperar. Não se desgrude do seu celular. Eu vou dar notícias.
- Eu não quero falar adeus. – ela murmurou, pegando na ponta de seu vestido.
- Não vamos falar. – virei meu rosto pra ela, e peguei em uma de suas mãos. – Não vamos nos despedir. Nós vamos nos ver em pouco tempo. Está bem?
Com certeza seria menos doloroso.
- Uhum... – ela fez que sim com a cabeça. – Não vamos falar adeus então. – sua voz falou e por fim ficamos calados.
Dei partida no carro e saímos do celeiro. Olhei pelo retrovisor e guardei em minha memória aquele lugar, onde tive sem sombra de dúvida todos os melhores momentos da minha vida.
Quando chegamos em frente à sua casa, para minha surpresa, Charlie estava na porta, com os braços na altura do peito, e uma carranca absurda. Ele partiu em velocidade para cima do meu carro e abriu a porta do carona, arrancando Isabella de dentro.
- Saia agora! – ele gritou com ela. Sua grosseria foi tanta que Bella acabou caindo na grama, e se molhando inteira. A chuva estava bem mais forte, mas Charlie parecia não se importar. – Sua vagabunda! Estava lá dando para o garoto da cidade grande, não estava?
Minha visão escureceu. O ódio subiu e começou a surgir por todos os meus poros. Mesmo não enxergando um palmo à minha frente, desliguei o motor e saí do meu assento, batendo a porta do carro com força.
- Seu covarde de merda! – gritei. – Se quer tentar machucar alguém, estou aqui. – minha voz saiu gutural, e Bella me olhou com horror. - Deixe-a fora disso!
- Edward, vá embora daqui antes que eu transforme sua cara em um pedaço de carne podre. Agora. Eu estou mandando. – ele falou apontando para mim, mas não tirando os olhos de Bella, que chorava desesperada no chão.
- Vou acabar com você, Charlie. - me aproximei, meus passos fortes na grama molhada. - O que você pensa que é para tratá-la dessa maneira? – Charlie abriu a boca para responder mas eu logo cortei. - Você se diz um Pai. Mas um pai de verdade, jamais faria isso com a própria filha. – eu sacudi a cabeça, desesperado. - Você realmente é um lixo, mereceu ser traído por sua mulher. – minha voz começou a fazer eco e ultrapassar os barulhos dos trovões. – Idiota. – ri debochadamente. – E ainda te trocou por um dos meus. Cidade grande. Gente inteligente, de cabeça aberta.
Eu sabia que estava tocando em sua ferida e era questão de tempo para que ele partisse pra cima de mim. Mas pelo menos, ele desistiria de machucar Isabella, e isso era o mais importante.
A chuva caía pesada em cima de todos nós, e eu tinha que expulsar a água que entrava em minha boca. Charlie me olhou com ódio.
- Seu filhinho de papai escroto! – ele veio a toda para cima de mim. – Eu vou te ensinar a segurar essa sua boca e não falar merda.
- Edward! Pai! – Bella berrou. – Parem, pelo amor de Deus!
- Bella, vá pra dentro de casa! – gritei, e ela me olhou com pânico nos olhos. – Vá! – berrei novamente, e ela correu, se esquivando da chuva.
Peguei Charlie pela gola do colarinho e quando vi, estávamos rolando no chão. Recebi um soco no nariz, e ele tentou chutar o meio de minhas pernas com seu joelho mas bloqueei com minha própria perna e consegui colocá-lo de costas no chão. Assim que o tive entre minhas pernas, minhas mãos não responderam por mim. Meus punhos castigavam seu rosto sem dó, e eu não conseguia parar. Era viciante. Era prazeroso.
Eu podia matá-lo.
- Pare Edward! – Bella veio correndo novamente e se aproximou de mim, pegando em meu braço, quase levando um soco por tabela. Coisa que eu com certeza me arrependeria depois. – Edward! – ela gritou novamente.
Eu estava fora de mim.
- Bella... – falei, sentindo meu coração na garganta e minha respiração descompassada. – Pegue suas coisas. Agora. Pegue tudo. Documentos.. você vai embora comigo. – passei meu braço por meu nariz, sentindo que ia sangrar a qualquer momento. Minha pele estava molhada, minha roupa completamente ensopada e suja de lama e grama. Levantei e Charlie grunhiu, colocando a mão no rosto e não conseguindo se levantar.
Minha vontade era de cuspir ali.
E dar mais algum chute.
- Edward.. – ela falou, em pânico. – Eu..
- Agora, Isabella. – cortei falei com força em minha voz. – Você vai embora comigo. Agora.
