Capítulo 15 – O olho do furacão.
"what if this whole crusade's a charade
and behind it all there's a price to be paid
for the blood on which we dine
justified in the name of the holy and the divine
just how deep do you believe?
will you bite the hand that feeds?
will you chew until it bleeds?
can you get up off your knees?
are you brave enough to see?
do you want to change it?"
"E se toda essa cruzada é uma charada
E atrás disso tudo há um preço para se pagar
Pelo sangue que jantamos
Justificado no nome do sagrado e do divino.
Quanto você acredita?
Você irá morder a mão que alimenta?
Você irá mastigar até sangrar?
Você pode levantar dos seus joelhos?
Você é corajoso o suficiente para ver?
Você quer mudar?"
Nine inch Nails – The Hand that Feeds
Minerva se aproximou de Andrômeda cuidadosamente enquanto Marco me sentou na cama. Eu não tinha forças para ficar em pé sozinha e me perguntei o porquê. Os meus sentimentos estavam formando um bolo no pé do meu estômago: confusão, raiva, incerteza e antecipação se misturavam num turbilhão que, combinado ao meu estado, me deixava fraca até para esbravejar com alguém. Ou isso ou meu corpo estava tão necessitado de sangue que protestava contra as minhas tentativas de me mover.
Marco sentou ao meu lado e prendeu meu cabelo num coque alto. Eu encostei a cabeça no ombro dele, fechando os olhos e sentindo o toque macio dos dedos dele na minha testa.
- Você quer saber o que houve, bruxinha? – ele sussurrou para mim, usando o apelido que ele havia roubado de alguém a muito tempo.
Eu não o respondi verbalmente. Minha voz reverberou em algum lugar na cabeça dele que pertencia a nós dois.
- Você derrotou o monstro, sim. O matou. – ele respondeu a primeira pergunta que eu havia feito, também mentalmente. – Porém os fluídos daquele monstro eram venenosos para vampiros. Julio me disse que a maioria dos vampiros considera esses monstros extintos, porque os anciões deram cabo deles, mas aparentemente eles não estão. O veneno que eles têm faz o sangue que você tem no corpo não ser absorvido pelo organismo para nutrir as funções vitais e no final, você morre cheio de sangue, mas seco como uma ameixa. Isso aconteceria com você, se um dos lobos de Minerva não tivesse o antídoto.
Eu abri meus olhos e encarei o meu gêmeo. Andrei estava em algum lugar no quarto mas não se aproximou, talvez considerando que era um momento meu e de Marco.
- Ela disse que não sabia. – eu sussurrei para ele, com a intenção que ela ouvisse.
- Ela não sabia. – ele respondeu na mesma altura de voz. Percebi a atenção de Minerva voltada aos nossos sussurros. – Mas eles sim. Ela ficou furiosa.
- Eu sempre perco toda a diversão. – eu falei frouxamente.
- Você precisa se alimentar, Juno. Aquele animalzinho não foi suficiente. – ele passou uma mão no meu ombro, soando preocupado. – Você está horrível.
Eu ri roucamente.
- Pálida e gelada? É a minha pressão que baixou novamente. – eu fiz um biquinho e ele riu.
- Não se preocupe. – ele olhou para mim seriamente. – Nós vamos descobrir para onde ele foi.
Eu arregalei meus olhos, surpresa com a declaração súbita de Marco. Eu estava pensando em Apolo sem nem sentir? Estava me preocupando com ele numa intensidade tão grande ao ponto de meu gêmeo sentir e eu sequer perceber, como se fosse uma coisa inerente ao meu ser? Se fosse isso, as coisas estavam complicadas.
- Ela não consegue falar coisa com coisa. – Minerva murmurou do outro lado do quarto e nós viramos a cabeça na direção dela.
Andrei caminhou, saltando os objetos, e abaixou ao lado de Minerva, com uma mão tocando a testa de Andrômeda. Ele fechou os olhos e soltou um gemido de dor baixinho.
- O que foi? – eu tentei me livrar dos braços de Marco para me aproximar também mas meu irmão me segurou. Eu olhei para ele e ele me devolveu um olhar de aviso.
- Não se levante.
Eu não poderia levantar mesmo se eu tentasse, eu constatei e obedeci meu irmão. Andrei ainda estava com uma mão encostada em Andrômeda e Minerva olhava para ele curiosamente.
- O que está vendo? – minha voz soou ansiosa como a de uma criança.
Ele a largou e se levantou, como se ela desse choque e parecendo transtornado. Minerva o observava intensamente, com uma curiosidade quase palpável. Pude sentir minha impaciência crescendo junto com a de Marco ao ponto de se tornar insuportável.
- Os nossos inimigos levaram Apolo. – ele finalmente disse, depois de um tempo em que provavelmente estava escolhendo como começar. – Ela foi enganada e entregou Apolo para eles de mão beijada. Ela acreditava que se fizesse isso, eles dariam um jeito para os dois ficarem juntos.
Eu suspirei e deixei minha cabeça cair mais uma vez no ombro de Marco. Fechei os olhos, me sentindo todos os meus 1000 anos de idade pesarem de uma vez nas minhas costas.
- Isso é verdade? – Minerva olhou para a garota que chorava ainda mais agora.
Da onde ela tirava tanta lágrima? Ela soluçou mais uma vez e balançou a cabeça, concordando.
- Eu não sabia. – ela gemeu, numa voz molhada.
- Você não sabia que eles eram nossos inimigos ou que eles eram desgraçados aproveitadores? – eu falei num tom rígido, o tom que eu usava para repreender minhas crianças quando eu estava viva. Abri meus olhos e a vi me encarando com ódio.
- Você é a culpa de tudo. – ela sibilou, soando como uma cobra.
- Pelo que eu saiba, não fui eu quem trocou a segurança de alguém por uma incerteza de um amor não-correspondido. – eu dei uma pausa, a olhando intensamente. Dei um sorriso maldoso. - Ah, eu esqueci do detalhe. Não fui eu que trocou a pessoa que teoricamente ama pela garantia incerta de que poderá ficar com ela.
Ela se levantou num salto, se recuperando estranhamente rápido do choro.
- Se você não tivesse aparecido, eu nunca precisaria fazer isso! – ela falou histericamente enquanto cobria a sala em três passos grandes. – Se você não tivesse insistido, ele chamaria por mim, por mim! O tempo todo, eu não sairia da cabeça dele! Mas, o quê? Ele prefere você! Você que nem pode ter um filho, você que é como uma terra infértil! Nada pode crescer de você, você que nunca muda! Você devia ter vergonha disso!
A única coisa que impedia ela de me chacoalhar eram as mãos de Minerva que a seguravam longe de mim. Eu a encarei, tentando juntar alguma força para me levantar.
- Nada do que você falou no que se refere a mim é mentira. Eu sou, sim, como uma terra infértil. Eu sou imutável como a lua ou o sol. Mas não tenho vergonha de ser o que eu sou.– meu tom era diferente de qualquer outro que eu já havia usado na frente dos lobisomens. Era a imortal falando, sem nenhuma máscara de cortesia ou sem medir a dureza das palavras. – Mas eu não tenho meu caráter distorcido com o seu. Eu não iria tão longe ao ponto de me aliar com inimigos para conseguir o que eu quero, não chegaria tão longe ao ponto de fazer um teste que arrisque a vida de alguém para provar algo idiota, – meus olhos se dirigiram a Minerva – não chegaria ao ponto de impedir alguém de ser feliz por qualquer motivo, e, principalmente, nunca, nunca, nunca atacaria mesmo verbalmente alguém que não tem condições de me responder.
O silêncio caiu na sala como se fosse um véu.
- Se Apolo me quer, você não pode fazer nada para impedir. Nenhum de vocês pode, porque eu também o quero. A partir do momento em que ele não me quiser mais, ele é todo seu, Andrômeda. Mas até que esse dia chegue, se eu ouvir da sua boca que a culpa é toda minha, eu não me responsabilizo pela sua integridade física ou mental. – eu a encarei e lambi os lábios, sentindo minha garganta secar. –Se o destino uniu duas pessoas, a única coisa que as pode separar é o próprio destino. Se o destino de duas pessoas é ficar juntas, não existem culpados. E, mesmo que se separem, as pessoas voltam a se encontrar se estão destinadas uma a outra. Então, por favor, não ouse dizer que a culpa de tudo isso é minha. Não existem culpados por coisas que não são premeditadas.
- Nós fazemos nosso próprio destino. – ela falou por debaixo dos dentes, os punhos fechados.
Eu suspirei e apoiei uma mão na minha testa, ficando impaciente. Eu não queria ter que discutir questões metafísicas com um filhote de lobisomem de pouco mais de 15 anos. Eu não merecia aquilo.
- Não, você só escolhe qual caminho quer trilhar. Você tem milhares de possibilidades para o futuro agora, Andrômeda. O que as diminui são as escolhas que você faz e quem você é hoje é fruto de tudo o que você fez. É assim que as coisas funcionam. E eu acho que as melhores possibilidades de existência de um futuro para você serão as que envolvem a escolha de você se calar e nos ajudar a achar Apolo.
Eu observei enquanto ela tremia da cabeça aos pés, apertando as unhas contra as palmas das mãos, furiosa. Minerva apertou o ombro dela.
- Já chega. – ela falou para Andrômeda em um tom cansado. – Você já foi longe demais para um dia só. Nereu, leve-a lá para baixo.
- Eu não sou uma criança para ser escoltada! Eu posso ir sozinha se você pedir! - ela se soltou da mão dela, correndo para a porta e voltando a chorar.
Nereu seguiu atrás dela, com uma expressão entediada no rosto. Ficamos então eu, Marco, Andrei e Minerva. Minerva olhava para mim enquanto eu olhava para Andrei, que parecia perturbado num canto da sala, mexendo em uma cortina, e Marco olhava para Minerva, atento ao que ela iria fazer agora. Eu sabia que Andrei não havia contado algo e por isso estava agindo daquela forma autista.
- Juno, eu não sei por onde começar... – Minerva suspirou, passando uma mão pelos cabelos loiros. Eu me virei para ela e dei um sorriso.
- Apolo faz a mesma coisa quando está nervoso.
- Hã?
- Eu não estou possessa. Talvez porque eu não tenho energia para isso, mas surpreendentemente não estou furiosa. Certo, eu posso estar com um pouco de raiva, mas isso é compreensível. Pedir desculpas seria um bom começo. E, sabendo que eu não vou pular em você e rasgar a sua garganta, explique exatamente o que vamos fazer agora, porque eu estou um pouco fraca para pensar.
Ela olhou para mim e os lábios dela se tornaram um sorriso amargo.
- Eu também não sei o que fazer. – e ela pareceu um pouco desolada, como uma criança e deu um suspiro um pouco triste.
Eu me soltei de Marco e fiz um sinal para ela. Ela pareceu um pouco surpresa, mas fez o que eu havia pedido: sentou-se no chão ao meu pé, deitando a cabeça no meu colo. Eu a apoiei e a abracei, fazendo carinho na cabeça dela como se ela fosse uma criança. Eu descobri que eu tinha um sentimento estranhamente maternal por ela e que não seria capaz de acreditar que ela tinha feito tudo aquilo de propósito nem se eu tivesse visto ela planejando. Ela soltou um suspiro quase canino e a senti relaxar sob o meu toque.
- Eu não acredito que isso está acontecendo. – ela falou num quase gemido. – Eu vou ter que descer lá embaixo e dizer que Apolo sumiu. Vou ter que forçar aquela menina a contar para onde o levaram, vou ter que puni-la pelo que ela fez e depois tentar recuperar o meu erro. E tudo isso por causa de uma coisa que eu não queria desde o começo. Eu fui culpada por ter quase te matado e se esse quase não existisse, eu teria começado uma guerra só porque metade da minha matilha não podia admitir que eu simplesmente desse minha benção ao seu relacionamento. Eu fui manipulada e enganada pelas pessoas que deveriam me obedecer.
Deixei minhas mãos brincarem nos cabelos loiros dela. Eu e Marco trocamos um olhar cúmplice de pena por ela.
- Me desculpe por ter gritado com você. – ele falou baixo.
- Não tem problema. Vocês só estavam nervosos. – ela virou e o encarou com os olhos verdes. A mão dele se juntou a minha, acariciando-a levemente.- Eu tenho cara de cachorro?
Nós rimos.
- Minerva, você não pode fugir da sua obrigação. Eu também não acredito que isso aconteceu, mas não é ficando parados que vamos resolver tudo.
Ela concordou com a cabeça, suspirando mais uma vez e se arrumando.
- Nós temos que planejar o que vamos fazer agora, não é mesmo?
- Eu acho que Juno precisa ir se alimentar. Ela está tão fraca que mal consegue sentir raiva. – Andrei se aproximou com as mãos no bolso.
- E isso é ruim? – Marco falou e eu dei uma cotovelada nele. Minerva riu.
- Sim, você precisa ir caçar. E eu preciso conversar com Julio e esclarecer as coisas. Quando você voltar, nós vamos trazer Apolo de volta, certo?
- Tudo bem, Minerva.
- Então vamos.
Marco me colocou no colo mais uma vez, como se eu não pesasse nada e descemos, encontrando um grupo esquisito lá embaixo. Alguns lobisomens estavam transformados e dentre eles reconheci o lobo negro que era Lucio. Eles formavam um semi-círculo em volta do trio formado por Julio, Anette e Diana e todos eles estavam de frente a um grupo onde a matilha de Órion estava quase toda presente, menos ele próprio. Nereu estava de frente para a torre com Ares, que parecia não estar abalado nem um pouco com a situação.
- Órion foi conversar com Andrômeda?
- Sim. – Julio se virou para nós. – Nereu nos contou o que aconteceu.
- Então vai me poupar saliva. Lobos, nós vamos ter uma conferência. – ela não lembrava nem um pouco a mulher que tinha lamentado no meu colo alguns instantes antes. - Julio, nós precisamos conversar.
- Sim. Nós precisamos conversar. – ele concordou com ela, a olhando seriamente.
- Mas eu preciso puxar algumas orelhas primeiro.
- Sem problemas. Marco irá levar Juno para caçar e enquanto eles procuram alguma coisa para comer nós temos tempo. Só não podemos demorar muito para decidir algo sobre Apolo.
Ela sorriu para ele e eu achei engraçado como os dois pareciam dois vizinhos resolvendo uma briga entre os filhos.
- Não seja mau com ela, Julio. Ela não merece. – eu sussurrei e ele olhou para mim.
- Eu não serei. – ele se aproximou de mim e beijou minha testa paternalmente. – Marco, leve-a para caçar e nos encontre na casa onde deixamos o carro.
Meu irmão não se deu ao trabalho de responder. Como eu não tinha forças nem para perseguir uma presa, ele teve que me alimentar como um bebê até que eu conseguisse pelo menos ficar de pé. Daí em diante, eu pude fazer o trabalho sujo sem precisar de ajuda.
Poucas horas depois estávamos de volta. Eu tinha chegado a achar que nunca iria me fortalecer antes de causar uma extinção coletiva, mas eventualmente consegui sangue o suficiente para caminhar. Eu não estava na minha força plena, mas era o melhor que eu conseguiria imediatamente.
Era estranho que em tão poucas horas eu estivesse voltando para aquela casa de forma tão diferente da que eu tinha saído. A situação em que eu me encontrava era completamente diferente da que esperava estar. Eu realmente havia tido sucesso no objetivo inicial, que era obter a permissão "oficial" para ficar com Apolo. Apesar disso, eu estava completamente apreensiva sobre o que iria acontecer agora. Apolo não estava comigo e eu não fazia idéia de onde ele poderia estar e era isso que me deixava preocupada.
Marco e eu nos aproximamos da casa silenciosamente. Pude sentir o cheiro de todos os lobisomens e o cheiro da minha família, além de dois cheiros ligeiramente diferentes. Quando entramos na casa, a sala estava lotada, com pessoas em pé e pessoas sentadas nos sofás. Algumas pessoas estavam na cozinha e os pequenos cômodos reverberavam com as vozes sussurradas dos presentes.
Não tive tempo de identificar as pessoas nem analisar a situação que a casa se encontrava. No momento em que pisei na porta, braços me agarraram e, antes que eu percebesse, uma boca se pressionava contra a minha testa. Os braços me puxaram mais para perto.
- Alexei. – eu falei um pouco incerta.
Ele me abraçou com mais força contra o corpo dele e eu o abracei de volta, como uma mãe tentando acalmar uma criança.
- Alexei. – eu repeti, com um tom um pouco calmante. – Eu estou bem.
Ele sorveu uma quantidade desnecessária de ar e depois o soltou num suspiro, olhando para mim e levando as duas mãos ao meu rosto. Os lábios dele estavam curvados num sorriso satisfeito e ele os encostou nos meus, num cumprimento que eu preferi considerar fraternal.
- Eu vim correndo assim que Julio me ligou.
Eu olhei para Julio que estava do outro lado da sala e ele fingiu não estar ouvindo.
- Obrigada pela preocupação. – eu sorri para ele e ele sorriu de volta para mim como um garoto que acabara de ganhar um presente de natal.
Como eu odiava fazer aquilo com ele.
- Você ainda está um pouco fraca. – ele constatou, me apoiando nele.
- É só que o sangue de animais não recupera tanto quanto sangue humano. – Marco me segurou pelo outro lado, com um tom um pouco defensivo, como se Alexei o estivesse acusando.
- É exatamente por isso que eu trouxe umas coisas para você. – ele ignorou Marco e falou olhando para mim.
- O que você trouxe para mim? – eu dei um olhar de aviso para Marco que lambeu os lábios e controlou a reclamação que ia fazer sobre ser ignorado.
Alexei mostrava desagrado pelo meu irmão todas as vezes que nos víamos e por isso evitávamos deixar os dois juntos. Marco também não ia com a cara dele e a única coisa que eu entendia do relacionamento dos dois era que a causa da inimizade era eu. E eu definitivamente não gostava dessa idéia.
- Venha. – ele estendeu o braço e eu o segurei, não deixando de perceber que a atenção de todos estava voltada para mim.
Alexei me conduziu para o quarto onde eu e Apolo havíamos gastado praticamente todo o nosso tempo ali. Uma mulher estava sentada na beirada da cama e uma caixa de isopor estava aos pés dela. Ela se ajeitou quando nós entramos e deu um sorriso maldoso quando me viu.
- É incrível como você só consegue estragar as festas dos outros, Juno. – ela cruzou as pernas compridas e deu um sorriso meio felino.
- É um prazer revê-la também, Mabel. – eu fiz uma pequena reverência para ela, a encarando nos seus olhos cor de anil.
Ela deu uma gargalhada e Alexei a olhou de forma repreendedora. Ela balançou os cachos negros que formavam seus cabelos e abriu o isopor.
- Eu vim trazer algumas coisas para você. Não pense que foi por gentileza, porque não foi.
- Eu não esperaria uma ação tão gentil de você de qualquer forma, Mabel.
- Será que vocês duas não poderiam ser civilizadas uma com a outra? – O tom de Alexei era irritado e ele largou o meu braço, se aproximando de Mabel.
- É impossível, querido. – o tom dela era um pouco maldoso, como se estivesse explicando uma coisa óbvia para uma criança burra. – Eu já estou me controlando para não arrancar o cabelo dessa piranha em respeito a você, não sou obrigada a fazer mais do que isso.
- Eu juro que não mereço isso. Alexei, a surpresa que você quis fazer era ela? Porque se fosse eu juro, eu juro, juro mesmo que assim que esses lobisomens saírem da minha frente eu vou te dar uma surra como você nunca levou na vida por aprontar uma dessas.
Ele gargalhou.
- Venha cá e pare de reclamar como uma velha rabugenta. A surpresa não é ela. Ela veio porque quis.
Isso me surpreendeu. Mabel, a segunda cabeça da Orde e braço direito de Alexei, nunca havia gostado de mim. E eu não gosto dela. É uma longa história envolvendo a era Vitoriana, um Alexei maluco por mim e uma Mabel maluca por Alexei. Quase uma tragédia. Ela não conseguia admitir que eu não amasse o homem que ela amava e tampouco admitia que ele continuasse gostando de mim apesar disso. Alexei, é claro, sabia de tudo mas não estava nem aí.
Meu olhar foi interrogatório para a morena e ela deu de ombros.
- Eu só queria ver ele dando uma bronca nos lobisomens. Reconheço que valeu a pena toda a viagem. – ela resmungou.
Eu só balancei minha cabeça.
- Você vai vir ver o que eu trouxe? – Alexei estava ficando impaciente.
Dei os três passos que nos separavam e pude finalmente descobrir o que tinha naquele isopor. Pelo menos dez bolsas de sangue estavam estocadas em gelo, prontas para serem bebidas.
- Isso é... sangue humano? – eu falei, um pouco horrorizada.
- Não, é sangue de tubarão. – Mabel falou, entediada. – Claro que é sangue humano.
Eu senti a sede misturada com o horror que eu sempre sentia quando pensava em ter que beber sangue humano.
- Eu...
- Não se preocupe, Juno. Ninguém morreu. É sangue de doadores, feito para isso. É claro que originalmente era para ser utilizado em cirurgias, mas pegamos de um banco de sangue com um estoque sobressalente.
Ele colocou um dos sacos na minha mão e Mabel me entregou um canudinho.
- Você está me zoando? – eu olhei para ela e ela gargalhou.
- Não, ela não está. Venha cá. – Alexei me sentou na cama e furou o saco como se fosse um suco. – Você vai beber todos até ficar bem. Eu sei que a próxima coisa que vai querer fazer é pegar aquele menino lobo a força dos Romanov, então precisa estar forte.
- Eu devo dizer que acho isso ridículo.
- Antes isso do que você ficar fraca ao ponto de não conseguir ficar acordada. – ele olhou para mim com uma cara de que iria me obrigar a beber mesmo se eu me recusasse e decidi não desafia-lo.
Bebi saco por saco como se fossem mamadeiras. O gosto era doce e amargo ao mesmo tempo, divino e demoníaco, completamente irresistível. O meu corpo não estava acostumado ao poder que o sangue humano dava e se aproveitou da boa refeição como se fosse o corpo de uma pessoa desnutrida recebendo alimento pela primeira vez em meses. O sangue correu pelo meu corpo, me dando força e me revitalizando de uma maneira inacreditável.
- Pronto... isso... – Alexei acompanhou o último saco com um entusiasmo de dar nojo.
- E chegou. O bebê terminou a papinha. – eu levantei uma sobrancelha para ele, num tom sarcástico, jogando o saco vazio de volta no isopor.
- Você está de volta.
- Positivo e operante.
Ele me encarou durante alguns segundos como se eu fosse uma alienígena.
- O que foi? Um chifre brotou na minha testa?
- É só que... – ele piscou os olhos. – eu não sabia que eles eram verdes.
- O quê?
- Seus olhos.
- Ah... Ah... É mesmo. Eu tinha esquecido que eles voltam a ter a cor original quando você bebe sangue humano.
- Eu acho que só vou te alimentar com sangue humano agora. Eles são... como esmeraldas. Esmeraldas e rubis.
- Ah, para de porcaria, Alexei. – eu me levantei num salto. – Eu tenho um menino-lobo para achar e uns lobisomens para chutar os traseiros.
Eu caminhei para a porta e ele me seguiu. Mabel acenou despreocupadamente, se deitando na cama, preparada para ouvir toda a conversa que ia acontecer.
- E obrigada. – eu sorri para ele. – Mais uma vez você salva a pátria.
- Eu acho que vou ter que começar a cobrar. – ele deu de ombros e eu ri.
Nós encontramos a sala diferente de como havíamos deixado. Haviam pouquíssimas pessoas ali comparando com antes. Num sofá sentavam Julio, Diana e Anette e no outro Minerva, Órion e Lucio. Andrei estava sentado numa das poltronas e Marco estava em pé, atrás do sofá, numa pose robusta.
Todos os olhos viraram para mim no momento em que eu pisei e me senti uma aberração.
- O que foi? – eu soei irritada. – Tem alguma coisa errada?
- Não. – Julio respondeu e desviou o olhar. – Pare de encarar Juno, Diana.
- É só que...
A mão dele encontrou a dela num gesto simples e ela se calou, encostando a cabeça no ombro dele.
- Então. – eu preferi ignorar os olhares e me sentei na poltrona ao lado de Andrei. – O que aconteceu enquanto estive fora?
- Órion conversou com Andrômeda. – Minerva começou. – E descobrimos que eles haviam entrado em contato com ela faz algum tempo e ela havia recusado ter qualquer tipo de envolvimento com eles. Até que se irritou com a situação e pediu ajuda para eles.
- Ela contou que eles prometeram para ela que fariam Apolo amá-la se ela indicasse onde poderiam nos pegar desprevenidos. Ela teria que nos entregar para que isso acontecesse. – Órion continuou, com um tom amargo na voz e um sorriso descrente. – E ela aceitou. Só que na última hora eles acharam melhor levar Apolo como refém e ainda assim ela concordou. Disse que só foi contra a idéia toda quando começaram a machucá-lo.
- Eles o quê? – meu tom subiu uns dois décimos. – Eles machucaram Apolo?
Órion concordou com a cabeça.
- Eles só podem, obviamente, ter perdido a noção do perigo. –Andrei comentou vagamente, encostando a mão na minha. – E você a noção da sua força. Quer nos deixar surdos?
Eu o encarei, levantando uma sobrancelha.
- Eu não falei tão alto.
- Se controle. – e ele apertou a minha mão.
- Mas...
- Juno, você se alimentou com sangue humano. Sua força não é a que está acostumada. Se controle. – o olhar dele era de precaução e percebi que os outros fingiam não estar me encarando diretamente.
Eu afundei mais na cadeira, encostando um joelho no outro numa postura muito parecida com a de uma criança.
- Prossiga, Órion. – eu fiz um gesto descuidado, como se não me importasse.
- Andrômeda disse que eles o levariam para o quartel general. Provavelmente contaram isso para ela porque queriam que fossemos atrás dele.
- O que vamos fazer, é claro. – Marco adicionou. – Eu odeio decepcionar os caras maus.
- Sim, mas não da forma que eles esperam. Eles querem que nós entremos de uma vez, todos nós, e estarão preparados para isso. – Julio se levantou, tomando a atenção com a sua presença que geralmente era arrebatadora. – Juno, as nossas melhores chances são se seguirmos o plano inicial. Felizmente Andrômeda não nos dedurou quanto a esse aspecto, então eles não esperam um ataque de dentro para fora.
- Ela não dedurou porque ela nunca soube. Nem vai saber até que aconteça. – Órion suspirou. – Eu não contei porque ela teria uma crise se soubesse.
- Por quê eu sou o centro e ela não?
Órion só concordou com a cabeça.
- Ela faz disso uma competição quando não é. De qualquer forma, eu estou ganhando. – eu dei de ombros. – Vocês acham que se eu aparecer lá hoje a noite eles vão suspeitar de algo?
- Provavelmente. – Minerva falou, me encarando. – É meio óbvio que se algum de nós for pego é porque temos algum plano de invadir. Ou então vão ficar de olho em nós de qualquer forma.
- Não. – Julio a encarou. – Não. Não vai ter problema, Juno. Eu vejo claramente eles te capturando sem suspeitar de nada. Faz um pouco de sentido se eles souberem o que aconteceu entre vocês dois que você vá procurá-lo sozinho e provavelmente estão contando com isso também.
- Mas...
- Faz sentido. – Alexei interrompeu Minerva. – Imagine, você seqüestra um e de brinde ganha outro. Um de cada família, para forçar que todos te ataquem. Você está preparado para todos eles virem de uma vez, em uma fortaleza, com recursos para agüentar horas de ataque. Você vai suspeitar que é uma menina que você prende que vai trazer a destruição? Olhe para Juno. Ela não parece inofensiva?
Eu pisquei meus olhos, tentando parecer inofensiva como uma bonequinha. Minerva olhou para mim e fez um sinal afirmativo com a cabeça..
- Nós sabemos que ela não é inofensiva. – Lucio falou. – E se ela não se controlar eles também saberão.
- Sou praticamente inofensiva, Lucio. Lembre-se de que eu ainda sou uma vampira para eles, então não sou completamente inofensiva.
- Eu estou dizendo que você não está nem um pouco preocupada em controlar a sua força. É irracional para o sistema de auto-preservação de um lobisomem ficar tão próximo assim de uma coisa tão poderosa como você.
- Estamos fazendo um esforço um pouco além do comum para estarmos sentados aqui. – Órion acrescentou.
Eu abri a boca para falar que não tinha nada de diferente em mim quando lembrei dos litros e litros de sangue humano que eu havia acabado de tomar. Eu abaixei a cabeça e olhei para as minhas mãos que brilhavam de uma forma mais vívida do que o comum. Virei a mão e examinei minhas unhas com um curiosidade extrema. Normalmente elas pareciam ser feitas de porcelana, moldadas perfeitamente contra os meus dedos, mas agora elas estavam com um leve brilho arroxeado, cintilando como se fossem feitas do vidro mais belo que o homem poderia fazer. Eu as movi suavemente.
- Isso é verdade? – eu falei baixo.
- Foi exatamente por isso que eu te forcei a tomar. Para você ficar mais forte. Você nunca explorou dessa forma o seu poder e achei que talvez essa fosse a oportunidade mais adequada. – eu levantei os meus olhos e encarei Alexei, que estava encostado no sofá do outro lado da sala.
- Então o meu controle normal não funciona? – corri os olhos pelas pessoas da sala.
- Se você não o estivesse usando estaríamos sendo invadidos pelas imagens que estão passando na sua mente agora, Juno. Seria pior. Mas você precisa segurar ainda mais para não dar sinal de sua força. – Julio explicou calmamente. – Faça como o normal, mas prendendo ainda mais o seu poder dentro de você.
- Eu vou soltar para ver o que acontece e depois controlar, certo? – eu falei, num tom de aviso.
- Vá em frente. – Minerva olhou para mim, parecendo ansiosa para ver o que aconteceria.
Eu fechei os olhos e soltei todo o poder que estava prendendo em mim. As mentes de cada um ali se tornaram claras para mim, cada uma assumindo a sua forma peculiar. Não deixei isso acontecer por muito tempo e logo o puxei tudo para formar uma pequena bola dentro da minha mente, prendendo o poder em barreiras psíquicas.
Quando abri os olhos, todos olhavam para mim.
- Melhorou? – eu perguntei timidamente.
- Sim. Acho que está na hora de ir. – Alexei estendeu a mão. Eu a segurei e me levantei.
- Eu aviso Marco quando tiverem que ir?
- Sim, avise Marco quando precisar de nós. Boa sorte, Juno.
- Traga Apolo de volta. – Minerva se levantou e me abraçou, dando um beijo na minha testa. – Traga aquele menino de volta e você terá a minha gratidão eterna.
- E isso é bom? – eu falei num tom zombeteiro e ela riu. – Eu o trarei. Fiquem prontos para invadir de uma vez quando eu der o sinal.
Eles concordaram e eu parti. Apesar da aparente calma, a ansiedade estava me matando. O que eles estariam fazendo com Apolo? Algum tipo de lavagem cerebral? Castigos corporais? Sexo selvagem? Eu precisava encontrá-lo logo e me certificar que não o estavam explorando em nenhum sentido, além de salva-lo, é claro.
Às vezes é engraçado como a vida brinca com a gente. Quando eu era viva precisei ser salva inúmeras vezes de situações parecidas. Em todas, eu escapava por um triz, inclusive na situação que culminou em minha transformação. Mas agora, mil anos depois, eu estava no papel reverso. Eu era a salvadora e tinha que correr para impedir que algo ruim acontecesse à Apolo. Eu podia compreender agora o porquê todo mundo sempre parecia tão irritado
quando me salvavam. Todo o processo era tão aborrecedor.
Eles se aproximaram de mim suavemente enquanto eu corria na direção do QG. Fingi não os perceber, mas reparei que eles fechavam um círculo ao meu redor para me pegar de jeito quando estivéssemos próximos suficientes da sede. Eu tinha que manter as aparências e parecer uma novata inexperiente.
O primeiro deles apareceu na minha frente quando eu já podia ver o muro da fortaleza deles. Era um homem alto, com um cabelo branco cheio e que parecia levemente com a foto mais famosa de Albert Einstein. Ele tinha um sorriso maldoso.
- Para onde está indo, mocinha?
Eu parei e o olhei com a minha melhor cara de assustada.
- Da onde você veio? Quem é você? – eu soei um pouco inocente e amedrontada.
- Você vem para cá sem saber quem somos? – ele deu alguns passos na minha direção e mais quatro se juntaram a ele. Apesar disso, eu sentia presença de pelo menos 20 lobisomens ali.
Para quê eles precisavam disso tudo para neutralizar uma vampira "nova"? Eu senti um pouco de medo que eles soubessem da verdade. Eu podia ser forte como fosse e ainda assim não daria conta de 20 lobisomens de uma vez.
- Eu vim buscar Apolo.- eu falei com uma voz decidida, mas ainda tentando parecer uma garota inexperiente decidida.
- Ah, então você é a namoradinha dele? – ele riu. – Vai gostar de ver o que fizemos com ele então... Agora, como ele consegue atrair meninas tão bonitas? Você, aquela morena...
Ele se aproximou com passos lentos de mim e eu fiquei parada, olhando para ele de forma desafiadora.
- Liberte-o.
- Você acha que a vida é tão fácil assim? – ele deu um sorriso malicioso e tentou tocar o meu queixo. Eu dei um passo para trás para evitar o toque. – Não tem como você fugir. Você é meio burrinha de vir sozinha para buscá-los. Eles sabem que você está aqui?
- Eu disse para entregar Apolo. Rápido. Antes que percebam que eu sumi. – eu falei propositalmente e pareci arrependida depois.
- Então ninguém sabe que você veio? Ótimo. – ele fez um sinal para os outros. – Eu prometo que te levo até ele, viu, vampirinha?
- Eu não quero ir com vocês, eu quero que vocês o libertem! – eu insisti com um tom petulante, sentindo que eu estava prestes a ir exatamente para onde eu queria: dentro da fortaleza.
- Você está se exaltando... nós não vamos te machucar a menos que você mereça. – ele avançou na minha direção e tentou me segurar pelo braço.
Uma observação: eu era uma vampira. Por mais nova que eles achassem que eu era, imaginaram mesmo que eu iria aceitar ir com eles sem lutar? E a super velocidade não significava nada para esse idiota?
Eu me afastei dele rapidamente, indo parar atrás dele com uma mão segurando-o pelo pescoço.
- Não encoste em mim. – eu sibilei, soando como uma cobra. – Não ouse se aproximar! Faça o que eu mando.
- É uma garota raivosa, percebo... violenta como o seu namorado. Vocês dois devem combinar bem... eu geralmente gosto de meninas assim. – o vi se mexer e fazer um sinal para que não avançassem contra mim. Então ele se virou numa velocidade incrível e segurou meus pulsos.
Eu tentei parecer chocada, como se não tivesse visto a movimentação dele.
- Me larga! – eu berrei, tentando me soltar com certa força, mas sem usar a minha força máxima.
- Você pode escolher ir conosco e ver o seu amado ou ser levada a força e ficar longe dele. Decida com sabedoria.
- Isso foi uma tentativa de me dar opções?
- Não reclame ou eu te arrasto pelos cabelos até a fortaleza!
- Ai, que sutileza! Arrasta se você é homem! – eu berrei para ele, tentando me soltar. Ele estava segurando forte para caramba, essa é a verdade. – Eu não vou com você!
Ele me puxou de uma vez contra ele e segurou meu cabelo com uma mão cheia. Eu o encarei nos olhos e ele puxou os fios ruivos com força. Eu berrei.
- CACETE! – e dei um chute no joelho dele com toda a força. Ele havia apelado, eu também iria apelar.
- SUA CADELA! – ele largou o meu cabelo imediatamente e soltou um berro quando a dor o atingiu com força. Eu havia acidentalmente deslocado a perna dele. – Peguem ela!
Eu então saí correndo na direção da fortaleza, para tentar manter o que restava do meu disfarce de vampira nova e inexperiente e senti todos os lobisomens se aproximando de mim. Em algum lugar atrás, o que parecia ser o líder deles esbravejava e me amaldiçoava. Ninguém havia mandado ele tentar arrancar minha cabeça fora pelos cabelos, havia? Eu continuei correndo enquanto o círculo de lobisomens não-transformados se fechava ao meu redor.
- Me devolvam ele e ninguém precisa se machucar! – eu havia chegado ao fim da linha, com a escolha de pular diretamente na fortaleza ou ser capturada. Ser capturada parecia a melhor opção.
- Quem você pensa que é? – um dos lobisomens que me cercavam deu um passo a frente.
- Essa é a última vez! Me devolvam ele!
Ele gargalhou e se aproximou de mim, com todos os outros lobisomens o seguindo sincronizadamente e formando dois anéis, me prendendo contra a parede.
- Você acha que depois de ter quebrado a perna do nosso Alfa ainda tem direito de exigir qualquer coisa? Você é engraçada, sanguessuga.
Eu tentei parecer mais assustada do que o que eu estava. Se todos aqueles lobisomens decidissem se transformar e me atacar, nem um milagre me faria escapar. Decidi para de irritá-los e fingi uma fraqueza momentânea.
- Por favor... – eu gemi, um pouco suplicante. Fiz o possível para parecer uma pessoa prestes a chorar. – Eu só queria... eu...
- Quieta. Se você está disposta a vir conosco sem mais luta, nós iremos leva-la.
- Para Apolo?
- Sim, para Apolo.
Eu então estendi minhas mãos para o homem que me encarava.
- Me leve então. É melhor do que nada.
O homem sorriu e seu rosto ficou desfigurado. Tinha uma cicatriz de fora a fora no rosto.
- Amarrem-na.
E eu deixei que três deles me amarrassem, me vendassem e me arrastassem para a fortaleza como se eu fosse uma vaca indo para o abate. Eu precisaria de sorte dali em diante, porque estava entregue a vontade dos meus inimigos.
E algo me dizia que o plano não daria tão certo assim.
NA: Acho que a formatação não vai ficar direito, porque eu SEMPRE TENHO PROBLEMAS no . Então, eu estava revendo meu profile e vi que tenho dois capítulos de Sinfonia escritos aqui que não foram publicados. Vou publicá-los uma vez por mês - todo dia dez. Enquanto isso, vou ver se consigo continuar a história e a terminar. Eu sei que fazem literalmente ANOS desde que essa fanfic começou, então me perdoem. Vou tentar terminar as mais recentes e inacabadas, porque as de Harry Potter, infelizmente, nunca irão ser terminadas.
Eu ia começar uma fanfic nova de Capitão América, mas vi que era um contra-senso fazer isso enquanto tivesse duas fanfics na reta final e inacabadas. :)
