CAPÍTULO 19 – AS BATALHAS PERDIDAS DE SHOKO

Kyoko passou o restante do dia correndo contra o tempo, afinal, boa parte da manhã foi usada resolvendo mais assuntos pessoais que profissionais. Após finalmente se recuperar da conversa com Fang, ela trabalhou nas legendas em japonês das próximas produções a serem disponibilizadas ao público, já que tudo era gravado em inglês e legendado nos idiomas que cada membro dominava.

Já era noite quando Kyoko decidiu encarar a pilha de propostas externas dirigidas a ela, pois não poderia mais adiar as respostas. Por mais que Shinobu tivesse rejeitado o que era irremediavelmente incompatível com a agenda dos Stray, a quantidade de convites remanescentes excedia até mesmo as previsões do excêntrico líder, sempre tão certeiro em seus planejamentos.

Constatando pelo relógio que já passavam das 20 horas, ela aceitou resignada que agora era um momento tão bom quanto qualquer outro para enfrentar a monstruosa pilha. Talvez, se Dimi estivesse disponível, ela poderia ter a ajuda dele para levar tudo ao apartamento dela em uma única viagem, e assim esparramar-se no chão de casa com todos os folders que aguardavam sua atenção, acreditando ser esta a melhor forma de lidar com tanta informação. Ela não contava, no entanto, com a ligação do próprio Dimitri, informando-a sobre uma visita inesperada.

Inicialmente se empolgando com o pensamento de ser Ren, Kyoko logo desanimou quando ouviu quem a procurava.

Por mais que ela não quisesse saber o que o estúpido Shotaro havia feito desta vez, não era do feitio dela se recusar a atender uma pessoa que a procurava àquela hora, portanto, pediu a Dimitri que acompanhasse Shoko até a sala de reunião mais próxima, para onde ela já estava se dirigindo. Sendo no mesmo andar que a secretaria, Kyoko não desviaria tanto assim de seu plano inicial e poderia até já começar o trabalho.

Assim que Shoko avistou a jovem rodeada pelo que pareciam roteiros, perguntou-se onde estava a adolescente que vira dois anos antes. Kyoko se debruçava sobre papéis, muito concentrada em suas anotações e ocupada demais até para arrumar os fios de cabelo que se soltavam do alfinete que segurava o penteado informal, exalando autoconfiança e profissionalismo. Para Shoko, era a primeira vez que a beleza ao vivo da atriz finalmente se igualava à das fotos e filmagens.

Também era a primeira vez que ela se sentiu incomodar por pensamentos frívolos, como o fato de que Kyoko estava na flor da juventude enquanto ela investia pesadamente em cremes anti-idade.

O que Shoko não estava preparada para admitir, nem a si mesma, eram as feridas mal cicatrizadas que ela tinha por ter precisado recorrer à alternativa de ser uma agente para não desistir completamente do show business. Após passar anos a fio ouvindo elogios a sua beleza, que só aumentaram conforme ela se desenvolvia como mulher e a precocidade de seu corpo se fazia notar, para preocupação de sua família, mais ela solidificava a ideia de ser famosa, como uma modelo ou atriz, mas seus pais foram terminantemente contrários à escolha da filha.

Assim, Shoko frequentou a universidade para satisfazer a vontade da família, mas participava de audições às escondidas. Após acumular incontáveis fracassos, contudo, resignou-se – ou assim quis acreditar – a ser somente uma agente, convencendo-se de que seu verdadeiro potencial estava em auxiliar artistas. Tudo para se manter o mais perto do estrelato que seu (escasso) talento permitia.

Se ela soubesse a opinião de alguns profissionais do ramo, como Kyoko, Yashiro e Ren, a respeito de quão boa agente ela realmente era, saberia que estava novamente fracassando.

Mas Shoko não tinha tal feedback, então, ainda que ela quisesse se tornar uma profissional melhor, precisaria de alguém para lhe dizer o que fazia de errado. Sozinha, não percebia que, da mesma forma que ela se convenceu de que tinha talento artístico apenas por ouvir elogios à sua beleza física, convenceu-se de que ela era boa agente apenas por ser rapidamente escolhida por novos talentos, sem notar que novamente se apoiava apenas na beleza. Com Sho não foi diferente: assim que o cantor a avistou, disse ao presidente da Akatoki que a queria a seu lado, ao que foi prontamente atendido, já que o homem estava acostumado a ouvir tal pedido de todos os jovens que ingressavam em sua agência, apenas para ve-los como uma decepção alguns meses depois e cancelar seus contratos.

Se pela flagrante imaturidade dos artistas que escolhiam uma agente apenas pela aparência ou se pela incompetência de Shoko, era o que o presidente da Akatoki estava ávido para descobrir, e a intuição da mulher a alertava para o fato de que o emprego dela estava em grande risco caso a carreira de Sho tivesse o mesmo destino de todos os outros artistas que fracassaram nas mãos dela.

Voltando ao momento presente, ela era assolada por pensamentos desagradáveis que a faziam ver a si mesma como um produto perecível prestes a expirar. Pela primeira vez, Shoko se sentia incomodada por Kyoko. "É quase como se eu me sentisse inferior!", ela pensaria mais tarde ao refletir sobre os acontecimentos daquela noite.

A verdade é que se tornava tolerável abrir mão do estrelato quando ela podia estar ao lado de celebridades e ao menos observar a magia do show business a partir dos bastidores. Com Sho era ainda melhor, pois ela estava agenciando um grande astro com perspectivas de carreira internacional! Ela se embevecia do fato de que ele estava sempre a ronda-la, criando oportunidades para toca-la e enaltecendo sua beleza, e por mais mesquinho que fosse, era agradável que ele rebaixasse Kyoko ao comparar as duas, apesar de isso fazer Shoko se sentir pequena até para os próprios padrões.

A cruel realidade que logo seria constatada por Shoko é que ela alimentava a autoestima bebendo da fonte que era ter o favoritismo de Sho. Ainda que ele fosse preguiçoso, voluntarioso e mimado e o sexo com ele demonstrasse claramente quão egoísta ele era, na audição extraoficial para o papel de favorita de Sho, Shoko, pela primeira vez na vida, foi a selecionada, superando até mesmo uma zelosa amiga de infância. Era deprimente, mas era uma vitória, para variar, e do tipo que garantia a ela assistir de camarote enquanto sua carreira era alavancada pelo sucesso do cantor, que tinha, inclusive, reais chances de se tornar internacional, levando-a junto com ele a patamares que Shoko somente sonhou alcançar. Ele era um verdadeiro bilhete premiado na vida da agente, que incentivava o confuso e cáustico relacionamento entre Kyoko e Sho por ter percebido que a garota o inspirava como ninguém.

Naquele momento, Kyoko finalmente percebia a presença de Shoko e saudava a mulher com o resignado sorriso de quem antecipava problemas, o que apenas aumentou o desconforto da agente. Aquela sensação era estranha, Shoko não compreendia por que ela estava incomodada nem identificava com precisão qual era a causa de sua perturbação. Talvez, por ela ter flagrado Sho se masturbando para Kyoko enquanto o sexo entre eles escasseava? Talvez ela estivesse se ressentindo da perda do favoritismo e do golpe que isso representava a sua autoestima? Talvez a aborrecesse precisar recorrer a mais uma pessoa para que os sonhos dela virassem realidade, como se não bastasse que já dependesse do talento de Sho?

Por fim, como em algum momento ela precisaria parar de olhar aparvalhadamente para Kyoko, disse a primeira coisa que lhe veio à mente.

"Você fica bem de óculos!"

"Oh?". A atriz colocou a mão no rosto, finalmente lembrando que não os havia removido. Era uma bobagem, mas Kyoko não gostava de ser vista de óculos, por mais que todos dissessem que ela ficava bem com eles. Ruborizou. Conformando-se que agora não faria sentido tira-los, ela encerrou rapidamente o assunto. "Ah, sim, eu preciso deles ao final do dia. Quando passo muito tempo lendo, minha visão cansa. Mas me diga, Shoko-san: o que a traz aqui?"

"Bem, eu sei que aparecer a esta hora e sem agendamento é indelicado da minha parte, mas eu não tive outra escolha, já que você ignorou todas as minhas tentativas anteriores de contato". De forma alguma Shoko revelaria que o que realmente a guiara até ali foi uma enorme vontade de fugir do apartamento de Sho após flagra-lo, somada à frustração pelo cantor estar se perdendo em sonhos eróticos enquanto o tempo dele... o tempo deles para reavivar a "era Sho" de dois anos atrás diminuía rapidamente e Shoko sentia a insuportável pressão de não saber como guia-lo.

Eles eram um cego guiando outro cego. E, além de uma metafórica falta de visão, ambos compartilhavam o íntimo desejo de permanecer no topo: Sho, por considerar que o topo era seu lugar predestinado, e Shoko, por surfar na onda que era a carreira musical de Sho.

"Shoko-san, eu lhe asseguro que não ignorei coisa alguma! Como você pode observar, estou quase me afogando em trabalho, então o convite da Akatoki deve estar em algum lugar dessa pilha, e eu prometo que conseguirei dar uma resposta à proposta nas próximas horas se..."

"Não foi uma proposta de trabalho", ela interrompeu secamente, surpreendendo até a si mesma com o tom de voz que usou.

"... Oh?". Se Shoko fosse uma pessoa observadora, ela teria percebido os trejeitos de Tsuruga Ren, quando furioso, em Kyoko. Tarde demais, a agente percebeu que errara a manobra.

"Shoko-san, se não é uma proposta de trabalho, poderia me explicar, então, qual o objetivo desse encontro? Por que eu não consigo imaginar outro motivo aceitável para ser procurada a esta hora da noite. Certamente você não imaginou que eu tenha algum assunto pessoal pendente com Shotaro... ou imaginou?". Kyoko nunca teve algo contra Shoko, por mais que o tempo e a experiência a fizessem perceber grotescas falhas profissionais na conduta da mulher diante de si. Contudo, estando cansada e após ser pega de surpresa pela aura hostil que a agente emanava, Kyoko entrou inconscientemente em modo de combate.

Tentando consertar o erro que cometeu e refreando o desgosto ainda misterioso que sentia, Shoko adotou uma postura de súplica.

"Kyoko-chan, Sho precisa de ajuda..."

"Claro que sim. Do tipo miraculoso!"

"Ele perdeu o foco do trabalho..."

"Não foi perda de foco, Shoko-san. Aliás, é exatamente o contrário se Shotaro continua fazendo exatamente o mesmo, como eu suspeito que seja o caso. A diferença é que o mesmo não funciona mais e ele se considera perfeito demais para sequer aventar a possibilidade de estar errado e precisar se adaptar. A mentalidade dele continua lhe dizendo que o universo precisa se ajustar a ele, jamais o contrário!"

"Mas ele está sozinho, e sozinho ele não consegue..."

"Ele tem você, Shoko-san"

"Mas ele não me escuta! A única pessoa que ele jamais escutou foi você! Se você pudesse ao menos..."

"Não fui eu quem o colocou na situação em que ele está, Shoko-san. Foi ele, sozinho, e se ele foi grandinho o suficiente para decidir sobre a própria carreira até agora, também é grandinho o suficiente para..."

"NÓS PODEMOS PERDER O EMPREGO!"

A esta explosão, Kyoko finalmente parou de interromper Shoko e ficou alguns segundos observando a aparência desesperada da agente, que arfava – se de raiva ou de vergonha, a atriz não sabia dizer. Só sabia que não estava deixando que Shoko expusesse as razões para ter ido procura-la àquela hora, como se algo urgente tivesse acontecido, pois Kyoko se considerava versada em Sho o suficiente para supor o que havia de errado.

Refletindo que poderia estar deixando a arrogância por conhece-lo tão bem levar a melhor sobre ela, e que por mais improvável que fosse não era totalmente impossível que Sho tivesse amadurecido alguma coisa nos últimos anos, Kyoko procurou se acalmar. E se acalmando, lembrou que era quinta-feira, percebeu que Shoko a procurou justamente após o videoclipe de Luna ter sido disponibilizado no site e se surpreendeu com a possibilidade de a canção ter provocado uma... inquietação em Sho.

Mas... se a música provocou no cantor um impacto suficiente para a agente a procurar imediatamente, então talvez ele não fosse um caso perdido, afinal! Talvez houvesse salvação para Fuwa Sho!

"Shoko-san... por acaso a sua vinda agora tem algo a ver com o videoclipe disponibilizado hoje?"

A mulher arregalou os olhos, estupefata. "Não é possível que Kyoko saiba o que eu flagrei Sho fazendo... ou é? Será que ela o conhece tão bem... a esse ponto?"

A reação de espanto de Shoko serviu de confirmação para Kyoko, fazendo-a espelhar a expressão de Shoko, o que, por sua vez, serviu de confirmação para Shoko. As duas mulheres se olhavam aturdidas, mas o cômico da situação é que Shoko pensava que Kyoko, de alguma forma, havia se descoberto como a fantasia sexual de Sho, enquanto Kyoko pensava que a canção cuja letra ela compôs com inspiração na prejudicial relação que eles tiveram na adolescência e o triste desfecho impactasse tanto o cantor a ponto da agente dele imediatamente a procurar!

"Wow... isso é... inesperado!". "Sho tem uma consciência, afinal de contas!", Kyoko pensou assombrada. Ela se lembrou que todos a disseram que a música era emotiva o bastante para fazer canalhas chorarem, e Louis garantiu a ela que a filmagem do clipe ficou tão boa que até ele, que se julgava imune à atuação dramática dela (mas nunca realmente conseguiu ficar indeferente), emocionou-se. Mas... ao ponto de Sho se perturbar?

"Kyoko-chan, por favor, não diga nada a ele! Se ele descobrir que você só deduziu o que aconteceu porque eu vim aqui pedir ajuda..."

"Mas Shoko-san, como você quer que eu ajude o Shotaro sem que ele saiba que eu sei?"

"Eh? Você quer... ajuda-lo com o problema dele?"

Kyoko não entendia por que a entonação de Shoko fazia parecer que elas estavam conversando em código, nem por que a mulher parecia a cada segundo mais escandalizada.

"Kyoko-chan... talvez você não queira ouvir isso de mim, mas... sinceramente, não vale o esforço! Eu mesma só o ajudo porque prefiro me submeter a alguns minutos de tédio a ficar horas lidando com as repercussões que uma... indiscrição poderia causar!"

Kyoko parecia um cachorro virando a cabeça para tentar compreender o que estava sendo dito. Olhando de relance para o relógio, ela viu que já passavam das 21 horas e seu estômago protestava de fome. Talvez a fome e o cansaço a impedissem de acompanhar corretamente aquele diálogo. Concluiu que era melhor, então, encerrar rapidamente o assunto.

"Shoko-san, se valerá o esforço ou não somente eu poderei decidir, e somente se Sho se der ao trabalho de vir me procurar pessoalmente. Caso ele se mostre realmente disposto, empenhado em ser ajudado, posso considerar ajuda-lo. Tudo dependerá da posição que ele escolher assumir. Talvez eu só perca o meu tempo, mas talvez um milagre aconteça e ele consiga me satisfazer".

A agente estava absolutamente admirada pela forma como a outrora inocente Kyoko se disponibilizava a satisfazer a luxúria de Sho, bastando, para tanto, que o rapaz demonstrasse disposição e a impressionasse com a posição sexual que escolheria. Quanto a satisfaze-la, Shoko não tinha qualquer esperança, já que ela mesma nunca chegara nem perto de atingir o orgasmo com Sho. Mas... quem sabe? Talvez tudo fosse realmente uma questão de química!

Com a mais absoluta perplexidade, ouvia a jovem terminar seu discurso e aquela reunião.

"Como eu espero que tenha ficado claro, dependerá mais dele do que de mim, e como você deve saber, Shoko-san, isso significa que a maré não está favorável a Sho. A maré nunca está favorável a Sho quando a situação exige que ele seja um homem e não um menino"

"Sim, você tem absoluta razão!", respondia a agente, finalmente reanimada porque pareciam estar em um assunto com o qual ela poderia contribuir. "Não importa quantas vezes ele pratique, ele continua afoito e inexperiente como um garotinho!". As risadinhas conspiratórias de Shoko fugiam totalmente à compreensão de Kyoko. "Se bem que é isso que eu acho encantador, nele!", ela confidenciou, o que somente aumentou a dúvida na cabeça de Kyoko.

"O-kay? Se você não se aborrece com esse tipo de coisa... bom para você!", foi tudo que Kyoko conseguiu responder.

Naquele exato momento, a porta do elevador se abre. Kyoko, que tinha o ângulo perfeito de visão, viu o momento exato em que Ren a avistou e abriu um largo sorriso, imediatamente retribuído. Shoko, curiosa com a reação de Kyoko, olhou para trás e se deparou com ninguém menos que Tsuruga Ren, caminhando em direção a elas e dirigindo a ela um olhar que deixava claro o descontentamento dele por ela estar ali.

A agente não perdeu tempo em se despedir e a praticamente passar voando por Ren, indo embora pelo mesmo elevador em que ele chegara, tomada de pensamentos sobre o desconforto que Kyoko lhe provocou e sobre como ela abordaria Sho a respeito da recente abertura que Kyoko mostrava a seus avanços, mas sem permitir que o cantor descobrisse que de alguma forma ela revelou a Kyoko que ele andava tendo fantasias eróticas com ela.

"Mas essa Kyoko de agora... eu poderia jurar que ela era uma santa! O que será que aconteceu para ela se tornar uma libertina? Será que foi Tsuruga Ren quem a perverteu?"

Shoko não pôde deixar de pensar que se fosse esse o caso... se Sho teria que impressionar uma mulher acostumada ao padrão estabelecido por Tsuruga Ren...

Enquanto a porta do elevador fechava, ela viu os dois conversando muito próximos - ele, sorrindo agachado ao lado dela enquanto a impedia de remover os óculos, e ela, retribuindo o sorriso apesar do rubor.

"Será uma batalha perdida!"

N/A – Se alguém não se lembra de Shoko falando de seu sonho de ser atriz enquanto fazia faculdade, está no capítulo 85!

Eu ri tanto escrevendo essa cena das duas conversando e absolutamente se desentendendo, que meu marido veio me checar quatro vezes para saber se eu estava bem! XD Espero que vocês se divirtam tanto quanto eu!

Eu não consigo deixar de pensar que Sho é terrível no sexo! Não tem como eu ser convencida que uma pessoa tão egocêntrica se interessa em satisfazer a parceira! (Esse é o tipo de coisa que eu penso enquanto leio o mangá). Beijos!

Mutemuia, querida! Quando não recebo seus comentários eu fico achando que alguma coisa aconteceu com você! Aí, meu marido me lembra que as pessoas têm vida, e justamente quando eu desencano você reaparece! XD