Muitas pessoas devem ter querido me matar desde o último cap. Foi muita maldade matar Finn, eu também não gostei, mas fato é que é isso que aconteceu né? Não podemos modificar a história. Após esse acontecimento até demorei a vir postar aqui o último cap. (culpem a Nyck com sua história viciante...kkkk). Chega de enrolação. Aproveitem o último cap!
Promessas
POV IAN
- "Ei papai." – cumprimentei me sentando na frente da tumba dele. "tenho que te colocar em dia com mil coisas. Começarei pelo tio B, de verdade ele está fazendo um bom trabalho como treinador, levamos sete partidas sem perder e bem, o tio K está muito feliz com todos os bônus e presentes que receberam ultimamente. Está planejando redecorar a casa, já sabe como ele é." – levantei os ombros. "o que mais..." – atrapalhei um pouco o cabelo pensando nas coisas que ainda não contei para meu pai. "Ah já sei... oficialmente Beth vai se casar com Joe. Imagina como está o tio P, histérico é pouco. Acho que a tia Q vai ficar por uns dias conosco, para ver se ele melhora." – fiz outra pausa para esclarecer as ideias, gostava de deixar um espaço entre cada uma das coisas que conto para ele. "Cory e eu estamos igual. Mamãe está brava porque diz que quero imitar seu pior momento, mas na realidade é que não chegamos a ser como você e o tio P. Nós só saímos com garotas, já sabe, eu ainda não... bom, você entende." – bufei nervoso, minha virgindade não é um tema que gosto de tratar em voz alta. "mas sabe, eu acho que o Cory se apaixonou, ele não quer reconhecer, mas eu poderia jurar que sim." – ri baixinho zuando das tentativas do meu melhor amigo por negar. "bom, além de estar brava porque me pareço com você, mamãe está bem, linda como sempre, com esses sorrisos que iluminam o dia. Entendo porque a amou tanto, ela é especial. De verdade quero encontrar alguém como a mamãe." – suspirei enrugando o rosto. "esses dias são um pouco difíceis para ela, podem ter passado treze anos, mas ela ainda não te esqueceu." – fechei os olhos tratando de conter as lágrimas. "não esqueci minha promessa. Sempre vou cuidar dela."
Sorri ao pensar que quando criança achava que essa promessa consistia em continuar atuando como se meu pai estivesse vivo e não chorar por nada.
Não posso esquecer das noites em que a fazia chorar quando lhe dava mensagens da parte do meu pai, até tive que ir a um psicólogo, que não serviu muito. A única coisa que me fez entrar em razão do quão equivocado estava foi 'ela'.
"Ian, cuidar dela não é fazer como se seu pai continuasse vivo." – me disse uma tarde enquanto estávamos sentados no jardim traseiro da minha casa.
Meu peito se fechou ao recordar dela. Há 8 anos não vejo essa menina e é como se tivesse tatuado seu nome em todo meu coração. Não tem uma forma de que eu me esqueça dela e estive tentando, durante esse tempo até me proibi de dizer o nome dela em voz alta.
'Alana.' – gritou minha cabeá.
- "Alana!" – gritei no aeroporto. "mamãe, não deixe que levem ela." – supliquei limpando as lágrimas que caiam como oceanos.
- "Sinto muito carinho, mas a mãe dela acha que é o melhor." – tratou de me explicar minha mãe, acariciando meu cabelo.
- "Aly!" – voltei a gritar e ela só movia sua mão como despedida enquanto sua mãe começava a leva-la para fora da minha vista.
Chorei muito depois desse dia. Primeiro eu perdi meu pai e Aly perdeu o dela 3 anos depois. Sua mãe achou que o melhor era nos separar, segundo ela 'um par de meninos não ia poder levar tanta dor juntos'.
Do meu ponto de vista só piorou as coisas, porque tive que agregar o nome de Alana Sevilla Flores na minha lista de perdas.
- "Ahhh... e Papai..." – disse movendo a cabeça para me desfazer das recordações. "na semana passada me entregaram os resultados dos meus exames rotineiros." – desde que meu pai morreu, a mamãe me obriga a fazer exames para eliminar qualquer preocupação sobre possíveis infartos. "está tudo bem como sempre, não tem nada do que se preocupar." – olhei o relógio e bufei. "é hora de ir." – disse de má vontade. "em uns dias venho te visitar." – me despedi.
Comecei a sair do cemitério e parei ao escutar o choro desesperado de uma mulher, o que provocou que uma lágrima escapasse ao escutá-la. Soava justamente como minha mãe nos primeiros meses que estivemos sozinhos. Me virei para buscar a mulher e encontrei ela recostada sobre uma das tumbas. Olhei indeciso em me aproximar ou não, mas finalmente o fiz.
Quando estava o suficientemente perto, me animei a ler o nome na lápide e por um estante desejei não ter feito. Olhei para a garota e mesmo que não estava olhando de frente para ela, sabia que não se encontrava como eu havia imaginado durante todos esses anos.
- "Aly?" – disse em um sussurro, sentindo como meu coração de alguma forma se partia e alegrava ao mesmo tempo.
Ela se virou lentamente e seus olhos cobertos de lágrimas, com grande parte de sua maquiagem manchando seu rosto. Já não tinha o cabelo comprido, mas curto de forma assimétrica acima do ombro.
Em todas as noites que imaginei me reencontrar com ela, jamais cruzou pela minha cabeça que faríamos em frente a tumba da mãe dela.
Movi a cabeça para me concentrar no que diria, já não importava o que eu imaginava, agora ela estava novamente na minha frente e me olhava completamente confusa.
- "Sou eu, Ian." – disse enquanto me agachava para ficar na frente dela.
- "Olá." – respondeu com um tímido sorriso que não chegava aos olhos, pelo contrário, o fez se encher mais de lágrimas, me fazendo desejar abraça-la.
Me reprimi. Eu estava seguro que meus sentimentos por ela não haviam mudado, mas não tinha a menor ideia do que ela sentia, pode até ser que tenha namorado. Ficamos nos olhando um tempo mais, sem dizer uma palavra, até que ela avançou e enrolou suas mãos em meu pescoço.
A apertei com força contra mim, para demonstrar que não estava sozinha, que agora me tinha de volta na vida dela e que eu faria tudo o possível para fazer ela feliz. Ela se separou um pouco e meus lábios começaram a abrir para dizer a ela que tudo ficaria bem, mas ela se levantou de repente, deixando um frio vazio em meu peito.
- "Devo ir." – assegurou começando a se afastar. "um prazer te ver." – disse com voz suave e calorosa.
- "Aly, espera!" – disse me levantando de repente e me apressando para alcança-la. "tem tantas coisas que temos que conversar, eu..."
- "Ian, conversaremos outro dia." – seu tom de voz mudou para um mais frio.
- "Então te dou meu número e você me liga." – comecei a buscar um dos meus cartões de apresentação na minha carteira e entreguei para ela. Aly pegou e ficou olhando por um momento.
- "Bom, te ligarei." – disse antes de se virar e começar a caminhar apressada.
Talvez eu estava louco, mas só de ver ela havia feito com que o dia parecesse mais lindo e perfeito. Não vou negar que foi um encontro estranho, mas o que importa? Agora Aly tem meu número telefônico e pode me ligar quando quiser.
- "Mamãe!" – gritei quando cheguei em casa, quase dando pulos de felicidade.
- "Estou aqui carinho!" – escutei minha mãe me responder da sala.
- "Olá mamãe!" – a cumprimentei enquanto beijava na testa. "e a vovó?"
- "Saiu de comprar e depois irá com seu tio K no cemitério." – assenti com um sorriso. Hoje era o dia em que todos os integrantes da minha família vai ver o papai.
- "E você, já foi?" – perguntei a ela enquanto me sentava ao seu lado e ela instintivamente recostava sua cabeça sobre meu ombro.
- "Sim carinho, voltei agora a pouco." – bufou e ficamos em silencio por um momento.
- "Não sabe quem eu encontrei no cemitério." – lhe disse com um toque de excitação na voz.
- "Quem?" – perguntou se incorporando para me olhar nos olhos.
- "Aly." – minha mãe me olhou com os olhos arregalados e imediatamente um grande sorriso cobriu o rosto dela.
- "Mas o que ela fazia lá?" – me perguntou e eu contei tudo o que aconteceu. "Carinho, estou segura de que ela vai te ligar logo." – assegurou acariciando minhas costas.
- "E o que tem planejado para fazer hoje?" – perguntei enquanto ela voltava a se aconchegar em meu ombro.
- "Queria ver os vídeos memória do seu pai." – sorri para ela e me levantei para buscar eles.
Subi rapidamente as escadas e peguei a caixa que estava sobre a mesinha de cabeceira. Todos sabíamos que minha mãe guardava os vídeos ali. Depois fui para meu quarto e peguei o pequeno envelope com o meu DVD. Observei por um momento e com letra legível dizia: 'Para Ian.' Coloquei ele no fundo da caixa da minha mãe decidido a mostrar para ela pela primeira vez.
- "Por favor, coloque o cd número 1." – me pediu minha mãe quando eu voltei para seu lado.
Fiz o que ela pediu e ela esperou para que eu voltasse a me sentar ao lado dela para começar a reproduzir.
- "Olá, sou Finn Hudson!" – cumprimentou meu pai com um sorriso meio de lado. "esse é meu primeiro vídeo memória. Vou começar com isso porque quero guardar cada bom momento da minha vida." – nesse momento esboçou um amplo sorriso ao estilo super galã e piscou o olho. "vejam o que acabo de encontrar." – disse mostrando um sutiã vermelho. Dissimuladamente olhei para minha mãe e ela estava com os braços cruzados. "suponho que é da loira de ontem." – falou como se não fosse nada, levantando os ombros.
- "Mamãe, se quiser nós trocamos esse." – disse para ela, para evitar eu fique brava.
- "Não carinho..." – disse colocando sua mão suavemente em meu ombro. "eu gosto de ver como seu pai mudou." – sua voz é outra quando se refere a ele. É ainda mais doce que de costume. "esse é o idiota do posto de gasolina e eu me apaixonei pelo homem que havia por baixo dessa máscara de Casanova." – beijei ela na testa e voltamos a reproduzir o vídeo.
POV RACHEL
Voltei a me recostar no ombro de Ian e no seguinte vídeo, meu esposo estava chorando. A maioria das palavras que saiam de sua boca eram completamente incompreensível.
- "A vovó!" – sussurrou meu filho e eu assenti lentamente.
- "Sua avó antes ficava muito deprimida pela morte do seu avô Burt." – lhe expliquei e ele fez uma cara de compreensão. "algumas vezes terminou no hospital." – Ian me abraçou com força.
- "Me alegra que você não passou pelo mesmo." – sorri amargamente ao recordar que alguns dias não tinha forças para continuar, mas eu não ia me deixar vencer. Meu amor por Finn e pelo meu filho me mantinham com vida.
Voltamos a ficar na mesma posição e os vídeos de Finn continuavam aparecendo. Havia alguns, quando mostrava suas conquistas, que eu desejava entrar na tela e torcer o pescoço dele, mas também estavam esses vídeos que me recordava quem realmente ele era: amante do futebol, família e protegia a quem necessitasse.
O primeiro disco terminou e imediatamente indiquei a Ian que colocasse o segundo. Me inclinei para frente e apoiei os cotovelos em minhas pernas. Já sabia o que viria.
- "Olá, sou Finn Hudson." – a roupa que usava imediatamente me recordou ao primeiro encontro no posto de gasolina. "hoje é 26 de fevereiro." – agradeço a Finn por ter feito esses vídeos, porque não acho que minhas recordações fossem tão específicas. "hoje eu conheci uma garota preciosa." – sorri. "não sei como se chama, não sei de onde é, mas ela será minha." – bufei e meu filho se virou para me olhar.
- "Fala de você?" – me perguntou enquanto seu pai cantava no vídeo.
- "Sim, essa foi a primeira vez que nos vimos. Depois disso eu o batizei como o 'Idiota do posto de gasolina'." – Ian soltou uma gargalhada.
A música terminou e o seguinte vídeo memória foi depois do nosso jantar obrigatório do leilão. Finn ainda tinha manchas de sorvete no cabelo, o que me provocou um riso.
- "Já não é tão idiota." – comentou meu filho enquanto mudava para o seguinte vídeo.
- "Nesse momento eu ainda pensava que era um idiota, mas com uma tática diferente." – Ian me olhou confuso.
- "E agora o que pensa?"
- "Que essa foi a primeira vez que me mostrou o homem pelo quem me apaixonaria." – Ian sorri a aperta o botão do controle.
- "Hoje é 15 de maio..." – os olhos do meu esposo estavam a beira das lágrimas e eu voltei a me aconchegar em meu filho. "não sei por onde começar..." – sua respiração agitada corta as palavras. "Rachel tinha razão..." – as lágrimas correm por seus olhos e eu respiro tratando de contar as minhas. "não pude evitar o amor para sempre." – Ian apertou minha mão justamente quando eu também comecei a chorar. "estou apaixonado por você, ao parecer só esperava por você." – reconhece com um amargo sorriso. "senti que ia morrer ao te ver sofrer." – ele fez silencio por um tempo enquanto tratava de se recompor. "você me odeia e é melhor assim. Eu não deveria sentir isso, não posso amar." – ao terminar a frase seu rosto se recompôs. "esse sentimento ficará aqui." – tocava seu peito e respirava fundo.
- "Você já amava ele?" – perguntou meu filho.
- "Uma parte de mim amou tudo o que ele fez por mim essa noite, aí eu soube que ele não era só o idiota do posto de gasolina." – sorri acariciando o cabelo do meu filho. "mas uma parte de mim ainda odiava ele, ou talvez só tinha muito medo de voltar a amar." – Ian assentiu.
Os seguintes vídeos eram quase todos sobre mim. No início sua indecisão entre me amar ou me esquecer e pouco a pouco sua resolução por me conquistar e quando consegue, estão os vídeos nos que planeja nossos encontros ou como sempre expressa seus sentimentos. Finalmente chegamos ao vídeo em que meu esposo segura meu anel de noivado.
- "Quanto tempo depois desse vídeo te pediu em casamento?" – Ian já está colocando um novo cd.
- "Uns dois meses depois." – ele assentiu e voltou a se concentrar nos vídeos.
Daí em diante suas memórias são de nossa família, o primeiro a beira das lágrimas ao se inteirar de que seria pai. O primeiro ultrassom de Ian, nossa primeira noite dos três juntos.
- "Veja Rach, os cílios dele são como os seus." – disse meu esposo quando nosso filho começou a chorar.
Finn guardou cada um dos nossos momentos importantes e agora eu posso ver cada vez que sinto a falta dele ou que me sinto muito frágil, para seguir adiante. Em cada um deles, encontro a força necessária.
- "Por que não tem nenhum vídeo do casamento ou da lua de mel?" – perguntou Ian quando terminamos.
- "Não seja ansioso." – respondi antes de lhe passar o último cd.
- "Para minha Rach!" – sussurrou meu filho ao ler o que dizia. Esse é o disco especial que deixou para mim e está formado por 3 momentos muito importantes: a manha do nosso casamento, a lua de mel e a noite antes de sua morte.
Me concentrei na tela e me esqueci do resto do mundo ao meu redor.
- "Olá Rach!" – cumprimentou Finn com um sorriso meio de lado. "estamos a umas horas de sermos marido e mulher!" – bufou emocionado. "ontem a noite quase não pude dormir, só pensava que hoje de tarde já será minha esposa e acordará todas as manhãs ao meu lado." – seu sorriso aumentou mais enquanto movia as mãos de forma nervosa. "estou ansioso para planejar nossa vida juntos." - uma lágrima escorreu pela minha bochecha. "jantares românticos, entardeceres de mãos dadas, fazer amor quando quisermos..." – enquanto dizia a última fraze fez sua melhor cara sedutora. "ter filhos..." – peguei a mão de Ian e as tomadas de nossa lua de mel começaram a aparecer. "me alegra ter sido um idiota durante anos." – sussurra Finn e ao fundo posso me ver adormecida. "assim mantive todas essas mulheres afastadas do meu coração, até que você chegou e o roubou para sempre." – Finn fez umas tomadas minhas. "nunca terei como te pagar por tudo o que me deu." – a noite anterior a sua morte finalmente chegou e as lágrimas correm pelas minhas bochechas. "essa música é para você. Te amo Rach!" – começa a tocar a melodia.
It's hard for me to say the things
I want to say sometimes
There's no one here but you and me
And that broken old street light
Lock the doors
We'll leave the world outside
All I've got to give to you
Are these five words when I…
Como cada vez que vejo esse vídeo, as lágrimas desciam até que eu sentisse falta de ar.
...Lock the doors
We'll leave the world outside
All I've got to give to you
All I've got to give to you
Are these five words when I
Thank you for loving me
For being my eyes
When I couldn't see
You parted my lips
When I couldn't breath
Thank you for loving me
Meu filho me abraçou com força contra seu peito quando a música terminou.
- "Obrigado por me mostrar todos os vídeos." – murmurou antes de me dar um beijo na testa. "sabe que papai também me deixou um vídeo?" – perguntou e eu assenti ainda sem tirar minha cabeça de seu peito. "quer ver?" – levantei a cabeça e ele sorriu meio de lado.
- "Me encantaria." – Ian não disse mais nada. Se levantou rapidamente e mudou o cd.
O vídeo de Ian, não sei se posso dizer que é mais bonito que os meus, mas Finn copiou os melhores momentos dos dois juntos. Brincando de futebol, alguns que eu fiz enquanto eles dormiam ou comiam e claro com suas palavras.
- "Te amo filho, jamais esqueça." – deu um leve beijo nele enquanto estava dormindo no seu bercinho. "é o melhor presente que a vida pode nos dar." – acaricia suavemente seu cabelo. "por favor, sempre cuide da sua mãe." – suplica e a tela fica preta.
- "Oh Ian..." – consegui dizer com a voz abafada.
- "Sabe mamãe..." – me sussurrou. "há uns dias recordei que quando estava pequeno, me disse que iríamos de férias para Santander." – assenti. "mas nunca fomos." – um sorriso se desenhou em meu rosto.
- "Deveríamos dizer isso para todos os seus tios." – o rosto do meu filho se iluminou.
- "Sim! Um passeio familiar." – disse saindo correndo para trazer o telefone. Ligamos para todos e concordamos em ir de férias daqui a 2 semanas.
No dia seguinte Carole saiu de compras com Kurt e meu filho foi para seu treinamento, enquanto eu fiquei sentada na cama, olhando o espaço vazio que corresponde a meu esposo.
- "Então andou fazendo Iam prometer coisas?" – perguntei acariciando o travesseiro de Finn. "sabe que eu também tenho uma promessa?" – o telefone de casa começou a tocar. "não deixarei nosso filho até que esteja segura de que ele é completamente feliz." – sussurrei antes de atender o telefone.
- "Alô?" – do outro lado posso escutar a respiração da outra pessoa. "Alô?" – repeti.
- "Senhora Hudson?" – a voz do outro lado era quase um sussurro. "Sou Alana." – disse com a voz um pouco mais forte.
- "Aly, oi!" – disse feliz ao escutá-la.
- "Ian está?" – me perguntou e por sua voz entendo o mal que está passando.
- "Não carinho, ele saiu para seu treino, mas se quiser eu digo para ele te ligar no número que ficou registrado." -"disse tudo apressadamente para que ela não desligasse.
- "Sim, por favor." – murmurou antes de desligar.
O resto da manhã passei caminhando de um lado a outro, até que Ian voltou e pude lhe passar a mensagem. Ele subiu correndo e entrou em seu quarto para falar com ela.
- "Mamãe!" – me disse quando chegou após falar com ela. "convidei a Aly para ir conosco a Santander."
- "Me parece uma grande ideia." – lhe assegurei antes de abraça-lo.
Sempre depois de ver ela, Ian se sentava no sofá para nos contar como tinha sido. No início eu tinha muito medo porque notava o quanto Ian a queria e eu não estava segura dos sentimentos dela, mas conforme passam os dias me dou conta de que Aly sente o mesmo.
O sorriso pintado no rosto do meu filho é realmente contagioso. Nsses últimos duas me deparei com Carole cantando e eu na verdade não posso evitar me unir a ela.
No dia da viagem, Ian foi o primeiro a se levantar. Escutei ele caminhando de um lado a outro e ligando para o dono da casa que alugamos para confirmar nossa chegada. Enquanto isso, eu fiquei uns minutos mais na cama, ontem a noite tive sonhos muito vívidos com Finn, esses sonhos quase sempre acontecem depois de ver os vídeos que ele me deixou.
- "Bom dia mamãe!" – os olhos chocolate do meu filho estava na minha frente quando eu abri os olhos.
- "Bom dia filho!" – disse, lhe devolvendo o sorriso. Em momentos como esse é quando Ian mais me recorda seu pai. Ele herdou o deslumbrante sorriso de Finn.
- "Te preparei o café da manhã." – me estendeu uma bandeja. "além do mais já tenho as malas no carro e levei a vovó para a casa do tio K. Só falta você." – me disse sem respirar entre cada palavra.
- "Ok, tranquilo. Já vou levantar." – lhe disse enquanto mordia uma torrada.
- "Irei ligar para a Aly para ver se já está pronta." – respondeu se dirigindo a porta.
Uns 30 minutos mais tarde e depois de muitos olhares ansiosos da parte do meu filho, estava sentada na parte traseira do carro e nos dirigíamos para a casa de Aly.
- "Mamãe, está segura de que prefere ir atrás?" – voltou a me perguntar meu filho e eu assenti.
Disse para Ian que necessitava de mais espaço para minhas pernas, mas na verdade só queria deixar Aly no banco da frente.
Meu filho tocou a buzina quando chegamos na casa de Aly e ela saiu em seguida. Ao parecer Ian não era o único ansioso. Ele desceu imediatamente do carro para pegar a mala, dar um beijo na bochecha dela e depois a ajudar a subir no carro. Não pude evitar sorrir diante esse gesto tão cavalheiro do meu filho e a cor rosada das bochechas de Aly.
- "Bom dia senhora Hud..." – começou a dizer.
- "Rachel, só Rachel." – a interrompi, sorrindo para lhe dar confiança.
- "Rachel." – concordou.
- "Bom, já podemos ir." – disse quando Ian colocou o cinto.
Para não nos chatearmos no caminho, fizemos rodízio para escolher algum cd de música, assim passamos de musicais para algo mais roqueiro. E ao pouco tempo nos surpreendemos cantando a pleno pulmão alguma parte conhecida e depois riamos.
No início Alu só ria e não se atrevia a cantar algum verso, argumentando que era muito desafinada.
- "Ah, vamos Aly! Escute a mim..." – todos voltamos a rir, já que Ian não herdou o talento vocal de Fin e muito menos o meu, mas como toda a família ele ama a música.
O comentário fez com que a garota relaxasse e pouco a pouco começou a cantarolar.
O sono começou a me vencer, me recostei no banco e me cobri com a coberta que estava ao meu lado, depois de toda a noite sonhando com Finny, não pude descansar muito. Acordei até que Ian me tocou com suavidade no ombro.
- "Mamãe, já chegamos."
- "Genial!" – disse me incorporando rapidamente.
Ian começou a descer com as coisas e levou para a entrada, enquanto Aly e eu olhávamos emocionadas na casa em que nos alojaríamos.
- "Gostou?" – perguntei ficando ao lado dela e ela se virou para me olhar com um grande sorriso.
- "É linda!" – contestou olhando as grandes janelas e a videira que estava em uma das paredes principais da casa.
- "É muito parecida com a da minha primeira viagem para Santander com Finn." – ela assentiu. "mesmo que essa seja muito maior." – terminei em meio a um suspiro.
- "Isso deve te fazer recordar muito a ele." – me disse Aly, apenada.
- "Muito bem, já acomodei todas as malas, vamos dar uma olhada?" – nos interrompeu Ian, sem advertir nossa conversa.
Rapidamente pegou nossas mãos e começou a nos guiar pelo lugar. Nós sorríamos diante o entusiasmo do meu filho. Ao chegar no piso superior nos mostrou o quarto e decidi escolher um e começar a arrumar minhas coisas antes do jantar.
- "Me esqueci de mencionar..." – disse Ian. "... hoje eu vou preparar o jantar." – fez uma pequena reverencia e Aly riu dissimuladamente.
- "Oh não Ian!" – exclamei ao imaginar o jantar que me esperava. "não quero pizza!" – me queixei.
- "Não?" – perguntou com uma careta como as que fazia quando pequeno.
- "Bom, então eu farei." – disse a garota ao seu lado. "e você será meu assistente." – ele assentiu feliz e eu me dispus a entrar em meu quarto.
Depois de desfazer minhas coisas, tomei um banho. A viagem havia sido esgotante e necessitava repor a energia. Quando terminei desci e no meio da escada, escutei os fortes risos dos garotos, provenientes da cozinha.
- "Não Ian, deve limpar os camarões." – lhe indicava Aly. "senão serão intragáveis." – lhe explicou com paciência. Meu filho não era um experto na cozinha e parte disso é culpa de Carole e minha por satisfazê-lo muito.
- "É muito trabalho." – se queixou. "não podemos apenas comer?" – sorri ao imaginar o bico do meu filho.
- "Não." – voltou a dizer compreensiva. "vamos, eu te ajudo."
- "Posso ajudar em algo?" – perguntei entrando e parei de repente para analisar a cena.
Ian tinha um avental cor de rosa, o cabelo e a cara sujos de farinha e estava sentado no meio de um monte de verduras e camarões. Aly não estava em seu melhor estado. Tinha o cabelo bagunçado, mas meio amarrado em um coque e o rosto cheio de farinha. Estava perto de uma panela na cozinha.
Apesar do desastre da cozinha, as duas estavam sorridentes e com as bochechas com um tom avermelhado.
- "Parece que se divertiram!" – exclamei e eles sorriram para mim com cumplicidade.
- "Vamos limpar tudo." – esclareceu Aly. "e sobre ajudar... está quase tudo pronto. Né Ian?"
- "Sim." – concordou meu filho enquanto despedaçava um camarão.
- "Estão seguros?" – voltei a perguntar.
- "Sim mamãe, por que não pega uma taça de vinho e se senta para ver televisão?" – propôs e Aly o apoiou, me passando a garrafa de vinho tinto e uma taça.
- "Ok." – respondi sem protestar e me dirigi para a sala.
Na realidade, não sentia nenhum desejo de ver televisão, então subi para o quarto e peguei meu segundo livro. Acariciei as letras gravadas na capa e desci novamente para a sala, me dispus a ler recostada no sofá e com cada palavra os sentimentos por meu esposo se revivem através de Will e Emma. Estive assim por um bom tempo, até que a voz de Aly me interrompeu para me avisar que o jantar estava pronto.
Fechei 'Amor Imortal' e me dirigi para a sala de jantar aonde encontrei Ian terminando de acomodar a mesa, enquanto Aly trazia os pratos da cozinha. O jantar foi fantástico e transcorreu em meio a uma conversa sobre algumas das anedotas de Aly. Ian foi falando de seus encontros com jogadores e o orgulhoso que se sentia cada vez que alguns deles, reconheciam seu sobrenome e nomeavam seu pai, enquanto eu contei sobre minha vida com as garotas antes de chegar aqui e a conhecida história do idiota do posto de gasolina.
Depois de terminar de cear, todos nos dirigimos para a sala para ver um filme. Meu filho e Alana se sentaram no mesmo sofá, enquanto eu me aconcheguei em um menor, me envolvendo com a coberta que Ian nos entregou. Me dediquei a observá-los dissimuladamente. Ela se aconchegava contra o peito dele e ele acariciava o cabelo dela.
Os movimentos da mão de Ian foram detendo pouco a pouco até que ficou profundamente adormecido. A garota entre seus braços o cobriu com a manta e lhe dedicou um sorriso enquanto brincava com seu cabelo.
- "Acho que a viagem já fez efeito nele." – sussurrou. "se quiser podemos desligar o filme." – ofereceu ao notar que eu não prestava atenção.
- "Só se você quiser, mas de qualquer forma eu confesso que não tenho nem um pouco de sono. Dormi bastante durante a viagem." – respondi e ela concordou.
- "Eu tão pouco." – concordou e nesse momento Ian emitiu um pequeno ronco.
- "Havia me esquecido que ele ronca." – soltou olhando para ele de forma divertida.
- "Sim." – afirmei com um sorriso. "mas só o faz quando está realmente cansado." – o defendi, enquanto piscava o olho.
- "Me alegra que tenhamos nos reencontrado." – disse com o olhar perdido. "desde que ele apareceu, sempre me faz sorrir."
- "Finalmente alguém que me entende!" – exclamei provocando com que ambas soltássemos uma gargalhada.
- "No princípio tinha medo de aceitá-lo em minha vida." – confessou abaixando a cabeça. "mas Ian enche minha vida de alegria com apenas um olhar." – assenti. Eu a entendia, era o mesmo sentimento que eu tinha ao ver meu filho ou Finn. "ele é muito sortudo por ter você." – os olhos de Aly ficaram chorosos.
- "Mas o mais importante agora é que ele tem você." – lhe dei um pequeno sorriso. "e a partir de agora, nenhum dos dois voltará a ficar sozinhos." – ela assentiu. "mas sabe..." – disse mudando a conversa para um tema mais alegre. "...Ian nunca deixou de pensar em você." – seu sorriso aumentou.
- "Eu tão pouco pude deixar de pensar nele." – admitiu corando. "Ian é meu primeiro amor e meu primeiro beijo..." – olhei para ela com os olhos arregalados.
- "Primeiro beijo?" – questionei confusa. "antes não haviam se beijado?" – Aly corou e abaixou o olhar.
- "Foi um dia antes de eu ir..."
- "Espera! Esse beijo foi há anos?" – a interrompi e ela assentiu. "Ian jamais mencionou nada."
- "Na realidade foi eu quem beijou ele." – confessou e imediatamente escondeu o rosto no ombro do meu filho. "quando o beijo terminou, eu pensei que tinha sido a pior ideia do mundo, mas Ian sorriu para mim e me disse que gostava de mim." – Aly terminou seu relato com um suspiro.
- "Sou tão feliz de ver vocês assim." – confessei e ela me deu um sorriso. "acho que já é hora de dormir." – Aly assentiu e começou a sacudir Ian para que ele despertasse.
- "O que foi?" – disse Ian se levantando rapidamente.
- "Nada, tranquilo!" – murmurou Aly colocando as mãos em seus ombros. "é hora de ir para a cama." – ele concordou a abraçando.
- "Ah... então tá bom, vamos!" – falou meio dormindo. "boa noite mamãe!" – disse me dando um beijo na testa.
- "Boa noite carinho!" – sorri. "descansem!"
- "Você também." – me respondeu Aly, enquanto pegava na mão do meu filho.
Fui para a cama e a conversa com Aly não deixava de dar voltas em minha cabeça. Na verdade não importava o que chegasse primeiro, se a tristeza ou a felicidade do amor, o importante é aproveitar quando ele chega, tal como fizemos Finn e eu. Lentamente o sono foi me vencendo e acordei na manhã seguinte com mais energia do que o normal, então decidi sair para correr.
Quando voltei para casa, não pude evitar sorrir enormemente ao ver os carros dos meus amigos estacionados na frente dela. Não consegui nem bater na porta quando Quinn e Tina se jogaram em meus braços com um grande sorriso.
- "Já está aqui Britt!" – gritou Santana, se afastando um pouco.
- "Rach!" – disse correndo para se jogar encima de mim. "pensava que os extraterrestres haviam te raptado." – disse fazendo cara de terror.
- "Finalmente!" – me virei para encontrar Noah. "estou morrendo de fome." – se queixou e eu revirei os olhos. "essas mulheres não nos deixaram tocar nos biscoitos." – ri diante sua tentativa de parecer bravo.
- "Ninguém toca na comida até que a tia Rach apareça." – Cory me abraçou com força enquanto imitava a voz de Santy.
- "Não zoe da sua mãe." – se queixou ela. "Sam, olha seu filho!" – choramingou minha amiga.
- "Cory!" – disse o aludido, ficando sério. "Olá Rach!"
- "Oi..."
- "O último que chegar lava os pratos..." – gritou Britt, me interrompendo e as gargalhadas inundaram o lugar enquanto todos corriam para a cozinha.
- "Olá tia Rach!" – me cumprimentou Beth ao lado de Joe.
- "Olá meninos..." – contestei enquanto me sentava na mesa.
- "Aonde estão Ian e Aly?" – perguntei ao ver que não estavam.
- "Perdidos no mundo cor de rosa deles e cheio de coelhinhos." – zuou Cory dando uma pequena cotovelada em Beth, ao que ela respondeu rindo.
- "Querem que lhes conte sobre a garota que Cory..." – disse meu filho entrando na cozinha.
- "Não tem nada para contar." – o cortou seu amigo um pouco nervoso.
O café da manhã passou entre as anedotas da viagem, as milhares de paradas que Puck realizou, as múltiplas voltas para casa de Britt, o arranhado na roda de Kurt e Blaine ou os mal estar de Carole devido a condução louca de Cory.
De tarde os garotos organizaram a família para um jogo.
- "Vamos gente!" – se queixou minha sogra. "eu já estou muito velha para brincar de 'girar a garrafa'." – Ian e Cory começaram a gargalhar enquanto os demais tratamos de nos conter.
- "Não vovó!" – começou a dizer meu filho. "vamos brincar de verdade ou consequência." – Ian a abraçou de forma carinhosa. "Cory, diga as regras." – ele ficou de pé com a mão em sua testa e explicou o procedimento. "tem mais uma regra..." – meu sobrinho o olhou confuso. "Aly?" – ela se levantou com um grande sorriso.
- "Não podem escolher duas vezes o mesmo." – todos concordamos.
- "Que comece o jogo!" – disse Beth.
O primeiro a participar foi Kurt e escolheu consequência, então Sam lhe disse que deveria se vestir como Joe. Meu cunhado olhou o rapaz dos pés a cabeça e enrugou a testa, mas cumpriu a consequência sem protestar.
Meu filho girou a garrafa e ela apontou para Cory. Imediatamente Ian e Aly ficaram de pé e fizeram a dança da vitória.
- "Verdade." – sussurrou Cory com resignação.
- "Está apaixonado por Sugar Motta?" – meu filho fez uma voz estranha enquanto dizia o nome da garota. Santy e Sam não tiraram o olho do filho deles.
- "Como assim apaixonado?" – começou a dizer olhando para suas mãos. "eu gosto dela." – reconheceu e todos começamos a assobiar como loucos.
- "Sabem de uma coisa? Deveria ser somente verdade." – propôs Britt. "então eu fico sabendo de mais coisas."
- "Os que estiverem a favor de que o jogo seja verdade ou verdade, levantem a mão." – disse e todos, exceto Cory, levantaram a mão.
O próximo foi Puck.
- "As vezes quer torcer o pescoço do seu genro?" – perguntou Artie e todos rimos.
- "Verdade." – reconheceu enquanto sorria de orelha a orelha. Voltaram a girar a garrafa.
- "Gosta mais de ser chefe do que modelo?" – Beth perguntou para Britt.
- "Verdade." – gritou minha amiga e imediatamente fez o mesmo.
Esse tempo brincando ficamos sabendo de muitas coisas, como que Puck ama os disfarces que Quinn usa algumas noites. Sam e Santy planejam ir morar em Nova York. Britt e Artie vão inaugurar seu sétimo restaurante no país. Kurt e Blaine planejam adotar um cachorro e não sei quantas coisas mais.
Pela tarde os homens nos obrigaram a jogar uma mini partida de futebol. Nos colocaram em duas equipes, na primeira equipe estavam Blaine, Quinn, Britt, Beth, Joe, Aly e eu. Na segunda estavam Carole, Puck, Tana, Kurt, Sam, Ian e Cory.
Artie se ofereceu para ser o árbitro, então todos nos acomodamos no pátio e a partida começou.
No princípio Puck realizou várias faltas em seu genro. Segundo ele de forma inofensiva, mas Beth e Quinn estavam muito bravas.
- "Mais ma entrada dessas e te tiramos do jogo." – o ameaçou sua filha e ele assentiu abaixando a cabeça.
- "Meninas, tenho um plano." – nos chamou Quinn ao ver que perdíamos de 3 x 0. Nos explicou no que consistia e todos estávamos de acordo.
Respirei fundo e deixei que Sam se aproximasse de mim com a bola, quando esteve o suficientemente perto me joguei no chão, fazendo jus a todas minhas aulas de atuação.
- "Mamãe!" – escutei Ian gritar e em um segundo ele estava ao meu lado. "está bem?" – perguntou e eu continuei me fingindo de machucada.
'Um a menos.' – pensei.
Enquanto eu estava em um canto com Ian, pude ver como Quinn molhava o cabelo com água e começava a sacudir para arrumá-lo, o que obviamente não passou despercebido para Puck, que ficou olhando para ela como bobo, enquanto Beth aproveitava a distração para roubar a bola e passar para Blaine, que marcou nosso primeiro gol.
Todos começamos a pular emocionados enquanto os demais nos olhavam surpreendidos. Tana foi a primeira a reagir e bateu no braço deles. Primeiro no do meu filho.
- "Para que não volte a acreditar na sua inocente mãe." – e depois bateu em Puck. "e você para que aprenda a controlar seus hormônios." – ninguém pode evitar rir, até que terminamos dando por finalizada a partida.
Depois de uma tarde de exercícios, todos estávamos muito cansados para fazer outra coisa que não fosse dormir. Subimos para os quartos e apesar de estar tão cansada não conseguia conciliar o sono, então eu desci sem fazer nenhum barulho, peguei uma coberta e fui para o quintal.
A brisa noturna me recebeu logo quando cruzei a porta e me fez ter um pequeno calafrio. Coloquei o cobertor na mureta e caminhei até uma das espreguiçadeiras do jardim. Fechei os olhos e imediatamente uma lágrima escorreu pela minha bochecha. Esse lugar me recordava o Finn e por isso, durante tanto tempo evitei voltar aqui.
A verdade é que em todo esse tempo jamais deixei de me sentir casada, jamais deixei de sentir a presença de Finn ao meu lado. Não nego que Finn tenha deixado de existir fisicamente, mas simplesmente aceitei o fato de que ele partiu antes e me espera. Estou segura de que ele não foi totalmente, não sem mim.
A primeira gota de chuva me despertou dos meus pensamentos, a segunda me fez ver que o céu havia se fechado e que me encontrava no meio da escuridão e a terceira me fez sorrir como nunca. Amava a chuva, graças aquela primeira vez nesse lugar, quando meu esposo corria alegre embaixo da chuva.
Não me importou quando a chuva se converteu em um aguaceiro, ainda assim permaneci sentada no mesmo lugar. Fechei os olhos com mais força até que um assustador calor começou a me rodear, minha respiração agitou e senti como tudo ao meu redor se enchia com sua voz.
- "Cada minuto ao seu lado faz com que meu coração pule de alegria, desde que te conheci não tem nada em minha vida que queira fazer se você não está ao meu lado..."
- "Finn!" – murmurei. "por favor, não se vá!" – supliquei e no mesmo instante senti um roce sobre meus lábios. Me apressei a levar meus dedos para lá e uma suave cosquinha me percorreu.
Caiu um trovão e me voltou a realidade. Percebi que estava encharcada então me levantei lentamente da espreguiçadeira e busquei refugiu em um sofá que estava na varanda da casa. Peguei a coberta e me aconcheguei tratando de entrar no calor.
Continuei olhando ao meu redor, observando cair a incessante chuva e voltei a mi perder em meus pensamentos e sensações, até que recordei uns conhecidos versos. Nosso primeiro dueto junto.
...Estar com você
É como um sonho
Do qual não quero acordar
Fecho os olhos e não está...
- "Para sempre minha menina, para sempre!" – sorri ao escutar novamente sua voz.
- "Sinto tantas saudades!" – lhe assegurei.
De repente uns braços e um odor conhecido me envolveram. Não abri os olhos, não necessitava, sabia quem era.
- "Já é hora." – afirmei sentindo como um grande sorriso cobria meu rosto. Havia esperado tanto, tratando de ser feliz no caminho e mesmo que agora as lágrimas ameaçavam sair, mas eu não ia deixar.
- "Ian é completamente feliz." – sussurrou se enchendo de tranquilidade.
- "Eu sei." – contestei e fiquei de pé para segurar sua mão.
POV IAN
- "Rachel, é hora de tomar café!" – gritou Aly enquanto servia o café.
- "Noite longa?" – perguntei a minha esposa beijando sua testa quando me entregou minha xícara de café.
- "Acho que sim." – assegurou se sentando ao meu lado. "ultimamente lhe custa acordar cedo." – ela bufou um pouco frustrada. "é que se deita muito tarde." – disse preocupada. "hoje não tinha treino?" – questionou olhando para nosso calendário de atividades na geladeira.
- "Não, hoje posso passar o dia com meus dois amores." – contestei dando um suave beijo nela.
Nas últimas duas semanas, todos estávamos preocupados. Aly com a construção do hotel, eu com o futebol e a fundação, Rach com a pintura.
- "Já estou aqui." – disse entrando na cozinha. "perdão pelo atraso." – se desculpou se sentando ao meu lado.
- "Bom dia minha princesa." – contestei sorrindo para ela. "um beijinho no papai?" – lhe pedi e ela pulou nos meus braços.
- "Olá papai." – disse e depois cobriu meu rosto de beijos.
- "E para mim o que?" – se queixou minha esposa com os braços cruzados e imediatamente minha filha correu para seu lado e fez o mesmo.
Pouco me importava se Rach já tem 12 anos ou se é uma jovem promessa da pintura, ela continua sendo minha pequena, minha princesa, com esses olhos verdes idênticos ao de sua avó materna, meu cabelo castanho, a boca grande de sua mãe, a tenacidade de seu avô e o talento de sua avó.
Jamais poderia descrever a ninguém a emoção que senti quando no segundo ano de casados, Aly me confirmou que íamos ter um bebê. O tio P me disse o que o meu pai e ele pensavam de ser pais, mas para mim, era mais que isso, para mim era a perfeição e mais ainda quando Aly me disse o nome que queria colocar em nossa filha.
- "Papai..." – disse enquanto remeia em seu café da manhã. "me conta de novo a história dessas fotos?" – pediu Rach puxando o álbum que tinha atrás de suas costas.
Olhei para minha esposa e ela sorria enormemente. Nenhum dos 3 sabia quantas vezes tínhamos feito isso, mas realmente desfrutamos. Aly pegou o álbum e primeiro relatou a histórias dos pais dela, ao finalizar eu peguei e comecei a minha parte.
Parei ao chegar na última foto, era da nossa viagem para Santander e nela Aly, minha mãe e eu estávamos abraçados. Meus olhos ficaram chorosos ao recordar que esses foram os últimos dias que compartilhei com minha mãe.
Rach me abraçou forte para me dar força para continuar.
- "Era uma noite de lua cheia." – comecei e a voz imediatamente quebrou. "chovia muito forte, sua avó saiu e se sentou em um sofá." – tive que parar, porque minhas lágrimas começaram a cair.
- "Tranquilo..." – me pediu minha filha limpando minhas lágrimas e Aly pegou minha mão com força.
- "Eu encontrei ela deitada ali." – respirei fundo. "te juro que ela tinha um sorriso em seu rosto." – lhe assegurei e Rach assentiu.
- "O que não entendo é como os médicos não souberam do que morreu." – se queixou minha filha.
- "Os médicos não puderam nos assegurar qual foi a causa de seu falecimento." -lhe explicou sua mãe. "uns nos disseram que foi uma gripe mal cuidada somada a exposição na chuva." – Rach bufou frustrada.
- "Na verdade isso não importa." – lhe assegurei. "ela só havia cumprido a promessa de me deixar até que eu fosse feliz." – Rach assentiu. "minha mãe só voltou para os braços do amor de sua vida." – nesse momento todos tínhamos os olhos úmidos.
- "Eu teria gostado de conhecer todos meus avós." – disse como queixa.
- "Eles estão aqui." – Aly colocou sua mão no peito de minha filha. "sempre estarão com você, carinho." – nós três nos fundimos em um abraço.
- "Podemos ir visitá-los hoje?" – perguntou Rach se levantando de repente. "Posso levar um presente?" – questionou atropeladamente.
- "O que acham se formos agora?" – propus e meus dois amores aplaudiram emocionadas.
Chegamos no cemitério e Rachel foi a primeira a descer, correu até o caminho habitual da sepultura. Primeiro foi para a tumba dos meus sogros e colocou flores novas em cada uma. Depois foi um pouco mais lento para a dos meus pais.
Parou na frente da lápide branca que já continha umas rosas murchas. Pegou elas e mudou para as frescas que tinha em suas mãos. Aly e eu nos mantivemos um pouco afastados, de mãos dadas, escutando ela contar para eles sobre suas aulas de ballet e pintura, além da vida de nossos amigos.
O tio P com suas loucuras, a tia Q feliz com seus netos, o ti tia B que mesmo quase não vendo adorava ir nos restaurantes deles, o tio K que sempre faz exibições das pinturas que ela lhe dá e os tios S que viajamos para visitar sempre, junto com Cory e Sugar.
Finalmente nos aproximamos e ela ficou em silencio por um momento segurando com força a tela que tinha nas mãos.
- "Passa algo?" – lhe perguntei e ela negou com um sorriso.
- "É para vocês." – disse para seus avós entregando. "me inspirei em uma foto que temos na sala." -disse colocando perto do ramo de flores. "de verdade eu gostaria de ter conhecido a todos." – emitiu um pequeno soluço. Aly e eu nos apressamos a abraça-la. "mas papai e mamãe sempre me contam histórias de vocês." – acariciei suas costas.
- "Jamais deixo de pensar em vocês." – confessei e um sorriso se formou em meu rosto.
- "As vezes vemos juntos seus vídeos." – disse minha filha olhando para a tumba do meu pai. "ou lemos juntos seus livros, avózinha." – olhou para ele por um momento e depois levantou sua mão como despedida. "nos vemos logo." – Aly e minha filha me deram um pouco de tempo a sós.
- "Eu amo vocês!" – disse colocando uma mão em cada lápide. "dê os cumprimentos aos vovôs." – pedi a eles e fiquei de pé. "eu cumprimentarei meus tios da parte de vocês." – disse de brincadeira e caminhei até minhas mulheres.
Quando estive ao lado deles, beijei Aly.
- "Te amo minha vida!" – e ela voltou a me beijar em resposta. Me virei para Rach e a abracei com força e ela enrolou suas pequenas mãos em meu quadril. "te amor pequena!" – sussurrei beijando o cabelo dela.
- "E eu a você papai."
Dei uma última olhada para meus pais e me despedi olhando a pintura que minha Rachel deu para eles. Minha princesa havia aceitado o amor que meus pais tinham, ainda sem conhecer ele pessoalmente. O que me fazia sentir orgulho, de que certa maneira seu amor havia transcendido o tempo e o espaço. Nós somos um fiel prova disso, peguei na mão dos meus dois amores e nos dirigimos para casa.
OBS. 1: História original escrita por IRINA MONTEITH na fanfic EL JUEGO DEL AMOR ( s/6979169/1/El_Juego_del_Amor)
OBS. 2: Bom, apesar dos pesares eu amei traduzir essa história para vocês! Muito obrigada a todos por ler viu? E vejo vocês nas próximas...
