Capítulo XX

I've Been a Fool

-...Mas que droga aconteceu com a poção pra dor de cabeça? - A voz de Victória despertou-me. Ela parecia revirar algo, provavelmente uma gaveta, as garrafinhas de vidro se batiam, e emitiam vários sons.
Abri os olhos lentamente, eram quase nove da manhã.Pensei que talvez a noite passada não tivesse sido nada além de um simples pesadelo, mas eu logo dei de cara com a realidade. Vic reclamava de dor de cabeça, ela estava de ressaca. Não tinha sido um pesadelo.
- Já tentou tomar algo do tipo trouxa? Está óbvio que a poção não esta na maleta. - Falei me virando, e só então Victória percebeu que eu estava acordada. Ela usava óculos escuros, e nem havia tanta claridade no quarto.

- Você acordou! - Ela forçou um sorriso. - Minha cabeça está me matando, mas infelizmente temos que tomar café com eles, prepare minha sepultura.
- Você colocou a corda no próprio pescoço! - Falei levantando-me da cama.
- Falou a Madre Teresa de Caucutá! - Vic bufou. Estava debochando de mim. Juntei o que iria vestir, e, fui para o banheiro, tomando o cuidado de bater a porta com força quando entrasse.
Ela merecia.
- Não me faça derrubar a casa sobre você! - Ela gritou do outro lado. Fiquei calada.
Tomei um banho rápido, em vinte minutos eu estava pronta. Quando sai do banheiro Victória estava jogada em cima de um sofá e todas as suas vestes eram negras. - O quê? - Ela perguntou quando percebeu que eu a encarava. - Isto é pela partida do meu pai. - Falou minha amiga ficando de pé. Ela Usava uma camiseta larga, e jeans. O all star também era negro. - Não me olhe como se eu fosse louca! - Ela passou o braço sobre meus ombros e seguimos para fora do aposento. Isso automaticamente me fez recordar da forma como eu tive que carrega-la na noite anterior.
Era estranho o jeito como ela mudava de humor o tempo inteiro.

- Você me parece abatida... - Disse ela quando descemos as escadas. - Tem certeza de que não houve nada? - Ela não parecia lembrar de quem havia estado conosco, na verdade não parecia lembrar de nenhum acontecimento ocorrido antes de tomar o cálice com a poção que Grace havia feito. Nós seguimos pela porta do lado oposto a que levava à sala. Estávamos indo à sala de jantar. - Droga! Eu acho que sei o que aconteceu! - Sussurrou Vic.
Ela parou de caminhar quando entramos no local, meus olhos seguiram na direção na qual ela parecia observar. A longa mesa estava posta, era quase tão grande quanto as das casas em Hogwarts. A beira dela estavam Hector, Grace, Anástacia... e Snape.
- Bom dia! - Minha madrinha cortou o silêncio. Rapidamente eu e Vic nos separamos, eu acabei ficando com o lugar ao lado de Grace, bem de frente para Snape.
- Bom dia. - Murmurei. Grace começava a servir café com leite para mim. - Obrigada. - Respondi sorrindo para ela.
- Eu não sabia que meu professor de DCAT tinha se juntado a nós. - Disse Vic, que abancou-se á uma cadeira de distância de Snape. Ela havia feito questão de deixar um assento vago entre eles. - Que adorável família nós somos! - Falou debochando. Ela não tinha se dado ao trabalho de desejar bom dia a quem quer que fosse, já começava a se servir café preto. - Diga-me professor, é a primeira vez que faz a refeição matinal na residência de um aluno? - Ela havia começado a rodada de ataques, mas Snape não parecia disposto a revidar. Eu não precisava olhar para ele para saber que ele me encarava fixamente.
- Você não se lembra não é mesmo? - Anastácia riu. Ela parecia absurdamente calma e isso apenas sugeria que havia uma tempestade a caminho. - Faça-nos um favor e tire os óculos escuros. Não há Sol aqui dentro. - Ela falou sem alterar sua expressão.
- Eu não estou a fim. - Respondeu Vic afrontadoramente. - Alguém pode me dizer que diabos esta acontecendo nessa casa e porque não encontro poções pra dor de cabeça?
- Preste atenção nas suas palavras! - Disse Anástacia com desprezo. - Você não faz nada além de me desapontar!
- Olhe quem está sendo indelicada em frente aos visitantes... Miss perfeição perde as estribeiras durante café da manhã com a família. Deveriam publicar isso no seu jornal! - Disse Vic dando uma mordida em sua torrada.
- Desculpe-me! - Disse Anástacia com a voz mais suave. Eu sabia que estava se dirigindo a Snape, que ainda continuava quieto.
- Victória, basta! - Era Heron quem tomava à frente. - Essa não é a garota que eu conheço, respeite a sua mãe! - Ele falou firmemente.
- Agora você vê? Ela não perde a oportunidade de me envergonhar. Eu faço de tudo por ela e o que recebo em troca são malcriações! - Disse Anástacia.
Reconheci um pouco de drama naquela frase, agora eu sabia à quem Vic havia puxado.

- Isso já é demais! - Elas haviam feito Grace perder a calma, um ato muitíssimo raro. - Eu estou farta de vocês duas! Sempre lutando como inimigas mortais! - Vic e Anástacia se calaram. - Nada vêem além de si mesmas, e culpam uma outra por suas frustrações... Tenho que dizer a vocês que as coisas não são assim! Se não querem se respeitar, considerem os demais.
- Victória não sabe quando parar e eu... - Grace não permitiu que minha madrinha terminasse a frase.
- Hector irá partir em breve, e, este provavelmente é o ultimo café da manhã que terão juntos em meses, Angel e o Professor Snape não estão aqui para ouvir os protestos e as birras de vocês. - Eu tive a vontade de aplaudir Grace ao término de sua fala. Ela estava certa em tudo o que havia dito. Mas eu conhecia minha melhor amiga, e, sabia que ela não deixaria as coisas acabarem assim.
- Isso é uma casa e não um hotel! - Eu encarei Grace, lancei um olhar que dizia que era melhor deixa-las lutarem entre si até cansarem. Ela segurou minha mão e voltou a se sentar.
- Ainda não entendi o que meu professor faz aqui. - Vic insistiu.
- O professor Snape esta hospedado aqui, porque precisou trazer você pra casa, após o seu comportamento ridículo em alguma festa de trouxas. - Disse Anástacia bebendo o conteúdo de sua xícara. Ela voltava a expressar serenidade. - Você sabe o quanto pôs em risco a vida da minha afilhada... Não é sensato deixa-la aqui com uma irresponsável, por isso me comuniquei com Minerva mais cedo, e, Angel voltará Hogwarts hoje mesmo. - Foi como se eu acabasse de levar um soco no estômago. Eu estava sendo punida também. - O professor Snape irá leva-la, lamento querida. - Anástacia se voltou a mim, eu apertei a mão de Grace com força.
- Mas o que você está dizendo, minha filha... Isso foi uma besteira! - Grace interveio.
- Anástacia, Angel deveria estar ansiando por novos ares. Quem sabe não seria melhor se as levasse comigo... - Até mesmo Hector tentou ajudar.
- Eu já disse que ela retornará hoje mesmo. Esta correndo perigo aqui, todos vocês sabem o porquê. - E ai estavam nas entre linhas o que eles costumavam me esconder.
- Nós vamos com o meu pai! - Vic levantou-se e bateu fortemente na mesa, fazendo com que as xícaras colidissem nos pires.
- Vocês não vão, e você principalmente não irá a lugar algum que não seja seu quarto. - Anástacia encontrava-se de pé também. - Vá agora! Eu não quero mais vê-la na minha frente! - Vic saiu correndo, talvez estivesse chorando de ódio. Eu quis segui-la mas, Grace impediu-me. - Vocês dois, estão proibidos de darem a ela qualquer coisa que alivie dores cabeça! - Disse Anástacia voltando-se ao marido e a mãe. - Ela precisa aprender que seus atos geram consequências. - Ninguém ousou dizer qualquer coisa que fosse, era melhor evitarmos outra explosão da parte de Anastácia Tuaska. Agora ela terminava de beber o conteúdo de sua xicara como se nada tivesse acontecido. Grace estava realmente desapontada. - É o momento de partir, Minerva deve estar a aguardando... Eu realmente lamento querida. - Disse ela mais calma. Vic podia exagerar algumas, muitas vezes, mas agora Anástacia Tuaska estava tão errada quanto a filha de dezesseis anos.
Era praticamente impossível acreditar que eu teria que voltar a Hogwarts, e o pior de tudo, na companhia de Snape.
O professor logo se pôs de pé, e minha madrinha fez o mesmo, parando bem ao meu lado. Levantei.
- Eu realmente gostaria muito que você ficasse, mas diante esta situação me vejo obrigada à manda-la de volta para Minerva. A imprudência de Victória colocou sua vida em risco... - Ela lançou os braços ao meu redor, me envolvendo em um forte abraço.
- Porque em risco? - Perguntei confusa. No fim das contas a vida de que tanto falavam era a minha, e alguém deveria me dar alguma explicação. - Eu não entendo o que está acontecendo, se alguém pudesse ao menos me explicar... eu ficaria grata. - Insisti.
E ela quase me sufocou em seu abraço.
- Anastácia, use o bom senso. Angel está segura, aqui é o único lugar onde ela se encontra livre de ameaças, sem a presença de Minerva. - Grace interveio. Minha madrinha me soltou.
- Não podemos arriscar! - Exclamou Anastácia com firmeza. - Toda essa rebeldia de Victória poderia mata-la... poderia matar as duas! - Disse de forma dramática. - Tenho tentado conter Victória, mas é impossível! Angel irá voltar para a escola. É pelo seu próprio bem, querida. - Disse dirigindo-se a mim.

Grace passou os seus braços sobre meus ombros, um abraço carinhoso e acolhedor, diferente do abraço sufocante de Anastácia. Por um momento tudo o que podíamos ouvir era nossa própria respiração. Ela não precisava dizer uma palavra para que eu soubesse o quanto ela lamentava pela minha partida repentina.
Mal havia me soltado de Grace e me vi envolvida nos braços de Hector Tuaska.
- Não se deixe abater pelos tempos difíceis. - Ele murmurou antes de me soltar. Eu sorri em resposta.
Anastácia depositava uma pesada capa sob meus ombros,e, alguém me conduzia para o lado de fora.
Antes que a porta se fechasse e sobrássemos apenas eu e Snape, olhei para Grace uma última vez. Com um pedido silencioso para que cuidasse de Vic na minha ausência.
Do lado de fora, o céu estava nublado, completamente fechado. Era como se soubesse o que eu estava enfrentando e tivesse decido expressar seu apoio.
Olhei de relance para o andar superior da mansão. Tive a impressão de ter visto Vic na janela que correspondia ao seu quarto, virei-me para verificar,mas ela não encontrava-se mais lá.

- Eu sinto muito. - A voz de Snape fez com que eu lembrasse que ele estava bem ao meu lado.
- Porque você veio até aqui? - Perguntei irritada. - Eu estava muito bem até a sua chegada! - Comecei a andar para fora da propriedade.
- Ah claro! Eu acredito que estivesse muito bem, beijando garotos desconhecidos e frequentando festas de trouxas completamente descontroladas. - Ele me seguiu. - Você realmente me surpreendeu agindo como uma...
- O QUE VOCÊ PENSA QUE EU SOU? - Explodi quando atravessamos o portão. - Não vou deixar que comece a me insultar por causa de um beijo. - Snape estava me deixando furiosa com todo aquele ar arrogante. Omiti o fato de que o beijo havia sido acidental. - A droga de vida ainda é minha, e eu ainda decido o que fazer dela e não me interessa quem tenha colocado você no meu pé.
- Então a senhorita resume as coisas desta forma? - Ele parou de frente para mim. - Eu não menti em nenhum momento! - Senti um arrepio quando meus olhos encontraram os dele. Seu olhar parecia acolhedor, mas eu certamente me perderia de vez se o ficasse encarando.
- Eu quero ir pra casa. - Falei fitando meus próprios pés. - Torne a sua vinda útil! - Ele bufou.
- Segure minha mão. - Ele parou ao meu lado com o braço estendido a mim e a palma da mão aberta.
- O quê? - Perguntei alarmada.
- Vamos aparatar. O Expresso de Hogwarts não parte pelo simples fato de que alguém deseja voltar... - Snape continuou com a mesma posição. - É mais rápido. - Ele garantiu.
- Eu me recuso a segurar na sua mão. - A mera ideia de que nossas mãos estivessem juntas outra vez me estremecia. Me dirigi até a beira da calçada. - Eu vou chamar o Nôitibus Andante... - Quando me preparei para sinalizar, Snape me puxou de volta, me prendendo junto a ele.
- Porque sempre opta pelo mais difícil? - Eu bati com as duas mãos em seu peito, mas ele não me soltou. Logo veio a sensação extremamente desagradável. Senti medo que ele pudesse vir a me soltar. Fechei os olhos.
Quando tudo passou eu voltei a abri-los. Estávamos em frente aos portões de Hogwarts, eu segurava a capa de Snape com toda a minha força, nossos rostos estavam bem próximos, eu podia sentir sua respiração.

- Professor Snape! - Era a voz esganiçada e irritante de Argo Filch. - A Professora Minerva pediu que eu montasse guarda esperando sua chegada.
Eu empurrei Snape para longe e foi como se ele acabasse de sair de algum tipo de transe. Percebi que Filch estava acompanhado do Professor Flitwick.
- Os encantamentos já foram retirados.- Disse Filius Flitwick. Filch abriu os portões e eu passei veloz por eles.
Logo me cansei, mas continuei correndo até alcançar a entrada. E minha mãe estava lá, com um olhar preocupado e braços acolhedores. Me lancei sobre ela e fiquei feliz por estar em casa.
- Severo! Agradeço por tê-la trazido de volta. - Disse minha mãe enquanto eu permanecia envolvida pela seu abraço. Aquilo significava que o professor estava bem ali. - Você esta bem querida? - Disse ela quando nos separamos. Minha mãe mantinha suas mãos em meus ombros, parecia querer se certificar de que eu estava "inteira". - Anastácia me deixou preocupada! - Disse ela voltando a me abraçar.
- Não consigo entender porque todos estão sempre preocupados, eu estou bem! - Falei me soltando de seus braços. - Era apenas uma festa, estávamos tentando nos divertir. Respirar novos ares às vezes faz bem.
- Eu sei querida, mas você conhece sua madrinha... E talvez nos últimos tempos esses novos ares não sejam a melhor escolha para você. - Ela tentou explicar, mas ainda não estava respondendo a nenhuma das minhas perguntas.
- Eu só gostaria de viver minha vida como você viveu a sua quando tinha a minha idade. - Me distanciei rapidamente. Porque era tão dificil dizer que perigo eles tanto temiam?
Ninguém parecia considerar a ideia de me dizer a verdade. Era mais confortável deixar as coisas escondidas.
- Ei...Angel! Volte aqui! - Era a voz da minha mãe. Não falei palavra alguma, nem ao menos virei para encara-la. Segui o mais depressa possível para a torre da Corvinal.


Terceira Pessoa Narrando ON.

As horas pareceram voar desde a chegada da jovem McGonagall.
E nas horas que lhe restaram daquela manhã, Angel se dedicou a escrever uma carta para a melhor consolar Victória de alguma forma.
Assim a parte inicial do dia passou, e, rapidamente virou tarde enquanto Angel rabiscava algumas palavras em um pergaminho, e, logo tornava a apaga-las com a varinha. Aparentemente nenhuma palavra parecia amenizar os recentes acontecimentos. Por fim escreveu:

"Espero que você esteja bem...
Não se preocupe comigo, nos vemos em breve.
A.M."

Angel rasgou aquele pequeno pedaço e o dobou algumas vezes. Do lado de fora escreveu Victória Tuaska. Pensou que com um pouco de sorte, Filch nem interceptasse a mensagem e ela fosse parar direto nas mãos de sua amiga.
Angel deu uma recompensa a sua coruja que estivera todo aquele tempo do lado de fora da janela, como se atendesse a um chamado silencioso, e logo depois entregou o recado a ela.
- Leve diretamente para a Vic, pode beliscar o Filch se ele ousar para-la. - Disse sorrindo e acariciando Liz. A ave voou logo em seguida, deixando Angel completamente sozinha.
A garota preferiu atacar o estoque de barrinhas de cereal que Vic sempre deixava escondido para imprevistos, e aquilo era uma emergência. Angel não podia descer furtivamente até a cozinha. Não queria correr o risco de encontrar Minerva, ou Snape. Evitaria até mesmo Draco Malfoy. Ela sabia que ele estava na escola, e era um problema agora que ele estava bastante inclinado a ajuda-la, e, ser seu amigo. Não demorou muito até que a jovem se entediasse e acabasse adormecendo em sua cama, rodeada por várias embalagens vazias. Ela não ligou para a roupa que estava, ou para que horas eram. Simplesmente se deixou envolver pelos sono.

Quando a hora do jantar chegou, todos os que permaneciam na escola se reuniram no Salão Principal. O numero de alunos era suficientemente grande para preencher a mesa de uma das quatro casas. Snape atentamente todos aqueles rostos a procura de Angel. Não voltou a vê-la desde que a trouxera de volta, ela havia encontrado um meio de se manter distante.
Primeiro faltando ao almoço, e depois ao jantar... Ele não podia simplesmente invandir a torre da corvinal, mas tinha uma imensa vontade de faze-lo. Angel não havia lidado bem com a noticia de que ele estava ali para protege-la, nem ao menos sabia dizer como ela o tinha descoberto... E o que mais o atormentava era a ideia de que ela poderia realmente gostar dele. Gostar de formas que não deveria. "E se ela estivesse apaixonada?"
Esse simples pensamento o apavorava.
Sentimentos assim apenas tornavam as coisas ainda mais complicadas do que já eram.
Logo o jantar terminou e Snape não havia tocado em nada do que havia em seu prato.
Quando percebeu, estava parado diante de Minerva McGonagall, e, todos os professores o observavam.

- Sua filha está bem? - As palavras escaparam. - Quero dizer, notei que ela não compareceu ao jantar. - Disse ele diante do olhar curioso de Minerva.
- Eu passei no dormitório para verificar, apenas por garantia... Ela está dormindo. - Ela respondeu com uma calma que era quase tranquilizadora. - E, você Severo, tem certeza de que esta bem?
- Estou... Disse que ela está dormindo? - Ele interrogou intrigado.
- Ela costuma fazê-lo quando esta chateada com alguma coisa, é a sua maneira de fugir. - Disse Minerva encarando-o. - Interessante... Jamais pensei que entraria em algum tipo de conversa a respeito da minha filha, com você. - Ela riu. - Não se preocupe com Angel. Boa noite Severo! - Minerva se distanciou e Dumbledore chegou á Snape antes que ele deixasse o salão.
- Você parece abatido meu caro. - Disse o Diretor quando se aproximou. - Notei que anda mais preocupado com a jovem McGonagall, aconteceu algo enquanto estive ausente?
- Não... Na verdade sim. Angel descobriu que pediu que eu a protegesse. - Disse Snape atrapalhando-se com as palavras. - Não sei como foi acontecer, e agora ela se afastou.
- Ela deve estar se perguntando o que há de errado... Eu a aprecio muito, sabe. - Disse Dumbledore. - Ela vai necessitar de um amigo, e Victória estará fora por alguns dias. Creio que não seja preciso pedir, tenho a impressão de que você o faria de bom grado e por conta própria. - O Diretor sorriu. - Mas mesmo assim... Ajude-a Severo. Seja o alguém de quem ela precisa.

Terceira Pessoa Narrando OFF.


Eu estava exausta, cansada de tanto correr. Era como se eu estivesse presa dentro de um labirinto, e, algo ou alguém estivesse me perseguindo. Eu tinha medo de olhar para trás, receio do que poderia encontrar, então eu seguia correndo.
Uma mulher gargalhava, por um momento pude jurar que era Bellatrix Lestrange. Mas eu podia sentir que não era ela quem estava me seguindo.
Uma nova parede surgiu á minha frente, bloqueando minha passagem. O que quer que fosse que estava atrás de mim começava a se aproximar. Procurei pela minha varinha, mas ela não parecia estar em lugar algum. O desespero começou a tomar conta do meu corpo. Eu pude ouvir os passos, pude sentir quando parou bem próximo à mim. Fechei meus olhos e aguardei pior. Uma mão tocou meu ombro e então aconteceu algo que eu não esperava.
Me senti em paz. Abri os olhos, percebi que já não estava no mesmo lugar, era uma sala uma luz muito forte, e quando me virei me deparei com uma mulher que se parecia muito comigo.

- Olá querida. - Sua voz era suave e ela estava sorrindo.
- Quem é você? C-Como eu vim parar aqui? - Perguntei.
- Não se preocupe com nada disso. Apenas acorde. - Disse ela.
- Acordar? - Perguntei incrédula. A luz diminiu, e eu notei que as paredes brancas começavam a se quebrar.
- ELIZABETH! - Uma outra voz soou grave e eu voltei a sentir medo.
- Você precisa despertar. - Ela insistiu. O chão também começava a se partir.
- Isso não é um sonho! - Falei pulando antes que eu pudesse cair no buraco que se formava.
- Eu não acredito em mortos! - Alguém cantarolou.
- Você precisa ir. - A mulher se aproximou. - AGORA! - Ela me empurrou no abismo e eu gritei enquanto caia no vazio.

Abri os olhos assustada. Não haviam luzes acessas, mas eu tinha certeza de que estava na minha cama. Eu pude ouvir as trovoadas e os relâmpagos clareavam a minha janela, havia uma tempestade do lado de fora.
Respirei fundo e com o auxílio de um novo relâmpago apanhei minha varinha e tratei de fazer alguma luz acender. O quarto continuava o mesmo. E então veio uma forte pontada na cabeça, e tudo ficou escuro outra vez, mas não era mais pela falta de luz.
Comecei a enxergar a mesma imagem repetidas vezes.
Uma grande mansão.

- Encontre-me- A voz soou na minha cabeça, alta e clara. - Eu posso responder a todas as suas perguntas. Não tenha medo, minha criança. - Eu não sei como, mas percebi que era de alguma forma uma mensagem e não apenas fruto da minha imaginação.
Então eu compreendi o que Snape queria dizer quando falava sobre oclumência, e entendi o porque ele dizia que eu deveria me proteger.
Usando toda a minha concentração comecei a bloquear a imagem e a voz que continuava a repetir a mesma coisa. Imaginei uma tela negra e pouco á pouco a minha visão começou a voltar.
Nem mesmo tive tempo para me surpreender por eu estar de pé, e, já havia caído de joelhos. Quando eu já podia enxergar com perfeição percebi que não só eu estava de pé como também estava fora do quarto, fora da sala comunal.
Não era possível!
Fiquei aterrorizada por não saber o que estava acontecendo comigo. Medo porque estava sozinha no meio do corredor escuro e completamente desamparada.
Eu ainda podia sentir a presença do invasor, tentando ter acesso a minha mente outra vez. A dor de cabeça me dava vontade de chorar, mas eu não podia. Isso me levaria a perder o controle e perder o comando significava dar passe livre para alguém que não tinha boas intenções.
Juntei todas as minhas forças pra me levantar, aquela dor me deixava tonta.
Ainda sentindo-me atordoada, comecei a andar mais rápido. Precisava chegar o quanto antes na única pessoa que poderia me ajudar. Snape era quem poderia me proteger.


Terceira Pessoa Narrando ON.

- Abra! Por favor! - Angel não se importou com o fato de estar quase gritando e esmurrando a porta do seu professor. Precisava que Snape à atendesse. - Eu realmente preciso de ajuda. Abra, eu imploro! - Ela estava quase chorando.
Não foi preciso que chamasse por ele mais uma vez. No exato momento em que reconheceu a voz de sua aluna, Snape largou tudo o que estava fazendo e saiu tropeçando até a porta de madeira.
Ele mal havia aberto a porta e Angel já tinha se jogado em seus braços, e, não conseguindo mais controlar ela se permitiu chorar.
- Mas que houve? - Ele estava surpreso por aquela atitude, mas não se sentia nem um pouco incomodado com aquela proximidade. A única coisa que o assustava era o comportamento da jovem, que estava desesperada.
-Eu-Eu sinto muito! Eu fui uma tola!


N/A's

Olá, esperamos de coração que gostem deste novo capítulo, e também nos façam felizes deixando reviews!

Eu gostaria de agradecer pelos comentários da nossa leitora .5 (sério, estamos muito alegres com as opiniões, você não sabe o quanto é importante para nós, para a fic, e o quanto nos motiva, muito obrigada mesmo!).

Enfim, em breve voltaremos com o próximo.

Infelizmente, agora que irá viajar é a Angel, ela irá passar alguns dias fora. Mas estaremos sempre pensando nesta estória! ;D

Beijos, até a próxima!
Vic e Angel.