Disclaimer: Inuyasha continua não me pertencendo...
Shippou bocejou longamente, indicando seu tédio. Fazia alguns minutos que esperavam pela volta de Kagome, mas o pequeno kitsune agia como se já fizesse horas. Apesar de que quando se espera por algo, o tempo parece realmente correr mais devagar. Miroku observava curiosamente algumas peças de decoração, parecendo bastante interessado na origem delas. A não ser é claro até que uma bela escrava passasse por ele e Sango ter que puxá-lo pela orelha para que não a seguisse. O ranger da porta chamou a atenção dos três. Esta foi arrastada vagarosamente para o lado e Kagome passou por ela, olhou para os convidados, voltou-se para trás e disse para alguém que não podia ser visto de dentro da sala:
- Vai falar com eles agora?
- É claro, é pra isso que estou aqui. – uma voz ríspida respondeu. Ela afirmou com a cabeça e adentrou a sala dirigindo-se ao grupo.
Todos ficaram tensos. A garota tinha uma expressão neutra, de forma que não sabiam se ela tinha boas ou más notícias pra dar a eles. Ela os fitou enigmaticamente por poucos segundos:
- Bem... - ela começou – Eu falei com Inuyashasama...
- E...? – Shippou era impaciente.
- E... ele disse que ajudaria...
- Ah, que ótimo. – comemorou Sango, antes mesmo da menina terminar de falar.
- Mas... – todos olharam para ela naquela hora: a palavra 'mas' não significava boa coisa – Ele quer vê-los primeiro. Para saber se pode confiar em vocês.
Sango e Miroku engoliram em seco. A idéia de falar com o filho do lorde youkai parecia lhes deixar pouco à vontade. Shippou apenas emburrou em seu canto com aquela expressão de: 'Eu sabia'.
Kagome olhou pra porta e todos a imitaram. Logo o hanyou passava por ela, fitando sempre os 'convidados', como se os analisasse, não era muito diferente do que Kaede fazia. Sango e Miroku, assustados, logo curvaram-se até quase chegar ao chão. Shippou levantou-se do seu canto, mostrando-se presente. Inuyasha logo o reconheceu:
- Ora se não é o pirralho kitsune. – disse arrogante.
- Não me chame de pirralho! – retrucou, bravo. Sango discretamente chutou 'de leve' a canela do pequeno youkai para que ele ficasse quieto. Shippou gemeu baixinho e logo entendeu a indireta.
- Então... querem minha ajuda? – perguntou ocasionalmente.
- Sim senhor, se pudesse nos ajudar ficaríamos muito gratos. – disse Sango, ainda olhando para o chão.
- E por quê precisam de mim? – perguntou novamente, como se aquilo não lhe interessasse nem um pouco.
- Creio que Kagome já deve ter lhe contado... – começou Miroku, este também fitava o chão – Atsushisama não acredita em nós e se nada for feito, o reino dele será destruído.
- E o que eu tenho a ver com isso? – indagou. Os dois humanos se espantaram, mas tentaram não demonstrar. Afinal, Kagome não lhes dissera que ele ia ajudá-los?
- Bem... – continuou o monge – O nome de seu pai, Inutaishousama foi mencionado pelos espiões, e como os inuyoukais são aliados dos kitsunes...
- Eu não tenho qualquer parte nessa aliança – ele parecia um pouco impaciente.
- Esqueçam, ele não quer nos ajudar! – explodiu Shippou – Vamos embora!
- Shippousama... – murmurou Sango, ela voltou-se para o hanyou novamente – Por favor, ajude-nos! – implorou da melhor forma que podia.
- Quero que o pirralho implore. – disse sorrindo sarcasticamente. Shippou arregalou os olhos numa desagradável surpresa.
- O quê?
- Você ouviu.
- Eu não vou te implorar. – teimou o pequeno.
- Então acho que não vou poder ajudar. – ele disse já se virando pra sair.
- Inuyasha. – agora foi a vez de Kagome se interpor – Acho que já os testou suficiente, não acha? – ela tinha um leve tom de repreensão.
Sango, Miroku e Shippou olharam para a humana como se ela tivesse dito a coisa mais horrível de todas. Da maneira como ela falou com o youkai, em qualquer lugar seria considerado uma enorme falta de respeito, punível severamente. O hanyou voltou seu olhar para a garota:
- Só estava me divertindo um pouco. Droga, eu estava quase fazendo o pirralho implorar. – disse em tom levemente decepcionado.
Mais uma vez os três ficaram pasmos. Tanto que Miroku e Sango só agora tinham se dado conta que olhavam diretamente para o youkai, rapidamente se curvaram quando ele olhou para eles novamente.
- O que há com vocês? Levantem-se. – ele disse meio incomodado, nunca gostou que se curvassem para ele.
Eles obedeceram, mas ainda não pareciam capazes de dizer alguma coisa.
- Se querem minha ajuda, já a têm. – ele os tranqüilizou – Falarei com meu pai quando ele voltar.
O três se entreolharam, dessa vez com esperança renovada. Miroku e Sango se abraçaram em meio ao contentamento. Na verdade o monge abraçou a garota, não que esta tenha feito qualquer tentativa de evitá-lo. Estava tão feliz com a esperança da ajuda de Inutaishou que se esqueceu de um pequeno detalhe. Pequeno e crucial detalhe; que as mãos ávidas do jovem a apalparem seu traseiro a fizeram relembrar imediatamente. Deu um tapa bem dado na cara do infeliz, o estalo ecoando por toda a sala. Kagome olhou a cena de maneira confusa e Shippou meneou a cabeça suspirando.
- Já está tarde, fiquem até amanhã. – o hanyou disse, ignorando o que acabou de ver, e logo se virou para sair.
- Inuyasha. – chamou Kagome, antes que ele partisse. – Obrigada. – agradeceu quando ele a fitou. Ele apenas sorriu de volta antes de tomar seu caminho pra fora da sala. Sango não pôde deixar de notar a cena e ficou muito intrigada com ela. Miroku ainda esfregada a marca vermelha recém-ganhada em seu rosto com um bobo sorriso nos lábios, o sorriso dos que não aprenderam a lição ainda. A noite seria longa. É só o que passou pela cabeça do pequeno kitsune naquele momento.
OoOoOoOoOo
- Nossa, não acredito que você tem esse quarto todo só pra você. – Sango se admirou, apesar da humildade do aposento de Kagome se comparado com o restante do castelo. Esta olhou em volta, fitando o próprio quarto como se reparasse nele pela primeira vez. Nunca havia pensado seriamente nisso, sempre lhe pareceu tão natural habitar aquele quarto, que a idéia das outras escravas se apinhando num único pequeno quarto parecia até estranha.
- Que bom que vão ficar esta noite, assim poderemos ficar mais tempo juntas. – Kagome falou feliz.
- Sim. – sorriu gentilmente – E sinceramente, Inuyashasama foi mais gentil do que eu imaginei. – terminou, fitando a amiga de maneira quase analítica.
- É sim. – apenas concordou sorrindo. Sango arqueou uma sobrancelha.
- Kagome... – recomeçou, agora levemente desconfiada – A maneira como você falou com ele aquela hora... Qualquer outro youkai teria lhe pendurado pelo pescoço. – havia uma leve preocupação mesclada àquela desconfiança.
- Não Inuyashasama. Ele nunca faria isso. E nem tampouco Inutaishousama. Aqui os humanos não são maltratados como os... – ela hesitou antes de falar – Os escravos de Naraku.
Sango também sentiu um certo desconforto com a menção do nome do youkai, mas não deixou se abalar. Em vez disso, prosseguiu com a conversa como se nada a tivesse interrompido:
- Notei outra coisa também... – ela fez uma pausa, como se pensativa sobre os fatos ocorridos – Quando o chamou, não usou o sufixo 'sama' e, juro que o vi sorrir pra você. – depois de dizer isso e ver como a garota parecia nervosa, fez a pergunta decisiva – O que significa isso?
- Como assim o que significa? – perguntou nervosamente, quase se podiam ver gotas de suor imaginário escorrerem por seu rosto.
- Não finja que não entendeu – Sango não era facilmente enganada – Por que ele não a repreendeu?
- Ora, se foi ele foi mesmo que ordenou que eu não o chamasse por 'sama'! – despejou, ante a pressão da amiga.
A garota estranhou, mas resolveu desconsiderar este fato por hora. – Vocês não falaram como mestre e escrava também... Tem certeza que ele vai nos ajudar por ter simpatizado conosco? Ou foi por que você pediu...? – Kagome sabia que havia mais naquela pergunta do que parecia.
Certamente a resposta determinaria se Sango tinha mesmo motivos para desconfiar de algo mais entre ela e Inuyasha ou não. Não era de seu agrado esconder alguma coisa assim de sua amiga, na verdade gostaria de contar-lhe tudo, mas havia mais em jogo que uma conversa entre amigas. Se alguém mais soubesse o que havia se passado entre ambos, não só ela, como também o hanyou poderia sofrer pelas mãos de outros youkais por coagir com humanos - uma vez que seu pai já tinha essa fama. E talvez ele não gostasse que ninguém mais soubesse o que havia se passado. Esse pensamento entristeceu um pouco a garota.
- Isso importa agora? Ele vai ajudá-los, não é isso que queria? – respondeu por fim num estranho tom levemente melancólico. Sango se sentiu subitamente mal, como se houvesse magoado a amiga de alguma maneira. Ela não pensara que suas perguntas pudessem ser inconvenientes.
- Sim... er... Me desculpe pelas perguntas. Ás vezes sou muito curiosa. – disse sem jeito.
- Tudo bem. – deu um pequeno mas sincero sorriso. E então ela olhou na direção da janela e viu como começava a escurecer – Bem, vamos nos aprontar para o jantar. – chamou levantando-se, e já com outro ânimo, mostrando que não estava magoada com a amiga. Esta sorriu e imitou o gesto da outra.
...
Á mesa, Inuyasha fitava intrigado e levemente preocupado o lugar vazio onde deveria estar Inutaishou. Kouga parecia indiferente e Ayame nem parecia estar naquele universo. O hanyou encarou o irmão mais velho, que também estranhava a ausência do pai:
- Ele disse que voltava hoje, não disse? – Sesshoumaru abanou positivamente a cabeça e Inuyasha adquiriu uma postura pensativa.
Ele se lembrava de Kaede ter mencionado que Inutaishou parecia preocupado no dia anterior, mas ele mesmo não havia notado nada disso. E nesta manhã ele saiu dizendo que tinha assuntos militares para tratar, mas voltaria no mesmo dia, sem falta. Ele sempre cumpria com o que dizia. O híbrido meneou a cabeça, para se livrar desses pensamentos.
- "Estou me preocupando a toa. Não deve ter acontecido nada. É só um atraso, provavelmente." – se convencia mentalmente. Mas ele não ficou muito seguro disso após ver a face do irmão mais velho. Este também olhava o lugar vazio de maneira tão intensa e pensativa que não poderia ser descrito como nada menos que preocupação. O hanyou nunca vira Sesshoumaru preocupado antes.
- Não estamos em batalha no momento... – murmurou. Inuyasha subitamente deu atenção às palavras do irmão – Eu saberia se estivéssemos.
- Isso não é necessariamente uma coisa ruim, é? – disse, tentando aliviar a tensão.
- Tenho um mau pressentimento...
Inuyasha sentiu um estranho arrepio com aquelas palavras. Sesshoumaru tendo pressentimentos? E acreditando neles? Não era alguma coisa para se ignorar, com certeza. Sesshoumaru sempre acertava em suas suspeitas e suposições.
- Relaxem. – disse Kouga, despreocupado – Vocês se preocupam demais.
Inuyasha conseguiu ignorá-lo desta vez, e continuou tentando imaginar o que poderia ter acontecido a seu pai.
...
- Parece que Inutaishousama não voltou ainda. – disse Kagome, pesarosa. Tanto ela como Sango, Miroku e Shippou estavam reunidos na cozinha. Os três convidados se entreolharam, preocupadamente. – Mas estou certa que assim que ele chegar, Inuyashasama irá falar com ele. – tentou acalmá-los.
Sango sorriu para a amiga – Estou certa que sim.
- Eu não teria tanta certeza. – disse o pequeno kitsune, cruzando os braços e emburrando – Ele pode muito bem esquecer de mencionar sobre meu pai e falar apenas sobre a parte em que há uma trama contra Inutaishou.
- Ele não fará isso. – defendeu Kagome.
- Como você sabe? – arqueou uma sobrancelha.
- Bem, eu... – hesitou um instante – Ele deu sua palavra. – ele não havia prometido nada, mas pra ela isso não era necessário para saber que ele faria conforme disse, acreditava nele.
Shippou franziu o cenho, descontente com a resposta mas não mais de manifestou contra a humana. Ao invés disso pegou uma fruta que estava sobre a mesa e se pôs a comê-la com a face levemente entediada:
- Shippousama, por quê não se junta à mesa com os outros youkais? – indagou Sango.
- Prefiro ficar aqui. – resmungou. Kagome imaginou que ele ainda devia estar bravo com Inuyasha. Ela não pôde deixar de achar o kitsune fofo enquanto o observava mais atentamente. Ele era muito pequeno, era quase do tamanho de um bebê médio, mas deveria ter a idade de Rin... ou assim aparentava, pois por ser youkai poderia ter muito mais. Suas mãos pequenas e delicadas seguravam a maçã muito maior que elas a levando até a boca que tinha dois caninos bem afiados. Ele sentava-se no colo de Sango, onde parecia bastante à vontade. Kagome se segurou para não agarrá-lo quando ele a fitou com os grandes e curiosos olhos verdes, piscando algumas vezes em confusão:
- O que foi? – ele perguntou ao notar a intensa observação a que era submetido.
- Oh, nada. – disfarçou e afastou seu momento 'kawaii'.
Kaede surgiu à porta neste meio tempo, sorridente como sempre, e se dirigiu diretamente à eles:
- Bem, já que irão passar a noite aqui, já providenciei um quarto para as visitas.
Miroku então olhou esperançoso para Sango:
- Sangochan. – e pegou as duas mãos da garota entre as suas – Quer dizer que dormiremos juntos essa noite?
A garota corou – O quê?! – disse perplexa.
- Temos apenas um quarto. Mas não se preocupe, pode dormir perto de mim. Eu te esquentarei na noite fria – e a lançou um olhar galante e bastante sugestivo.
A jovem rapidamente se soltou dele e lhe deu um barulhento tapa na cara – Seu pervertido!! – exclamou, vermelha, tanto de raiva quando de vergonha.
- Oh, Sangochan dormirá junto com a Kagome. – explicou Kaede, com a maior calma do mundo – Mirokusan e Shippousama podem dormir no mesmo quarto não é? – perguntou mais para Shippou do que para o humano.
- Tanto faz. – o kitsune deu de ombros.
- Ah... – o monge murmurou, desolado. A marca vermelha em seu rosto ainda pulsava. Mas ele achava um preço baixo a pagar se pudesse dormir perto de uma beldade como Sango. Logicamente esta discordava.
OoOoOoOoO
A planície parecia ter sido devastada por alguma espécie de praga. As árvores retorcidas não tinham folhas em seus galhos e o chão não tinha vegetação alguma, era terra batida e compactada. Até o ar era pesado. As partículas de poeira vermelha pareciam suspensas no ar como neblina. O silêncio era aterrador. Uma pequena pedra caindo fazia um enorme eco por toda parte. Ele não imaginava ver algo assim quando chegou àquele lugar. Quando Inutaishou recebeu a mensagem de que seu exército precisava dele para vencer uma batalha difícil, a primeira reação dele foi a de incredibilidade. Ele não havia pedido para que atacassem nada, a batalha de antes havia terminado e por isso mesmo ele pôde voltar para casa. Depois sentiu indignação. Como puderam desobedecer a suas ordens? Isso não seria tolerado assim. Mas por outro lado, nunca antes suas tropas agiram sem sua autorização. Então a indignação deu lugar a preocupação. Alguma coisa estranha estava acontecendo, ele sentia. Então optou por ir ver por conta própria.
E agora ali estava ele. No meio do nada, onde deveria estar havendo uma fervorosa guerra. Nem sinais de corpos pelo chão ou qualquer coisa que indicasse uma luta. Era só um grande ermo de terra vermelha como o inferno. Estaria seu sentido de direção se perdendo? Ou seria por outro misterioso motivo que ele vagava por horas a fio e sempre se deparava com a mesma paisagem desértica? Tentou algumas vezes se transformar e voar pra longe dali, mas a nuvem vermelha de poeira ficava tão densa acima do chão que não era possível ver um palmo a frente dos olhos e ele foi obrigado a pousar novamente. Ele sentia por toda parte, ainda que fraca, uma energia sinistra que não podia localizar. Vinha de todas as direções e ele não duvidaria se estivesse dentro de uma espécie de barreira.
Foi então que, em meio à espessa nuvem avermelhada surgiu um vulto esbelto, que ia se aproximando lentamente e tomando forma a cada passo. O faro de Inutaishou prontamente lhe indicou que se tratava de um youkai. Mas o daiyoukai continuou calmo e lívido, porém atento, aguardando que o possível inimigo se tornasse completamente visível. Assim que a figura saiu da nuvem de pó e pode ser totalmente vista, Inutaishou sentiu seu coração falhar uma batida. Há quanto tempo não via àquele rosto, tão amável e meigo, aqueles longos cabelos negros caindo por sobre seus ombros, sempre tão macios. Mas ele sabia que não era possível. Seu inimigo só podia estar lhe pregando uma peça. Ainda assim, as lembranças daquela pessoa que ele tanto amou o faziam hesitar:
- Izayoi... – o nome da esposa amada saiu de seus lábios como um sussurro, sem que pudesse contê-lo. A pessoa que mais amou nesse mundo, e que já havia partido à muito tempo...
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Sango se despedia de Kagome enquanto Miroku observava o sol despontando no horizonte, com Shippou em seus ombros. Um novo dia tinha início e com ele, sua partida do castelo dos inuyoukais:
- Mas vocês já vão assim tão cedo? – Kagome se lamentava. Gostaria de passar mais tempo com a amiga – Pelo menos comam conosco.
- Temos de ir logo. Atsushisama não sabe que viemos aqui. – disse pesarosa, abraçando a amiga novamente. Assim que a soltou, Sango levou um susto ao ver que Inuyasha, do nada aparecera e estava do lado delas. 'Ele não estava ali a um minuto.' Ela pensou, ainda um pouco sobressaltada. Por que será que os youkais gostavam de ser tão silenciosos e furtivos? Ela já ia se curvar para fazer uma reverência, mas ele a olhou reprovativo e ela cessou o ato. Era seu costume, era difícil evitar. Então ela fitou o hanyou e lembrou-se que sua viajem havia sido em vão. Inutaishou não aparecera e ela não sabia quanto tempo mais teriam até que o irmão de Atsushi resolvesse agir. Sua face logo se entristeceu.
- Não se preocupe. – ela se surpreendeu um pouco em ouvir a voz do hanyou de repente – Meu pai vai voltar logo. E quando ele voltar eu falarei com ele. – ele tinha uma expressão firme e determinada, de forma que ela não pôde duvidar de suas palavras.
- Obrigada. – agradeceu e deu um pequeno sorriso. Depois voltou-se para Shippou – Não tem nada a dizer Shippousama? – indagou de forma insinuativa.
- Dizer o quê? – desdenhou, fitando as próprias unhas como se houvesse algo muito interessante nelas – Ele ainda não fez nada.
- Shippousama. – repreendeu Miroku.
Kagome ficou um pouco preocupada, crendo que o hanyou, como sempre compraria briga com o pequeno. Mas ao invés disso ele apenas disse calmamente:
- Não precisa agradecer, não faço isso por você pirralho, e sim por quê são amigos da Kagome.
E isso bastou para que a garota ficasse completamente corada com os olhares que Sango e Miroku lhe lançaram.
- Nós não estávamos indo? – perguntou Shippou, ao ver que ninguém se movia.
- Ah, sim Shippousama. – disse Sango, como se tivesse sido tirada de uma profunda meditação.
Miroku se aproximou de Kagome e segurou as duas mãos da humana entre as suas. A garota ficou sem graça mas já sabia que esse era o jeito do monge.
- Kagomesan, infelizmente eu tenho que ir, mas um dia nos reencontraremos. – ele disse dramático, como se aquela fosse a despedida final. Ela riu timidamente, achando aquilo um tanto engraçado. Inuyasha por outro lado, não havia visto graça alguma na atitude do humano e o fitava com fogo nos olhos. Miroku só se deu conta ao ouvir um rosnado baixo vindo dele. O monge suou frio quando percebeu pra quem se dirigiam aqueles olhares assassinos. Engoliu em seco e soltou as mãos de Kagome.
- Er.. desculpe. – disse rapidamente, e correu pro lado de Sango, amedrontado.
Esta, arqueou uma sobrancelha. Agora ela não duvidava mais, tinha certeza que havia alguma coisa acontecendo entre o hanyou e a humana. Kagome imaginou se era sua impressão ou o tempo havia parado naquele instante? Por que raios ninguém se mexia do lugar? Ela só imaginava com que cara deveria estar agora.
- Não estávamos indo? – salva por Shippou.
- Ah, sim Shippousama. – disse Sango, saindo do 'transe'.
Despediram-se formalmente e partiram. Kagome os observou por um tempo até quase sumirem de vista e depois voltou a fitar o hanyou, vendo que este ainda olhava o horizonte. Mas não era a Miroku, Sango e Shippou que ele observava. Ele fitava o nada, entretido em seus pensamentos, sua face parecia levemente preocupada. Uma parte dele dizia que era bobagem se preocupar tanto, mas outra dizia pra ouvir seus instintos:
- "Pai... Onde você está?" – será que ele teria a resposta que esperava?
Continua...
