Capítulo 39 – Só um gostinho

Tema: prévia

Nos dias que se seguiram, Harry treinou com Berenkor, e Severus tentava intensificar sua comunicação com Albus. O próprio ex-diretor de Hogwarts alertou que ele não tinha muito tempo, então eles precisavam trabalhar rápido.

Enquanto isso, a vida seguia. O Lord das Trevas continuava fazendo vítimas. Numa delas, tinha sido encontrado um bilhete: "Venha brincar, garoto." Harry não precisava ser gênio para saber que o bilhete era para ele.

Mais do que isso, Molly Weasley aparecera na lareira, para dar a notícia de que Hogwarts reabriria em apenas duas semanas.

– Não é muito tempo – disse Harry, preocupado.

– Creio que vai dar tudo certo – disse Severus. – É só seguirmos o plano.

– E as profecias – lembrou Berenkor. – A Ameaça Sem Alma não terá chance.

– Eu ficaria mais tranqüilo se achássemos as Horcruxes primeiro.

– Nós vamos achá-las, Harry – tentou tranqüilizar Severus, cobrindo a mão de seu pesseguinho com a sua. – Vai dar tudo certo.

– Podemos ajudar! – disse Plonk, sempre animado. – Vamos ajudar Suas Majestades.

– E uma vez em Hogwarts, podemos pesquisar mais! – entusiasmou-se Hermione.

– Mas como Severus pode entrar em Hogwarts? A segurança vai estar redobrada. Ficaremos sem Plonk e sem Berenkor...

– Eu vou para Hogwarts! – garantiu Plonk. – Fácil!

– Plonk, não pode. Não vão deixar você entrar – Ron disse. – Você não é aluno, muito menos professor.

Severus disse:

– Vocês se esqueceram de que Plonk não é humano? Ele pode entrar em Hogwarts quando quiser.

– Vão impedi-lo!

Berenkor lembrou:

– Podem impedir a água de entrar no cano? Ou a chuva de cair? O lago de encher? Plonk é um elemental da água. Ele pode ir até mesmo num frasco pequeno.

– Como um ingrediente de poção, ou uma lata de refrigerante, ou qualquer coisa! – exclamou Hermione. – É brilhante!

Harry olhou para seu dominante, os olhos brilhando:

– Vou sentir sua falta.

Severus pegou as mãos juntas e beijou-as, lembrando:

– Nunca estarei longe. Além disso, temos um bom plano. É essencial que você continue posando apenas de menino assustado. O Lord das Trevas não pode saber o quanto já avançamos.

– Você tem razão.

– Para isso – continuou Severus, agora se dirigindo aos dois amigos –, conto com vocês. A segurança de Harry pode estar em suas mãos.

– Sim, senhor – disse Hermione, solenemente.

A hora decisiva se aproximava, e parecia que o fato pesava sobre todos. Menos Plonk, que sorria adoravelmente para Harry e Severus.

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A lista de material de Hogwarts estava idêntica aos anos anteriores, mas havia algo mais sinistro e sombrio naquele começo de ano. A visita a Diagon Alley foi cortada ao mínimo, e só se realizou sob um pesado esquema de segurança. Havia Aurores patrulhando a rua ostensivamente, e a Ordem tinha uma escolta de quatro pessoas para os que ainda iam a Hogwarts. Bill, Hagrid, Tonks e Arthur estavam totalmente dedicados a proteger Harry, Ron, Hermione, Ginny e Molly – que coordenava as compras. Como no ano anterior, Bill tinha arranjado uma transferência rápida dos fundos de Harry, assim eles não precisariam ir a Gringotts. Os gêmeos ficaram de encontrá-los na Flourish & Blotts, para eles evitarem circularem nas ruas. Harry tinha imaginado que o seu sexto ano tinha sido ruim, mas aquilo era ainda pior.

Os gêmeos jamais chegaram. O grupo já tinha saído da livraria e ia para a Gemialidades Weasley quando tudo aconteceu. Foi muito rápido. A loja dos gêmeos ficava no início da rua, no antigo ponto de Gambol & Japes. Hagrid e Tonks passavam em frente a Gringotts, e Molly saiu com Hermione e Ron quando a primeira maldição atingiu a moça de cabelo roxo. Imediatamente, Bill – que liderava o grupo – deu o alarme:

– Ataque! Procurem se abrigar!

Instantaneamente, pânico se espalhou na rua, e mais raios coloridos riscaram Diagon Alley. Plonk se abraçou a Harry para mantê-lo a salvo dos raios, e Arthur tentou empurrar todos para um lugar mais abrigado. Hermione e Ron estavam de varinhas a postos, tentando localizar os atiradores. Contudo, o ataque parecia vir de várias direções, explodindo vitrines, provocando incêndios. Quando Hagrid, ocupado em ajudar Tonks, pensou em olhar para o alto, era tarde demais.

Pelo menos cinco Death Eaters pularam de telhados, semilevitando até o chão ao mesmo tempo em que mantinham fogo pesado. Também havia disparos vindos da direção de Knockturn Alley e do beco perto de Madame Malkin. Então todos tentaram correr na direção do início da rua, para o lado da loja de vestes bruxas usadas. Mas foi sem sucesso. Estavam encurralados. Bill devolvia o fogo, bem como Arthur e Hermione.

– Peguem Potter vivo!

Hermione, Ron, Harry e Ginny, como dedicados membros da Armada Dmbledore, criaram escudos de proteção, mas o ferimento de Tonks parecia fundo, e a imobilizava. Havia vento e tudo indicava que o tempo estava mudando para uma chuva de verão, do tipo rápido e intenso. Arthur gritou:

– Precisamos recuar!

– Para onde? Eles estão em toda parte!

Um trovão se ouviu, e um chuvisqueiro começou. Harry teve uma intuição e cochichou:

– Plonk...? É você...?

– Vou proteger meu Rei! – garantiu o elemental de água, usando seus poderes para reunir uma tempestade. – E Sizz está ali!

Harry olhou para a direção onde ele apontava e sorriu.

– Se Sizz conseguir detê-los, poderemos tentar nos esconder numa loja.

A chuva desabou nesse minuto, trazendo uma tempestade de raios. Então, um dos raios atingiu exatamente o local que Harry queria. Sizz tinha uma pontaria certeira.

Harry pegou a mão de Hermione:

– Vamos nos separar! Podemos ir para aquela loja vazia!

– Mas e os outros?

– Ron, eu e você podemos ir com Plonk! É melhor nos separarmos!

No meio de uma tempestade torrencial, uma bola de fogo surgiu num local inesperado, do qual pelo menos três Death Eaters saíram voando e, após fazerem um espetacular arco no ar, caíram sem sentidos. Havia chuva, fogo, fumaça e muitas pessoas pela rua, o que apenas aumentava a confusão. Era o momento perfeito.

Plonk puxou Harry pela mão, e o rapaz arrastou Hermione e Ginny, além de Ron e Molly. Todos foram parar no interior da primeira loja na qual conseguiram entrar.

Ofegantes, todos praticamente caíram para dentro, e se encolheram longe das janelas, encharcados e assustados. Plonk se posicionou perto da janela, e Molly logo quis saber:

– Estão todos bem?

– Sim – respondeu Hermione, lançando um feitiço Impervius para se secar, o cabelo escorrido no rosto. – Acho que sim.

Plonk continuava de olho nas janelas empoeiradas da loja abandonada:

– Parece que eles estão quietos lá fora.

– Oh, Merlin, será que os outros estão todos bem? – indagou Molly.

Contudo, na rua a chuva continuava a cair torrencialmente. A fumaça não se dispersava, mas o dia estava escuro, quase noite. Dentro da loja também estava escuro. Ginny ergueu a varinha:

Lumos maxima!

– Não!!

O grito foi simultâneo de Harry e Hermione. A moça se encolheu, assustada. Molly ralhou:

– Apague já isso! Quer que eles nos localizem?

Ron olhou em volta:

– Nem nós sabemos onde estamos!

– Como não? – Hermione abriu os braços. – Esta é a antiga loja de Ollivander. Ele sumiu há mais de um ano, sem deixar rastro. Muita gente acha que ele fugiu para não ser pego por Você-Sabe-Quem.

– Não há provas de que ele tenha fugido. Muita gente também acha que ele foi pego por Voldemort. Junto com Florean Fortescue.

– Mas o que um Lord das Trevas ia querer com um sorveteiro?

– Sorvete? – riu-se Ginny.

– Fortescue conhecia muito sobre artes das trevas – lembrou Harry. – Ele me ajudou quando eu fiquei aqui no terceiro ano. Bom, pelo menos foi o que me pareceu na época. Eu só tinha 13 anos.

Harry começou a pensar em suas próprias palavras e uma forte intuição o atingiu. Fortescue poderia mesmo estar em poder de Voldemort se ele o achasse uma ameaça. O sorveteiro sabia mesmo sobre arte das trevas, e se ele tivesse algum conhecimento sobre o tabu chamado Horcruxes, Voldemort poderia considerá-lo uma ameaça. Como tal, ele logo desapareceria com o pobre sorveteiro.

Plonk continuava de olho lá fora, e todos estavam agachados ou sentados no chão, escondidos atrás de balcões e mesas. Harry olhou para cima e viu as milhares de fileiras de caixinhas, cada uma com uma varinha. Ele ainda se lembrava daquele dia em que escolhera a sua, a sensação gostosa que se apoderou de seu corpo quando sua varinha o encontrou. O Sr. Ollivander, que até então parecia ser excêntrico, de repente assumiu ares bem malévolo, dizendo que Voldemort tinha feito coisas grandes e terríveis.

Quando Harry olhava pela loja, sua visão mudou, e ele sentiu algo relacionado aos poderes Mizrahi. De repente, a fala dos outros ficou como ruído de fundo, e ele só ouvia o som de seu próprio coração. Mais do que isso, o rosto de Severus apareceu diante dele – mas numa sala adiante. Será que Severus estaria tentando se comunicar? Talvez certificar-se de que Harry estava bem?

Sem perceber, Harry esgueirou-se, de cócoras, até o local onde a imagem de Severus aparecia. Hermione acompanhou seu movimento, alerta. Molly, que estava com Ginny, ajudava Plonk a vigiar o movimento da rua.

Seguindo a imagem de Severus, Harry foi dar no lado de trás da loja, onde havia um pequeno escritório. Ali ele viu uma escrivaninha, um grande armário tipo arquivo e, encostado na porta, havia um baú, parecido ao malão que os alunos de Hogwarts levavam para a escola. Foi justamente do baú que Harry sentiu uma brisa suave, talvez perfumada, soprar. Uma luz azulada parecia emanar do objeto.

A sensação que Harry tinha era de déjà vu. Tudo parecia repetir a sensação na Abadia de Rievaulx, onde ele encontrara o chifre de Gryffindor. Lentamente, ele se aproximou do baú, que se abriu para ele. Era como se o objeto o esperasse.

Dentro do baú, havia caixas com varinhas. Até aí, nenhuma surpresa, já que essa era a profissão dos Ollivander desde antes de Cristo. Mas havia uma caixinha que flutuou para Harry, a luz azulada mais pronunciada. Ele a pegou, e a luz se apagou.

– Harry! – chamou Molly.

Num movimento instintivo, o rapaz encolheu a caixinha e a meteu no bolso. Saiu da sala, e Plonk o abraçou:

– Meu Rei!!

– Puxa, Harry, que susto você nos pregou – disse Hermione, disfarçando. – Estamos chamando há um tempão.

– Desculpe. Eu me distraí. Aqui tem tantas coisas...

– Acho que tudo está bem agora, Harry – disse Molly. – Hagrid está procurando por nós lá fora.

– Então vamos sair daqui.

Próximo capítulo: A multidão aumenta

Capítulo 40 – Escondidinhos

Tema: no escurinho

– Esse era o momento pelo qual esperávamos. Era a nossa chance de pegar o garoto fora do buraco onde ele se escondeu. Íamos pegá-lo em plena luz do dia, sob as barbas dos Aurores do Ministério, espalhar pânico e dar início à grande conquista. Mas não foi isso que aconteceu, foi?

O clima era mais que tenso, chegava a ser funéreo. O humor do Lord das Trevas estava pior do que qualquer um dos seus Death Eater já tinha visto. Eles estavam dispostos em círculo, ajoelhados, mas nenhum ousava sequer respirar alto. O pânico era quase palpável.

– Acionei meu espião dentro da Ordem, e as informações que vocês receberam eram precisas. Ficamos esperando semanas, e eu fui mais paciente do que nunca. Vocês sabem, paciência não é a minha qualidade mais marcante. Ainda assim, eu esperei o momento que o garoto apareceu, um momento raro, pois ele está mais seguro do que nunca. O espião se arriscou muito para fazer essas informações chegarem, pois foi uma operação montada de última hora, justamente para evitar problemas. Ia ser uma ação perfeita. Eu teria o pirralho aqui, à minha mercê. Estava tudo pronto, tudo... maduro. Vocês não tinham como estragar uma ação perfeita como essa.

Severus estava ao lado do Lord das Trevas, num lugar de honra que conquistara desde que matara Dumbledore. Era uma posição privilegiada, da qual observou Bellatrix, sempre se achando especial, tentar justificar:

– Mas Mestre, encontramos uma estranha chuva...

Ela mesma se interrompeu, ao ver a fúria nos olhos de seu Mestre, e encolheu-se, temerosa e submissa.

– Chuva!... – repetiu o Lord, estupefato. – Uma coisa é ter Dumbledore interferindo. Outra coisa é pôr a culpa na chuva, como se fossem Muggles ineptos! Eu esperava mais de você, Bellatrix!

Houve um choque geral na sala. O Lord sempre a chamava de "Bella", em qualquer ocasião. Tê-la chamado de Bellatrix era sinal de que ele estava extremamente colérico.

– Nessas horas é que eu quase me arrependo de ter dado um fim em Lucius. Seu cunhado, Bella, jamais viria com tais desculpas!... Ele me falhou algumas vezes, mas jamais tentou me enrolar com desculpas patéticas como a chuva! Crucio!

Severus tentou não arregalar os olhos ao ver Bellatrix rolando no chão, gemendo enquanto tentava prender os gritos de dor. Os demais ficaram inquietos. Severus também estava apreensivo, e não tinha vergonha de admitir. Primeiro, porque o Lord estava torturando Bellatrix, a quem ele considerava uma espécie de favorita. Depois, porque o tal espião estava se provando ser realmente perigoso.

O que realmente o deixava inquieto era que ele podia descobrir esse espião. Ele era Koboldine, podia tentar perceber quem não tinha boas intenções. Mas se chegasse perto da Ordem, iria direto para Azkaban, com bilhete só de ida. Ele queria tanto proteger seu submisso. Era um instinto Koboldine de todos os dominantes. Não poder fazer isso o deixava extremamente ansioso.

– Mulciber! – A voz do Lord o devolveu à realidade. – Sua especialidade parece ser mesmo a Maldição Imperius. E só ela. Você estava encarregado dessa operação. Mas não conseguiu qualquer vitória. Nada! Nenhum membro da Ordem foi morto! Como conseguiu fracassar dessa maneira? E ainda tivemos três presos! Três! Sabem muito bem que esta guerra não é como na primeira vez, quando tínhamos superioridade numérica! Precisamos manter nossos soldados! Estamos em guerra! Como comandante, Mulciber, você vai ser punido pessoalmente pela falha de seus soldados! Crucio!

A tortura começou, e não parou ali. Severus podia notar que o Lord das Trevas não poupou qualquer um dos envolvidos na operação.

Ele queria Harry, queria ardentemente.

Após horas, ele acariciou Nagini e sentou-se, para então dirigir-se a Severus:

– Severus, meu servo mais leal, mais eficaz. Eu tenho um plano para atrair Harry Potter. Ele virá até mim... de livre e espontânea vontade. Ensine-me, meu amigo, a arte da paciência. Você já ensinou em Hogwarts. Agora faça de mim seu aluno da arte da paciência. Como ninguém, você sabe esperar seu tempo. Ensine-me isso.

– Será meu prazer, meu Lord.

– Pois esse plano em minha mente não será executado amanhã, nem depois. Deixe que o garoto tenha uma sensação de falsa segurança. Deixe que relaxe sua guarda. Essa será a ruína do pirralho. Vou destruí-lo. Ah, já posso sentir o gosto, Severus.

Severus inclinou-se respeitosamente. Por dentro, ele sentiu uma sensação de urgência. Queria ir para perto de seu pesseguinho o quanto antes.

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Naquele dia, Molly e Arthur ficaram em Grimmauld Place, bem como Ginny. Devido a esse fato, os arranjos de quartos mudaram, claro. Ginny e Hermione ficaram num quarto, Ron e Plonk dividiram outro, e Harry continuava a ocupar a suíte principal. Foi fortuito, já que Severus apareceu à noite, pela lareira.

Harry correu a abraçá-lo, cochichando:

– Molly e Arthur estão no outro quarto. Depois do que aconteceu, eles decidiram ficar.

– Eu soube o que aconteceu. – Severus acariciou seu rosto. – Desculpe, eu não sabia que uma ação havia sido autorizada. O Lord não ficou nada satisfeito e devo dizer que muitos dos que sobreviveram e não foram capturados sentiram todo o desprazer dele. Quando eu soube, era tarde demais. Na verdade, eu só soube quando senti o seu susto...

– Mas tudo terminou bem. Tonks saiu ferida, mas não foi nada sério.

– Harry, o espião avisou. Foi ele quem deu todas as coordenadas para o ataque. Bella ficou balbuciando sobre uma chuva...

Harry riu-se:

– Foi Plonk. Ele mandou uma tempestade torrencial. Sizz fez fogo e fumaça. Por isso eles não conseguiram nos achar nem nos atacar.

– A reação do Lord foi extrema. E eu vi você...

– Eu também vi você quando me escondi na Ollivander. Aliás, aconteceu algo estranho naquele lugar.

– Estranho?

– Eu não tenho certeza, mas eu posso ter tropeçado numa Horcrux.

– Tropeçado?

Harry descreveu o ocorrido, acrescentando:

– Bom, talvez eu tenha exagerado um pouco, achando que a varinha era uma Horcrux. Mas foi maior do que eu. Alguma coisa ali estava me chamando.

– Onde está mesmo a tal varinha?

– Eu a guardei ali na gaveta. – Apontou. – Parece ser antiga. Mas... ela é diferente, Severus. A mágica é muito forte. Antiga.

Severus empalideceu ao ouvir aquilo. Ele se virou para Harry:

– Por Merlin, meu pesseguinho. Você pode mesmo ter achado a última Horcrux.

– Mesmo? Como você sabe?

– A varinha é a representação do foco da magia de um bruxo. Ao focalizar sua magia numa varinha, um bruxo se torna concentrado, rápido e preciso. Tal precisão e velocidade podem ser associadas à esperteza, inteligência e sabedoria. São qualidades atribuídas a Rowena Ravenclaw e aos membros de sua Casa. Por isso, a inteligência e rapidez de Rowena é associada não a livros, mas a varinhas. Além disso, em muitos quadros e representações dos fundadores, a própria Rowena aparece portando uma varinha. É um símbolo de Ravenclaw. Mas pode ser mais do que um símbolo...

Harry arregalou os olhos:

– E você acha que... essa varinha é a dela?

– Acho que as probabilidades são extremamente altas. A Srta. Granger, claro, será capaz de lhe dar uma resposta definitiva, com uma pesquisa bem detalhada. E, lamento informar, esse pode ter sido o motivo do sumiço do Sr. Ollivander.

Harry estava cada vez mais impressionado:

– Voldemort sumiu com ele por causa da varinha?

Severus deu um sorrisinho:

– Pelo que conheço de Ollivander, acho mais provável que ele tenha sumido por conta própria antes que o Lord tivesse chance de providenciar seu desaparecimento. Preciso ver essa varinha.

– Eu a trouxe comigo. Severus, eu estava pensando. Será que Fortescue também sumiu porque sabia demais, assim como Ollivander?

– Eu não disse que sabia o que tinha acontecido a Ollivander, e sim, o que eu imaginava. Por que diz isso?

– Fortescue sabia muito sobre artes das trevas. Fiquei pensando: se ele tivesse descoberto as Horcruxes, ele poderia ter associado isso a Voldemort, e aí Voldemort poderia sentir que ele era uma ameaça, não? Aí teria providenciado para ele sumir. Aliás, você sabe o que ele faz com as pessoas que desaparecem? Ele os mata, acho, mas como?

– Quer mesmo saber?

Harry o encarou:

– Você sabe?

Severus assentiu:

– Eles viram ração de Nagini.

O rapaz arregalou os olhos e disse:

– Acho melhor pegar a varinha.

– Está bem.

Harry foi até a gaveta e retirou a caixinha. Uma brisa suave começou a entrar no quarto fechado.

Da lareira, duas labaredas pularam para o meio do quarto e Sizz surgiu no meio delas:

– Meus lordes, por que chamaram os silfos?

– Silfos?

– Nossos irmãos do ar estão aqui! Se eles estão aqui, é porque uma Pedra de Toque foi encontrada. Não se pode deixar o Reino sem ajuda delas.

Harry e Severus se entreolharam. Severus deu de ombros:

– Aí está nossa resposta. Seja de Rowena Ravenclaw ou não, a varinha definitivamente é uma Horcrux.

– Merlin, Severus.

– Vossas Majestades querem que eu fale com os silfos?

Harry pediu:

– Por favor, Sizz. Avise Berenkor. Gostaria que ele coordenasse os esforços. Em breve, espero que o último elemento seja encontrado, e aí poderemos concatenar um plano de ação.

O elemental se curvou:

– Sim, meu Príncipe.

E sumiu. Severus continuou raciocinando:

– Vai ser preciso convocar uma reunião com Dumbledore. Ele pode nos ajudar.

– Que bom. Isso certamente nos dará alguma vantagem.

– Ao menos, o elemento surpresa deverá estar a nosso favor. Além do mais, com você indo daqui a poucos dias para Hogwarts, não teremos tantas chances de nos ver.

Harry o abraçou, com um suspiro:

– Droga, Severus. Eu me acostumei a ter você por perto. Mas vai ser perigoso nos encontrarmos em Hogwarts. – O rapaz encarou seu dominante, uma idéia surgindo em sua mente. – A não ser que usemos os tais armários que Draco também usou!

Severus acariciou o rosto de seu pesseguinho, inocente e entusiasmado, lembrando:

– Dificilmente Minerva deixaria esses artefatos no mesmo lugar. Além do mais, é razoável supor que a segurança esteja sensivelmente reforçada no início das aulas.

– Droga. Vamos ter que esperar o primeiro fim de semana de Hogsmeade para podermos nos ver.

O dominante Sharaman puxou seu Harry contra seu corpo e sussurrou:

– Posso sugerir que deixemos para nos preocupar com esses problemas quando eles se apresentarem? – Ele começou a mordiscar a orelha de Harry. – No momento, proponho nos ocuparmos de outras atividades bem mais interessantes, atividades que dificilmente poderemos realizar em Hogwarts.

O Koboldine mais velho continuou a morder e a lamber a orelha e o pescoço do jovem, que simplesmente parecia se derreter diante das carícias:

– Oh, Severus...

Ávido, Harry procurou a boca que o enlouquecia e tascou-lhe um beijo profundo, ao qual Severus respondeu com igual sofreguidão. Em segundos, os dois estavam nus e embolados na cama. Para acalmar seu pesseguinho, Severus o deixou de quatro e sussurrou palavras doces, enquanto o fazia gemer baixinho com estocadas suaves simultaneamente massageando sua ereção. Tudo tinha que ser feito em silêncio por causa da proximidade de Arthur e Molly Weasley.

Tudo que Harry mais queria era urrar pelo prazer que Severus lhe proporcionava, tanto na frente quanto por trás. Mas, na verdade, ele não podia negar que o risco, o perigo de serem descobertos se fizessem barulho também era excitante.

Infelizmente tudo terminou cedo demais, e o Harry virou o Sol, e a brilhante Lua-Severus o saudou na imensidão do espaço, compartilhando um momento de paz e tranqüilidade como eles tanto precisavam. Eles ficaram abraçados, sob as cobertas, em silêncio.

– Sev?

– Por favor, não me chame assim.

– Desculpe. Severus.

– O que o incomoda?

– Você tem planos? Digo, para depois que o derrotarmos?

– Essa não é minha prioridade.

– Mas vamos viver juntos, não? Em algum lugar.

Havia um "se sobrevivermos" implícito em suas palavras. Severus preferiu não torná-lo explícito. Disse apenas:

– Nada poderá nos separar. Precisamos nos conscientizar de que somos criaturas diferentes. É uma realidade da qual temos fugido. Mas é a verdade. Nada mais lógico do que desfrutar dela por inteiro. Portanto, quando eu digo que nada poderá nos separar, não é apenas uma promessa vazia.

Mesmo no escuro, Harry se virou para abraçá-lo e olhar em seus olhos:

– Sei que não é nada vazia.

Eles se beijaram, reafirmando as promessas. Harry suspirou e mais uma vez procurou os olhos de Severus.

– Você tem idéia do quanto eu te amo?

– Só uma vaga idéia... – Severus ergueu o cantinho da boca, no sorrisinho que era sua especialidade. – Talvez, se você fizesse uma demonstração mais contundente...

Harry se esfregou contra ele, sorrindo de maneira absolutamente safada:

– Bom, isso iria requerer que eu fizesse você gritar, e no momento temos visitas.

Severus começava a acariciar partes do corpo de Harry que certamente o deixariam incapaz de pensar em breve:

– Que inconveniente. Se você fosse um bruxo, poderia espalhar feitiços silenciadores e resolveria este problema. mas espere, eu acabo de me lembrar: você é um bruxo! Que situação fortuita!

– E você também. Por que estou com a sensação de que você já espalhou esses feitiços?

– Porque você é um pesseguinho esperto, e quer voltar para ouvir a canção de Sol e Lua.

– Então deixa eu te dar um beijo como há muito tempo eu quero dar.

A sorte dos dois é que, como Koboldines Mizrahi, sua mágica era extraordinariamente forte. Caso contrário, os feitiços não teriam agüentado os gritos. Isso certamente deu um outro gosto à despedida antes que Harry voltasse a Hogwarts.

Próximo capítulo: A volta a Hogwarts