POV Lord Voldemort

Ali estávamos nos dois a nos encararmos, ela com uma expressão seria, eu com minha expressão fria de sempre. Me lembro de como chegou nesta situação.

" Tinha trazido para os meus aposentos. Me sentindo meio angustiado, afff não podia me sentir angustiado por esta puta desgraçada. Porque ainda não a matei…? Realmente porque ainda não a matei.

Nagini olhava com curiosidade para a face de Astoria. Pensar que a vi crescer desde pequena, e agora via seu corpo, o corpo que conhecia muito bem. Pensar como o tempo é raro e misterioso. Porque teria ela ido parar precisamente na época que eu estava em Hogwarts. Aff quase que aposto que tem mão daquele velho do Merlin. Afff como o odeio… mas ele saberia da morte da sua pupila predilecta. Ah se saberia…

Ergo minha varinha, eu estava involuntariamente tremendo. Aff que odeio esta ordinária, em menos de um ano alterou todo minha vida... Eu iria acabar com aquela… qual a expressão mais correcta de definir…empecilho? Fraqueza?

Mas quando ergo a varinha, uma forte luz quase me cega saindo, de uma fenda de luz, que ao fundo se via Avalon, Merlin sai com uma expressão seria.

– Você não vai querer fazer isso…

– Quem disse que não velho…sai da minha frente…

– Você não vai querer matá-la…

– O que me impediria você?...- diz soltando uma gargalhada fria , e irritada.- Você não pode interferir com este Mundo, Merlin…só em Avalon você pode…posso perfeitamente lançar-lhe um Avada….que você não podia fazer nada…

– Repito você não vai querer fazer isso…

– Aff para de dizer isso … eu quero me livrar dessa desgraçada, se ela esta aqui assim, a culpa é tua…

– Não há culpa nisto…fazia parte do seu destino e do dela …vocês se conhecerem…

– CALA A BOCA…- eu estava ficando fora de mim, se ele não fosse imortal , já estaria com certeza morto aos meus pés. Ele falando aquilo, me relembrava do desespero que senti quando ela foi embora. Por causa dela, eu sofri, sofri….afff como a odeio…

Num passo rápido a ergo da cama, apontando a varinha ao seu coração. Merlin abre muito os olhos, ele parecia muito serio.

– Prepare-se para vê-la morrer…

– Não faz isso…

– Porque?

– Você não vai querer matar o teu filho…- diz Merlin de uma assentada, fico olhando no rosto dele, como tentando ver se ele estava mentindo, ele estava serio. Lentamente desço a varinha, olho no rosto dela, que estava desacordada, olho na direcção do seu ventre. Um filho? Como assim um filho ? Um filho…

– Não pode ser…- digo num fio de voz, lutava a todo o custo para manter uma mascara imperturbável na minha cara.

– É bem possível…ela esta de quase um mês…- diz Merlin numa voz compreensiva para com a minha situação. Minha mascara desaba, revelo choque, abro e fecho a boca duas vezes.- Tom, acorda ela esta grávida de você…- diz o velho , me acordando para realidade. Ela se esbate com um chicote no ar. Ela estava grávida de um filho meu , não podia ser de outro, ela andava sempre consigo, só ele tinha tido ela. Disso não podia mentir. Era um filho seu.

– Mas…porque ela não me disse nada?- digo ainda num fio de voz.

– Ela tinha medo da sua reacção…e você a torturou para descobrir a verdade esqueceu ? – diz Merlin numa voz claramente reprovadora.- Como queria que ela te contasse…você pode dizer o que quiser…mas ela conhece a sua personalidade instável…

Fico com uma cara séria, não despego os olhos do seu ventre. Podia perfeitamente matá-la, não seria um filho… Aff quem eu quero enganar…precisava de um herdeiro a quem ensinar mesmo tudo o que eu sei…me ajudar a governar este longo Mundo. Alguém do seu sangue , de sua nobre linhagem…

– Tom ?

Olho para o velho, ele esperava algo.

– Posso levá-la…?

– Não…- digo de uma vez, Merlin primeiro arqueja a sobrancelha, depois esboça um leve sorriso.- Não pense coisas velho…quando meu filho nascer ela morre…

– Não sei não…

– Aff…crie ilusões se quiser…

– Eu deixo ela com você…mas eu estou vigiando você…se você não tratá-la bem…eu voltarei …e dessa vez a levo comigo…- A fenda de luz surge de novo, Merlin desaparece por ela. Vejo o velho ir.

Olho na direcção de Astoria, ela estava desacordada, resultado das maldições que lhe lancei. Saiu do quarto, me dirigindo até a sala de reuniões, estava lá comensais tratando de assuntos do Mundo Magico. Mal entro todos ficam olhando em silêncio, ainda olhavam com espanto para meu novo aspecto mas eram inteligentes para se manterem calados, se curvam perante mim. Adorava sentir esse poder. Olho directamente para Crabbe, que vem até a mim, saímos da sala ficando no corredor. Falo baixo.

– Me chama a medibruxa de minha confiança…vai rápido…

Ele aparata em seguida, passado uns minutos, aparece com uma medibruxa era já idosa, mas conservava uma expressão meio austera, mas ainda assim doce.

– Olá Lucinda…

– Milord…- diz me sorrindo, conhecia-a desde os tempos de Hogwarts, se me lembro bem era uma das amigas de Astoria.

– Venha comigo…- Ela concorda com a cabeça.

Ela entra, olha para a cama, sua expressão fica surpresa e chocada. Havia reconhecido a amiga. Abre a boca. Eu falo por ela.

– Sim, é ela…ela levou duas maldições negras….um respiro aethiopem e um crucio…

Ela recupera lentamente do choque, se apressando em curar Astoria, ao passar a varinha pelo o ventre, fica espantada. Olha para mim, abre e fecha a boca. Pela expressão dela, posso presumir que descobriu sobre a gravidez dela. Mantenho minha expressão, ela continua o que estava fazendo.

– Bem milord, ela precisa de umas poções de ferro…poção reforçante…ela perdeu muita energia por causa das maldições…e bem, algumas poções anti enjoo…nesta fase inicial da gravidez…é costume haver muitos enjoôs. Ela apresenta sinais de forte stress, ela deve repousar, não se stressar, porque pode fazer mal para o bebé…e ter uma alimentação saudável…

– Certo só isso…?

– Sim…

– Nem uma palavra sobre isto, Lucinda a ninguém…entendeu….nem sobre a gravidez e nem sobre ela estar aqui….- Digo num voz fria, que ela estremece , engolindo em seco.

– Com certeza milord…

Ela aparata em seguida, me dirijo a uma poltrona, Nagini sai do pé de Astoria, rastejando para o pé de sento na poltrona, fico observando ela, seu peito descia e subia com o lençol fazendo o mesmo movimento, agora regularmente, seus cabelos loiros esparramados no colchão, dirijo meu olhar para a zona que seria o seu ventre. Eu seria pai…nunca tinha visto essa perspectiva, tinha pensando em ter. Mas batendo na realidade era algo bem diferente.

Encosto minha cabeça, numa mão, continuando a olhar. Ela estava ali de novo, para ela podia nem ter passado um dia. Mas para mim tinham passado cinquenta longos anos. Com a angustia e a dor no coração, tudo por causa dela. Pensar que eu …sofri por…por…amor…era irritante. Sim eu tinha amado ela. Tinha que reconhecer isso a mim mesmo. Mas agora tinha-lhe uma raiva, não podia vê-la sem me enfurecer. Me levanto da poltrona indo ate ela, retiro o lençol, vendo o seu corpo, continuava igualzinho ao que eu me lembrava, algo no meu corpo se acende. Ainda assim, mesmo após tanto tempo , eu ainda a desejava. Aff, maldita desgraçada. Tapo-a de novo. Volto para a poltrona, me sentando de novo. Ela estava prestes a acordar. "

POV Astoria

Tinha acordado, nos encarávamos, ele me olhava ainda com aquela expressão fria, com um feixe de choque.

Ele começa a falar.

– Toly…- uma elfa doméstica aparece no quarto.- Traga algo para srta. Astoria comer, nem uma palavra sobre ela estar aqui…a ninguém…

Conservo silêncio só olhando a situação, meio bizarra. Meu olhar se desvia para o meu ventre. Ele nota.

– Ele está bem…não se preocupe…e antes que pergunte…só por causa dele que você esta viva. Só por causa do meu herdeiro…senão não estaria aqui neste momento, mas sim numa das lápides da tua família…

Engulo em seco, olhando directamente no seu rosto.

– Tudo bem...-digo numa voz apagada e fria. Mas por dentro estava aliviada, pelo o menos ele poupava o filho. Era só o que me importava ,não tinha mesmo muita fé de sobreviver após meu filho nascer. Sendo assim me sobrava menos de nove meses de vida, mas esses nove meses não queria encara-lo todo o dia.- Vou ter que ficar aqui ?

Ele se levanta da poltrona, vem ate perto de mim. Senta-se a minha frente, segura meu rosto com força, me machucando. Me obriga a olha-lo.

– Você não vai a lado nenhum entendeu…quem me garante que você não tentaria fugir ? Eu te treinei muito bem Astoria, sei do que você é capaz…- Ele aperta ainda mais meu rosto, solto um gemido de dor, que ele nota, afrouxa o aperto.

– Brilhante dedução meu senhor, mas eu não seria idiota ao ponto de arriscar meu filho nisto…tenho cabeça que eu saiba…

Ele sorri de lado, com aquele sorriso macabro.

– Sua inteligência não perdeu pelos os vistos…

– Sempre a tive, pelo menos durante um longo período de minha vida…só alguns tempos que não...- Desvio meu olhar de sua cara, ele nota a indirecta, fica fulo, me desfere outro estalo, então se afasta de mim. Olho na sua cara furiosa, ele parecia arrependido do que fez.

– Cuidado com a língua, Astoria…não me faça irritar…

– Então me deixa sair daqui…- digo quase gritando. Ele me encarava parecendo querer controlar os nervos a muito custo.

– Você não vai a lado nenhum, e se for irá comigo…não sai daqui sem mim entendeu…- diz ele para mim, sua voz subindo de tom. Fico quieta, suspirando forte. Nesse momento surge Toly, mas quando vou me levantar, sinto uma tontura, ele me agarra instintivamente. Me seguro a sua túnica de feiticeiro.- Não tente se levantar sua tola, teve horas desacordada…e levou dois feitiços que te sugaram energia…- ele me senta na cama, olho directamente e mais detalhadamente seu rosto.

Pêra ai, já não era um rosto oficidio, era rosto de um homem maduro, belo, elegante, de belos olhos azuis e pelo o que podia sentir corpo muito bem definido. Como ele ficou assim? Fico assombrada, ele nota meu olhar, arquejando a sobrancelha, fazendo um claro sorriso…sacana…

– Passa-se algo, Astoria? - Diz falando no meu ouvido.

– Nada…- digo meio assombrada, ainda desviando o olhar, me afastando dele. Ele mantém um (charmoso) sorriso de canto. Toly se aproxima com um tabuleiro com comida, me colocando a frente, começo a comer em silêncio, melhor para minha saúde, evito ao máximo olhá-lo, uma coisa era enfrentá-lo com aquele rosto oficidio, outra totalmente diferente era enfrenta-lo com aquela face que lembrava o Tom…

De vez em quando meu olhar fugia para ele, ele comia como eu me lembrava, com calma e com graciosidade. Acabo de comer. Ele dirige seu olhar para mim, dizendo:

– Tem de tomar essa poção de ferro, poção reforçante também…e esse tal de poção anti-enjoo…- diz ele revirando os olhos, aborrecido de ter que dar avisos para um garota de dezassete anos. Reviro os olhos também indo tomar.

Ele levanta-se, vem por detrás de mim, fala perto de mim. Me viro para ele, encarando-o directamente.

– Vou sair volto mais de noite…e vamos conversar…pode pedir a Toly, que te traga comida, ou algo para te entreter, mas não tente sair daqui, há feitiços suficientes para deixar …bem mal…- diz numa voz fria como se não se importa-se com isso. Cerro os dentes, so confirmando com a cabeça.- Se bem que não iria muito longe sem sua varinha não é mesmo… – diz tirando de seu manto, minha varinha, mordo meu lábio. Sem minha varinha, sentia-me sem um braço, sei lá. Mas não demonstro isso, ele sorri macabramente.- …Nagini não te fará nada…a menos claro que você lhe faça algo…

– Porque iria irritar a Nagini…?

Ouve-se um pio na janela, me viro, era Ash, tenho o impulso de ir abrir a janela para ela entrar, mas me viro para ele. Ele fita minha Fénix uns longos minutos, mas só confirma com a cabeça. Vou até a janela deixando ela entrar, acaricio sua cabeça,ao qual ela pia baixinho me dando leves bicadas, esboço um leve sorriso triste. Ao vê-la me lembro dos meus pais, do meu irmão, da minha cunhada, que saudades deles!

– Nem pensa bancar a esperta…tentando sair daqui com a Fénix…

– Não o farei…- digo falando serio.

– Até logo á noite…- só confirmo com a cabeça, ele aparata.

Com Ash, nas mãos fico olhando em volta, pelo o quarto, suspirando forte. Só de pensar que teria que ficar aqui durante tanto tempo, com ele…meu coração suspirava também…dividido entre a tristeza e a felicidade…