Nota da autora: Olá a todos :) Mais uma semana e mais um capítulo! Sorry por não ter postado ontem, coisas como Game of Thrones tomaram meu tempo e esqueci completamente, hahaha. Obrigada pelos comentários anteriores e espero que gostem deste capítulo. Ficou um pouco grande e eu tive que dividi-lo... se tiver pelo menos 15 comentários, posto um novo imediatamente, senão só semana que vem.

Eu postei também um outtake dessa história em separado, chequem meu perfil para lerem (e deixar um comentário), se puderem :) Esta semana tem mais um, e vou logo adiantando que será sobre o que o Sesshoumaru fez durante a ausência de Rin na capital. Outro que não sei se dará tempo de escrever até domingo é com o ponto de vista dele neste capítulo :)

Enfim, espero que gostem. Desculpem a nota longa, hahaha.

Betado por Thais


UM CAMINHO PARA DOIS

CAPÍTULO 20

Desencontros no caminho

Havia um motivo especial para Rin ter escolhido um minúsculo apartamento para morar na capital.

Claro, o lugar em questão era perto da Universidade. Mas nem era esse exatamente o motivo.

Da micro-janela da sala de estar (ou do que tentava ser), era possível ver a parte preferida do jardim da Universidade, onde ela uma vez já encontrou Sesshoumaru tentando tomar conta do lugar que tinha escolhido para si mesma.

Os olhos saíram da janela, por onde via o alto das árvores, para a sala de estar, motivo que a levou a dar um suspiro cansado. Mais malas, mais livros, mais roupas, mais desânimo. O primo deveria achar que ela morava num castelo para obrigá-la a levar tanta roupa assim. E ela não teve sucesso com o plano que elaborou com o irmão de fingir que levaria as três malas de roupas que ele arrumou para ela. Jakotsu foi com eles para a estação. Ele não saiu do lado de Rin. Ele estreitava os olhos a qualquer movimento do primo. Parecia que ele conhecia o plano secreto dos dois irmãos.

E ela estava ela com mais uma pilha de roupas. Pelo menos conseguiu trazer os livros e demais lembranças para os amigos. Em dois dias iria encontrá-los.

O novo semestre parecia ser o mesmo para muitos dos estudantes daquela Universidade. Como Rin era praticamente uma novata, ela ainda sentia as novidades do ar. Era o último semestre, era o começo da vida depois da formatura.

Mais seis meses pelo menos na capital.

A garota mal havia chegado à cidade, feito a prova da Ordem e já se preparava para estudar de novo. Não havia encontrado ainda Sesshoumaru. Talvez fosse melhor mandar uma mensagem para ele. Agora ela tinha um celular!

Depois o desânimo a abateu quando ela lembrou que o guardou numa das malas. E elas ainda estavam espalhadas pela micro-sala.

Deu mais uma olhada pela janela. Mais dois dias. Ela tinha tempo de organizar as coisas dela, de pensar no que dizer a ele, em se preparar da melhor forma possível... Na última conversa com Jakotsu, era claro que não dava para saber se um relacionamento daria certo ou não. E ela não era de lá. Ela não tinha como fixar residência ou se sustentar depois que acabassem os estudos. E ele... bem, ele era Sesshoumaru. Provavelmente ele já tinha uma vida inteira planejada desde os cinco anos.

Deu um suspiro cansado e voltou-se para as malas. Colocou uma mão em cada lado do quadril e ergueu o rosto:

-Muito bem... o que eu vou fazer com vocês?


Já era praticamente metade de setembro, e faltavam apenas algumas semanas para começar o outono, embora já houvesse sinais evidentes nas árvores e no vento. Rin teria que se acostumar com mais uma época fria. Hakudoushi lhe contara que na capital o outono chegava a ser mais frio que o inverno.

Era o primeiro dia de aula na faculdade. Havia se preparado psicologicamente uma tarde inteira e ainda se sentia insegura, mas levou os conselhos de Jakotsu à risca: roupas nos dão poder nos momentos de insegurança. Ela escolheu um modelo dele, colocou os brincos que ele escolhera para ela, os sapatos mais confortáveis que já tivera, arrumou o cabelo e pegou a sacola de souvenires, presentes para os amigos.

Durante todo o caminho que andou até a universidade, ela ensaiou e reensaiou o que diria ao rapaz quando a encontrasse... Não. Primeiro teriam uma conversa. O início da conversa seria permeado de brincadeiras sobre o novo visual, com certeza. Será que ele aprovaria? Afinal, ela no fundo fazia isso por ele, não?

Estava se dirigindo a um dos bancos em frente a um instituto qualquer para dar um descanso aos pés, os novos sapatos ainda apertavam um pouco. Antes de chegar, porém, parou, sentindo o coração acelerar a mil. O que estava vendo ali? Sesshoumaru e Kagura conversando e ela estava... grávida?

Ao ver que ele virava o rosto para a direção dela, Rin escondeu-se atrás de um dos bancos, longe o suficiente para não ser vista enquanto os espionava. Sentia ainda o sangue correr gelado no corpo. Os membros inferiores pareciam paralisados.

Não podia dizer exatamente que estava "espionando" os dois, mas era quase isso. Não conseguia escutar, mas as cenas dos dois juntos... Kagura estava com uma barriga pequena, quase disfarçável se não fossem as roupas, e Rin não conseguia dar mais de três meses para ela. Isso significava que ela já estava grávida quando ficaram de férias.

Mas Sesshoumaru podia e não podia ser pai da criança.

Não era.

Sentiu as mãos trêmulas quando levou uma delas aos lábios para tentar sentir... o beijo dele ali. Era também perfeitamente possível ter acontecido algo entre os dois durante o tempo que estavam estudando, ainda no primeiro semestre, mas...

Quando foi que ele dissera que gostava dela? Há três, quatro meses? Ele recebera uma rejeição, mas não era do tipo que andava atrás de outra. Ele mesmo falou que não se interessava por ninguém. Então esse... bebê não podia ser dele porque ele dissera que gostava dela.

E que pensamentos são esses, Rin? Você não é possessiva, e ele não é nada seu. Vocês nem ao menos conversaram!

Não, não podia ser dele. E se fosse...

Balançou a cabeça negativamente.

Olhou de novo para o local e viu Kagura forçando o rapaz a passar a mão na barriga. Era uma cena muito bonita, mas que faria qualquer coração ficar despedaçado. Ele, como sempre, parecia irritado com alguma coisa que ela dizia. Provavelmente alguma piadinha à la Kagura.

Ficou observando a cena por um bom tempo, em que os dois apenas ficaram conversando, e depois o rapaz foi embora, deixando a outra sozinha. Rin observou o porte elegante dele e quis correr atrás dele.

Tinha certeza de que não era dele. Ele não era daquele tipo, repetiu para si mesma.

Decidiu levantar-se para ir embora dali e pensar melhor sobre o assunto. Depois de tanto ensaio, tanta coisa que queria dizer, não havia chance alguma de conversar com ele. Não quando ela sentia os joelhos tremerem tanto.

-O que está fazendo aqui, Rin-chan? - a voz de Kagura soou atrás dela, fazendo a garota recuar assustada.

Rin manter-se em pé depois do susto. Se fosse ela a grávida, com certeza perderia a criança, tamanho o choque. A dor incômoda nos sapatos tinha sido totalmente esquecida.

-O-Oi... – ela conseguiu murmurar. A voz saiu irreconhecível até para ela mesma.

-Está aí há quanto tempo? - Kagura perguntou, sentando-se no banco que serviu de esconderijo para Rin e pegando um lenço da enorme e elegante bolsa de marca para passar na testa.

-Eu estava... Quer dizer... - deu um sorriso sem graça - Acabei de chegar...

Kagura piscou confusa. Ela realmente tinha cara de ter acabado de chegar, mas por que diabos ela viria correndo? Havia suor e ela ofegava, além de estar pálida... talvez tivesse um ataque de asma ou algo assim. Maldição, lá vai ela agora pesquisar sobre milhares de doenças que podem ser contagiosas nesse estado.

-Você viu que Sesshoumaru estava aqui agora há pouco? - Kagura resolveu perguntar.

-N-Não... - a garota murmurou um pouco apressada - Ainda não o encontrei hoje.

-Ele falou que queria encontrar você. – a outra respondeu casualmente, tocando o ventre inchado – Hoje dei pra ele boas notícias do que o médico disse hoje, só que ele só balançou a cabeça pros lados e continuou me chamando de irresponsável.

Começou a gargalhar alto, e Rin não a acompanhou. Ela ficou apenas lá, parada, branca como um fantasma, tremendo como se fosse desmaiar. Kagura pigarreou e procurou mudar de assunto para deixar a garota menos alarmada.

-Como foram as suas férias?

-Foram... foram muito boas... Fiquei com minha família... - ela respondeu com um sorriso sem graça. Rin torcia a alça da nova bolsa e olhava para os sapatos, cujo incômodo nem importava mais.

-Estou vendo... - Kagura a olhou dos pés a cabeça - Gostei de sua nova roupa... Você está muito bonita.

Rin pareceu duvidar e torceu as sobrancelhas, formando um adorável "v" entre elas numa evidente insegurança.

-É sério. – Kagura sentiu-se mal consigo mesma. Tinha uma péssima reputação quando se tratava de elogios, porque era quase sempre irônica ou absurdamente humorada. Rin evidentemente não estava acostumado ao lado sério dela.

E Rin tremia tanto que Kagura começava a se preocupar se ela não teria um colapso. Puxou-a pela mão – extremamente fria - e a fez sentar-se no banco.

-Você tem alguém que te ajuda a escolher as roupas? Eu preciso de algumas dicas, novo guardarroupa... sabe como é. – Kagura tentou abordar outro assunto. Definitivamente não era uma boa hora para brincadeiras. O toque na mão dela indicava que Rin estava tão gelada que parecia um cadáver.

-Meu primo... – ela pigarreou forte. – Ele é estilista... Ele gosta de fazer isso comigo... E... – torceu de novo a tira da bolsa. Kagura torcia para que uma bolsa caríssima como aquela (e com a qual ela diversas vezes sonhou) não arrebentasse por causa daqueles dedinhos nervosos – Ele mudou meu visual.

-Wow... ele parece conhecer você muito bem... São poucos os estilistas que conseguem entender bem o que é bom em outra pessoa sem ser ela mesma. - Kagura tentou transmitir a segurança que talvez faltasse à outra. Perguntava-se o que estava acontecendo afinal. Sesshoumaru e ela já estavam...? - É de muito bom gosto e elegante. Ele já a vestia antes?

-S-Sim.

-Tenho certeza de que seus amigos vão gostar do novo visual.

Ficaram em silêncio.

-Estou com fome... - Kagura falou, passando a mão na barriga - Não sabia que dava tanto trabalho carregar um... - deu um sorriso e olhou para Rin - Acho que todos deveriam agradecer as nossas mães por nos suportarem tanto tempo, não?

Rin não respondeu e Kagura voltou a perguntar:

-Não é?

-Eu... eu não sei... - ela deu um sorriso sem graça - Minha mãe de verdade morreu quando eu tinha três anos... Mas eu acho que sim...

-Oh... - a garota olhou espantada - Sinto muito...

-Que... - Rin começou, escondendo o olhar sob a franja - Quem é o pai...?

-Hein? - Kagura não escutou direito por Rin estar falando muito baixo.

-Quem é... o pai...?

Silêncio se fez de novo.

-Você não o conhece, Rin-chan... – Kagura falou calmamente – E acho que nem vai conhecê-lo. Ele me abandonou, nos abandonou.

-Ah... sin-sinto muito, Kagura...

-Tudo bem... - Kagura deu um sorriso, acariciando o ventre - Podemos falar sobre outras coisas além desse filho da mãe.

-"Outras coisas"? - Rin repetiu, de novo franzindo a testa.

-Arranjou alguém "especial" em Nagoya?

-Não! Nin... Ninguém - Rin baixou o rosto para que Kagura não visse a visse tão vermelha.

Kagura apenas ficou olhando, fazendo o máximo possível para evitar dar um suspiro cansado. Ela provavelmente esta tensa porque ainda iria encontrar Sesshoumaru. Talvez pudesse ajudá-la e... Queria continuar a conversa com ela, mas a fome que sentia ficou maior. Prova disso foi uma guinada do estômago que até Rin pôde ouvir.

-Hmm... - Kagura esticou os braços e levantou-se - Eu infelizmente tenho que ir. Vou assaltar um dos restaurantes daqui.

-"Assaltar"? - Rin não conseguiu esconder a gota no rosto e arregalou o olhar.

-É um modo de dizer. Estou com muita fome. - passou a mão na barriga - Isso aqui me deixa com fome.

-Oh...

-Até outro dia, Rin-chan. Espero que tenha um bom dia.

Rin não viu Kagura afastar-se, preocupada com outros pensamentos.

-Não é dele... Que bom... – murmurou, sentindo também uma lágrima quente escorrer até o queixo.

Limpou o rosto assim que o sentiu molhado.

Não acreditava que sentiu-se tão mal por algo tão sem razão. Kagura estava grávida de outro, e Sesshoumaru, como amigo dela, estava lá cuidando dela. Talvez o problema fosse esse, ele cuidar de outras. Afinal, ele mesmo disse que tentou cuidar de um filho que não era dele. E com aquela garota, o pior de tudo.

Não era filho dela. E Kagura parecia ser, apesar dos pesares, muito segura quanto à criança. Era uma bobagem preocupar-se com aquilo. Se não era dele, ela não precisava se preocupar.

-Minha cabeça... - massageou as têmporas e levantou-se. Já estava quase no horário da primeira aula e ela estava com dor de cabeça, pronta para começar o semestre da pior maneira.

Considerando que não tinha como se concentrar o resto do dia, Rin tomou o caminho do portão, saindo da Universidade para voltar ao pequeno apartamento.


No segundo dia de aulas do último semestre do ano, na sala do centro acadêmico de Direito, Sango, Miroku, Kagome e os dois irmãos conversavam sobre diversos assuntos referentes ao longo período que ficaram sem se ver. Ou melhor, quase:

-Sesshoumaru, cê não vai abrir a boca? – Inuyasha perguntou, olhando divertidamente para o rapaz – Acho que já tem voz suficiente pra isso.

-Inuyasha... – Kagome não conseguiu disfarçar uma gota no rosto ao ver que o namorado não perdia uma única oportunidade de provocar Sesshoumaru.

-Eu sou obrigado a falar alguma coisa? – o rapaz falou, visivelmente mal-humorado. Rin não havia aparecido no primeiro dia, e ainda na metade do segundo nem deu as caras na faculdade.

-Está mal-humorado por causa de Rin-sama? – Miroku arriscou, desviando rapidamente de um grampeador que voou na direção dele como resposta.

-Isso o deixa pior que o de costume. – Inuyasha comentou – Estava bem melhor quando ficou doente.

-Queria saber de Rin-chan... – Sango começou, pegando o grampeador do chão – Estou com saudades dela.

-Eu trouxe um presentinho pra ela. – Miroku tirou algo de uns dos bolsos do casaco que usava – Uma canetinha da Hello Kitty que faz bolinha de sabão!

Todos – até mesmo Sesshoumaru – olharam para o rapaz como se ele estivesse mentalmente doente.

-Ei, qual é? – ele protestou – Ela gosta dessas coisas, é a cara dela! – ele tirou a tampa da caneta, com um aro para fazer as bolinhas e um compartimento com sabão líquido, soprando nela e fazendo assim um monte de bolinhas que encheram o ambiente.

-Acho que Rin-chan não vai gostar da brincadeira, Miroku-sama – Kagome se manifestou – Isso é pra criança.

-Ué... Com aqueles vestidinhos ela é o quê? – Miroku perguntou.

Um rosnado de Sesshoumaru assustou o rapaz.

-Hã... Isso me faz lembrar que eu também tenho um presentinho para Sesshoumaru-sama.

Miroku foi até ele e retirou rapidamente um objeto do outro bolso, entregando forçadamente na mão dele.

-O que é isso? – o irmão de Inuyasha perguntou.

-Aquelas bolinhas que acalmam a pessoa quando apertam na mão... – recebeu um olhar maligno de Sesshoumaru – e... tal... – engoliu em seco ao ver que ele apertava a bola com força – Hã... não é assim, Sesshoumaru... Quer que eu te ensine?

-Vou enfiar isso em algum lugar seu para eu ficar mais calmo. – foi a resposta dele, e Miroku afastou-se rápido.

-Hmm... Espero que isso ajude a acalmá-lo enquanto a Rin não vem. – foi o comentário de Inuyasha.

-Queria saber da roupa dela... Será que ela vem com aquela roupinha cor-de-rosa? – Miroku opinou.

-Eu acho muito elegante o jeito com que ela se vest, apesar de dizerem que é infantil. – Sango falou, sorrindo sem graça.

-Eu também. – Kagome falou, segurando o queixo com as mãos em cima da mesa – É uma filha daquele jeito que eu gostaria de ter.

Inuyasha estava mascando chiclete e cuspiu longe a goma.

-Também quer que ela tenha um sotaque e fale que nem um carro? – Sesshoumaru perguntou, divertindo-se em ver Inuyasha engasgar com aquele comentário.

-Pode ser. Contanto que seja tão bonitinha e ingênua como Rin-chan é...

Todas as atenções ficaram voltadas para a porta que se fechara bruscamente após Rin tê-la aberto e entrado na sala.

-Boa tarde para todos. – ela falou com altivez.

Usando uma saia acima do joelho e uma blusa sem mangas e de tecido fino, Rin deixou os cinco presentes na sala boquiabertos.

-O que foi? – ela perguntou, friamente.

-Rin-sama... – Miroku começou – Há quanto tempo estava...?

-Vocês estavam muito ocupados em tentar adivinha com que vestido eu viria, não quis interromper.

A garota andou quase flutuando pela sala até chegar à estante onde ela e Sesshoumaru reservaram apenas para guardar livros. Pegou um volume de Direito Civil e voltou a se aproximar do grupo, parando próximo uma das cadeiras da mesa onde eles estavam. Havia um silêncio recheado de constrangimento e uma fúria prestes a explodir.

-Rin-chan... – Sango começou para apaziguar a situação – Não ligue para os comentários desse idiota. – apontou para Miroku, que engasgou com a sinceridade impregnada nas palavras da garota – Devo dizer que está linda com essa roupa.

-Obrigada, Sango-chan – a garota deu um sorriso, depois abriu a larga bolsa, a mesma cuja alça foi retorcida no dia anterior, e tirou vários pacotinhos de lá – Ah, eu trouxe lembranças para todo mundo. Só não tem boneco dos Comandos em Ação pra você, Miroku.

-Droga. – ele murmurou num tom de raiva fingida, os lábios se contorcendo num sorriso.

Em poucos minutos, cada um recebeu um presente elegantemente embrulhado e abria. O último foi Sesshoumaru, que não recebeu o presente dele diretamente das mãos dela, mas o viu delicadamente pousar em cima da mesa dele.

Ergueu os olhos e viu os delicados traços dela mostrarem algo que só via quando estavam sós: insegurança. Eram as sobrancelhas erguidas em desafio que não correspondiam com o fundo de tristes olhos castanhos. Ela estava insegura de alguma coisa entre eles, talvez?

Pegou a caixinha e abriu. De lá, um globo de neve de cristais se agitavam sobre uma réplica do Castelo de Nagoya. O vidro era de cristal puríssimo, altamente delicado. E ele viu a etiqueta da embalagem– Joalheria Ginza Tanaka, a mais cara do Japão. Não era um presente qualquer.

Ao erguer novamente a vista, percebeu que todos o olhavam como se esperassem que ele agitasse o globo e ficasse observando a neve cair em cima do mini-castelinho. Estreitou os olhos para o grupo, e a única que pareceu não se retrair foi Rin.

-Bem, já que Rin-sama voltou... – Miroku estava totalmente sem-graça – É melhor deixar os dois chefões daqui se acertarem...

Imediatamente, Sango, Miroku, Kagome e Inuyasha se levantaram e saíram da sala quase correndo. Depois que se foram, Rin olhou para Sesshoumaru com uma das sobrancelhas levantada.

-Eu falo como um carro, é? – ela perguntou.

-Fala, fala sim. – o rapaz confirmou, não sentindo um pingo de remorso por tê-la ofendido – Por que não veio ontem?

-Acredito que não seja importante você saber. – ela falou, rudemente.

-Você prometeu de me encontrar ontem aqui para nos acertarmos, esqueceu?

-Não, eu não esqueci. – ela falou num tom de voz tão dissimulado que deixou o rapaz irritado – Quer falar sobre isso agora?

-Rin, o que foi que aconteceu pra você...

Não pôde completar ao ver a porta se abrir e Kagura entrar. A garota, ao ver Rin ali, recuou e tentou disfarçar:

-Ah... desculpe... Achei que estava sozinho, Sesshoumaru.

-Já ouviu falar em bater antes? – o rapaz rosnou, passando pela cadeira em que Rin estava sentada e nem olhando para ela – Com licença, Nozomu.

O fato de Sesshoumaru tratar Rin pelo nome quando estavam sozinhos e pelo nome de família quando tinha alguém por perto fez com que aumentasse a irritação inicial que sentia pelo rapaz por causa dos comentários que ele fizera. Levantou-se subitamente e tentou sair da sala para não discutir com ele, parando apenas ao sentir a mão dele segurar fortemente na dela.

-Aonde vai? – foi a pergunta dele.

Rin deu um suspiro antes de responder e olhou para o lado, trocando olhares com ele e com Kagura. Olhou para esta um pouco triste, respondendo sem desviar o olhar dela:

-Vou pra biblioteca. Depois eu devolvo o livro. – mostrou o livro que pegara da estante.

-Eu quero conversar com você – o rapaz falou num tom frio – Preciso que fique.

-Kagura quer conversar com você sozinha. – percebeu que a garota recuara ao escutar aquilo – Não percebeu que ela entrou sem bater porque achava que estava sozinho, ou será que pensa que ela não se importa de eu estar aqui?

O rapaz soltou o braço dela e estreitou os olhos para o comentário.

-Eu fiquei esperando por você o dia todo ontem. – o tom era quase glacial – Será que poderia esperar cinco minutos aqui?

-Você esperou porque quis. – foi a resposta dela, acariciando o braço. Ele apertou um pouco forte demais. A marca dos dedos dele estava presente agora na pele dela.

-Você podia ao menos avisar que faltaria para não me fazer esperar.

A garota não respondeu, mas Sesshoumaru escutou o comentário de Kagura:

-Mas ela veio ontem... Eu conversei com ela perto do instituto.

O rapaz arregalou os olhos.

Rin apenas deu as costas e saiu da sala, deixando Sesshoumaru boquiaberto.


Uma semana depois.

Foi uma semana inteira evitando encontrar-se com Sesshoumaru. Rin estava ficando...

-Rin, hoje você não escapa. – escutou-o falar quando estava saindo da sala para fazer um intervalo.

...cansada.

-Droga... Esse cara... Chato... – resmungava.

Nem ao menos sabia por que estava fugindo dele. Apenas tinha que admitir que era difícil manter uma conversa civilizada com o rapaz quando se encontrava tão irritada desde a última conversa entre os dois.

Encontrou refúgio num corredor isolado, um em que as pessoas quase não iam por se parecer com um museu de tantas estátuas e quadros que havia ao longo dele. Entre duas grandes estátuas de antigos imperadores, ela descansou contra a parede, fechando os olhos para se concentrar nas pessoas tagarelando enquanto andavam sem se importar com ela.

-Pensando em ir embora hoje sem falar comigo? – escutou alguém perguntar ao lado. Sentiu a respiração quente de alguém e reconheceu de quem era a voz, além de sentir uma mão segurá-la fortemente no braço para impedir que fugisse.

-Se-Sesshou...?

Quando foi que tinha deixado que ele se aproximasse?

-O que foi? – ela perguntou na defensiva.

-Kagura me contou que você estava naquele dia no jardim. – ele começou, puxando do vão entre as estátuas e segurando-a com firmeza para que não sumisse de novo. A impressão que tinha era que Rin desapareceria numa nuvem de fumaça, tal a habilidade dela para a coisa – Por que não me esperou?

-E por que eu esperaria? – a pergunta soou como um desafio.

Era isso. Ela não queria mais saber de conversas, não queria mais tentar entender o que se passava entre os dois nos últimos meses, nas últimas semanas, nos últimos dias. Os olhos castanhos continuavam tentando parecer firmes, mas era possível ver uma profunda mágoa neles.

O que quer que causou aquilo nela iria pagar muito caro pelas mãos dele.

O rapaz abriu a boca para responder, mas foi interrompido por um professor conhecido que se aproximou dos dois – e nenhum deles percebeu.

-Sesshoumaru, tenho um aviso pra você.

-Professor... – ele murmurou, largando o braço de Rin.

-O resultado da prova da Ordem dos Advogados saiu esta manhã... E eu já vi que você ficou em primeiro lugar.

Ambos arregalaram os olhos e Rin sentiu o sangue gelar. Ele tinha tirado o primeiro lugar? Mas ele havia dito que não estava estudando muito, e ela passou o mês inteiro estudando para fazer uma maldita prova que levaria o nome daquela universidade!

-E você também estava na lista... Mas em terceiro lugar, senhorita. Parabéns a vocês dois por conseguirem sustentar o nome de Tokyodai lá fora.

"Terceiro lugar...", ela pensou com desgosto.

-... nada... – foi o que o rapaz conseguiu murmurar e viu o professor se afastar.

Terceiro lugar! Ela estudou durante um mês inteiro e ainda ficou em terceiro lugar?

Apoiou-se numa das estátuas e fechou os olhos para controlar a raiva que sentia.

-Bem... agora que estamos sozinhos... – escutou Sesshoumaru começar – Vamos ter nossa conversa.

A garota não sentia a mínima vontade em conversar, principalmente depois da terrível semana que tinha sido a anterior e mais agora com aquela notícia. Tinha vontade de voltar para o apartamento e se encher de sorvete durante o resto do dia e atirar a lata no rosto do rapaz por ser a razão de tamanho sentimento.

-Você está bem? – ele perguntou ao perceber que ela tremia.

Rin fez um movimento com a mão para que ele se afastasse, mas nem isso o impediu que ele chegasse mais perto e segurá-la na cintura para que ela pudesse se sustentar melhor. Ela estava quase desabando!

-Está passando mal? – perguntou, tocando na testa dela. Viu a garota menear a cabeça violentamente e virar o rosto para o lado – Está doente?

-Dei... xe... – ela tentou se soltar.

-EI, VOCÊS! – a voz de Miroku soou forte e Sesshoumaru revirou os olhos. Maravilhoso, logo agora que poderia conversar e ela estava passando mal. Para completar, Kagura e Sango estavam com ele e se aproximavam rápido.

-Deixe... – Rin voltou a repetir, angustiada.

-Opa... – Miroku chegou mais perto e deu um sorriso maroto – Parece que estamos atrapalhando, meninas...

-Ainda temos que rever aquela aposta, Miroku-sama... – Kagura sussurrou ao rapaz – Eu ainda preciso contar um negócio que aconteceu semana passada...

-Solte-me... – Rin estava quase para chorar e Sesshoumaru não sabia se dava explicações aos que estavam ali ou tentava acalmá-la, de tão forte que tremia.

-Nós só viemos parabenizar vocês... – Sango falou, percebendo que não era uma boa hora – Ela está passando mal?

-Quer um calmante? – Sesshoumaru perguntou a Rin num sussurro – Podemos conversar numa outra hora...

-Eu não quero! Apenas me solte! – Rin se desvencilhou e fez menção de correr, parando ao sentir o rapaz segurá-la. Caramba, como ele segurava forte... Se ela usasse mais força para escapar, poderia até quebrar o braço.

-O que está acontecendo com você, afinal de contas?

-Quer fazer o favor de me soltar? – ela perguntou, puxando o braço. Os que estavam próximos resolveram se afastar e observar em silêncio.

-Então me diga o que está aconte-

-Tá tudo errado! – ela falou em voz alta e chamando a atenção de outras pessoas. Percebendo isso, ela falou em tom mais baixo – Eu não quero falar com você. Agora me deixe em paz! – soltou-se e saiu correndo por um dos corredores, deixando para trás quatro pessoas pasmas.