Placebo: Caliente? Hmm... já li muito piores, acredita...lol... mas pronto espero k tenha ficado minimamente decente.
gotty: Bigada hehe! Quanto ao teu desejo, não sei se as coisas se vão passar assim...:P
mar: LOL! n sei... quem sabe...
N/a: Capítulo pequenininho... exames...
Capítulo XX - Marishka Valerious
A luz da manhã cinzenta não foi suficiente para despertar Anna do melhor sono que alguma vez tivera até à data. Sentir uma leve comichão no braço fê-la encolher-se e enterrar-se na almofada. Não acreditava que a realidade pudesse ser melhor do que o sonho que estava a ter no momento e agarrou-se a ele com todas as forças. Sentia uma agradável sensação que não se cansava de envolvê-la. Uma essência nova, não familiar, mas que ela quereria e guardaria consigo para sempre.
Eventualmente os seus olhos abriram-se. "Que fazes?" perguntou numa voz rouca e baixa.
Gabriel estava com a cabeça apoiada num cotovelo e sorriu ao ouvir a pergunta. "Ganho coragem para te acordar," respondeu. "Bom dia."
Anna permaneceu estranhamente quieta. "Bom dia."
"Está tudo bem?" perguntou Gabriel já um pouco preocupado.
"Porque não estaria?" Anna fê-lo deitar-se e pousou metade do seu corpo sobre o dele. Aprendera no dia anterior que aquele contacto físico proporcionava-lhe a mais fantástica das sensações. Beijou-lhe a face carinhosamente e pousou a cabeça no seu ombro. "Estou só um pouquinho dorida..."
Gabriel olhou-a urgentemente. "Estás?" perguntou baixinho. Não sabia que mais dizer, se pedir desculpa, se se calar para deixá-la descansar sossegada.
Ao ver a expressão perturbada e perdida dele, Anna teve dificuldade em manter-se séria. 'Tão fofo... e meu!' pensou possessivamente. "Sim... sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião. Agora que falas nisso, nem me consigo mexer." Gabriel abriu a boca e pareceu verdadeiramente assustado e Anna lutou contra uma gargalhada. "Espera... o que é isto? Que cura miraculosa é esta que me devolve os movimentos?" sussurrou ela, beijando-o no pescoço. Gabriel cerrou os olhos e abraçou-a sem mais palavras. Não havia ali qualquer sensualidade, apenas carinho, puro e simples.
"Gabriel, o que se passa?" perguntou Anna achando aquela atitude estranha. Ele não respondeu, abraçou-a com mais força. "Gabriel?"
Gabriel apenas moveu a cabeça para falar-lhe ao ouvido. Não queria afastar-se dela um único centímetro. "É que... tenho um mau pressentimento."
"Acerca de quê?" inquiriu Anna suavemente.
Ele engoliu em seco e respondeu quase inaudivelmente. "Nós."
Um pouco alíviada, Anna suspirou. "Não consigo imaginar nada pior do que já nos aconteceu, Gabriel. Não te preocupes, nada vai acontecer." Gabriel pareceu sossegar e ela acrescentou, "Tenho uma razão mais palpável para preocupar-me.
"O quê?"
"Posso estar grávida neste momento."
Gabriel quase saltou e fitou-a aterrorizado. "Caramba, esqueci-me!"
"Pois..." Anna espreguiçou-se e abriu a boca, ainda com sono. "Podemos continuar a desesperar e temer este futuro de incertezas no banho?" perguntou de seguida.
"Mas..." Gabriel abriu a boca para dizer algo, mas estava tão confuso que não soube o que falar primeiro. Anna levantou-se e puxou-o com ela.
"Gabriel, banho!"
"Anna, nós... nós podemos ser pais de um óvulo fecundado neste momento!" protestou ele, abalado.
A rapariga fez uma careta face à escolha de termos por parte dele e envolveu ambos no lençol que apanhara do chão. "Gabriel, cala-te e beija-me."
"Sim, banho... temos um concerto hoje," lembrou Gabriel, afastando-se para recuperar oxigénio.
Anna riu-se. "Concerto? Que concerto? Não me recordo de concerto nenhum..."
Antes que fosse completamente seduzido pelo charme fatal da sua namorada, Gabriel arrastou ambos até à mesa de cabeçeira onde haviam deixado os preservativos na noite anterior. Não cometeria o mesmo erro segunda vez.
"Que boa maneira de despertar para o mundo no seu aniversário..." comentou Velkan, abrindo a boca e sendo praticamente arrastado por Verona.
Esta sorriu para si e entrelaçou o seu braço no dele em vez de puxá-lo pela mão, o que seria mais cansativo. "Mexe as pernas, aniversariante!" disse ela, sorrindo mais abertamente ao avistar finalmente o que sabia que o amigo iria adorar.
Velkan resmungou baixinho mas acompanhou as passadas grandes e rápidas de Verona, que segundos depois parou de repente e quase fez com que chocassem.
"Vês algo que te agrade?" perguntou Verona, colocando-se por trás dele e pousando o queixo no seu ombro. Velkan seguiu o seu olhar e o ar ficou retido no seu peito quase inconscientemente.
"É o meu presente?" perguntou Velkan quase um minuto depois.
Verona sorriu-lhe amigavelmente. "Não posso garantir-te isso, mas é possível. Acho que depende de ti..." ela inspirou fundo e apertou o ombro dele para que lhe prestasse atenção. "Espero que te apercebas que neste momento a minha lealdade recai sobre ti, quando isso não devia acontecer."
Velkan assentiu e mostrou um pequeno sorriso. "Entendo e agradeço."
Lee parecia cada vez mais nervosa com o passar dos minutos. Parecia e demonstrava-o mais do que o devia.
"Que se passa?" perguntou Mar, reparando que amiga estava mais agitada do que o normal. Olhava de um lado para o outro como se estivesse à espera de algo. Ou alguém.
"Nada."
Mar cruzou os braços e observou a montra à sua frente. Tinha passado o fim-de-semana à procura de uma saia e a loja à sua frente era a única daquela superfície comercial que ainda não tinha visitado. E aparentemente tinha saias que parecia gostar, contudo foi um vestido que chamou a sua atenção. Era branco, sem alças, justo até à cintura e terminava pouco acima dos joelhos. Era uma peça de roupa muito simples, mas muito bonita. E não só aos olhos de Mar.
"É tão lindo..." murmurou a loira, inclinando a cabeça para o lado. "Achas que me ficaria bem?"
"Aposto que sim."
Ouvir uma voz que não pertencia a Lee quase a fez saltar. Soube de quem se tartava mesmo antes de o olhar. "O que fazes aqui?" perguntou ela, olhando em volta, quase assustada. " A Lee...?" Viu as duas raparigas que entitulava as suas melhores amigas, já longe, fungindo dali rapidamente e fechou os olhos momentaneamente.
"Não tenho nada a ver com isto, juro!" disse Velkan rapidamente.
Mar fitou-o e ele pensou ser quase fulminado na hora. Ela parecia não muito contente com a brincadeira. Na verdade, parecia furiosa. "Claro que não..." disse ela entredentes. Perguntou-se o que estaria a passar pela cabeça das amigas. Esperavam que aquela partida ia fazê-la atirar-se nos braços dele e querer ficar com ele para sempre? Não, Mar ia virar costas e ir para casa.
Quando se preparava para fazer isso mesmo, lembrou-se de algo que a deixou lívida. Não tinha nada consigo. Não tinha carteira, dinheiro, nem chaves de casa. Estava também a mais de 40km de casa.
"Não acreditas em mim," concluiu Velkan. Não é que não tivesse coragem para ter parte naquilo. Tinha. E vontade com certeza não lhe faltava, contudo neste caso ele estava completamente inocente.
Mar pareceu não ouvi-lo. "Emprestas-me e teu telemóvel, por favor?"
Velkan acedeu ao pedido e tirou o aparelho do bolso esquerdo. Depois de pegar nele, Mar viu o rapaz mexer no seu outro bolso e adquirir uma expressão preocupada. Não precisou de perguntar para perceber o acontecido.
Agora um pouco nervosa, Mar apoiou-se num gigante vaso que sustentava uma árvore de natal e tentou ligar a alguém que a pudesse socorrer. Naturalmente, escolheu Verona.
"Siiiim?"
"Vocês voltem para trás neste instante!"
"Não se preocupem! Às seis em ponto nós estaremos aí para vos trazer!"
"Aleera, não brinques comigo! Eu ponho o pé na estrada!"
"Não sejas tonta, Mar, nem à noite chegarias a casa. E depois não terias chave para entrar. A tua mãe está fora, lembras-te?"
"Raios te partam, Lee! Passa-me à Verona!"
"Olá! Já o mataste?"
"Sua traidora!"
"Vá lá, Mar, não fales assim. Já lhe desejaste os parabéns?"
"NÃO!"
"Pronto, já vi que não estás com disposição para conversas. Vamos ao que interessa. Ao fim da tarde iremos buscar-vos. Enquanto isso... têm o almoço reservado no 'El Hermano', assim como dois bilhetes de cinema para a sessão das 15h. Escolhemos um filme bastante romântico para servir de inspiração. Ah, e está tudo pago em nome de Marishka Valerious. Não esqueças o nome!"
Mar afastou o telemóvel do ouvido e por momentos pensou que ia cair para o lado. Devolveu lentamente o aparelho ao seu dono e deu três passos até alcançar um banco. Velkan observou-a perplexo e depois falou com Verona. Quase cinco minutos mais tarde, percebeu a razão da palidez da rapariga a seu lado. Enfiou o telemóvel no bolso e sentou-se no banco, tendo o cuidado de manter uma certa distância dela.
"Não precisamos de fazer isto se não quiseres." Quando Mar só lhe ofereceu silêncio, ele concluiu com desapontamento que ela não queria mesmo a sua companhia. "A Verona disse que vinha ter connosco a este sítio às seis. Não vou obrigar-te a me aturares."
Mar fixou o olhar no vestido branco que admirara antes e a sua testa enrugou-se por meros segundos. Ele estava a mandá-la embora? Ao mesmo tempo que rangia os dentes, ela anuiu positivamente, levantou-se e afastou-se. O centro comercial era enorme. Com certeza iria saber como ocupar o seu tempo devidamente. Afinal de contas só faltavam... nove horas para ser salva.
Quase três mais tarde e com uma dor na barriga, Mar avistou o seu vestido branco de novo e quase sorriu. Continuava ali. Se ela sobrevivesse até ao fim da tarde, certamente voltaria noutro dia para o comprar.
Em frente à loja também Velkan continuava sentado. Tinha as pernas cruzadas e a cabeça baixa. Tinha também os olhos fechados, mas isso Mar não conseguiu ver. Silenciosamente, sentou-se a seu lado.
"Estás a dormir?"
"Não." Velkan tinha sentido a sua presença, mas continuava de olhos cerrados.
"Que estás a fazer?"
"A fechar a minha mente."
Mar cruzou os braços, inconscientemente chateada por ele não lhe dar atenção. "Para quê?" perguntou com o mínimo de boa educação.
"Para que o tempo passe sem me dar conta."
"Há quanto tempo estás assim?"
"Meia hora, talvez..."
"Mas já se passaram três horas!"
Velkan sorriu e mais uma vez Mar não viu. "Boa, está a funcionar..."
"Tenho fome." resmungou Mar, visivelmente aborrecida com a conversa e com a atitude de indiferença por parte dele.
"Estás à vontade para ir almoçar. Não me importo."
"Deixa de ser orgulhoso!" exclamou a rapariga, agora completamente zangada. "Consigo ouvir a tua barriga a roncar daqui!"
Aqui, Velkan levantou a cabeça e inclinou-a duma forma que Mar considerou muito fofa. "Estás a convidar-me para almoçar?
"Eu... eu não disse isso!"
Velkan ergueu ambas as sobrancelhas, assentiu e voltou à sua posição anterior. "Depois sou eu que sou orgulhoso..."
Mar quase gritou de frustração. "O meu caro senhor gostaria de acompanhar-me ao restaurante antes que eu pereça de sub-nutrição?" perguntou entredentes.
O rapaz voltou a fitá-la e exibiu um sorriso que fez o estômago dela dar voltas. "Adoraria."
Velkan só saiu do seu lugar após conseguir fazer Mar prometer que não ia fazê-lo sentir como se estivesse a almoçar sozinho. Então como prometido, Mar tentou ao máximo conseguir manter uma conversa civilizada, contudo fez questão de não parecer amigável. Infelizmente, Velkan reparou que a sua atitude era consciente e fingiu não se importar, conversando normalmente. Sem charme, sem provocações, sem fingimentos, Velkan agiu honestamente e de acordo com a sua pessoa. O resultado logo se fez notar: Mar ouvia-o com atenção, respondia-lhe sinceramente, ria-se com as suas piadas... E sem se aperceber, saiu do restaurante com um sentimento por ele ainda mais forte.
Assim que se sentou na cadeira em frente à tela de cinema, Mar engoliu em seco. Tinha sido enganada. Eles iam ver um filme de terror, não um de romance. Se não estivesse tão nervosa teria indagado sobre as amigas mentirem-lhe a esse respeito.
"Eu pensei que tinhas dito que este era o teu género preferido."
Mar pousou as mãos nos joelhos e começou a bater com os dedos sem parar. "E é." Ao ver a expressão de confusão no rosto dele, ela explicou. "Adoro-os porque são os que mais conseguem arrancar uma reacção da minha parte. Fico aterrorizada, mas a adrenalina é única."
Velkan anuiu devagar. Era estranho, mas que fazia sentido, fazia.
"Quando eu vejo uma cena intensa num filme de terror, o meu coração começa a bater mais forte, começo a transpirar e muitas vezes falta-me o ar," continuou Mar. "É como... sexo. Preciso que aquela sensação passe, mas ao mesmo tempo desejo que se intensifique."
Por momentos Velkan ficou sem palavras. "Estás a comparar filmes de terror a sexo?"
"Sim," respondeu ela sinceramente. "A adrenalina é-me semelhante."
"A sério?"
"Sim."
Velkan não estava totalmente convencido que a rapariga falava a verdade. Encostou a cabeça à cadeira e fitou-a. Um pequeno sorriso desenhou-se no seu rosto. "O que preferes?" perguntou num impulso.
Mar não viu qualquer maldade ou segundas intenções naquela pergunta. Desviou o olhar por momentos para pensar e quando se decidiu voltou a olhá-lo. "Filmes de terror."
Sem conseguir evitá-lo, a boca de Velkan abriu-se alguns milímetros. "Precisas mesmo de arranjar um parceiro sexual decente."
Mar riu-se e em seguida fixou o olhar nas suas mãos, pela primeira vez um pouco constrangida. No entanto, sentia-se bem consigo própria pois tinha sido sincera.
Depois disto, demorou algum tempo até outra conversa surgir, porém também esta terminou quando o filme começou. Velkan testemunhou mais tarde a uma demonstração de aflição que quase o perturbou. Mar estava cada vez mais assustada e chegou a um ponto em que se encolheu na cadeira e enterrou a cara nos joelhos. Quando Velkan deu sinais da sua presença ao pousar a mão na cabeça dela, Mar deu um gemido e agarrou-se com força ao braço dele. Quando teve coragem de voltar a assistir ao filme, entreabriu os olhos e continuou muito encolhida.
Eventualmente o vilão assassino morreu quando estava prestes a matar a heroína, e Mar fechou os olhos com alívio, dando um enorme suspiro ao mesmo tempo que encostava a cabeça no ombro dele.
Animado, Velkan sorriu e sussurrou-lhe ao ouvido, "Isso foi o teu orgasmo?"
A rapariga levantou a cabeça muito rapidamente e olhou-o quieta durante dois segundos. Depois desatou a rir-se. Alto. Tão alto que não agradou às pessoas em volta que começaram a pedir silêncio, assim como não agradou ao homem que se aproximou deles, iluminando-os com uma lanterninha...
"Tu és uma má companhia!" acusou Mar, tentando ao máximo não se rir. "Aquilo é coisa que se diga?"
"Peço perdão."
"Nunca pensei que alguma vez fosse ser expulsa de uma sala de cinema!"
"Tu foste expulsa! Eu fui um cavalheiro e acompanhei-te. De qualquer modo, podias ter explicado a importância daquilo para ti. Ele foi cruel ao proibir-te de usufruires de uma fonte tão forte de prazer..."
"Parvo!" gritou Mar puxando-o pelos colarinhos. Não conseguia parar de rir. "Não faças troça!"
Velkan riu-se e encolheu os ombros, tentando parecer inocente. "Não faço troça! Compreendo as tuas necessidades."
"Velkan!" repreendeu ela, batendo-lhe no peito sem grande força. Ao deixar, acidentalmente, a sua mão lá pousada, ela sentiu o coração dele com um ritmo bem acelerado. Ao olhá-lo nos olhos, e expressão de ambos foi ficando mais séria. Estavam perto demais. "Será que compreendes?" sussurrou ela.
Compreendia? Velkan não sabia o que responder. Sentiu Mar tocar-lhe num pedaço de cabelo muito perto dos olhos e retribuiu o gesto, acariciando-a na face.
"Eu tento, loirinha..."
O seu olhar, a sua voz, os seus gestos, tudo demonstrava afectividade, o que a deixou emocionada. Convencida que aquilo estava certo, Mar aproximou-se e pressiou os seus lábios contra os dele suavemente. Sem ter a certeza de aquilo estar mesmo a acontecer, Velkan ficou estático e quando se conseguiu mover novamente, abraçou-a com urgência e beijou-a profundamente.
Verona escolheu este momento para se comunicar com os amigos. O telemóvel tocou e tocou e tocou.
"Será que ainda estão na sessão?" perguntou Lee ao ver que Verona não obtinha resposta.
"Não, o filme começava às 15h. Já são quase 18h."
"Sim?"
"Ainda vivo?"
"Graças a... Deus! Sim, Deus!"
"Velkan, está tudo bem?"
"Hã? Ah, sim! Tudo... tudo óptimo! Porquê?"
"Pareces... esquisito."
"Esquisito, eu? Mar...!"
"Estou a interromper algo?"
"Não, não... não..."
Mar descobrira os prazeres da desconcentração de outrém quando ao telemóvel. Estava a divertir-se. E não, o facto de o pescoço macio de Velkan cheirar tão bem não contava como factor de influência. Pelo menos era isso que Mar acreditava.
"Verona... ligaste por algum motivo?"
"Velkan, trata de te desocupares!"
"É culpa tua! Não me trouxeste aqui para que me ocupasse? Agora estou ocupado! E estar ocupado é... bom! Não quero desocupar-me!"
"Hum... tudo bem, Velkan. Vou dar-te umas dicas e depois tu... ocupas-te à vontade, está bem?"
"Combinado."
"Estás onde te deixei?"
"Sim, sim. Em cima daquele banco grande muito confortável."
"...Ok. Vês a árvore de natal à tua direita?"
"Não. Espera... vejo."
"Velkan o raio da árvore é está logo ao teu lado!"
"Ok, já vejo. Que humor, Verona..."
"Procura dentro do vaso grande as tuas coisas e a chave do carro do meu pai. Espero que te lembres onde o estacionei..."
"As minhas coisas?"
"E despachem-se! Têm meia hora!"
Velkan franziu a testa ao lhe negarem a oportunidade de se despedir. Verona parecia mal-disposta. Ou talvez fosse ele que estivesse bem-disposto demais. De qualquer modo ele guardou o telemóvel. Mar estava sentada a seu lado com as pernas por cima dele. Sorria-lhe.
"O que é que ela queria?"
"Não vais acreditar."
"Eu sei que essas flores são para mim," assegurou Anna, rolando os olhos ao sair do táxi que a havia trazido até à porta de casa.
Gabriel imitou o gesto. "É o teu aniversário?"
"Não."
"É o dia dos namorados?"
"Não."
"Então porque te daria eu duas flores?" perguntou Gabriel, dando especial ênfase à palavra 'duas'. Aí, Anna comprovou que ele agia de propósito e ela, como sempre, caía como um patinho.
'Porque hoje faz dois meses que... aargh!' Anna fulminou-o com o olhar e voltou-lhe as costas. "Aviso-te desde já que o meu irmão não vai gostar de receber uma rosa vermelha de outro rapaz..."
Gabriel sorriu e decidiu não cair na tentação de lhe responder de forma a continuar a discussão. "Veremos..."
"Filha!" cumprimentou Bóris assim que a viu entrar. Esboçou um grande sorriso e abriu os braços para a receber. Três dias sem a ver era muito tempo para si. Anna sorriu do mesmo modo e abraçou o pai, também com saudades.
"Olá, meninas," disse Anna, cumprimentando Verona e Lee. "A Mar não veio?" perguntou ao ver o terceiro membro do grupo não presente. Lembrou-se que Velkan não ia ficar muito contente se esse fosse o caso.
Lee respondeu-lhe. "Ela está... uh... ocupada."
Anna torceu o nariz. Ocupada? Uma desculpa para não aparecer com certeza. "E o meu irmão, sabem onde está?"
"Também ocupa-"
"Está aí a chegar," interrompeu Verona.
Anna assentiu, mas detectou que algo não estava certo, contudo tentou não se importar. Estava extremamente contente e não via a hora de ver o irmão.
O irmão, sem fazer ideia do que se passava a poucos metros de si, dentro de casa, ou que a irmã já tinha chegado, não fazia grande questão de abrir sequer a porta. Aquele estava a ser definitivamente o seu melhor aniversário até ali.
"Mar?"
"Hmm?"
"Namora comigo..."
Mar levantou a cabeça rapidamente. A sua espressão era de surpresa. "Tu queres... namorar comigo?" ela perguntou devagar.
"Claro," respondeu Velkan, rindo-se. Seriam as suas intenções tão patéticas? Mar parecia estupefacta.
E estava mesmo. Engolindo em seco, ela desviou o olhar. Velkan estava a obrigá-la a pensar e ela não queria fazer isso. Se pensasse, teria também de ponderar sobre o que tinha acontecido e estava a acontecer desde há duas horas atrás. Tinha medo das conclusões que pudesse tirar e das atitudes que iria tomar face ao que estava a acontecer.
"Não tens de responder já," acrescentou Velkan rapidamente. Admitia desilusão pela indecisão da rapariga à sua frente. Na verdade, ele queria algo sério e tinha medo que Mar não desejasse o mesmo. "De preferência respondes-me mais logo, dentro desse vestido lindo e após duas vodkas, quando estiveres prontificada a falar a verdade."
Com alívio, Velkan ouviu um riso.
"Tudo bem," concordou Mar. "Vou pensar." Numa saca que trazia na mão, estava o seu adorado vestido que Velkan, após recuperar a sua carteira, fizera questão de comprar-lhe. Como ela esperava e como ele desejava, o vestido ficava-lhe extremamente bem.
Assim que viu a irmã, Velkan não a largou. Tinham-se mesmo passado só três dias? Ambos sentiam como se se tivessem passado semanas. O facto era que eram mesmo muito dependentes um do outro e era em alturas de separação como estas que notavam isso. Abraçaram-se durante muito tempo e Velkan perguntou-lhe como estava Nova Iorque. Anna sorriu de orelha a orelha e respondeu que a cidade estava melhor do que nunca e que três dias tinham sido muito pouco tempo para explorar todas as suas potencialidades a nível de entretenimento. A rapariga omitiu a parte de muitas poucas oportunidades ter tido para sequer sair do hotel, contudo afirmou ter ido assistir a um espectáculo da Broadway e garantiu que o concerto dos Muse tinha sido das coisas mais fascinantes que presenciara.
Depois de pegar em Boppy e pousá-lo no seu ombro, Gabriel pediu licença e rumou ao andar de cima com a mala de Anna. Bóris aproveitou a ausência de Gabriel e a distracção de Anna e Velkan para agradecer a Verona ter conseguido tirar o filho de casa durante a maior parte do dia. Não sabia como ela o tinha conseguido, mas também não fez perguntas. Mar ouviu as palavras dos professor e lançou um olhar de descontamento às amigas. Tinha sido usada e nem se tinha dado conta. Mas usada para quê? Porque queria o homem tirar o filho de casa no dia do seu aniversário? Pelo que quer que fosse Verona e Lee iam ouvir das boas!
"Então, gostaram do filme?" perguntou Verona quando Velkan se aproximou deles. Mar olhou-a de lado rapidamente para que Bóris não se desse conta da tensão e Velkan coçou a cabeça sem saber ao certo o que responder. Deveria dizer que passou metade do tempo observar Mar do canto do olho ou confessar que eles haviam perdido o final do filme?
"Sim, foi engraçado," respondeu ele sinceramente. Na verdade, não se rira ou ouvira alguém rir daquele modo dentro de uma sala de cinema antes. Mar tentou focar a atenção na lareira e não fitar ninguém que estava ao pé de si. Como ela lutou contra um sorriso...
