– Obrigado por ter me convidado pra sentar com você na mesa da Sonserina, foi muito gentil da sua parte...- eu disse para o loiro ao meu lado enquanto caminhávamos pelos corredores do castelo.
A pouco tínhamos saído do Grande salão e eu ainda estava pensando no café da manhã que tinha sido um pouco constrangedor e confuso.
Devo dizer também que os alunos da Sonserina não estavam nada contentes com Draco, afinal convidar uma Grifinória para se sentar com as cobras era quase uma proibição, ainda mais se fosse uma "sangue-ruim".
– Já disse que não precisa agradecer, eu só... Na verdade não sei nem por que eu fiz aquilo! Agi por impulso...- ele disse pensativo olhando pro chão.
– Ou talvez você não seja o que dizem por aí, não seja o que você acredita que é...- eu disse continuando a olhar pra frente, mas senti que ele me ouvia atentamente.
Um pequeno minuto de silêncio se fez presente entre nós até que ele disse com a voz um pouco mais ríspida.
– Não se engane comigo Granger, não sou uma pessoa boa..- e então saiu andando mais à frente me deixando sozinha no corredor. Estava cheio de alunos indo para suas aulas e eu era mais uma nesse meio.
Isso tudo era muito estranho, a atitude de Draco era incomum, porque aquilo não combinava com ele e eu tentaria descobrir o que ele está tramando. Mas isso ficaria para depois, pois acordei de meus pensamentos e lembrei-me que estava indo para a aula de DCAT.
Ainda não sabia qual seria a reação de Severo quando me visse de novo, é lógico que eu percebi que ele ficou com ciúmes de Draco, tanto que saiu do grande salão daquele jeito.
Continuei andando pelo corredor, às vezes pedindo licença para passar, estava realmente lotado de alunos e o caminho para as masmorras era um pouco mais apertado do que o resto dos outros corredores.
Foi então que senti uma mão masculina segurando meu ombro, mas não precisei virar para saber quem era por que eu logo ouvi a voz da pessoa e era inconfundível.
– Mione?! Eu estava te procurando faz horas nesse corredor cheio de alunos para irmos juntos pras masmorras...- Harry disse se pondo ao meu lado e caminhando comigo, já estávamos quase chegando.
– Ah! desculpa Harry, é que eu vim andando com o Malfoy depois do café, você deve ter visto..- eu disse dando uma gargalhada baixa.
– E quem não viu não é Mione?! Vocês chamaram a atenção do salão inteiro. Afinal, o que foi aquilo? Malfoy nunca foi do tipo que convida nascidos-trouxas pra sentar na mesa da Sonserina, logo ele que é o príncipezinho das Cobras e ele chamou justo você?!..- ele dizia como se fosse um absurdo.
– Harry, eu também não entendi o porquê ele fez aquilo, mas uma coisa eu posso garantir a você, Malfoy não é o que nós pensamos, ele só precisa de ajuda...- eu disse olhando nos olhos verdes brilhantes do meu melhor amigo, aquilo pra ele parecia estar muito errado.
– O que? O que ele fez com você? Fez uma Imperio em você?! Hermione é o Malfoy, ele é mal e sempre vai ser. Você sabe que os pais dele são comensais e ele também vai ser um, se não já for...- o moreno revirou os olhos.
– Ok Harry, mas acho melhor pararmos com o assunto agora..- eu disse sinalizando as tínhamos chegado na porta da sala.
Era uma aula dupla com a Sonserina, que sorte essa não?!
Me sentei junto com Harry, um pouco mais longe vi Ronald com a vaca da Lilá, que não desgrudava dele. Passei meus olhos pelo local mais uma vez e eles encontraram um loiro afastado de todo mundo. Ao seu lado estava seu amigo, um moreno do mesmo ano que eu sabia que se chamava Blásio Zambine.
Ele parecia ter sido o único que ainda ficava perto de Draco, nem mesmo Pansy Parkinson ficava mais tanto em cima dele como era antes. Malfoy estava mesmo se isolando e eu queria saber o por que!
Severo então entrou pela sala arrastando suas vestes negras como sempre, fechou a porta com um baque que fez Neville estremecer na cadeira.
Depois de todo esses anos ele ainda não havia perdido o medo que sentia pelo mestre de poções que agora lecionava DCAT.
– Calados!..- foi só a ordem que ele deu. Sentou-se em sua mesa e ficou a analisar uns papéis.
Os cochichos eram ouvidos aos poucos, Snape não era professor de ficar sentado sem dar aula. Ninguém se atrevia a perguntar nada, mas todos sabiam que aquela aula poderia ser precisosa, afinal os N.I.E.M.s estavam chegando e precisávamos do conteúdo.
Todos falavam a mesma coisa. Ouvia-se "ele não vai dar aula?", "por que ele está sentado?", "precisamos desse assunto", "estamos ferrados".
– Eu disse calados!..- sua raiva era visível..- Se vocês ainda querem ter uma chance de passar no N.I.E.M de DCAT é melhor ficaram de bocas fechadas.
Seus olhos vasculhavam a sala toda até pararem em mim. Eu o encarei assim como Harry que estava ao meu lado. Não era mais o Severo que tinha me beijado e me feito sorrir pela manhã antes do café. Não era possível que tudo isso era por eu ter aceitado o convite de Draco e me sentado com ele.
– Eu quero que abram na página 394 (N/A: tinha que ser o Sev 3) dos seus livros e comecem a ler. Quando terminarem eu quero que saiam desta sala e só voltem quando estiverem com 50 centímetros de pergaminho falando de feitiços defensivos e como executá-los com perfeição..- falou rápido sem repetir uma palavra.
P.O.V- Severo Snape
Como se já não bastasse o idiota do Weasley tentando se reaproximar da Hermione, do Potter que não desgruda dela, agora Draco também quer ficar com ela? Mas isso não é possível! Quando ele começou a gostar dela? Alguma coisa estava errada.
Estava com tanta raiva que não estava conseguindo esconder.
Depois que passei o dever para os cabeças me sentei para ocupar minha mente, mas eu não conseguia esquecer que ela estava na sala, eu conseguia distinguir seu perfume dos outros.
Mantive meus olhos nos pergaminhos que estavam a minha frente, alguns falavam de objetos antigos feitos à base de magia negra, laços feitos pela alma e outras coisas relacionadas a matéria.
Não queria dar o prazer a ela de me ver assim e de me fazer perder o controle, afinal eu continuo sendo Severo Snape.
Passou-se uns minutos a mais, talvez 25 ou 30, então o sinal soou para que eles fossem embora.
– Estão dispensados...- eu disse rápido e todos começaram a sair o mais rápido que puderam...- Menos você Malfoy!
O garoto loiro se assustou quando ouviu seu nome sendo chamado e Hermione também me olhou feio antes de sair pela porta sendo puxada pelo Potter.
Observei-o sentar-se na cadeira em frente à minha mesa com uma expressão de indiferença.
– O que o senhor quer comigo professor?
– Ora vamos Malfoy, você sabe por que eu o chamei aqui!
– Ah sim! O armário sumidouro, quanto a isso eu continuo procurando uma maneira de concertá-lo senhor..-ele disse revirando os olhos.
– Muito bem e espero que termine esse trabalho rápido, mas o que lhe fez ficar aqui comigo foi outro motivo..- minha voz era mansa e sorrateira.
– E qual seria?..- um interesse apareceu em seus olhos.
– O que você tem a senhorita Granger?..- perguntei tentando esconder a minha raiva.
Ele deu um sorriso irônico.
– Eu não tenho nada com a Granger. Nunca teria nada com ela...- disse simplesmente.
– Então por que vocês dois protagonizaram aquela maravilhosa cena hoje de manhã? Você está se juntando aos seus inimigos? Você é um de nós agora e sabe que o Lord não ficaria feliz em saber que um de seus comensais estava do ladinho da amiga de Harry Potter...- meu tom de voz se elevou um pouco pra falar isso e me veio uma repulsa assim que eu pronunciei a expressão " Lord", ele não era meu Lord, eu tinha lealdade a Dumbledore e a Ordem da fênix é só a eles, até por que isso poderia me ajudar no meu julgamento depois que essa maldita guerra acabasse.
– Sei lá senhor, só a convidei para sentar comigo por que ela não tinha mais onde sentar e a Granger, sabe?! Acho que ela me atrai às vezes, parece querer me ajudar quando está comigo...- agora o loiro a minha frente parecia sonhador como se fosse uma Luna Lovegood, ele acabara de confessar que Hermione o atraia. Mas que merda!
– O atrai? Como assim? Uma "sangue-ruim", como você mesmo enche a boca pra dizer, não pode atrair um puro sangue ainda mais sendo da Sonserina e um Comensal da morte Malfoy...-gritei um pouco descontrolado enquanto agora andava pelo local.
Houve um silêncio de alguns segundos até que ele o quebrasse.
– É impressão minha Snape ou você está com ciúmes da Granger? Me lembro muito bem do seu olhar, que mataria qualquer um, assim que ela se sentou ao meu lado e começamos a comer, você saiu do grande salão...- ele também despejou alterado.
– Por que eu teria ciúmes daquela irritante sabe-tudo? Vamos! Diga-me Malfoy!...- dei um sorriso irônico.
– Não sei, você que deveria me dizer e se for esse o caso, de você estar gostando da grifinoriazinha, não se preocupe, não sinto nada por ela.
Então ele saiu da sala sem me dar a chance de responder, mas eu ouvi quando ele disse baixinho antes de bater a porta "eu acho".
