Capítulo Dezenove.
"Por que preciso estar constantemente me questionando sobre tudo?"
- Alice, por que você está enchendo a minha mala de biquínis. Está maluca? - perguntei observando uma das minhas melhores amiga andar de um lado ao outro, resmungando coisas incompreensíveis. Olhei para Jas que estava brincando com meu pequeno gordinho no chão e ele encolheu os ombros. - Eu acho que em Forks irá nevar essa semana. Charlie comentou que está muito frio e então não existe necessidade de levar esses conjuntos que não sei porque você me convenceu a comprar… - murmurei e não ganhei sua atenção. Ela estava fazendo a minha mala para um lugar quente e outra para lugar frio. - Acho que devemos fazer um teste de gravidez. - anunciei e ela soltou minha bolsa no chão e me olhou em choque. - Agora eu tenho a sua atenção, não é mesmo?
- Você está grávida? - Jasper perguntou branco feito a parede. - Edward não sabe usar camisinha?
Revirei os olhos e ri.
- Eu tomo remédio, seu idiota. Estava apenas querendo chamar atenção da sua noiva psicopata. Em falar em noivado, por que você adiou de novo a data do casamento?
- Rosalie se recusa ser uma madrinha gorda, então é melhor que ela volte a ficar magra assim que meu sobrinho nascer. - disse voltando a me ignorar. - Jas, querido. Por quê você não vai descendo com as coisas do Andy para o carro? E Bella, vá separar as mamadeiras e tudo mais, ok? Saiam do quarto. Eu termino aqui.
Encolhi os ombros e aceitei porque Alice era muito mais rápida que eu fazendo as malas. Consegui ser liberada da faculdade dois dias mais cedo e por isso estava indo de surpresa para Seattle. Edward estaria de plantão hoje e então quando ele chegasse em casa, me encontraria lá, com o nosso bebê. Meu livro estava em processo final nas gráficas, ou seja, já havia comerciais dele para todo lado, até um pequeno trailer que passava antes do jornal da noite todos os dias. E com isso, também fechei um contrato onde recebo algo muito bom como salário para ser autora da Harper Collins.
Edward também está mais confortável com seu salário. Dadas as nossas condições como estudantes, podemos dormir aliviados se algo acontecer, mas ele é muito cuidadoso e está sempre me orientando como guardar meu dinheiro e gastar o necessário. Charlie ainda me ajuda, porque ele se recusa a parar até que esteja formada, então, eu tenho como manter uma poupança alimentada.
Arrumei todas as coisas de Andy quase ao mesmo tempo em que Alice finalizou minhas malas. Já estava pronta para embarcar e quase na hora de saírmos de casa, sem correr o risco de me atrasar para meu check-in. Entramos todos no carro e seguimos para o aeroporto. Edward estava tirando um cochilo antes de ir para o hospital e por isso ele não teria notícias minhas por algumas horas. Victória estava com James, eu não sei realmente porque eles não moram juntos logo, já que ela quase não existe longe dele. De segunda a quinta eu tenho a minha amiga e colega de quarto. Ela é tão forte que fico admirada. Trabalha muito durante o dia e estuda também.
Sei que o relacionamento deles simplesmente sempre dará certo porque são muito tranquilos um com o outro. Também fico feliz ao saber que Lauren e Ben estão bem e estabilizados em uma casa agradável em Portland, próximo à faculdade. Lauren não trabalha, somente estuda e conta com a creche para ficar com Connor. Já Ben está trabalhando muito no hospital local. Ele é auxiliar de contabilidade já que está estudando para ser um contador. Sempre foi bom com números. Jane será a Presidente do país e eu brinco que serei sua parlamentar. E Félix, bem, ele vai quebrar muitas pessoas no campo ao lado de James. Cada vez que o encontro está muito maior e mais forte. Tenho medo que seu aperto de mão quebre meus dedos.
- Tomem cuidado e liguem se precisar de algo. Vou informar a Rosalie o horário do seu vôo e ela estará te esperando lá. - disse e eu assenti, abraçando minha cunhada pela última vez antes de seguir com meu bebê muito agitado para o portão de embarque.
Andy estava praticamente andando e por isso ele se recusava ficar no colo por muito tempo, principalmente em lugares que seus olhos conseguiam encontrar coisas muito atrativas. Apesar da minha idade muito jovem, minha coluna estava implorando por descanso e suspirei de alívio quando o vôo foi anunciado. Andy tirou uma soneca de mais ou menos duas horas, porém, ficou acordado o restante do tempo, falando, gritando, conversando na sua língua com o homem que estava ao meu lado. Minha cabeça estava doendo um pouco, mas a alegria dele era contagiante demais para ficar chateada.
Pousamos em Seattle e logo encontramos Rosalie e Emmett.
- Olha o tamanho dessa barriga. - sorri abraçando minha cunhada amada.
- Estou ficando imensa. Toda ultra preciso ter certeza de que não tem dois aqui dentro. - brincou, mas ela estava muito feliz.
- Oi Emm.
Emmett me deu um aceno porque ele já estava tomado por Andy.
- Edward só vai chegar amanhã de manhã, então, que tal irmos a alguns lugares hoje? - Rosalie perguntou esperançosamente. - Quero sua ajuda para escolher o mobiliário do quarto do bebê agora que definimos o tema.
Andy tinha o comportamento de um príncipe quando estava com a madrinha dele. Ele não quis sair andando ao redor ou atirou seus brinquedos para todo lado. Ele fazia isso comigo e principalmente com Edward. Franzi os olhos na direção do meu filho traidor, que só sabia se comportar com a Dinda dele e ganhei um sorriso maroto de volta. Ele arrebata meu coração apenas com seus dentinhos pequenos aparecendo. Arranquei-o do colo de Emmett e abracei apertado. Só de pensar que um dia tive medo de tê-lo em meus braços, hoje já não sei porque ele não existiu antes. A minha vida ficou numa sintonia diferente de todas as pessoas do mundo. Estou fora de órbita para outras meninas de dezoito anos e realmente não me importo.
Andamos por um shopping apenas de móveis de bebê e olhamos todos os tipos de mobiliários. Rosalie queria algo com as cores verde musgo e eu não sei exatamente porquê. Depois sugeri que já que o quarto do bebê dá diretamente para o rio com o fundo da floresta, ela poderia investir em algo com animais. Eu estava cansada e faminta quando terminamos a gigante excursão. Escolhemos alguns mobiliários e no fim, compramos o tema de animais para minha alegria. Paramos para comer e vi que Edward já estava meio que surtando com a minha demora para responder.
Mandei duas mensagens rápidas e Rosalie me deixou no apartamento. Andy estava irritadinho, dei um banho caprichado nele e tirei da minha bolsa térmica sua comida. Edward precisava limpar o apartamento. Estava uma zona e sem comida. Não posso imaginar o que ele andava comendo. E é por isso que tenho reparado que está mais gordinho, ou seja, estava comendo na rua e fast food. Teremos uma conversa sobre isso mais tarde. O quarto do Andy era o único cômodo que estava limpo e por isso logo meu bebê dormiu em seu berço, completamente derrotado de cansaço. Andrew estava cada dia com as pernas longas e gordinhas. Ele era muito gostoso para o seu próprio bem.
Limpei o máximo de cômodos que consegui, deixando o restante para fazer com calma durante os dias seguintes. Dei mais atenção ao banheiro e a cozinha, tirando pó dos móveis e arrumando seus livros no lugar. Ele estava muito ocupado e chegaria só na manhã seguinte, então, pedi uma comidinha rápida, jantei e deitei para dormir. Andy iria acordar com as galinhas no dia seguinte.
E como esperava, seis horas da manhã meu bebê estava gritando mamãe a todo pulmão. Rolei para fora da cama sentindo meus músculos pesados e peguei minha criança no colo, indo diretamente para cozinha porque de manhã cedo só havia uma coisa que Andy queria ver na sua frente e era comida. Não adiantava nem fazer graça. Sentei-o em sua cadeirinha e bati rapidamente sua papinha com frutas frescas já bem cortadinhas e ele comeu rápido como toda manhã, logo em seguida, esticou os bracinhos e fez denguinho.
- Você é meu bebezinho ainda, mesmo cheio de vontades. - murmurei beijando sua cabeça cheirosa. Ele tinha o cabelo puxado para o ruivo, provavelmente seria do mesmo tom que o meu, com a raiz loira, mas eu tinha que admitir que ele só era parecido com o pai por ter puxado os olhos claros… Se bem que Renée também possui os olhos claros e ele lembra muito minha mãe nos seus sorriso. - Temos que esperar o papai agora. O que acha de assistir desenhos enquanto isso.
Andy ficava distraído assistindo televisão e por isso assim que liguei, ele deitou e focou sua atenção nela. Acabei cochilando porque a próxima coisa que senti foi meu rosto sendo beijado, repetidas vezes e uma risinha infantil do meu lado. Abri o olhos e Edward estava me segurando apertado.
- Dorminhoca. Estava dormindo pesado. Andy gritou tanto quando me viu que não sei como não acordou. - Edward disse baixinho e me deu um longo beijo. - Que surpresa maravilhosa. Abri a porta e encontrei o apartamento limpo, até achei que minha mãe estava aqui. - brincou e eu ri. - Você limpou. Estava muito sujo e eu fiz a promessa de tentar limpar hoje.
- Não tem problema. - sorri sem me soltar do seu abraço. - Vá tomar seu banho. Está cheirando a hospital.
Edward sorriu e foi tomar um banho rapidinho, voltando para cama. Andrew, claro, rolou para cima dele e grudou. Sentou na barriga de Edward e ficou brincando de upa.
- PAPAI! - gritou a pleno pulmões e cheguei a sentar na cama, ainda ouvindo sua gargalhada das cosquinhas dele. - PAPAIÔ! - disse gritando mais alto ainda.
- Seu pequeno traidor! - gritei pegando ele no colo. - Como assim eu fico o dia inteiro com você e sua primeira palavra é papai? - perguntei realmente incrédula, mas dei um beijo na bochecha dele mesmo assim.
- Vem cá, garoto. - Edward tomou ele de mim. - Sua mãe é ciumenta demais. - murmurou rindo e dei língua, voltando a deitar. Assistir os dois interagindo fazia meus ovários gritarem. Eu quero ter mais filhos com Edward no futuro e só o fato dele ser um pai tão incrível me deixa completamente de coração derretido. Deitei de lado e fiquei a manhã inteira assistindo com prazer o quanto eles estavam com saudade um do outro e se amavam.
Edward estava cansado demais para querer fazer qualquer coisa. Ele estaria de folga do hospital nos próximos dois dias, mas ainda precisava ir à faculdade. Ficamos deitados até quando não deu mais. A geladeira e a despensa estavam vazias e com um bebê pequeno, precisávamos de comida saudável em casa. Saímos encapotados por causa do frio. Andy deu um show por ficar no banco de trás, preso na cadeirinha, enquanto eu sabia que meu colo era tudo que ele queria.
No mercado, com ele em meus braços, Edward e eu seguimos uma lista de compras gigantescas porque ele realmente não tinha comida. Planejei mentalmente em fazer muita comida e manter congelada, assim ele só teria o trabalho de descongelar e comer de forma correta. Voltamos para casa já na hora dele sair para faculdade.
- Vou te esperar para jantar, então, sem conversinhas até tarde hoje. - brinquei quando ele veio pronto, se despedir.
- Claro baby. Só tenho duas aulas, então, não vou demorar. - disse e me deu um beijo, saindo rápido pela porta.
Andy estava deitado no chão da sala, com os dedos na boca, olhando para o teto. Quando um bebê de onze meses parece pensativo? Peguei as postas de peixe e comecei a temperar, cantarolando e cozinhando enquanto olhava meu filho rolar de um lado ao outro e depois descobrir os blocos de montar no canto e se distrair com isso por um longo tempo. Ele tinha a personalidade curiosa e muito ativa. Esses brinquedos de montar ele nunca abandonava facilmente.
Liguei para meu pai como costume de toda noite, para conversamos sobre nosso dia. Depois passei uma hora com Sue falando do casamento e por fim, liguei para Esme. Minha rotina noturna de ligações se encerrou e deitei no sofá, com Andy, brincando um pouco. Eu amava ficar sozinha com ele. Durante o dia minha vida sem ele parecia vazia. Minha ansiedade em voltar para casa é muito imensa. Se pudesse, estudaria em casa. Trabalhar ainda tenho essa opção, de organizar meu tempo ao lado dele.
- Família, cheguei! - Edward abriu a porta e jogou a chave na mesinha. - Estou faminto.
- O jantar está prontinho. - sorri ficando de pé com Andy no colo. - Vá com o papai.
Coloquei a mesa para o jantar e senti a sensação agridoce de que tudo era muito familiar e que em três semanas iríamos nos separar por uns dias, porque a festinha de um ano de Andy estava programada para acontecer em Forks no fim do mês de janeiro. Edward e eu desembolsamos uma grana para que ele tenha a melhor festa de um ano que toda criança e pais merecem. Mais Edward do que eu, porém, ele fazia questão e eu não queria me indispor com ele sobre dinheiro. No fim, era para meu filho e eu não me importo quando envolve a felicidade do meu filho.
- Filho, por favor, coma. - Edward disse oferecendo mais uma colher à ele. - Andrew Charles. - disse mais firme e meu filho arregalou os olhos e abriu a boca, engolindo mais uma colher.
- Ele anda um pouco enjoado para comer à noite. Não sei se está sentindo falta da mamadeira. Eu acho que somente leite é muito pouco para sustentá-lo.
- Eu também, ainda mais que ele cresce cada dia mais. - Edward concordou e olhou para o pratinho dele. - Pelo menos ele está comendo bem. Vou insistir mais. - disse convicto e continuei comendo.
Edward foi para o banheiro com Andy tomar banho e eu fiquei na cozinha, terminando de ajeitar tudo e fui para o quarto. Entrei no chuveiro sabendo que os dois teriam o momento deles, sem mim. Não tive pressa para me arrumar porque eu tinha esperanças que Edward… Bem… Me quisesse. Nos últimos dias trocar mensagens não tem sido o suficiente pra mim. Ele me aconselhou fazer algo que eu nunca fiz. Sinceramente, fiquei louca com a possibilidade e queria tentar, mas eu nunca me toquei. Nunca mesmo. E o fato dele ter dito que ajudaria a aliviar me fez pensar que ele se tocava e isso abriu a minha mente para um monte de fantasias. Será que ele se masturbava no chuveiro pensando em mim? Ou ele assistia pornô? Não parece muito estilo dele assistir pornografia… Edward é muito exigente em alguns aspectos e um filme qualquer não o deixaria excitado.
Deitei na cama com os pensamentos a mil e muitas curiosidades. Eu tinha a sorte que podia perguntar à ele tudo que vinha na minha mente. Passamos os últimos dias trocando um monte de mensagens picantes e eu assumi que queria fazer um monte de coisas com ele. Posições que meus amigos da faculdade falavam e eu ficava quieta. E eles ainda me zoam, porque sou a única entre eles com um relacionamento sério. Eles não sabem que Edward não é o pai biológico do meu filho. Eles pensam que estou lá para estudar e meu namorado, pai do meu bebê, ficou em Seattle para terminar seus estudos. Não quero abrir essa informação porque não importa. Andrew só não foi feito por Edward, mas foi feito para Edward.
- Ultimamente você tem estado muito pensativa. - Edward entrou no quarto só com sua calça de moletom cinza que eu adorava e jogou todo o peso do seu corpo em cima de mim. - Fico tão feliz quando vocês estão aqui. - murmurou esfregando o nariz com o meu e eu ri. - Amei a surpresa. Estava ansioso pela sua chegada. Você longe me sinto incompleto.
- A minha vida é perfeita com você. - sussurrei e o beijei, precisando matar a saudade por completo do homem que eu amo.
No meio da noite, ainda estava acordada. Andy não estava precisando de mim, porque quando chorou, Edward levantou e cuidou dele sem me chamar. Ele choramingou um pouco e voltou a dormir rapidamente no colo do seu papai. Minha mente não estava me deixando descansar porque eu não conseguia parar de pensar no quanto minhas emoções estavam divididas e por todo lado, soando confusa até mesmo para meu entendimento.
Eu quero estar com Edward, mas sou muito nova para simplesmente morarmos juntos. Não quero ter a responsabilidade de um casamento tão cedo. Já sou uma mãe e isso é tudo que posso lidar no momento, mas eu quero estar com ele o tempo todo. Quero dormir ao seu lado e cozinhar o jantar todos os dias. Quero cuidar da sua alimentação e das suas roupas. Quero que ele tenha a aparência do meu pai depois que Sue foi morar conosco… Aparência de um homem que é cuidado e amado por sua companheira. Quero que Andy conviva com ele todos os dias e que Edward não perca cada momento dele, cada evolução que eu vejo e reparo diariamente.
De manhã cedo Edward colocou Andy na cama comigo e se despediu para faculdade, logo em seguida ele iria para o laboratório fazer duas horas aula. Continuei deitada morrendo de soninho com meu filho dengoso, que dormia um pouco e depois ficava assistindo televisão. Meio dia saí da cama e comecei a faxinar a casa. Andy ficou distraído brincando e volta e meia ele aprontava alguma coisa, exigia minha atenção, no mais me permitiu que limpasse todo apartamento sem problemas.
Edward chegou aparentando cansaço, mas abriu o maior sorriso de todos quando nos encontrou brincando no chão da sala. Eu queria mais dias de paz e tranquilidade como esses. Mas eu também sabia que a minha vida estava longe de se estacionar no mesmo lugar com estabilidade emocional e segurança. Existiam muitas coisas internas que eu precisava colocar no lugar para poder decidir viver em paz comigo mesma e principalmente com Edward.
Em primeiro lugar, preciso encontrar um espaço no meu coração para perdoar a minha mãe. Não estou pronta e não quero fazer isso, mas preciso liberar essa mágoa amarga que pesa no meu peito como uma gigante pedra de cimento no meu coração. Quero parar de sentir dor toda vez que lembro de algum momento feliz que passei ao lado dela e não sei até que ponto posso realmente excluí-la da minha vida porque não aceitou a minha gravidez. Ela curte e comenta umas coisas aleatórias no meu facebook, mas eu nunca respondo porque não sei simplesmente agir como se ela não tivesse me decepcionado por uma vida inteira.
A segunda coisa que preciso lidar é uma vergonha de admitir. Eu sei que sou a pessoa mais egoísta do mundo em relação ao meu filho. Tenho um sentimento de ciúme e medo de perdê-lo que não é normal. Isso significa que me sinto ansiosa e desesperada toda vez que estou na faculdade longe dele e preciso voltar para casa o mais rápido possível para segurá-lo no colo e sentir seu cheiro. Edward vem conversado comigo sobre a mudança de nome do Andrew. Ele quer que o meu filho tenha seu sobrenome. Entendo seu sentimento e desejo, mas meu coração congela de um dia nós nos separarmos e eu teria que dividir o tempo do meu filho com Edward.
Quando Riley saiu de cena, me senti aliviada por não ter que dividir meu bebê com seu pai biológico, principalmente que ele não fez nenhuma questão de fazer parte da vida dele. Com Edward é completamente diferente, claro. Eu sei que estou sendo idiota e nenhum pouco lógica, por isso que não estou morrendo de vergonha de abrir minha insegurança a ele. Sei que Edward nunca me deixará e mesmo que nosso relacionamento acabe um dia, sei que o amor continuará, mas… O medo é tão irracional que me sinto mal por sentir, mesmo que isso envolva meu filho, o meu bebê, a minha pessoa no mundo inteiro.
Eu amo Edward, mas nada se compara ao que sinto pelo meu filho.
Sei que no futuro, perto ou longe, isso acabará acontecendo, mas se Andrew terá o sobrenome Cullen, eu também quero pertencer à Edward. Frustrada com a minha própria linha de pensamento, bati a cabeça no tampo da mesa repetidas vezes.
Era natal, de manhã cedo, eu acordei para ajudar Esme a cozinhar todo jantar porque chegamos ontem , tarde da noite. Edward precisou ficar de plantão e então atrasou toda viagem. Alice e Jasper esse ano passariam o natal com os pais dele, então, nosso grupo estava reduzido a quatro casais já que os pais de Carlisle passariam com a irmã dele e seu marido, na fazenda.
Levantei da minha cadeira e olhei o peru assando mais uma vez antes de pegar todas as batatas e começar o trabalho de descascar. Esme estava dormindo, provavelmente muito cansada após decorar toda a casa de última hora. Ela havia colocado guirlandas do lado de fora e montado a árvore no tempo previsto, mas para o jantar de natal sempre caprichava ainda mais. Dando um pouco de descanso a minha sogra, estava cozinhando.
- Te expulsei da cama cedo por algum motivo? - Edward perguntou sonolento e neguei com um meio sorriso. - Baby, o que está acontecendo?
Como ele me conhecia tão bem?
- Estou apenas sendo idiota com algumas coisas. Minha eterna mania de me auto criticar e questionar tudo que estou fazendo e pensando. Tenho a constante dúvida se estou no caminho certo… Todas as minhas decisões não influenciam só a mim mesma, mas também a você e ao Andy. Por que é tão difícil crescer? - sussurrei sentindo meus olhos cheios de água e logo estava chorando. - Eu não me arrependo do meu bebê, mas esses dias eu queria ser irresponsável e comprar uma bolsa da Chanel. Passo todos os dias olhando-a e fico admirada com a beleza dela e como ficaria linda com a minha calça azul caneta, meu casaco em formato kimono e minha sandália de salto grosso… Eu olho o preço e vejo: "Será que se eu tivesse dezoito anos, ganhando a grana que eu tenho ganhado com o livro… Eu compraria tal bolsa?"
- Querida, você é tão questionadora… Enquanto isso é incrível, o outro lado é simplesmente irritante. - disse e eu tentei não ficar ofendida. - Eu não sei se estou certo, mas às vezes fico refletindo sobre a nossa vida e você sabe da minha mania de ser organizado com tudo. Eu criei aquela planilha de alimentação de gastos não foi para te impedir e inibir de comprar o que você quer e precisa com seu dinheiro, amor. Muito menos para dar conta do quanto você ganha. Na verdade, eu tenho pensado em trocar de carro, pegar um Volvo mais novo e maior. E não vou deixar de fazer isso, mesmo que com bastante calma e planejamento apenas porque nós temos Andy. Penso que devemos ser cuidadosos e planejadores, mas não nos ignorarmos por completo nesse processo.
- Entendo… Fico com medo de gastar demais e amanhã precisar…
- Bella, não é o fim do mundo comprar algo para si mesma, sabe? Claro que eu também não vou concordar que você gaste demais, porém, gastar parte do seu salário consigo mesma… É seu. É justo se dar uns presentes…
Como estávamos sozinhos, conversamos sobre todas as coisas que estavam me angustiando, exceto sobre Renée, que eu não conseguia exatamente me abrir para definir meus sentimentos e sobre Andrew se tornar um Cullen e eu não, pelo menos, ainda não. Cozinhamos juntos até o momento que Esme acordou e então meu namorado extremamente compreensível, foi ficar com nosso filho bagunceiro.
O dia e a noite de natal foram incríveis. Eu amava estar perto da minha família e me sentia tão distante e solitária do outro lado, apesar de estar muito coladinha com Alice lá. Me pergunto se Edward e eu moraríamos aqui no futuro ou se a minha vida vai ficar sempre em Nova Iorque? O futuro é tão imprevisível que realmente me deixa confusa.
- Não acredito, Emmett. - murmurei para o grande trilho sendo montado. - O apartamento lá não vai ter espaço para ele brincar com isso.
- O quarto dele aqui tem. - Edward disse me ignorando. Eles estavam mais animados que o próprio Andy, que tudo que fez foi bater com os trens repetidamente no chão.
A diversão da noite foi brincar com os pequenos trens. Já era meio da madrugada quando eu deitei com Edward e nós logo apagamos. De manhã cedo a Esme já estava pela casa, ansiosa para trocarmos nossos presentes. Estava nevando muito do lado de fora e por isso ficamos todos recolhidos na sala, tomando chocolate quente e comendo cookies.
Andrew estava sonolento e muito quieto. Ele ficou no colo do meu pai o tempo todo.
- Aqui está, baby. - Edward disse me entregando um envelope. - Nosso presente de natal.
Ansiosa porque realmente adoro comprar presentes, rasguei o envelope e no meu colo caiu passagens de avião e o folheto de um incrível resort em Punta Cana. Abri minha boca em choque e olhei para o rosto de Edward. Ele só podia estar brincando comigo! Joguei meus braços ao redor do pescoço dele e abafei meu grito de felicidade. Quer dizer, eu não tinha ideia como iríamos pagar por essa viagem, mas eu tinha um pequeno mapa no meu quarto onde marquei os lugares que um dia gostaria de conhecer. Edward também marcou os deles, mas isso era um plano futuro, quando estivéssemos mais estabilizados e com Andy mais velho.
- Nós estamos pagando apenas a passagem. - Edward disse depois que o soltei. - Ganhei cinco dias nesse Resort lá no hospital. Um paciente é sócio lá e ele nos presenteou quando seu tratamento acabou. - sorriu e eu ri aliviada. Parecia caro. - Seu presente mesmo te darei mais tarde.
- Por quê? Guardo o meu para mais tarde também? - perguntei curiosa.
- Você é quem sabe, mas o que eu tenho para te dar é particular.
- Então vou esperar também. - sorri timidamente porque todos estavam olhando para nós dois com expectativa. - Vamos viajar!
- Quando?
- Dia 27. Passaremos o ano novo em Punta Cana.
Sorri para meu pai que parecia que já sabia do meu presente, apesar de ser maior de dezoito, ainda sou menor de vinte um e não sou emancipada. Meu pai como meu responsável legal assina por todas as minhas viagens e talvez seja por isso que ele andou me importunando para tirar meu passaporte. Eu achei que fosse documentação exigida pela Editora, já que eles queriam me levar como autora estreante em diversas feiras de livros espalhadas pelo mundo.
O dia foi bom, mas Edward me informou que tínhamos um encontro. Fiquei até animada e corri para o quarto para me arrumar. Nós raramente tínhamos encontro a dois. Não que Andrew atrapalhasse, mas eu sei como é bom sair só com ele e sentia falta de poder fazer isso sozinha. Lavei e escovei meu cabelo, deixando-o bem liso, saindo um pouco dos cachos. Como estava frio, aproveitei para estrear minha bota de cano longo. Coloquei minha calça preta justa, minha blusa vermelha decotada, mas com meu casaco sobretudo preto também. A bota ficava larga na coxa e então prendi com um elástico.
Sabia que Edward estava se arrumando em outro quarto, porque enquanto tomava banho, ele pegou suas roupas. Andrew ficaria com meu pai e Sue e nós o buscaríamos após nosso jantar, porque por mais que ele adorasse meu pai, eu sabia que Andy não dormiria com Charlie. Ele já estava mais acostumado com Esme e ela tinha paciência caso ele acordasse e fizesse alguma birra.
Tirei uma foto no espelho e postei no facebook antes de descer. Edward estava na sala com o celular na mão e riu quando me viu.
- Primeiro o facebook amor? - brincou e eu ri balançando a cabeça.
Saímos de casa de mãos dadas e entramos no carro.
- Por que estamos indo em direção à casa de Rosalie? - perguntei observando o caminho.
- Quero te mostrar alguma coisa.
Edward estacionou em um terreno vazio, com uma casinha muito pequena no meio e a floresta ao redor, mas dava para ver o lago. Ele saiu do carro e abriu a porta pra mim. Estava escurecendo, mas dava para ver o amplo espaço.
- Você sabe, meu avô hoje vive na Fazenda, mas ele foi um grande homem aqui na cidade. - disse referindo-se ao Vovô Carlisle - Ele comprou muitas terras e algumas ele vendeu no meio do tempo, outras ele passou para meu pai.
- Isso é legal.
- Hoje meu pai me passou a escritura desse terreno. E é aqui que eu quero construir a casa que eu vou viver com você, criar nossos filhos e no futuro, receber nossos netos. Eu quero a casa dos seus sonhos, aquela que você me disse que teria um jardim bem grande, uma cozinha acolhedora e muitos quartos.
- Edward isso é simplesmente incrível!
- Nós não podemos começar nenhuma construção agora, mas eu acho que se nos organizarmos, dentro do próximo ano, poderemos pelo menos derrubar essa casa, deixar o terreno plano e contratar um arquiteto para desenhar a casa da nossa forma.
- É imenso… E dá pra ver a casa dos seus pais! - sorri apontando para o outro lado do rio. - Eu quero um deck bem aqui. - apontei para o espaço. - Posso imaginar os três homens da minha vida pescando… - sorri e virei para ele. - Eu te amo.
Voltamos para o carro e seguimos para o restaurante, no qual nos deliciamos com um perfeito fondue de carne e queijo, depois com uma torta de chocolate simplesmente incrível. Meu pai mandou mensagem informando que Andrew já tinha dormido, então, não deveríamos ir buscá-lo. Edward e eu seguimos para casa dos pais dele e todos já estavam dormindo. Eu me sentia tão feliz e apaixonada que não queria simplesmente encerrar a noite. Pedi que pegasse uma garrafa de vinho e levasse para o quarto.
Ele aproveitou para trazer uma bandeja de besteiras. Bebemos, comemos e falamos tantas sacanagens que acabamos realizando tudo que falamos. Eu não entendia como ainda podíamos conquistar tanta intimidade, mas cada vez que ficávamos juntos, percebia que subíamos um nível a mais de companheirismo e cumplicidade.
Amanheceu muito frio e de alguma forma, Andrew estava dormindo ao meu lado. Meu pai deve ter vindo até aqui antes de ir trabalhar e Edward o colocou do meu lado. Percebi que ele não estava na cama e liguei a televisão quando meu bebê resolveu começar a chutar suas perninhas para o alto, sem querer realmente levantar. Estava frio e eu não queria fazer nada. Minha mala de viagem estava semi-pronta. De alguma forma lembrei que não dei o presente de Edward assim como ele não me deu o meu. Ele enrolou a noite toda e depois acabei esquecendo.
Andrew riu para imagem do desenho e ao mesmo tempo, Edward entrou no quarto carregando uma bandeja. Ele me mimava demais. Toda vez que ficávamos juntos, era realmente gostoso. Ele fazia de tudo para me deixar confortável e amada. Sentei na cama para acomodar meu café e vi que ele fez meu chá favorito de camomila, mel e limão. Panquecas com mirtilo e torradas. Andy ganhou sua mamadeira e ficou distraído mamando.
Edward me olhava com uma expectativa diferente. Franzi os olhos não entendendo e olhei para o fundo da minha caneca. Havia algo escrito, mas não conseguia entender o que era. Tomei meu chá com um pouco mais de pressa e quando chegou ao fundo, meu coração deu um salto.
Marry me?
Ele estava propondo?
Olhei para o seu rosto e ele mostrou o anel balançando na sua mão.
Meu Deus.
- E então? Isabella Swan, você me dará a honra de se comprometer a mim em matrimônio?
- Claro que sim! Sim! Com certeza!
Eu conhecia esse anel. Era de Esme. Ela sempre me mostrou ele dizendo que um dia iria usar, inclusive, já me fez experimentar mais de uma vez. Agarrei Edward muito apertado e beijei seus lábios repetidas vezes. Isso significa que eu também terei o sobrenome dele em alguns anos. Edward deslizou o anel no meu dedo e olhei admirada.
- Estou muito feliz.
- Eu quero que você preste atenção em mim por um momento. - Edward disse segurando minha mão. - Eu quero casar com você porque te amo e não existe nada mais que eu queira no mundo que construir minha vida ao seu lado. Quero ser seu por completo, ser seu marido, seu melhor amigo e pai dos seus filhos. Eu quero que você seja sempre feliz, mas também quero ser a sua felicidade, o seu amor. Quero que realize os seus sonhos e se complete a cada dia. Eu quero estar lá te aplaudindo toda vez que tiver uma vitória, mas também quero estar te ajudando a levantar quando você cair. Não quero nunca que duvide o quanto amo você.
- Eu quero todas essas coisas e muito mais. - sussurrei sem conter meu choro. - Eu me sinto tão injusta e egoísta. - murmurei fechando meus olhos. - E você só pensa em coisas para nós dois. Eu não tinha idéia que já estava planejando propor… Mas nós vamos casar agora? Não é cedo?
- Não vamos casar agora porque não podemos, baby. Eu não posso me mudar e você acabou de começar a faculdade, mas eu espero que você não queira viver para sempre em Nova Iorque. - sorriu timidamente.
- Não tenho planos… - murmurei olhando para o seu rosto. - Mas se tudo mudar? Se minha carreira se estabilizar lá?
- Assim que me formar eu me mudo pra lá. - disse convicto e eu suspirei satisfeita, mas eu sabia que não ficaria em NY para sempre. Não é o tipo de cidade que eu gostaria de criar Andy. Não tão longe da minha família.
- Por que você quis me propor agora?
- Porque eu te conheço. - disse simplesmente e me senti confusa. - Baby, eu admiro sua tenacidade, sua capacidade de estar sempre se desafiando, se questionando e por isso que você evolui e amadurece tão rápido. Às vezes eu fico até sem graça com a sua maturidade, me dando bandas por aí… - sorriu e soltei uma risadinha. - Mas isso também é ruim. Você coloca em dúvida o que sinto por você. Eu entendo, em parte, porque você foi deixada por duas pessoas que amava muito. É um sentimento comum é por isso que eu respeito, mas quero que nunca esqueça que não sou uma criança. Eu vou completar vinte e cinco anos e eu sei o que quero da minha vida.
- Eu sei. Sinto muito… - murmurei olhando em seus olhos. - Está tudo muito bom e às vezes fica tão difícil. Me sinto tão confusa…Eu penso que sou louca, porque fiquei tão feliz com a oportunidade de me sentir normal, estudante, mas no fundo, a minha vida não é normal. E eu fico com saudades de você, do meu pai, de viver na tranquilidade e segurança de Forks que me pergunto o que estou fazendo lá e ao mesmo tempo, não quero abrir mão de tudo porque eu quero ser alguém para meu filho. - disse segurando suas mãos. - Como posso pensar que sou normal? Eu acordo cinco horas da manhã todo dia! Eu faço a comida dele do dia inteiro, dou sua mamadeira e um banho, ajeito as roupas que vai usar, lavo a louça e preparo minha mochila para faculdade, espero a babá chegar e vou para faculdade com o coração batendo tão forte no peito por deixá-lo chorando. Estudo o dia inteiro e a noite, chego cansada e ele quer minha atenção… Brinco com ele por duas horas, sei lá, ao mesmo tempo faço o jantar, os trabalhos da faculdade e escrevo por mais ou menos duas horas… Os meus colegas estão indo a festas e fazendo compras no shopping. Eu não sei como eu pensei que poderia ser normal.
- Bella, você não pode exigir tanto de si mesma o tempo todo. Você precisa aceitar o que vem de bom porque só assim conseguirá lidar com o que vem de ruim. Quando eu passei para faculdade de medicina, eu sabia que meus pais estavam muito aliviados em não ter que pagar particular. Toda segurança de vida deles estaria seriamente abalada. Não fiquei chateado, isso me deu combustível de ser o melhor e assim ganhei a bolsa de estudos e meu emprego está garantido. Você está começando agora, tem um longo caminho pela frente e eu juro a você, que estarei caminhando seu lado.
Inclinei meu corpo para frente e o abracei apertado. Sou uma garota de sorte por ter o melhor noivo do mundo inteiro. Muito sortuda mesmo. Mesmo com todos meus questionamentos, ele está aqui para segurar a minha mão e me tranquilizar. Como ficamos muito tempo apenas abraçados - eu tinha uma paixão imensa por estar nos braços do Edward, era o lugar mais seguro e confortável do mundo inteiro. Eu me sentia amada e feliz. Andy soltou um resmungo e coloquei ele entre nós três. Nossa pequena família muito importante e muito feliz.
