Abençoados sejam os esquecidos, pois tiram maior proveito dos equívocos.

- Friedrich Nietzsche

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1975

Espremer com cuidado as sementes pequenas e castanhas que pareciam avelãs, retirar o máximo de essência delas para misturar com as ovas de fada mordente e jogar os dois últimos ingredientes no caldeirão onde o líquido púrpura fervia e borbulhava. Sua mente trabalhava mais rápido que o de costume enquanto dava as setenta e oito voltas em sentido anti-horário para concluir a segunda fase da poção. A terceira seria deixá-la decantar por vinte e oito dias e ela estaria pronta para ser utilizada. Era o mínimo que Sigurd podia fazer pela irmã naquela situação, e fazia de bom grado.

Estava ciente de que o irlandês agora vivia enfurnado no quarto de Valkiria, pois por mais que ela fosse discreta e vivesse lançando feitiços para ocultar a presença dele, o descaso que o homem tinha tornavam perfeitamente visíveis e audíveis as bestialidades que induzia a loira a fazer, quando a tomava sem dar tempo para a razão agir minimamente. O irmão mais velho sempre a admirou por ela possuir aquilo que lhe faltava: uma soberania racional, uma vivência completa no mundo das ideias, porém com o amante imundo ela se rebaixava completamente, e se Sigurd era tido e havido como obtuso, ela ficava absolutamente estúpida.

Jamais se esqueceria da terrível cena que presenciara ao procurá-la no estúdio em um domingo, ela executando um perfeito grand plié sobre aquele nojento, aquele desgraçado, aquele que ele só não matava por ser superior a todos eles. Não importava o quanto sempre lhe dissessem que melhor seria apoiá-los como podia, uma vez que sua falta de talentos o impedia de se juntar ao grupo, o que acontecia com a irmã e o que ele via acontecendo dia após dia naquela guerra, as torturas e as mortes irracionais, os desaparecimentos de pessoas que ele sabia – percebia, cada vez mais – que valiam, que eram iguais a ele, e valiam; tudo o levava a admitir em silêncio que era superior apesar de tudo e fizera bem em não ter se comprometido com uma marca.

Só não abandonava tudo por causa de Valkiria. Ela não chegara a conhecer Klarissa e Lothar, ele sim, e mesmo que não tenha feito nenhuma promessa aos pais, afinal jamais pediriam a uma criança para se comprometer de tal maneira, sabia que gostariam que ele olhasse por ela. Eles não fizeram o que fizeram por mal, apesar de jamais ter sido revelado a Sigurd o que acontecera, a mãe não os abandonaria daquela forma por mera fraqueza. Com o tanto de negócios escusos que a família praticava, não duvidava sequer do envolvimento dos irmãos Reiniger naquilo, tanto o tio quanto o avô.

Ele conseguiu controlar os próprios pensamentos antes que a poção desandasse. Esperava sinceramente que Scrimgeour fosse capaz de controlar a irmã antes que ela desandasse irreparavelmente também. Era uma sensação muito ruim perceber como ela o traia com a mente tão leve, sem nenhum sinal de remorso, sem nenhum indício de culpa. Sentia-se quase sufocar ao vê-la durante a noite com o amante e durante o dia a planejar um casamento que por vontade dela, jamais aconteceria.

- Por que escolher um vestido, convidados, esquematizar uma festa se você não deseja que ela aconteça? – Perguntou um dia, na esperança de que ela lhe desse algum sinal de que fosse possível que ela acontecesse.

- Em primeiro lugar, manter as aparências; em segundo lugar, porque um dia eu terei que me casar de qualquer maneira, então não será um trabalho de todo desperdiçado. – Respondeu com a voz vaga, sem tirar os olhos do pergaminho que continha o esboço de uma lista de convidados.

- Você pensa naquele porco enquanto planeja todas essas coisas?

- Não, Sig, eu penso nestes porcos, - ela olhou para ele, apontando a lista de convidados com descaso. - Festa de casamento é para agradar aos outros, os noivos têm direito a muito pouco prazer nessa história toda, e parte da diversão é ver a mulher se casando com alguém "adequado". Portanto não me importune.

- Vai se casar com outro Comensal então? Só que um com dinheiro? Sinceramente, Val, eu não vejo diferença entre eles...

- Não... me... importune! – Ela repetiu pausadamente, o olhar cerrando perigosamente.

Ainda assim ela o importunava, e cada vez mais, para que ele lhe trouxesse informações dos aurores, descobrisse sobre a ordem que alguns deles faziam parte, não todos, somente os melhores. Tudo o que Sigurd fazia questão de saber era o que ela sabia, uma vez que ela leria sua mente com facilidade, e constantemente tentava fazê-lo. Se antes o loiro era aberto, saia com os rapazes em Hogsmeade, ria e se divertia com eles, agora ele fazia questão de manter a distância e não se mostrar disposto a nada. Não colocaria Valkiria no rastro deles pelo bem de ambas as partes.

Ele não sabia mais o que fazer por ela além de tentar protegê-la e esperar que alguma oportunidade a fizesse trilhar por um caminho certo. Preparou a poção para que decantasse enquanto a lua viajava pelo céu, naquela primeira noite tão negra que ele só sabia que ela estava lá porque não estaria em nenhum outro lugar, mas apenas escondida entre as sombras, tal qual Klarissa antes de se matar e tal qual Valkiria depois de ser treinada pelo tio.

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"Caro amigo,

Sinto que anos tenham se passado desde que entrei em contato com você pela última vez, mas espero que as lembranças de Durmstrang ainda estejam cálidas para a sua memória como o estão para a minha; como a vez em que me acompanhou ao baile para evitar que eu fosse em companhia de Mondragon ou quando eu te salvei da paixão platônica da Verstappen (lembra-se do feitiço insano que acabou dando certo?).

Ainda dou risada quando me lembro que sua mãe ainda deve pensar que somos noivos e aguarda pelo casamento. Espero que não enfrente mais muitas dificuldades com suas preferências celibatárias, apesar dos pesares, no entanto tenho uma proposta para te fazer, e garanto ser vantajosa.

Venha para a Grã-Bretanha assim que puder e me procure, não irá se arrepender do mundo que eu irei te apresentar e de tudo o que poderá ser seu.

Alguém me lembrou recentemente que devemos estar com quem nos aceita como somos.

Atenciosamente,

Von Adler."

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Quando a neve parou de cair e todo o branco que cobria o chão derretera, sendo completamente lavado pelas chuvas do primeiro trimestre, foi a vez de Narcissa trajar-se com aquela cor para deixar de ser uma Black e transformar-se em Malfoy. Nenhuma das duas era a família preferida de Scrimgeour e ele sabia perfeitamente que a recíproca era verdadeira, porém a sua noiva fora convidada pela noiva de Lucius, e o convite obviamente foi obrigado a estender-se a ele.

Valkiria ao seu lado estava bonita em seu vestido verde, discreto e fechado, sempre fechado. Ele admirava aquilo nela, considerava-a elegante em sua forma de jamais se expor ainda que tivesse um corpo perfeito, ah... ele sabia que seu corpo era perfeito, magro, firme como sentira entre as mãos tantas vezes, como sempre e naturalmente julgava que era o único que sabia daquilo e o único que precisava saber. Às vezes enciumava-se dela, sim, mas quando estava feliz, deleitava-se em imaginar que seria o primeiro na noite de núpcias, e somente uma coisa ele tinha contra a perspectiva do próprio casamento: sua demora.

Enquanto ele observava todos em sua volta se casando às pressas, logo procurando o abrigo e o consolo emocional em possuir uma família, em dar ao futuro crianças que representavam a esperança de um novo dia em que a liberdade e a paz reinariam, a noiva considerava todas aquelas ações imprudentes e débeis. Justamente por trabalhar tanto, contra a vontade de Rufus, queria ter tempo de organizar as coisas; e justamente pela época ser tão violenta, declarava que só teria filhos quando tudo acabasse. Ele enxergava o ponto dela, sim, achava-a bastante sábia naquele sentido, porém sua vontade – e inveja ao ver os outros realizando aquilo – era muito maior.

- Não gosto da ideia de casar de branco, é algo tão... trouxa. – Ela murmurou para ele na recepção, enquanto observava os recém-casados.

- As mulheres acham mais romântico, querida. Ademais, esse tipo de declaração não é boa de se fazer nestes tempos.

- Os trouxas honram as tradições deles, eu honro as minhas, não há nada de errado nisso. – Ela deu de ombros. – Mas devo admitir que não imagino Narcissa se casando em outra cor.

- Você ficaria bem de branco também. – Ele murmurou em seu ouvido, observando-a depois apenas para se certificar que sim, uma cor clara para variar lhe cairia bem. - E cabelos mais compridos. Por que não os deixa crescer mais?

- Você acha que eu ficaria bonita? - Ela pareceu ponderar.

- Mais bonita, não se preocupe.

Rufus puxou-a para si e selou seus lábios com um beijo antes de chupá-los de leve, agarrá-la com um pouco mais de força e invadir finalmente a boca com a língua. Logo ela tentou repeli-lo, fazer o mesmo discurso, "não aqui, não assim, não na frente dos outros", ele já sabia exatamente quando, o quê e de que maneira ela falaria, mas não se cansava de roubar aqueles minutos de intimidade dela, até achava bonito o seu recato, achava que poderia ser um sinal do seu valor.

Deixou-a livre para fazer seu papel social naquele momento, afinal ela aparentemente era mais bem-aceita entre os presentes do que ele. Então apenas observou-a enquanto conversava com alguns convidados, mostrava a aliança para algumas mulheres e acabava recebendo mais elogios pelo colar que usava, que combinava tanto com seus olhos quanto com seu vestido. Um presente de Natal do irmão, Valkiria dissera e Sigurd confirmara. Ele realmente parecia ter um bom gosto peculiar com aquele tipo de coisa.

Quando a deixou em casa, ela não tinha mais tantas desculpas para fugir de seus toques, podendo recompensá-lo por ter ficado tanto tempo afastado dela na festa. Assim que aparatou no exterior da casa, portanto, não aguardou por mais nada e levantou-a do chão, pressionando-a contra a pesada porta fechada e se encaixando entre suas pernas, fazendo-a sentir o desejo que o levava a agir daquela maneira. Ela não se sustentava sozinha em sua cintura, parecia tímida demais para tanto, portanto ele segurou-a pelas pernas de repente, sem resistir passar a mão por baixo do vestido.

- Não! - Ela exclamou, tentando desesperadamente fugir de seu toque agora, enquanto olhava um ponto além.

Ele buscou o mesmo ponto por sobre os ombros, mas nada havia ali; deu de ombros e soltou-a, observando-a intrigado enquanto ela se ajeitava com exagero, exprimindo verdadeira ofensa pelo olhar.

- Cicatrizes, Valkiria?

- Algumas experiências que saíram errado enquanto estive em Durmstrang. - Ela evitava olhá-lo agora, e ele evitava pensar que aquilo fosse mentira. - Você sabe o que se ensina lá, Rufus, não é algo que eu realmente me orgulhe, não mesmo...

- É por isso que só anda coberta? É por isso que evita os meus toques? Você tem vergonha?

Ela não respondeu, apenas olhou para ele com mansidão. Sim, ele concluiu, ela tinha vergonha. Não era como ele fosse adorar vê-la nua um dia e perceber cicatrizes no lugar de uma pele lisa e perfeita, a pele que ele esperava que ela tivesse; mas ainda assim, a falta de jeito dela perante aquilo encantava-o.

- Mas não tem nenhuma solução pra isso? Digo, deve haver alguma poção, tratamento, alguma coisa.

- Tentei algumas coisas, nada que surtisse um efeito verdadeiro... - ela meneou a cabeça, pesarosa. - Mas eu posso usar transfiguração, se te incomodar, só não é uma solução permanente.

Rufus não sabia o que responder. Por mais que ela parecesse distante às vezes, eram aqueles pequenos momentos que o faziam ter certeza que havia algo dentro dela que a fazia condizer com sua posição de noiva. Beijou-a com carinho, um beijo compadecido pela situação dela, e concluiu que não, talvez não se importasse muito com as cicatrizes. Era só apagar a luz.

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O cheiro de banho tomado invadiu a cozinha, contrastando com o cheiro das ervas em infusão. Augustus sorriu, sua alemã era realmente muito previsível. Uma hora antes ele calculara que ela já deveria estar a sós na mansão, depois que um Rufus satisfeito pela companhia dela num casamento enfadonho a deixaria em paz pela noite. Ao procurá-la, porém, acabou vendo algo simplesmente odioso com requintes de estupro e sabia que aquilo levaria ela, que percebeu sua presença, a fazer duas coisas quando conseguisse despachar o noivo: tomar um banho de lavar a alma e correr para os seus braços.

- Vai ficar só olhando, Valkiria? O auror comeu sua língua? - Controlou-se, quando sinceramente gostaria de se oferecer para dar cabo daquele homem.

- Não me encha, Augustus... - respondeu depois de bufar impaciente.

- Hum... pressinto que faremos amor no chão desta cozinha daqui alguns minutos.

Ele falou com deboche, sem se virar para ela enquanto servia o chá em duas xícaras, o vapor quente subindo e tomando o lugar dos ares gélidos da lavanda dela. Valkiria se aproximou emitindo um muxoxo enquanto avaliava as condições higiênicas do chão como se cogitasse, entrando no campo de visão dele e fazendo-o perceber que ainda estava de cabelos molhados; deveria estar realmente afoita. Encostou-se ao lado dele no balcão e puxou um cigarro, porém antes de acendê-lo com as mãos ligeiramente trêmulas, Augustus tomou-o dela.

- Não, mocinha, primeiro o chá. - Colocou a xícara na frente dela, que olhou-o contrariada, mas acabou aceitando. - Não tem como você apreciar com o gosto de fumo na boca.

- Chá de novo? O que é isso, mania britânica ou o senhor está tentando me intoxicar? - Ela sorriu irônica, vendo-o cruzar o braço no dela tal qual um noivo brindando com taças de champanhe, igualmente irônico.

- Ando querendo te intoxicar, mas a senhorita duvida do poder dessas infusões, então não há nada que eu possa fazer. - Ele piscou antes de tomar o primeiro gole, ao que ela repetiu como se fosse um espelho.

A proximidade e os braços cruzados induziam aquilo com facilidade.

- E esse gosto estranho de novo! - Ela debochou, ao provar do líquido. - Isso é coisa de curandeiro trouxa, chá é inútil quando se tem poções.

- Chá é muito mais casual, ou você não desconfiaria se eu passasse a te oferecer poções para beber sempre que vem em casa? - Ele descruzou o braço e beijou os lábios dela rapidamente antes de voltar a beber.

- Isto já é suspeito o suficiente, mein lieber. – Riu-se, ao levantar a xícara levemente, porém continuando a tomar dela.

Permaneceram em silêncio por um tempo, ocasionalmente trocando olhares e sorrisos tortos. Ela nunca entenderia a capacidade dele, com seu humor tantas vezes intempestivo, de sempre acabar se resignando em relação às coisas dela - trapaças, invasões, roubos de informação e cenas com Rufus. Ele sempre acabaria ali, em paz, esperando-a com chá e cama e ela interpretava aquela constância de forma muito positiva. Não negava que se fosse outra pessoa ela desconfiaria e negaria os sinais de pacificidade, jamais beberia, comeria ou dormiria em sua casa, mas era Augustus, e ela sabia que ele não seria capaz de lhe causar nenhum mal verdadeiro.

Somente quando percebeu que a xícara dela esvaziara que ele deixou a dele de lado, colocando-se novamente de frente a ela, só que desta vez seu olhar assumindo uma expressão inebriante, quase como um calor, e ela sentia queimar por dentro. Augustus colocou-se entre suas pernas e puxou-as para cima, envolvendo-se entre elas enquanto sugava seus lábios como se tivesse fome deles. Valkiria agarrou-se nele com vontade, meramente aquele olhar prévio era suficiente, o cheiro da pele dele tão próxima, o toque, seu corpo que despertava nela a vontade de fundir-se completamente; não era necessário muito para que ela sentisse o desespero de querer aquele homem.

- Seu noivo não te causa tudo isso, não é mesmo? - Ele sussurrou, fazendo-a se sentir ainda mais quente. - Ele jamais fará isso com você...

As mãos ágeis dele embrenharam-se para dentro das vestes dela, a pele que poderia não ser lisa, ele não se importava, desejava-a mesmo que estivesse desfigurada, pois não era somente pele, não era somente tato que o fazia desejar tanto aquela mulher. Como ela já se segurava nele, estava livre o suficiente para afastar sua calcinha e constatar que ela já derretia de vontade de recebê-lo. Adorava perder-se nela o máximo possível, mas também amava tomá-la de uma vez e era isso que faria. Livrou-se da barreira da própria roupa de qualquer jeito e adentrou o céu quente e escorregadio do interior dela. Deu algumas poucas e lentas estocadas daquela maneira, de pé era mais difícil, tinha que ir o mais fundo possível.

Deitou-a no chão frio da cozinha mesmo, ela não pareceu se importar – não naquele momento pelo menos. Depois provavelmente faria alguma queixa, como se não estivesse com uma expressão de prazer puro, enquanto ele apertava seu rosto entre os dedos; era sua posse, sua mulher, e seria só sua em pouco tempo. Ah, se seria; ah se pagaria por tudo da forma mais deliciosa possível. Soltou seu rosto para suspender seus quadris, enterrando-se fundo e deslizando o mais rápido; não importava mais segurar, quanto mais gozasse dentro dela, melhor; queria preenchê-la por completo.

Parte dele realmente se aprazaria mais em não fazer as coisas daquela maneira, mas outra parte, um pouco mais desumana, um pouco mais sádica, a parte que procurava Dolohov quando seu grupo saía para torturar nascidos trouxas e outros imundos; era aquela parte que fervia as ervas e deitava-se sobre ela agora. Todo o prazer que ela demonstrava, a maneira como se contorcia sob seu corpo e chamava o seu nome, aquilo só fazia Augustus sorrir cada vez mais de forma quase demoníaca. Quando o gozo dele veio, não foi por ela que ele chamou no urro seco que soltou.

Foi pelo vórtice.

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- Temos que cuidar das crianças... - ela murmurou sonolenta, assustando-o um pouco.

Estava em silêncio há tanto tempo que Augustus achou que ela estivesse adormecida.

- Yaxley não ia tentar o cargo de instrutor ministerial de Aparatação em Hogwarts? Ele já trabalha com controle de transportes, não é difícil, e se quiser Bagman dará o apoio dele...

- Mas as crianças não sabem aparatar ainda... - Valkiria espreguiçou-se antes de se virar para ele e aconchegar-se em seu peito, parecendo de fato adormecida. - Tomarão aulas somente agora, no sexto ano, e seria bom que já soubessem previamente. Não é algo fácil de aprender.

- Os pais deles que se preocupem com isso.

- Acho que eles não conseguiriam ver seus filhinhos estruncharem. - Ela riu, obrigando-o a rir junto.

- Tá, tudo bem, as férias estão próximas e a gente "cuida das crianças". - Beijou a testa dela, antes de ordenar: - Agora durma.

- Gus... - ela diminuiu o tom da voz, se tornando minimamente melosa.

- Dorme, Valkiria... - insistiu, pois sabia que ela resistiria ao sono até o último momento.

- Eu ficaria melhor com o cabelo mais comprido?

Ele suspirou e correu a mão pelos cabelos dela, sempre tão cheirosos, limpos e macios. Nunca tinha pensado na questão, mas sinceramente a melhor resposta em sua opinião foi a que deu:

- Você fica linda de todo jeito. - Beijou o alto de sua cabeça de forma terna, acariciando-a com certa dedicação agora. - Agora fica quieta e dorme!