Hallo. o/
Eis aqui o último capítulo da fic, não sei se comemoro ou choro. Sempre é meio deprimente terminar um projeto ao qual você se dedicou muito tempo, mas me sinto feliz de ter conseguido completar. O que vai me deixar espaço pra criar outras coisas. Posso dizer que a Réquiem foi um projeto especial, pois inaugurou meu trabalho na área de Naruto e me fez usar temas que eu gosto muito: misticismo, relacionamentos conturbados, problemas familiares, até onde a vingança e justa ou se ela nunca o é.
Agradeço a todos os meus queridos leitores, que tiveram paciência e me acompanharam nesse trajeto longo. Vocês fizeram uma pequena autora muito feliz. \o/
Ich liebe Sie, meine Freunde.
Disclaimer: Naruto pertence a Masashi Kishimoto.
Música: Don't Fear The Reaper
Banda: HIM (Blue Oyster's Cult cover)
Cap Final – Anjo da Morte
Em resumo: Eles eram almas gêmeas. Não no sentido podre a romântico da expressão, mas no contexto de que eram dois pedaços de uma mesma coisa. De uma coisa que só existiu, existe e existirá para eles e que só eles criaram.
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"A vida é a infância da nossa imortalidade." (Goethe)
All our times have come
(Todos os nossos momentos vieram)
Here but now they're gone
(Aqui, mas eles já se foram)
Seasons don't fear the Reaper
(As estações não temem a Morte)
Nor do the wind, the sun or the rain
(Tampouco o vento, o sol ou a chuva)
We can be like they are
(Nós podemos ser como eles)
~ 15 de Março ~
O casal Yamanaka observava as ruas familiares de Konoha e um misto de sentimentos os tomava. Um pouco de tudo: alegria, apreensão, raiva, ansiedade...E um tanto de outros elementos de discrição dispensável. A noite estava se avizinhando e a primavera dava sinais de ser gloriosa, os aromas das flores e plantas adocicavam o ar.
A Srª Yamanaka percebia que logo eles estariam em um lugar que, por muito tempo, ela chamou de seu. A Mansão. Aquilo que lhe foi tirado por um desconhecido. O coração da mulher estava apertado. O que teria mudado? Tudo? Poucas coisas? Quem estaria ocupando a construção?
Um turbilhão de perguntas castigava sua já cansada cabeça e a presença irritadiça e sorumbática de Inoichi em nada contribuía para aliviar-lhe o estado de nervos. Na verdade, parecia que ele nem se lembrava ou se atinha para a sua presença. Tal displicência a fez sentir uma raiva inaudita do marido.
- Não queria estar aqui. – o Yamanaka quebra um longo silêncio, que de tão intenso parecia capaz de sufocar aos dois.
- Acha que eu queria? – replica a esposa, cruzando os braços e cerrando cenho.
Inoichi percebe que a esposa lhe falara sem nem o olhar.
- Você aceitou o convite, querida. – a ironia ali contida faz ferver o sangue feminino. – Poderíamos ter evitado isso.
- Poderíamos ter evitado tudo se você soubesse lidar com dinheiro. – os gélidos orbes verdes da mulher perfuram os olhos azuis de seu cônjuge.
O Yamanaka pega a companheira pelos ombros e o aperta com toda a força que podia conjurar. Ele queria feri-la. No entanto, a mulher apenas ri com a reação e prende suas mãos ao pescoço masculino.
- A verdade dói, não é?
Antes que a cena deplorável piorasse, a carruagem pára e os loiros se vêem diante de sua antiga casa. Eles descem do veículo e observam aquela imagem. Tudo parecia igual ao jeito que tinham deixado. As mesmas cores, plantas e árvores. Até mesmo alguns dos empregados, que não os cumprimentam quando acenam. O que estaria acontecendo? É o que o casal se pergunta em silêncio.
Eles batem à porta e um jovem desconhecido a abre, indicando que deveriam rumar para o escritório. Entretanto, tal ação se torna consideravelmente difícil quando os Yamanaka percebem a mudança ali ocorrida. O velho granito claro fora dispensado em prol de um mármore negro e lustroso que cobria o chão. As paredes em tons claros e quase primaveris não existiam mais, agora só havia um verde profundo e o mais diáfano branco. Os móveis também claros foram substituídos pelos mais refinados em tom de preto.
Seu choque decorativo é interrompido pelo suave clique de uma maçaneta e o casal percebe a porta do escritório levemente entreaberta. Inoichi abre mais a porta e qual não é o seu choque ao ver o seu pérfido genro parado ali, encarando a lareira e ignorando as visitas. A Srª Yamanaka percebe que o fogo fazia brilhar mais a blusa de veludo marrom que ele usava e os olhos do mesmo estavam num tom profundo de negro? Seria aquilo possível? No segundo seguinte em que ela olha, o púrpuro ali estava.
- Então foi você?
Apesar do medo que o consumia, o loiro toma a dianteira e inicia a conversa. Um ódio intenso corrói as entranhas do pai de Ino. Parecia que toda a desgraça de sua vida estava ligada àquele homem infeliz. Eles percebem Hidan erguer uma das sobrancelhas.
- Se burrice matasse, já sei quem seriam os próximos da fila – diz ele sem tirar os olhos do fogo. – Vão se sentar ou preferem ficar aí parados feito postes?
Ao que parecia, a sutileza do Jashin não havia mudado e os Yamanaka percebem que seria inútil dizer algo agora. Partindo dessa óbvia e banal conclusão, eles tomam seus lugares à mesa do escritório. Logo depois de os visitantes tomarem seus lugares, a Morte assume seu lugar defronte a eles e um sorrisinho perturbador surge no rosto masculino.
Os Yamanaka tremem diante daquela face e percebem que ele observava a parede atrás deles. O que, obviamente, aguça a curiosidade e os faz olhar aquele mesmo ponto. Nada havia ali.
- Ino-chan sabe que você comprou nossa casa? – questiona a mulher.
Uma risada feminina e gélida ecoa no recinto e enquanto os débeis pais da dona da casa procuravam sua fonte, Hidan crua as mãos diante dos lábios e coloca as pernas sobre a mesa, numa pose displicente e irônica.
- Como eu não saberia disso?
Os Yamanaka fitam aquele mesmo ponto para o qual o Mefistófeles olhara e ali percebem Ino. Mas não era a Ino que eles deram em casamento ao Jashin. Não. Aquela era Ino Jashin, portando orgulhosamente seu vestido de veludo bordô e observando a cena transcorrer, com um brilho cruel nos orbes azuis.
- Afinal, essa casa foi um presente pra mim.
Quando finaliza sua colocação, a grávida tem a mais absoluta certeza de que seus pais teriam caído ao chão, caso os pais estivessem em pé no momento em que a notícia foi dada. Lógica, óbvia e evidentemente que essa conclusão faz com que o interior dos Jashin se contorça num prazer deturpado.
- Enfim. Só chamamos vocês aqui pra comunicar que, depois que sairmos daqui e se quiserem, podem morar aqui. – Ino diz isso sem titubear e esboça um leve sorriso ao ver a derrota patente no rosto dos Yamanaka. – No entanto, nem pensem em mudar nada.
- Vocês podem morar aqui...-começa o Jashin, que fita sua esposa com uma cumplicidade atroz nos olhos. – Mas nada aqui pertence a vocês.
A srª Yamanaka cai em lágrimas, sendo amparada de imediato pelo esposo.
- Ino-chan, como você pôde? – inquiri a mulher. – Fazer isso conosco?
- É verdade, filha. – complementa Inoichi. – Esqueceu-se de quem somos?
- Hidan, lida com eles. – a dona da mansão vai se retirando do recinto. – Eu já não tenho mais paciência pra falar com essa gente.
Dito isso, a loira sai do quarto de deixa aqueles que um dia foram seus algozes lá dentro. Enquanto rumava para seu quarto, a mulher não consegue não pensar em quanto às perspectivas de uma pessoa podem mudar quando submetidas a circunstâncias extremas. O homem que condenou seu amor pueril, agora era seu maior aliado e objeto de uma veneração tempestuosa e febril.
Os pais, aqueles que foram sinônimos de amor e compreensão por anos a fio se transformaram em seres pouco dignos de nota, apenas associados a uma traição que ainda lhe feria de um jeito ou de outro. Entretanto, os dois também se transmutaram em lembretes de até onde a corrupção humana pode chegar, uma vez que eles se dispuseram em destruir a confiança que a filha depositava neles e a estraçalharem os ternos laços que os uniam.
No meio da escada, a loira é confrontada por Satsuki.
- Ino-sama, como se sente? – a expressão muito preocupada no rosto da agora governanta, traz uma sensação cálida para Ino.
- Estou bem. – responde a mulher. – Por que?
- Seus pais...
É ali que a Jashin percebe do que se tratava o zelo atual da outra. Pouco depois de retomarem o contato, Ino trocou confidências com Satsuki e a jovem fez o mesmo para com a patroa. A amizade imutável delas ajudava Ino a lidar com sua presente situação.
- Ah, isso... – parte do humor da loira desce pelo ralo. – Eu tinha que lidar com eles um dia, preferi que fosse logo.
- Só que no seu estado, pode não ser saudável. – as duas vão rumando para o quarto principal.
- Eu sei bem disso. – a gestante estava ficando cansada e um cochilo cairia muito bem agora. – Mas não ia me servir de nada adiar.
- Compreendo. – elas entram no quarto e Satsuki ruma até a porta da sacada, fechando a pesada cortina. – Qual não deve ter sido o choque deles?
O que ela não percebe é que dissera isso alto.
- Enorme, tenha certeza disso. – responde a patroa, se deixando quedar na cadeira defronte a penteadeira. – Será que podemos deixar esse assunto de lado, Satsuki?
A governanta fita a loira e vê que aquela inclinação sádica desaparecia tão logo quanto vinha; quase funcionando com um lapso na personalidade da Jashin e que se manifestava apenas quando o tópico de qualquer conversa envolvia seus genitores.
- Claro. – responde a empregada. – Prefere que eu traga seu jantar para o quarto, Ino-sama?
- Boa idéia. – a loira se levanta e começa a se desfazer das jóias. – Estou muito cansada mesmo.
- Imagino que sim. – Satsuki se aproxima e auxilia Ino a retirar o vestido. – A que horas quer que eu a acorde, senhora?
- Hum. – Ino perde alguns minutos pensando nisso. – Acho que às 19:00 já será bom.
- Então, bom descanso. – com um último sorriso, a governanta se despede da patroa.
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Come on baby... Don't fear the Reaper
(Venha, querida...Não tema a Morte)
Baby take my hand... Don't fear the Reaper
(Querida, pegue a minha mão...Não tema a Morte)
We'll be able to fly... Don't fear the Reaper
(Seremos capazes de voar...Não tema a Morte)
Baby I'm your man...
(Querida, eu sou o seu homem...)
Aquele dia seguiu como um dia normal após a partida dos Yamanaka. Ino passou a maior parte do dia em seu quarto e só à noite Hidan teve ter com ela, apenas para comunicar que partiriam para Kumogakure na noite seguinte. A essa notícia, a loira protestou já que desejava passar algum tempo na companhia das amigas em Konoha.
No entanto, não se pode dizer que a estadia deles em Konoha tenha sido improdutiva. Pelo contrário! Estando lá, ela pôde se inteirar dos negócios que compunham a imensa fortuna do marido: Imóveis, ações em bancos, partes em alguns negócios, exploração de minas em alguns outros lugares...Enfim, uma gama considerável de fontes de renda.
Um novo administrador foi contratado para auxiliar Ino em seu aprendizado: Hiro Sato. Um senhor de Sunagakure, simpático e dotado de muitos anos de experiência; que foram o elemento –chave para a aquisição de seus serviços. A princípio, o Mefistófeles se surpreendeu com o interesse súbito da Margarida em seus negócios, julgando aquilo como um mero passatempo do qual ela logo se cansaria.
Esse seu pensamento se mostrou um erro crasso quando, depois de uma noite fora, a Morte chega em casa (já em Kumogakure) e se depara com a esposa debruçada sobre a mesa de seu escritório, perdida em meio aos livros, canetas e papéis. Ao questioná-la sobre a origem de seus "delírios administrativos", a loira só responde que queria saber lidar com SUA fortuna.
O marido riu e afirmou que o dinheiro era dele. Ela replicou ao assentar – com uma precisão impensada – que muito do dinheiro dele veio através do que tirou dos Yamanaka, e como ela (mesmo muito desgostosa em lembrar) se constituía como a única herdeira do casal de Konoha, boa parte do patrimônio Jashin também era dela.
Nesse Março de aprendizados também houve espaço para momentos de maior ternura. Do nada, Deidara surge em sua casa para visitá-la e se inteirar de como estava a vida dela depois de a verdade vir à tona. Para a total surpresa do loiro, a prima estava genuinamente feliz com sua vida e suas intempéries lhe serviram apenas para acentuar a maturidade e a beleza, que agora ganhara o acréscimo suave de um ventre em crescimento.
O artista não escondeu sua preocupação sobre aquela criança, e esse sentimento era compartilhado pelos pais da própria. Mesmo depois de Hidan ter confirmado que aquele ser era humano, ambos sentiam que haveria algo de excepcional naquele individuo vindouro, concebido em circunstâncias que iam para muito além do incomum. Ino segredara ao parente que, em muitos momentos, via coisas que sabia que outros não podiam ver e sentia aquele ser em sue ventre reagir com as visões.
De sua parte, Deidara não conseguia conceber nenhuma razão apropriada para aquilo, mas em seu âmago ele sabia que aquela pessoa dentro de Ino seria um alguém sine qua non. Uma coisa que deve ser comentada é que o Jashin e seu hóspede só estiveram, um na presença do outro, por uma única noite e somente porque a dona da casa os trancou junto a ela na sala de jantar. A tensão foi tanta que a grávida podia jurar que, se pegasse uma faca, poderia cortar o clima pesado que pairara no ar.
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Valentine is done
(Os dias dos namorados estão terminados)
Here but now they're gone
(Aqui mas agora eles se foram)
Romeo and Juliet
(Romeu e Julieta)
Are together in eternity...
(Estão juntos na eternidade)
Romeo and Juliet
(Romeu e Julieta)
- Isso foi incrível. – fala Ino ao quedar na cama, depois de se separar do corpo nu e úmido de Hidan. A loira se deita de bruços e apóia a cabeça nos braços cruzados.
- Sempre é. – replica o homem em sua arrogância costumeira, os cabelos prateados estavam bagunçados e alguns fios estavam presos à testa suada.
- Metido. – ela belisca o braço dele. – Ah! Que isso?
Tal pergunta foi motivada ao sentir um súbito peso em suas costas e uma boca quente violando seu pescoço. As mãos da Morte seguravam os finos pulsos da mulher e a cintura masculina roçava no meio das pernas da companheira, que não segurava os gemidos.
- Metido, mas você geme como uma cadela no cio por causa desse metido. – ele usa a mão esquerda para virar o pescoço de Ino e roubar-lhe um beijo inebriante.
- Dá pra sair de cima? – ela ri e ele obedece. – Bom menino.
- Não abusa, mulher. – ameaça o Mefistófeles, que joga uma coberta sobre o corpo e cruza os braços atrás da cabeça. Ele fita de banda a esposa e percebe que o tom brincalhão dela sumira, o que nunca era um bom sinal. – Ah, merda! O que foi?
- Nada. – responde a loira, olhando para o nada.
- Quem nada é peixe. – ralha o homem. – E larga dessa maldita frescura! Desembucha duma vez!
- Não tô afim! – treplica ela, pondo-se de joelhos na cama e cruzando os braços. – Será que eu não posso pensar um pouco?
- Tá me dizendo que depois de uma foda dessas, você ainda se dá ao trabalho de pensar? – o sorriso convencido e sacana dele faz o sangue da grávida ferver. Parte por raiva e parte por tesão.
- Será que dá pra você ser menos desbocado? – reclama a mulher. – Eu quero conversar.
- Se o estupro é inevitável... – Hidan ergue os braços em sinal de derrota.
- Não é com você, Hidan. – esclarece Ino. – É com o outro.
A voz dela sai bem mais baixa e, por alguns instantes, os olhos de um ficam presos nos olhos do outro. Ino percebe o corpo se mexer, mas isso não lhe prende a atenção, que está focada em esmiuçar as mudanças que aquele pedido trazia. A postura masculina muda, o ar no quarto se altera, a expressão do rosto fica mais grave e, obviamente, a cor dos olhos.
Hidan estava ausente, diante de si havia apenas a Morte.
- Então, o que é? – a voz dele ganhava um tom mais profundo quando o outro lado se manifestava.
- Quando estávamos em Konoha, no dia da reunião com eles. – o Eterno percebia aquela entonação venenosa sempre que Ino se referia aos pais. – Você fez invisível, né?
Ele passa alguns segundos em silêncio e o canto de sua boca sobe ligeiramente.
- Ainda vou entender o por quê de você gostar tanto de perguntas retóricas. – ele comenta e logo percebe a irritação crescente na companheira. – Mas já que você quer saber, sim. Te fiz invisível.
- O que você pode fazer? – ela estava muito interessada nos poderes dele.
- Muito. – diz a Morte. – Por que quer saber?
Ino não responde e abaixa a cabeça levemente, fitando a roupa de cama bagunçada e tentando encontrar uma resposta exata para aquela pergunta, que infelizmente não veio. Ela só muda de posição quando a mão do marido ergue o seu rosto e aqueles olhos negros entram fundo nos seus, procurando o esclarecimento. Segundos infindáveis se perdem nessa tarefa, mas o Mefistófeles desvenda o segredo.
- Ah, já entendi. – ele encosta novamente na cabeceira da cama.
- É mesmo? – questiona a mulher. – Então, qual é a resposta?
- Simples: Você quer conhecer esse poder. – esclarece o não-humano. – De tanto me ver utilizando, te deu vontade de ter esse poder.
Ela sabia aquela era a verdade, mas não conseguia admitir.
- Não é isso.
- Claro que é. – diz ele. – Todo ser humano deseja poder. Homens e mulheres igualmente.
A Morte ergue as mãos ante uma tentativa de protesto da companheira.
- Todos querem poder, mas a natureza do mesmo é diferente. – como esperado, Ino não entende e ele se vê obrigado a explicar. – Que tipo de poder os homens querem: Dinheiro, influência política, poderio militar, prestígio na sociedade. E que tipo de poder é esse?
A loira leva algum tempo pensando.
- Material? – foi um tiro no escuro e ela sabia disso. – "Foi só no que consegui pensar."
- Terreno, pra ser mais exato, mas material serve. Poder terreno e virtualmente de curta duração. – a conversa estava começando a ficar interessante. – Tudo isso tem influência, mas essa condição muda com rapidez. Uma guerra, uma epidemia, qualquer tragédia pode fazer a influência sumir.
- Quanto ao prestígio, eu sei bem o quão rápido a situação pode mudar. – era obvio que ela se referia aos pais, devido ao sorrisinho macabro que tomou seus lábios.
- Pois é, quanto às mulheres, a coisa muda. – o Mefistófeles percebe que a loira estava particularmente interessada nessa parte. – Me fale você, as mulheres desejam o tipo de poder que os homens?
- Exceto pelo poder militar, creio que sim. – diz ela. – Nunca conheci uma mulher que quisesse ter uma milícia própria ou comandar um exército, mas pode ter alguma exceção.
- Pode, mas o mundo não é regido pelas exceções, e sim pelas regras. – ele começa a estalar os dedos casualmente. – O que eu percebi observando os humanos, e te digo que observo vocês há muito tempo, é que as mulheres vivem por uma lógica diferente.
- Em que sentido?
- Dificilmente esse poder terreno, mundano atrai as mulheres. Vocês tendem a preferir uma sorte de poder que se aproxima mais do oculto, do espiritual, do -
- Transcendental. – conclui a loira, para deleite do marido.
- Nem eu poderia ter dito melhor. – ri a Morte. – Talvez por terem uma consciência mais refinada sobre vida e morte; vocês saibam, mesmo que inconscientemente, que o mundano não tem tanto valor quanto o que está além.
- Como assim, "consciência refinada"? – as abstrações filosóficas dele estavam dando um nó na cabeça de Ino, por mais que ela se sentisse um tanto quanto que lisonjeada pelas palavras ditas.
- Primeiro de tudo: Não sou feminista e nem tenho como ser. Apenas observei longamente. – esclarece o Eterno, como se tivesse lido o pensamento da esposa. – O que é a glória para a maioria dos homens: ser rico, poderoso, morrer em batalha. O que isso demonstra? Um desapego insano à vida, como se o que há depois fosse melhor. Isso lhe parece verdadeiro?
- Mas do que verdadeiro. – fala a loira. – Preciso.
- Para as mulheres, a glória tende a ser relacionada com: Crescimento, prosperidade, sabedoria e mais do que tudo, paz. E isso mostra que, durante toda a vida, vocês tem a percepção de algo que muitos homens só vêem na hora do desespero ou de se encontrar comigo: É preciso apreciar a vida para desejar preservá-la (1).
Ele pára por um segundo.
- E são os sobreviventes que mantêm o contato mais alegre e pungente com as belezas da vida. É mais comum as mulheres saberem disso do que os homens, já que o parto permite uma reflexão a respeito da morte. – era realmente lisonjeiro o modo que a Morte se referia às mulheres. – Esse conhecimento e espiritualidade mais elevados é que faz com que tantas mulheres se busquem um poder atemporal e não necessariamente visível.
- Como o misticismo e coisas nesse estilo? – questiona Ino.
- Sim, e é por isso que o meu poder te fascina. – todo o discurso anterior serviu para chegarem a esse ponto. – Ele é imensurável, atemporal e que vai além do mundano. Mas eu te pergunto, de que isso te serve?
- O que você sente cada vez que usa seu poder? – ela estava sedenta por ir ao âmago daquele assunto.
- Nada. – diz ele. – Não é o uso que traz sensação, mas sim o que se dá depois.
- Que seja! – a loira se impacientava. – O que você sente?
- Nada – a Morte insiste. – Eu sempre fiz isso. Eu dou um fim a tudo desde que a primeira coisa surgiu.
40,000 men and women everyday... Like Romeo and Juliet
(40.000 homens e mulheres todos os dias...como Romeu e Julieta)
40,000 men and women everyday... Redefine happiness
(40.000 homens e mulheres todos os dias...redefina felicidade)
Another 40,000 coming everyday...We can be like they are
(E outros 40.000 todos os dias vindo todos os dias...nós podemos ser como eles)
A Jashin não conseguia conceber a longevidade desse tempo.
- Para tudo que existe, existiu e existirá... – começa o Eterno. – Há, houve e haverá um fim.
- Então, quando a última coisa se for. – a voz dela falha e um nó surge em sua garganta. – Você também sumirá?
Ele só acena positivamente com a cabeça.
- E quando será... – já prevendo a pergunta dela, o não-humano leva um dos dedos aos lábios trêmulos da mulher.
- Não hoje, não amanhã e nem em nenhum tempo breve. – diz ele. – Não posso dizer quando, isso é um assunto que concerne a Destino, não a mim.
- Destino? – questiona Ino. – Ele é como você?
- Como eu?
- Sim, algo que pode tomar um corpo emprestado...
- Ah, claro. – finalmente, ele entende. – Eu, ele e Vida somos as primeiras coisas que surgiram quando a Existência se fez presente.
- Depois do Big Bang? – brinca ela.
- Na verdade, não. – esclarece a Morte. – Destino é o mais velho, ele existe desde um momento que não há palavra que possa descrever. Eu e Vida surgimos ao mesmo tempo em que o primeiro Universo surgiu.
- Primeiro?
- Existe mais de um Universo, mas a mente humano não conseguirá conceber isso. – diz ele. – Então, nem tente.
- Nem pretendia. – replica a mulher.
- Sei. – ironiza o Mefistófeles. – Como eu estava dizendo, não se preocupe com o meu desaparecimento.
- Certo. E eu tenho uma coisa pra te perguntar. – segue a loira. – Eu ando vendo que sei que mais ninguém vê e o bebê sempre reage quando isso acontece.
Sem perceber, ela leva às mãos ao ventre.
- O que você vê? – ele se aproxima da esposa e leva uma das mãos a barriga dela.
- Não sei bem explicar. – Ino coça a cabeça levemente, num gesto de impensada e deliciosa inocência. – Parecem esferas esbranquiçadas, mas meio luminosas.
- Almas. – fala o Eterno. – O que você vê são almas.
- Dos mortos? – ela leva as mãos à boca.
- Claro que não! Mortos não tem alma. – ralha o companheiro. – E eu não acho que você esteja vendo, mas sim que ele ou ela... – o falante aponta para a barriga de Ino. – esteja vendo.
- Mas o bebê ainda está se formando!
- Alma é anterior a matéria, Ino. – explica o Eterno. – Saiba disso. Esse ser não precisa de um corpo formado pra ver além.
- Entendi. – ela sabia que a essência de seu bebê era algo incompreensível e distante para sua percepção.
- No entanto, sua pergunta sobre o que eu sinto me deixou curioso.
Ele se levanta da cama e caminha até o armário, sacando uma blusa creme, uma calça marrom-escura e um sapato de tom semelhante. Em alguns minutos, o homem se veste e acena para que sua companheira faça o mesmo. Por mais que não entendesse a razão dele, Ino vai até suas roupas e pega um vestido azul cinza-escuro e de gola alta, além de um confortável sapato preto.
- Venha comigo. – o homem pega a mão da loira e o casal vai rumando pelos corredores, até a saída.
- Não está meio tarde pra passeios?
- Não vamos passear. – ele pára de repente e olha para o seu, como se procurando algo ou tentando definir alguma coisa. – O poder te fascina, Ino?
Ela não titubeou pra responder.
- Sim. – a loira toca o corpo masculino com o seu.
- Se eu te desse a chance de experimentar um pouco do meu poder. – o negro encontra o azul. – Você aceitaria?
- Sim. – ela responde calmamente, apesar da excitação insana que se apodera de ser. – "Ser algo próximo de uma deusa."
- Acha que vai agüentar? – a Morte sabia que aquilo poderia ter efeitos devastadores sobre sua musa, mas também tinha consciência da necessidade do aprendizado. – Acha que vai cumprir o dever que tem que ser cumprido?
Longo tempo é perdido em reflexão.
- Eu quero. – afirma a mulher. – Quero muito.
Ele aquiesce com a cabeça e toma os lábios de Ino num beijo furioso, que a deixa mais surpresa quando sente algo curioso descer pela garganta e tomar posse do seu corpo. Era algo frio e quente, aterrorizante e fascinante, uma sensação que muitos mortais morreriam e matariam para sentir. A Jashin tomba ao chão, se revirando e tossindo, tentando recuperar o controle de si.
Come on baby... Don't fear the Reaper
(Venha, querida...Não tema a Morte)
Baby take my hand... Don't fear the Reaper
(Querida, pegue a minha mão...Não tema a Morte)
We'll be able to fly... Don't fear the Reaper
(Seremos capazes de voar...Não tema a Morte)
Baby I'm your man...
(Querida, eu sou o seu homem...)
Seu companheiro estende uma das mãos e ela aceita, se permitindo ser içada do chão apenas pela força dele. A primeira coisa que ela percebe é que sua visão havia mudado, aliás, o mundo parecia ter mudado, podendo ser alterado conforme sua vontade. A loira vai caminhando para fora da casa e sente seu corpo leve e sua alma mais leve ainda, parecendo que ambas as coisas queriam se separar umas das outras.
As cores haviam mudado também, estavam mais nítidas e mais intensas, sua pele sentia o vento frio da noite apenas como uma brisa fresca. Seus pés, lépidos e trigueiros sumiam conforme ela rodopiava sobre a relva úmida. Todos os seus sentidos pareciam ter se erguido ao máximo possível. O sentir havia se tornado uma experiência mais do que comum e estava beirando o surreal.
A Morte apenas observava a overdose de sensações que sua companheira experimentava, esperando pelo momento certa de arrancá-la dos devaneios e trazê-la à realidade dos fatos: Ino havia se tornado uma extensão sua, algo semelhante a uma Valquíria, responsável por levar as almas ao seu destino final. Vendo-a naquela beleza estonteante, a idéia de Anjo da Morte não lhe parecia tão absurda.
- Temos que ir. – afirma o Eterno.
- Já? – reclama Ino, não querendo abandonar seus delírios. – Não podemos esperar?
- A Morte não espera. – a afirmação tácita faz com que a realidade soterre Ino de forma cruel. Ela tinha um dever a cumprir, mas sabia que podia não ser forte o bastante. – Vamos.
A ordem é seguida de um abraço forte, ao qual se sucedeu uma viagem tão rápida que, quando deu uma segunda piscadela, a loira se viu longe de sua casa. O casal se separa e a mulher se percebe em um quarto silencioso, onde um jovem dormia em uma cadeira e uma velha agonizava na cama. O olhar incisivo do Jashin faz com que a esposa saiba que aquela vida deveria terminar.
A gestante caminha lentamente até a enferma, que abre os olhos e sorri discretamente. Atitude essa que é repetida pelo "Anjo da Morte", que se senta ao lado da pessoa. Aquela senhora deve ter sido muito bela quando jovem, pois nem a pele ressecada e as rugas puderam arrancar sua graça natural. A tez era morena e os olhos eram do mais belo tom de mel que a Jashin havia visto, quase pendendo pra um dourado líquido. Os fios eram – quase – totalmente brancos, mas conservavam ainda um pouco do castanho original.
- Quem é você? – pergunta a velha.
- O Anjo. – a expressão no rosto de Ino era de uma solenidade de arrancar lágrimas. Na verdade, aquela pessoa belíssima, de olhos cor de safira e cabelos de sol não era Ino, nem Ino Jashin, nem tampouco Ino Yamanaka. Era a Morte encarnada, o Anjo da Morte. – Está pronta pra partir?
- Há dois, então? – questiona a morena, olhando para o homem belo de cabelos prateados.
- Somos dois e um ao mesmo tempo. – respondem em uníssono. – Repito, está pronta pra deixar o mundo?
A idosa fita seu neto, que conservava muito de sua beleza de juventude.
- Sim. – ela olha seus visitantes. – Posso só falar com você antes de ir?
O pedido foi direcionado ao ser de aparência masculina, que aquiesce e acompanha a saída de sua esposa do quarto. Quando isso se dá, a humana e o Eterno ficam em silêncio, esperando por quem começaria o assunto.
- Isso é errado. – afirma a acamada. – Você não é desse mundo.
- Acha que eu não sei disso, bruxa?! – ralha o Mefistófeles, de braços cruzados e apoiado na parede. – "Só que é tarde demais."
- Vá embora. – diz a velha. – Enquanto há tempo.
- Fácil falar. – replica a Morte.
- Você se apegou demais ao mundo. – insiste a morena. – Isso não pode acontecer. Você é o que é, e brincar de humano não é natural.
- Acha que é brincadeira? – diz o não-humano.
- Ah, senhor. O que uma velha sabe? – brinca a doente. – Mas se me permite um conselho. Encare essa estada como uma viagem de férias. Você vai à praia e se bronzeia, mas não se queima. Os mosquitos não incomodam e tudo é novo e bonito. Só que esse quadro bonito some eventualmente.
Ele se aproxima da cama.
- E você, velha? – a Morte se senta. – Tem algum quadro bonito pra levar com você?
A morena sorri maternalmente e fecha seus olhos – no mesmo momento em que o Anjo da Morte regressa ao quarto e toca o peito feminino, vendo os movimentos de respiração cessarem e o som do coração humano parar. Segundos mais tarde, a alma luminosa abandona seu invólucro mortal e a loira a pega nas mãos.
- Requiescat in Pace. – diz ela antes de ver o espírito sumir. Aliás, ver é algo que deixa de acontecer subitamente, devido a um toque do marido em sua nuca, que a faz cair em sono profundo e perder sua breve semi-divindade.
Love of two is one
(O amor de dois é um)
Here but now they're gone
(Aqui mas agora eles se foram)
Came the last night of sadness
(Veio a última noite de tristeza)
And it was clear we couldn't go on
(E estava claro que não poderíamos continuar)
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Then the door was open and the wind appeared
(Então a porta foi aberta e o vento apareceu)
The candles blew then disappeared
(As velas resfolegaram e então desapareceram)
The curtains flew then he appeared
(As cortinas voaram e então ele apareceu)
Saying don't be afraid
(Dizendo não tenha medo)
A vida na Mansão Jashin seguiu normal depois daquele momento sui generis. Toda a gestação de Ino foi acompanhada pelo Dr. Hatori e, em algum momento do sexto mês, a loira voltou a Konoha para o casamento de sua amiga Sakura. Desnecessário comentar a pompa e circunstância do evento, que poderia ser considerado como um casório de contos de fadas.
O que mais impressionou a Jashin foi que ela não invejou Sakura em momento algum, por ter tido a festa de casamento com a qual ela também sonhara. A gestante percebeu que aquela festa era pouquíssima se comparado com o que ela tinha, uma união que estava dentro e fora dos padrões do mundo. Algo verdadeiramente especial.
Em seu retorno para Kumogakure, a loira trouxe Satsuki para lhe auxiliar durante o final da gravidez e acabou que a moça assumiu de vez o lugar de governanta da casa Jashin, deixando o cargo em sua terra natal para uma outra empregada da antiga Mansão Yamanaka. Ao final do oitavo mês, Deidara brota em Kumogakure outra vez, por querer estar perto quando seu primo ou prima nascesse. Desnecessário comentar a retumbante insatisfação de Hidan com aquela visita.
O parto foi complicado, pois o bebê havia mudado de posição e exigiu da mãe e dos médicos um esforço hercúleo para vir ao mundo. No entanto, no dia 20 de Setembro, em meio a uma tempestade vultuosa, veio ao mundo Megumi Jashin. Quando o choro da criança irrompeu pelos corredores da construção, foi a primeira vez que Hidan se sentiu verdadeiramente feliz. No entanto, quando Ino viu o marido pela primeira vez depois do parto, algo em si gelou. Como se aquela vida significasse uma perda também.
Quando o bebê mais rico de Kumogakure completou três meses, recebeu a visita das amigas de sua mãe, que vinham aquele país distante pela primeira vez. As mulheres passaram 1 semana junto a mãe e bebê, algo que mudou drasticamente a solenidade da casa, substituída brevemente por uma barulheira juvenil. Deidara se instalara em Kumogakure definitivamente e essa opção do artista serviu muito aos planos do Jashin, que mudara algo muito relevante em seu testamento.
Os meses se passaram e a personalidade da pequena Megumi foi sendo definida. Era um bebê curioso, mas cauteloso, parecendo muito mais maduro do que seu pequeno tempo de vida lhe permitiria ser. Os cabelos eram excepcionalmente prateados, a pele bastante rosada e os traços compunham uma mistura perfeita dos pais. No entanto, o traço mais destacado do bebê eram os olhos.
De uma clareza tão cristalina que assumia a cor daquilo que olhasse, mas logo a mãe percebeu que, por vezes, três cores se manifestavam mais intensamente naqueles orbes inocentes: Preto, azul e púrpuro. Havia momentos em que a pequena olhava tão fixamente para certas coisas, que seus pais tinham certeza que aquelas esferas cristalinas viam para muito além da visão humana e compreendiam muito mais do que a mente humana permitia.
A vida se seguiu normal até que, quando na noite em que Megumi completou seu primeiro aniversário, algo abriu o caminho da mudança. Ino caminhava até o quarto de sua filha e – ao abrir a porta – vê uma cena de ternura inédita para seus olhos. Hidan segurando a pequena nos braços, ternamente, e sussurrando algo nos ouvidos da mesma, que o fitava com uma expressão triste, mas sem chorar. Ele segura a filha em um dos braços e tira seu pingente, colocando o mesmo nas mãozinhas rosadas.
As lágrimas já corriam pelo rosto de Ino, entendendo de imediato a mensagem existente naquela cena, mas não se manifestou até que o bebê dormisse. Sabendo da presença feminina, a Morte continuou a embalar o sono de sua herdeira. A mulher se retirou e logo seu cônjuge se uniu a ela, para uma acalorada discussão e para a última noite de prazer que teriam juntos.
Quando acordou na manhã seguinte, o corpo do marido estava frígido na poltrona do quarto, com a expressão mais solene do mundo no rosto e com uma despedida escrita nas mãos gélidas.
A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.(2)
O grito da viúva era de arrancar lágrimas de qualquer um. Deidara e mais três homens foram necessários para fazer com que a loira abandonasse o cadáver do Jashin. Num outro cômodo, Megumi chorava copiosamente, sendo amparada pelo colo amigo de Satsuki.
O enterro se deu na semana seguinte, tempo para que as pessoas queridas a Ino pudessem se unir a ela em seu pranto. Kumogakure em peso lamentou a perda de seu principal benfeitor, que deixara obras de caridade e uma família bela no mundo. Sakura, Tenten e Hinata permaneceram quase um mês com Ino, ajudando-a lidar com a perda e auxiliando nos cuidados com a casa, que vinham sendo negligenciados por sua senhora.
Ao contrário da expectativa geral, Deidara se responsabilizar pelo que restou da família Jashin, assumindo o posto que pertencera ao falecido Hidan. Foram exigidos quase oito meses até que Ino abandonasse o luto e recuperasse parte de seu viço característico. Como em consolo pelo sofrimento da mãe, a pequena Megumi tomava mais semelhanças com o pai a cada dia que passava. Nos cingir dos ovos, Ino se recuperou e segui tocando sua vida com a ajuda de seu primo, se dividindo entre o cargo de "magnata" e de mãe, cumprindo os dois com uma precisão cirúrgica.
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Come on baby... And we had no fear
(Venha, querida... E eles não tiveram medo)
And she ran to him... Then they started to fly
(E ela correu até ele...Então eles começaram a voar)
They looked backward and said goodbye
(Eles olharam para trás e disseram adeus)
We had become like they are
(Havíamos nos transformado no que eles são)
She had taken his hand
(Ela havia tomado a mão dele)
We had become like they are
(Havíamos nos transformado no que eles são)
~ 20 anos depois ~
Era bem verdade que o cinza já ocupava seu lugar de direito, em meio ao dourado luminoso de seus cabelos. Algumas finas linhas de expressão lhe davam uma beleza madura e solene, como conviria à matrona viúva que ela era. No entanto, a personalidade juvenil, expansiva e meio fútil a acompanhou até seus presentes 38 anos. Sendo assim, Ino Jashin ainda era excepcionalmente bela.
Ela apertou seu robe de seda branca contra o corpo, se protegendo contra o ventinho gélido que adentrava por suas janelas. Na verdade, apesar de sua felicidade, Ino sempre sentia frio. Frio oriundo da ausência daquele que ainda dominava seu coração e seus pensamentos. A viúva sabia que não fazia sentido visitar o túmulo do marido, pois este lhe era inalcançável há 20 anos.
Os olhos azuis fitam sua cama e pensam no quanto aqueles lençóis caríssimos presenciaram de seu amor intenso e violento, mas nem por isso menos verdadeiros. As três palavras – "Eu te Amo" – jamais foram trocadas entre o casal, mas cada ação, dizer e pensamentos atestavam a existência do sentimento. E Megumi era a prova cabal disso.
Megumi. Já não tão pequena e linda Megumi, que tinha tanto de si e tanto do pai. Uma mistura heterogênea de tudo que os pais foram e ainda com o acréscimo de elementos particulares, que faziam dela um alguém sine qua non. Mas nem tudo eram flores, a audácia e a impertinência estavam lá para confrontar a mãe, que sabia que sua condição diferenciada podia subir à cabeça da filha de vez em quando.
Ino sabia que tinha feito um bom trabalho na criação da herdeira Jashin, mas tinha de dar o mais merecido crédito a Satsuki e Deidara (a figura paterna) por quem sua filha havia se tornado. Uma intelectual brilhante, que era escritora nas horas vagas. A moça dos cabelos prateados disse que já sabia sobre o que ia escrever, mas que precisava que o último capítulo findasse e não estava com pressa para que isso findasse. Era bem verdade que ninguém compreendia aquilo, mas nem valia a pena insistir.
Ela abre o porta-jóias e vê ali o papel da despedida de seu marido. Não precisava ler, pois sabia de cor as palavras ali contidas.
- A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção... – começa ela.
- Os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace. – e finaliza alguém.
Não, não apenas um alguém. Aquele alguém! Por quem ela esperara por tantos anos. Lágrimas correm copiosamente por sua face estarrecida, o corpo treme para além do frio, a cabeça gira. Um toque sutil em seu ombro a faz delirar em lembranças.
- Você demorou. – sussurra a loira.
- Quem decide isso sou eu. – nada mudado, a voz, o tom, tudo era o mesmo. – Mas olá pra você também.
Ela se vira e vê aquela figura amada.
- Hidan. – suas mãos trêmulas tocam o rosto masculino, relembrando cada detalhe. – Hidan.
- Mas que merda, Ino. Eu não sou surdo e detesto repetições.
A mulher ri e se atira nos braços do amado. O tempo parou para eles naquele instante, nada mais importava.
- Está com medo? – pergunta o homem.
- Não.
- Tem certeza? Eu posso esperar. – afinal, ele tinha todo o tempo do mundo e bem mais.
- Mas que merda, Hidan. Eu não sou surda e detesto repetições. – o sorrisinho convencido da mulher não havia mudado nada.
- Touché. – ele dá uma gargalhada. – Pronta pra partir, Margarida?
- Mais do que nunca. – a loira põe os lábios perto do ouvido dele. – Mefistófeles.
Tão rápido quanto surgiu, a Morte abandona o leito dos Jashin,mas não vai sozinha. Nunca mais estaria sozinha.
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Duas pessoas fitavam o mausoléu, cuja entrada estava grifada pelas inscrições "Hidan e Ino Jashin – Ad Eternum". Uma era um homem de cabelos dourados e que lia um manuscrito grande, a outra era uma jovem que comia uma maça.
- Gostei, un. – o loiro termina a leitura. – Mas por que você mudou os nomes?
- Privacidade, tio Deidara. – começa a moça. – Tio Deidara, privacidade.
- Palhaça. – ele bagunça os cabelos da sobrinha. – Acho que agora entendi a espera pelo último capítulo, un.
- Bom saber. – eles vão deixando o cemitério. – Será que eles gostariam da história?
- Pode apostar, Megumi-chan, un.
Come on baby...Don't fear the Reaper
(Venha, querida... Não tema o Ceifeiro)
~~Das Ende ~~
(1) Citação à obra "O Imperador-Deus de Duna", de Frank Herbert.
(2) Frase de Vitor Hugo
Agradecimentos:
Sabaku no Ana: Pois é! A verdade caiu como uma bigorna em cima da Ino e olha que demorou bastante. Bem, fico feliz que a fic tenha te feito repensar a morte, mas juro que eu nem pensei nisso, simplesmente escrevi o que me veio a cabeça e que combinava com a história. Obrigada pelos elogios, viu? o/
Wine Sileni: Olha, tenho que dizer que fiquei surpresa com a sua ansiedade, ter vindo do Nyah pra ler a fic aqui. Huahuahuahua, você ter sentido medo do Hidan foi intencional, mas da Ino também eu não tinha planejado. Mas isso é bom! \o/ Sim, os pais dela serão malhados como Judas ano que vem, não duvido nada. Hidan é sexy, muito sexy, eu só fiz dar um up no rapaz. Deidara é o anjo da guarda, a coitada da Ino precisa.E quanto às abstrações filosóficas...esse capítulo foi bem pior, não acha? XD
Tali: Seja bem vinda, moça. E eis aqui o capítulo. Espero que goste. :D
