18.

Mansão Luthor – Smallville

Tess abriu a porta do escritório de Lex, dando passagem à desconfiada Lois. Ela entrou e viu que havia alguém sentado na poltrona. Tess saiu e a poltrona se virou. Lex deu o seu sorriso cínico para Lois, que ergueu uma sobrancelha.

- Então voce saiu mesmo do mundo dos mortos.

- Eu estive lá, mas não era tão bom quanto aqui.

Os dois se olharam, com desconfiança e curiosidade. Lex se ergueu.

- Aceita um drinque?

- Eu não bebo em serviço. – disse Lois e Lex apenas assentiu, servindo-se com um uísque. – O que voce quer Lex? Não me lembro de ser sua pessoa favorita no mundo, no entanto, voce mandou a Kill Bill ruiva para me tirar da base militar do meu pai.

- Não achei justo seu pai a deixar presa lá. – ele disse, simplesmente e bebeu o uísque. – Era o preferido do meu pai.

- Que morreu em circustâncias misteriosas. – lembrou Lois.

- Ele cometeu suícidio, infelizmente.

- Me poupe, Lex. – Lois deu uma risadinha. – Seu pai não era do tipo que faria isso. Do jeito que ele era, enganaria até a própria morte. Só seria vencido por alguém mais sagaz. – ela falou, olhando diretamente para ele, que apenas sorriu. – Porque me contou sobre o nanotraje de Lana e me atraiu até aqui?

- Espero que Tess não a tenha obrigado.

- Não. Obrigar não é o seu estilo. Voce é sempre mais sutil.

Lex a olhou, admirando-a.

- Sabe, eu não lembro muito sobre voce, srta. Lane... mas pelo pouco que a conheço, acredito que mereça sua fama de intrépida.

- Coloque logo as cartas na mesa, Lex. – ela exigiu.

- Ok. – ele colocou o copo em cima da mesa e a fitou. – Por algum motivo que eu desconheço, um sujeito simplório como Clark atraiu sua atenção. E agora tem uma mestiça enlouquecida e com os poderes dele, completamente obcecada na sua cola.

- Clark está longe de ser simplório.

- Eu poderia supor que os poderes dele a atraíram...

- Está supondo errado. – Lois rebateu, irritada. – Não que seja da sua conta.

- Uma mulher como voce merece alguém super. Mas apesar de todos os dons que aquele alien possui, ele não está a sua altura. Muito poder mas pouco potencial.

- Agora voce é um especialista... – ela ironizou.

- Eu conheço as pessoas. Eu sei o que o poder faz com as pessoas. Todo aquele poder com Clark e ele nunca fez nada de realmente grandioso com o que possui.

- Clark salva vidas. É um herói. – defendeu Lois.

Lex deu uma risadinha cínica e Lois controlou sua vontade de lhe dar um soco.

- É claro. Vindo de um planeta distante e disfarçado de filho de fazendeiro até que virou um repórter de meia tigela em um porão fedido no Planeta Diário... Um excelente disfarce. – ele a fitou. – Voce sabe que ele nunca será como nós, não é? Ele nunca será aceito.

- As pessoas sabem do bem que o Blur espalha por aí e vão confiar ainda mais nele quando Clark mostrar que só que o melhor para todos.

- Que grande coração. – ironizou Lex. – Mas... seria uma pena se... de repente as coisas saíssem do controle... Se ele não fosse só o cavaleiro de armadura brilhante mas sim uma ameaça. Afinal, não sabemos de verdade quem ele é. Não sabemos de todo o seu potencial. O que ele pode fazer. Especialmente se um dia, por qualquer motivo que seja, deixar de ser o bom moço.

Lois ficou tensa. Ela olhou para os lados e depois para Lex.

- Porque voce me trouxe aqui, Lex? O que voce realmente quer? Porque me atraiu até aqui? O que voce realmente quer?

- Tenho certeza de que é uma mulher perspicaz, srta Lane. – ele disse com calma. – E sabe que é preciso conhecermos mais do nosso não mais tão misterioso amigo. É preciso saber até onde ele é capaz de ir. O que ele pode fazer.

Lois tremeu diante do olhar frio de Lex.

- Lana só pode ter tido acesso ao nanotraje porque voce deu à ela. Ela nunca conseguira pegar algo assim de voce. Não com aquele capataz ruivo na cola. – ela disse, referindo-se à tess. – Voce fez de propósito.

- Um dia, srta Lane, eu jurei que acabaria com Lana Lang e Clark Kent. Por tudo o que eles fizeram contra mim. Por Lana ser uma traidora ralé e por Clark ter cometido o maior de todos os crimes: traído a minha amizade.

- Como se algum dia voce tivesse sido amigo dele! Voce só gosta de si mesmo, Lex!

- Clark era como um irmão pra mim e ele me atraiçou!

- Voce sempre soube da novela Clark e Lana e se meteu nela porque quis! Que coisa idiota, brigar com Clark só porque voces dois ficaram com a mesma mulher! Eu pensei que voce fosse melhor do que isso, Luthor.

- Não é por causa daquela rameira. – ele parou de frente para Lois, que o encarou. – É por causa de Clark. Ele poderia ter se aliado a mim. Nós dois poderíamos ter mudado o mundo...

- Mudar o mundo no seu ponto de vista é fazer todos se ajoelharem e dizer amém pra voce, não é assim? – ela falou, sarcástica. – Clark fez o que deveria ter feito. Ele não podia falar para ninguém sobre seu segredo, sua origem, porque pessoas como voce iriam transformar tudo em algo pior! Eu nunca deveria ter concordado em fazer aquela matéria! Pintei um alvo na testa de Clark... – ela se lamentou.

- Ele mesmo pediu por isso, srta. Lane. – afirmou Lex. – Um dia eu iria descobrir. E esse dia chegou.

- E voce ainda não sabe porque ele nunca te contou nada...

- Porque não era meu amigo de verdade. – disse Lex, irritado.

- Porque voce cravaria um punhal nele na primeira oportunidade ou tentaria manipulá-lo! – Lois afirmou e pegou o celular. – A conversa foi indigesta e pra mim já basta, Luthor. Faça o que quiser com Lana Lang, não é problema meu. Mas não vou deixar voce atingir Clark por causa do seu ego de megalomaníaco ferido. – Lois tentou abrir a porta e não conseguiu. Estava trancada. Lex tirou o celular da mão de Lois, jogou-o no chão e o quebrou com um pisão. – Lex, voce não pode fazer isso! Voce não tem esse direito!

- Eu nasci com esse direito! – ele rebateu, furioso e depois se acalmou. – Eu sou o vilão dessa história, não é assim? Pois cumprirei o meu papel.

- Lex, seu filho da...

Lois ia dar um soco em Lex, mas Lana surgiu em supervelocidade e segurou a mão da repórter. Lois arregalou os olhos. Lana parecia ter os poderes de Clark.

- Oh merda... – Lois murmurou.

- Olá, Lois. – saudou-a Lana. – Vamos fazer um passeio.

Lana segurou Lois e saiu dali em supervelocidade. Lex sorriu para si mesmo.

Lana deixou Lois no Planeta Diário. As duas se olharam.

- Não é nada pessoal, Lois. Bom, talvez seja um pouco... Clark precisa de alguém melhor, alguém à altura dele e voce não é essa pessoa. Sinto muito. – Lana deu de ombros.

- Lana... Nós nunca fomos amigas... Mas também não somos inimigas... Se voce vai fazer algo contra Clark, não faça. Acha que ele aprovaria isso? Ver voce aliada à Lex Luthor?

- Lex só me deu o nanotraje pra que Clark e eu fossemos felizes.

Lois deu uma risada nervosa e passou a mão pelo rosto.

- Lana! Lex não quer ver ninguém feliz! Muito menos voce e Clark! Ele odeia voces! Acorda! Isso está cheirando a armadilha e voce vai se dar mal no processo! Nunca confie em alguém como Lex!

- Ele só pediu pra te deixar aqui. Clark precisa fazer uma escolha. E sei que ele escolherá a mim. Ele me ama desde sempre. Voce foi só... um pequeno desvio no caminho...

- Lana, isso é mais do que escolha de namoradinhos! Voce não percebe? Não consegue ver o embuste?! Não é possível que seja tão cega! – Lois exclamou, desesperada.

- Voce só está assim porque Clark irá me escolher... Ele me ama.

- Lana, a sua história com Clark não me interessa e nem me diz respeito. Mas Lex não faria tudo isso só pra juntar os dois pombinhos. Voce está com os poderes de Clark, pelo amor de Deus! Lex quer testar Clark, mas eu ainda não sei como! Mas com certeza tudo isso fede a Lex Luthor! Ele quer armar algo grande e vidas inocentes pagarão por isso!

- Vai ficar tudo bem... – disse Lana, sem dar ouvidos a Lois.

Clark apareceu no Planeta Diário. Só haviam os três no prédio aquela hora da noite. Clark franziu a testa ao ver a ex-namorada.

- Lana?

- Clark! Finalmente! – Lana sorriu. – Lois e eu estamos aqui para que voce se decida.

Clark não entendeu e Lois gritou.

- Clark, isso é uma armadilha de Lex! Foi ele quem deu pra Lana esse traje maldito! Ele me atraiu até a mansão Luthor e falou sobre testar os seus limites!

Clark olhou em volta, preocupado.

- Será que Lex colocou algo aqui? Uma bomba?

- Explodir o Planeta Diário? Mas está vazio... Tem que ser algo mais do que isso... Ele quer atingir voce. Ele quer que as pessoas duvidem do Blur... – disse Lois.

- Clark! – Lana o segurou pelos ombros. – Eu tenho os seus mesmos poderes agora! Poderemos ficar juntos como sempre quisemos! Eu posso te ajudar na sua vida de herói! Seremos imbatíveis juntos! – ela o abraçou com força.

Lois desviou o olhar. Aquilo a incomodava, mas a iminência de algo grande planejado por Lex suplantava seus sentimentos. Ela começou a andar pelo lugar procurando algo. Clark afastou Lana.

- Se voce tem os meus mesmos poderes, me ajude a encontrar a armadilha de Lex. Porque ele mandou voce vir até aqui e trazer Lois?

- Pra voce escolher! E eu sei que voce vai me escolher! Eu te amo, Clark. Voce me ama. E nada mais poderá nos afastar. Nada.

Lois mexeu em um dos computadores, ele ligou e uma imagem surgiu. Era o vilão conhecido como Toyman.

- Olá. Se tudo saiu como Lex planejou, imagino que eu esteja diante de Lois Lane, Clark Kent e Lana Lang. – Toyman riu. – É um prazer conhecê-los. É uma pena que um dos três não ficará vivo para ver o depois de Metropolis. – ele riu mais. – Antes, uma grande metrópole, depois, uma obra prima assinada por mim. E obrigado a quem apertou a tecla. A contagem começa agora. - Uma numeração surgiu na tela. – Bye, bye.

A imagem do Toyman sumiu. Lois olhou boquiaberta para Clark.

- É uma contagem regressiva! Clark, eu... me desculpe!

- Não é culpa sua. – ele disse. – As duas, saíam do prédio! Eu vou achar a bomba e desativá-la!

- Não! – Lana segurou Clark. – Eu fico com voce! Nós dois, juntos, certo? E a mim que voce quer, e não a ela...

- Lana, eu e voce somos só amigos, voce tem que parar com isso. –ele pediu. – Se quer me ajudar, tire Lois daqui.

- Não. – Lana cruzou os braços, indignada.

- Lana! – Clark exclamou, chocado. Depois bufou. – Que seja! – Clark pegou Lois no colo e saiu em supervelocidade. Deixou Lois na esquina do prédio. – Lois, dê um jeito de falar com Chloe. Talvez ela possa fazer algo. Eu vou voltar lá e desativar a bomba.

- Tome cuidado, Clark. – Lois segurou a mão dele. – Não acho que seja uma bomba comum... Se Lex quer mesmo te testar, ele não faria algo que voce possa facilmente deter. – ela ponderou, acertadamente.

Clark concordou em pensmento mas preferiu não falar para não afligir Lois ainda mais. Ele lhe deu um beijo.

- Eu volto.

Clark saiu em supervelocidade diante da apreensiva Lois.

- Voce escolheu ela à mim. – Lana choramingou.

- Lana, uma bomba vai destruir esse prédio se não a acharmos antes. Então que tal voce se focar no que realmente importa e deixar as lamúrias de lado? – ele a fitou. – Se não vai me ajudar, ao menos não me atrapalhe. – Clark começou a usar a visão de raio-x. – Não consigo ver nada.

- Lex disse que iria provar que voce será a desgraça de Metropolis. Que irá destruir a todos nós. Nisso, Lois tem razão. Ele te odeia.

Clark usou a super audição e conseguiu detectar onde estava a bomba. Foi até lá em supervelocidade. O globo gigantesco do Planeta Diário. Lana o seguiu.

- É assim que ele pretende criar o caos. – disse Clark para si mesmo, mas quando se aproximou mais, sentiu o efeito da green-k.

- Clark! – Lana se aproximou dele.

- Eu não... é kryptonita... – Clark tentou se aproximar da bomba, mas ela irradia kryptonita. Ele caiu de joelhos, sentindo muita dor. – Ele sabia... ele sabia que eu não conseguiria... deter...

Lana olhava boquiaberta para o globo de metal. Clark nunca conseguiria parar a bomba e suas veias estavam ficando verdes. A kryptonita estava drenando sua força. Batman pousou no prédio.

- Clark, voce precisa sair daqui! – ordenou o Homem-Morcego.

- Não... Batman... as pessoas... os inocentes... – Clark murmurou, fraco.

- Voce irá morrer. Deixa que eu cuido disso. – Batman olhou para Lana. – Voce, menina, faça algo de útil e tire Clark daqui.

- Não... – Clark caiu no chão. – Eu não... posso... deixar as... pessoas... morrerem...

- Ninguém vai morrer e isso inclui voce. – afirmou Batman, que mexeu na bomba seguindo as coordenadas que Chloe lhe dava da Torre de Vigilância. Mas a contagem acelerou. – Droga!

- Isso vai atingir milhares de pessoas e matar Clark. – disse Lana. – Lex planejou tudo... Eu quem tenho que fazer a escolha... – ela disse, chorando.

- Seja lá o que for fazer, se for ajudar, faça de uma vez. – ordenou Batman.

Lana assentiu. Ela olhou para Clark.

- Eu te amo de verdade e vou te provar isso. Afastem-se.

Lana usou os poderes do nantraje para drenar a kryptonita verde na bomba. Batman e Clark apenas podiam olhar. Lana conseguiu sugar toda a kryptonita e depois desmaiou, caindo no chão.

Lana acordou e olhou em volta. Estava no celeiro dos Kent, deitada no sofá. Ela se ergueu e viu Clark no final da escada.

- Clark! Voce está salvo! Eu te salvei! – ela exclamou, feliz.

- Voce salvou vidas em Metropolis. Aquela bomba não tinha só kryptonita. Aquilo poderia ter devastado quarteirões da cidade e matado muitos inocentes. Eu, em nome da Liga, agradeço por isso. Batman já está procurando o Toyman.

- E Lex?

- Lex sempre faz tudo de um jeito que apesar de ter a assinatura dele, não tem como provar. – Clark disse, chateado. – Mas um dia isso irá mudar e ele pagará pelos seus crimes.

- E agora voce viu que eu te amo de verdade. – ela tentou correr para perto dele.

- Melhor ficar aí. – ele estendeu a mão. – Voce está irradiando kryptonita verde.

Lana ficou chocada.

- Lex! Ele fez isso! Ele fez de propósito! Ele sabia que isso ia nos separar! Desgraçado!

- Lana, Batman tem recursos e voce poderá ir para Gotham City tentar reverter isso e voltar a ser uma pessoa normal.

- E aí ficaremos juntos.

- Não. – ele disse, sério e ela começou a chorar. – O que tivemos no passado, fica no passado. Eu consigo entender que voce fez tudo porque está... desestabilizada... Mas em Gotham, voce terá uma nova chance e seguirá em frente, como eu segui.

- Com Lois. – ela disse, chorando ainda mais. – Não consigo aceitar que voce me esqueceu assim.

- Lana... eu te amei muito... e te esquecer demorou para passar... mas passou. Eu não posso mentir e dizer que te amo, porque seria uma inverdade. Já chega de mentiras para nós dois, não é?

Lana enxugou as lágrimas.

- Voce não me ama. Voce nunca mais vai esperar por mim. E sequer podemos nos tocar. Lex vai pagar por isso. – ela saiu em supervelocidade.

- Lana! – Clark gritou.

Lana chegou na mansão Luthor e tentou atingir Lex, mas levou um tiro de Tess. Lana caiu no chão. Seu ombro estava sangrando. Tess deu um sorrisinho.

- Balas de kryptonita azul.

- Não vai me impedir de matá-lo.- Lana olhou com ódio para Lex, que sorria. – Voce planehou tudo!

- Nos mínimos detalhes. – ele confirmou. – Claro que havia a possibilidade de voce ser egoísta o suficiente e deixar todo mundo morrer para ficar com Clark mas as chances de voce bancar a heroína para impressioná-lo eram muito maiores. – ele suspirou. – Mas eu também contei com a possibilidade do alienígena se sacrificar em prol de Metropolis, mas voce acabou interferindo.

- Voce não presta! Desgraçado! – Ela se ergueu e tentou correr, mas levou um tiro na perna. – Lana se jogou em cima de Tess e a socou. – Não irá me impedir.

- Lana, para com isso! – falou Clark, tirando-a de cima de Tess. – Para! Voce está fazendo o jogo dele!

- Não! Eu não vou...!

Lana não teve tempo de concluir sua frase porque Tess atingiu a mestiça com um tiro certeiro.

- Bem no coração. – Tess disse e sorriu, maléfica.

Lana estava morta nos braços do perplexo Clark. Lex balançou a cabeça.

- Que triste... – ele disse, cinicamente. – Ela quis ser tanto como voce e morreu por isso. Mais uma morte para anotar na sua lista, ET.

- Voce é um covarde, Lex. – Clark disse, indignado, colocando o corpo de Lana no chão. – Voce é o culpado disso.

- Eu? Tem certeza? Não fui eu quem ela quis impressionar. Não fui eu quem mentiu por anos a fio para ela e para todos. Voce cavou tudo isso, alienígena. Nós somos frutos das suas mentiras! Voce mudou nossas vidas para a pior! Desde aquela maldita chuva de meteoros! Eu fiquei careca permanentemente e os pais de Lana morreram! E agora, ela morreu! Por sua culpa! Só sua!

- Voce é louco, Lex. Não pode brincar com as vidas das pessoas assim!

- Voce deu sorte, alien. Eu pensei em matar Lois Lane no lugar de Lana, mas decidi que a srta Lane é deveras interessante. Ela percebeu minha jogada com muita agudeza. – ele sorriu e depois ficou sério. – Esse é o preço que cada um dos seus amigos, amores, protegidos terão de pagar por ficar perto de voce. Acostume-se. É só o começo.

Os dois arqui-inimigos se encararam. Havia muito ódio, ressentimento e mágoas entre os dois.

- Não importa o que voce faça, Luthor, eu estarei lá para impedi-lo.

- Veremos, alienígena. Veremos.

Clark saiu em supervelocidade e Lex olhou para Tess.

- Eu sempre venço.

Clark foi até a Torre de Vigilância. Ele e Lois trocaram um longo abraço.

- Tudo foi planejado por Lex. Ele estava nos manipulando como bonecos.

- Eu sei. – Lois suspirou. – Onde está Lana?

- Morta. – Clark contou e Lois arregalou os olhos, surpresa. – Não pude impedir. Ela estava enlouquecida.

- Lex a matou?

- A capanga dele, mas é como se fosse ele. – Clark tirou o anel da Legião do bolso da calça. – Foi um erro revelar o meu segredo ao mundo e agora eu vejo. Não posso me revelar, não com pessoas como Lex por aí. Ele usou a todos nós.

- O que vai fazer? – Lois olhou para o anel.

- Vou voltar no tempo. Esse dia. Será como se nunca tivesse acontecido.

- Assim Lana se salva né? – Lois falou, mordendo o lábio.

- Eu não sei. Só sei que não posso deixar que Lex Luthor descubra que Clark Kent e o Blur são a mesma pessoa. Nunca. Será a pior coisa de todas. Voce poderia ter morrido assim como Lana. – ele tocou no rosto dela com carinho. – Preciso consertar isso.

- Eu entendo. E vai avisar Lana nessa nova realidade?

- Eu vou. Mas como voce mesma já disse uma vez, tudo é fruto das nossas escolhas. Eu espero que Lana escolha o caminho certo dessa vez. – ele lhe deu um beijo e usou o anel da Legião.

Tempo atual

Celeiro dos Kent

- Lex fará isso? Ele me dará o nanotraje? – Lana perguntou à Clark.

- Sim. Voce não deve aceitar. Deixe o passado para trás. Siga em frente.

- Clark, voce não vê que isso é uma oportunidade de ficarmos juntos? – ela tentou tocá-lo e ele se afastou.

- Lana, por favor... Não somos mais aqueles adolescentes... Nunca deu certo entre nós...

- Mas poderá dar certo com o nanotraje! Eu teria os seus mesmos poderes! Seríamos uma dupla de heróis! Ou melhor... um casal!

- Não vai acontecer. – ele garantiu.

- Voce reverteu o tempo por minha causa!

- Eu reverti o tempo para que Lex continuasse sem lembrar do meu segredo! – ele corrigiu. – Lex feriria milhares de pessoas só pra me atingir! Porque ele me odeia!

- Por minha causa. Por que nos amamos. Sempre foi assim. Ele nunca foi dono do meu coração como voce. – ela segurou a mão dele.

- Lana, eu não sei porque voce voltou mas não foi por minha causa. Voce ficou obcecada por Lex. – ele se afastou. – E no dia alternativo, voce pagou um preço caro por isso. Não repita o mesmo erro.

Lana começou a chorar.

- Eu voltei mesmo para atingir Lex. Pra me vingar. Ele acabou com a minha vida. Eu tive até que fingir minha morte, voce lembra! – ela fungou. – Mas eu tinha esperança de ficarmos juntos.

- Não posso mentir pra voce sobre os meus sentimentos, só pra voce se sentir feliz. – ele disse, sério.

- Eu nunca verdadeiramente feliz. – ela enxugou as lágrimas. – Perdi meus pais ainda garotinha, voce me escondeu seu segredo por anos, quando se revelou, priorizava seu lado heróico a mim, fui manipulada pelos Luthor, atacada por Brainiac, novamente coagida por Lex através daquela cretina da Tess Mercer... E agora voce abre mão de nós como se não tivesse sido nada.

- Eu fui muito apaixonado por voce, Lana. Mas acabou. Entenda isso. – ele pediu. – Podemos ser amigos.

- Não quero ser sua amiga. Eu queria ter uma vida em comum com voce. Ter filhos com voce. Eu poderia ser a mãe de Lara.

- Voce nunca seria mãe de Lara. – ele afirmou. – Voces duas são completamente diferentes.

- Tem razão, ela é mal educada como a mãe. – Lana torceu o nariz, se referindo a Lois.

- Não quero que fale mal de Lois. – ele pediu, sério. – Voce sabe que isso me irrita. Lois é uma pessoa especial.

- Nunca será mais especial do que eu fui na sua vida. – Lana afirmou e Clark muniu-se de paciência.

Num arroubo, Lana beijou Clark, mas ele não correspondeu. Ela ficou chocada.

- Então é assim que vai acabar? – ela enxugou as lágrimas. – Adeus, Clark.

- Adeus, Lana.

A mestiça saiu sem olhar para trás. Clark respirou fundo. Era melhor assim. Agora os dois poderiam seguir em frente.

Mansão Luthor – Smallville

Lana chegou no escritório de Lex com uma arma dentro da bolsa. Iria acabar com tudo aquilo. O culpado por sua infelicidade era Lex Luthor e ele pagaria com a vida. Lex estava sentado na sua poltrona.

- Imaginei que viria me procurar, querida esposa.

- Nunca mais serei sua esposa. – disse Lana, magoada.

- Tem razão. – ele a olhou, friamente. – Voce pra mim, é nada.

Lana levou um tiro pelas costas e caiu no chão agonizando. Tess e Lex trocaram olhares frios. Tess deu o tiro de misericódia em Lana Lang. Lex suspirou.

- Agora estou oficialmente viúvo. Voce sabe o que fazer, Mercy.

- Sim, Lex. – Tess assentiu, obediente. – E quanto ao seu retorno à Metrópolis?

- Clark Kent e seus amiguinhos mal perdem por esperar. – Lex deu um sorriso cínico. – Eu posso não me lembrar de tudo, mas do que me lembro, irei usar. Clark vai me pagar por ter me virado as costas. E Metropolis terá a mim como o seu guardião.

Lex sorriu diabolicamente.