Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.

-sama Rápido? Achas os aproximei muito rapidamente depois de 19 capítulos? xD Por favor, diz-me que estavas a falar da extensão do capítulo e não da reconcialiação porque acho que não conseguia adiar muito mais o relacionamento destes dois o.o

AnnaIX, jess, haa, juli, Michelle, e Nicoe obrigada pelas reviews *.* E para responder à pergunta se vou escrever algo sobre o aniversário do Levi, sim tenho planos para isso :b

-X-


Perto

Eren precisou de alguns minutos para se acalmar e por mais improvável que a ideia fosse, acabou por deixar escapar um risinho quando repentinamente Levi lhe perguntou há quantas horas não tomava um banho. Podia ter tomado aquilo como um insulto, mas era uma pergunta tão despropositada que não conseguiu evitar rir ao mesmo tempo que limpava as lágrimas. Aproveitou também para dizer que já fazia algumas horas porque depois de ter chegado do trabalho contava ter tempo para isso antes de se deitar, mas a conversa com o avô do Armin e o que se seguiu não lhe deu tempo para incluir a higiene pessoal. A isso, o professor comentou que se quisesse estar perto dele, teria que meter-se imediatamente debaixo de um chuveiro.

Como já era de manhã e os transportes públicos já se encontravam em movimento, ambos foram até à estação de metro. Pelo caminho e mesmo depois de entrarem para o interior do meio de transporte, Eren explicou o que tinha acontecido e por que razão precisava desesperadamente de dinheiro.

- Tch, o médico esqueceu-se de referir essa parte quando lá estive. Isso por acaso lá é quantia que se cobre por um serviço público deplorável? – Falou Levi e procurou pelo seu telemóvel num dos bolsos do seu casaco.

- O que vais fazer?

- Ligar a um conhecido. Se o avô do Armin precisa dessa cirurgia e esse é o preço do serviço público, prefiro gastar essa quantia num lugar decente. – Deslizou o dedo pela curta lista de contactos, algo que não escapou ao olhar atento do jovem de olhos verdes. Ao encontrar o nome que queria, iniciou uma ligação que não demorou muito a ser atendida. – Mike? – O adolescente encostou a cabeça, curioso por ouvir a conversa. – Está quieto, Eren.

- Levi, há quanto tempo! – A voz soou do outro lado. – Acompanhado, presumo?

- Mike preciso de um favor. – Disse, ignorando a pergunta e explicou a situação em que se encontravam.

Eren entendeu que Mike era um cardiologista que trabalhava num hospital privado e que se mostrou disposto a aceitar um paciente à última da hora. Assim que a ligação terminou, o jovem quis saber como é que o professor conhecia aquele médico e se isso tinha alguma ligação com algum problema de saúde. Levi descartou de imediato essa hipótese e disse apenas que Mike era vizinho dos pais dele. Ao que parece, quando era mais novo e se mudou para aquela casa gostava de passar algumas horas na casa do vizinho que tinha uma coleção de livros invejável.

- O que estás a fazer… é demasiado generoso.

- Não aceito um "não" a esta altura do campeonato. – Olhou para a estação por onde passavam. – Estamos perto da paragem onde costumas sair.

- Pode demorar algum tempo até juntar dinheiro suficiente, mas vou pagar-te isto de volta.

- Não, não vais. – Retrucou Levi, cruzando os braços. – Considera como um presente adiantado de Natal para os quatro.

- Quatro? – Indagou sem entender.

- Para ti, a Mikasa, o Armin e o avô dele. – Especificou. - É algo importante para a tua família, não é?

Eren sorriu e encostou a cabeça ao ombro de Levi que só lhe pediu que não adormecesse, porque não o ia carregar para fora do metro. O rapaz riu mais um pouco e disse que gostava de imaginar essa cena com a diferença de altura, o que lhe valeu um olhar mortal por parte do homem mais velho. Levi teve que resistir à vontade de ceder perante a violência mais algumas vezes antes de saírem na estação que pretendiam. O adolescente parecia divertir-se com as respostas ou olhares que recebia quando dizia alguma coisa que não agradava o professor.

Chegando à pequena casa onde vivia desde dos seus treze anos, o jovem de olhos verdes deixou o professor à vontade na sala e foi até ao quarto pegar em algumas roupas para tomar banho. Entretanto, Levi optou por procurar alguma coisa na cozinha. Imaginava que Eren ainda não tivesse comido nada e depois de sair do banho, iria querer ir ao encontro dos amigos que também deviam precisar de uma refeição e higiene decente.

Estava a acabar de preparar algumas torradas quando o seu telemóvel tocou. Não conhecia o número que apareceu no ecrã. Porém, ele sabia que só podia ser de uma pessoa. A última a quem tinha dado o número, caso alguma coisa não corresse como o previsto.

- Ele está comigo e em casa. Trouxe-o para tomar banho e comer qualquer coisa. – Disse antes que a voz do outro lado se pudesse pronunciar. – Tu e o resto dos pirralhos deviam fazer o mesmo. Pelo menos, antes da mudança de hospital.

- Pois, é por isso também que liguei. – Admitiu Annie. – Há pouco o médico passou por nós a dizer que iam transferir o avô do Armin para um hospital privado.

"O Mike continua competente como sempre", concluiu em pensamentos.

- Aproveitem-se da transferência para passar por casa. Algum de vocês já comeu?

- Ainda não. – Respondeu. – Estávamos a pensar pedir ao Jean que nos levasse até casa para comer qualquer coisa.

- Então, mexam-se pirralhos. Vou preparar mais algumas torradas.

- Parece-me bem e… obrigado por ter ido buscar o Eren. – Disse antes de desligar.

- Não precisas agradecer. – Murmurou, mesmo que já não o pudesse ouvir.

Assim que Eren saiu daquilo que considerou um duche rápido, ficou surpreso ao ver a irmã, Armin, Jean e Annie que acabavam de entrar em casa. Cheirava a café, leite e acima de tudo, torradas que chamaram a atenção dos adolescentes famintos.

Contudo, mesmo a fome não fez Armin esquecer que o avô tinha sido por motivos misteriosos transferido para outro hospital e não era um qualquer. Perante esse comentário, Eren coçou a cabeça na dúvida se deveria ou não pôr tudo em pratos limpos. Imaginou que o professor provavelmente, não iria querer exibir a boa ação em frente de todos. Só que não teve escolha e admitiu que pediu ajuda a Levi para pagar. Este quase teve um ataque de pânico, aliado ao nojo quando Armin tentou abraçá-lo com as mãos sujas de manteiga.

- Podes agradecer daí, à distância. – Frisou Levi.

- É muito generoso da sua parte. – Comentou Mikasa entre a surpresa e alguma desconfiança.

"Generoso até demais, mas se o avô do Armin ficar bem acho que devia ficar contente com isso. Mesmo assim, isso não explica por que razão a Annie decidiu que ele seria a pessoa ideal para lidar com o Eren", suspirou. "Ao menos, o meu irmão parece melhor do que antes. Bem mais relaxado e à vontade do que nos últimos e isso já é o suficiente para me deixar também mais relaxada e aliviada por vê-lo assim".

- Então sempre compraste o teu desejado carro? – Perguntou Eren, encostado à janela da cozinha que dava vista para o exterior.

- Gostas do que vês?

- Combina contigo, Jean. – Disse num tom que deixava adivinhar alguma ironia.

- Posso saber porquê?

- Não, não podes saber porquê. – Interrompeu Mikasa. – Por favor, será que podem estar na mesma divisão sem se atirarem um contra o outro por cinco minutos?


*Eren*

Teria continuado a provocar alguma discussão com o Jean, se não visse Levi avisar a todos que precisava de ir a casa. Avisou também que o amigo, o cardiologista disse que como a cirurgia seria longa e por isso, o mais provável era só podermos ver o Sr. Arlert no dia seguinte. Portanto, aconselhou que aproveitássemos para pôr o sono e as refeições em ordem, antes de nos dirigirmos ao hospital.

Armin quis insistir na ideia de querer ir para o hospital e penso que a única pessoa que o conseguiria convencer do contrário era o Levi que o fez sem grande esforço. A capacidade de destruir a capacidade argumentativa do meu melhor amigo era no mínimo perturbadora. Uma coisa é certa, era bem efetivo e convenceu-o a ficar em casa, descansar e até a preparar algumas roupas de que o avô poderia precisar, pois a estadia no hospital provavelmente iria prolongar-se.

Aproveitei esse momento para aproximar-me de Annie e agradecer-lhe baixinho. Sabia que tinha sido ela a responsável pela ida do professor Levi ao meu encontro. Ela limitou-se a sorrir e a dizer que lhe parecia bem melhor do que nos últimos dias.

Quanto a isso, não podia negar. O peso que havia no meu peito há semanas parecia ter sido removido. Bastou para isso saber que ele tinha mentido naquele dia em que me disse aquelas coisas horríveis. Sentir os seus braços e aquelas palavras que juravam proteger-me era o suficiente para que ao relembrar-me de tal coisa, viesse aquele frio na barriga e um sorriso que não conseguia evitar cada vez que olhava para ele.

- Conto contigo para pôr algum juízo na cabeça dele, Ackerman. – Dizia à minha irmã. – Não quero que nenhum de vocês vá dormir ao hospital sem necessidade. Amanhã bem cedo, vamos lá visitar o vosso avô. É uma cirurgia longa pelo que pude perceber e por isso, mesmo que termine mais cedo do que o previsto, não deve poder receber logo visitas.

- Não se preocupe, professor Levi. No que depender de mim, o Armin não vai a lado nenhum sem que eu esteja atrás dele. – Afirmou Mikasa com o seu ar assustador que mostrava o quão sério, ela estava a encarar aquela "missão".

- Ótimo. – Disse Levi e olhou para Annie e Jean. – Também deviam ir descansar e fazer melhor uso do vosso tempo em vez de estarem aí especados a olhar para mim.

Passou por eles para ir pegar no casaco e a Annie que passou ao meu lado, murmurou:

- Ele gosta de mandar… - E acrescentou. – Eren desconhecia este teu lado masoquista.

Esse comentário fez com que me ruborizasse e teria respondido, mas ao ver o olhar inquiridor que o Jean me lançava, preferi manter-me em silêncio. Não queria dar-lhe mais razões para continuar a provocar-me e certamente, se soubesse o que a Annie tinha dito iria atormentar-me permanentemente com comentários despropositados.

- Eren segue o exemplo dos teus amigos e vai descansar também. – Disse, retirando-me dos meus pensamentos. – Vemo-nos mais tarde, pirralhos.

Assim que saiu, ignorei os olhares de Mikasa e Armin que eram conscientes de que o professor Levi não me tratava nunca pelo primeiro nome. Jean murmurou algo sobre finalmente, o "sargento" ter abandonado a base porque já o estava a irritar aquela forma autoritária de falar. Em resposta, Annie relembrou-o que era graças ao "sargento" que o avô do Armin ia melhorar.

- Vou… vou acompanhá-lo à estação. – Falei sem pensar e saí antes que alguém pudesse tentar impedir-me.

Se fosse ser sincero, não queria somente acompanhá-lo à estação. Queria passar tempo com ele. Queria conhecer mais sobre a pessoa por detrás daqueles olhos de cor acinzentada que se viraram para mim, mal ouviu os meus passos atrás dele. O frio na barriga estava de volta à medida que dava a desculpa esfarrapada de querer acompanhá-lo à estação. Ele não disse nada contra e em silêncio, caminhei ao seu lado. Nessa posição, seria pouco discreto observá-lo. Consequentemente, mantive grande parte do tempo, os olhos entre o chão e a paisagem à nossa volta.

Sobre o que deveria falar? Ou como já sabia que ele não era grande fã de conversações, talvez o melhor fosse não dizer nada. Isso devia tranquilizar-me já que não precisava de inventar algum tema de conversa. Porém, ao contrário do que esperava, só me deixava ainda mais nervoso. Tudo porque tinha começado a perguntar-me como devia definir aquilo que havia entre nós. Pensando bem, nem ao menos tinha conseguido dizer-lhe como me sentia em relação a ele, ainda que isso fosse culpa dele que me interrompeu e não deixou que falasse.

E agora? Será que deveria dizer? Brinquei com as minhas mãos, refletindo sobre qual seria o passo a tomar. Era óbvio que sentia bem mais do que admiração por ele. Querer estar ao lado dele. Confiava nele.

Desejar que me tocasse, não era algo tão simples e passageiro como uma atração. Será que com acontecia o mesmo com ele?

Quando o metro chegou, apercebi-me que não teria tempo de sequer ganhar coragem para dizer alguma coisa. Ele deu alguns passos à minha frente e ao estender a mão para chamar a sua atenção, tive uma surpresa. Sem se voltar, agarrou a minha mão e puxou-me para o interior da carruagem. As portas fecharam-se e então, voltou-se de frente para mim.

- Querias vir comigo. Se é assim, diz as coisas de uma vez.

Baixei ligeiramente o rosto e ele prosseguiu:

- Avisa os teus amigos, antes que entrem em pânico por não saberem por onde andas.

- Sim, senh… ah, sim… eu vou fazer isso. – Corrigi-me de imediato.

Às vezes assustava-me entender como o meu subconsciente parecia programado para responder "sim, senhor" a praticamente tudo a que saísse da boca dele. Isso fez com que me recordasse daqueles sonhos estranhos que ultimamente parecia relembrar com maior clareza. Arriscaria até dizer que ele era aquela pessoa que me tinha salvado tantas vezes e a quem me dirigia com tanto respeito.

Contudo, tinha que pensar em como seria estranho dizer-lhe algo assim. Ele ainda pensaria que aquilo era fruto da minha imaginação. Racionalizando bem as coisas, aquilo até poderia ser encarado como uma fantasia lamechas que só o faria encarar-me ainda mais como um pirralho. Esse era o apelido favorito dele, embora aparentemente não fosse algo dirigido apenas a mim.

- Já avisaste os teus amigos?

- Si…sim. – Respondi ao enviar a mensagem a Armin.

- Estavas com bastantes gracinhas antes. Agora, pareces-me bem mais silencioso, até demais.

- Não és tu que preferes que fique assim? – Retruquei, procurando manter o meu tom de voz normal sem tremer.

- Só estranhei o comportamento. – Comentou, encolhendo os ombros.

Será que também estava pouco à vontade com aquilo? Era difícil saber. A expressão dele era terrível no que diz respeito à leitura de emoções. Não pensava que fosse possível alguém manter sempre a mesma expressão, mas eis que ele demonstrava ser um especialista no assunto.

Saímos poucas estações depois. Fiquei francamente surpreendido com o bairro de classe média por onde passámos. Não é que não conhecesse o local, mas julgava que ele escolheria um lugar mais de acordo com os seus padrões. Quando penso nisto, imagino um casarão ou até mesmo um palacete. Embora também me perguntasse sobre a situação financeira dele. Não por interesse, mas lógica. Por que razão alguém que tinha dinheiro para pôr o avô do Armin num hospital privado não tinha um carro?

- Moras numa destas casas? – Perguntei curioso.

- Moro ali. – Apontou e mais adiante vi um edifício recente. Se bem recordava, tinha sido construído há pouco mais de um ano.

- Não tens vizinhos. – Aquilo foi mais uma afirmação do que uma pergunta.

- Claro que tenho, ainda que não considere necessário conviver com eles.

- Isso significa que não sabes o nome de nenhum deles. – Arrisquei dizer.

- Falas disso como se fosse algo com que me devesse preocupar. – Disse num tom desinteressado.

Ao entrar no edifício, ainda podia sentir o cheiro a novo. Logo na entrada decorada, pude perceber que comprar um apartamento ali devia exigir uma carteira bem consistente. Teria gasto tanto dinheiro na casa que não tinha dinheiro para o carro? Assim que entrámos no elevador que tinha aquecimento e música, concluí que essa ideia devia ser bem plausível.

- Moras mesmo no último andar? Deves ter uma vista muito boa sobre a cidade. – Comentei enquanto saía do elevador e ele tirava as chaves de um dos bolsos.

- Quando entrares, podes ir até à varanda para ver. – Respondeu.

- Alguém mora no andar de baixo? – Perguntei.

- Não e escolhi este andar precisamente porque como é o último, não corro o risco de ter gente mal-educada no piso de cima. Por sorte, como só os primeiros cinco pisos estão ocupados, ainda tenho mais algum tempo antes de alguém mudar-se para o piso logo abaixo.

- Tens sérios problemas de socialização. – Concluí.

- Gosto do silêncio. – Replicou e abriu a porta.

Já sabia que ele e as limpezas tinham uma relação excessivamente próxima e ainda assim, não julguei que alguma vez tivesse visto uma casa tão arrumada e limpa. O chão de cor branca não tinha uma só mancha e assim que pus os pés dentro da casa dele, tive que tirar as sapatilhas sob ameaça de morte. Calcei uns chinelos que ele trouxe, pois entrou primeiro. O fato de só ter um par de chinelos à entrada também denunciava muita coisa sobre o número de visitas que devia receber.

Penso que só a sala devia ser quase a minha casa. Nela havia uma mesa de estilo moderno de cor preta, vidro e quatro cadeiras. Por baixo dessa mesa e à frente do sofá, onde estava uma televisão enorme, havia dois tapetes de cor preta. O sofá também era bem grande e branco com algumas almofadas pretas. Era até de certa forma irónico, ver um sofá tão grande para alguém que não gostava de receber visitas. A televisão era enorme e só conseguia pensar que com algo assim, nem precisava de ir ao cinema. Por baixo do aparelho, havia uma coleção invejável de DVD's dos quais me aproximei para ver que tipo de filme gostava de ver.

- Vou tomar um duche. Desde que não sujes nada, fica à vontade. – Disse ao sair da sala.

Apenas assenti enquanto via alguns filmes que não pareciam muito interessantes. Se bem que para um professor de história, documentários devia ser algo bem recorrente.

No meio de títulos desinteressantes encontrei clássicos como "O Padrinho", "Kill Bill" e "Casablanca". Também havia alguns filmes de terror e ação e ficção científica que me fizeram ler pelo menos a sinopse para entender do que se tratava. Conhecia alguns filmes de nome. Geralmente, não tinha tempo ou dinheiro para ver filmes.

O móvel onde estava a televisão e os filmes, também tinha uma pequena aparelhagem no topo com umas colunas que a ultrapassavam em tamanho. Por baixo, duas pequenas portas que davam acesso a uma coleção impressionante de CD's. Encontrar música clássica não era surpreendente, mas a partir do momento em que encontrei Céline Dion não consegui parar de rir. E encontrei mais. Oh, aquilo era uma mina de ouro!

- Old age… - Comentei ao retirar o CD e ceder à tentação de pôr aquelas músicas a tocar pela casa. Em pouco tempo, Black Eyed Peas começou a soar pela casa. Conhecia algumas músicas, pois muitas vezes, o repertório que usava nos bares quando ia atuar passava por músicas atuais ou outras que tiveram o seu sucesso em tempos e uma ou outra composta por mim.

No, no, no, no don't phunk with my heart

(Yeah)

No, no, no, no don't phunk with my heart

I wonder If I take you home

Would you still be in love, baby (in love, baby)

I wonder If I take you home

Would you still be in love, baby (in love, baby)

Cantava baixinho a música enquanto além de olhar para os outros CD's de música, procurei alguma fotografia. Não havia fotografias na sala. Em vez disso, as paredes estavam adornadas com estantes de livros e nos espaços mais vazios, havia quadros que retratavam acontecimentos históricos.

A minha atenção voltou-se para a varanda que tal como imaginara, tinha uma vista privilegiada sobre a cidade. Pese o ar gelado que contrastava bastante com a temperatura quente e agradável do interior do apartamento, quis ficar ali mais um pouco. Ele tinha razão. Era bastante silencioso e agradável.

Fechei os olhos e inspirei o ar gelado que fez um arrepio percorrer o meu corpo.

Decidi regressar ao interior quentinho para evitar algum comentário sobre a minha irresponsabilidade por estar na varanda com aquelas temperaturas baixas. Fui até à aparelhagem e mudei a música. "Pump it" deixou escapar os primeiros sons e como era uma música bem mexida, não pude evitar entusiasmar-me com aquilo. Por momentos, esqueci-me até de manter o meu tom de voz mais baixo. Continuei a ver os diversos tipos de música que ele ainda tinha no meio de todos os CD's enquanto me movia e cantava ao som da música.

Estava a divertir-me cada vez com a descoberta de alguns cantores algo curiosos e então, ouvi a deixa que na música que ainda tocava, indiciava que a Fergie iria cantar a sua parte sozinha. Lembrava-me de ter atuado essa parte numa das noites no bar e de como tinha sido uma das melhores noites com casa cheia e histerismo o tempo todo. Movimentei o meu corpo ao som da música, concentrando atenção especial à cintura tal como muitas vezes, Annie tinha dito e ela tinha razão. Sempre que fazia movimentos semelhantes, por norma a assistência no bar ia ao delírio total.

Cantei a música até ao final e assim que o silêncio se instalou na sala e preparava-me para mudar de CD, ouvi o som de alguém a aclarar a garganta. Alguém? A quem estava a querer enganar? Só podia ser uma pessoa!

- Já te divertiste o suficiente?

- Ah… - Podia sentir que o meu rosto estava a queimar por dentro e por fora. Virei a cara. – Estava distraído… pensei que fosses demorar mais.

- E tinha a intenção de demorar mais, mas depois comecei a ouvir música pela casa toda. – Explicou e podia ver que tinha saído mesmo há pouco tempo do banho, pois os cabelos ainda pingavam sobre a t-shirt cinzenta e demasiado justa. Será que não podia ter escolhido algo que não destacasse tanto a boa forma física que tinha? A quem é que queria enganar? Se por um lado, isso deixava-me mais atrapalhado, por outro, tinha que admitir que aquilo era uma vista privilegiada.

À t-shirt cinzenta juntava-se umas calças de estilo desportivo pretas. Ele passava uma pequena toalha no cabelo enquanto lançava um olhar para a pequena desarrumação que tinha feito ao procurar mais alguns cantores embaraçosos.

- Posso saber o que estás a fazer?

Enchi-me de coragem e peguei num dos CD's e perguntei:

- Britney Spears?

Ele manteve o mesmo ar indiferente, antes de dizer:

- Já olhaste para bem para a parte detrás de cada um desses CD's?

Assim que o fiz, notei o nome da…

- Hanji?

-A maioria dos cantores que deduzes que não combinam comigo…digamos que são presente daquela desequilibrada que esteve quase a ser presa porque todos esses CD's são ilegais.

- São cópias? – Perguntei surpreso. – Estão muito bem feitas.

- Ela vendia isso pela escola.

- E porque ficaste com eles se não gostavas?

- Suponho que nunca gostei de deitar presentes fora. – Respondeu, desaparecendo no corredor que dava acesso ao resto da casa.

Por um lado, aquilo explicava a diversidade musical absurda que havia naquela pequena parte do móvel. Por outro lado, invejava um pouco da relação tão próxima que ele tinha com a professora Hanji a ponto até de não querer deitar presentes dela fora.

Subitamente, o som de um secador retirou-me dos meus pensamentos. Não resisti a ir confirmar as minhas suspeitas e encontrei-o na casa de banho com a porta aberta a secar os cabelos.

- Tu secas o cabelo? – Perguntei, tentando controlar a minha vontade de rir.

- O suficiente para não pingar pela casa inteira.

- Tens mesmo algum problema com a limpeza, não tens? – Perguntei.

Ele virou o secador na minha direção e o ar quente fez-me fechar os olhos e recuar ligeiramente. Devo ter tropeçado nos meus próprios pés para cair de rabo no chão e ficar encostado à parede. Ouvi-o desligar o aparelho e em seguida, vi-o abaixado à minha frente.

- Posso saber porque é que isso é um problema? – Estendeu a mão até tocar no meu cabelo. – Ainda está molhado. Não devias andar assim com este tempo tão frio. Podes adoecer.

- Eu… - Sentia-me completamente ruborizado.

- E também devias ter mais cuidado para não tropeçar de forma tão idiota. – Disse, mantendo-se à minha frente, terrivelmente perto. – Levanta-te. Vou secar isso decentemente.

Nem sei se consegui balbuciar alguma resposta. Pelo menos não o fiz enquanto não se afastou de mim e caminhou até à sala. Segui-o e ouvindo as suas indicações, sentei-me no sofá. Trouxe o secador e disse que me mantivesse quieto e de costas para ele. Assim o fiz e pouco depois, o aparelho voltou a funcionar, mas desta vez direcionado para mim. Pensei que fosse ser algo rápido e que apenas envolvesse o ar quente, mas quando senti uma das suas mãos a percorrer os meus cabelos soube que aquilo ia ser algo difícil de ignorar. Bastava que me observasse com um pouco mais de atenção e veria como a minha pele estava arrepiada com aquele toque. Para a mão de alguém de aparência tão autoritária e ar tão pouco expressivo, o toque variava entre o cuidado e uma suavidade que parecia encontrar todos os pontos certos para que eu fechasse os olhos. Equivalia a uma massagem regulada por um ritmo relaxante e que não queria que acabasse. Os seus dedos deslizavam entre os meus cabelos e desceram, arranhando de leve a minha nuca.


*Levi*

Na altura quando a Annie me disse o que poderia acontecer com ele, nem sequer pensei no que iria fazer ou dizer quando o encontrasse. Ao deparar-me com a situação repugnante daquele velho a pôr-lhe as mãos em cima e a falar todas aquelas coisas, senti que podia matá-lo. Todos os pensamentos para manter-me racional e tranquilo foram ao ar e honestamente, se o Eren não tivesse presente não sei se apenas teria batido nos seguranças e naquele velho asqueroso.

Depois vê-lo tão vulnerável e implorar-me para não quebrar a sua confiança, fez com que quisesse mantê-lo nos meus braços permanentemente. Assim que o tive tão perto, não me lembro de ter experienciado aquele tipo de possessividade em relação a alguém. Era algo tão intenso que tive que começar a dizer a mim mesmo que precisava de criar algum distanciamento para não assustá-lo. O que não esperava era ver que ele também quisesse manter-se ao meu lado tanto tempo quanto possível.

Isso levou-me a querer voltar para casa. Precisava de algum tempo para aprender a lidar com aquele tipo de sentimento. Manter a indiferença do costume não era tão simples e não saber como agir, era algo que me deixava excessivamente tenso.

Mesmo que tivesse dito um "foda-se" a minha ética como professor no momento em que o abracei, precisava pensar nisso de forma mais clara. Não ia afastá-lo de mim. Não lhe ia voltar a mentir daquela forma, mas precisava gerir aquilo da melhor forma possível para que não acabássemos prejudicados. Claro que a isso se acrescia, a minha vontade de lhe tocar e que provavelmente, deveria controlar.

Lembrava-me bem das palavras que me tinha dito na noite em trocámos o primeiro beijo. Algo de muito errado tinha acontecido no seu passado e desconhecia a extensão de um possível trauma que pudesse ter, daí que ser demasiado físico com ele pudesse ter um efeito adverso. Aliás, nem sabia se devia pensar nisso.

Pensava ter tempo para refletir sobre isso em casa, mas acabei por ceder à tentação de trazê-lo comigo. Principalmente, quando vi que essa ideia também lhe devia estar a passar pela cabeça quando decidiu acompanhar-me à estação. Isso atirou por terra todas as minhas ideias de pensar em tudo aquilo de cabeça fria.

Sair do banho e vê-lo dançar na sala, também não ajudou a controlar o tipo de pensamento que me estava a passar pela cabeça. Certos movimentos com o corpo deviam ser ilegais. Sorte a minha por ter a capacidade quase inata de manter-me impassível, mesmo que por dentro estivesse a ter tumultos.

A situação não tinha melhorado muito com a minha ideia de secar-lhe o cabelo. A forma como se deleitava com o meu toque não ajudava a reprimir os pensamentos impróprios. Isso piorou quando de olhos fechados, deixou escapar um suspiro.

- Queres mesmo que me esqueça que és meu aluno e eu sou teu professor? – Sussurrei perto da sua orelha e vi-o abrir os olhos, ficando completamente corado. – A suspirar dessa forma só por causa da minha mão nos teus cabelos… - Desliguei o secador, pousando-o sobre o sofá e mantendo a proximidade.

- Não consegui evit…ah…

Não consegui resistir. Percorri a sua orelha com a minha língua e graças a isso, ouvi mais do que um suspiro. Seguiu-se um gemido delicioso que me fez mordê-lo de leve. A forma como a respiração dele se tinha alterado em tão pouco tempo e com coisas tão simples era uma característica que mexia ainda mais comigo.

Em vez de manter-me ao seu lado, passei para à frente. Mantive-me de pé e inclinei-me sobre ele. Deslizei os meus dedos pelo seu rosto, memorizando aquela expressão completamente ruborizada e que silenciosamente pedia que não quebrasse aquele contacto. Passei o meu polegar vagarosamente sobre os seus lábios entreabertos e debrucei-me um pouco mais. O meu joelho apoiou-se no espaço que entre as suas pernas e sem tirar os meus olhos dos dele, aproximei-me mais da sua boca.

Vê-lo daquela forma submissa, à espera que tomasse iniciativa só servia para atrair-me ainda mais. Aquele miúdo sempre tão provocador e com comportamentos desafiadores estava à minha mercê. Os braços ao lado do seu corpo e a forma como me observava, dizia claramente que não pensava em oferecer qualquer resistência. Se ele soubesse como isso para mim era mais do que um convite.

A minha língua delineou os seus lábios e vi-o fechar os olhos. Tentava também conter os suspiros e ao finalmente, procurar pela minha boca para beijar-me, acabei eu por tomar essa iniciativa. Pude ouvir perfeitamente o som de surpresa que fez contra a minha boca quando quebrei sem qualquer aviso aquela distância. Não perdi tempo a explorar e a saborear cada canto da sua boca, ao som de gemidos abafados. As mãos dele arranhavam de leve o meu peito e já por meu lado, segurava os seus cabelos e com a outra mão livre apoiava-me no seu ombro.

- Levi… - Murmurou com a voz que não escondia como a sua respiração estava desregulada. Procurou os meus lábios, mas desviei-me para dar alguma atenção àquele pescoço que estava a convidar-me há algum tempo. – Levi… ngh, vão ver…

- Quero marcar-te… - Segredei perto da sua orelha. – Alguma coisa contra?

- Nã…não…

- Ótimo. – Falei. – Até porque mesmo que tivesses algo a dizer, já é demasiado tarde. – Sorri maliciosamente. – Não imaginas a quantidade de marcas que já deixei aqui. – Ouvi outro gemido baixo escapar dos seus lábios. – Não me provoques mais, Eren.

Afastei-me e apesar do rosto corado, o olhar confuso não tardou.

- Vais parar?

- Claro. – Confirmei. – O que pensavas que ia fazer?

- Ah… - Vê-lo embaraçado, podia facilmente tornar-se a minha atividade preferida se ele continuasse daquela forma. – Não sei…

- Oh, vais-me dizer que todos os teus pensamentos são inocentes e puros? – Indaguei ironicamente.

- Sou o único que vai sair daqui com marcas e isso não me parece justo. – Disse, cruzando os braços.

- Não estou aqui para ser justo e sim para te mostrar quem é o dominante aqui.

- Hei! – Exclamou, recuperando alguns traços daquela personalidade desafiadora que parecia ter-se perdido minutos antes. – Não disse que concordava com isso. Não sou do tipo que…

- Ah, és sim. – Interpelei com um sorriso repleto de malícia. – Tens todas as características de alguém submisso e quero abusar de cada uma delas.

Ele corou ainda mais se é que era possível.

- Normalmente, não sou assim. – Tentou argumentar.

- És assim comigo e isso para mim é o suficiente. – Afastei-me do sofá e olhei para o relógio. – Tenho que pensar no que vou fazer para o almoço. Tens preferência?

- Qualquer coisa serve. – Disse de braços cruzados, aparentemente amuado.

Revirei os olhos e disse-lhe que ligasse a televisão para se entreter enquanto eu ia até à cozinha. Não me respondeu e não tive bem a certeza se o amuo era por causa dos comentários ou por ter interrompido as minhas provocações. Talvez até fosse as duas coisas, mas de certa forma, divertia-me vê-lo amuado.


-X-

Preview:

« (...)

Não obstante a atmosfera leve e agradável, Levi sabia que precisava de falar sobre duas coisas em concreto. Optou por começar pela mais relevante no momento e assim que terminou de secar as mãos, voltou-se para o rapaz que lhe sorria.

- Eren precisamos falar sobre como vão ser as coisas daqui para a frente.

- Como assim?

Levi cruzou os braços, mantendo um ar sério sem deixar de olhar para Eren que agora estava um pouco ansioso.

- Ainda és menor de idade.

- Por poucos meses. – Lembrou-o o rapaz, não gostando do rumo da conversa (...) »