Título: O recluso
Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.
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Recluso:
Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.
(Dicionário UOL)
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Capítulo 20
Junho de 2016
EPOV
No capítulo anterior...
"O que ele queria com você, Bella?", eu pergunto e estendo a mão para puxá-la para junto de mim.
"Não me toque", ela fala com desgosto e se afasta. Percebo seus olhos marejados. Antes que eu possa falar de novo, ela sai correndo em direção às escadas.
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Edward POV
Após um momento congelado pela sua reação, eu vou atrás dela em seguida. Subo as escadas e vejo a porta do meu quarto aberta. Entro e a vejo arrumando sua bolsa, guardando seus pertences.
"Bella", eu chamo e ela me ignora, sem desviar os olhos da tarefa.
O que ele disse pra ela reagir assim?
"Bella", eu chamo de novo e me aproximo. Seguro seu braço e ela reage.
"Eu já disse pra não me tocar", ela grita e balança o braço. Eu a solto de imediato.
Droga! O que tá acontecendo?
"O que tá acontecendo, Bella? O que ele te disse?".
Ela volta a me ignorar e termina de arrumar suas coisas. Eu percebo que ela tem intenção de ir embora, mas eu não posso permitir. Ela não vai me deixar. Eu passo as mãos pelo cabelo, tentando descobrir como levá-la a se abrir pra mim.
"Por favor, Bella", eu imploro e ela volta a chorar. "O que foi que eu fiz?"
Com a bolsa na mão, ela vai em direção à porta, mas eu sou mais rápido. Empurro a porta fechado e a tranco.
"Me deixa sair, Edward", ela pede com a voz trêmula.
"Não", eu digo veementemente. "Você precisa me dizer o que aconteceu".
Ela tenta forçar a maçaneta, mas é em vão.
"Abra a porta agora", ela pede, com raiva. "Eu não posso...não agora, por favor", ela acrescenta em tom mais cordial.
"Não, enquanto a gente não conversar", eu teimo.
Ela suspira e tira o celular da bolsa. Pra quem ela está ligando?
"Droga Rose!", ela resmunga depois de instantes. "Emmett", ela diz e começa a mexer no celular de novo.
Não!
Eu me aproximo e pego o celular de suas mãos, desligando-o.
"Edward!", ela grita de novo. "Você não pode...idiota! Abra essa porta e me deixa sair ou eu vou gritar até alguém subir aqui", ela ameaça.
"Você pode gritar o quanto quiser, mas você não sai daqui enquanto não me falar por que está me tratando assim!", eu digo exasperado. "Eu acho que mereço pelo menos uma explicação".
"Ah, não se faça de idiota. É sobre sua amiguinha Jane. Você é um mentiroso! Você disse que não era ninguém importante".
"E não é!", minha voz aumenta.
"Oh, claro que não", ela debocha. "Ela é apenas mais uma vagabunda que você e seus amigos dividem, certo?", seu tom transmite mágoa e repugnância.
Merda!
"Agora você se cala! Se cala porque é verdade", ela começa a chorar. "Deus, eu sou tão burra! Eu acreditei...eu pensei que você era diferente. Depois de todo o que me contou sobre Victoria, eu pensei...eu não conheço você!", ela cai abaixada ao lado da cama.
"Bella", eu me aproximo e a pego em meus braços, ignorando a luta dela para se soltar. Eu nos coloco na cama, sentados. "Escute. Você tem que me ouvir", eu peço, segurando seu rosto entre as mãos.
"Eu não sei exatamente o que ele te disse, mas você não pode acreditar nele. Por favor, Bella. Eu prometo que vou contar tudo o que você quiser. Tudo. Mas não vá embora assim".
Ela se afasta e se encosta na cabeceira da cama, enrolando seu corpo, como se pra se proteger.
"O que você quer saber?", eu pergunto ao perceber que ela vai me ouvir.
"Você esteve com essa Jane da última vez que foi pra Chicago? Você dormiu com ela?"
"Não, Bella. É claro que não. Você realmente acha que eu iria te trair?!"
Quando ela não responde, abaixando o olhar, eu fico arrasado. Ela realmente pensou que eu faria isso com ela. Ela não confia em mim, nem um pouco. Isso me deixa devastado.
"Há pouco tempo você me acusou de não confiar em você. Eu errei naquela ocasião, mas agora você acreditando na palavra de um homem que você mal viu duas vezes, em vez de acreditar em mim. Eu imagino que ele te disse um monte de coisas horríveis pra você reagir assim, mas...você não me deu a chance de contar a minha versão antes de acreditar em tudo o que ele disse. Você não confia em mim". Eu entendo perfeitamente o que ela sentiu aquele dia, pois estou sentindo o mesmo.
"Então, Bella, pra esclarecer de uma vez por todas, eu não dormi com Jane. Eu não a vejo há mais de três anos. Eu nunca faria nada assim pra te magoar. Nada que pudesse fazer você me deixar, Bella".
Pra minha surpresa, ela fica de joelhos na cama e se joga em meu colo, me abraçando e chorando.
"Você está certo, me desculpe", ela diz contra meu pescoço. Eu levanto seu rosto, querendo olhar aqueles belos olhos que me enfeitiçaram. "Eu deveria ter falado com você, mas tudo aconteceu hoje. Primeiro Irina e depois Garrett. Eu vi como você ficou tenso ao ouvir o nem Jane e não quis me dizer quem era. Eu fui pega de surpresa porque eu achei..."
Ela se cala.
"O que você pensou?", eu insisto.
"Eu tinha essa imagem de você, desde que eu fui trabalhar na sua casa...Sue comentou que você nunca levava companhia feminina pra lá e você disse que depois de Victoria não teve nenhum relacionamento sério", ela abaixa desvia o olhar do meu. "Eu pensei que você não tinha estado com tantas mulheres".
Oh.
Eu entendo porque ela pensou isso. Pena que não é bem assim. E eu terei que abrir o jogo com ela, o que pode fazê-la não querer mais nada comigo.
"E hoje eu vejo Irina na maior intimidade com você, descubro que você tinha uma ou sei lá quantas amantes nos lugares pra onde viaja", ela fica agitada de novo. "Eu acredito que foi antes de mim, mas ainda assim eu não gosto disso. Eu não gosto de não saber sobre você. Eu sinto que não te conheço".
Ela tenta sair do colo, mas eu não deixo.
"Eu entendo porque você se sente assim. Eu sei que eu tenho que falar com você sobre meu passado. Eu prometo fazer isso quando você quiser, só não agora. Eu quero que a gente esteja em casa. Não aqui, com toda essa gente. Só mais um dia, por favor. Mas eu quero que você acredite: eu não estive com ninguém por pelos menos uns três meses antes de te conhecer. E desde então eu só tenho olhos pra você. Mais ninguém", eu revelo. Quero que ela acredite em mim, por isso acabo mostrando o quanto sinto por ela.
"Eu acredito em você", ela diz baixinho.
Ficamos alguns minutos em silêncio e por mais que eu gostaria de continuar aqui, tenho que voltar pra essa maldita festa.
"Eu tenho que descer", eu digo, colocando-a ao meu lado e levantando da cama.
"Oh meu Deus, eu estraguei sua festa!", ela enterra rosto entre as próprias mãos.
"Eu não ligo pra essa festa, Bella".
"Mesmo assim. E o pior é que eu acabei com sua noite, seu aniversário", ela se levanta e vem em minha direção. "Me desculpe...eu deveria ter esperado pra gente conversar depois".
"Você pode ficar aqui se quiser, eu digo que você não está se sentindo bem", eu sugiro, vendo que ela ainda está abalada.
"Não. Estou bem. Eu vou apenas lavar o rosto e retocar a maquiagem".
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Nós descemos juntos, de mãos dadas. Alguns convidados estão nos espiando, mas não há comentários. Provavelmente eles só estão apenas curiosos sobre nosso sumiço. Minha mãe vem ao nosso encontro e pergunta se está tudo bem.
"Sim. Eu estava apenas conversando com Bella no meu quarto", eu digo e vejo minha namorada acenar com um pequeno sorriso.
"Muito bem, então. Alguns convidados já foram e pediram para te felicitar mais uma vez", Esme fala.
Enquanto ela conversa com Bella, eu procuro por Garrett, mas não o vejo. Aquele covarde deve ter ido embora. Mas ele vai pagar por essa tentativa de atrapalhar meu relacionamento com Bella.
"Filho", Esme segura meu braço pra ganhar minha atenção. "Eu vejo que você já teve o suficiente. Vou dar um jeito de me livrar de todos", ela sussurra. "Assim, vocês podem descansar".
Eu beijo sua bochecha, grato. "Obrigado, mãe". Enquanto me despeço dos convidados que vão partindo, Bella vai conversar o Rosalie.
Cerca de meia hora mais tarde, a casa está vazia. Eu dou boa noite aos meus pais e irmã, e subo com Bella para meu quarto.
"Se você preferir, pode ficar no quarto de hóspedes essa noite". Não é o que eu quero, mas mesmo com o pedido de desculpas dela, o clima entre nós está estranho. Não quero forçar nada.
Ela morde o lábio e me encara por alguns segundos. "Eu quero ficar aqui".
Eu aceno aliviado e aviso que vou tomar banho no banheiro social, deixando-a usar o da suíte.
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Bella POV
Edward foi tomar banho e eu faço o mesmo, aproveitando que estou sozinha com meus pensamentos e tento pensar de modo coerente. As palavras de Garrett me continuam me assombrando.
"Eu não sei por que ele não quer que eu me aproxime de você. Não é como se a gente não dividiu uma mulher antes".
"Ele já te contou das nossas festinhas com Jane em Chicago, Eu, ele e mais alguns amigos sempre temos muita diversão com ela".
Ele disse essas e outras coisas nojentas, insinuando que Edward se envolve com mulheres diferentes em cada viagem e que mantém amantes em cada cidade que visita. Eu não sei o quanto disso é verdade ou pelo menos o quanto disso realmente aconteceu no passado. Eu acredito que Edward não iria me trair. Se ele disse que não esteve com ninguém por meses antes de me conhecer, eu acredito.
Só que eu continuo incomodada pelas coisas que Garrett disse. Eu achava que Edward não era um mulherengo. Eu assumi que ele teve poucas mulheres após Victoria e descobrir o quanto eu estava enganada...isso está me consumindo por dentro. Na verdade, o pior é não saber exatamente o que é verdade ou não. Eu não o conheço. Eu divido a cama com um homem que eu não conheço. Eu achava que conhecia, pelo menos um pouco, mas não sei de mais nada.
Ele me acusou de não confiar nele, de acreditar em um desconhecido ao invés de conversar com ele. Foi exatamente o que ele fez antes e eu o acusei. Argh! Estou tão confusa! Conversei um pouquinho com Rose antes de ir embora e ela me lembrou que eu não posso acusar Edward por ter um passado. Ele é um homem maduro e é natural que já tido algumas mulheres em sua vida. O ciúme irracional não vai ajudar em nada. Mas eu preciso saber o tipo de homem ele é, o que ele realmente gosta quando se trata de sexo...pra saber se somos compatíveis.
Eu desligo o chuveiro e visto minha calcinha e uma camiseta que peguei de Edward. Ele já está sentado na cama, mexendo em seu celular. Ele levanta os olhos do aparelho ao notar minha presença. Seus olhos percorrem meu corpo, que reage mesmo sem minha permissão. Sob seu olhar, meus mamilos endurecem e eu quero esfregar minhas pernas juntas.
Depois do que parece uma eternidade, ele desvia o olhar e pega algo na cômoda ao lado. Meu celular. Levantando-se, ele se aproxima e me entrega o aparelho. Meus olhos vagueiam pelo corpo dele. Ele está vestindo apenas uma calça de pijama e eu tomo meu tempo apreciando-o.
"Desculpe ter tomado de você", ele diz, mas não parece arrependido.
"Obrigada". Eu o coloco em minha bolsa. Vou em direção à cama, mas ele me impede, segurando meu braço.
"Eu sei que não tenho o direito de pedir isso depois de tudo o que houve hoje", seu rosto está próximo ao meu e o cheiro dele me domina, me deixando zonza. Sua voz está rouca, como quando ele está excitado. "Mas pela manhã você disse que eu poderia te ter sempre que eu quisesse". Ele acaricia levemente meus braços com seus dedos.
Oh Deus.
"Eu ainda posso...?", ele deixa a pergunta no ar e roça seu nariz em minha nuca.
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-R-R-R-R-
Humm...será que Bella vai resistir ou se entregar?
Haha...desculpe deixá-los pendurados assim, mas prometo postar o próximo capítulo no fim de semana ;)
Muito obrigada a todos por lerem e aos que comentaram, também. Esse retorno é muitoooo bom :D
Abraços e até breve!
T. Darcy
