DOCE DEZEMBRO
Capítulo 20
Ikki não podia acreditar. Era mesmo ela? Era Esmeralda, de fato? Já fazia 4 anos que não a via, mas não tinha como duvidar. Reconheceria sua figura em qualquer lugar. Parou à distância, buscando entender como aquilo poderia estar acontecendo. À medida que o susto por rever a moça ia passando, o executivo começava a compreender o que se passava. "Shun, dessa vez você jogou baixo..." pensou ele.
No mesmo instante em que Ikki se situava, Esmeralda o enxergou, pois a multidão que por ali passava abrira espaço para que ela o visse, como num passe de mágica. A jovem então acenou alegremente ao vê-lo e começou a caminhar em sua direção.
- Ikki? Não sabia que era você quem viria me buscar! – falou a garota, assim que chegou a uma distância que lhe permitiria ouvi-la.
- É... E eu não sabia que era você quem eu vinha buscar. – respondeu Ikki, um tanto desconcertado com essa situação inesperada.
Esmeralda convivera com o executivo tempo suficiente para entender que ele fora pego de surpresa e que não estava gostando nem um pouco do que tinha acontecido. Buscando deixar a situação menos desconfortável para ambos, ela disse:
- Pois é... Shun me chamou para ajudá-lo com o concerto que está montando. E você sabe como é seu irmão, quando ele quer uma coisa, sempre consegue! – falava sorrindo, tentando disfarçar o nervosismo.
Ikki não respondeu nada em retorno. Apenas pegou a mala que a jovem trazia e começou a caminhar, fazendo um gesto para que ela o seguisse após dizer um rápido "Vamos". Esmeralda apenas o seguiu, sem falar mais nada.
Chegando à escolinha, Ikki saiu rapidamente do carro para ir atrás de Shun que, por sua vez, já tinha visto o porsche do irmão se aproximando e caminhava em direção a ele.
- Shun! – gritou Ikki, ainda um pouco distante do irmão – Que idéia foi essa?
- Ikki! – falou Shun, chegando mais perto do executivo – Fale mais baixo, senão a Esmeralda te escuta!
- Ela não vai ouvir; deixei ela esperando dentro do carro.
- Não é o que parece. – disse Shun, apontando para o porsche, de onde saía a jovem de cabelos louros com sua mala.
- Ahn... – Ikki percebeu que saiu do carro tão apressado que sequer disse a Esmeralda o que era para ela fazer. Mas isso agora não vinha ao caso. Tinha coisas a esclarecer com Shun – Que seja. Daqui, ela não consegue nos ouvir. E antes que ela nos alcance, me responda uma coisa: O que aconteceu com a promessa que você me fez? – olhou sério para o caçula.
- Eu a cumpri, irmão.
- Cumpriu? Você esqueceu que tinha me prometido que...
- ... eu tinha prometido que não te apresentaria a nenhuma amiga minha. E não o fiz. Não preciso apresentá-lo à Esmeralda porque vocês já se conhecem.
O jovem de cabelos verdes pronunciou essa frase sem demonstrar qualquer culpa ou arrependimento de suas ações. Estava impassível. Ikki o olhava sem saber como reagir. Foi quando Esmeralda finalmente chegou até onde eles estavam, carregando sua mala.
- Olá, Shun! – cumprimentou a moça, com um sorriso.
- Esmeralda! Que bom que você veio! – falou Shun, indo em sua direção para abraçá-la – Mas... por que você trouxe sua mala aqui? Não pretende ficar carregando esse peso pra cima e pra baixo, não é?
- É que... Eu não quero dar mais trabalho ao Ikki. Sei que ele está fazendo um favor a você, mas seu irmão é muito ocupado, Shun. – Esmeralda estava bastante sem-graça. Olhou para o executivo e disse: - Ikki, pode deixar que agora eu e Shun nos viramos. Pode ir cuidar dos seus compromissos.
Ikki viu que o irmão pedia-lhe, com o olhar, para que dissesse algo. A pressão que o irmão fazia junto ao silêncio da garota obrigaram o rapaz moreno a falar alguma coisa:
- Eu levo você até o hotel, Esmeralda. – foi só o que conseguiu dizer.
- Viu só? – disse Shun, virando-se para a garota – Você não está incomodando! Vamos levar sua mala de volta para o carro. Eu vou com vocês até o hotel.
Durante todo o percurso, Ikki permaneceu calado, enquanto dirigia. Shun, por sua vez, parecia muito animado. Conversava com Esmeralda sobre seu concerto, tentando fazer a moça sentir-se mais à vontade. A jovem respondia a Shun educadamente, mas não conseguia tirar seus olhos verdes da figura do executivo, que se mostrava alheio a tudo.
No hotel, Ikki continuara tão lacônico como esteve desde a chegada de Esmeralda. Levara as malas da jovem ao seu quarto por instinto, apesar de haver um funcionário do hotel para fazer isso. Shun estava sentindo-se frustrado porque ainda não obtivera sucesso no que queria: reaproximar seu irmão da ex-namorada. A moça já estava praticamente instalada em seu quarto e Shun via que seu irmão se preparava para partir. Precisava tentar algo:
- Esmeralda, eu imagino que esteja com fome! Que tal irmos todos almoçar?
Ikki, que já se encaminhava para a saída do quarto, parou e olhou de esguelha para Shun, evidenciando que não gostou nem um pouco dessa idéia. Esmeralda, percebendo, disse:
- Ahn... muito obrigada pelo convite, Shun. Mas eu posso me virar sozinha... – e, virando-se para o executivo – Obrigada a você também, Ikki. Pela paciência e tudo o mais.
Ikki olhou para Esmeralda e viu aquele olhar doce, tão parecido com o de Shun. Sentiu-se mal. Esmeralda acabara de falar como da última vez em que se viram. Naquela época, a jovem partira, obviamente magoada por não ser correspondida em seu amor, mas ainda assim o agradecera por tudo. Nunca pedira a Ikki o que ele não lhe podia oferecer. O rapaz então entendeu que não era justo misturar as coisas; estava zangado com Shun, porém Esmeralda nada tinha a ver com o que seu irmão aprontara.
- Bem... na verdade, eu estou com fome. Podemos sair para almoçar. – disse, tentando se desculpar pelo modo como agira até agora..
- Sério, Ikki? – nem Shun parecia acreditar no que ouvia – Que ótimo! Vamos comer alguma coisa então!
E saíram em busca de um lugar para almoçar; Shun um tanto eufórico, Esmeralda meio sem graça e Ikki ainda sem saber exatamente como se comportar diante de tudo isso.
Durante o almoço, Ikki soltara-se um pouco mais. Perguntara à Esmeralda o que ela estava fazendo de sua vida e demonstrou-se satisfeito ao ouvir a jovem lhe contar que sua carreira de violinista estava finalmente alçando vôo. Shun via os dois conversando e se convencia cada vez mais de que fizera o certo. "Hyoga conseguiu abrir o coração de Ikki... e agora vou ajudar meu irmão a preenchê-lo com a pessoa certa" pensava o jovem.
Ao término do almoço, Shun percebeu que Ikki estava prestes a partir, não tão apressadamente como quando estavam no hotel, mas ainda assim, estava indo embora. Precisava fazer com que o executivo ficasse mais algum tempo na companhia de Esmeralda. Pensou rápido:
- Ei, vejam só! Já que estamos aqui no centro, podíamos aproveitar para comprar algumas coisas! Sabe aqueles detalhes que a gente sempre esquece e precisa comprar de última hora? Pois então... preciso comprar luzinhas coloridas, mais serpentina, mais algumas cartolinas...
Ikki compreendeu as intenções do irmão. Entretanto, já estava mais calmo. Lembrou-se de que havia combinado com Hyoga que só se veriam no dia seguinte, então achou que poderia ficar na companhia dos dois por aquela tarde. Não seria nenhum sacrifício; Shun, apesar de tudo, era seu irmão e Esmeralda... sua companhia era bastante agradável.
- Por mim, tudo bem. – disse o moreno.
Os olhos de Esmeralda brilharam. Ela sorriu e, com a cabeça, acenou que também estava disposta a fazer compras.
Naquela tarde, Shun sentia seu empreendimento dar certo. Enquanto faziam compras, Ikki e Esmeralda conversavam como nos velhos tempos. O rapaz de cabelos verdes mal conseguia esconder o sorriso, tamanha sua felicidade. "Agora, tudo vai ficar bem" pensou.
À noite, retornaram ao hotel para deixar Esmeralda. Depois, os irmãos entraram no porsche de Ikki em direção à escolinha de Shun, pois seu carro tinha ficado por lá. No caminho, eles não trocaram palavra. O caçula estava louco para discutir os acontecimentos do dia, mas esperava que Ikki desse início à conversa. Quando chegaram finalmente ao seu destino, Ikki parou o carro, virou-se para o irmão e disse:
- Shun, eu preciso que você pare de se intrometer na minha vida. – falou com um olhar que passava toda a seriedade que ele desejava demonstrar – Eu sei que você não faz por mal, mas... já está passando dos limites.
- Ikki... Se está querendo que eu deixe de me preocupar com você, sinto muito, mas...
- Shun, você sabe que não é nada disso! Preocupar-se é uma coisa; intrometer-se é outra...
- Eu me preocupo e me intrometo se necessário! Se você não pode ver no que está se metendo, eu tenho que fazer alguma coisa! Não vou ficar de braços cruzados vendo meu irmão ser enganado por "aquele escritor"... – as duas últimas palavras foram pronunciadas de modo a ficar bastante evidente o desafeto de Shun pelo rapaz russo.
- "Aquele escritor" tem nome, Shun. E não estou sendo enganado por Hyoga. Meu Deus, Shun! Você nem o conhece e fica falando essas coisas!
- Você também não o conhece, irmão... – disse Shun, com um tom de voz mais sombrio.
- Conheço mais que você. E chega dessa conversa. Eu amo o Hyoga, Shun. E vou continuar amando, queira você ou não.
- Ikki, eu sei que você não entende os meus motivos, mas por favor... é como seu irmão que eu peço... Dê apenas uma chance à Esmeralda! Eu sei que ela pode te fazer feliz...
- Shun, deixa a Esmeralda de fora disso. Aliás, essa foi a maior besteira que você fez! Não tinha que envolvê-la nessa história!
- Tinha, sim! Eu sei que ela é a pessoa certa para você! Ela te ama de verdade, jamais te machucaria! E você também gosta dela! Hoje vocês se divertiram tanto... É assim que deve ser, irmão!
- Olha, tenta colocar de uma vez por todas na sua cabeça que eu gosto da Esmeralda sim, mas como amiga, Shun! Assim como eu não a amei no passado, não a amo agora. Não force mais essa situação, tá bom?
Shun sentiu-se um pouco derrotado. Que droga, o irmão estava cego e ele sentia-se de mãos atadas! Já estava quase abrindo a boca para contar a verdade, mas se segurou. Apesar de tudo, não podia agir assim, impulsivamente. A verdade poderia ter um efeito devastador sobre Ikki e Shun não queria que isso acontecesse. Conformado com o fato de que não poderia fazer mais nada por ora, saiu do carro. A noite fria o fez abraçar seu próprio corpo assim que deixou o porsche do irmão. O vento frio brincava com os cabelos do rapaz. Olhou para Ikki, que com os olhos, mandava que ele fosse logo para seu carro. Shun obedeceu e assim que o fez, viu Ikki partir.
- Não se preocupe, irmão... – falou para si mesmo – Eu não vou deixar que ele machuque você.
No dia seguinte, Hyoga tentava cozinhar. "Maldita a hora em que eu tive a idéia de fazer esse almoço!" O escritor encontrava dificuldades em comandar as panelas sobre seu fogão ao mesmo tempo em que cortava algumas verduras, mas estava determinado a conseguir. Depois de muito pensar no dia anterior, terminara decidindo que contaria a Ikki sobre o trato que fizera com Shun. Não queria mais mentir. Porém, a fim de evitar que o executivo se sentisse enganado ou traído, Hyoga queria demonstrar, de todas as formas possíveis, o carinho que sentia por ele. Queria que ele entendesse que as coisas mudaram e que tudo o que eles tinham vivido até então era real; que seu afeto por ele era real. Cozinhar para Ikki era uma prova disso. Criaria todo um ambiente para tornar essa notícia o menos desagradável possível. Sabia que o moreno ficaria chateado de qualquer forma, mas estava disposto a aguentar sua revolta e fazer o possível para que ele não ficasse tão magoado. Até tinha decidido dar-lhe um presente: o mangá com a história de Crime e Castigo que, sabia ele, Ikki adoraria ganhar. Com tudo isso, esperava amenizar a situação. Quanto ao resto... procurava não pensar nisso. Já não sabia mais se iria mesmo se afastar de Ikki ou esconder dele sua doença. Achara melhor dar um passo de cada vez. E, por enquanto, o que precisava fazer era contar a verdade... Um passo de cada vez.
Escutou a campainha tocar. Será que já era Ikki? Se fosse, seria um problema, pois o almoço ainda não estava pronto. Pelo menos, o mangá já estava embrulhado e pronto para ser entregue. Estava em seu escritório, então poderia mandar o rapaz para lá e, enquanto ele estivesse se distraindo com o mangá, Hyoga poderia terminar de cozinhar.
Abriu a porta e deu um suspiro de alívio. Não era Ikki; e sim o senhor Hiroshi, o velho carteiro.
- Bom dia, senhor Alexei! – disse o velho senhor.
- Bom dia, senhor Hiroshi! – cumprimentou-o Hyoga – O que tem pra mim hoje?
- Ah, muitas cartas, como sempre... Muito trabalho ultimamente?
- O de sempre. – sorriu Hyoga.
O carteiro, por já ser um senhor de idade, demorava a retirar as cartas endereçadas a Alexei Verseau de sua pasta. Hyoga não se impacientava, e costumava esperar tranqüilamente até que ele terminasse sua tarefa. Porém, nesse dia ele estava um pouco mais ocupado que o habitual. Ia ajudar o velho carteiro a pegar as cartas quando sentiu um cheiro de queimado vindo da cozinha. Desesperou-se em imaginar que o almoço estava indo por água abaixo. Correu para lá e, da cozinha, gritou para que Hiroshi deixasse todas as correspondências que tivesse para ele sobre a mesa da sala. Hyoga tentava salvar o desastre em que o almoço estava se transformando.
O velho carteiro, por fim, conseguiu alcançar todas as cartas em nome de Alexei Verseau. Colocou então, sobre a mesa, todas elas e mais um embrulho com fita azul. Então, retirou-se, deixando a porta da casa encostada.
Pouco tempo depois, a porta se abriu novamente e por ela entrou Ikki que, sentindo o cheiro de queimado que vinha da cozinha, já imaginou o que estava acontecendo.
- Pato, cheguei! – gritou ele, enquanto retirava seu cachecol e o pendurava em um cabideiro perto da porta.
- Ikki? – Hyoga respondeu da cozinha – Já? Bom... é... olha, espera só um pouquinho que estou terminando de preparar o almoço!
Ikki riu. Percebeu, pela voz do escritor, que este estava tentando fazer de tudo para que o almoço saísse. Tinha pensado em fazer uma brincadeira, mas mudou de idéia. Hyoga estava mesmo se esforçando e Ikki não queria ser desagradável quando o outro se demonstrava tão esforçado em agradá-lo.
- Já que atrasei o almoço, eu vou deixar você abrir o presente que eu tenho para você. – falou da cozinha.
Ikki ouviu essa frase no mesmo instante em que percebia o embrulho sobre a mesa, que o carteiro Hiroshi acabara de deixar. Acreditando que aquele era o presente a que Hyoga se referia, tomou-o em suas mãos e começou a desembrulhá-lo. No mesmo instante, Hyoga saía da cozinha e, ao ver tal embrulho nas mãos de Ikki, ficou um pouco confuso por não saber de onde este havia surgido. Já ia falar que não era esse o seu presente quando, de dentro da caixinha, Ikki retirou um CD no qual leu os seguintes dizeres:
"Para alguém especial."
A letra era de Hyoga. O escritor então reconheceu o CD e ficou paralisado. "Como foi que isso veio parar aqui?" pensou ele. Não sabia o que dizer e foi salvo pelo celular de Ikki que começou a tocar.
- Alô. Shun? – o executivo fez uma expressão de enfado – Olha, nem adianta pedir que hoje eu não posso ajudar; tenho meus compromissos e... O quê? Como assim, ela está no hospital? Tá, tá bom. Já estou indo aí.
Ikki desligou o celular e olhou para Hyoga, que estava com o olhar perdido. Nem havia escutado a conversa que Ikki acabara de ter com seu irmão. O executivo então se aproximou do escritor, fez-lhe uma carícia no rosto e disse:
- Eu tenho que dar uma saída rápida... uma amiga minha sofreu um acidente e está no hospital. Não parece nada grave, mas preciso ir até lá agora.
- Hã? Ah, claro, sem problemas. – Hyoga, normalmente, não gostaria nem um pouco desse contratempo, mas agora se preocupava com o CD que estava nas mãos de Ikki. Precisava tirá-lo das mãos dele, mas como poderia fazê-lo sem despertar suspeitas?
- Bom, quando eu voltar, trago o almoço, porque acho que esse já virou história! – sorriu e beijou Hyoga nos lábios, antes de sair. Foi tão rápido que o rapaz russo não pôde fazer nada.
Assim que viu Ikki deixar sua casa, Hyoga pegou suas chaves e saiu também. Precisava ter uma conversa séria com Isaak.
- Muito bem... vamos ver o que esse Pato aprontou... – Ikki, enquanto ia dirigindo para o hospital, decidiu ver de que se tratava aquele CD. Colocou-o em seu CD player e viu que havia apenas uma música ali. Começou a ouvir e qual não foi sua surpresa ao reconhecer aquela voz... Era Hyoga? Cantando? "Ora, ora... Então ele realmente canta. Esse Pato é mesmo cheio de surpresas." Começou então a prestar atenção à letra da canção. À medida que ia ouvindo, um sorriso maior ia surgindo em seu rosto. "Não acredito... Ele escreveu isso pra mim..."
"When you feel all alone
And the world has turned it's back on you
Give me a moment please to tame your wild wild heart
I know you feel like the walls are closing in on you
It's hard to find relief and people can be so cold
When darkness is upon your door and
You feel like you can't take anymore
Let me be the one you call
If you jump I'll break your fall
Lift you up and fly away with you into the night
If you need to fall apart
I can mend a broken heart
If you need to crash then crash and burn
You're not alone
When you feel all alone
And a loyal friend is hard to find
You're caught in a one way street
With the monsters in your head
When hopes and dreams are far away and
You feel like you can't face the day
Let me be the one you call
If you jump I'll break your fall
Lift you up and fly away with you into the night
If you need to fall apart
I can mend a broken heart
If you need to crash then crash and burn
You're not alone
Because there has always been heartache and pain
And when it's over you'll breathe again
You'll breath again
When you feel all alone
And the world has turned its back on you
Give me a moment please
To tame your wild wild heart
Let me be the one you call
If you jump I'll break your fall
Lift you up and fly away with you into the night
If you need to fall apart
I can mend a broken heart
If you need to crash then crash and burn
You're not alone"
[tradução]
Quando você se sentir completamente sozinho
E o mundo tiver virado as costas para você
Me dê um momento, por favor, para domesticar seu coração selvagem
Eu sei que você se sente como se as paredes estivessem se fechando sobre você
É difícil encontrar alívio e as pessoas podem ser tão frias
Quando a escuridão estiver sobre a sua porta e você sentir que não aguenta mais
Deixe-me ser aquele que você chama
Se você saltar eu impedirei sua queda
Eu o levantarei e voarei com você pela noite
Se você precisar desmoronar
Eu posso remendar um coração partido
Se você precisar destruir, então destrua e queime
Você não está sozinho
Quando você se sentir totalmente sozinho
E um amigo leal for difícil de encontrar
Você se pega em uma rua sem saída
Com os monstros em sua cabeça
Quando as esperanças e os sonhos estão distantes
Você sente como se não pudesse encarar o dia
Deixe-me ser aquele que você chama
Se você saltar eu impedirei sua queda
Eu o levantarei e voarei com você pela noite
Se você precisar desmoronar
Eu posso remendar um coração partido
Se você precisar destruir, então destrua e queime
Você não está sozinho
Porque sempre houve coração partido e dor
E quando isso acabar você irá respirar novamente
Você irá respirar novamente
Quando você se sentir completamente sozinho
E o mundo tiver virado as costas para você
Me dê um momento, por favor, para domesticar seu coração selvagem
Deixe-me ser aquele que você chama
Se você saltar eu impedirei sua queda
Eu o levantarei e voarei com você pela noite
Se você precisar desmoronar
Eu posso remendar um coração partido
Se você precisar destruir, então destrua e queime
Você não está sozinho
No hospital, Ikki caminhava sem muita pressa em direção ao quarto em que se encontrava Esmeralda. Shun não havia sido muito claro ao telefone, mas parecia que a jovem tinha sofrido algum acidente e tivera de ser levada para lá. Ikki, porém, não conseguia ficar preocupado, primeiro porque o quer que tivesse acontecido, não parecia ser nada grave. Em segundo, porque o moreno não conseguia tirar aquela música de sua cabeça. Só conseguia ficar pensando em Hyoga e no que ele quisera dizer com aquela canção... E não conseguia parar de sorrir.
No quarto, encontrou a jovem com a sua perna engessada e Shun ao seu lado. De fato, não era nada sério:
- Oi, Ikki. – sorriu a moça ao vê-lo à porta – Olha só... Eu sou tão desastrada que consegui quebrar a perna.
- Não foi culpa sua, Esmeralda! – emendou Shun – Estávamos ensaiando para o concerto, ela subiu ao palco e descobrimos da pior forma possível que a madeira dele estava meio podre... – disse olhando para Ikki, que não aparentava prestar muita atenção ao que lhe diziam.
- Como se eu já não tivesse problemas suficientes, agora vou ter que dar um jeito de consertar esse palco... Comprar madeira... E o concerto já é amanhã! Céus! O que mais pode dar errado? – continuou falando o caçula, demonstrando estar estressado.
- Calma, Shun. – falou Esmeralda – Eu vim aqui para ajuda que vou fazer. Essa perna quebrada não me deixou impossibilitada por completo! Posso te ajudar com o palco!
- Imagine, Esmeralda! Você tem que descansar; até porque vou precisar de você para fechar o concerto amanhã. – e, olhando outra vez para o irmão, prosseguiu – Mas você bem que poderia me dar uma mãozinha, né irmão?
- Claro, claro... – Ikki respondia sem se dar conta do que ele falava. Ficava repassando a letra da música em sua mente e sorria sem perceber... "Deixe-me ser aquele que você chama"... "Eu o levantarei e voarei com você pela noite"... Hyoga o fazia sentir-se tão especial...
- Ótimo! – alegrou-se Shun – Menos um problema! E quanto à senhorita... o médico disse que não quer que fique muito tempo em pé. Você vai ter que tocar seu violino sentada.
- Ou eu posso tocar piano. Com o piano, ao menos, minha perna engessada não fica tão à mostra.
- Tudo bem, você é quem sabe; afinal você é a estrela da noite! – falou Shun – Só espero que amanhã dê tudo certo... – e suspirou.
Na antiga produtora, Hyoga logo encontrou o amigo. Não perdeu tempo com cumprimentos e foi direto ao assunto:
- Isaak, como é que aquele CD que eu te dei há 4 anos foi parar nas mãos do Ikki? – inquiriu, um tanto nervoso.
- Como? – o produtor respondeu, confuso – Eu... Eu não faço a menor idéia! Eu mandei o CD para sua casa, só isso!
- Como conseguiu meu endereço?
- Bem, depois de você me contar ontem que seu nome registrado é Alexei Verseau, ficou fácil.
- E... você escreveu alguma coisa, tinha alguma carta acompanhando o CD ou coisa do tipo?
- Não... Achei que o CD, por si só, já diria tudo. – disse Isaak, cabisbaixo.
Hyoga respirou aliviado. Ao menos, Ikki não iria descobrir a relação que tivera com Isaak dessa forma. Menos mal. Voltou os olhos para o amigo, que ainda não o encarava:
- Mas... por que você me mandou o CD de volta?
- Hyoga, se você tivesse chegado um pouco mais tarde, não me encontraria aqui. Estou voltando pra minha cidade. Já resolvi alguns negócios com o meu sócio e vi que estava mais que na hora de partir.
Hyoga apenas olhou para o amigo em resposta.
- Eu nunca vou me esquecer de você, Hyoga. E espero que também não se esqueça de mim...
- Claro que não, Isaak!
- ... de qualquer modo, eu quis me precaver e te mandei aquele CD que, pra mim, sempre foi uma boa lembrança da época em que ficamos juntos. Não sei, talvez eu esperasse que assim você tivesse algo concreto para se lembrar de mim. Besteira minha, eu sei.
- Não é besteira, Isaak. Vivemos muitas coisas boas juntas. E, realmente, o dia em que gravamos aquele CD foi muito divertido.
- Foi mais que divertido... foi especial. Você tinha escrito aquela letra maravilhosa para mim e vê-lo cantando foi... incrível.
- Exagero da sua parte. – disse Hyoga, um pouco enrubescido – Você sabe muito bem que meu negócio não é cantar. Só fiz aquilo porque você insistiu...
- ... e porque tinha um estúdio à nossa disposição. Tinha um lado positivo em namorar um produtor, no final das contas. – sorriu o rapaz de cabelos verdes.
- Havia muitos lados positivos, meu amigo.
- É... e eu consegui te ajudar com uma coisa, pelo menos. Eu sei que você gosta de cantar. Senão, não escreveria letras de músicas, não teria aquele piano velho...
- Eu nunca quis ser cantor, Isaak. – riu Hyoga – Mas eu gostei de gravar aquela música, sim.
- É... por isso te mandei o CD. Uma boa lembrança do nosso passado.
- Sim, só que esse CD foi parar na mão do Ikki. – lembrou-se Hyoga – Pelo visto, o carteiro deixou minhas correspondências sobre a mesa e Ikki pegou por engano. Não sei como vou explicar isso a ele.
- Olha, Hyoga... Tudo o que eu não queria era te atrapalhar. Vamos fazer assim: vou adiar minha viagem e só partirei depois que essa situação se resolver. Assim, se você quiser que eu explique algo para o Ikki entender melhor o seu lado, poderá me chamar.
- Obrigado, Isaak.
- Por nada. Estarei aqui para o que precisar.
Quando Ikki estacionou seu porsche em frente à casa do escritor, Hyoga soltou um suspiro de alívio. Tinha acabado de chegar e, por um instante, ficara preocupado em chegar depois do moreno. Felizmente, não foi o que aconteceu. Abriu a porta para Ikki, que saiu do carro com um imenso sorriso estampado em sua face. Ao chegar mais perto do jovem russo, agarrou e beijou-o apaixonadamente. Hyoga não esperava por isso e ficou surpreso. Ao se separarem, Ikki falou qual era o motivo de sua felicidade:
- Adorei o presente! Você é sempre assim, cheio de surpresas, Pato? – brincou ele.
- Ah... você já ouviu o CD? – perguntou Hyoga, tentando esconder sua preocupação.
- Claro! Estava curioso para ver o que era...
- Ah, sim.
- Eu não sabia que você cantava.
- E não canto. Quero dizer, aquilo ali foi mais uma brincadeira... – Hyoga tentava, de algum modo, minimizar a importância que Ikki dava àquele CD.
- Mas significou muito pra mim. – falou sério – Obrigado mesmo, Hyoga. Foi um presente especial.
O jovem russo percebia que Ikki havia realmente gostado daquela música. "Mas que diabo... tá ficando cada vez mais complicado... O que eu faço agora?" pensava o angustiado escritor.
- Como foi que você gravou essa música? – perguntou Ikki, que estava muito curioso para conhecer esse novo lado de Hyoga.
- Bem... lembra daquele meu amigo que encontramos no centro outro dia? Então... ele é um grande produtor musical...
- Ah... – Ikki não gostou muito da menção a Isaak. Decidiu mudar o assunto: – E desde quando você canta?
- Não sei ao certo... Sempre gostei de cantar porque isso parecia dar mais vida a alguns dos meus poemas. Às vezes, eu sentia que os versos que eu escrevia precisavam ter vazão não apenas por meio do papel, mas também pela minha voz. Era como se... – olhou pela sua janela e viu o céu estrelado lá fora - ... se eu pudesse transcender. Sempre que cantava, eu me sentia vivo, forte, como se eu pudesse voar e alcançar as estrelas! – parou de falar e olhou para Ikki – Mas você deve estar achando tudo isso uma bobagem...
- De forma alguma. – respondeu o moreno com seu olhar azul intenso – Entendo o que quer dizer. Eu também sinto que algumas palavras ganham mais força em uma música. Como nessa que você escreveu para mim...
Hyoga sentiu o chão sumir sob seus pés. "Céus, ele pensa que eu escrevi para ele?" De fato, a letra da canção encaixava-se perfeitamente à situação do executivo... mas tinha sido feita para Isaak. "Será que devo contar a ele?..."
- Hyoga, eu... – abaixou os olhos. Tomou fôlego. – Eu nunca pensei que um dia fosse me sentir assim. – voltou a olhar para o jovem russo – Por isso eu... Eu quero que você seja a pessoa a quem eu chame quando eu precisar. Eu quero poder... voar com você pela noite... Eu... não quero mais estar sozinho.
"Não. Não posso contar a ele."
- Que bom que... gostou, Ikki. – foi só o que teve forças para dizer.
Naquela noite, como Hyoga dissera estar um pouco cansado para saírem, resolveram ficar por ali mesmo, na casa do escritor. Assim, o programa daquela noite foi simples, mas incrivelmente agradável... Ikki fez uma deliciosa sopa de legumes que foi bastante apreciada por Hyoga; em seguida o escritor russo, com a cabeça no colo de Ikki, leu em voz alta para o moreno alguns trechos de suas obras preferidas enquanto o outro lhe fazia um cafuné; e, por fim, foram ao quintal de Hyoga, onde se deitaram em cadeiras reclináveis para apreciar a belíssima noite estrelada que fazia. Lado a lado, com as mãos dadas e o olhar fixo no céu, conversaram sobre tudo e sobre nada. Sentiam-se bem na companhia do outro conversando ou em silêncio. Entretanto, em nenhum momento Hyoga encontrara a oportunidade para falar tudo o que ensaiara no dia anterior. Como poderia ele falar sobre qualquer coisa que pudesse estragar aquele momento maravilhoso? Ele sabia que era preciso, mas... "só mais um pouco... só por mais essa noite, eu quero acreditar que a vida é perfeita..."
Quando começou a ficar mais frio, resolveram entrar. Ikki sentia bem mais frio que Hyoga:
- Nossa, minhas mãos estão geladas... – falou, enquanto soprava uma baforada de ar quente em suas mãos, posicionadas como uma concha.
Hyoga, em um gesto carinhoso, tomou as mãos do executivo nas suas e começou a esfregá-las gentilmente, buscando passar um pouco de seu calor a ele. Ikki, por sua vez, apertou-as e trouxe o escritor mais para perto. Passou uma de suas mãos pelos cabelos sedosos do jovem escritor, que continuava acariciando a outra mão de Ikki. O executivo mirava Hyoga fixamente, que finalmente levantou seus olhos para encontrar o olhar penetrante do moreno:
- Ikki... Eu... – começou a dizer Hyoga.
- Eu também te amo, Pato... – e envolveu o homem de cabelos dourados em um beijo apaixonado.
- Ah, Ikki... – sussurrou Hyoga, enquanto o moreno lhe beijava o pescoço e acariciava seus cabelos – Eu amo você... mas perco a razão por isso...
- É, eu tenho o poder de fazer isso... – com um sorriso sexy, Ikki começou a puxar Hyoga para o quarto – Vem... Eu quero te enlouquecer mais um pouco...
Quando Ikki finalmente dormira, rendido pelo cansaço, Hyoga tornou a vestir-se e caminhou até a porta de seu quarto, pé ante pé, para não acordar o homem que dormia angelicalmente em sua cama. Ao chegar à porta, olhou mais uma vez para aquele homem cujo físico forte contrastava com a aparência doce que ele apresentava ao dormir. Esboçou um sorriso. "Ele deve estar tendo um bom sonho".
Foi até seu escritório. Sentou à sua mesa e ficou diante de um papel em branco. Sentia que precisava escrever. Havia tanto para dizer a Ikki... Começou a redigir algumas palavras pela folha. De certa forma, ele desejava escrever uma canção que fosse realmente para Ikki. Logo a caneta começou a deslizar pelo papel com facilidade e os versos rapidamente preencheram todo o papel.
Continua...
N/A: A fic Doce Dezembro surgiu quando comecei a ouvir algumas músicas que foram me dando ideias as quais acabaram se transformando nessa história. Nesse ponto, eu tenho um pouco desse Hyoga escritor... acredito que algumas músicas têm uma letra tão representativa que precisava colocá-las na minha fic. Por isso, eu tinha que colocar essa música nesse capítulo.
Se alguém estiver interessado em saber, a música presente nessa fic chama-se "Crash and Burn", do Savage Garden.
Beijos!
LuaPrateada
