Capítulo 18
Dezembro de 1985
"Vai em frente, Sara.Abra".
Ela olhou para o pacote de presente em seu colo, depois voltou a olhar para a mulher que deu a ela. Havia excitação nos olhos de Cassandra, a sua mãe adotiva estava mesmo emocionada ao dar o presente para Sara.
Mais do que tudo, isso a confundiu.
Não era segredo que ela estava numa posição difícil. Catorze anos era muito velha para ser bonita e poucas famílias queriam lidar com a bagagem emocional que vinha com uma adolescente que tinha testemunhado o que ela tinha. Dentro de algumas semanas, as famílias se cansavam dela vindo com qualquer desculpa para se livrar dela.
Ela nunca sorria.
Parecia não ser possível dela se conectar com nós.
Ela tem pesadelos que acorda as crianças mais jovens.
Nós aos poucos achamos também… complicado.
Há pouco tempo que a mandaram para a casa nova. Ela tentou fazer o melhor em cada lugar... sete no total... mas toda vez que ela estava adaptando a nova casa numa nova vizinhança com uma nova escola, era mais difícil fingir que era normal.
Mas Cassandra nunca pediu para ela ser esperta ou meiga ou qualquer coisa. Ela deu as boas-vindas para Sara de braços abertos, dando-a um quarto só dela, comprou roupas novas e material para a escola e respeitou a privacidade dela. Ela era generosa sem ser sufocante. Amigável sem tratar Sara como uma criança.
Não era como as casa adotivas eram. Não eram como os pais adotivos eram. Sara continuou esperando para a sua assistente social aparecer e anunciar que ela estava se mudando. Tudo que ela trouxe ainda estava na mala. Nada de bom dura para sempre.
"Sara?" Cassandra olhou pra o seu marido, mas ele estava concentrado no jornal. Ele era bom. Ele não tentou pegá-la ao sair do banho como o ultimo pai adotivo. Algumas vezes Sara não tinha certeza se ele se importava dela viver ali ou não. E isto estava tudo bem para ela.
Sara tirou a fita vermelha e rasgou o papel. Ela encarou para a figura que estava estampada na caixa em frente a ela.
"É um walkman", Cassandra disse. "Toca fitas cassete".
Ela sabia o que era. Cada criança na sua escola tinha um. Eles exibiam para as outras crianças como se fossem diamantes. Algumas vezes Sara se encontrava olhando alguém escutar um, eles sempre pareciam estar no próprio mundo deles. Ela os invejava. Eles podiam bloquear todo mundo, mesmo que apenas durante a canção.
Mas agora… o escape estava ao alcance dela. Era provavelmente o melhor presente que ela recebeu. Mas Sara tinha medo de dizer alguma coisa, medo de até mesmo olhar para Cassandra. Porque quando você deixa as pessoas saberem o que realmente sente, elas podem usar contra você.
"Eu não tenho nenhuma fita cassete", ela finalmente disse.
"Bem, há ainda outros presentes embaixo da árvore com o seu nome neles", Cassandra disse gentilmente. "Você gostou?"
Sara se permitiu olhar rapidamente para o rosto de Cassandra. "Está ótimo. Obrigada".
Cassandra saiu do sofá e se ajoelhou perto de Sara. "Se você não gostou, nós podemos devolver e pegar alguma coisa que você quer".
"Não!" Ela mordeu o lábio."Eu digo… este está bom. Este é bom".
"Sara…" A mulher pegou na mão dela. "Eu sei que os feriados são difíceis. Você provavelmente sente falta da sua mãe... do seu irmão... do seu pai. Você tem todo o direito de sentir o que for que estar sentindo". Ela pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha de Sara. "Você sabe, eu não tinha ninguém para comprar presente desde que o meu filho morreu. Realmente... você fez o meu Natal ser especial só por estar aqui".
"Eu gostei do Walkman", Sara sussurrou. "Obrigada".
Cassandra beijou a testa dela. "Eu estou muito feliz. E você é muito bem-vinda".
Ela se afastou. Ela não pode ajudar. Cassandra parecia ter entendido. Mais tarde naquela noite, Sara adormecer ouvindoTears for Fears.
Bem-vido a sua vida… não havia volta.
Sara não ficou surpresa quando Catherine finalmente a pôs com Grissom. Ela estava só surpresa que a mulher foi capaz de deixá-los separados mais tempo que ela conseguiu. Seria muito esperar que a supervisora considerou a historia deles antes de designá-los. Ela gostava muito de se intrometer.
"Gil, Sara. 419 no deserto". Catherine entregou para Sara o papel. Percebendo o olhar que ela retornou e acrescentou. "Desculpe".
"Quem está no comando?" Grissom perguntou.
Olhando novamente e de frente para eles, Catherine levantou as mãos. "Eu vou deixar isso com você".
"Ótimo", Sara falou ríspida. "Mas eu vou dirigindo".
Warrick olhou para Greg. "Sorte minha que não vou estar naquele carro", ele murmurou. Greg concordou.
Vinte minutos depois, eles deixaram as luzes de Las Vegas para trás assim que entraram na escuridão do deserto. O silencio dentro do Denali estava esmagadora. Sara tirou uma mão do volante e ligou o rádio. Ela não teve tempo de mudar de estação porque Grissom tirou a mão dela e desligou.
"Você poderia ter dito que não gosta de ouvir música".
Grissom se ajeitou no banco para vê-la melhor. "Como você está?"
Estranhando, ela virou a cabeça de lado só o bastante para vê-lo. "Eu estou bem. Por quê?"
"Eu só estava perguntando". Ele parou de falar por um momento. "Você já fez um ultra-som?"
"Na próxima semana". Sara balançou a cabeça. "Por que você está falando tanto?"
Ele piscou os olhos. "A minha conversa está aborrecendo você?"
"Francamente, sim. Um pouco. Geralmente eu que precisava puxar conversa". Ela segurou firme no volante. "Isto deve ser uma evolução pós-Reese".
Grissom suspirou. "Podemos não falar sobre…"
"Oh. Eu entendi. Você quer falar, mas só sobre o que você quer falar e nada, além disso". Sara acenou com a cabeça. "Agora este é o Gil Grissom que eu conheço e..."
"E o quê?"
Em vez de responder, ela ligou o rádio de novo.
Eles chegaram à cena trinta longos minutos depois. O detetive Vartann estava esperando por eles. Ele falou sobre um pouco do que se sabia da vítima, Sara não pode deixar de sentir que Grissom estava a observando. Uma olhada rápida para ele confirmou.
Ela estava indo para uma longa noite se deixar isso continuar. Então quando Vartann se foi, Sara pegou o seu kit. "Eu vou começar pelo perímetro e trabalhar do meu jeito. Gris... você fica com o corpo".
Ela não tinha certeza se distribuindo as tarefas a fezela estar no comando, mas tudo que ela pode pensar era ficar longe dos olhos azuis. E se ela precisasse pegar os mais mundanos dos trabalhos a serem feitos para escapar, ela pegaria.
As suas primeiras voltas entorno da área de busca rendeu pouca mais de algumas pegadas, provavelmente da pessoa que encontrou o corpo.
Sara estava há 45 metros da principal fonte de luz, estava somente com a sua lanterna iluminando o caminho quando ela avistou algo nas rochas à frente. Mas quando ela foi para lá, ela tropeçou. E a próxima coisa que ela soube, era estar indo direto para o chão duro. Antes de se chocar ela se virou para proteger a barriga. O quadril bateu primeiro e o choque do impacto foi para o corpo todo.
Ela estava tão atordoada que foi difícil para chamar ajuda. Ela ficou de lado por um segundo, enquanto tomava fôlego. Lentamente, ela começou a se recuperar. Suas luvas tinham sido rasgadas e as mãos dela estavam machucadas e a sua calça jeans protegeu as pernas do mesmo destino.
Sara se amaldiçoou. Ela estava numa manhã horrível.
Uma hora depois, ela voltou mancando para o centro da cena com nada para mostrar além dos seus machucados. David tinha chegado e estava levando o corpo para o carro do necrotério.
Grissom olhou por cima de suas anotações. "David estimou que ele estava aqui há dez a doze horas". Ele parou quando percebeu que ela mancava. "Você está bem?"
"Eu estou ótima".
"Você está mancando".
Sara suspirou. "Eu pisei em falso. Torci o meu tornozelo. Nada de mais".
Ele colocou a sua prancheta no chão. "Deixa-me dar uma olhada nisso".
"Olha, dói mais eu ficar aqui falando sobre isso do que eu tivesse andando, então podemos só..."
Sara parou de falar por sentir uma dor penetrante em seu abdome. Inconscientemente, ela agarrou a primeira coisa que encontrou mais perto. E era o braço de Grissom.
"Querida?" Ele pegou a mão dela com a sua outra mão. "O que é isso?"
Ela balançou a cabeça, fechou os olhos com força contra a dor. Havia uma umidade quente no centro do corpo dela que ela pode sentir aos poucos molhando a sua calça. Quando ela abriu os olhos e olhou para baixo, tudo que ela viu foi vermelho.
Grissom olhou para baixo ao mesmo tempo. "O deus... David!" Ele pôs o seu braço em volta de Sara, sustentando ela antes que ela caísse. "Eu estou te segurando... estou te segurando, querida. David!"
O legista correu até eles. "O que aconteceu?"
"Ela está sangrando". As palavras dele eram frenéticas. "Ela está grávida".
David hesitou um pouco mais de um segundo antes o treinamento médico aparecer nele. "Sara, quando isso começou?"
"Foi agora". Os dentes dela se batiam com o medo. "Eu caí… lá. Eu pensei que eu estava bem".
"Há dor e sangramento?", ele perguntou. Ela concordou. "Certo, não vamos entrar em pânico, tudo bem?" Ele olhou para Grissom. "Pode ser qualquer coisa, não necessariamente um aborto".
Sara forçou uma respiração. "Não.. não, não pode ser… eu não posso perder esse bebê..." A dor estava praticamente no joelhos dela. "Deus... não, por favor!"
David pegou a mão dela. "Sara, eu preciso que você se acalme. Respire fundo. Nós vamos te levar para o hospital, tudo bem?" Ela concordou. "Certo. Grissom, vamos deitá-la no banco de trás do seu carro. Vamos levar ela direto para o hospital e eu levarei as evidencias junto com o corpo".
"Vamos, querida", Grissom disse. Mas Sara não parecia fazer o seu corpo funcionar. Ele não esperou. Gentilmente a levantou nos seus braços e a carregou até o Denali.
"Gil…" Ela agarrou o colarinho dele quando ele estava a ajudando a deitar no banco de trás. A última vez que ela o chamou assim, eles estavam na cama uma noite antes dele partir para a viagem fatal para Nova Orleans. "Isto não pode acontecer..."
As mãos dele cobriram o rosto dela. "Querida, você vai ficar bem. Você e o bebê. Eu prometo".
Lágrimas correram sobre o rosto dela. "Eu não posso perder ele, também. Eu só... não posso. Eu... não posso!"
Os lábios dele a tocaram suavemente. O beijo não foi nada mais do que confiança pura. "Eu não vou te decepcionar. Você confia em mim?"
Ela respirou fundo enquanto concordava. "Eu nunca quis parar".
Grisspom pegou uma manta que eles deixavam embaixo do banco da frente e a cobriu. "Nós precisamos manter você aquecida. E você precisa continuar a falar comigo. Entendeu?" Ele ficou passando a mão no rosto dela antes dele sair do carro e fechar a porta. Um momento depois, ele sentou no banco do motorista e engatou a macha.
Sara repousou ambas das mãos sobre o seu ventre e fechou os olhos quando a Denali passou por cima do chão rochoso.
"Sara", A voz de Grissom era firme e insistente. "Fale comigo, querida".
Ela passou a língua sobre os lábios secos. A umidade pegajosa debaixo da cintura dela ainda estava fresca e morna. Ela ainda estava sangrando. E a cada segundo, ela podia sentir a vida minúscula dentro dela se escapulindo para ir com o seu pai.
"Nick", ela sussurrou. "Nos ajude…"
TBC
