N/A: Gente, Feliz Ano Novo! Preciso comentar a review da Rapousa aqui, porque eu adoro as reviews dela e a primeira até me ajudou um pouco a compor melhor o final da fic...
Bom... Oliver passou as festas com a família e depois, sabendo do motivo da ausência de Marcus, não sabia muito bem o que fazer e as aulas ainda estavam correndo. Mesmo sem espaço definido, a escola deles é diferente da nossa e possui apenas um pequeno intervalo de "descanso" entre as festividades do Natal e do Ano Novo. Quando Pansy vai visitá-lo, as aulas já estão correndo. Ela cabula uma das aulas dela para vê-lo, aliás. Mas eu adoro as suas reviews, Raps.
Passadas estas explicações, boa leitura gente e aguardo review!
Burning Inside Out
- E o que ela te falou depois? – perguntou uma voz branda, porém cheia de vivacidade.
- Ah – Oliver titubeou. Estava em seu novo dormitório, onde somente Harry Potter, um garoto de cabelos escuros e olhos claros, ficava. Há duas semanas o goleiro se mudara para lá e, tendo sentido certa empatia e confiança no olhar de Harry, acabou por revelar sua história aos poucos, surpreendendo-se com a reação calma do outro – Que eu sou um ótimo aluno e, como o Marcus estava passando por tempos difíceis, que eu o perdoasse e deixasse por isso...
Harry riu jovial, chamando a atenção dos olhos de Oliver. Só em outro planeta é que um cara daria risada de uma situação como essa. Aquela escola era, sem dúvida, cheia de pessoas peculiares...
- O que foi? – perguntou o goleiro, confuso. Estavam os dois jogados no chão, sem preocupação com os deveres.
- É que a coisa toda é ridícula! Como se você quisesse fazer escarcéu – Harry cruzou os braços atrás da cabeça, encarando o teto – Mas olha, Oliver, se você precisar, pode trazer ele aqui...
Oliver sorriu. Quando fora transferido para lá, tudo o que ouviu foi que Harry Potter era um exemplo de aluno. Embora um tanto imprudente com alguns professores, ele tinha a tendência de conquistar a todos e se mostrar muito responsável. As orientadoras da escola asseguraram a Wood que ele estaria seguro ali, que Harry o ajudaria caso Marcus insistisse em ter algum envolvimento. Mal sabiam elas que o que Wood mais queria era que Marcus insistisse, que Harry não os controlasse, que nada daquilo estivesse acontecendo.
Foi um baque descobrir que Harry já desconfiava de tudo quando, numa de suas primeiras noites ali, ele virou:
- Então, o que houve? Ela pegou vocês no chuveiro? Ou se beijando, sei lá – disse Harry, lendo um livro qualquer, como quem não queria nada. Oliver achou ser uma armadilha: e se Harry estivesse verificando se seu companheiro não era gay também?
- De onde você tirou isso? – respondeu o goleiro, ressabiado. Tentava manter um tom de voz que não indicasse nada para o outro, que continuava a ler.
- Não precisa se preocupar, Oliver – Potter fechou o livro por um momento, encarando o garoto de cabelos castanhos. Seus olhos esmeralda mostravam um alicerce seguro, um abrigo para Wood – Você não tem nem que me falar nada mesmo. Essas inspetoras são umas babacas...
Por um instante, Oliver Wood pensou em seguir com a atitude desconfiada, com medo de pisar em falso e dar com a língua nos dentes, mas Harry não oferecia ameaça alguma. Pelo contrário: ele emanava uma aura confiante e segura, algo que o atraía de forma amigável para se abrir, para ser ele mesmo sem medo. Sentiu-se bem estando ali, mesmo sabendo que aquilo jamais substituiria a sensação de estar com Marcus. E foi assim que a amizade deles se firmou.
Enquanto isso, Marcus estava completamente só em seu quarto, que era mais uma solitária agora. Ele fora condenado à exclusão social, sendo colocado em posições afastadas dos colegas nas aulas e nas demais atividades. A direção tinha medo que ele pudesse ser a laranja podre no cesto, que pudesse trazer a homossexualidade para a escola como uma doença infecciosa, algo ridículo na visão dele. Mesmo assim, aquele espaço lhe fez certo bem: com o tempo ocioso, ele teve tempo de digerir a morte da mãe.
Ele sabia que não seria simples esquecer uma perda como aquela, mas ficava cada vez mais tolerável acordar e pensar que não a teria por ali, com ele. Ele começava a enxergar que talvez aquilo tivesse um propósito, que ele tinha de se provar digno de sua palavra. Era sua hora de provar se cumpria promessas ou não, e ele sentia, mais do que nunca, os grandes olhos da mãe observando-o, como duas nuvens carregadas, só esperando ele sair do coberto para anunciarem a chuva.
O moreno não tinha idéia de como faria com Pansy – de como se desprenderia de Oliver, seu vício. Era inviável falar da promessa para Oliver, já que isso o tornaria um coitado, alguém digno de pena – e ele não queria essa imagem para si. Além disso, era incorreto envolver Oliver naquela confusão. Seria muito mais fácil se continuassem juntos até o fim e então ele fizesse Oliver o odiar e abandonar, talvez esquecê-lo, quem sabe? Oliver era vivaz e chamativo, não teria problemas para encontrar outro par para si, alguém realmente ideal, que suprisse suas carências e expectativas sem dramas, sem mágoas, sem temperamento difícil. É, isso movia seus dias, e isso que o levou a ligar para Pansy várias vezes, garantindo que teria como cumprir com a palavra para a mãe.
"Vou me tornar um homem sério agora, mãe", ele pensava toda vez que colocava o telefone no gancho, "Você vai ver...".
Com o passar do tempo, Oliver acabou sucumbindo à idéia do outro, levando Marcus ali. Não se beijavam ou trocavam carícias enquanto Harry estava presente, mas aproveitavam cada segundo que podiam enquanto esse inventava desculpas para sair do quarto. Marcus desconfiava um tanto daquela atitude, mas não tinha muito porque sustentar sua paranóia: não conhecia ninguém que quisesse prejudicá-lo àquela altura.
Em uma dessas ocasiões, já no fim do semestre, Marcus acabou aparecendo no dormitório deles antes da hora, se deparando com Harry sozinho. Revoltado pelo fato de não ter sido chamado para tomar banho com Oliver, ele se sentou impaciente na cama de Oliver, batendo o pé como uma criança. Harry estava fazendo alguns deveres enquanto ouvia música, sem dar muita atenção direta a Marcus.
- Será que ele demora? – perguntou Flint, tentando puxar assunto. Tinha de descobrir qual eram as intenções daquele moleque que Oliver falava tão bem. Se fosse para Oliver o trocar, teria de ser por alguém digno.
- Não sei... Ele costuma tomar banhos rápidos – disse Harry, ajeitando os óculos no rosto – Você deve saber melhor que eu...
- Ah sim...
Silêncio. Mais alguns minutos e Marcus já ia abrir a boca para reclamar, mas Harry se virou e o encarou, sério:
- Você ainda fala com o Draco?
Marcus arregalou os olhos, surpreso. Como é que uma pessoa qualquer daquele colégio, como considerava que Harry era, podia conhecer Malfoy? Curvou-se para frente, curioso com aquela pergunta.
- Não. Não tenho motivo pra isso... – ele lançou um olhar pesado, penetrando a calmaria verdejante do outro com sua tempestade safira – Porque a pergunta?
- Ele me falou de você – Harry retribuiu o olhar por alguns segundos, desviando-o para a janela – E ele...
Marcus ficou numa expectativa muda pela continuação daquela frase, ansioso por seu desfecho. Não entendia muito bem o porque de uma conversa daquelas, mas não importava: sua necessidade de controlar a situação e saber o que estava por trás das coisas já o dominara. Esperou um pouco, encorajando com gestos e olhares para que Potter prosseguisse.
- Ele mudou, sabe? – Harry sorriu de canto – Eu o conheci quando criança, por conta do nosso condomínio – o sorriso se transformou numa risada saudosista – A gente se odiava, acredita? Acho que nossos pais nunca se deram bem e passaram a rixa para os nossos ombros...
- Ele sempre foi um babaca – cortou Marcus, um semblante cansado – Não se sinta culpado por odiá-lo...
- Não, Marcus – Harry se ergueu, olhando inocente para o outro – Ele mudou. Desde você, ele mudou muito – um brilho maroto apareceu em seus olhos – Ou você acha que eu não fiquei sabendo do que realmente aconteceu entre vocês?
Flint estacou, pasmo. Um estranho constrangimento se apoderara dele, trazendo uma quentura para suas bochechas que há muito ele não sentia. Além disso, instintivamente afastou o corpo para trás, demonstrando também surpresa. Eram tantas as dúvidas que rondavam a sua cabeça, mas a mais urgente saiu sem pestanejar:
- Desde quando?
- Ah – Harry coçou a nuca, franzindo o cenho – Não lembro. Mas foi logo depois que entrei aqui... Por quê?
Com o olhar azul ávido, Marcus vagou por cada canto do quarto que Oliver estava agora, pensando em como alguém aceita tão bem aquela condição, em como Harry era diferente, em como ele era... Gay. Sim, Harry Potter só podia ser gay! E isso significava que era uma ameaça? Marcus queria que Oliver o abandonasse por alguém descente, mas, assim, sem mais nem menos? Era tudo tão repentino que o ciúmes do moreno foi mais forte:
- Você não fez nada com o Oliver, fez? – Marcus se levantou brusco, os punhos cerrados. Os cabelos rebeldes no rosto lhe davam um ar mais feroz – Diz pra mim...
- Relaxa, cara – Harry sorriu, sustentando um olhar firme para Marcus – Você é que devia cuidar dele. Você sabe que ele te ama...
Marcus pressionou os olhos com força, algo estranho sufocando seus sentidos. Ele queria Oliver ali, mas, quando o encarasse, o que diria? Sua voz não saía mais. Era impossível dizer qualquer palavra para manter o goleiro consigo, pois a sua promessa sempre lacraria sua vontade. Para sempre e sempre, ele seria forçado a engolir aquilo, a carregar aquele fardo até que conseguisse arranjar um meio de se desprender dele. Precisava superar aquilo tudo.
- Diz pra ele que eu passei por aqui, mas lembrei de uns deveres e tive de voltar pro meu quarto...
Harry parou, confuso.
- Tá bom... – o garoto de olhos verdes usava uma armação de óculos um tanto antiquada, que o forçava a ajeitá-la toda hora no nariz, e era o que estava a fazer – Ow, Marcus...
O jovem chamado estacou, a poucos passos da porta. Não chegou a se virar por completo, mas inclinou a cabeça de forma a dar a entender que estava ouvindo.
- Você deve saber que tem mais gente apoiando vocês...
- Como assim? – o moreno se espantou, mantendo a posição para esconder sua reação.
- Cara – Harry riu – Você acha mesmo que os Weasley queriam algo com o Oliver? – Harry se levantou, chegando bem perto das costas de Marcus – Eles sacaram de primeira a de vocês. Mesmo parecendo uns panacas, eles podem ser bem prestativos, só que do jeito deles – o garoto sorriu, dando um tapa nas costas de Flint - Era só isso mesmo.
Marcus abriu a porta e saiu, sem dizer mais nada. Sentiu-se como uma criança que descobre que o Papai Noel não existe, fadado a encarar os fatos como eles eram: os Weasley o ajudaram então? Deram um impulso em seu ciúme para que ele tomasse uma atitude, era isso? O tempo todo ele os odiou e, no fim das contas, tudo o que os gêmeos fizeram foi apoiá-lo. Mas ele não queria pensar naquilo – não com tantas coisas jorrando em sua mente.
Naquela noite, ele gritou. Gritou de dor, de arrependimento, de terror, de frustração, de decepção. Ele gritou dentro de si, enquanto contava as horas para o novo dia que se seguiria – a insônia não o deixaria dormir.
Estava se deixando levar pela própria loucura, sendo engolido por chamas de seu próprio veneno: a vida. No fim de tudo, ele já sabia o que fazer.
Alguns minutos depois de Marcus sair, Oliver chegou, todo vaporoso. Estava ansioso para receber o moreno, e a decepção foi grande ao ouvir o recado de Harry.
- Como assim? – Oliver revirou os olhos, incrédulo – Ele nunca deu bolas pros deveres!
- É, mas acho que é hora de começar a fazer isso, né? – Harry encarava a janela, pensativo. Falava sem convicção nas próprias palavras – O semestre tá pra acabar, cara...
- Ah, que seja...
Silêncio. Os dois separaram seus pijamas e começaram a se arrumar para dormir, cada um em seu mundo de idéias. Oliver sentia que havia algo estranho naquilo tudo, principalmente no jeito como Harry falara a justificativa do outro. Havia uma engrenagem muito maior girando sua vida, algo muito mais forte que ele sentia que ia esmagá-lo – sem a menor chance de escapatória.
- Oliver...
- O quê? – perguntou Wood, deitado em sua cama. Era estranhamente desconfortável deitar numa cama daquele jeito, sozinho, mesmo depois de semanas ali. Ele podia imaginar o calor de Marcus o envolvendo, mas nem suas melhores memórias poderiam substituir plenamente a presença do outro ali, acolhendo-o com sua quentura usual, seu corpo como uma muralha para ele.
- O que você achou do Draco?
O tom de voz de Potter era ingênuo demais para ser autêntico, fazendo com que Wood arqueasse as sobrancelhas, ressabiado. Além disso, o que ele teria a dizer sobre Draco? Mal o conhecia...
- Ah cara – começou, incerto – Sei lá... O Marcus deve saber bem mais dele do que eu.
- É, imaginei que você me falaria algo assim – Harry fechou os olhos – Boa noite, Oliver.
Estranho. Oliver desejou uma boa noite de volta, mas demorou-se um pouco em pensamentos. De onde Harry teve a idéia de que Oliver poderia dizer alguma coisa? Quer dizer, Oliver só falou uma vez com Draco, no dia do baile, e foi uma conversa insignificante. Muito estranho... Oliver se revirou um pouco antes de dormir, já que nenhuma hipótese plausível para a pergunta de Harry apareceu.
A noite caiu calma naquela escola, e enquanto Oliver dormia, Marcus desesperava.
No dia seguinte, Marcus estava completamente alienado. Vagava pelos corredores da escola de forma arrastada, forçando seu corpo a aceitar o fato de que a rotina continuava. Ele sentia a gravidade em todo o seu corpo, como se uma camada de ferro fundido tivesse sido despejada em suas costas e o impossibilitasse de ser ágil como sempre fora. Suas olheiras denunciavam parcialmente sua crise, sendo interpretadas pelos outros como desleixo, mas ele nem se prestou a reparar na forma como o encaravam. Dentre todos aqueles rostos, Oliver não aparecia em nenhum deles. Novamente, o pânico de encontrá-lo o acometeu, tornando impossível dizer se seria bom ou ruim encontrá-lo, e ele queria desaparecer.
As aulas correram como num passe de mágica, e tudo o que ele conseguiu absorver foi o fato de terem provas na semana seguinte. Como sempre, o moreno se encontrava isolado do resto da turma, forçado a se virar por conta. A sala se voltara contra ele no momento que perceberam a forma hostil com que os professores lidaram com ele, as indiretas ácidas da diretoria quando vinha dar recados e até o jeito como este não fazia questão alguma de se contrapor a isso. Simplesmente optaram por tratá-lo como um delinqüente, sem nem saber o que aconteceu de fato. Alguns ali já haviam estudado com ele, mas nem se prestaram a trocar palavras, temendo a represália dos demais.
Era um inferno e ele se sentiu como um pássaro liberto quando finalmente pôs os pés para fora daquela cela que era sua sala. Antes de começar a voar para longe dali, ele precisava fazer um único telefonema. Tinha decidido na noite anterior o que faria, e se mudasse seus planos de rumo, não seria capaz de tomar a mesma decisão denovo.
Feito isso, Marcus correu para fora, deitando-se de forma displicente nos gramados da escola. Flint ficava revendo a cena do beijo, se perguntando se aquele era o resultado que ele queria. Na hora, pareceu o melhor, o mais adequado, porém... Era tão confuso! Ele nunca foi maduro, mas Oliver lhe servia de apoio, como uma voz dentro de si que o lembrava todos os dias de como ele era capaz de evoluir. Agora, ele era forçado a abdicar de sua maturidade, da única pessoa que segurava seus pilares de desmoronarem completamente. Ele tinha que crescer sozinho, e isso doía muito.
- Marcus – uma voz gentil veio acariciar seus ouvidos – Marcus, fala comigo...
O moreno abriu os olhos, mesmo sem se lembrar de quando os havia fechado. Piscou algumas vezes, a luz do dia atrapalhando sua vista. Não demorou muito, reconheceu ele ali, como sempre aparecia.
- Oliver...
Oliver Wood estava sentado, apoiando-se em ambos os braços para posicionar seu rosto acima do de Marcus sem desequilibrar. Carregava um ar angustiado: queria ajudar, queria entender, queria absorver tudo sobre Marcus.
- Fala comigo, Marcus, por favor. Me fala o que tá acontecendo...
Marcus se ergueu bruscamente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Ficou encarando as folhas das árvores se agitarem, tal qual seu interior. Ele era o eterno inquieto, sempre correndo, sempre lutando, sempre fazendo algo para sobreviver.
Oliver tocou suas costas com cautela, temendo espantar Marcus ou até que algum funcionário do colégio passasse ali, embora achasse difícil – não estavam tão perto assim da recepção da escola, muito menos das guaritas do portão principal. Foi se aproximando gentilmente, um sorriso melancólico estampado na face. Uma enxurrada de palavras vinha e sumia em sua mente, mas nada parecia o certo a se falar, e um silêncio reflexivo baixou entre eles. Depois de um tempo mordendo os lábios, abrindo e fechandoa boca sem parar, ele finalmente soltou a voz:
- Porque isso? – ele não era capaz de esconder o medo e a angústia que sentia naquele momento, as rugas na testa indicando que não tinha certeza se queria ouvir a resposta – Por favor, eu preciso-
- Eu vou me casar.
Oliver Wood arregalou os olhos. Era impossível descrever o número de emoções que tomaram conta dele, tal foi sua surpresa. Talvez o pânico fosse a maior delas: a sensação de perder o chão, de estar desmoronando. Então era assim que Marcus se sentira a vida toda? O desespero era sem fim, e ele mal conseguiu se recompor antes de falar, o fio de esperança que tinha em si tentando se desvencilhar da lâmina que era a situação:
- Você está brincando, não está? – ele riu, afetado.
Marcus se levantou, espanando as folhas de grama de sua roupa. O céu, sua promessa e os indícios de que o verão estava para chegar eram o que o levava a continuar com aquilo. Ele queria muito falar que era brincadeira, que não telefonou para Pansy a pedindo em casamento, que ela não aceitou, que sua mãe o amava do jeito que era. Talvez fosse muito mimado por querer tanto além do que tinha, por nunca se preocupar com o que precisava, mas com o que cobiçava acima de tudo. Sim, talvez aquilo tudo fosse uma vingança maior, uma lição moral de que ele não sabia administrar seus bens, que só via o lado ruim. Só podia ser isso...
- Eu... Oliver, eu vou me casar com Pansy Parkinson.
" PAF!", fez o som do tapa que Wood deu na cara do moreno. Ele estava furioso com aquilo.
Marcus o traiu. O goleiro sempre fora fiel ao sentimento que tivera, abdicou das mulheres, se conformou com a loucura que era ser homossexual num mundo como o deles e até tinha planos para o futuro. Sim, grande parte do futuro dele estava em Marcus Flint, e a lacuna que sua falta traria seria simplesmente insuportável.
- Seu cretino – por mais que seus olhos estivessem úmidos, o goleiro se recusava a chorar. Marcus não merecia suas lágrimas – Eu te...
Sem conseguir continuar, ele saiu correndo dali, sem olhar para trás. O tempo todo, Marcus permaneceu com o rosto virado, tal qual o tapa o deixou. Ele merecia esse castigo, merecia todos os castigos que existiam no mundo por machucar quem mais amava. Era um peso que ele tinha de agüentar sozinho, e ninguém no mundo parecia enxergar o tanto de coisas que ele tinha nas costas.
A cada dia que passava, seu fardo só ficava maior.
Obs: Raps, não me bate... Espero postar mais amanhã, gente.
