Adaptação da obra literária "Se nada der certo, casa comigo?", de Karina Halle.
CAPÍTULO DEZOITO
ISABELLA
Sabe como um karaokê de bêbados pode ser o som mais chato do mundo? Bom, um karaokê de bêbados com músicas de Natal é ainda pior. A única coisa boa é quando alguém substitui as palavras "bate o sino" por "bate o pinto". Isto é de fato o que Jacob está cantando agora, de pé, justo no balcão do seu bar, berrando a mais estranha interpretação de "Bate o sino" que já ouvi. Pelo menos ele está mais divertido do que a maioria das pessoas esta noite.
É a festa de Natal dos funcionários de The Burgundy Lion, e estamos todos ali reunidos para beber ponche barato e eggnog forte e ter nossos ouvidos estourados pela autoestima inflada de cada um. É como ter um assento na primeira fila das audições do American idol. Não, espere aí, é pior.
Sei que não consigo cantar, então faço um favor para o mundo e fico no meu reservado. Edward, é claro, sabe cantar, e está acostumado a ocupar o palco do Lion há um bom tempo. É o único que se apresentou decentemente esta noite. Digo decentemente porque está bêbado e tentou cantar o "Battle of Evermore", do Led Zeppelin. Qualquer um que tenha uma mínima noção de música ou mesmo de como os ouvidos funcionam sabe que não se tenta cantar como Robert Plant quando se está de porre.
Falta uma semana para o Natal, e esta noite é a primeira vez que Edward e eu saímos em público juntos, entre amigos. Ainda que estejamos em público, porém, não estamos como um casal. Estou sentada em um lado do reservado, com Leah e Rosalie, enquanto Linden está sentado com Dan. Todos nós estamos tentando não olhar para Jacob, mas é como um acidente de carro, que parece que atrai a gente.
Inclino-me para Leah:
– Você deveria estar orgulhosa.
Ela concorda com a cabeça:
– Ah, é, muito.
Ela anda um pouco diferente nos últimos tempos. É verdade que a vi poucas vezes e nunca conversamos sobre assuntos profundos, então não estou a par do que acontece na vida dela. Mas anda calada, quase lenta. Proponho-me mentalmente a perguntar para ela mais tarde, em particular, como ela está de verdade.
– E aí? Como vai você e o Ireland? – ela pergunta. – Ireland Brownglass, certo?
Edward dá um chute na minha perna por debaixo da mesa e luto contra a vontade de olhá-lo. Agora me lembro de que ele me mandou uma mensagem de texto sobre o assunto na semana passada, mas quando o encontrei caímos na cama e não falamos disso.
– Ireland... Bem. Estamos bem – confirmo com a cabeça. – Estamos ótimos.
– E você conheceu ele no Castro?
– Ai! – Rose grita ao meu lado. – Quem acabou de me chutar? Foi você, babaca?
Vejo-a apontar um dedo acusador para Edward. Ele levanta as mãos, os olhos escancarados. É engraçado como a metade do tempo ele tem medo de Rosalie. Acho que se sente mesmo mal de ter sido sacana com ela.
– Hã... – Tiro os olhos dele e os volto para Leah. – É, no Castro.
– E ele não é gay?
– Ah! – Finjo pensar a respeito. – É, talvez seja. Não sei. A gente terminou.
Ela solta um som de lamento:
– Ah, sinto muito. – Pausa. – Você não disse que estavam ótimos?
– Quis dizer que eu estava ótima. Terminamos numa boa.
– Ah, mesmo assim, sinto muito.
– É – digo, olhando para a minha cerveja. – Provavelmente ele era gay.
– Que diabos vocês estão conversando? – Rosalie cochicha no meu ouvido, mas a ignoro.
– Então tá! – Levanto. – Vou pegar uma rodada de bebidas. Quem quer uma?
– Eu! – Edward praticamente dispara do reservado.
Ele vai ao meu lado até o bar, e fico muito consciente da distância entre nós.
Agora, parece muito esquisito estar com ele e não ter sua mão enorme na minha lombar ou seu braço em volta dos meus ombros. Ele é tão aberto comigo que parece terrivelmente errado não senti-lo de jeito nenhum.
– Essa foi por pouco – ele diz discreto enquanto vamos até o bar.
Jake acabou de descer do balcão e está se servindo de ponche na outra ponta, então uma das bartenders em serviço serve uma dose de Jameson para cada um de nós.
– Faça mais duas – Edward pede.
– Você já está bêbado – digo a ele.
– Onde está seu espírito festivo, baby? – ele diz, inclinando-se para mim. Seus lábios se aninham logo abaixo da minha orelha. – Eu te mostro o meu, se você me mostrar o seu.
– Aqui não – sussurro baixinho.
Sorrio para Caroline, a bartender que está nos servindo as doses. Ela me faz uma expressão esquisita, mas mantenho meu sorriso afivelado, como se isso fosse apenas uma coisa que os amigos fazem, cochichar coisas íntimas nos ouvidos um do outro. E agora ele mordisca o lóbulo da minha orelha. Meu corpo relaxa imediatamente, querendo mais, enquanto minha mente me lembra de que não estamos seguros e que isto não é adequado.
– Edward – previno.
Ele para de mordiscar, mas não se afasta.
– Já te disse a porra de tesão que você está hoje à noite? – Seu hálito quente me provoca.
– Não, mas vá em frente.
– Seu vestido é incrível. – Ele tem razão quanto a isso. É um tomara que caia de cetim vermelho até os joelhos, com um corpete que me espreme e faz meus seios parecerem enormes. – Você parece uma princesa Disney.
– Uma princesa Disney?
– É – ele sussurra numa voz rouca. – Uma dessas princesas que parecem capazes de te dar uma chupada se você fizer a coisa certa, mas que, no fim, provavelmente não vão te chupar.
– Não faço ideia do que isso quer dizer – rio.
– Posso te mostrar.
– Aqui está – Caroline diz em voz alta, de modo que nós nos separamos, e ela empurra as quatro doses.
– Caroline, você é sempre muito querida – Edward levanta sua bebida para ela.
– Vamos lá, Bella, vamos brindar à Caroline.
– À Caroline – dizemos em uníssono.
Ela apenas sacode a cabeça e se afasta, enquanto engolimos as doses. Queima, mas em segundos o calor se torna agradável. Lembra-me muito o calor entre as minhas pernas. Uma menção a uma chupada, mesmo da maneira bêbada, esquisita e indireta que Edward acabou de fazer, e já estou imaginando seu pau duro entre as minhas mãos, o gosto salgado de sua ponta quando a lambo.
– Mais uma – Edward diz, pondo a outra dose na minha mão. Viramos essas doses ainda mais rápido. Então, ele sai da cadeira abaixando a voz. – Encontre-me no banheiro feminino em um minuto.
Atravessa o bar em direção aos fundos. Adoro vê-lo caminhar; seu andar confiante, a visão dos seus músculos em movimento sob as roupas, a ampla largura dos seus ombros, a maneira como seu corpo se afunila num V perfeito, aquelas depressões na lombar que adoro agradar e lamber. É claro que ninguém pode ver isso, já que ele está de camisa, mas sempre sei que estão lá.
Depois que ele desaparece no fundo, levanto-me e bem devagar, como se não fosse nada, olho em torno do bar. As pessoas estão rindo, alguém canta "Santa Baby" num tom doce horroroso, um copo se quebra em algum lugar lá atrás. À mesa, Rosalie e Dan conversam sobre algum assunto e, próximo à porta de entrada, Jacob e Leah estão tendo uma discussão. Parece bem acalorada, o que significa que não estão prestando atenção em nós, mas isso também me faz pensar se é esse o problema de Leah.
Sinto-me tomada pela culpa por causa disso. Se estivesse mais em contato, como antes, provavelmente saberia o que está acontecendo. Mas não tenho estado. As coisas não mudaram apenas entre mim e Edward, elas mudaram entre todo mundo.
Sacudo a cabeça, afastando a depressão. Pelo que sei, Leah e Jake estão bem. E Edward e eu? Estamos mais do que bem.
Vou até os banheiros da maneira mais normal possível e dou uma rápida batida na porta das mulheres.
– Oi – digo com ternura.
– Quem é? – pergunta Edward numa voz aguda. É assustadoramente semelhante a sua interpretação de Robert Plant.
– Uma princesa Disney – respondo.
Espero um pouco, sentindo a expectativa crescer, e a porta é destrancada. Entro depressa e vejo Edward do outro lado, me olhando com um sorriso torto. O banheiro tem duas divisórias, uma delas para deficientes, mas por sorte podemos trancar a área por inteiro. Mal tenho a chance de trancar a porta antes de ser pressionada para trás pela força absoluta de Edward.
Meu corpo funciona por puro instinto. Deseja-o tanto quanto o meu coração, a minha mente e a minha alma. Conforme ele se aperta contra mim, respirando com esforço e me beijando, descontrolado e úmido, passo meus braços ao redor dos seus ombros e me delicio com as elevações dos músculos das suas costas, trazendo-o para mim.
Uma de suas mãos está perdida no meu cabelo, puxando-o com golpes curtos, enquanto a outra levanta a saia do meu vestido. Assim que ele descobre que não estou de calcinha, solta um gemido profundo que sinto vibrar por mim e me explora com os dedos.
– Tão molhada – murmura. – Ensopada pra mim. – Enfia três dos seus dedos longos e largos dentro de mim, e me fecho em torno deles. – Tão faminta, também!
– Cale a boca e me foda já – sussurro ao seu ouvido.
Ele ri, uma risada baixa e cheia, puxando meu cabelo para trás, ao mesmo tempo em que mergulha os lábios e os dentes na parte frontal exposta do meu pescoço:
– Não tem paciência.
– Não aqui, não agora, não com você – digo.
– Fiz de você um animal.
– Então, deveria agir como um.
Ele para e me lança um olhar mais insidioso:
– É mesmo?
Como o seu pau, seu sotaque se encorpa quando ele está excitado e vibra pelas minhas costas. Fecho-me em torno dele de novo, querendo que vá mais fundo, mas ele retira os dedos e abre o cinto. Ouço a descida rápida do zíper da sua braguilha. Ele passa o braço ao meu redor e me gira de modo que fico de frente para a divisória do banheiro. Abre a porta com um chute e depois me empurra para dentro até que minhas mãos estejam apoiadas na parede fria de azulejos.
– Abra bem as pernas – ordena, e, antes que eu possa fazer isso, seu corpo está se metendo no meio delas. – Mais abertas – rosna.
Abro o máximo que posso sem que meus saltos escorreguem e tento controlar a posição. Não sou daquelas que se intimida com sujeiras nas situações sexuais, porém, tenho que dizer que estou feliz que o banheiro esteja impecável esta noite. Não tenho certeza de que o banheiro masculino estaria a mesma coisa, mas, ainda assim, há uma excitação em querer tanto uma coisa que você não se incomoda com o lugar onde a consegue.
Esta é uma dessas situações.
Edward levanta a minha saia e mete a mão no meio das minhas pernas. Ele então se prepara para a minha abertura e espera alguns segundos. Posso sentir o calor que se desprende dele, seu tamanho e imensidão às minhas costas, a maneira como seus olhos ardem em mim. Sei que está olhando a minha bunda e seu pau. Antes que possa incitá-lo a fazê-lo, ele mete com uma grande e poderosa estocada.
Meus dedos se curvam nos azulejos, os cotovelos e joelhos travados para me manter no lugar. Não consigo impedir o grito que sai da minha boca, e depois o suave "ah" enquanto ele tira devagar e agonizante.
Este homem é maior do que a vida.
Ele é a minha vida.
É o meu Edward.
E está me estocando por trás no banheiro feminino.
Com uma mão agarrada no alto da divisória do banheiro e a outra me firmando pela cintura, entra com golpes quentes e profundos, que todas as vezes atingem o lugar certo.
– Que delícia, caralho – ele sibila, inalando intensamente. – Baby, vou gozar, vou gozar.
Antes que eu até mesmo tenha a chance de tentar alcançá-lo, ele solta a minha cintura e escorrega um dedo sobre o meu clitóris, dando-lhe duas batidinhas, e é só isto que é preciso para que eu exploda como uma bomba. Explodo ostensivamente, até sentir que não restou nada, e ele explode dentro de mim. Posso senti-lo, quente e potente, enquanto pulso junto com ele, e então seu braço está sob a minha barriga, me levantando, enquanto minhas pernas começam a bambear.
Quase caio na privada. Isso teria sido difícil de explicar.
– Foi incrível – sussurro, tentando recuperar o fôlego, trazer minha cabeça de volta da flutuação com as estrelas.
Ele beija as costas dos meus ombros nus.
– Agora, quem está sendo brega?
Viro-me e lhe dou um sorriso melado. Ele está com aquele olhar que amo: sonolento, feliz e satisfeito. Amo porque sou a única que provoca isso nele, a única que consegue receber tal delicadeza deste urso feito homem. Ele se inclina e arranca alguns pedaços do rolo de papel higiênico, passando-os depois no interior das minhas coxas, muito de leve e com ternura.
– As pessoas vão desconfiar se você estiver com sêmen nas pernas – explica com um sorriso antes de jogar o papel no vaso. – Pessoalmente, amo esta visão em você.
Saímos da divisória e nos arrumamos em frente ao espelho. Estou prestes a destrancar a porta para sair antes quando batem nela. Fico paralisada. Talvez, se não disser nada, elas acabem indo embora. Olho para Edward e levo um dedo à boca.
A pessoa bate de novo e diz:
– Oi? Bella?
É Rosalie.
Merda. Bom, acho que poderia ser pior.
Faço sinal para Edward entrar na outra divisória e, depois que ele se fecha lá, destranco a porta e abro uma fresta.
– Oi – digo animada. – O que foi?
– O que você está fazendo aí dentro? Estava te procurando.
– Ah, tive problemas de estômago.
– E aí você trancou o banheiro todo?
– Problemas pesados de estômago.
Ela faz uma careta e depois olha por cima do ombro.
– Quem está aí? – pergunta, empurrando a porta e entrando no banheiro. – Edward? – pergunta, vendo os sapatos dele. Hoje em dia, não há muitos caras usando coturnos.
– Não, é algum cara aí – retruco.
– Quem, Ireland Brownnoser? – diz, e empurra a porta da divisória. – Eu sabia! – exclama.
Edward sai do banheiro, bem menos constrangido do que eu esperaria.
– Shhh! – peço silêncio a ela e tranco a porta do banheiro. – Não faça estardalhaço. Ninguém sabe.
– À merda que ninguém saiba – ela diz, estreitando os olhos para Edward. – Puxa, Isabella, como você pôde com este babaca?
– Ei, você transou com este babaca – Edward observa.
– Edward, cale a boca – digo a ele. Viro-me para Rosalie com ar de súplica. – Por favor, não diga a ninguém. Só estamos tentando entender esta merda e não queremos que as pessoas saibam.
Ela cruza os braços e bate o pé, fazendo ecoar a ponta do sapato pelo banheiro.
– Huuuummm. E por quanto tempo vocês iam ficar nessa?
Olho para Edward e dou de ombros:
– Pra sempre?
Rose solta um suspiro exasperado.
– Eu sabia. Sabia que tinha alguma coisa acontecendo.
– Bom, se Deus quiser, ninguém mais vai saber.
– Ah, é. Dá pra vocês esconderem esta merda eternamente. Vocês deviam ir lá pro meio do salão e contar pra todo mundo. Acabar com isso logo.
Sacudo a cabeça:
– Não. Só porque dois amigos estão trepando um com o outro, não significa que o mundo todo precisa saber.
Ela me lança um olhar cáustico:
– Na verdade, acho que seus amigos íntimos merecem saber disso. – Depois, vira-se e vai para a porta, me dando uma olhada por cima do ombro: – E, se acha que vocês continuam apenas amigos, é bom pensar melhor.
Então, ela sai. A tensão permanece conosco no banheiro.
Olho para Edward com uma expressão contrita:
– Desculpe. Ela é prepotente.
Ele concorda:
– Eu sei. Bom, espero que não dê com a língua nos dentes.
– Não vai.
Entretanto, começo a me perguntar por quanto tempo podemos manter a farsa. Alguma coisa vai acabar vazando. Não dá para continuar mentindo. Se o problema for Jacob, bom, então, a esta altura, o problema é dele, não nosso. Só que esta noite não é o momento de falar nisso. Esta noite é para se divertir.
Depois do réveillon, a gente põe às claras. Vamos nos sentar com Jake e explicar a ele que... Bom, vamos tentar definir o que somos. E então, se Deus quiser, ele vai entender. No começo pode lhe parecer esquisito, mas com o tempo acho que ele vai perceber que nada mudou entre nós três. E, no entanto, conforme dou um beijo no rosto de Edward e saio para o bar, fingindo nunca ter estado no banheiro com ele, sei que tudo já mudou. Não faço ideia se algum dia poderá ser como antes.
•••
Horas depois, terminada a festa e após um excesso de consumo de álcool e cookies de Natal, termino na casa de Edward. Ela está começando a me parecer um lar. O fato de o seu apartamento ser novo e não ter nenhum vazamento ajuda. Não que meu apartamento continue vazando, graças a ele e à habilidade do seu faz-tudo, mas existe alguma coisa em Edward que me faz sentir muito segura. Talvez por eu nunca ficar ali sozinha, estar sempre com ele. Quer estejamos juntos fazendo ovos mexidos de manhã, largados assistindo programas de TV na Netflix ou nos atracando no chuveiro, ele sempre está lá.
Ele é equilibrado, confiável, meu pilar.
Ele é o meu Edward.
Sempre foi.
Sempre será.
Esta noite, porém, depois da transa intensa no banheiro e de sermos descobertos por Rosalie, de termos ficado bêbados de Jameson e da animação no Burgundy Lion, sinto que ele é mais do que todas essas coisas. É meu amante. E meu amor.
Não posso continuar guardando esta excitação dentro do meu peito. Quero pôr pra fora. Quero que ele saiba como me sinto a seu respeito.
Tiramos as roupas e entramos debaixo dos lençóis limpos da sua cama. Estamos ambos cansados demais, e ainda assim satisfeitos demais para fazer sexo, então nos enrodilhamos nos braços um do outro. Ele beija minha têmpora, seus lábios demorando-se ali, enquanto me abraça apertado.
Não quero que ele desista jamais. Ele disse que não desistiria.
– Edward – digo baixinho, tão baixinho que não tenho certeza se falei ou se minhas palavras desintegraram-se no ar. Tudo faz mais sentido quando é tarde e se está no escuro.
Há uma longa pausa e ele então responde:
– Baby Blue.
– Eu... – começo, e então, de repente, tudo o que estava prestes a dizer, aquela simples frase, é tirada de mim. Não consigo continuar. Não apenas amo Edward, é muito mais do que isso. É algo além das palavras, além de uma coisa tão comum e cotidiana. Você vê "Eu te amo" escrito por toda parte, e súbito fico surpresa de como isso não basta. Não descreve como me sinto.
– O quê? – ele sussurra, seus lábios agora roçando minha orelha. Ele me aperta mais. – Por favor, diga.
Engulo em seco e recomeço:
– Edward. Tem um espaço no meu peito que eu não havia notado. É como se o tempo todo eu tivesse outro coração ali, e aquele coração segurasse um mundo completamente diferente. Nunca notei isso porque estava escondido. Não tinha sido ativado. Não brilhava, então eu não podia vê-lo. Mas agora sim. – Uma lágrima desce pelo meu rosto, mas não a enxugo. – Você fez com que ele brilhasse, Edward. Aquele novo coração, aquele mundo novo, é tudo você. Sinto como se ele ocupasse cada centímetro do meu corpo, como se eu estivesse florescendo a cada dia. Você está dentro de mim, e não posso esconder este fato, contê-lo ou ignorá-lo. Você me cega. Você sou eu. – Respiro fundo. – Acho que estou tentando dizer que te amo.
Silêncio. Denso como a noite. Prendo o fôlego, esperando sua resposta, cismando no que ele irá dizer. Neste momento, que se arrasta demais, me encho de esperança e de medo. Porque, por mais que Edward me faça sentir como se eu tivesse um amor interno que não posso nem pensar em conter, tenho medo de que ele não sinta o mesmo. Que sequer chegue perto. Agora tenho medo de tê-lo assustado.
Ah, meu deus, por que ele não diz nada?
Entro em pânico:
– Talvez tenha sido um exagero, talvez...
– Shhh – ele diz.
Ele vira a minha cabeça, de modo que eu o encare. Seus olhos estão muito escuros e imprevisíveis no escuro. Mas, quando a luz de fora incide neles, percebo que estão úmidos.
Sinto-me como uma barragem prestes a explodir.
– Isabella – ele diz com a voz suave, mas sufocada. – Sabia que ninguém nunca me disse que me amava?
Sinto-me como se tivesse uma pedra no peito:
– O quê?!
– É verdade – ele diz. – Nunca ouvi ninguém dizer que me amava.
– Mas, mas... – Rememoro, percorrendo lembranças. Eu nunca lhe disse isso como amiga? Nem Jacob? Nem seus pais, seu irmão? – Nem Tanya? – pergunto.
Ele sacode cabeça de leve:
– Ninguém. Tanya e eu fomos muito próximos, mas essas palavras exatas nunca vieram à tona. Acredite em mim. Eu sei. Sei disso porque agora eu as ouvi pela primeira vez, só agora, de você. É impossível esquecer uma coisa dessas.
Deus! Seus pais nunca lhe disseram que o amavam. Meu coração está despedaçado por ele. Sinto vontade de chorar.
– E como nunca ninguém me disse isso – ele continua baixinho –, nunca tive ninguém a quem dizer. Nunca soube de verdade o que era amor porque ninguém o definiu pra mim. Só sabia o que não era. Mas você, Bella, sempre foi diferente. Você conquistou meu coração desde o primeiro dia. Jacob te viu primeiro, mas posso garantir que você conquistou meu coração antes do dele. Nunca quis te dizer isso porque guardei este amor comigo. Se ninguém compartilharia comigo, eu não compartilharia com ninguém. Eu era um fodedor insaciável. – Ele faz uma pausa. – Mas te amava. E nunca como amigo. Sempre mais que isso. Desde o instante em que você entrou no bar, tornou-se dona da palavra e do que ela significava pra mim. Rezei e sonhei que um dia eu mesmo te diria isso. Que não importava como você se sentisse, eu te diria que te amava, e nada poderia mudar isso. Que estava em mim entregar isso a você. – Ele respira fundo e diz: – Eu te amo, Baby Blue. Estou apaixonado por você. Pra mim, você é amor. E me sinto honrado de poder enfim te dizer isso.
Agora estou sem fala. Chocada. E minha alma está tão repleta que mal posso viver. Só posso agarrar seu rosto e beijá-lo com toda ternura, profundidade e sinceridade. Depois, rio e sorrio, e ele faz a mesma coisa.
– Imagino – ele diz, enxugando uma lágrima, mas ainda sorrindo feito um maluco – que se eu tivesse mais prática em dizer isso, não teria sido uma fala tão atrapalhada.
– Fale por você – digo. – Nós dois demos voltas e mais voltas pra falar três palavras.
– Às vezes, essas palavras não bastam – ele diz, beijando minha mão.
– Não, não bastam. Mas você basta.
Aquele coração novo está crescendo dentro de mim. Acho que jamais poderei fazê-lo parar.
Oi? Tem alguém aí? Aliás, tem alguém ai que não quer me dar uns tapas? rsrs
Amanhã (09/06) à tarde posto mais um capítulo, promessa de dedinho.
