CAPÍTULO XX
"O Nosso Final Feliz"
Sakura correu pelas ruas de Konoha, desesperada, procurando o duelo entre Orochimaru e Sasuke. Corria em direcção aos feridos, que se encontravam espalhados pelas ruas. Pessoas a sangrar, choravam, gritavam de dor. Uma verdadeira visão do Inferno! Gritos de pânico ecoavam pela vila. As ruas começavam a ficar desertas, pelas pessoas que se escondiam nas casas. Finalmente, diante de si, apareceu a derradeira cena que queria encontrar. Orochimaru e Sasuke debatiam-se num confronto mortal de espadas.
- SASUKE-KUN!
O grito de Sakura parecia tão distante. As espadas dos dois ninjas cruzaram-se no ar. Orochimaru tentou desviar-se mas não conseguiu! A espada cravou-se no seu coração e prendeu-o a uma árvore, fazendo-o regressar ao seu estado de uma enorme cobra branca, finalmente derrotada.
Sakura viu a espada de Orochimaru dirigir-se a Sasuke e abraçou-se a ele, com força. Os olhos de Sasuke viram a arma afiada vir ao encontro das costas de Sakura e rodou, fazendo com que a espada penetra-se nas suas. Mas a sua tentativa de salvar Sakura foi inútil! A espada atravessou o corpo de Sasuke e rasgou igualmente as entranhas da jovem de cabelos rosados. Os corpos tombaram para trás, fazendo a espada despedaçar-se no solo.
- Sakura-san! – gritou Lee.
Os vários lutadores ficaram boquiabertos, chocados com o que acabaram de suceder. Naruto queria levantar-se, mas não tinha forças. Ino deixou-se cair no chão, ficando sem força nas pernas, deixando lágrimas escapar-lhe dos olhos.
- Sakura …
Sakura tinha ficado sobre Sasuke, sangue escorria abundantemente pela boca dela. Nenhum dos dois iria sobreviver. A mão de Sakura lutou contra a falta de força e agarrou o rosto de Sasuke. O jovem fitou-a, surpreso e chocado com o abraço mortal.
- Sakura … o quê … o que fizeste…?!
- Prefiro m-morrer contigo do que … ver-te … m-morrer! – sorriu Sakura, acariciando-lhe a face, agora manchada de sangue.
- E-eu amo-te … Sa-sakura! – confessou Sasuke com um sorriso quase invisível.
- Tu sabes a minha respo-osta, Sasuke-kun!
A cabeça de Sakura tombou sobre a de Sasuke e os seus lábios uniram-se num beijo, que seria o último das suas vidas. Os olhos de ambos os adolescentes pestanejavam para se manterem vivo. A mão de Sakura enlaçou a de Sasuke.
- Amo-te …
Foram as últimas palavras que se ouviram da boca de Sasuke e Sakura. Depois tudo ficou em silêncio. Lágrimas escorriam dos olhos dos presentes. Nada mais havia a dizer. Derrotados pelos ferimentos e pela dor, ficaram a observar aquela imagem, que tanto tinha de romântico como de horrível.
- Sakura…
16 Anos mais tarde …
A vila de Konoha pouco tinha mudado nos 16 anos que passaram. Tsunade já não era Hokage. Agora o Hokage era Uzumaki Naruto, casado com Hyuuga Hinata, de quem tem um filho de 14 anos, chamado Uzumaki Cetsu.
Sai cumpriu a promessa que fizera a Sakura, e cuidou de Haruno Hotaru que, agora com 16 anos, se tornou numa bela adolescente; com a beleza obscura de Uchiha Sasuke, de longos cabelos negros e os doces olhos esmeralda de Sakura. Sua expressão facial e personalidade era maioritariamente herdada de Sasuke; séria e calma. Contudo, era jovial e simpática quando se conversava com ela, tal como Sakura. Era uma rapariga interessante e não era aborrecida. Tal como sucedera com seu pai, Hotaru tinha todas as atenções do sexo oposto viradas para si, mas ela pouco ligava. Seu coração só pertencia a um rapaz.
O nome dele era Akira. Era um jovem de 17 anos, misterioso e calado que não tinha qualquer família, vivia sozinho num apartamento perto do de Sai e Hotaru. Apesar de ser dos melhores aprendizes chunnin da academia, a população de Konoha não nutria afecto por ele, devido às suas semelhanças com o comportamento de Uchiha Sasuke, que ainda continuava presente na memória da vila. Akira era um belo jovem, de cabelos médios, de cor branca e tinha uns penetrantes olhos azuis-claros.
Akira também se sentia atraído por Hotaru, o que não agradava a Sai e tentava fazer os possíveis para os manter afastados. Mas era inútil, pois ambos sempre encontravam uma maneira de se encontrarem secretamente. Hoje, o local era o quarto de Hotaru. Akira iria entrar pela janela, como assim o fez.
- A que horas chega Sai-san? – perguntou Akira, com Hotaru enlaçada em seus braços.
- Não sei. – respondeu Hotaru – Mas ainda deve demorar.
Um pequeno sorriso rasgou o rosto de Akira.
- Espero que assim seja. – confessou Akira – Teremos mais tempo juntos.
A cara de Hotaru balançou para trás, sorrindo. Os lábios dos dois adolescentes juntaram-se num leve beijo. O corpo da jovem rodou nos braços de Akira, colocando-se de joelhos diante dele e agarrando o rosto do amante com as suas mãos, intensificando o beijo. As mãos do rapaz desceram até á cintura da bela rapariga e puxou-a mais para si.
- HOTARU!
A voz de Sai fez os lábios dos amantes secretos separarem-se, e ambos olharam para a porta, aterrorizados.
- Ele afinal chegou cedo hoje! – exclamou Hotaru, em pânico.
Akira levantou-se da cama e puxou o braço da namorada, para se levantar também. O rapaz beijou várias vezes a boca de Hotaru, com beijos pequenos, enquanto caminhava para trás, dirigindo-se á janela.
- HOTARU! – a voz de Sai voltou a chamar da sala.
- Estou no quarto, tio! – gritou Hotaru, trincando o lábio.
Akira trepou para a janela e deu um último beijo a Hotaru.
- Amo-te, meu amor.
Hotaru sorriu.
- E eu amo-te a ti.
Akira arriscou e deu outro beijo nos lábios de Hotaru, saltando para a sua casa em seguida. Hotaru ouviu a porta do seu quarto abrir atrás de si e olhou para Sai que tinha acabado de entrar.
- Cheguei a casa, Hotaru-chan. – sorriu o ninja de 33 anos.
Hotaru sorriu, nervosa. Nutria um carinho especial pelo "tio", mas desta vez, preferia que ele não tivesse aparecido.
- Porque a janela está aberta? – perguntou Sai.
Hotaru olhou nervosa para a janela e depois deu uma gargalhada, fechando-a de seguida.
- Estava com calor. – mentiu Hotaru, voltando a encarar Sai.
- Bem, não importa. – disse Sai, encolhendo os ombros.
Hotaru esperou que ele dissesse mais alguma coisa, mas sentia-o nervoso.
- Está tudo bem, tio? – perguntou a jovem – Parece desconfortável…!
- Está tudo óptimo. – garantiu Sai – É só que, chegou a altura de eu te dar algo.
Hotaru estranhou, mas antes de poder perguntar algo, Sai abandonou o quarto. A jovem começou a suspeitar que algo de errado se passava, não estava a compreender a atitude do tio. Receou que ele tivesse descobrido a sua relação com Akira e agora lhe iria bater! Quando essa ideia lhe passou pela cabeça, Hotaru deu por si a tremer.
- "O que se passa comigo!? Eu sou uma chunnin! Uma das melhores da academia! Não posso ter medo de nada!"
Poucos minutos torturantes depois, Sai regressou ao quarto. Na mão trazia algo. Não era nenhuma kunai nem outro tipo de arma, era um embrulho coberto com papel acastanhado. Antes que Hotaru perguntasse, Sai esticou o braço, estendendo o embrulho para as mãos da jovem, que olhou o embrulho com espanto, depois olhando para cima, para Sai.
- A tua mãe pediu-me que eu te desse isso quando chegasse a altura certa. – começou Sai – Esta é a altura certa.
- A minha mãe? – repetiu Hotaru.
Sai acenou positivamente com a cabeça.
- O que é isto, tio? – perguntou Hotaru.
- É o diário da tua mãe. – respondeu Sai – Contém todas as respostas que tu procuras e sempre quiseste saber.
- Está aqui a dizer quem é o meu pai? – perguntou Hotaru.
- Sim. – confirmou Sai.
Hotaru olhou curiosa para o embrulho, sentindo suas mãos tremerem com nervosismo.
- Como… como é que sabe que é altura certa? – perguntou Hotaru.
- Simplesmente sei. – sorriu Sai.
Após dizer esta frase, Sai fechou a porta do quarto atrás de si. Deixando Hotaru sozinha, com o embrulho nas mãos.
A jovem sentou-se sobre a sua cama e desatou o nó do cordel que prendia o papel. Afastou o papel acastanhado e viu um caderno com encadernação a couro preto. Passou a mão pela capa, sentindo o cabedal gasto. Era um manuscrito pesado. Respirou fundo e abriu o caderno, a primeira folha datava de á muitos anos atrás, quando a sua mãe tinha apenas 7 anos. Começou a ler.
Hotaru limpou uma lágrima que lhe escorreu pelo rosto. Tinha estado a ler a vida da sua mãe, Haruno Sakura, desde o início da tarde. A noite já ia alta, perto da madrugada, quando virou para a última folha do diário, que tinha uma entrada antes da morte da sua mãe, era a última entrada naquele diário e era dirigido a si, Haruno Hotaru.
" Hotaru, minha querida Hotaru:
Este diário é a única recordação que alguma vez poderás ter de mim. Desculpa-me, meu amor. Quero que sabias que a mãe gosta imenso de ti. Quando leres este manuscrito calculo que já tenhas idade para perceber tudo o que escrevi e todas as minhas acções. Umas correctas e outras erradas. Moras com o Sai, espero. Ele é uma pessoa muito especial para mim, como já leste nas páginas anteriores e o que aconteceu entre nós, foi um equívoco.
Quanto ao Uchiha Sasuke, ele era o teu pai, sim. E era igualmente o amor da minha vida, que eu neguei por ele ter feito o mesmo comigo antes. Com este meu erro espero que aprendas uma lição, quando encontrares o amor da tua vida, não o deixes "fugir". Mas se ele fugir e voltar, perdoa-o e aceita-o. Não cometas o erro que eu cometi com o teu pai. Penso se eu o tivesse aceitado, tudo seria diferente e hoje eu e ele estaríamos ao teu lado, para te ver crescer, entrar na academia, quem sabe casar e ver os meus netos! Quando nasceste tornaste-te o centro do meu mundo, uma feliz paz no centro de tanta dor e sofrimento. Mas o meu destino não era ficar viva, era morrer.
Perdoa-me, Hotaru. E compreende.
Haruno Sakura."
Hotaru sentia-se como se o ar dos seus pulmões tivesse sido sugado. Sentia um nó na garganta, agora ao saber toda a verdade acerca da sua mãe e a sua história. Alguém bateu á porta e apareceu Sai, com um roupão de dormir. Ao ver as lágrimas nos olhos da rapariga, o homem dirigiu-se a ela e abraçou-a com força.
- Está tudo bem. – disse ele, enquanto Hotaru começou a fungar nos seus braços.
- Porque nunca me disse nada? – gemeu a jovem.
- Porque prometi á tua mãe que não o fazia. – respondeu Sai – Eu prometi-lhe… eu prometi-lhe …!
Dos olhos de Sai também caíram lágrimas.
- A minha mãe sofreu tanto… - chorou Hotaru – Se lê-se o diário dela…
- Eu li. – garantiu Sai, debatendo-se contra as lágrimas.
- Você amava-a, tio?
- Muito.
Hotaru libertou-se dos braços de Sai e limpou as lágrimas com as mangas do seu pijama. Sai fez o mesmo, para não mostrar uma faceta demasiado sentimental á sua "sobrinha".
- Porque não lutou por ela? – perguntou Hotaru.
- Lá leste o diário da tua mãe. – respondeu Sai, com um triste sorriso. – O coração dela pertencia ao Sasuke. E pertenceu, até ao final.
- Como é que ela morreu?
Sai baixou a cabeça e acenou negativamente.
- Conte-me como ela morreu! – implorou Hotaru.
- Não! – negou Sai - O importante não é como ela morreu. Mas sim, como ela viveu. E isso já sabes.
Hotaru olhou para Sai, fixamente.
- Eu irei ficar com o Akira mesmo contra a vontade do tio! – vincou Hotaru.
Sai olhou espantado para Hotaru.
- O quê!? – exclamou – Que conversa é essa?
- Eu amo o Akira. – continuou Hotaru – Ao ler o diário da minha mãe finalmente percebi! Ele é o amor da minha vida e não vou sacrificá-lo apenas porque o tio não gosta dele. Mas eu amo-o. E isso vale tudo.
Hotaru esperava gritos e objecções por parte do "tio", mas Sai surpreendeu-a. Esboçou um sorriso.
- Acho que fazes muito bem!
A jovem ficou boquiaberta.
- O tio… aceita?
- Sim. – confirmou Sai – Aprendeste com os erros da tua mãe, isso deixa-me orgulhoso. E nem sequer devias preocupar-te com a minha opinião! Se ela estivesse viva, estaria muito orgulhosa de ti, Hotaru.
Hotaru sorriu. Levantou-se da sua cama e dirigiu-se até á janela, abrindo-a e contemplando-a. Alto no céu, as estrelas brilhavam. Pontos dourados num manto azul-escuro. Mas no centro do céu, duas estrelas, uma a seguir á outra, brilhavam mais do que quaisquer outras.
- Eu sei.
FIM
Acabou finalmente!
Espero que não vos tenha desapontado e que, pelo menos, o final não tenha sido previsível!
Obrigado/a a todos/as que leram esta fanfiction. Estou extremamente agradecida pelas reviews e pela leitura!
Da vossa humilde escritora,
Igarashi-Chan!
