Cap. 19- Mudanças
Samara já estava a quase um mês na casa de Sirius. Seus planos de se mudar logo não estavam dando muito certo e achar uma casa e um emprego estavas sendo muito mais difícil do que ela havia achado. Porém, sua estadia estava sendo muito gostosa. Sirius até que era boa companhia e também, fazia questão de ter sua casa sempre alegre, logo, toda a turma sempre estava por perto e, claro, isso incluía Remo.
Uma certa noite, quando todos estavam reunidos, algo que estava se tornando um pouco raro devido ao clima de quase guerra que estavam vivendo, algo inesperado aconteceu.
Todos conversavam animadamente, mas Sam percebeu um tipo de empolgação diferente por parte dos rapazes. No entanto, ninguém ainda havia se manifestado. Inicialmente, Sam havia achado que pudesse ter algo a ver com o tão aguardado início da ação junto aos aurores, agora que a reunião entre a Ordem da Fênix e eles já havia sido feita, porém, o clima estava descontraído demais para isso.
No entanto o mistério foi logo revelado:
- E ai Tiago, seu sem-vergonha, vai enrolar a Lily até quando? – A voz grave de Sirius emergiu entre todos os outros sons da festa.
A ruiva que estava conversando animadamente com Sam parou no mesmo momento para olhar, já com um sorriso nos lábios. Sam não achou que pudesse ficar tão feliz com a felicidade alheia.
- Como assim cara? Tá praticamente tudo certo já! Ela que esta me enrolando! – Respondeu Potter.
- Ah, eu, é? – Falou Lilian tentando ficar séria. – Pois bem, e todas aquelas promessas que você me fez?
- Que promessas? – Falou Tiago assustado.
- Como assim que promessas? – Retrucou Lily agora quase ficando séria de verdade.- Uma casa, uma aliança, isso pra não falar do mínimo que é o pedido oficial.
- Ah é? Mas precisa de tudo isso mesmo? – Perguntou o menino que parecia estar ficando realmente nervoso.
- Mas é claro que sim!
- Bom, veja, isso é um problema então.. – Respondeu Tiago de cabeça baixa e pensativo- pra você, principalmente.
Aquilo realmente chateou Lilian.
- Como assim pra mim?
- Sim porque,veja bem,agora você não terá mais desculpas pra não vir morar comigo.
Um silêncio geral pairava no ar. Será que todos haviam entendido bem?
- Como é? - Perguntou a ruiva.
- Isso que você ouviu, oras. – Disse Tiago inicialmente fazendo pouco caso e, em seguida, se levantando do sofá que estava sentado.
- Lilian Evans- Continuou Potter todo empertigado-você citou três coisas que seriam necessárias para o nosso casamento. Casa, anel e pedido. Bom, a casa nós já temos desde a semana passada quando eu terminei de assinar os papéis; anel, bom...
E dizendo isso, Tiago tirou do bolso uma caixinha vermelha de veludo. Na tampa havia uma linda estrela que piscava sem parar. Nessa altura Lilian já tinha lágrimas nos olhos e Sam estava arrepiada.
E então, Tiago ajoelhou.
- ...está aqui, juntamente com meu pedido. Srta Lilian Evans, quer casar comigo?
Lilian não precisava de nada mais. Abraçou chorando seu futuro marido, jogando pra longe,sem querer a aliança.
Todos, ao seu modo, estavam emocionados com a cena. Nem Tiago parecia estar acreditando.
- Ele não é romântico assim sempre Lily, então aproveite – Disse Remo descontraído. Um sorriso de orelha a orelha.
- E é assim, meus caros, que uma mulher acaba com sua vida. – Brincou Sirius que,embora sarcástico,também não conseguia parar de sorrir.
O restante da noite foi só comemoração. Lilian exibia feliz o anel recém ganho de seu futuro marido que agora planejava quando aconteceria a cerimônia que, ambos, gostariam que fosse em breve.
Assim, a noite passou e cada um foi para seu canto, todos ainda comentando excitados, o acontecimento.
- Pode acreditar? Meu amigo, se casar! - Falou Sirius se jogando novamente no sofá, com um tom de voz de absoluta incredulidade- Quando ele me contou, nem acreditei!
- O que há de mal em se casar? - Perguntou Sam, se sentando no sofá à frente.
- Nada, se você não gosta de viver, sabe? - Zombou
- Que horror Sirius! Você fala isso porque nunca se apaixonou.
- Own...falou a lobinha! Pretende marcar o de vocês também? Avise logo porque já fazemos tudo numa data só.
- Remo e eu não pensamos nisso ainda. Está muito cedo e ainda temos muitos projetos pra realizar.
- E como vão vocês dois, hein? - Perguntou Black, quase sério.
- Muito bem. - Respondeu a menina simplesmente. O que poderia dizer? Achava Remo o homem perfeito!
- As vezes eu acho vocês meio mortos. Vocês são um casal muito manso e meloso.
- Oras, e o que vocês espera? Não somos diferentes de Tiago e Lily. - Respondeu a menina em tom de indignação.
- São sim. Tiago e Lily tem mais fogo. - Disse o menino com a maior naturalidade.
- Oras...
- Como você e Remo são? Nessas horas? Pelo menos nisso vocês tem mais energia?
Sam corou furiosamente. Como Sirius conseguia falar assim, com tanta naturalidade? Samara não se considerava nenhuma puritana mas, falar assim ela ainda não conseguia. Não com um menino. Não com Sirius Black.
- Vocês, já fizeram, não é? - Perguntou Sirius se erguendo no sofá, um olhar quase assustado.
- Bom, nós...
Sirius não deixou Sam terminar. Antes que a menina pudesse formar uma desculpa, o menino já estava de pé, indignado olhando para ela.
- COMO ASSIM? Vocês estão juntos há quase três anos! Qual o problema de vocês?
- Não temos nenhum problema! Não é só porque você não consegue ficar uma semana com alguém sem levá-la pra cama que os outros tenham que ser assim também!
- Sam! São TRÊS ANOS!
- EU SEI! Já ouvi! E eu não tenho que ficar falando disso com você! - Disse a menina, zangada, já se levantando para seu quarto e batendo a porta com força.
- Ele era monitor! Porque vocês não usaram o banheiro dos monitores! TEM UMA BANHEIRA LÁ! - Falou Sirius já gritando, para ser ouvido de dentro do quarto.
- CUIDE DA SUA VIDA! - Gritou Sam do outro lado da porta.
A noite da menina não foi muito tranqüila. Muitos pensamentos passavam pela sua cabeça. Pensamentos que iam muito além de sua relação sexual. Pensamentos que se encaminhavam diretamente para seu irmão, Severo. O que aconteceria quando ele soubesse que Lilian e Tiago iriam se casar?
Ao raiar do dia, Sam ainda sonolenta, sentiu o conhecido peso extra em sua cama.
- Sirius, sai da minha cama, hoje não é um bom dia.
Depois de um breve silêncio, uma voz conhecida soou em seu ouvido.
- Sinto desapontar mas, não é o Sirius.
Sam se levantou num pulo. Seu namorado, Remo a olhava com uma cara indecifrável.
- Querido, desculpe, é que o Sirius tem mania de me acordar cedo todos os dias. Você sabe como ele é. - Disse a menina com pressa, mas sentia que nada daquilo soava bem.
- Sim, eu sei. Como está a relação de vocês dois? - Perguntou o menino, parecendo se esforçar um pouco para parecer que nada daquilo era importante.
- Como sempre foi. Nos aturamos. Queria minha própria casa, mas ninguém que eu escrevo sobre emprego me responde! Sinto inveja de Tiago e Lily. Agora eles irão morar juntos.
Isso pareceu tranqüilizar Remo mais que tudo, e ele finalmente sorriu verdadeiramente e se aproximou da namorada.
- Não fique assim. Quem sabe nós ainda não pegamos essa sorte? É difícil porque ninguém quer empregar um lobisomem, mas às vezes eu consigo um trabalho bom, aqui e ali.
- Sim. Torço muito por você, você sabe. - Disse Sam, carinhosamente, pegando na mão do namorado.
Então Remo sorriu marotamente e a assustou de certa forma.
- Sirius me contou da conversa de vocês. Ele me chamou aqui e nos deixou sozinhos.
Sam enrubesceu.
- Não se preocupe, não vou deixar você numa situação constrangedora. - Falou Remo em tom sereno.
- Sabe, nunca conversamos direito sobre isso. Incomoda você? Você quer fazer?
- Acho que eu quero tanto quanto você, imagino. Às vezes quero muito, mas eu sei que você não está a vontade. Sei que você quer algo mais que uma rapidinha na casa de alguém e também tampouco merece isso.
Sam enrubesceu ainda mais, mas não quis fugir do assunto.
- Eu não sei sinceramente o que estou esperando e nem do que tenho receio mas...
- Sam, você não tem que explicar. Eu não vou forçar você a nada. Quando tiver de ser, será.
- Obrigada. - Disse a menina abraçando o namorado.
- Só, não precisa demorar mais três anos. - Brincou Remo, levando uma travesseirada em seguida.
O restante do dia ao lado de Remo foi tranqüilo. O menino ficou até as 15 horas e depois teve que fazer um serviço para os pais. Sirius ainda não havia voltado.
Samara se pegou sozinha em seu quarto, cheia de pensamentos. Como estaria seu irmão?
Então a menina decidiu. Saiu de casa sem nem olhar no espelho. Não queria adiar em nenhum segundo sua decisão.
Chegou na conhecida rua em alguns minutos, ainda um tonta pelo pouco costume em aparatar.
No mesmo momento a menina pode avistar algumas mudanças em sua antiga casa. A grama estava aparada e o jardim limpo. A iluminação interior parecia ter melhorado muito embora as grossas cortinas escuras ainda permanecessem nas janelas.
Tomando coragem, a menina entrou sem esperar ser recebida.
Um barulho de vidros tilintando e líquido fervendo indicou para Sam que seu irmão devia estar na cozinha trabalhando em alguma poção.
- Severo?
Um silêncio abrupto tomou conta do ambiente e de repente seu irmão surgiu em sua visão, um rosto pálido e assustado e varinha em punho.
- O que faz aqui? - Perguntou o irmão.
- Estava preocupada com você. Ao contrário do que pensa, eu não o abandonei.
- Ah, você é tão boa não é? O que precisava? De mais roupas? Está no mesmo lugar. Nem entrei no seu quarto. Pode ir buscar. - Falou Severo, friamente.
Porém, uma coisa chamou mais a atenção da menina. Severo estava suando frio e parecia ter alguma coisa no braço que ele mexia incomodamente.
- O que você tem? Está ferido? Precisa de ajuda? - Perguntou a menina já se aproximando do irmão e puxando sua própria varinha no intuito de fazer algum curativo necessário, sem ligar para a postura ainda ameaçadora do irmão.
- NÃO PRECISO DE NADA SEU! VÁ EMBORA!
Sam se assustou com o súbito ataque de raiva do irmão, no entanto, o jeito com que ele parecia querer tirar seu braço direito das suas vistas a preocuparam mais ainda.
- Severo, o que aconteceu com você? O que tem no seu braço?
- Já disse que não é da sua conta. Vá embora!
No entanto, Samara havia sido mais rápida. Aproveitou a distração do irmão tentando expulsa-la e num só movimento de varinha arrancou a manga da roupa de Severo, revelando o que o estava incomodando tanto e o que tentava esconder.
- Severo, o que é isso? - Perguntou a menina horrorizada.
No braço direito de Severo, uma espécie de tatuagem no desenho de uma caveira brilhava de uma forma assustadora. Toda a pele do braço de Severo estava vermelha. A região em volta do desenho parecia estar em carne viva.
Severo Snape estava mais pálido do que o de costume, e parecia ter cansado de gritar, apesar de seus profundos olhos escuros transmitirem um ódio assustador.
- Essa, irmãzinha, já que você faz tanta questão de saber, é a prova da minha escolha e lealdade. É a prova de que o Lord das Trevas confia em mim para ser seu comensal. Isso, irmã, será o símbolo que em breve todos conhecerão.
Sam queria chorar mas segurou. Como era possível que aquele na sua frente pudesse ser seu irmão?
- Severo, você não sabe no que está se metendo, não sabe que conseqüências isso pode ter. Vão pegar vocês, você sabe.
- Ah é? E quem fará isso? Estamos em toda parte. Já ganhamos essa guerra. Somos cada vez mais. Nada parará o Lord. Nem os aurores estão sendo capazes.
A bruxa não sabia mais o que falar. Todas as palavras haviam sumido. Então aquele era seu irmão?
- Você vai matar pessoas, Severo? Está disposto a isso?
- Faço o que for necessário para o sucesso da causa. Acredito nela. - Afirmou Severo. No entanto, nem ele parecia ter tanta certeza disso.
Samara se calou por mais um momento e então soltou todo o veneno que também havia nela. E era poderoso.
- E eu vim aqui cuidar de você, me preocupar com você. Contar uma coisa que eu sabia que te machucaria, antes que você pudesse ficar sabendo por outros. Olhe só. Mas você não merece nenhum cuidado.
Severo se calou. Observava atentamente a irmã como se tentasse ler seus pensamentos.
- Lilian e Tiago vão se casar, Severo. Já estão marcando a data. Ela escolheu um homem de verdade. Fico feliz por ela. Por sorte ela percebeu, antes de mim, quem você era.
Sam achou que seu irmão fosse desmaiar, mas não teve pena.
- Não digo que o convidaria para o casamento porque, obviamente você não seria bem vindo por ninguém. Mas, pensando bem, você também não se preocupou em me avisar do enterro da nossa mãe, não é?
E dizendo isso, Sam saiu da casa com o mesmo ímpeto que havia entrado. Deixando Severo sozinho com seus pensamentos.
Quando atravessou a rua ouviu gritos e objetos se quebrando de dentro da casa. Não quis olhar pra trás. Seu coração estava doendo de ter feito aquilo.
Sua mãe. Era verdade. Já havia passado mais de um mês desde que a mãe morrera. Tanta coisa havia acontecido que Sam não havia parado para pensar muito sobre ela, mas agora lembrava perfeitamente da carta que ela havia lhe escrito: "Cuide bem de si mesma e de seu irmão".
Samara havia falhado. Falhado com sua mãe e agora com seu irmão. Como poderia agüentar aquilo? Queria mais que tudo poder cuidar de seu irmão mas não via mais como. Ele já havia escorregado de suas mãos.
A não ser...
Não, ela não poderia agüentar aquilo. Ou poderia? Achava que era muito para ela, mas ver seu irmão se destruindo também não parecia uma opção.
Foi aí que Samara Snape tomou a decisão mais desesperada e importante de sua vida.
Em um minuto, a bruxa havia aparatado e foi parar na frente da conhecida casa. Escreveu um bilhete em papel e o mandou flutuando para dentro da janela que queria.
Então, antes que Sam pudessem pensar em desistir, Régulo Black estava parado na sua frente, assustado.
- Régulo, quero que me diga como eu faço pra encontrar Voldemort. Sei que você sabe e eu quero saber agora.
