Olá, pessoal!
Estou de volta com mais um capítulo \o/ e dessa vez eu voltei "cedo" . Bem, agora saberemos o que tinha de tão importante naquele pergaminho ^^. Sem mais delongas, vamos ao que interessa ;). Boa leitura!
"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."
Friedrich Nietzsche
Kakashi abriu o primeiro pergaminho, este que continha um texto manuscrito e pôde reconhecer a caligrafia da Hokage. Mesmo com a curiosidade ainda presente, ele não conseguiu evitar se assustar com as reações de Sakura. Ela agora havia se levantado, agarrando um vestido que estava em cima da cama, andou até o guarda-roupa e abriu uma gaveta, onde deveria estar suas peças íntimas e se dirigiu ao banheiro, resmungando alto:
— Já que vamos discutir isso, que eu esteja vestida decentemente, ao menos. –Bateu a porta do banheiro com força, assustando Kakashi.
— Kami-sama! –Exclamou baixinho, surpreso com mais aquela reação. — Vamos descobrir do que essa... coisa, se trata. O jounin se preparou psicologicamente para o que quer que fosse que estivesse escrito ali e imaginou que a fúria de Sakura fosse um exagero.
-o-o-o-
"Prezados! Quem vos fala é a Hokage, como vocês já devem saber. Espero que a viagem tenha ocorrido na mais absoluta paz, sem incidentes e que todos tenham sido "entregues" sem nenhum arranhão. Deixando de lado as frivolidades, há algo importante que deve ser dito.
Não sei bem como começar a dizer-lhes isto, mas... não há outra forma de fazê-lo... então, já me adianto pedindo desculpas; sei que uma carta não é a melhor forma de comunicar... isto... mas temi por alguma reação exagerada que porventura alguém viesse a ter, enfim, não quero mais me justificar.
Indo direto ao ponto, informo-lhes que, por medidas de segurança (por conta da inteligência e sagacidade daquele infeliz do Orochimaru), envio anexo a este pergaminho a certidão de casamento de vocês. Como a de nascimento de "Yoshiaki" já está em suas mãos, preferi mandar essa com certo sigilo.
Lamento por ter mentido anteriormente, mas... o documento que lhes envio não é falso. Isso mesmo, a certidão é verdadeira! Assim que o plano foi traçado, meses atrás, conseguimos que o escrivão do cartório nos fornecesse duas certidões com os campos de dados pessoais em branco – uma para a do nascimento do "filho" de vocês e outra para a de casamento –, carimbadas com o brasão da instituição, assinadas e registradas no livro do escrivão.
O que fizemos foi e é ilegal, abusamos de nossa autoridade, cometemos um crime... mas entendam, por favor, estávamos desesperados! As certidões são reais e válidas em todo o continente, assim ninguém poderá contestar a veracidade delas, pois reafirmo, é uma medida de segurança.
Colocamos a data da negociação em ambos os documentos, assim vocês estariam casados por um tempo relativamente curto e a justificativa sobre terem demorado tanto a oficializarem a união e registrarem o garoto, é que o relacionamento de vocês foi conturbado no início e Kakashi, com sua personalidade... diferente... demorou a reconhecer a paternidade do garoto e demorou ainda mais em admitir que amava a Sakura... blá blá blá... vocês entenderam.
Por favor, inventem algo aí, eu pensei apenas nisso e sem a ajuda do Shikamaru, por isso pode não ser a melhor ideia, mas se baseiem nela. Mais uma vez, me perdoem pela mentira, espero de coração que me entendam, afinal, tive de zelar pelo sucesso absoluto dessa missão e não poderia deixar passar um detalhe tão importante. Sei que serei odiada por um certo tempo, principalmente por você, Sakura, mas eu só quero o bem de vocês... e acima de tudo, a segurança de todos.
Me despeço com a esperança de que um dia eu possa ser perdoada. Desejo muito sucesso na missão, estaremos torcendo por vocês!"
P.S: A certidão está acoplada atrás dessa carta, como se fosse uma espécie de adesivo.
Senju Tsunade
-o-o-o-
Kakashi terminou de ler a carta boquiaberto, atônito. Seu cérebro não processava o que seus olhos haviam lido, era surreal demais para que fosse considerado verdade. Tsunade só poderia estar de brincadeira! Releu a carta rapidamente e olhou a certidão que estava em seu colo. A bendita realmente parecia ser verdadeira e ele se perguntou por que não havia prestado mais atenção à certidão de Konohamaru e a comparado com a de casamento que lhe fora entregue dias antes. Sem contar que ele não havia reparado na data de registro do garoto... como pudera ser tão desatento?
Agora sim, ele entendia a atitude de Sakura e sua vontade era de reagir da mesma forma. Suspirando pesadamente, esperou que ela retornasse do banheiro, assim poderia expressar sua indignação juntos. Tsunade poderia estar desequilibrada? Caducando? Havia recebido uma forte pancada na cabeça? Ele não sabia ao certo, mas uma coisa era fingir ser esposo de Sakura... outra completamente diferente era descobrir que eles eram casados, de fato, mas sem sequer terem comparecido à própria cerimônia de casamento.
— Que loucura! –Desabafou, correndo uma das mãos pelos cabelos.
Se levantou e foi até o seu lado no guarda roupa, retirando sua mochila de um compartimento baixo e colocando-a em cima da cama. Procurou nos bolsos internos e encontrou ambas as certidões. A de nascimento continha um carimbo vermelho, assim como a enviada junto à carta, enquanto na de casamento havia um carimbo em tom alaranjado, destoando completamente do documento original que jazia em cima da cama.
Desolado e frustrado, Kakashi suspirou novamente, lamentando estar passando por aquela situação. De repente, tirando-o de seu estado estarrecido, Sakura apareceu, fechando a porta do banheiro atrás de si. Notou que ela havia ajeitado os cabelos e evitava olhá-lo, como se estivesse envergonhada. Um pensamento ridículo passou por sua mente, mas ele o considerou, mesmo assim: e se Sakura imaginasse que agora ele exigiria seus "direitos de marido" sobre o corpo dela? "Kami, seria algo terrível... ela não deve estar pensando nisso... está?" Pensou, encabulado.
Resolvendo acabar com aquele clima esquisito que se instalara, o jounin resolveu se pronunciar, assim que Sakura se sentou ao seu lado na cama. Observou os ombros femininos caídos, em sinal de cansaço, derrota. O que teria acontecido com a ex-aluna ao saber daquele novo fato?
— Sakura, não sei o que você está pensando sobre essa novidade, mas eu lhe asseguro que nada entre nós irá mudar. Essa certidão não muda nada... apesar de ser verdadeira, legítima, ela foi feita sem a nossa presença. –Olhou-a, buscando os olhos verdes, porém não os encontrou, poie ela ainda mantinha a cabeça baixa. — Ambos não concordamos com isso, não nos casamos realmente... enfim, nosso relacionamento não deve nem irá mudar por conta disso. Representaremos nosso papel de casal apenas na frente dos outros, você sabe.
Kakashi vislumbrou um certo alívio na expressão de Sakura, mas o semblante dela ainda estava carregado, deixando-o preocupado. Tudo o que havia dito havia sido verdade, apesar da grande atração que vinha sentido pela Haruno. Ele jamais exigiria que consumassem aquela união, ele não era desse tipo; se porventura algo acontecesse entre eles, algum dia... num futuro distante, não seria por conta daquele documento e sim, por conta de seus próprios sentimentos.
— Eu... Jamais pensaria algo assim de você, Kakashi. Não seria certo para nenhum de nós. –Enfim ergueu o rosto, encarando-o. — Eu apenas lamento a falta de confiança de Tsunade-sama em nós. Custaria ter nos contado sobre isso? Sei que nada irá mudar com isso, mas há algo relevante a ser dito: estamos presos um ao outro, cativos da situação. –Suspirou, cansada. — Perdemos qualquer liberdade que porventura viéssemos a ter. Um documento como esse não pode ser questionado, nem se fingirmos que ele não exista, já que teremos de nos manter aqui por tempo indeterminado.
Concordando com Sakura, Kakashi apenas assentiu. O que estava feito não poderia ser desfeito tão logo. Poderiam se divorciar quando chegassem a Konoha, mas quando isso aconteceria? Como ela mesma havia dito, não havia previsão de retorno... haviam perdido a liberdade que viessem a ter em Suna. Ambos desejavam o sucesso da missão e fariam o possível para que tudo saísse conforme o planejado, mas que a surpresa de Tsunade fora um baque, isso era inegável.
Kakashi poderia lidar muito bem com as implicações que a missão lhe traria, até certo ponto. Por mais controlado que ele fosse – o que ele realmente era e se orgulhava disso –, em suas veias corria sangue, ele era feito de carne e osso, como qualquer ser humano e em algum momento ele se cansaria da solidão e poderia se envolver com alguém.
O jounin se sentia em uma encruzilhada, pois só agora havia pensado mais detalhadamente sobre essas questões. Com o documento falso, ele poderia se envolver com alguma outra mulher – discretamente, é claro –, sem peso na consciência. Seria errado se os outros descobrissem seu "caso", mas ele não estaria cometendo um adultério real, pois não havia legalidade na união dos dois. Assim, Sakura também poderia vir a agir, caso ela se envolvesse com alguém.
Em contrapartida, seria estranho se isso acontecesse e o casal mantivesse às claras entre eles o fato de que estavam com outros parceiros, não que ele fosse exigir a fidelidade de Sakura, já que ele sequer planejava mantê-la por tanto tempo. A situação era desfavorável para ambos os casos. "Eu deveria ter pensado nisso antes, mas por esse ângulo em específico." Kakashi lamentou consigo mesmo, encarando os próprios pés.
Com a certidão verdadeira, as coisas tomavam outro rumo. Ambos estavam presos a um documento real, mas falso ao mesmo tempo e isso era parte da preocupação. Kakashi não sabia o que Tsunade queria com aquilo, mas tinha certeza de que seria errado se envolver com Sakura, especialmente sob aquelas condições. Como se lesse seus pensamentos, ela continuou a falar, fazendo-o encará-la mais uma vez:
— Me sinto ofendida com essa situação. Confesso que não havia passado por minha cabeça me envolver com alguém enquanto estivesse em missão, mas... E se algo viesse a acontecer? –Ajeitou os cabelos, suspirando pesadamente. — Ao mesmo tempo, me sinto mal por isso, é complicado para explicar, mas... Eu não quero que fiquemos nos cobrando... não quero que nos aproximemos forçadamente por conta disso, sabe?
— Eu entendi, Sakura. –Kakashi anuiu, continuando o pensamento, tendo em vista o constrangimento da Haruno ao formular as palavras. — É basicamente o que eu havia dito antes: não é porque somos "casados" que teremos de nos envolver, obrigatoriamente. –Reafirmou, fazendo as aspas com os dedos.
— Isso! É isso mesmo. –Riu, sem humor.
— Se algum dia algo acontecer entre nós, quando estivermos a sós, sem estarmos na presença de Hana ou de estranhos, será porque ambos queríamos, não por que a situação ou o documento nos forçaram a isso, certo? –Kakashi questionou, olhando fixamente para Sakura, esperando que ela o compreendesse.
De imediato, um leve rubor surgiu no rosto feminino. Os olhos verdes se arregalaram brevemente, mas controlando as emoções, Sakura aquiesceu. Ela jamais agiria propositadamente para que algo acontecesse entre eles, mas tinha consciência de que quando estivessem em público, teriam de se comportar como um casal e isso envolvia a eventual troca de carinhos, beijos leves, uma atmosfera de cumplicidade e isso poderia confundir a mente dos dois, mesmo que fugazmente.
— Ok! –Kakashi disse, se levantando. — Contaremos algo para o Konohamaru? –Questionou, intrigado.
— Vou pensar sobre isso depois, agora eu não consigo pensar em mais nada, de verdade. –Esfregou os olhos, exausta. Percebeu que Kakashi se afastava e falou, antes que perdesse a oportunidade. — Kakashi, espere, por favor. Tenho algo a lhe falar, é importante.
Assim que Kakashi retornou e se sentou novamente ao seu lado, Sakura se deu conta de como nunca reparara muito no ex-sensei, tanto em sua aparência, quanto em suas atitudes. Quando havia o observado mais de perto, fora durante a noite, justamente quando decidira virar a página "Sasuke" de sua vida. Agora que ela começava a se sentir mal por isso, tanto por nunca ter realmente visto o homem que sempre esteve ao seu lado, quanto por ter demorado demais para se decidir sobre o que faria com relação à Sasuke.
Percebeu que realmente, sua suposição estava correta; Kakashi não parecia ser um homem velho, apesar de ter alguns anos a mais que ela. Talvez a máscara tivesse lhe conservado as feições joviais, mas ela ainda não se sentia confiante o suficiente para pedir a ele que visse seu rosto. Tudo tinha o seu tempo e aquele não era o momento para fazer um pedido daquele porte. Diria a ele o que havia acontecido durante seu breve passeio e talvez, depois de todas as surpresas que vinham acontecendo eles pudessem, de fato, começarem a se conhecer novamente, afinal, compartilhariam de uma farsa e teriam que desenvolver algumas afinidades, pelo bem da missão.
— Bem, eu iria lhe contar de qualquer forma, mas aproveito que estamos juntos agora para lhe comunicar algo... curioso. –Sakura se ajeitou melhor na cama, ficando de frente para Kakashi. — Hm... assim que saí da reunião com o Kazekage, resolvi dar uma volta. Avistei uma confeitaria mais afastada do centro comercial e entrei... pedi um dango e esperei; enquanto eu estava lá sentada, o... Sasuke apareceu. –Soltou num fôlego só, deixando Kakashi aturdido.
— Como? –Questionou, confuso. — Ele veio atrás de você? Ele a machucou? –Perguntou preocupado, procurando com os olhos por escoriações no corpo feminino.
— Oh, não! Fique tranquilo, ele não me fez nenhum mal. –Tranquilizou-o, sem jeito com tanta preocupação.
— Ainda bem que ele não fez nada contra você mais uma vez, ou seria um homem morto! –Ameaçou, mantendo a firmeza no tom de voz.
— Ele veio me dar uma espécie de aviso. –Comunicou Sakura, ainda constrangida com a reação de Kakashi.
— Não entendi. Ele reaparece do nada, depois de tanto tempo para lhe dar um aviso? Isso está muito estranho. –Kakashi concluiu, desconfiado.
— Sim, foi isso mesmo. Mas, não era ele de verdade, era um bunshin... mas de qualquer forma, ele veio me avisar sobre o plano de Orochimaru. Disse algo sobre o Sannin planejar algo grande, que virá com tudo, pois tem algo extremamente perigoso e inovador em mãos. Sasuke disse ainda que não sabe ao certo do que se trata, mas afirmou que, com nossas habilidades atuais, não seremos páreo para Orochimaru.
— Com qual intenção ele lhe daria uma informação tão valiosa? –Retorquiu Kakashi, ainda surpreso com a novidade.
— Eu lhe perguntei a mesma coisa e ele disse que o prazer de me ver com medo era um bom motivo... enfim, ele continua o mesmo. –Sakura revirou os olhos, desgostosa. — Bem, o que sei agora é que ele estava de partida e havia prometido que desapareceria, pois já se cansou do sistema shinobi, essas coisas, você deve imaginar.
— Bem, essa informação é de certo valor, pois assim nós poderemos nos preparar melhor, treinar nossas habilidades e possíveis jutsus novos, mas o que me preocupa é outra coisa. Nós já sabíamos que Orochimaru nos atacaria com afinco, já que ele vinha agindo sutilmente, como que esperando a hora certa, mas... o Sasuke vir lhe falar isso é no mínimo, muito suspeito. –Concluiu, pensativo.
— Confesso que fiquei intrigada com isso também, mas e se ele quis fazer algo bom, ao menos dessa vez? –Comentou quase para si mesma, porém Kakashi ouviu e olhou-a, demoradamente.
— Posso lhe fazer uma pergunta pessoal? Se não for um incômodo, é claro. –Assim que Sakura aquiesceu, ele prosseguiu, ainda a encarando. — O que você sentiu ao vê-lo de novo?
Após alguns segundos de hesitação, Sakura respondeu, sustentando o olhar:
— No início eu senti medo, muito medo, tanto que ele o sentiu através de mim e zombou disso. –Respondeu, abraçando a si mesma. — Mas depois o medo passou e senti um misto de tristeza e raiva, desconfiança. Eu jamais imaginaria que pudesse me controlar tanto quando o visse como fiz hoje, após o susto inicial. Só queria saber quais motivos ele teria para me dizer o que disse... agora me resta apenas imaginar.
— Entendo. –Murmurou Kakashi, se levantando. — Vou reportar isso a Kankuro, volto antes do jantar.
Antes que saísse do quarto, Kakashi ainda se deteve próximo à porta, olhando-a novamente. Parecia em dúvida sobre o que faria, porém, após observar o semblante ainda assustado da ex-aluna, resolveu partir.
— Droga. Será que esse encontro com Sasuke pôs tudo a perder? –Confabulou consigo mesma, se levantando e indo em direção à janela.
Observou o cair da tarde, que lhe parecia tão diferente, tendo em vista os fins de tarde em Konoha. O ar quente e seco penetrou-lhe nas narinas, deixando-a ofegante. Ao longe, Sakura podia ver pequenos redemoinhos de areia se formando, dando a impressão de que a Vila era desabitada, arruinada. O clima ali era horrível, ela tinha de admitir, mas o ambiente não era hostil, o que ajudava a diminuir a má impressão inicial que sempre tinha ao adentrar o território do Kazekage.
Apesar de estar consciente de que não deveria esperar muito, se iludir, tinha a sensação de que se daria muito com seus novos colegas de profissão, mesmo que sua posição fosse, de fato, privilegiada. Por conta de sua "maternidade", seus turnos seriam reduzidos, limitando-se apenas ao período em que Konohamaru estaria na Academia, pois o garoto não poderia ficar em casa sozinho.
Ela ainda não tinha ideia de como seriam os plantões de Kakashi, afinal, nada fora dito na reunião. Aliás, da fatídica "reunião", ela só se recordava do incômodo que sentira ao ver os olhos de Gaara perscrutando-a e das novidades tecnológicas que estavam por vir. Lembrou-se de que haveria uma festa dali a três dias, na sexta-feira, quando os estrangeiros chegassem e se deu conta de que talvez, teria de se vestir mais formalmente, afinal, era "esposa" de um dos homens de confiança do Kazekage.
— Diabos! E se eu não souber o que vestir? –Perguntou para si mesma. — Como seria perfeito tê-la aqui, Ino. –Desabafou, entristecida.
Ficou ali, debruçada no parapeito da janela pensando em seus últimos dias em Konoha; a amiga havia feito de tudo para que seus últimos dias em seu lar fossem o memoráveis e havia dado certo. Imaginou o que a loira escandalosa estaria fazendo àquela hora. Estaria com Yamato? Ele teria feito algo com relação ao relacionamento deles? No começo, Sakura havia ficado contra a relação dos dois, mas Ino estava feliz, por isso ficou feliz por ela, mas ainda achava que o ex-anbu não queria um relacionamento sério com a Yamanaka, já que nunca havia dito que pensava em firmar compromisso.
Sakura temia que Ino se machucasse, que Yamato a magoasse ou a deixasse; a amiga sofreria muito com o possível fim do relacionamento deles, pois mesmo não declarando abertamente, ela sabia muito bem que Ino o amava. Custava a entender o que a Yamanaka vira no ex-comandante do time sete, afinal, ele era mais velho que ela e digamos, tinha algo de sombrio em seu jeito. No pouco tempo em que vira os dois juntos, pôde perceber que ele a tratava bem, mesmo que tivessem brigado na véspera de sua saída de Konoha.
Ino não havia gostado de ver o ex-anbu exagerando na bebida e discutira com ele, que alterado pelo álcool, dissera algumas grosserias, fazendo-a chorar quando ficaram a sós. Sakura via os relacionamentos amorosos, de um modo geral, como muito complicados para o seu gosto. A grande diferença de idades era um forte empecilho para o sucesso de uma união e mais por conta disso é que temia seu futuro ali em Suna.
Kakashi tinha uma personalidade calma, apesar de tudo e isso poderia contar como um ponto a favor, mas... ela não o conhecia mais. Ele não era o mesmo de anos antes, ela tampouco; haveria a possibilidade de sair daquela convivência com ao menos a antiga amizade e companheirismo que um dia tiveram, restabelecidos? Ela torcia para que sim, pois se dera conta de que se tornara uma pessoa muito solitária, apesar da constante presença de Ino e Naruto – a deste um pouco mais escassa, mas sem deixar de ser verdadeira e importante.
Suspirando, notou que o sol estava se pondo lentamente, agraciando-a com sua despedida. O espetáculo no horizonte deixou-a fascinada, momentaneamente boquiaberta. Diferentemente do que estava acostumada a ver em Konoha, ali o sol se punha deixando para trás um tom alaranjado muito forte, era como se o Astro Rei deixasse rastros de lava no céu extremamente limpo. Em Konoha, o pôr-do-sol era diferente: no horizonte ficava uma bela visão, uma fusão de cores, tons violeta, amarelo e alaranjado se misturavam, formando uma visão memorável, mas nem por isso o poente em Suna poderia ser desmerecido, cada um tinha seu devido charme.
Assim que as primeiras estrelas surgiram no céu e as luzes da rua e das casas se acenderam, Sakura se afastou da janela e foi em direção à cozinha, onde Hana trabalhava, fazendo o jantar. Ajudou-a a preparar a refeição, tencionando afastar a melancolia em que estivera envolta momentos antes.
Se Hana percebeu o estado de espírito de Sakura, ela teve a discrição de não comentar, pois manteve-se falando sobre a festa, apesar de não ter certeza se compareceria, já que certamente não teria o traje apropriado. E Kankuro sequer ainda havia a convidado formalmente, deixando-a ainda mais ansiosa. Sakura escutou tudo com atenção e ao fim de mais um lamento da jovem, resolveu propor:
— Hana, se você me ajudar a escolher um traje, eu lhe empresto algum de meus vestidos. –Notou os olhos dela se arregalarem e sorriu, estranhando a reação da outra. — O que foi? Você não acabou de contar que não tem o traje adequado?
— Mas... Senhora! Quer dizer... dona Sakura, eu... não posso aceitar! Eu sequer ainda fui convidada formalmente, não quero parecer uma oferecida e muito menos pegar um vestido da minha patroa, seria desrespeitoso. –Explicou, corada pelo constrangimento.
— Desculpe por interromper, mas a mamãe tem razão, Hana. E vocês duas podem se aprontar juntas, olha que legal! –Konohamaru apareceu de repente, sem que ambas notassem.
— Bem, Hana... –Sakura não proporia aquilo, elas não eram amigas, não havia motivo para se arrumaram juntas, apenas pedira ajuda com o traje, nada mais. — Eu realmente precisarei de ajuda com a escolha do vestido e lhe emprestarei um, apenas isso. –Temeu ser rude, mas precisava ser sincera.
— Não acho que seria prudente que nos arrumássemos juntas, não quero confundir as coisas, apesar de achar a senho... de te achar muito legal. –Hana confessou, ficando ainda mais corada. — Eu a ajudarei com a escolha do vestido, mas tomarei emprestado um que você... não use mais. –Concluiu, se virando rapidamente para mexer o conteúdo da panela.
— Certo. Então veremos isso na quinta-feira. –Sakura estabeleceu, olhando para Konohamaru com censura.
O garoto apenas deu de ombros, se sentando à mesa. Certamente o dango que comera mais cedo não fora o suficiente para sustentá-lo, pois com o metabolismo agindo rápido por conta do experimento, apenas uma farta refeição o deixaria satisfeito. Sakura permitiria que ele comesse o quanto quisesse, afinal, estariam se alimentando no horário correto, diferentemente dos dias anteriores.
Se envolveram em uma conversa sobre trivialidades, enquanto finalizavam o preparo da refeição. Hana ajudou Sakura a arrumar a mesa e logo após comunicou que estava de partida. Informou que veria Kankuro e casualmente, comentaria sobre a festa, quem sabe assim o convite formal não viria? A Haruno vislumbrou o semblante cansado da morena e se solidarizou, oferecendo a ela o banheiro de hóspedes para que tomasse um banho e se arrumasse, evitando encontrar Kankuro suada e vestida com as roupas do trabalho.
A jovem relutou inicialmente, mas quando Sakura usou o argumento de que teria mais sucesso em sua missão aparecendo lá toda perfumada e animada, ela não pôde negar que a "patroa" tinha razão e cedeu, pegando a bolsa que havia deixado na área de serviço e rumando para o banheiro. Momentos depois, quando "mãe" e "filho" terminavam a refeição, Hana saiu de lá uma nova mulher, tanto que Sakura mal a reconheceu. Sakura acompanhou-a e ambas seguiram em direção à saída. A Haruno ia atrás, observando a beleza dos cabelos da moça, que havia deixado os fios soltos, caindo em ondas suaves pelas costas. Fora o tom, seus cabelos se pareciam muito, fazendo-a imaginar se suas madeixas ficavam tão bem visualmente quanto às de Hana.
— Agora vá lá e faça com que ele lhe convide; não peça nada, pois assim que Kankuro vê-la, o convite virá, natural e inevitavelmente, pode confiar. –Sakura murmurou, piscando para morena, que corou imediatamente. Ela se sentia estranha assim, dando conselhos que Ino certamente ofereceria, mas saíra tão espontaneamente, que sequer refreou-se.
— Oh, Sakura-san, muito obrigada! –Abraçou-a, envergonhada.
— Imagine, Hana... –Sakura ainda ficava sem jeito com a espontaneidade da moça, por isso apenas acenou de volta quando ela se despediu.
Quando voltou à cozinha, Sakura notou que Konohamaru havia lavado a louça, deixando-a no escorredor em cima da pia. Olhou-o orgulhosa e percebeu que o garoto preparava um prato para Kakashi, deixando-o em cima da mesa, coberto por uma vasilha um pouco maior.
— Prontinho. Está tudo organizado para amanhã, só falta o sensei chegar. –Comunicou, se aproximando de Sakura.
— Muito bem, mocinho. –Elogiou, bagunçando os cabelos acinzentados. Ao se lembrar de que não havia se desculpado decentemente quando lhe dera um cascudo, Sakura se aproximou mais do Sarutobi, hesitante. — Konohamaru-kun... eu lamento por ter perdido a calma mais cedo, eu não tinha o direito de te bater, não sou sua mãe de verdade e, apesar do seu tamanho, você não tem mais idade para isso.
— Não se preocupe, Sakura. Eu bem que mereci, já que fui rude. –Sorriu, constrangido. — Mas eu continuo com a mesma opinião sobre as outras coisas, ok? –Completou, exibindo um semblante sério. — Me desculpe por isso, mas eu não resisti... acabei escutando a conversa que você teve com o sensei mais cedo e acabei captando um pouco do que está acontecendo. Eu só espero que tudo termine bem. –Desejou, abraçando Sakura, pousando a cabeça em seu colo.
— Eu...iria lhe contar com calma, mas já que você ouviu boa parte da conversa, vou lhe contar o que aconteceu. –Disse Sakura, acariciando os cabelos rebeldes do garoto, em meio ao abraço. Ao fim da narrativa, Konohamaru havia se afastado, boquiaberto e se sentado numa cadeira.
Ele imaginara que as coisas fossem complicadas, mas não a esse ponto. Tsunade havia deixado todos em uma encruzilhada e não havia como escapar, ou correriam o risco de tomar o caminho errado. O Sarutobi admirou a audácia da velha senhora e mais ainda, a determinação em unir o casal. Parece que só os dois não percebiam a verdadeira intenção da Hokage... inocentes!
— Mas então, Sakura... vocês terão de conviver com mais esse fato... incontestável, ao menos por enquanto. Eu só queria saber uma coisa: quando você vai deixar o imbecil do Sasuke de lado e dar uma chance ao sensei? –Perguntou, timidamente, com os olhinhos brilhando.
Só depois que havia pronunciado as palavras é que o garoto percebeu Kakashi chegando à cozinha. Estiveram tão entretidos na conversa que sequer haviam escutado a porta sendo aberta e trancada em seguida. Sakura seguiu o olhar de Konohamaru e se virou rapidamente, vendo Kakashi atrás de si com uma sobrancelha arqueada, como que esperando pela resposta. Constrangida, Sakura sentiu o rubor lhe colorir a face rapidamente e as palavras que tencionava proferir morrerem na garganta.
E então, o que acharam? As coisas ficaram complicadinhas, não é mesmo? Haha', espero que vocês não queiram me bater *se esconde*. Trarei momentos legais a partir de agora, prometo!
Ah, antes que eu me esqueça... vocês devem ter notado que eu aumentei o tamanho dos capítulos. Vocês acham melhor assim, com capítulos maiores? Confesso que estou gostando de dar uma esticada neles, assim posso colocar um pouco mais de detalhes, enfim... quero saber a opinião de vocês! ;)
Até breve! :*
