CAPÍTULO 21
Decididamente eu não quero lembrar daquele verão. Draco Malfoy decide terminantemente ser arrogante e prepotente outra vez. Mas por um bom motivo. A dor, a angústia, as trapaças (tudo bem, eu adorei as trapaças!), o medo de você não sobreviver. Por Merlin! Eu prefiro lembrar da nossa primeira vez, querido. De você ainda não muito recuperado, mas tentando ser forte, tentando fingir que não precisava de mim. Tentando fingir que não sentia falta de Rony e Hermione, embora eu soubesse que você quase chorava por eles e murmurava o nome deles durante seu sono agitado. Maldito orgulho grifinório!
Se eu salvasse o mundo mágico, eu não me importaria de tê-lo aos meus pés me agradecendo e de ter pessoas me paparicando. Mas você, como já disse antes, é o maldito herói grifinório. O herói que eu amo.
Eu perguntei o que havia com você e você, lacônico, respondeu que não tinha nada. Você se arrastou até o quarto e disse que iria dormir, embora eu soubesse que você estava morrendo de dor. Seus amigos me disseram sobre a dor, lembrança dos cruciatus terríveis lançados por "você-sabe-quem". Mas você, estupidamente, queria demonstrar que não precisava de mim. Mas você precisava, Harry! Talvez nem tanto quanto eu precisava de você, mas precisava. Eu estava quase doente por viver no mesmo teto que você e não te tocar. Ás vezes eu tinha vontade de agarrar você. Aí eu lembrava do Weasley me dizendo que arrancaria minhas vísceras se eu te magoasse. Aí eu me lembrava do beijo que você deu nele e em Hermione quando eles foram para a Escócia. Eu acho que o ruivo caprichou só pra me deixar com ciúmes. Bom, ele conseguiu! Pode dizer que ele conseguiu. Pensando bem, nunca pensei que o cara beijasse com tanta, como direi... intensidade! Não que eu ficasse olhando ele beijar você. Quer dizer... talvez eu tenha olhado um pouco. OK, você venceu, eu olhei MUITO! Satisfeito?
Aí eu fiquei pensando, por que diabos você iria sentir alguma coisa por mim, tendo o Weasley e a Hermione. Tudo bem, eu havia conquistado a sua amizade. Mas, meu querido, eu pretendia muuuuuuuuuuito mais de você, se é que você me entende.
Mas, voltemos ao momento crucial: Você se atirou na cama, dentes cerrados, tentando abafar um grito de dor. Felizmente Hermione ensinou os lugares certos onde eu deveria tocar para aliviar o seu sofrimento. Eu me deito ao seu lado, faço você tirar a camisa (até aqui, juro que eu não estava mal-intencionado! Quer dizer, não muito...), toco você até que a dor passe e você relaxa tão completamente que cai num sono tranqüilo. Ainda com as mãos nos seus ombros e nas suas costas, aconchego você junto a mim. Tenho certeza que você nem percebeu quando se encostou em mim e segurou nos meus braços em torno de você. Depois eu soube que Weasley sempre fazia isso e você se sentia protegido. Como se o cara que destruiu o Lorde das Trevas precisasse de proteção!
Hermione me contou como você tinha sempre essa fome de afeto. Como você era capaz de apenas retribuir um abraço carinhoso ou um beijo como se sua vida dependesse disso. E eu estava pronto a dar a você muito mais do que isso. Seu corpo, colado ao meu, me enlouquecia. Não conseguia pensar em mais nada. Tinha que me controlar para não arrancar o que restava da sua roupa e te violentar ali mesmo, com você indefeso, dormindo. Nos meus braços. Era quase dolorosa a minha ereção. Não resistindo, beijei sua nuca. Um tanto confuso, você desperta sem saber direito o que estava acontecendo.
Então você se virou, ficando cara a cara comigo e deu um daqueles seus sorrisos perturbadores. É claro que você sentiu a minha ereção. E o mais interessante é que eu também senti a sua. Você também estava excitado. Claro, seus amigos e amantes estavam distantes e você não parecia do tipo que se masturbava com freqüência. Você estava excitado! Colando mais ainda seu corpo no meu (como se fosse possível!), você me beijou. Não daquela maneira urgente como antes da batalha contra Voldemort. Mas foi tão arrebatador o seu beijo quanto daquela vez. E eu me perdi na sua boca, na sua língua. E eu perdi o controle.
Agarrei você e arranquei realmente o que restava da sua roupa. Tirei a minha também de maneira rápida e desajeitada. Passei a beijar você em todas as partes do seu corpo que eu conseguia alcançar. Virei você de costas um tanto bruscamente e passei minha língua ávida por todos os lugares possíveis. Eu tinha fome e sede de Harry Potter, o "garoto que sobreviveu". Alucinado, entrei dentro de você. Primeiro fazendo movimentos lentos, depois sem nenhum controle, sentindo você gemendo debaixo do meu corpo, querendo me fundir com você, não apenas nossos corpos, mas tudo o que seria possível unir. Nossos sexos, nossa alma. Nossa magia. Gozei gritando seu nome, implorando para que você me amasse. Beijando sua nuca, lambendo seu ouvido, apertando seus mamilos. Voltei à realidade quando ouvi um gemido seu, que provavelmente era de dor.
Assustado, saí de cima de você e olhei preocupado para o seu rosto. Pelos deuses! Eu o tinha praticamente violentado. Eu, o cretino sonserino afoito tinha te machucado. Toquei seu rosto, queria pedir desculpas. Não, queria implorar. Queria dizer que compreendia se você nunca mais olhasse para mim. Por Merlin! E se você realmente nunca mais olhasse para mim?
- Desculpa – disse de maneira patética – Eu... eu machuquei você – gemi e comecei a chorar descontroladamente. Pedia desculpas, desculpas, desculpas.
Você então me tomou nos braços e me beijou de novo. Disse próximo ao meu ouvido, causando arrepios por todo o meu corpo, uma sensação bem parecida com o orgasmo que acabava de ter:
- Você me deseja tanto assim, Draco?
- Mais do que você imagina! – solucei.
- Não chore – disse ele – me apertando nos seus braços quentes. Da próxima vez, faremos mais devagar, OK?
- Próxima vez? – perguntei de maneira idiota. Haveria próxima vez? Oh, céus! Malfoy, seu idiota, pensei, você não o merece!
Quando pronunciei isso em voz alta, você me tranqüilizou e me disse que você faria tudo para que nós nos merecêssemos. Senti seu hálito quente e prometi que faria tudo por isso. Viveria e morreria por isso. E nunca mais seria grosseiro, estúpido, um sátiro e...
- O que você disse, querido? – perguntei, interrompendo as minhas auto-recriminações. Você havia falado algo tão baixo que eu não escutei, mesmo estando praticamente colado ao seu corpo.
Não demorou muito e eu entendi o que você queria dizer. Ou melhor, senti. Você ainda estava bem, digamos, animado. Ora, então eu não o havia machucado tanto assim...
- Estou com vontade... – foi o que você disse timidamente - Põe a sua mão aqui... –
É claro que eu atendi ao seu pedido. Você me beijou enquanto eu fazia você sentir prazer. O tempo todo você se agarrou em mim. E quando você gozou, gemendo deliciosamente, o seu abraço foi tão maravilhoso que eu prometi que não o machucaria de novo, pois você merecia ser levado às nuvens. E você também me levaria às nuvens, Harry Potter. E não era preciso nenhum feitiço. Bastava que fizesse amor comigo novamente.
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OK. Final da primavera, dois anos atrás:
Paul Chi era o mais famoso medibruxo curandeiro do mundo. Era também um mercenário nojento, que só trabalhava mediante muito ouro. Não se importava se o paciente estivesse nas últimas. Importava-se em ser pago. Muito bem pago. Era filho de mãe inglesa e pai chinês. Os traços orientais eram bastante proeminentes, embora o seu cabelo fosse um pouco avermelhado, quase como os dos Weasleys. Era baixinho, antipático e profundamente arrogante. É lógico que havia estado na Sonserina quando estudou em Hogwarts. Colega de Snape, só não havia se tornado um Comensal da Morte porque não havia meios de ganhar muito dinheiro com isso. Preferiu se tornar um gênio em medicina bruxa e cobrar honorários que equivaliam a um ano de salário de um bruxo trabalhador honesto. Ele iria salvar Harry Potter ou eu não me chamava Draco Malfoy.
Ele visivelmente não estava feliz em me receber. Insinuei que sabia coisas a respeito dele que poderiam prejudicar seus polpudos rendimentos. Mandei meu recado através de uma coruja de Hogwarts. A carta era bem sucinta: "Caro Sr. Chi. Gostaria de lhe falar a respeito de Harry Potter. Gostaria de vê-lo amanhã às dez horas da manhã em seu consultório, impreterivelmente. A negativa a esse convite amigável implicará danos sérios à sua imagem e aos seus honestos honorários, como manda lembrá-lo o seu ex-colega de escola, Professor Severo Snape, ora preso no Ministério da Magia, aguardando sentença judicial. A coruja em questão aguardará por sua resposta. Atenciosamente. Draco Malfoy".
A resposta dele não poderia ser mais lacônica. "Às dez, então. Você terá dez minutos do meu precioso tempo. Paul Chi".
Chi não havia sido de verdade um Comensal, mas uma palavra de Snape realmente poderia fazer estragos. Ainda mais com a opinião pública exigindo a cabeça de qualquer suspeito de ter sido aliado do Partido das Trevas. Eu e Hermione Granger, impecavelmente trajados com vestes bruxas fomos recebidos e avaliados pelos amendoados e gelados olhos do Sr. Doutor Chi, como ele fazia questão de ser chamado e como constava nos anúncios pagos do "Profeta Diário" e na placa de identificação na entrada do seu luxuoso consultório num prédio igualmente luxuoso de Londres, onde caríssimos curandeiros, advogados e contadores bruxos atendiam sua endinheirada clientela. Achamos melhor não trazer Gina e Rony, pois com o conhecido temperamento Weasley, eles eram capazes de azarar esse esnobe com menos de cinco minutos de conversa.
- Muito bem, Sr. Malfoy – disse com uma voz irritantemente esganiçada – Como tenho muito respeito pela sua família, ou pelo menos pelo seu nome familiar, resolvi perder alguns poucos minutos do meu precioso e caro tempo com você e sua amiga. Como é mesmo o nome da senhorita?– perguntou de maneira antipática, lançando um olhar de desdém na direção de Hermione.
- Hermione Granger, senhor – retribuiu no mesmo tom a garota.
- Engraçado – disse com voz afetada – Não conheço nenhuma família bruxa com esse sobrenome...
- Talvez seja porque o senhor esteja muito ocupado pilhando o ouro de famílias ricas e hipocondríacas – retruquei sem paciência. E antes que ele pudesse dizer alguma coisa, acrescentei: - Vamos parar com o joguinho, Chi! Eu preciso de você e você vai me ajudar, ou por Merlin, eu juro que você vai apodrecer em Azkaban e vai passar o resto dos seus dias cuidando de Comensais da Morte com disenteria!
