Capítulo 21: "Outro segredo revelado"
Rony
não apareceu mais no hospital durante os poucos dias que Gina passou
internada, nem mandou notícias. Parecia disposto a ignorá-la e
assim criticá-la indiretamente por ela ter se apaixonado por
Malfoy.
Fred
e Jorge também não apareceram mais, mas segundo a Sra Weasley era
porque a loja de logros andava com um grande movimento. Gina pensou
tristemente na possibilidade da notícia ser invenção de sua mãe
para justificar a ausência.
Harry
e Hermione voltaram a visitá-la e levaram-na flores e chocolates.
Seu pai ia vê-la sempre que saia do Ministério. A Sra Weasley
simplesmente não saia do lado da filha, o que, na opinião de Gina,
afastou um pouco Draco do local. O rapaz parecia sem dúvidas
incomodado com a presença da mãe de Gina, por isso não permanecia
ao seu lado o dia inteiro, o que ela pensou que supostamente
realmente pudesse acontecer, tamanha era a preocupação de
Malfoy.
De
fato, era no mínimo engraçado. Gina nunca havia visto Draco
preocupado - realmente preocupado. A imagem do garoto e seu olhar
desdenhoso de Hogwarts com certeza a acompanhariam pelo resto da
vida, por mais que Draco estivesse realmente mudado.
Gina,
então, recebeu alta. A Sra Weasley insistiu para que ela fosse para
casa, embora Draco ainda tivesse esperanças de que poderiam, talvez,
continuar a viagem. Após ver que Molly não sairia de perto de Gina
por um bom tempo, ele desistiu da idéia.
No
entanto, quando Malfoy foi visitá-la pela última vez antes dela
receber alta, sua mãe não estava com ela.
-
Graças a Merlim! – disse Draco, abraçando-a. – Sua mãe não
descansa não? Já estava cheio de vim te ver e ela estar agarrada a
você.
-
Ela é minha mãe, Draco. – disse Gina, arrumando suas roupas. –
E foi eu quem pediu pra ela ir para casa antes, porque disse que
precisava falar com você.
-
Falar... comigo? – perguntou, saindo do abraço.
-
Sim... Draco... você tem alguma idéia do por quê daquele comensal
ter aparecido em Verona, atrás de você?
Ele
não havia pensado naquilo. Droga, com certeza ela perguntaria... Oh,
Deus...
-
Sim. – ele respondeu com um tom que em nada demonstrava sua
perturbação interna.
-
E...? – perguntou calmamente Gina. Óbvio que ela iria querer uma
explicação... A mente de Malfoy trabalhava a mil por hora e era
incrível como ele não deixava isso transparecer.
-
Sabe... Virginia... – começou em tom sério. – Os Comensais da
Morte não ficaram muito satisfeito em saber que a família Malfoy se
safou de tudo. Meu pai é o único que foi perdoado oficialmente pelo
Ministério.
-
Mas... ele disse algo sobre "você não me avisou sobre ele, eu
poderia ajudar".
-
Isso foi antes do Lorde das Trevas ser derrotado – mentiu. Ele
parecia ter decorado um texto e agora falava compulsivamente. – Eu
sabia de alguns segredos do Lorde das Trevas e se eu contasse aos que
não sabiam, eles poderiam tê-lo ajudado na... batalha final.
Gina
aparentemente ainda tinha perguntas a fazer, mas agora só o mirava.
Draco temia que ela não houvesse acreditado, mas ele era bom em
Oclumência, e mentir era um dom. Sempre fora astuto e sempre tivera
a certezas positivas sobre sua lábia. No entanto, sentia os olhos de
Gina perfurarem os seus, embora ele soubesse que ela nem sonhava com
o dom da Legilimencia...
-
Eu entendo. – ela sussurrou depois de algum tempo. Draco sentiu-se
profundamente aliviado e a abraçou.
Ficaram
abraçados por algum tempo. O tempo parecia parar quando eles o
faziam.
-
Eu preciso ir. – disse Gina finalmente.
-
Mas... já...
-
É sério. Minha família inteira deve estar reunida em casa me
esperando.
Um
breve pensamento tomou a mente de Draco: todos os Weasleys-chatos
sentados na sala da casa de Gina. Acompanhados pelo precioso Potter,
a Sangue-Ruim Granger e talvez... –Draco cerrou os dentes ao pensar
- Eddy Humptirf. Só agora lembrou do infeliz... por quê ainda não
tinha aparecido? Será que já ficara sabendo dele e de Gina?
-
Só uma pergunta, Virginia, o Humpt...
-
Ah, Draco. Minhas malas, onde estão agora? – interrompeu
rapidamente Gina.
-
Suas..? Ah. Em minha casa. Mandei o hotel entregá-las lá.
-
Mas... eu precisava das minhas coisas...
-
Sem problemas. Vamos lá comigo pegá-las, depois você aproveita e
as leva para sua casa.
Gina
hesitou.
-
Mas... – começou, sem saber ao certo o que iria argumentar. –
Seus pais...
-
Ah, eles ainda estão de viagem.
-
Hum. – Gina continuava sem muita certeza de que era uma boa idéia
aparecer na Mansão Malfoy. Mesmo que nenhum outro Malfoy estaria lá
para vê-la, a idéia soava no mínimo estranha.
-
E então?
-
Ta... ok. – disse, ainda incerta.
Alguns
minutos depois, aparataram em frente à Mansão Malfoy. Ela ficava em
um lugar quase isolado das demais casas. A vegetação à sua frente,
por maior que fosse, não tapava a visão da grande – e realmente
bonita – casa dos Malfoy.
À
frente de tudo, um grande portão erguia-se, suas grades de um ferro
escurecido completava um ar rústico do local. No meio do portão,
Gina percebeu, um grande 'M' fora desenhado por o que pareciam
ser cobras de metal. Mas antes que pudesse distinguir, Draco deu
algumas pequenas pancadas com a varinha contra algumas grades e o
portão se abriu.
Andaram sob pedras pela vegetação que parecia não acabar nunca. Até que Gina e Draco chegaram na grande porta principal, e entraram. Primeiro, passaram por uma pequena sala que possuía duas grandes poltronas douradas. Viraram em um pequeno corredor.
A sala de estar era duas vezes maior do que a sala comunal da Grifinória. Gina conseguiu pensar em alguma resposta para o que seria mais caro: o enorme tapete com uma pele negra de Dragão, ou o grande lustre do mais puro cristal no teto. Assim, que entraram, o lustre acendeu e brilhou, iluminando as paredes roxo-escuras e os muitos retratos pendurados nela. Assim, Gina pôde ver os retratos se mexerem – alguns a observavam curiosamente.
-
Céus... – exclamou um homem loiro barbudo de um dos maiores
quadros. – Uma Weasley na digna Mansão Malfoy. Traidores do
sangue. Um infortúnio...
O
homem do retrato terminou de falar e ouve um falatório dos quadros.
Gina lembrou-se momentaneamente dos quadros na casa dos Black.
-
Calados. – disse Draco em voz suficientemente alta. Os quadros com
certeza sabiam do plano, com certeza haviam ouvido sua conversa com
Lucius. Ele temeu, mais do que a possibilidade de Gina se ofender,
pela possibilidade de algum deles falar do plano. Ergueu a varinha
ameaçadoramente. – Eu estou falando sério. Eu quero silêncio! Ou
então, virarei todos vocês.
Automaticamente, todos se calaram, antes de exclamarem um "Pfff".
-
Espere um momento, Virginia. Suas malas estão lá em cima, vou
buscar.
-
Hum, ok.
Draco
subiu as escadas de forma espiral. Gina, sozinha, ainda observada em
silêncio pelos retratos, apertou a alça de sua bolsa sentindo-se um
pouco mal. Era possível que ela e Draco fossem tão diferentes? Até
suas casas eram o mais diferentes possíveis. E não pelo tamanho ou
pelo preço dos objetos.
Gina
tinha certeza que sua mãe odiaria a decoração da mesa central:
dois pesados castiçais, com a figura de crânios em seu centro,
propositalmente escurecido. Um cinzeiro pesado com mais crânios
bizarramente esculpidos ficava no centro. Era sombrio, mas de certa
forma luxuoso. Gina também sabia que as paredes roxo-escuras nunca
agradariam os Weasleys, e nada batiam com as cores claras das paredes
d'A Toca, que sempre fora muito iluminada pela luz solar, enquanto
as pesadas cortinas da Mansão Malfoy pareciam ofuscar qualquer raio
de sol que ousassem entrar. E, bem, sua casa conseguia ficar
realmente desarrumada às vezes, por mais que sua mãe brigasse com
os filhos para não bagunçarem-na. Já na Mansão Malfoy, parecia
impossível bagunçar-se algo. Os objetos eram de alguma forma tão
alinhados, os grandes sofás negros eram perfeitamente impecáveis,
suas almofadas roxas com bordas douradas estavam muito bem
posicionadas e até a lareira estava realmente limpa. Ainda
observando cada detalhe da sala, Gina viu um balcão com alguns
porta-retratos. Largou sua bolsa numa poltrona próxima e chegou mais
perto – todos mostravam Lucius, Narcissa e Draco. Animou-se. Na
ponta, uma foto de Draco com mais ou menos uns seis anos. Ele
segurava uma vassoura e parecia exibi-la para quem quer que fosse ver
a foto mais tarde. Sorria sem mostrar os dentes de uma forma
vitoriosa. Apesar da expressão, Gina não pode deixar de sorrir. Mas
seu sorriso murchou um pouco quando passou para o centro dos
porta-retratos: o maior deles continha uma foto de Lucius, Narcissa e
Draco. Narcissa estava sentada em uma cadeira prateada, o nariz
empinado, vestida com um longo vestido azul que realçava seus olhos
também azuis. Lucius encontrava-se em pé, as mãos na cadeira de
Narcissa, vestido formalmente bem. Sua expressão era aquela que Gina
já conhecia – a de superioridade e imponência. Draco agora
aparentava uns treze anos e vestia robes negras com um grande broche
dourado que prendia sua capa acinzentada. Sua expressão era de
tédio.
-
Eu sabia que você seria atraída por esses porta-retratos. – disse
Draco, descendo as escadas. Gina virou-se pra ele. – Suas malas.
Dois
elfos domésticos traziam as malas de Gina atrás de Draco.
-
Bom, demorei, pois tive que achar esses malditos elfos... Acho que
eles andam dormindo em horário de trabalho, agora que a casa está
vazia. – disse com desprezo olhando para as criaturas.
-
Não, senhor Malfoy, estávamos ajudando na cozinha! – esganiçou
um elfo.
-
Sim, estávamos! – concordou o outro.
-
Quietos. Depois quero que passem a mão a ferro, ok? – disse Malfoy
em tom simples.
-
Que horror! – disse Gina. – Não os trate assim.
-
Ah não, Virginia. Vai dizer que é defensora dos elfos agora?
-
Não é isso... é que... bem... se eu tivesse um elfo, eu não o
trataria assim.
-
É da natureza deles. Por falar nisso... Cadê Yute?
-
Quem? – perguntou Gina.
-
Uma elfa... ela sempre traz chá para as visitas... ela não
apareceu?
-
Ah... não. – disse Gina já temendo a reação de Malfoy.
-
Yute! – berrou Malfoy. – Yute, venha cá!
Cinco
segundos depois, Yute apareceu. Tinha orelhas caídas, e parecia já
ter sofrido demais.
-
Posso saber o por quê de você não ter servido nossa visita?!
-
Senhor Malfoy... eu... – gaguejou ela, olhando para Gina. – Mas
ela... ela... o senhor seu pai n-não aprovaria...
-
Mas que Diabos!
Meu pai está aqui? Não! Então eu estou ordenando que a sirva, e
você deve
servi-la.
-
S-sim senhor... Yute vai servi-la...
-
Não... não precisa. Draco, eu estou de saída. – disse Gina.
-
Não, Virginia...
-
É sério. Meus parentes já devem estar preocupados. Eu adoraria
ficar, mas realmente preciso ir.
-
Bom... já que é assim... – disse Draco desapontado. Olhou para os
elfos, que ainda estavam parados – Vocês podem ir.
Os
elfos saíram correndo apressadamente para a direção da cozinha.
Draco olhou para Gina e aproximou-se dela. Seu tom automaticamente
havia mudado, parecia reprimir palavras, e isso aparentava estar
sendo doloroso para ele.
-
Virginia... você pode ir... mas antes... eu queria... – ele então
pausou.
-
Você queria...? – ela disse em algum tom totalmente compreensível,
para seja lá o que fosse.
-
Eu queria... agradece-la.
-
Agradecer-me...?
-
Sim. – ele baixou os olhos.
-
Pelo quê?
-
Você se jogou na frente de um feitiço que era pra ter me acertado,
se não está lembrada.
-
Ah, Draco... – ela abraçou-o. – Você lembra do que eu te disse
antes de ser atingida pelo feitiço?
Draco
lembrava. Lembrava tanto que as palavras que ele ouvira ainda soavam
em seus ouvidos e ele tinha a certeza de que não as esqueceria
facilmente. Calou-se, incapaz de dizer algo.
-
Eu te amo. – ela sussurrou. – De verdade. E eu tenho certeza que
você faria o mesmo por mim.
E
dizendo isso, ela saiu do abraço. Beijou-o com uma intensidade que
Draco não pôde distinguir direito porque ainda estava sedado pelo
efeito das palavras. Pôde vê-la sorrir quando disse um "Tchau",
segurar as malas e passar por ele para andar até o corredor que
daria para fora...
Então,
de repente, ele ouviu um crepitar de fogos. Olhou na direção da
lareira e viu Lúcio Malfoy surgir no meio das chamas esverdeadas.
-
Pai?!
-
Oi, Draco.
-
O quê faz aqui?
-
Meu filho, você não vai acreditar – ele disse em um tom
triunfante que assustou Draco. – O plano está adiantado.
-
O plano está... o quê?
-
Ritchy conseguiu... conseguiu um jeito de adiantar completamente o
plano! Diga-me, você conseguiu finalizar a primeira parte do plano,
na viagem?
O
corpo de Draco, involuntariamente, foi tomado de um frio e mal-estar.
Um medo. Como se a morte passasse ao seu lado e o deixasse cheio de
arrepios.
-
Draco?! Diga-me! Você conseguiu?! Ou não?
-
S-Sim... – sussurrou quase inaudivelmente.
-
Perfeito! – o triunfo de Lúcio aumentou - Perfeito!
Talvez amanhã mesmo... o Lorde
das Trevas
estará de volta! – seus olhos brilhavam. Ele estava maravilhado. -
E te recompensará... sim, ele te recompensará por todo esse
sacrifício de ter de encostar
em uma traidora do sangue, meu filho... Comemore, Draco, você não
precisará mais fingir nada pra Weasleyzinha nojenta!
Lúcio não havia terminado de falar, mas algo o interrompeu: uma voz profundamente dolorida.
- Isso... é... verdade?
Draco virou-se, bruscamente, e sentiu seu coração parar: Gina Weasley estava parada na entrada da sala de estar, ouvindo tudo.
