21º Capítulo: "Para Sara, com amor!" – O Perdão
"!Querida Sara
Sara
Meu Amor,
Sara
sei que o que fiz, foi grave. Não era minha intenção fazê-la sofrer, mas sei que fiz: cada lágrima sua fazia o meu peito se apertar.
Venho pedir seu perdão, pois vi que não posso viver com você zangada comigo! Mais que a mulher linda e carinhosa que aquece minha cama, está a companheira, que segue ao meu lado e suaviza meu caminho. Pra ser sincero com você, Sara, você têm múltiplas facetas e eu sinto a falta de cada uma: amo cada Sara! Amo desde aquele seu cabelo mais rebelde, até o dedão do pé; amo quando você está brava e diz o nome inteiro das pessoas, amo suas tentativas na cozinha (que nem sempre dão certo); amo a sua risada, que sempre me lembra duma cascata; amo aquele seu vinco, na testa, amo as nossas "horas do chá", tão íntimas, tão calóricas; amo quando você cantarola, ao limpar a casa.. Enfim... Amo tudo em você... Virtudes e defeitos...
Nunca quis lhe causar nenhuma dor ao contrário, quis lhe dar uma enorme alegria reunindo todos aqui novamente, e enfiei os pés, pelas mãos. Sinto muito, é que você não estava por perto pra me orientar e eu me perdi... É o que acontece, quando você não me guia: só faço bobagem!
Para mim sempre é muito difícil esconder alguma coisa de você, sempre acaba descobrindo! Quando percebi, que você ia chegando perto, falei a primeira coisa que me veio à cabeça,e deu no que deu... Confusão e sofrimento...
Perdoe meu amor, por tudo de ruim que a minha mentira causou a você e nossos filhos Aprendi algo muito importante, sobre a mentira. Ela cresce rapidamente, porque a gente sempre acrescenta alguma coisa a ela e de coisa em coisa, ela vai aumentando de tamanho. E também que ela nunca retrocede, não dá pra se voltar atrás. O mal está feito!
Sei que isso trouxe muito sofrimento às pessoas que mais amo no mundo: você e nossos filhos.
Como você gostou da outra vez, mando-lhe um soneto de Shakespeare, para reflexão. Agora é o soneto 96:
"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."
Perdoe esse seu marido atrapalhado e arrependido, que te ama demais. Saudade de você...
Gil"
Sara acabou de ler a carta, Primeiro sorriu, com a indecisão dele em se decidir como devia se dirigir a ela. Depois, conforme foi se aprofundando na leitura, foi se emocionando, mas ainda tinha algum ponto de resistência que não queria se entregar. Algo de rebeldia a segurava ainda.
Foi então que viu caído no chão um sapatinho rosa, que Emily devia ter deixado cair ao transportar suas caixas pra garagem. Agachou-se, pegou a pequena peça e dezenas de flashbacks espocaram em sua mente, como fogos de artifício.
Grissom bem mais jovem, impressionando-a enquanto dava uma palestra em San Francisco; reencontrando-se com ele em Las Vegas, tentando resolver um caso; uma noite num beco, observando um outdoor de uma modelo; ele preocupado, segurando sua mão no helicóptero, quando ela o vê, num dos seus intermitentes momentos de consciência; ele discursando, com a voz embargada, no funeral de Warrick; o beijo apaixonado na lua-de- mel, em Paris; ele naquela Capela de Las Vegas, se enganchando em sua casquete ao beijá-la; a confusão dele ao ver pela primeira vez os gêmeos;ele todo orgulhoso vendo William receber seu primeiro troféu de natação; dançando com Emily, envolta em uma nuvem de tafetá rosa no Baile das Debutantes...
Tantas outras lembranças cutucavam-na, lhe dizendo que aquele homem confuso, atrapalhado, desajeitado era o seu Grissom, o seu homem, o amor de sua vida, o pai de seus filhos.
Então de repente, ela começou a chorar tudo que estava guardado, há muito tempo. E entre as lágrimas viu que aquele homem atrapalhado, mas maravilhoso; confuso, mas extremamente generoso, era o seu homem. Que ela fora muito afortunada ao escolher Grissom e ser escolhida por ele.
De repente entendeu que o seu Grissom sempre seria aquele garotinho que ia escolher uma laranja na base da pilha, deixando cair todas as outras e perguntando inocentemente, o que tinha acontecido. Era da natureza dele ser assim. Ela tinha se apaixonado por ele assim e ele não ia mudar.
De repente, sentiu muita saudade dele. Percorreu depressa a distância que a separava da sala de estar. Seu coração pulava feito louco em seu peito, querendo ficar perto de sua parelha. Algumas coisas nasceram para ficar juntas: café/leite; morangos/creme; sal/pimenta; queijo/goiabada; Sara/Grissom...
Encontrou-o no sofá, encolhido num canto, vendo todo tristinho, um filme de cowboy. Ele percebeu o rosto molhado dela, pegou o controle remoto e desligou a TV.
Ela atirou-se em cima dele e deu-lhe um longo e molhado beijo apaixonado. Ele perguntou, quando precisaram tomar ar, entre surpreso e confuso:
- Foi a carta?
- Não, mas não importa... Não sei como pude ficar tanto tempo longe de você...
- Sara... Você ainda me ama?
- Sempre... cada vez mais...- disse beijando seu rosto inúmeras vezes.
Grissom começou a abrir sua blusa. Ela protestou:
- GiL! O que pensa que está fazendo?
- Se preciso explicar, é sinal que não andei fazendo direito todos esses anos.
- Não é isso, AQUI? As crianças... Cath... Jim...
- Sim, me ocorreu que nunca fizemos neste sofá... E as crianças, ainda acreditam em cegonha? E Cath e Jim não veriam nada que já não tivessem visto...
- Gil! – Reclamou Sara, como uma noivinha virgem. – Não precisamos dar show pra ninguém! Vamos aproveitar a privacidade de nosso quarto. Amanhã a casa voltará a ser só nossa e poderemos fazer amor onde você quiser!
Ainda meio relutante Grissom seguiu-a excitado e feliz, até seu quarto. Seu exílio se acabava, bem como seu jejum...
