Aviso: não se surpreendam, o capítulo não é exatamente linear com os acontecimentos do primeiro ano, muito menos fiel aos livros.

Harry mal podia esperar pela primeira aula de poções. Era a aula que em que ele poderia ver Draco e Ron. E claro, poderia ver como seu tio Severus dava aulas, não que ele precisasse de mais aulas de poções, mas queria ver como o homem tinha assustado tanto seus alunos, Harry mal podia se conter e rir dos comentários assustados dos colegas no café da manhã. Seu pai Remus vivia repetindo que rir dos amigos era rude, pelo menos quando ainda não tinham muita intimidade, que por exemplo, ele podia sempre rir do seu padrinho Sirius porque eram amigos há muitos anos. Ele deu um sorriso discreto para Draco e Ron, o loiro só levantou uma sobrancelha em resposta, ele sim sabia ser discreto, e o ruivo sorriu abertamente, o que o fez levar uma cotovelada de seu companheiro de casa.

- Se comporte, Ronald. – Draco sisseou.

- Mas eu não fiz nada! – O ruivo se defendeu, baixinho, já tinha aprendido a não falar alto, o que segundo Draco era uma evolução para os seus modos.

Draco ia replicar, mas a porta se abrindo num baque e Severus Snape entrando no salão em toda a sua glória de vestes esvoaçantes e olhar férreo fez com que todos os alunos se empertigassem nas cadeiras e olhassem para a frente.

- Quero que prestem atenção. – Severus disse, sua voz retumbando pela sala e fazendo leões se encolherem. – Nessa aula vocês não vai haver gracinhas e movimentos idiotas de varinha, alguns de vocês vão duvidar que se trata de magia, mas isso é para os tolos.

Severus andou pela sala, sua capa esvoaçando dramaticamente seguindo seus movimentos enquanto ele falava numa voz segura e rouca.

- Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções. Posso ensinar-lhes a engarrafar a fama, a cozinhar a glória, até a enganar a morte. Isso claro, se não forem o bando de tolos que geralmente me mandam ensinar.

Harry riu de leve quando viu que Hermione sacudia a cabeça vigorosamente, praticamente hipnotizada pelas palavras do pocionista, claro que isso foi o suficiente para que Severus focasse sua atenção nele com um brilho especial nos olhos. Harry engoliu em seco, ele sabia como o pocionista ficava irascível quando ele o interrompia nas aulas.

- Harry Potter, nossa nova celebridade. Vamos ver se além de fama tem algo de conhecimento.

Harry olhou feio para o marido do padrinho, ele sabia que Severus ia humilhá-lo por não prestar atenção, ele tinha vontade de fazer um beicinho, mas não iria dar ao homem esse gostinho.

- Então, sr. Potter, pode me dizer o que obtenho se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna? – Severus perguntou, com voz rascante.

Harry estreitou os olhos.

- Não sei, senhor. – O moreninho disse, vendo como Hermione praticamente se jogava do banco com a mão levantada.

- E que tal sobre onde posso conseguir um benzoar? – Severus continuou, se inclinando sobre sua presa.

Harry baixou os olhos, envergonhado, Severus tinha dado essa aula, mas ele estava mais preocupado em brincar com um ioiô mágico que seu pai Remus tinha lhe dado do que ouvir o pocionista.

- Eu não sei. – Ele respondeu, com raiva.

- Eu não sei, senhor. – Severus corrigiu-o.

- Sim, senhor. – Harry disse, de má vontade.

- E qual é a diferença entre acônito licoctono e acônito lapelo? – Severus concluiu.

Harry teve vontade de chorar, ele sabia que essa era uma planta importante para o preparo da poção mata-lobos, que Severus fazia para ajudar lobisomens sem clã e que se machucavam, mas ele não se lembrava da diferença.

- Eu não sei isso também, senhor. – Harry disse, baixando a cabeça envergonhado.

- Oh, então, ao que parece nossa celebridade não se deu ao trabalho de abrir nenhum livro antes de vir para a escola, ou saberia que raiz de asfódelo em pó em uma infusão de losna cria uma poção para dormir tão potente que é chamada a poção dos mortos-vivos. Ou que talvez, um benzoar é uma pedra retirada do estômago de uma cabra e que serve de antídoto para a maior parte dos venenos, e que acônito licoctono e acônito lapelo são a mesma planta. – Severus arrematou, ignorando o olhar de decepção de Hermione. – E o resto de vocês cabeças de vento, não estão anotando por qual motivo?!

A partir daquele momento tudo o que se podia ouvir na sala de aula de poções era o som das penas rabiscando pergaminho, mas Harry, ele só podia ouvir sua própria vergonha e embaraço.

- Não fique triste, as perguntas eram muito difíceis. – Hermione disse, quando saíram da sala.

Harry corou de novo.

- Mas você sabia as respostas. – O menino apontou.

Hermione deu de ombros.

- Eu sou um tipo de nerd, eu li todos os livros antes de vir para a escola… porque eu não tinha muitos amigos para brincar no mundo trouxa, ninguém quer ser o amigo de uma sabe-tudo.

- Eu quero, eu não ligo quantos livros cabem nessa sua cabeça grande! – Harry brincou, e ganhou um tapa no ombro.

- Você não pode chamar uma garota de cabeçuda Harry, é rude! – Ela disse, apesar de sorrir.

- Nem me chamar de gorducho, é rude também. – Neville disse, logo atrás deles.

Harry as vezes se esquecia da presença do amigo, ele era tão silencioso e tímido a maior parte do tempo.

- Já que estamos restringindo insultos nessa amizade, quero deixar claro que meu cabelo não é bagunçado… ele tem personalidade! – Harry disse, fazendo os amigos rirem.

Draco, mais atrás no corredor estreitou os olhos para os três leões rindo.

- Eu não acredito que ele vai ficar amigo da sabe-tudo e do explode caldeirões. – O loiro resmungou.

- Bem, você é amigo de um traidor do sangue, que para arrematar recebe gritadores escandalosos na mesa de café da manhã.

- Verdade, sua mãe é uma vaca. – Draco disse, e recebeu um soco no braço. – Auch! Isso era apoio Weasel! – Draco provocou, usando o apelido que combinava com o nome do ruivo e com o lugar onde morava.

- Não importa, você não pode falar assim da mãe do seu amigo, isso é de má educação. – Ron provocou, imitando o tom de voz de Draco quando o corrigia sobre seus modos à mesa.

- Oh, certo, que tal isso? Sua mãe é uma senhora de muito respeito, mas sem a menor noção do que descrição ou cordialidade quer dizer.

- Isso soa melhor, obrigado. – Ron disse, num tom estudadamente contido.

Draco sorriu, seu pupilo era um aprendiz rápido. Ainda se lembrava da primeira manhã deles na escola, Ronald tinha mantido uma máscara indiferente enquanto os gritos de sua mãe ecoavam pelo salão e faziam todos olhá-lo com riso. As outras casas tinham rido loucamente, mas ninguém em Slytherin tinha dado um pio, nem mesmo Pansy, eles não demostravam publicamente que não gostavam de alguém de sua própria casa, em público, eram uma unidade, e Ron tinha ganhado pontos por se manter forte mesmo ao ser chamado de "pequena serpente traidora" pela própria mãe. Claro que mais tarde, em seu quarto com Draco, o ruivo tinha deixado algumas lágrimas amargas caírem, mas ele ficou firme, principalmente quando recebeu uma carta de seu pai dizendo que estava chocado, mas maiormente preocupado, dizendo-lhe para ser forte e tomar cuidado. O pai sempre era um pacificador na visão de Ron, Draco tinha dito que ele pelo menos devia ter-lhe dado os parabéns, mas o ruivo tinha levantado uma sobrancelha e perguntado como Lucius reagiria se ele caísse em Gryffindor, a resposta de Draco desconcertou-o:

- Ah, ele iria culpar o pai Remus e chutá-lo para o sofá da sala por umas semanas.

- O quê?!

- Sim, e depois me diria que fico horrível de vermelho, e ficaria triplamente preocupado, tipo o seu pai. Meu pai não é o bicho papão Ron.

- Eu estava mais chocado com o fato de que ele põe o senhor Remus pra fora do quarto. Lá em casa é minha mãe que faz isso.

- E daí?

Ron corou fortemente.

- Deixa pra lá, é uma das coisas que ela diz sobre os casais de homens, nada real, mas…

- Eu entendo, minha mãe fala sobre a pureza do sangue. – Draco disse dando de ombros. – As duas são meio problemáticas.

Os dois assentiram, pesarosos, como só crianças podem ser, sobre as idiotices dos adultos.

X~X~X

A primeira aula de voo dos meninos foi algo para se lembrar. Neville tinha estado francamente nervoso, ele era um desastre com qualquer coisa que não fosse herbologia, Harry e Hermione tentaram acalmá-lo, mas não tiveram sucesso, menos ainda quando Draco tinha resolvido ter uma crise de ciúmes e pegar o lembrol do menino e zombar dele pela queda espalhafatosa que ele teve.

- Já chega, Malfoy. Isso não tem graça, devolva o lembrol do Neville. – Harry demandou, esticando a mão.

Draco fez uma careta, e olhou ferinamente para Harry.

- Quer o brinquedinho do explode-caldeirões, Potty? Venha buscá-lo. – O loiro desafiou-o, elevando-se na vassoura da escola.

- Volte aqui! – Harry gritou, montando atrás dele, mais por preocupação com Draco do que pelo lembrol, aquelas vassouras velhas podiam falhar e o loiro cair. – Draco Abraxas Malfoy! Essa vassoura é um lixo, não se atreva a fazer essa manobra!

Draco mostrou a língua para o irmão de criação, daquela altura não poderiam ser ouvidos.

- Eu não ligo, por que não vai a enfermaria ficar com seu novo melhor amigo boboca?

Harry revirou os olhos voando atrás do loiro.

- Ele não é boboca, é tímido! E não finja que você não me trocou pelo Ron! – Harry retrucou.

- Isso é mentira! Mesmo porque você e a Granger-cabelo-horrendo vivem roubando meu amigo!

Draco se referia ao fato de que Hermione e Harry comumente eram vistos na biblioteca ao lado de Ron, Severus tinha arrastado o ruivo pelas orelhas até o local depois de ouvir sobre suas participações pobres nas aulas.

- Isso é estudo! Não temos culpa se o morcegão o colocou de castigo lá e ninguém da sua casa quer ajudá-lo!

Draco revirou os olhos.

- Não deixe tio Sirius ouvir sobre como está chamando o marido dele! Ainda estão brigados?! Isso é tão ridículo.

- Ele começou! – Harry teimou, não ia esquecer aquela primeira aula humilhante tão cedo. – Foi muito rasteiro e… totalmente inadequado!

Draco parou de súbito, olhando raivosamente para Harry.

- Somos serpentes, Harry! É assim que nós somos, pare de ser uma menininha sobre isso! E quer ser mesmo o herói para o Lonbobo?! Vá buscar essa porcaria. – Disse o loiro lançando o lembrol em direção ao castelo com toda a sua força.

Harry agiu por instinto e foi atrás do objeto, só porque Neville tinha passado horas falando de como gostou da avó ter-lhe dado aquilo com um olhar carinhoso, coisa que ela raramente fazia. Ele mal pôde sufocar a vontade de gritar por seu azar quando viu McGonagall na janela, olhando-o com uma carranca, ele ia ficar de castigo para sempre, entre ela e seu pai Remus ele ia ter sorte se pudesse ver a luz do dia antes dos 30 anos.

X~X~X

Draco e Ron dividiam o mesmo quarto, por isso, o loiro podia ver como o amigo estava se esforçando para estudar e ter melhores notas, ele sempre estava em seu quarto estudando quando saía das aulas, mal aparecia no salão comunal.

- Ron, vamos para o jantar?

- Eu não posso, preciso refazer a redação da professora McGonagall. Ela disse que minha letra não passa de um garrancho.

- Aquela velha! Eu li sua redação, não tinha nada de errado com a letra. – Draco disse, vendo o desânimo do amigo. – Ela está implicando com você.

- Ela e minha mãe se conhecem, ela falou como ficou decepcionada em não me ver em sua casa e blá, blá, blá… um saco. Esses leões idiotas acham que são a melhor coisa do colégio.

Draco sorriu de lado.

- Oh, olhe para você! Zombando dos leões… um verdadeiro representante da casa de Salazar!

Ron corou, e pareceu se lembrar de algo.

- Ela disse algo importante… Harry te disse que vai jogar quadribol?

- E eu e você também, ano que vem vamos nos inscrever.

- Não, ele vai jogar agora, ela conseguiu uma permissão especial para ele jogar esse ano ainda, como buscador.

Ron podia ver como diversas emoções passaram pelo semblante de Draco, houve raiva, orgulho, inveja e carinho, tudo misturado.

- Só Harry pode infringir um monte de regras e conseguir a droga de uma posição no time. – Draco disse, com um sorriso meio amargurado. – Eu consegui um puxão de orelhas do meu padrinho, não figurativamente.

Ron não pôde deixar de rir.

- Seu padrinho puxa minhas orelhas todos os dias. – Disse, esfregando as orelhas ofendidas.

- Agora já não tanto. – Draco disse.

- Ele disse que agora sou "uma desgraça menos pior para minha casa". – Ron disse, enrouquecendo a voz.

- Ah, isso quer dizer que ele está orgulhoso do seu progresso. – Draco disse.

- Tem certeza?

- Claro! Se queria abraços e afagos deveria ter ido para os leões, McGonagall parece tãoooooooo carinhosa.

- Ah, Draco isso é nojento! – Ron disse, rindo.

- Vou ficar aqui com você, podemos comer os doces que minha mãe mandou da França.

- Tem certeza? – Ron perguntou.

- Claro, vamos fazer um piquenique na sua cama, assim não caem migalhas nos meus lençóis de algodão egípcio.

Ron revirou os olhos, Draco era tão filhinho de papai às vezes.

X~X~X

Harry tinha escapado da torre tarde da noite só para se esgueirar até as masmorras, ele entrou na sala de poções e cuidadosamente ia andando para a porta dos aposentos de Severus quando sentiu uma mão em seu ombro e gritou.

- Um leãozinho perdido no meu território, o que devo fazer com ele? – Severus disse.

- Você me assustou.

- Culpa sua, não deveria andar por ai a essa hora, e se vai se esgueirar Harry, tem que prestar atenção, se eu fosse um inimigo você estaria morto agora.

- Eu vim pedir fazer as pazes, pare de me dar bronca. – Harry reclamou, cruzando os braços.

- Nós estávamos brigados? Não tinha nem notado. – Ele disse.

Harry revirou os olhos.

- Eu fui um pouco insolente e mau humorado depois da nossa primeira aula. – Harry disse.

- Isso é um eufemismo, você foi insuportável e desrespeitoso.

- Você me humilhou de propósito na frente de todos e estava gostando de me ver envergonhando!

- Eu fiz isso, porque por um momento você me lembrou terrivelmente de outra pessoa que era desrespeitosa e insultuosa sobre poções, mas principalmente porque você realmente não estava prestando atenção. Minha aula é algo que pode discernir se você vive ou morre, Harry… isso sem falar que as poções estão presentes na sua vida todo o dia.

- Eu estou estudando. – Harry disse.

- Está, mas entregou trabalhos horríveis de propósito, mal posso esperar para ver o que Lucius vai fazer quando você for para casa.

- Você disse pra ele?

- E para Remus também, os dois vieram visitar quando eu estava corrigindo uma das tarefas… é bom mostrar sua coragem nas férias, vai precisar.

Harry engoliu em seco, esfregando a cicatriz que tinha doido o dia todo.

- Pode me dar uma poção para a dor de cabeça?

- Ah, queria fazer as pazes para me subornar? – Severus perguntou.

- Não, foi o padrinho, ele mandou uma nota malcriada junto com a vassoura.

- Sério? E o que ele disse? – Severus perguntou, pegando um frasco no armário.

- Que ia jogar os truques dos marotos em mim se eu não parasse de agir como um tolo. – Harry disse, ainda esfregando a testa.

- Ah, o que há errado? Você está com dor por que bateu a cabeça?

- É a maldita cicatriz, ela não para de doer no colégio, ela me dá as dores de cabeça.

Se Severus não fosse um bruxo tão controlado, teria deixado o frasco com a poção cair no chão.

- O que quer dizer como não para de doer no colégio? – Severus inquiriu.

- Desde o sorteio as dores começaram, é horrível. – Harry disse.

- Por que em nome de todos os deuses não disse isso antes?! – Severus esbravejou, sentindo-se vingado quando o menino se encolheu.

- Eu não queria preocupar os papais, e você estava sendo mau comigo! Hermione queria que eu fosse a enfermaria, mas as dores vão e vem…

Severus tinha vontade de sacudir o menino, mas suspirou, reconhecendo que não podia cobrar muita coisa de Harry, já que efetivamente tinha sido um idiota quando o menino o lembrou tanto de James Potter.

- Vamos lá, pirralho, não precisa fazer essa cara, só estava preocupado. – Severus disse, entregando o frasco e passando os dedos pelos cabelos horrivelmente bagunçados de Harry.

- Você foi mau. – Harry disse, fazendo beicinho, ele se sentia cansado.

- E você foi um pirralho mau educado, estamos empatados. Beba a poção e vá dormir no meu quarto, vou chamar seus pais por flú para conversamos.

- Eles vão ficar preocupados, e não é… – Harry tentou argumentar.

- Oh, ninguém nunca te disse? Se preocupar é um dever dos pais, vá para a cama, não quero te ver andando a noite pelo castelo, menos 10 pontos para Gryffindor.

- Malvado! – Harry resmungou, indo para o quarto, ele sentia frio nas masmorras e bem podia aproveitar um pouco de paz e silêncio para descansar, a torre era um saco às vezes.

X~X~X

Draco não estava gostando nada do ar conspiratório entre Harry, Longbobo e Granger-cabelo-horrendo.

- Você está encarando, de novo. – Ron disse, depois de engolir uma garfada de ovos mexidos.

- Eles estão aprontando alguma, eu sei!

- Oh, eles devem estar planejando ir tomar chá com Hagrid.

- O Guarda-caça?! Por quê?! – Draco perguntou, chocado.

- Pelo que Harry me disse, ele é muito legal, contou a Harry sobre como James Potter jogava bem na escola, e ele gosta de conversar. Parece um cara legal, apesar de cozinhar umas coisas horríveis, segundo Harry.

- Só meu irmão pensaria em ter amizades desse tipo. – Draco disse, desdenhoso.

- Só está com inveja porque Harry vai jogar esse ano, e provavelmente ser uma estrela. – Ron provocou.

- Eu não estou com inveja. – Draco disse, com uma careta.

- Com ciúmes do Longbobo, então, isso é meio ridículo Draco, você é muito mais bonito e interessante que o cara. – Ron disse, distraidamente, tomando um gole de suco, por isso, se assustou quando Draco pregou-lhe um beijo na bochecha.

- Você é um bom amigo, e diz as coisas certas.

Os dois coraram quando os mais velhos começaram a assobiar e provocá-los, Draco olhou feio para eles, um Malfoy não gostava de zombaria e ele podia beijar quem quisesse, principalmente se isso fizesse Harry desgrudar de Granger e olhá-lo por uns minutos.

X~X~X

Harry mal podia acreditar que tinha conseguido o pomo em seu primeiro jogo! Como não fazia diferença, ele tinha ganhado! A festa na torre não podia ser melhor, claro que ele tinha Hermione tentando encurralá-lo a cada momento, até que cedeu e foi conversar com ela e Neville num canto sossegado da festa.

- O que foi?

- Sua vassoura! Estava enfeitiçada.

- Sim, eu sei, mas ficou tudo bem depois de um tempo. – Harry disse, despreocupado.

- Sim, porque nós dois fomos impedir o professor Snape! – Hermione exclamou, deixando Harry perplexo.

- Sim, ela colocou fogo na capa dele! – Neville disse, com uma expressão que variava entre a admiração e o espanto.

- Isso… ah Merlin! Ele não estava me enfeitiçando. – Harry disse, fervorosamente. – Ele é o marido do meu padrinho, pelo amor de Circe!

Neville e Hermione arregalaram os olhos.

- Oh Harry, eu sinto muito! Mas eu vi, para esse tipo de feitiço é necessário extrema concentração, ele mal piscava enquanto te olhava e murmurava o feitiço. – Hermione argumentou, teimosamente. – E ele foi um comensal da morte, Harry.

Harry rilhou os dentes para evitar gritar com a amiga.

- Sim, ele foi, o homem que me criou também, aquele casado com meu pai. – Harry disse, sarcasticamente. – E sabe o que mais exige concentração, sua tola? O raio do contra-feitiço que anulava o controle sobre a minha escova… e antes que argumente que o feitiço parou quando queimou sua capa, pense um pouco, você causou uma confusão, qualquer um ali poderia estar me enfeitiçando… menos Severus Snape.

Hermione preferiu ficar calada, Neville parecia assustado pela discussão dos amigos, e o trio ficou assim por um tempo, até que a festa terminou e foram dormir.

X~X~X

Draco estava preocupado, Harry tinha sido alvo de um feitiço perigoso, se ele tivesse caído da vassoura… o loirinho estremeceu só de pensar nisso. Esse era o único motivo por perdoar o moreno por ser tão malditamente bom em burlar regras e sair ileso, esse deveria ser seu talento, afinal de contas. Foi fácil pra ele se esgueirar nos aposentos de seu padrinho, e não se surpreendeu ao ver seus pais ali, ambos tremendamente agitados.

- Eu avisei! Eu disse a todos vocês que isso ia acontecer! – Lucius esbravejou.

Remus odiava ter que admitir, mas Lucius estava certo.

- Talvez devamos levá-lo para casa, os meninos podem ser educados com tutores.

- Mas eu gosto da escola. – Draco disse, assustando os três adultos.

- Draco! O que eu disse sobre espionar as pessoas? – Lucius perguntou, cruzando os braços.

- Não seja pego, e eu não fui, nem papai Remus prestou atenção em mim.

Remus sorriu com a cara de pau de seu filho, e ergueu-o em seus braços, cheirando-o.

- Ah, que diabos, sabe que detesto essa poção que inibe seu cheiro. – Remus disse, fazendo uma careta.

- Mas como eu posso te enganar se não puder iludir seu nariz? – Draco perguntou.

- Que tal não tentar enganar seu pai? – Remus perguntou. – E não ouvir conversas que não são para os seus ouvidos?

- Ah, mas vocês estavam falando sobre tirar o Harry da escola, por causa do ataque a vassoura dele, certo? E se ele vai, eu vou. – Draco disse. – Mas eu gosto da escola, e Ron não fez muitos amigos, Crabbe e Goyle não contam, eles só fazem o que ele diz porque tem medo dele, e os manda ficarem me seguindo e espantando os idiotas.

- Por que Crabbe e Goyle tem medo do Ron?

- Ah, ele tem um irmão que cuida de dragões e um que é quebrador de maldições em Gringotts, de alguma maneira retorcida ele fez os dois tolos acreditarem que ele sabe maldições desagradáveis pra usar contra eles.

Lucius sorriu.

- Garoto esperto, quem diria que tem uma serpente debaixo de todo aquele ruivo.

- Eu não posso estudar em casa, chamem o tio Sirius e o façam achar quem atacou o Harry, ele é o auror, não é?

Os três adultos ficaram levemente surpresos, eles não tinham pensado nisso exatamente, coisa que fez Draco sorrir.

- Adultos, vocês não são tão espertos quanto pensam. Ah, papai, o que acha de me dar aquela vassoura nova nas férias de natal? Preciso treinar se quiser deixar o Harry comendo poeira ano que vem, e…

Remus voltou a levantá-lo em seus braços.

- Não adianta fazer olhinhos bonitos, nem nos chantagear meu jovem, você não vai conseguir essa vassoura até seu segundo ano, ponto.

Draco fez beicinho.

- Vou arrumar um namorado com estilo gótico e uma adaga… ai quero ver se não ganho minha vassoura.

Remus voltou a fazer aquela cara de espanto.

- Eu não faria isso, petit, seu pai lobisomem pode muito bem jantá-lo na lua cheia e isso não seria bonito, eu teria que tirá-lo da cadeia. – Lucius brincou.

- Podemos pagar os subornos, e Sirius diria que foi tudo em nome da proteção de um jovem desmiolado.

Remus mal podia aguentar Draco, que era uma serpente mirim, mas quando Lucius e Severus se juntavam, era melhor recuar.

- Vá para a cama, pestinha, e se eu souber que andou escapulindo de novo… vai passar os feriados limpando os castiçais da mansão. – Disse, devolvendo o menino ao chão, depois de tê-lo segurado mais apertado quando ouviu do namorado.

- Mas…

- Não vamos tirá-los da escola. – Remus assegurou.

- Por agora, pelo menos. – Lucius disse, obstinadamente. – E sei que os Weasley não levam os filhos para casa no natal, convide Ronald para se juntar a nós na mansão.

- Oh, isso vai ser genial! Podemos acampar no jardim… só não deixe Harry chamar o Longbobo, ele colocaria a mansão abaixo. – Draco disse, correndo para fora da sala.

- Não corra nas masmorras! – Os três adultos gritaram.

Lucius sorriu quando o filho saiu, ele olhou para Severus.

- Isso vai ser interessante, Draco é tão ciumento de Harry… mas ele tem um toque mais que possessivo pelo menino Weasley também.

- Não olhe para mim, é seu filho, ele claramente herdou suas tendências a ser um conquistador.

Remus rosnou.

- Eu não quero saber o que você aprontava na escola, e certamente meus pequenos filhotes não estão pensando nesse tipo de coisa.

- Não ainda, meu amor, mas está ali, pronto para florescer quando os hormônios deles entrarem em ebulição. – Lucius disse, carinhosamente.

- Oh, graças a Merlin ainda não tenho filhos, Sirius vai querer construir uma torre e prendê-los lá quando Draco e Harry começarem a namorar, não quero nem pensar no que ele fará quando tiver filhos próprios.

- Até lá vai ser chefe dos aurores, e vai ter um departamento só para seguir seus rebentos e mantê-los a salvo. – Remus disse. – Palavras dele, não minhas.

Severus grunhiu, ele nunca tinha pensado que ele seria o pai compreensivo, claro, ninguém podia fazer planos ao ser casado com Sirius Black.

X~X~X

Harry tinha gostado de Draco ter mandado uma carta fazendo as pazes, o loiro nunca pediria desculpas, mas disse, que se ele fosse estúpido o bastante para quebrar a cabeça num jogo de quadribol antes que pudesse vencê-lo adequadamente, iria fazer os pais o mandarem para França, para ser perseguido pelas garotas meio veelas, que iam adorar ter o menino-que-viveu por perto. Harry estremeceu só de pensar nisso, Draco era mesmo capaz de fazer esse tipo de coisa, a ideia de ter alertado os aurores para o ataque que ele sofreu tinha sido do loiro, e agora, ele tinha seu padrinho esquadrinhando a escola, e estranhamente, isso parecia deixar o diretor mais calmo, ele não gostava do brilho nos olhos do velho, era algo ameaçador camuflado de simpatia. Seu padrinho tinha estado por perto há duas semanas, suas dores de cabeça tinham diminuído, o que tinha dado a ele e seus dois amigos mais tempo para arrumar confusão. Eles mal tinham acreditado quando viram que Hagrid tinha um ovo de dragão, Hermione estava mais curiosa para ver a coisa nascer, ele esperava que ela tivesse mais juízo, mas concordava que era uma experiência única, Neville tinha desenhado o ovo e arrumado um novo livro para Hagrid, que esperava ansioso o nascimento. Além disso, eles teriam uma festa de dia das bruxas, o que claro, empolgava a todos. A escola amanheceu cheirando a torta de abóbora, e Harry estava animado, apesar de que podia ver como Sirius parecia sombrio, essa era uma data ruim para seu padrinho e seu pai, os dois eram muito amigos de Lily e James para esquecerem as más lembranças. Ele é que era mais ligado a família atual, não se lembrava dos pais biológicos e muitas vezes isso o fazia sentir culpado, ele era curioso, é claro, ele queria saber mais sobre o que levou a morte deles e a cicatriz em sua testa, ele sabia que tinha a ver com o Lorde das Trevas, mas ninguém falava desses assuntos. Era um mistério, e ele era um leão curioso, afinal de contas, mas era dia de festa e Harry estava num excelente humor, mal podia esperar pelo jantar delicioso de Dia das Bruxas.

- Herms, você não está arrumada para o jantar! – O menino disse, com ar reprovador, quando a viu no corredor andando na direção oposta a dele, indo a caminho da torre com um livro debaixo do braço. Eles tinham achado vários atalhos pelo castelo, e gostavam de poupar tempo.

Ela revirou os olhos.

- Isso era importante, eu pensei naquilo de que falamos ontem a noite, quando você disse que não sabia muito dos seus pais biológicos. – Ela disse. – Eu li um livro, sei um monte de coisas agora.

- Oh, as coisas que meu padrinho e meu pai não querem dizer?

- Talvez, eu não sei… – Hermione disse. – São fatos históricos, nada sobre como eles eram ou…

- Isso eu tenho em casa, tio Sirius não cansa de dizer como meu pai era engraçado e cheios de ideias para pregar peças, e tio Severus me contou sobre minha mãe, ela era inteligente e nascida trouxa como você.

- Ela morreu porque entrou na frente do feitiço da morte para proteger você.

- Eu sei. – Harry disse.

- Aquele-que-não-deve-ser-nomeado era um bruxo das trevas, ele achava que os nascido trouxas eram indignos de viver no mundo mágico e… ele matou e torturou vários dos bruxos com essa condição e vários trouxas também, ele queria que o mundo mágico vivesse numa supremacia de sangue.

- Quanta besteira. – Harry disse.

- Sim, e Severus Snape e Lucius Malfoy eram partidários dele, Harry! Abraxas Malfoy foi um dos primeiros a serem marcados. Eu sei que você não gosta que eu fale, mas precisa tomar cuidado… eles podem estar fingindo só para te machucar depois.

Harry tinha tido o bastante disso, ela e Neville eram desconfiados de sua família, não só por serem comensais da morte, mas por pertencerem a casa de Salazar.

- Quer saber, Hermione?! Você deveria tirar o nariz dos livros e olhar em volta de vez em quando, isso talvez te faria ter mais amigos. Ninguém quer estar perto de uma rata de biblioteca, que ainda por cima é desconfiada e preconceituosa! – Harry esbravejou, sentindo uma pontada de remorso ao ver os olhos da menina se encherem de lágrimas, mas ele não pediu desculpas, nem mesmo quando ela esbarrou nele e entrou no banheiro desativado das meninas.

X~X~X

Draco era um ser malvado, Ron pensou, vendo como o loiro sorriu ao ver Harry e Longbobo de mau humor um para o outro na mesa dos leões, e não havia sinal de Hermione por perto.

- É de bom tom ficar feliz ao ver seu irmão brigado com os amigos?

- Ele ainda tem a gente, está em melhor companhia, claro. – Draco disse, sorrindo descaradamente.

- Claro, vou estudar com Nott depois do jantar.

- Por quê?! – Draco perguntou, desconfiado.

- Porque ele é um cara legal, gosta de ler e está me ajudando com encantos.

- Eu poderia fazer isso.

- Não, porque hoje tem que ajudar Crabbe e Goyle com poções ou seu padrinho vai pendurá-los pelas orelhas no salgueiro lutador.

- Certo. – Draco disse, desanimado, ele e Ron se revezavam para fazer com que seus dois gorilas de estimação não fossem massacrados em suas notas. – Mas não fique muito amigo dele, isso serve para você também Theo. – Draco disse, cutucando o menino de cabelos castanhos a seu lado.

- Weasley é seu amigo, por que não pode ficar contente que dois dos seus amigos mais antigos se deem bem? – Nott perguntou, curioso.

- Oh, não seja tolo, Theo. Eu não me importo que vocês dois sejam amigos, desde que se lembrem de que devem me amar mais.

Draco deu um gritinho indignado quando os dois bateram em sua cabeça, o que estranhamente coincidiu com a entrada ridícula do professor Quirrel falando de um troll nas masmorras.

- Como o diretor contrata esse tipo de gente é impossível de saber. – Ron resmungou, até ele podia ver que o homem era uma tragédia ambulante.

X~X~X

Sirius Black não estava feliz, e seu afilhado não gostava de ser o alvo daquele olhar.

- Ah, padrinho, diga logo alguma coisa. – O menino pediu.

- Ah, você quer que eu diga alguma coisa… NO QUE DIABOS ESTAVA PENSANDO?! Seu moleque irresponsável com vento no lugar de cérebro! Ir atrás de um troll, de todas as coisas que podia ter feito…

- Mas Hermione estava em perigo por minha causa!

- Eu não ligo se era Circe reencarnada! Você devia ter avisado aos professores, ou a mim! Qualquer um dos vários adultos que podiam lidar com isso. McGonagall engoliu toda a história de vocês, mas eu não! Não me interessa quem estava em perigo, sair desse jeito perto de uma criatura daquelas… você e Longbottom tem cocô de hipogrifo no lugar do cérebro!

- Padrinho!

- É verdade, prepara-se para ficar com a bunda dolorida, porque eu vou contar isso diretamente para Lucius… e desde já considere-se de castigo! Não te quero nos jardins nem para tomar sol!

- Você pode me deixar de castigo na escola?

- Ou… eu posso pedir ao meu marido que o faça. – Sirius disse, sorrindo sinistramente.

- Tudo bem, tudo bem… não precisa ficar tão irritado, por Merlin. – Harry aceitou, indo para a torre sem se despedir, ele certamente iria levar umas palmadas se estivesse em casa, só esperava que Lucius não ficasse irritado o bastante para ir até a escola e jogá-lo sobre os joelhos na frente de todo mundo.

Sirius respirou fundo quando o afilhado saiu, e sentiu um par de braços rodeando-lhe a cintura.

- Esse menino vai me dar cabelos brancos.

- Sim, ele vai. Não está achando bom que ele está indo pelo mesmo caminho da transgressão e maluquice que o pai, o padrinho e o pai adotivo?

- Não! Isso só pode ser castigo por tudo o que eu aprontei… um troll pelo amor de Merlin!

- Eu sei, mas tudo terminou bem.

- Sim, e ele ganhou um beijo da garota. – Sirius disse, brincando, ao se lembrar de como Hermione tinha quase sufocado o menino com um abraço e um beijo estalado na bochecha.

- Parecido demais com você, de fato.

- Não seja ciumento, atualmente só tenho olhos para você! E por que diabos ainda não foi cuidar dessa perna?! – Sirius esbravejou quando foi beijar o marido e o viu gemer de dor.

- Já estou indo… você está muito mandão hoje, Black. – Severus resmungou, se dirigindo para a enfermaria da escola.

- Espere até irmos nos deitar, amor. – Sirius disse, sorrindo.

E então, o que acharam?! Me digam logo, que autoras felizes escrevem mais.
Beijos