Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XXI
- O jantar estava delicioso. – Shura olhou-o, com um ar cauteloso. – Eu não devia... – Deu uma risada quando Aiolos ergueu uma taça borbulhante até junto de sua boca. – Tudo bem, só um gole.
Depois que brindaram, Aiolos voltou a erguer a taça. – Este é para a sua pronta recuperação e para que os próximos dois dias passem depressa.
- Eu bebo a isso! – Outro gole e Shura jogou a cabeça para trás, rindo com abandono. – Bem, posso dispensar os analgésicos.
- Está sentindo alguma dor, querido? – Aiolos o olhou preocupado.
- Se meu tornozelo caísse eu nem notaria. Mas com certeza iria doer se você me deixasse e ficasse com Fulano. Tenho muito ciúme dele, sabe? Tanto que, se saísse agora, eu iria atrás para dar com essa garrafa na cabeça dele. – Deu uma olhada no conteúdo restante. – Puxa, ainda tem bastante. Sabe o que isso significa?
- Não, mas tenho certeza de que descobriremos. – Aiolos lambeu uma gota que pairava nos lábios de Shura.
- Isso faz cócegas! – o espanhol riu. Já estava alto, realmente só com aqueles golinhos.
- Você sente cócegas? – Aiolos cutucou-o embaixo do braço, fazendo o outro pular e derramar metade da taça sobre o colo dele.
- Er.. Desculpa! – exclamou Shura, pegando um guardanapo e começando a enxugá-lo.
- Ah, Zeus... – Aiolos gemeu. Rezou para que ter forças para afastar aquela mão. Isso não ocorreu.
- Que os céus me perdoem – sussurrou Shura. – Aiolos, eu te quero tanto!
Aquela confissão foi o que faltava para que os piores temores do loiro se realizassem, sem que pudesse fazer nada para impedir. Começou a sussurrar o nome do analista, enquanto Shura acariciava o membro do outro por sobre a calça, sem o menor pudor.
Shura acabou por abaixar o zíper da calça do outro, e tirando-lhe o membro da calça, continuou o que fazia, voltando a beijar-lhe os lábios. Era um momento de insanidade, por causa certamente da bebida. Normalmente nunca faria aquilo.
Aiolos soltou um gemido abafado e o apertou mais contra si, levando sua mão por cima da mão do espanhol, forçando-o a aumentar o ritmo. Precisava muito daquilo. Também estava alto por causa da bebida e só queria aproveitar o momento. Quando finalmente gozou nas mãos do outro, acabou por voltar a realidade.
O loiro amaldiçoou-se em silencia pela total perda de controle. Fora, sem sombra de dúvida, a experiência sexual mais humilhante de toda a sua vida. Não conseguia encarar Shura. Nem afastar a mão que ainda lhe cobria o membro. Não havia a possibilidade de Shura não ter notado.
- Aiolos? Você está bem? – o outro o olhou agora um tanto preocupado.
- Não, Shura, não estou. – falou baixo, ainda sem conseguir fitá-lo.
- Está embaraçado? – o espanhol sussurrou.
Aiolos agarrou-lhe o pulso e forçou-se a encarar o analista. – Se eu pudesse me enfiar debaixo de uma rocha e jamais sair, eu faria.
- Mas assim não poderíamos fazer amor. – Shura olhou-o com intensidade e surpreendente lucidez. – Quer fazer amor comigo Aiolos?
O loiro só conseguiu menear a cabeça, incrédulo. Shura tocou-lhe o rosto e foi a vez de Aiolos corar. – Sei que você fiou chateado, Aiolos, mas eu fiquei lisonjeado.
- Obrigado por tentar me consolar. Estou tão comovido com a sua bondade que vou retribuir-lhe o favor. Embora fizesse qualquer coisa para tê-lo, não seria direito tirar vantagem do fato de estar bêbado.
- Não estou bêbado. – Shura deu um soluço. – Estou um pouco alto, mas sei o que quero, e o que quero esta noite é você.
- É com o amanhã que eu me preocupo. – suspirou. – Você não?
Shura ficou calado por um instante; então, sacudiu a cabeça. – Sempre vivi para o amanhã e nunca aproveitei a oportunidade de aproveitar, de verdade, o dia de hoje. Você me faz querer romper a camisa-de-força em que me prendi. Você me faz sentir tão vivo, tão...
- Mas não desperto amor, certo? – Aiolos esperou, conhecendo já a resposta, mas sem perder a esperança.
- Desculpe-me Aiolos... – Contornou-lhe os lábios com os dedos trêmulos. – Gosto muito de você, respeito-o muito. Desejo-o como jamais desejei nenhum homem antes. Tanto que estou disposto a quebrar um juramento que jamais cogitei em desfazer. Não basta, por hora?
Embora Aiolos soubesse que deveria bastar, não bastava. – E Tales? Não quer "se guardar" para ele?
- Sim e não. – Com um suspiro cansado, Shura apoiou a cabeça no ombro másculo. – Eu já fiz isso antes. "Guardei-me" para um homem. Ele partiu meu coração. Você tem razão, os homem têm medo de mim, e é por isso, em parte, que passei muito tempo sozinho. Mas também é culpa minha; mantenho as pessoas, em especial os homens, àdistância. A não ser você. E Tales.
Embora não houvesse dito que o amava, Aiolos se alegrou com o fato de Shura lhe fazer aquela confidência, pela segunda vez naquele dia. O espanhol demonstrava que confiava no loiro, assim como em Tales. No entanto, escolheria o amante real? Precisava saber.
- Por que eu? Por que me quer como amante antes de ir para a cama com o homem a quem afirma amar?
- Eu amo Tales. Só que... – suspirou. – Você já ouviu dizer que a maior fonte de arrependimento não vem das coisas que fazemos, mas das coisas que não fazemos? – Ergueu a cabeça e fitou o loiro, implorando compreensão. – Devo encontrar Tales em duas semanas. Se me casar com ele, ou com outra pessoa, vou passar o resto da minha vida me perguntando como seria ter feito amor com você. Uma vez. Só uma vez.
Aiolos encarou o outro com desdém. – Uma vez? Tem certeza, Shura?
Aiolos tomou-lhe a mão e levou-a de volta ao seu corpo. Os olhos de Shura se arregalaram de surpresa, depois semicerraram-se, pois Aiolos deslizara a ponta do dedo do joelho para a parte interna das coxas de Shura, que estava apenas com o roupão. Subira até a cueca de Shura, tocando-o ali. Ouvindo o profundo gemido de Shura, Aiolos percebera a excitação do espanhol.
No entanto, foi com certa raiva que pegou Shura no colo e levou-o para cima. Shura queria ir para a cama com ele, mas não queria amá-lo, embora amasse. Jurara fidelidade a Tales só que não era com ele que queria dormir naquela noite. De certa forma, não importava que os dois fossem o mesmo homem, porque para Shura não eram.
Talvez tivesse sido por isso que Aiolos o levou direto para a cama, sem acender as luzes, só com o brilho pálido da lua cheia para guiá-lo. Talvez por isso não tenha sido muito gentil ao despir o roupão jogando-o ao chão. Só revelou ternura ao cuidar de proteger-lhe o tornozelo ao tirar-lhe a cueca, fazendo o espanhol sussurrar-lhe o nome como se fosse o único amante de sua vida.
Em contraste com o modo apressado como despira Shura, Aiolos tirou as próprias roupas num ritmo lento. Embora tivesse louco para possuí-lo, ao retirar a camisa, uma parte de Aiolos esperava que Shura mudasse de idéia. Não mudou. Nem quando ele soltou o cinto e o arremessou para longe, fazendo a fivela retinir na madeira do assoalho. E, quando baixou o zíper e retirou a calça, Shura estendeu as mãos para tocá-lo antes de se afastar.
- Você é tão bonito... – o espanhol afirmou, deslumbrado.
Aiolos sabia que o elogio ao seu físico deveria deixá-lo vaidoso, mas não era aquele tipo de beleza que queria que Shura visse.
- Não quero que me veja. – Foi até a gaveta e pegou um lenço. – Quero que use isso nos olhos. Assim não verá um rosto, nem um corpo. Tudo o que verá é o que há por dentro. Dentro de você... Talvez... Dentro de mim. Do meu eu real, Shura.
O espanhol hesitou, espantado com o pedido. O outro queria vendá-lo. – Eu nunca fui vendado antes, Aiolos.
- Sempre há uma primeira vez, Shura. Por favor...
A dor percebida na voz de Aiolos tornou-lhe impossível recusar. Contudo, enquanto Aiolos passava o lenço de seda em torno de seus olhos, mergulhando o espanhol nas trevas, Shura teve medo. Mas também uma emoção rara, uma excitação intensa, sexual, que aumentou quando Aiolos deu o nó, com força.
- Tem certeza, Shura? Vou entender se quiser desistir.
Aquela oferta só aumentou a certeza de Shura de que, qualquer que fosse o arrependimento que pudesse vir a sentir de manhã, não teria nada a ver com a tristeza por haver vendido barato o seu destino. Jamais desejara nada ou ninguém como aquele homem misterioso.
Por mais que amasse Tales, qualquer futuro que pudessem ter seria eclipsado por seus sentimentos por Aiolos. Shura era impelido a explorá-los, apesar do medo do que poderia descobrir no processo. Negara-o diante dele; mesmo agora, tentava negá-lo para si mesmo. Mas isso não tornava o amor menor. Se as sementes estavam ali, a união dos corpos iriam enraizá-las, e o amor poderia crescer.
E se viesse a amar aquele homem? Então, por mais terrível que fosse, teria de escolher. Agora, era seu corpo e sua escolha de compartilhá-lo com Aiolos. E não ousava abrir mão dela agora, porque quando Tales estivesse presente fisicamente, não haveria mais escolha. Jamais compartilharia seu corpo com dois homens ao mesmo tempo. Quanto ao coração...
"Tudo o que verá é o que há por dentro. Dentro de você e... talvez... dentro de mim. Do meu eu real, Shura."
Lembrando-se das palavras de Aiolos, Shura rezou, em silêncio: "Zeus, abra meus olhos na escuridão, abra meu coração para que eu possa ver".
Continua...
Eeee \o/ Finalmente o lemooooooonnn que vocês só vão ver no próximo capítulo XD! Quero avisar que estamos chegando aos capítulos finais da novela... er... do fic! Sim, sim! É triste não? Mas acredito que mais uns 4 ou 5 capítulos... ou seja, mais 4 ou 5 dias sofrendo. Talvez menos. Vai que eu resolvo lançar tudo de uma vez né. Hehehehe
Mas me digam o que estão achando. Emocionante? Ou perdeu a emoção? T.T Espero sinceramente que estejam curtindo!
Agradecimentos à: P-Shurete, Prajna Alaya, Sami Depp, Dragonesa, Dea, mfm2885 e à minha beta Akane M.A.S.T. \o/ Beijos a todos que estão acompanhando o fic e mantendo os meus dedinhos felizes!
