N/A: Obrigada Brubru pela rápida betagem de última hora.

Obrigada a todos vocês que continuam me lendo.

Desculpa a demora, pessoal, mas como havia falado a minha vida anda um tanto quanto complicada por conta dos estudos e trabalho. Continuo afirmando que não abandonei a história e meu único problema tem sido a falta de tempo para fazer qualquer coisa, inclusive escrever. Sei que faltam algumas reviews para eu responder do capítulo anterior e eu farei isso, mais uma vez só é questão de tempo, de qualquer forma eu li todas e vocês sabem o quanto eu gosto de responder e o quanto significa para mim.

Para quem não se lembra no capítulo anterior eu perguntei qual era a mania de vocês. A minha mania é desde criancinha. Eu gosto de pegar a ponta do cabelo na hora de dormir e ficar passando no olho fechado. É muito gostosinho rs.

Vamos com o capítulo, lá no final eu tenho mais recadinho para dar.


Capítulo 20

Bella estava sentada na cama de Alice assistindo a um filme de Ginger Rogers que a baixinha insistiu que vissem. A garota nem conseguia prestar muita atenção na história que passava na televisão de tão preocupada que estava com a frágil situação da amiga.

Alice saiu do hospital dois dias após dar entrada. A queda felizmente não havia causado nenhuma lesão, mas sua saúde estava muito abalada devido ao fato de que a menina estava sofrendo de um forte distúrbio alimentar. Eram tantos problemas que Bella começava a entrar em desespero só de lembrar a lista de coisas que Jasper havia a dito que seriam necessárias para a recuperação total de Alice. A doce mulher precisava ganhar 7kg para estar com um peso considerado saudável. Conforme ela fosse ganhando quilos de maneira sadia, alguns outros problemas de saúde iriam desaparecer também.

Bella tentou conversar com a amiga a fim de saber o que a levou a querer emagrecer tanto, mas nem Alice parecia entender direito a situação.

- Eu queria ficar magra, só isso. – ela respondeu.

- Mas você sempre foi magra, Alice, desde o dia em que eu te conheci, você sempre foi baixinha e magrinha. De um tempo para cá as coisas foram simplesmente perdendo o controle. Você magrinha desse jeito ainda estava tomando remédio.

- Eu sabia que tinham umas gordurinhas, Bella. – suspirou. – Só queria ficar bonita.

- E ficar osso e pele é ser bonita? Eu devo ser horrorosa na sua visão, então.

- Claro que não. Você é linda, o problema sou eu... eu quem não sou bonita. E eu queria ficar bonita, ter o prazer de entrar numa calça tamanho zero. Eu já tive um problema assim quando adolescente, mas depois eu voltei a engordar e mantive o mesmo peso durante esses anos... – contou.

- Alice e você acha que aquele peso era ruim? – perguntou embasbacada. Não conseguia entender de forma alguma. Alice era magra, sempre foi magra. Ela devia pesar cerca de 46, 47kg quando Bella a conheceu, diferente dos 36kg que pesava agora.

- Para mim era. – respondeu cansada da conversa. – Você não vai entender, Bella.

- Talvez não mesmo. Eu fiquei com muito medo quando te vi no hospital... – falou desviando o olhar, mas tocou a mão da menina que estava ao seu lado. – Você parecia tão frágil, Alice. Ainda parece.

- Vai ficar tudo bem. – a garota sorriu e apertou a mão de Bella.

- Me promete que não vai fazer nada disso de novo. Promete que vai fazer tudo para melhorar e ficar bem, voltar a ser a Alice que eu conheci.

- Não posso prometer nada, Bella. Eu vou tentar dar o meu melhor, tenho um monte de consultas para ir que Jasper está marcando para mim... – suspirou.

- Ele está sendo muito bom para você.

- Sim. – ela deu um sorriso. – Achei que ele iria me deixar. Eu tinha medo antes que ele fosse me abandonar por eu não ser bonita o suficiente, magra o suficiente... e agora quando eu estou no pior momento da minha vida ele está ao meu lado. Deve ser um sinal, não é? Sei que ele quer me ver bem...

- Todos que estão ao seu redor querem seu bem, Alice, só é necessário que você coopere.

- É claro que eu vou cooperar, Bella. Eu já disse, farei meu melhor. O tempo vai ser meu melhor amigo, tenho certeza.

As duas assistiam "O Picolino" e Alice se sacodia na cama toda vez que Ginger e Fred dançavam juntos, nem parecia que a menina estava doente. Bella suspeitava que aquilo fosse uma estratégia da pequena para que ninguém ficasse a importunando questionando se tudo estava bem.

- Eu amo o jeito que eles dançam. Se eu pudesse ser uma diva do cinema com certeza escolheria ser Ginger Roberts. Ela é tão graciosa e ao mesmo tempo sexy. – Alice admirou ainda se sacolejando na cama e mexendo os pés como se estivesse fazendo sapateado no ar. – Quem você gostaria de ser?

- Não sei... – Bella respondeu um pouco admirada com o ânimo de Alice ao falar do assunto. A menina havia saído do hospital há dois dias e estava daquela forma? Será que havia voltado a tomar anfetamina?

- Vamos lá, Bella, todo mundo queria ser uma diva do cinema pelo menos uma vez na vida. Por que você está olhando para mim desse jeito? – perguntou.

- Seu corpo está fraco, tenho medo que você se machuque mexendo desse jeito na cama.

– Não quero você me tratando diferente por conta do que aconteceu, Bella. Merda acontece na vida de todo mundo e agora aconteceu na minha. Não precisa ficar cheia de mimimi pra cima de mim. Eu posso me remexer o quanto quiser, não vou quebrar. Não muda comigo, eu não vou conseguir aguentar. – confessou.

- Me desculpa. – respondeu. Se sentiu mal por pensar que a amiga poderia ter voltado a tomar a droga. Percebeu que esse ânimo era apenas Alice tentando ser Alice e mostrando que nada do que aconteceu poderia a abalar.

- Pensa aí. – Alice disse. – Já estou até imaginando que diva você gostaria de ser.

- Quem?

- Marilyn.

- Claro que não. – Bella rolou os olhos. – Eu gostaria de ser alguém mais sexy que ela.

- Quem? – Alice questionou agora completamente curiosa. Quem Bella ousava em dizer ser mais sexy do que Marilyn Monroe?

- Brigitte Bardot.

- Ela era super sexy mesmo. Hoje em dia...

- A idade chega para todos... Exceto para a noiva do Edward... – murmurou rolando os olhos.

- O que houve? – Alice disse com uma risada por conta da expressão da amiga. – Aconteceu alguma coisa que eu perdi?

- Nada. É só que... argh, eu ando tão irritada. – respondeu. – Eu quero Edward só pra mim e ela está no meio do caminho e sei que eu não devia estar reclamando porque concordei com isso, mas...

- Mas o que?

- Eu o amo... tipo, pra caralho. – suspirou. – As coisas podiam ser simples para a gente como são para os personagens de Fred e Ginger. Uma discussão aqui, outra ali, aí a gente começa a sapatear e quando você chega no final a gente vai ser feliz para sempre. – suspirou e Alice riu da péssima analogia.

- Você não acha que esse é o melhor momento para conversar com ele sobre isso? Mostra o que você tá sentindo.

- Não quero que ele se sinta pressionado.

- Foda-se o que ele vai sentir, Bella. Edward se meteu numa situação complicada e você tá junto, ouvir o que você está sentindo faz parte também, não é só beijinho e sexo.

- Claro que não é, nunca foi...embora agora eu tenha andado um pouco curiosa demais para o meu próprio bem em relação ao sexo.

- Brinquedo novo...ou melhor, pênis novo. - zombou. – Fala com ele sobre isso, só para você ter uma posição do que vai ser, do que te aguarda. Se ele estiver preso nesse relacionamento o melhor que você tem a fazer é pular fora, Bella. Sei que vai doer muito, mas é melhor ser agora do que viver sempre com uma pessoa que nunca será realmente sua, que tem hora pra voltar pra casa porque outra família o aguarda.

- Eu sei. – concordou, pois sabia que Alice estava certa. O grande problema era por aquilo em prática.

- Por falar nele, seu celular está vibrando e tem um Edward bem grande escrito na tela. – Alice respondeu pegando o celular que estava jogado na cama entre elas. – Oi, coroa.

- Alice! – Bella gritou ao perceber que a amiga havia atendido a ligação.

- Por que você não veio me visitar também? Ah, que desculpa esfarrapada. É porque você sabe que eu ia pegar no seu pé. Isso mesmo. – riu. – Ok, estou esperando. Tchau.

- Posso saber do que vocês estavam conversando? – Bella questionou embasbacada com o fato de que Alice além de atender a ligação, não deixou que ela falasse com Edward.

- Ele está aqui embaixo. – contou. – Estava zoando com a cara dele e sabe o que o filho da mãe me falou? Que nem doente eu consigo parar de me meter na sua vida. Que cara abusado!

- Você atende o celular e está chamando Edward de abusado? – Bella indagou. – Tem algo de errado com essa frase.

- Ele está de bom humor. – Alice constatou ignorando por completo o comentário que a amiga havia feito. – Ao menos foi o que pareceu pela risada dele quando o chamei de coroa.

- Até parece que você é muito mais nova que ele. – Bella tentou defender.

- É apenas uma brincadeira, amiga. Ele não pareceu ficar ofendido, acho que seu namorado tem plena consciência que está muito bem para um homem de 30 anos.

- Ele não é meu namorado. – Bella corrigiu e na mesma hora uma pessoa bateu na porta.

- Entra. – as duas falaram juntas.

- Estou interrompendo o clube da Luluzinha? – Edward perguntou. – Posso ficar na sala com Jasper.

- Tudo bem. Vem dar um beijinho na enferma. – Alice disse com um sorriso.

- Como você está? – ele questionou abaixando-se para dar um beijo em Alice. – Você já parece melhor do que no dia em que te vi no hospital.

- Estou indo, não dá para ficar boa de um dia para o outro, infelizmente.

- Está se alimentando? – perguntou.

- Sim, Jasper faz questão de me manter alimentada de 3 em 3 horas, mas eu estou comendo em poucas quantidades, ele tentou me dar mais do que eu precisava ontem e a gente viu que isso não teve um bom retorno. – respondeu. – Mas as coisas estão caminhando, Jasper está sendo a família que eu não tenho, e Bella também, é claro. Não quero que outras pessoas fiquem sabendo disso, tenho vergonha.

- O importante agora é focar em ficar saudável, não é mesmo?

- Sim, claro. – sorriu. – Vai dar tudo certo.

- Espero sinceramente que sim. Já vi que a doença não deixa você menos intrometida, então já que não tem jeito... – brincou e Alice, para a surpresa de todo mundo, deu um chute na perna de Edward. – Gente, você voltou a tomar anfetamina? Que energia é essa?

- Piada de mau gosto. – Alice falou.

- Desculpa, foi mais forte do que eu.

- Estou tentando manter o ânimo, é o que me faz seguir em frente. – Alice respondeu.

- Vem cá, estou vendo que vocês estão se divertindo muito, mas você não vai falar comigo, Edward? – Bella questionou do outro lado da cama chateada com o fato de que Edward não havia nem a oferecido um humilde oi.

- Meu Deus, mas que carência é essa. – Alice brincou.

- Desculpa, baby. – Edward falou indo até o outro lado do quarto e se inclinou para dar um beijo nos lábios de Bella. – Como você está?

- Bem. – respondeu.

- Vim te buscar.

- O filme ainda não acabou, assim que acabar a gente vai, ok? Eu teria te falado isso caso Alice não tivesse atendido a ligação para mim.

- Tudo bem, eu fico lá na sala conversando com Jasper.

- Ele está assistindo ao jogo, né? – Alice questionou.

- Sim. – Edward falou com um sorriso. – Talvez a gente veja mais o jogo do que converse.

- Tudo bem, quando acabar eu vou lá te tirar da frente da TV. – Bella falou.

- Ok. – concordou dando mais um beijo na morena. – Estava com saudade.

- Eu também, amor. – sussurrou dando um selinho no rapaz.

Edward saiu do quarto e assim que fechou a porta, Alice não conseguia parar de encarar Bella. A morena ficou olhando para a TV, mas não conseguiu se controlar sentindo o olhar de Alice totalmente em cima dela.

- O que foi? – Bella questionou. – Vai me zoar porque eu o chamei de amor?

- Não. Nada disso.

- O que então?

- Eu vou mandar cortar as bolas dele se ele não casar com a pessoa certa. – Alice falou. – Com você, Bella.

- Deixa quieto. – Bella respondeu voltando sua atenção para a televisão.

A morena não queria mais conversar sobre isso. Agora Edward estava lá e os dois poderiam aproveitar o dia juntos. Pelo que ficou sabendo, Lauren havia viajado pela manhã e só retornaria no dia seguinte para a felicidade do casal. Era um dia para se aproveitar e não ficar pensando nos pontos negativos daquele relacionamento.

Com o fim do filme, Bella se despediu da amiga e prometeu que faria mais algumas visitas durante a semana, já que a baixinha havia sido dispensada do trabalho até que ficasse bem. Edward levou um tempo para se desgrudar do jogo de futebol americano que passava na televisão, mas a morena arrumou um jeito de falar algo na orelha dele que o fez levantar rapidinho.

- Aonde vamos? – ele questionou enquanto a morena colocava os óculos escuros.

- Não sei. Pensei em comer alguma besteirinha e depois irmos lá para casa, que tal?

- Que besteirinha? – ele questionou.

- Chocolate. – respondeu com um sorriso.

- Ok, vamos naquela loja antes de pegar o metro. – ele disse. – Tive uma ideia.

- Qual ideia?

- Só vou contar quando a gente estiver lá dentro.

- Não vale, estou curiosa.

- Você é muito curiosa. – ele riu.

- Você não faz ideia do quanto...

Os dois entraram numa lojinha pequena que tinha todo tipo de besteira imaginável. Edward colocou os braços em volta de Bella e os dois andaram agarradinhos pelos corredores observando as prateleiras e todas as apetitosas guloseimas.

- Você não vai querer fazer nenhum tipo de sacanagem aqui, né? – Bella perguntou morrendo de vergonha.

- Não. – ele gargalhou.

- Ah tá! Quero experimentar coisas novas, mas isso já é hardcore demais pra mim.

- Na verdade a gente vai fazer sim uma coisa que você nunca fez. – ele disse.

- O que é? Me conta logo! – pediu.

- Abre a bolsa. – ele falou baixinho no ouvido dela.

- Ahn?

- Abre a bolsa e põe esse chocolate aí dentro. – ele cochichou.

- Vão ver... – ela falou apreensiva.

- Põe logo. – ele disse passando o chocolate para a morena que estava com o coração disparado, mas ainda assim colocou o chocolate dentro da bolsa.

Os dois continuaram andando pelo local discretamente - embora Bella não estivesse tendo muito sucesso nessa parte. Procurando algo que pudesse disfarçar a apreensão da menina, Edward foi para o corredor que tinha algumas camisinhas e pegou a que era de sua preferência. Ambos seguiram para o caixa e esperaram a sua vez.

O rapaz que estava no caixa nem sequer desconfiou que a morena poderia estar fazendo aquela cara de medo por conta de um chocolate roubado. Ele achava que ela era mais uma dessas meninas que ficavam com medo de serem flagradas comprando camisinha com o namorado, já era uma ocorrência mais do que natural naquela loja.

- Como você se sente roubando pela primeira vez na vida? – Edward questionou.

- É uma mistura entre querer abrir a bolsa para comer o chocolate e correr para o primeiro banheiro que eu ver porque me deu dor de barriga de nervoso. – ela riu.

- Bella combinação, hein? – perguntou brincando. – Agora vamos para a sua casa. Tô pensando em cozinhar algo para a gente hoje.

- Sério? Meu Deus, melhor dia da minha vida. Ganho chocolate e jantar de graça!

- Mas eu quero algo em troca. – ele comentou enquanto ambos seguiam para o metro.

- O quê?

- Muitos e muitos beijos.

- Ai que difícil! – ela suspirou claramente debochando.

- Faz um esforço?

- Vou tentar. – sorriu. – Mas só porque eu te amo.

Edward ainda se espantava um pouco com a reação que tinha ao ouvir aquelas palavras. Tinha vontade até de procurar na internet qual era o motivo para seu coração começar a palpitar apenas por ouvir a morena expressar o que sentia por ele. Queria que tudo na sua vida se ajeitasse naquele momento, mas sabia que mais do que nunca aquela era a hora de ter paciência e torcer para que tudo entrasse nos eixos. Pela manhã havia ficado contente com a ligação da irmã o informando que conseguira marcar uma entrevista que ele tanto desejava para preencher uma vaga disponível no banco em que ela trabalhava. Era finalmente o momento em que tudo daria certo para ele, pensou. Estava feliz, amando e agora para tudo ficar completo só faltava a independência. O raro otimismo estava presente na vida dele.

O casal pegou o metrô para o Upper East Side e antes de subirem para o apartamento de Bella, passaram em um mercado para comprar alguns ingredientes para o jantar que Edward iria preparar. Eles estavam cheios de sacolas nas mãos enquanto subiam para o décimo quinto andar do prédio de Bella. A morena o enchia de beijos enquanto os números mudavam no visor.

- Calma aí que tenho que pegar minha chave. – ela disse colocando as sacolas no chão e abrindo a bolsa.

A morena procurou em tudo quanto era canto da bolsa – enquanto escutava Edward zombando dizendo que mulher guardava um bando de coisa desnecessária na bolsa e nunca encontrava o que realmente precisava -, mas foi impossível achar o objeto que ela tanto queria.

- Eu não estou com a chave dentro da bolsa.

- Tem certeza? – ele perguntou.

- Claro que tenho, Edward. Já cacei em tudo quanto é canto e não está aqui.

- Será que você esqueceu na casa da Alice? – ele questionou.

- Não sei. – a morena disse pegando o celular e ligando para a amiga. – Alice, eu esqueci minha chave em cima da sua cama? Merda! Deve ter caído da bolsa. Não sei, vou ver aqui com Edward. Que merda. Não, não se preocupa. Ok. Beijo, amiga.

- Me diz que a gente não vai ter que voltar para o Village. – Edward resmungou.

- Você quer acampar na porta da minha casa?

- Vamos lá para o meu apartamento. – ele ofereceu.

- Não...

- Bella, Lauren não está em casa e só chega amanhã. A gente janta e depois vai lá na Alice buscar a chave.

- Não gosto de estar numa casa que não é minha, ainda mais levando em consideração a situação que a gente está. – confessou.

- Você não vai passar a noite lá, a gente só vai jantar e pronto, depois que o monstro na minha barriga estiver alimentado, a gente passa na Alice.

- A gente não vai demorar? – perguntou.

- Não. No máximo umas três horinhas.

- Tá, mas não mais do que isso, ok? Quero dormir no meu apartamento.

Eles seguiram para o apartamento de Edward e fingiram ignorar o olhar desconfiado do porteiro do prédio. A morena sentia que não pertencia ao lugar, além do enorme luxo, lembrava muito bem de todos os momentos que foram vividos entre Edward e Lauren nesse apartamento graças aos seus binóculos.

- Se quiser pode ficar na sala enquanto eu preparo as coisas na cozinha. – Edward informou.

- Ok. – ela respondeu sentando-se no sofá da pomposa sala de estar.

- Não demoro, ok? Você pode ligar a televisão caso queira se distrair. Qualquer coisa é só me procurar na cozinha, tudo bem? - perguntou tentando aliviar o claro desconforto que Bella estava sentindo.

- Tá bom.

Bella conseguiu ficar sentada por 5 minutos, depois o tédio começou a falar um pouco mais alto e ela levantou para observar as fotografias que estavam em cima de uma mesa. Edward e Lauren com certeza já havia dado a volta ao mundo e tudo estava lá registrado nas fotos que a morena observava. Bella jamais poderia oferecer algo desse gênero a Edward. Sentia-se triste vendo aquilo, pois não gostava de ser lembrada da situação em que havia se metido.

Continuou andando pela casa e observando cada detalhe dos cômodos. Era o típico apartamento que se via naqueles programas de televisão que mostram casas de pessoas ricas. Móveis clássicos, candelabros de ouro, lustres de cristal... Era fácil para ela entender porque Edward foi seduzido por todo luxo, mas isso não amenizava o pensamento da menina de que estar com uma pessoa somente pelo que ela possui é totalmente errado. Em seguida, parou de julgar Edward, porque afinal de contas ela era uma mulher que estava tendo caso com um homem prestes a se casar. Que moral tinha para falar do que é certo ou errado.

- Estava te procurando. - ele falou.

- Me desculpa, sei que era para esperar na sala, mas acabei ficando com tédio e fui perambulando pela casa. Aqui é muito legal. - comentou sobre a sala de jogos.

- É um lugar legal mesmo, mas nada nesse apartamento é tão legal quanto o terraço.

- É, eu lembro. - ela sorriu se aproximando e pondo os braços ao redor dele. Se sentiu melancólica e nem sabia como explicar o motivo disso para o rapaz a sua frente. - A comida já está pronta?

- Ainda não, coloquei o prato principal no forno. Creio que dentro de 40 minutos, mais ou menos, a gente já possa ir pra mesa de jantar. - respondeu passando os dedos pelo cabelo da morena.

- Vamos jogar sinuca? - ela perguntou.

- Sério?

- Sim... ou... - pensou em outra coisa. - Não, deixa para lá...

- O que foi?

- Nada.

- Agora eu estou curioso, me conta o que era...

- Estou com vergonha, não quero. Fora que... Nada, esquece.

- Não vou esquecer, me conta.

- Pensei que ao invés de jogar sinuca a gente pudesse fazer outra coisa... - murmurou - Na mesa de sinuca.

- Tipo sexo? - questionou.

- Mais ou menos.

- O que é mais ou menos sexo? - questionou intrigado.

- Argh, não é mais ou menos sexo, é sexo.

- Então porque você falou mais ou menos?

- Porque eu estou com vergonha! - exclamou. - Esquece. Aqui é o último lugar em que eu deveria pensar em fazer sexo...

- Mas você está pensando nisso.

- Mais ou menos.

- Isso é um sim, correto?

- Talvez.

- Dá para a gente ter uma conversa mais objetiva? - indagou.

- Ok.

- Você quer transar na mesa de sinuca.

- Um pouco.

- Um pouco quanto?

- Muito...

- Ok, você não consegue ser objetiva quando está com tesão.

- É meio que uma fantasia. As pessoas sempre fazem sexo em lugares estranhos. Eu nunca fiz sexo em um lugar diferente.

- Baby, sem querer ofender, mas você consegue contar numa mão quantas vezes você fez sexo, nada mais do que o normal que você ainda não tenha feito num lugar exótico.

- Ofendeu um pouco... - disse com um bico.

- Desculpa. - pediu dando um beijo nos lábios da morena. - Eu deixo você brincar com meu taco na mesa de sinuca. Que foi? Péssima piada?

- Um pouco.

- Um pouco quanto?

- Muito. - ela gargalhou. - Deixa para lá...

- O que houve?

- É falta de respeito. Eu simplesmente estou na casa da sua noiva e quero transar em cima da mesa de sinuca da casa dela com o noivo dela. - riu sem muito humor.

- Bella, eu estou apaixonado por você. Transar aqui, transar lá... Que diferença faz? Eu estou errado desde o começo.

- A gente é um erro?

- Não foi isso que eu falei.

- Desculpa, eu ando frustrada.

- Por quê?

- Porque eu não estou conseguindo cumprir com o que a gente meio que concordou quando começou a se relacionar. Eu quero estar junto de você, quero ser sua namorada. Sei que você não me prometeu nada, mas... Porra, tá foda. - desabafou.

Edward cogitou naquele momento contar tudo para Bella. Que estava pensando em desistir do casamento com Lauren, que pediu ajuda para Rosalie a fim de arrumar um emprego, mas ficou com medo da entrevista não dar certo e não queria que a morena pensasse que ele era um incapaz. Resolveu então dar a melhor resposta que podia pensar no momento.

- Eu sei o que você está sentindo porque eu me sinto assim também. Eu não vou falar que tudo vai mudar, mas eu não vejo mais as coisas como antes, baby. Vai dar tudo certo, de algum jeito vai dar tudo certo para a gente.

Bella não quis questionar o que ele disse. Queria acreditar que tudo fosse ficar bem, afinal de contas Edward ainda não tinha colocado uma aliança de casamento no dedo, mas o otimismo não andava na companhia da morena nos últimos dias.

- Tenho medo de pensar assim. Acho que no estágio que a gente está eu prefiro acreditar que tudo vai dar errado e ser surpreendida se algo der certo. - desabafou.

Edward não a respondeu, apenas a abraçou. O ato de ter a morena nos braços era mais como uma forma de o assegurar de que ela ainda era dele do que de confortar a menina.

- Posso contar um segredo? - Edward perguntou.

- Pode.- ela respondeu sem tirar os braços de volta dele.

- Às vezes eu fico imaginando os caminhos que eu posso levar na minha vida. Acho que todo mundo é aberto a várias possibilidades, então eu fico pensando várias coisas doidas que podem ocorrer, algumas obviamente mais reais do que outras.

- Tipo o quê? Me conta uma possibilidade.

- Uma feliz ou uma trágica?

- Trágica primeiro para depois eu esquecê-la graças a história feliz.

- Eu imagino que eu estou andando no metro e sem querer esbarram em mim e eu caio no meio dos trilhos.

- Porra, Edward!

- Você falou que queria a trágica. - ele respondeu com uma risada.- E eu nem contei como ela termina. Digamos que tem hospital, coma e amnésia depois do acidente.

- Nossa, você cai nos trilhos e o trem não vai passar por cima de você? - questionou.

- Também tem essa possibilidade, mas acho que a do coma é pior.

- Você é doido. - ela disse rindo.

- Muito tempo livre acaba dando nisso, começo a pensar besteira, mas também penso coisas legais.

- Me conta a coisa boa.

- Eu imagino que eu arrumo um emprego, vou morar num apartamento pequeno, mas que aluguei com meu dinheiro e toda noite antes de dormir eu ganho um beijo da minha mulher. - respondeu.

- Não quero perguntar quem é essa mulher. - ela falou olhando para ele.

- Por quê? Você acha que vou falar alguém que não é você?

- Não. Justamente o contrário. Se você falar que sou eu, vai doer demais. - expôs sinceramente.

-Ok. - ele respondeu dando um beijo no ombro da morena. - Sabe outra possibilidade também?

- Qual?

- Eu imagino que um dia qualquer, a gente esteja sozinho, falando nada com nada, apenas jogando conversa fora, quando eu reparo que logo atrás da gente tem uma enorme mesa de sinuca...- comentou e Bella riu.

- Conte-me mais sobre esse seu pensamento.

- Aí eu colocaria meus braços ao redor da sua cintura e a gente começaria a andar para trás, distraídos, até que... - ele falou encostando a morena na borda da mesa de sinuca. - Você iria esbarrar na mesa e eu com meus braços fortes te levantaria e te colocaria sentada em cima da mesa.

- Adorei a parte dos braços fortes. - ela disse com um riso.

- Obrigado.

- E aí? - ela perguntou fingindo estar intrigada com a situação.

- Eu, como um bom homem, perguntaria se você concordava com o que a gente estava prestes a fazer.

- E o que eu ia responder.

- Primeiro você ia ficar um pouco hesitante. Falar que não tinha certeza. Um charminho, coisa que é boa pra provocar antes do sexo, deixar o homem achando que não vai rolar nada...

- Hmmm não sei disso não.- ela falou séria, mas estava achando aquilo divertido demais.

- Aí eu ia falar que não tem porque ficar com medo e passar minha mão bem devagar pela sua perna, passando entre as coxas e subindo...subindo...até que eu encostasse na sua calcinha e ficasse a provocando passando meus dedos pelo tecido. - ele disse fazendo exatamente isso. Bella tinha os olhos fechados, concentrada nas sensações.

- Hmmm...

- Era exatamente esse som que você faria.

Depois disso Edward não continuou a narrar muita coisa. Bella o puxou mais pra perto e lascou um caprichado beijo nos lábios do homem.

Ele estava prestes a abrir o botão da blusa de Bella quando ouviu um barulho de chave no cômodo ao lado.

- Edward? - Lauren gritava na sala de estar. - Você está em casa?

Ao olhar para Bella, Edward percebeu que a morena estava praticamente estática. Os olhos estavam arregalados e as mãos congeladas. Nenhum dos dois estava esperando a presença da loira platinada na casa, afinal de contas ela só deveria voltar no dia seguinte.

- Puta que pariu. - ele falou.- Não sai daqui, eu vou tentar levá-la para o quarto e você sai. Bella? Baby? Bella!

- O que? - perguntou ainda claramente chocada. Embora ela estivesse tendo dificuldade para responder no momento, seu coração batia mais disparado do que nunca.

- Fica aqui, ok? Fica calma. Eu já volto.

Edward saiu da sala de jogos e deu de cara com Lauren parada na sala de estar com um enorme sorriso nos lábios.

- Achei que você só vinha amanhã. - ele comentou.

- Eu sei, mas não estava me sentindo muito bem e resolvi voltar hoje cedo.

- Ah sim. - respondeu.

- Trouxe um presente para você. - ela disse o entregando uma sacola.

- Vamos lá para o quarto. - ele falou.

- Não, abre agora! Estou ansiosa! - comentou animada.

Edward resolveu fazer o que a mulher queria e abriu a sacola. Nada podia o preparar para o que estava dentro do embrulho. O coração dele disparou, as mãos tremeram e ele queria desesperadamente sentar. Não era possível.

- Eu fiquei tão chocada quanto você! - Lauren comentou com uma risada.

Edward segurava na mão um sapato pequenino na cor branca. Não conseguia nem ouvir direito o que a mulher estava falando, observava, perplexo, o objeto.

- Eu acordei passando muito mal e voltei para a casa para ir ao médico. Você não sabe o quão chocada eu fiquei ao saber que eu estava grávida! Dá para acreditar, eu sinceramente achei que devido a minha idade isso nem fosse mais possível, mas aparentemente é! - contou feliz. - É um sinal, Edward! O casamento, o bebê... é a nossa vida como uma família realmente começando.

Ele não sabia o que dizer. Tinha medo que Bella pudesse estar escutando a conversa e ficasse desesperada. Tinha medo por ele. O que ele faria? Antes era somente Lauren. Agora era Lauren e uma criança. Um filho. Um filho que ele teria que educar e criar. Era demais naquele momento.

- Tá tudo bem, querido? - Lauren perguntou se aproximando.- Entendo perfeitamente esse seu estado de choque, você tinha que estar comigo na hora para ver como minha cara foi a mesma! Respira um pouco, toma uma água... Eu vou te mostrar a ultra depois, só preciso muito tomar um banho, você sabe como tenho horror a ficar com roupa de hospital.

- É... - respondeu um pouco catatônico.

- Que cheiro é esse? Está preparando algo para jantar?

- Sim.

- Hmmm... então vou tomar meu banho bem demorado e quando sair vou me deliciar com o que quer que seja que você está preparando. Vamos comemorar esse dia, querido! - sorriu deixando a sala após dar um leve beijo nos lábios imóveis do rapaz.

Edward não se mexeu. Ficou parado, sentado no sofá, observando os sapatinhos. Como aquilo havia acontecido? Por que agora? O que ele iria fazer? Eram tantas perguntas e ele não tinha resposta para nenhuma delas. De sua visão periférica, viu uma pessoa parada ao seu lado. Era Bella. Ela tinha as bochechas marcadas por lágrimas e seus olhos pareciam que iam encher novamente.

- Eu preciso ir embora. - ela falou num tom baixo.

- Bella...

- É demais. - ela disse baixinho. - Você pediu para eu te falar quando fosse demais. É demais, Edward. Eu não aguento mais. Não depois disso. Eu vou me foder.

- Eu não sei como isso aconteceu... - ele confessou ainda claramente chocado. - Por favor, Bella...

- Não me pede. Não faz isso comigo.

- A gente pode conversar?

- Conversar? Edward, você vai ser pai, você vai casar... Puta que pariu, onde eu fui me meter? - ela questionou retoricamente passando as mãos pelos cabelos.

Edward queria rebater, mas no momento não tinha argumentos. A morena seguiu sozinha até a porta e nem sequer olhou para trás.

O homem sentou no sofá e mais uma vez encarou os sapatinhos. E agora?

Lauren tomava o seu banho com um sorriso enorme. Ela diria para todos que era o sorriso de uma mulher feliz por ter acabado de descobrir que daria à luz a uma criança, mas no fundo sabia muito bem que era o sorriso de uma mulher que tinha conquistado exatamente o que queria.


N/A: Não adianta colocar o nome da autora no macumba online rs.

Edward ainda está um pouco chocado com o acontecimento do capítulo. Já Bellinha, pobre Bellinha :(

Infelizmente eu não sei falar quando o próximo capítulo vai ser postado, mas sempre que eu tenho tempo livre em casa eu tento escrever alguma coisinha. Como falei antes os capítulos já estão planejados então é mais rápido na hora de escrever.

A forma mais simples de saber do progresso é no twitter mesmo onde eu sempre falo quando eu acho que vai ter update ou o quão perto do fim do capítulo eu estou.

A pergunta do capítulo é: O que você sempre leva na bolsa?

Muito obrigada pela compreensão de todas, achei que ia ter gente me xingando pela demora, mas todo mundo foi tão legal. Obrigada!

Até o próximo!