Capítulo 21
Jared's pov
Se tem uma coisa na qual eu sou péssimo, é em fazer escolhas. De qualquer tipo. Tomar decisões é algo que eu simplesmente não nasci pra fazer. Não é à toa que eu acabei fazendo tanta merda na minha vida.
Eu também não sou muito bom em ler pessoas. Mas eu tenho quase certeza que o que acabou de acontecer em casa foi o jeito de Jensen de me dizer que eu tenho que escolher.
O que não é mais do que justo. Eu não posso simplesmente ficar com Jensen e Cindy ao mesmo tempo.
Quando eu saio de casa, eu olho pro carro e só Chad está lá dentro, olhando pra mim através do vidro. Eu abro a porta do lado do passageiro e sento no banco, ainda sentindo meus lábios meio que formigarem, com a sensação dos lábios de Jensen nos meus recente demais.
"Cadê as meninas?" Eu pergunto, desinteressado, e Chad liga o carro, olhando pra mim de relance antes de olhar o retrovisor e acelerar.
"Você sabe como é," ele diz. "Levam uma eternidade pra se arrumarem. Então eu decidi passar aqui primeiro."
Eu sorrio de lado e aumento o rádio. Tá tocando o CD de Chad que tem Slipknot, e a música que tá tocando é Vermilion, acho que a parte dois.
Chad começa que meio a batucar o ritmo da música no volante e eu observo os outros carros e as casas e lojas, e antes que eu perceba, Chad tá parando o carro e a gente está em frente à casa de Cindy-loira.
Ele abre a porta e sai do carro. Quando eu não me mexo, ele abaixa na minha janela e olha pra mim, esperando que eu o siga, eu acho.
"Cara, a gente tem que ir buscar elas na porta e tudo isso. A gente não pode simplesmente buzinar." Ele diz e eu suspiro, rolando os olhos antes de abrir a porta e sair do carro.
A casa de Cindy-loira tem um caminho de pedras em meio à grama que leva até a porta. A gente anda pelo caminho e sobe a pequena escada até a porta. Chad toca a campainha e eu enfio as mãos nos meus bolsos, olhando o céu já ficando escuro.
Eu volto a olhar pra porta quando eu escuto o clique da mesma abrindo-se e vejo os sorrisos das Cindys estampados em seus rostos. Eu não tenho certeza, mas eu acho que elas não estavam de vestido da ultima vez que eu as vi, há algumas horas.
"Entrem!" Cindy loira diz e abre espaço pra gente passar. Eu e Chad trocamos olhares antes de entrar na casa e eu não sei por que eu me sinto como se eu estivesse prestes a pisar em uma armadilha ou algo assim.
Eu não me sinto assim desde a festa que a gente deu quando minha mãe e o pai de Jensen foram viajar. Eu lembro de tomar a pílula que Misha deu pra gente e sentir um frio no estômago me dizer que eu provavelmente ia me arrepender de fazer aquilo.
Hoje eu não tenho tanta certeza se eu me arrependi.
"Meu pai saiu. É dia de poker na casa de um dos amigos dele." Cindy-loira diz, me tirando dos meus pensamentos.
Os pais de Cindy são separados e a mãe dela mora em outra parte da cidade. Pelo que Chad me diz, ela passa uma semana com o pai e outra com a mãe. Essa provavelmente deve ser a semana do pai dela.
"A gente podia ficar aqui, e assistir um filme." Cindy-morena sugere e eu olho de relance pra Chad, que olha de volta pra mim com aquele sorriso de 'a gente vai se dar bem'.
Perfeito...
-J2-
Jensen's pov
Eu não sei o que fazer comigo mesmo.
Eu simplesmente não consigo me decidir se eu choro, ou se eu bato em algo, ou se eu me afundo na minha cama, ou se eu ligo pra Danneel... Eu simplesmente não consigo nem criar coragem pra me levantar do sofá.
Eu estive sentado aqui encarando a porta desde que Jared saiu até a hora que meu pai e Sharon chegaram, não muito tempo depois.
Eu simplesmente disse que Jared tinha saído com Chad quando a mãe dele me perguntou onde ele estava, e agarrei a almofada no meu colo com força, tentando não imaginar ele e Cindy juntos, o que eles devem estar fazendo e em como Jared não deve estar pensando em mim.
Eu mudo de canal compulsivamente, tentando engolir o nó na minha garganta. Em um dos canais um casal está se beijando e meus olhos facilmente substituem os atores por Jared e Cindy.
Eu deixo o filme rolar, vendo o cara do filme girar a moça no ar e a cena se transformar em um casamento branco e feliz. Eu não quero escapar da dor, eu acho. O aperto dentro do meu peito é incômodo e me faz sufocar, mas eu não sei se eu quero me livrar dessa sensação por enquanto. Porque do jeito que eu vejo, depois que essa dor for embora, eu nunca mais vou ser capaz de sentir algo tão forte e meu peito vai acabar ficando vazio.
Acho que eu já li algo sobre isso em um livro. Sobre como você deve saborear a dor de um coração quebrado porque depois disso não resta muita coisa além de um grande espaço vazio.
Eu estou tão distraído com meus pensamentos que só percebo que meu pai sentou do meu lado quando ele fala comigo.
"Tá tudo bem?" Ele pergunta e eu praticamente pulo no sofá, fechando os olhos brevemente em susto.
Eu balanço a cabeça, meio que rindo de mim mesmo.
"Tá, pai. Tá tudo bem." Eu tento soar convincente, apesar da quebra no tom da minha voz.
Meu pai suspira, incrédulo e continua olhando pra mim, do jeito que ele faz quando espera que eu simplesmente desista de mentir.
"Jensen Ross Ackles, eu te conheço. Você ficou nesse sofá sem se mexer por mais de uma hora. Qual é o problema?" Ele se aconchega mais no sofá, ficando de frente pra mim. "É um garoto?"
E eu quase engulo a minha língua.
"Co-como você sabe que eu...?" Eu gaguejo, olhando pro meu pai em completo terror ao que ele simplesmente sorri na minha direção.
"Que você é gay? Desde que eu te levei na loja de brinquedos e você quis a Barbie Sereia ao invés de Hot Wheels. Depois daí, não foi muito difícil ver os sinais."
Isso é totalmente diferente do que eu imaginei que seria, eu falando pro meu pai sobre as minhas, hm, preferências.
Mas não é como se eu achasse que ele não soubesse de qualquer forma. Sempre foi uma sabedoria silenciosa entre a gente. Ver ele falando, dessa forma, é meio estranho. Mas teria que acontecer em algum momento, eu acho.
"Sério?" Eu pergunto mesmo assim e meu pai rola os olhos.
"Sério, Jensen. Agora me conta. Por que esse garoto tá deixando você triste?"
Eu pisco longamente, tomando um longo suspiro, tentando encontrar na minha mente uma forma de explicar isso pro meu pai sem citar Jared.
"Eu gosto dele..." Eu começo. "E eu achava que talvez ele gostasse de mim também. Mas eu acho que ele só 'tava confuso e que ele na verdade gosta de meninas."
Eu coço a minha nuca e sorrio, tentando não deixar meus olhos encherem de lágrimas.
Meu pai tem esses olhos preocupados na minha direção. Ele respira fundo e é como se ele não soubesse o que dizer.
"Ele é da sua idade?" Ele pergunta e eu aceno que sim com a cabeça. "Então é por isso. Vocês são jovens. É normal ficar confuso, é normal errar. E eu sei que dói, eu sei que é difícil. Mas vai ficar tudo bem."
Meu pai apoia uma mão no meu ombro e facilmente me puxa pra um abraço, do jeito que ele fazia quando eu era menor. Eu me deixo afundar no conforto e fecho meus olhos, sentindo algumas lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas.
"Além do mais," eu ouço a voz dele perto do meu ouvido. "Se ele não vê a sorte que tem por ter você, então ele é um idiota." Ele ri baixo e eu acompanho, desejando que todo mundo tivesse essa visão especial de mim que meu pai parece ter.
-J2-
Jared's pov.
O filme que Cindy-loira colocou é uma comédia romântica que eu nunca tinha visto antes. Tem a Sandra Bullock e o Ryan Reynolds e uma cena em que eles esbarram nus um no outro.
Eu tento não rir muito alto, e ouço a risada baixa de Cindy-morena ao que ela agarra meu braço, cabeça deitada no meu ombro. Só então eu percebo que Chad e Cindy-loira não voltaram desde que eles falaram que iam pegar pipoca há uns vinte minutos.
"Eles não tinham ido pegar pipoca?" Eu pergunto sem pensar, atraindo a atenção de Cindy pra mim.
"Acho que eles devem ter se distraído..." Ela diz com um sorriso que é meio malicioso e, é, eu deveria ter pensado antes de perguntar.
Eu rio nervosamente e o clima de repente mudou. Cindy continua olhando pra mim e a forma como ela tá sentada fez o vestido dela meio que subir, expondo uma boa parte das coxas bronzeadas dela.
Como se ela tivesse percebido onde meus olhos tinham ido, ela segura minha mão e a guia até a pele nua da perna dela. Minha respiração trava e meu pescoço esquenta e se eu fosse Jensen eu estaria corando agora.
E eu totalmente não deveria estar pensando em Jensen.
Eu aperto a coxa de Cindy com meus dedos e a respiração dela pesa, algo parecido com um gemido. A voz feminina dela me pega de surpresa, eu não sei o que eu estava esperando.
Eu a olho antes que a gente feche os olhos e se beije. Eu estou tentando ignorar, mais uma vez, que as nossas bocas não se encaixam direito e que a gente não consegue estabelecer um ritmo certo.
Minha mente começa a vagar, voltando no tempo, e eu me pergunto se Cindy é capaz de sentir o gosto de Jensen na minha boca. O gosto de outro homem. Eu beijei outro homem. E se eu fico duro nesse momento deve ser porque Cindy está no meu colo e o tecido da calcinha dela por baixo do vestido é completamente fino contra o meu jeans.
E isso é pra ser o certo, não é? O normal.
Então por que eu tenho esse sentimento no fundo da minha alma como se eu estivesse nadando contra a correnteza ou, sei lá, como se eu estivesse tentando mudar a direção da correnteza mesmo sabendo que é impossível?
Minhas mãos sobem pelas coxas dela até a bunda e eu aperto, enfiando meus dedos por baixo do tecido da calcinha de seda e separando as nádegas dela, sentindo Cindy gemer dentro da minha boca.
Eu tenho que fazer isso com Jensen depois...
Só que eu provavelmente não vou ter mais oportunidade de fazer nada disso com Jensen. Não depois de ter estado com Cindy dessa forma.
Eu sinto meu coração apertar.
Outros pensamentos, Jared. Outros pensamentos.
Cindy escolhe esse momento pra rebolar no meu colo e, ok, não é a pior sensação do mundo. Nossas bocas se separam e ela me olha, os lábios dela não tem mais nenhum rastro do batom rosa claro que ela estava usando. Eu me pergunto quanto do batom ficou na minha boca.
E ela tem esse meio sorriso ao que ela abaixa as mãos pra desfazer o botão da minha calça e...
Oh, céus.
Ela está de vestido. No meu colo. Desabotoando a minha calça.
"Você tem...?" Camisinha, meu cérebro completa a frase de Cindy porque isso é exatamente uma repetição do que aconteceu entre eu e Katie.
E eu tenho. Eu sempre tenho. Maldita carteira pesando no meu bolso de trás.
E eu sei que só basta Cindy puxar a calcinha um pouco pro lado depois que eu tiver a camisinha em mim e...
"Cindy..." Eu falo, trazendo as minhas mãos pra mim e tentando pôr uma distância entre a gente.
"O que foi, Jay?" Ela pergunta, voz ainda baixa.
"Eu não... Eu não posso fazer isso."
E então a expressão dela cai, se transformando em decepção e algo que acho que talvez seja indignação e, oh céus, eu já consigo ouvir os caras me zoando por me negar a comer Cindy-morena.
Ela desce do meu colo tão rápido quanto ela subiu, ajeitando o vestido e sentando reto no sofá.
"Desculpa, Jared. Eu geralmente não sou de me atirar assim, eu só... Eu não sei, eu gosto de você e eu acho que eu me deixei levar." Cindy começa a se desculpar, colocando o cabelo pra trás da orelha compulsivamente.
"Tudo bem, Cindy. Você não precisa se desculpar. Não tem nada de errado com você. É só que eu realmente não posso fazer isso agora..."
Ela me olha por um momento, olhos cheios de perguntas, meio que esperando que eu vá dizer alguma coisa. Mas como eu continuo em silêncio, ela suspira.
"Você tem outra pessoa?"
A pergunta me pega de surpresa e minha respiração emperra e meu estômago fica esquisito. Eu passo a mão pelo meu cabelo e fecho os olhos, o rosto de Jensen se fazendo visível instantaneamente por trás das minhas pálpebras fechadas.
"É, mais ou menos." Eu digo.
Quando eu abro os olhos, Cindy está sorrindo na minha direção, como se ela entendesse.
Como ela poderia entender, se nem eu entendo?
Eu quero perguntar o que ela sabe que eu não sei, mas ao mesmo tempo eu não quero tocar nesse assunto.
-J2-
Jensen's pov
Depois de falar comigo, meu pai me fez comer alguma coisa e eu praticamente me obriguei a jantar, estômago ainda meio esquisito, ainda meio que revirando.
Eu pego minha toalha, então, e meio que acabo me jogado na minha cama por um bom tempo antes de criar coragem pra me levantar e ir tomar banho. Eu não deveria estar imaginando Jared e Cindy se beijando e provavelmente fazendo outras coisas, mas talvez eu goste de sofrer.
Eu olho pra cama de Jared, e pras coisas dele espalhadas na mesa de cabeceira.
Tudo isso seria tão mais fácil se ele não morasse comigo.
Eu enfim tomo coragem pra me levantar e ligo meu iPod nos autofalantes, alto o bastante pra que eu possa ouvir do banheiro, mas ainda dentro do limite estabelecido pelo meu pai.
Ainda assim, quando eu ligo o chuveiro e entro embaixo do jato quente, o som da água nos meus ouvidos e caindo no chão abafa o som e eu mal consigo distinguir a música que tá tocando. É só uma batida no plano de fundo e eu passo um tempo brincando de adivinhar, até sorrindo quando eu desligo a água pra poder passar shampoo e descubro que eu tinha adivinhado a música certa.
Quando eu termino meu banho, a música que tá tocando é "Pierrot The Clown" do Placebo e ela me deixa meio nostálgico, lembrando de quando eu estava nervoso por Jared vir morar aqui. Se ao menos eu soubesse de tudo que ia acontecer...
Eu respiro fundo e desligo o iPod antes de vestir meu pijama.
Eu queria poder ir dormir na casa do Misha, só pra não precisar ficar aqui olhando pra cara de Jared. Mas vai ser meio difícil convencer meu pai a me deixar dormir lá quando tem aula amanhã.
Eu meio que pulo quando ouço a porta abrir, vendo Jared entrando no quarto quando eu me viro. Meu coração falha uma batida e eu acho que meu sorriso deve ter saído estranho. Eu não consigo ver o rosto de Jared com clareza porque eu estou sem meus óculos, mas então ele chega perto o bastante e eu consigo ver que os lábios dele estão meio que rosados.
Ótimo, a vadia usa batom rosa nude.
"Você já vai dormir?" Jared pergunta.
Eu fecho meus punhos com força.
"Eu 'tô cansado." Eu digo e ando até a cama.
Jared faz um "hm" e olha ao redor, mordendo a parte interna da bochecha.
"Eu vou tomar um banho."
"É, claro que você vai." Eu murmuro pra mim mesmo.
"O quê?" Jared se vira na minha direção ao que pergunta.
"Apaga a luz quando você sair do quarto."
"Claro." Jared diz, pegando a toalha dele e a calça que ele usa pra dormir, apagando a luz antes de sair do quarto em direção ao outro banheiro, me deixando no escuro.
Eu agarro um dos meus travesseiros com força, enterrando meu rosto na fronha e esperando que isso abafe o choro imbecil que eu não pareço ser capaz de evitar.
Continua...
N/a: Eu sei que a fila pra bater no Jared já tá quilométrica, mas tenham paciência com meu rapaz HAHAHA Obrigada por todos os reviews, meus nenéns. Eu senti falta de vocês tanto quanto vocês sentiram falta da fic.
Um abraço de urso,
Padaporn.
