Disclaimer:
Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Twenty – Stepping Backwards vs. Stepping Forwards
No instante que Harry chegou, todo o apartamento pareceu ficar tenso. Sarah sorriu ligeiramente para a colega e desapareceu em seu quarto. Ginny recolhera suas coisas naquela manhã. Não sabia quando ele chegaria, então queria estar preparada. Quando ele chegou, lhe entregou uma bolsa e ela arrumou suas coisas em silêncio.
- Alex? – Harry se virou na direção de Amy. – Posso falar com você um instante, por favor? – ela fez sinal para a porta de seu quarto.
O rapaz assentiu e eles desapareceram no quarto, enquanto Ginny esperava na sala, pronta para ir embora. A conversa levou um bom tempo, e quando saíram, ambos pareciam muito sérios. A garota estava prestes a abrir a boca para perguntar se tudo estava bem, mas a fechou novamente, sentindo que não devia se meter naquilo.
- Então… - Amy parou de falar, olhando para os dois. – Acho que isso é um adeus.
Ginny assentiu e Harry fez o mesmo. A mulher deu um passo em direção à garota, abraçando-a com força.
- Boa sorte com tudo.
- Obrigada. – ela murmurou baixinho. E então falou mais alto: - Obrigada por tudo. Foi muito bacana de sua parte me aceitar e tudo mais.
Amy sorriu levemente, parecendo mais triste do que antes.
- Por nada.
Ele pegou a bolsa de Ginny, apontando para a porta. Eles saíram juntos, enquanto Amy abriu a porta para eles.
Harry e Amy se entreolharam por um momento e em seguida os dois assentiram.
- Adeus, Alex.
- Adeus, Amy.
Harry e Ginny desceram as escadas e a mulher fechou a porta atrás deles. Andaram em silêncio até terem deixado o apartamento bem para trás.
Foi Ginny quem quebrou o silêncio.
- Está tudo bem?
Harry parou de encarar o chão e levantou o olhar. Ginny ficou intrigada, ele normalmente caminhava com a cabeça erguida e agora estava curvada. Por fim, ele assentiu fortemente com a cabeça.
- Sim, não se preocupe.
Os passos seguintes foram tomados em silêncio também. Harry a levou para longe do apartamento de Amy e, depois de um tempo, ele fez sinal para que ela virasse na próxima esquina. Entraram em um beco pequeno, que parecia ficar mais escuro à medida que caminhavam.
Pelo canto do olho, ela o observou. O rapaz enfiou as mãos nos bolsos, parecendo perturbado. Ela estava ficando melhor em compreendê-lo ou ele finalmente estava baixando a guarda perto dela? Ele abriu a boca e fechou novamente. Ginny ficou ainda mais intrigada. O que ele queria dizer, mas não podia? Não achava que houvesse alguma coisa que ele temesse dizer. Isso era ridículo. Ele provavelmente estava apenas pesando numa maneira de dizer, mas ainda assim...
- Eu… - ele fez uma pausa, paralisando. Ela se voltou para ele, olhando-o com ansiedade. – Eu... – ele gesticulou em excesso, olhando para todo canto, menos para ela. – Sobre ontem. – ele respirou fundo, passando a mão pelo cabelo. – Com aquele cara, eu não deveria... – ele parou novamente. Por fim, ele a encarou e disse: - Eu não deveria ter feito aquilo.
Ginny assentiu, sentindo-se entorpecida.
- Eu odeio que tomem decisões por mim e que tentem me proteger.
- Eu… você parecia desconfortável. – Harry disse, tentando se explicar.
- Eu estava.
- Ele tocou em você.
- Eu percebi. – ela respondeu secamente.
- Ele estava prestes a te beijar.
- Eu sei.
- Então, por que…
Ginny o interrompeu, cruzando os braços sobre o peito.
- Porque sou eu quem decide e eu posso decidir se eu quero ou não. Você não pode decidir por mim. Não é problema seu.
- Sim, mas você claramente não queria, então...
- Não. – os olhos dela brilharam. – Não, mesmo que fosse claramente visível, eu é quem tinha que decidir e eu posso lidar com isso como quiser.
- Mas o que você poderia…
- Não se atreva a perguntar o que eu poderia fazer. Eu cresci com irmãos suficientes para saber como cuidar de mim mesma.
- Você não conseguiu me afastar.
Ginny congelou, o encarando.
- Sim, mas caso não tenha percebido, normalmente os garotos que me paqueram não são guerreiros treinados.
Com mais rapidez do que ela tinha esperado, ele disse:
- Eu não sou.
- Como?
- Eu não sou um guerreiro treinado.
Ginny franziu a testa.
- O que você é, então?
Harry deu de ombros, seus olhos perdendo o foco.
- Eu não sei, Ginny. – e então, num mero sussurro, ele repetiu para si mesmo: - Eu não sei.
Fez-se silêncio. A garota tentou desesperadamente pensar em alguma coisa para dizer para continuar a conversa, mas só uma coisa veio em sua mente. Com um pequeno suspiro, ela perguntou:
- O que aconteceu com você e Amy?
Ele olhou atentamente para ela, mas não disse nada e continuou andando. Ela se apressou atrás dele. Com um impulso repentino, ela perguntou:
- Vocês terminaram, não foi?
Harry olhou surpreso para ela e em seguida assentiu.
- Você… você está bem? – ela perguntou gentilmente.
- Foi melhor assim.
- Não foi isso que eu perguntei.
Seus olhos se encontraram, e eles pararem de andar novamente. Estavam agora em pé, no escuro, mais afastados da rua. Harry lhe ofereceu a mão, e ela segurou, sentindo-se confusa.
- Ela gostava mais de mim do que eu dela. – ele murmurou e então, como que refletindo posteriormente, ele adicionou: - Não vai acontecer novamente.
E por um instante de loucura, Ginny não tinha certeza se ele estava falando sobre a noite anterior ou sobre conhecer garotas como Amy, mas ela não teve tempo para perguntar ou para tentar entender aquilo, porque tudo ficou escuro e ela não conseguia respirar, parecia que estava sendo espremida em um cano estreito. Ele estava aparatando com ela, novamente sem avisá-la.
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Harry entrou depois dela, e fechou a porta com firmeza, colocando a bolsa sobre uma cadeira, enquanto Ginny o observava. Antes mesmo que ela pudesse abrir a boca, ele a levara para uma pousada. A garota cruzou os braços e esperou ele se virar. Quando ele finalmente se virou, ao ver o olhar dela, o garoto arqueou uma sobrancelha.
- O que eu te disse sobre aparatação conjunta?
Harry sorriu de lado e deu de ombros.
Ginny estreitou os olhos.
- Me avise da próxima vez, seu idiota.
- Pare de me xingar. – não soou como se ele se importasse. – E, mesmo assim, eu avisei.
- Não avisou não.
- O que acha que íamos fazer naquele beco? O que acha que eu queria com a sua mão? Segurá-la?
Ginny jogou as mãos para cima. Como ele sempre conseguia fazê-la se sentir estúpida e envergonhada?
- Você é inacreditável.
Ele sorriu levemente, parecendo presunçoso.
- Obrigado.
Ela deu as costas a ele, olhando em volta pela primeira vez. O quarto era simples, mas tinha tudo que ela precisava. Era o suficiente. Harry seguiu seu olhar.
- Então... – ele disse.
- Então… - ela repetiu.
- Eu vou te deixar sozinha, então.
Ginny se sentiu desapontada. Simples assim? Ele ia embora de novo, deixando-a ali, completamente sozinha?
- Talvez... quer dizer... você pudesse... se realmente precisar...
Harry franziu a testa levemente.
- É para eu te entender?
Ginny corou.
- Você não pode ficar um pouco mais?
- Para que você possa me xingar um pouco mais? – ele perguntou em tom de sarcasmo.
- Sem xingamentos. – ela levantou as mãos. – Eu prometo.
Ele revirou os olhos.
- Eu tenho algo a fazer.
- O quê? Talvez eu possa ajudar.
O garoto balançou a cabeça.
- Hum... não.
- Faça o teste. – ele ainda não parecia convencido. – Vamos lá! Senão eu vou ficar completamente entediada.
- Eu tenho que pensar sobre uma coisa.
Ginny encolheu os ombros.
- Você pode pensar aqui.
Harry olhou em volta e suspirou. Ginny caminhou até a cama, tirou os sapatos e se sentou, recostando-se na cabeceira.
- Aproxime-se. – ela indicou o espaço à frente dela na cama. – Eu não mordo.
Harry sorriu de lado.
- O que sua mãe diria sobre isso?
Ginny engoliu em seco, baixando o olhar e encarando as mãos.
- Não mencione minha família.
O sorriso de Harry desapareceu e ele assentiu levemente.
- Não vai acontecer novamente.
- Sua lista disso parece estar crescendo. – ela disse, sorrindo cansada.
Harry deu de ombros, mas se aproximou dela, jogando-se na cama. Os olhos de Ginny se estreitaram. Silenciosamente, ela pegou um dos travesseiros e atirou nele. Ele o pegou e olhou confuso para a garota.
- Tire os sapatos. Eu quero dormir nessa cama.
Harry revirou os olhos.
- Não precisa de escândalo.
Ginny olhou séria para ele e atirou outro travesseiro.
- Potter, tire os sapatos ou saia da minha cama.
Ele suspirou dramaticamente, mas obedeceu a ordem da garota, que sorriu.
- E, para sua informação, minha mãe ia, é claro, indicar maneiras de seduzir você.
Harry se deitou, virando a cabeça para poder encará-la. Ele sorriu de lado.
- O que ela te aconselharia?
Ginny deu de ombros, mas, de repente, ficou um pouco envergonhada pelo caminho que aquela conversa poderia tomar.
- Estou só brincando. É claro que ela ficaria horrorizada.
Harry virou a cabeça, encarando o teto.
- Então, em que você tem que pensar? – ela perguntou, quebrando o súbito silêncio constrangedor.
- Sabe, pessoas normais pensam em silêncio.
- Caso não tenha percebido: eu não sou normal. E pensar em voz alta é melhor, você chega numa conclusão mais rápido. – ela fez uma pausa. – E eu estou curiosa.
Harry bufou.
- Você é abelhuda demais para o seu próprio bem.
- Desculpa, eu não consigo evitar.
Harry assentiu.
- Atributo grifinório.
- Curiosidade não é um atributo grifinório. – ela respondeu, intrigada.
- É claro que é. Você devia ficar contente, é um dos melhores. Não que seja necessariamente bom, mas há piores.
- Você sabe mesmo o que tem que fazer? – Harry a encarou novamente, levantando uma sobrancelha. – Pare de reduzir tudo que diz respeito à Grifinória como algo ruim, porque não é.
- É sim.
- Só porque te ensinaram assim, não significa que seja verdade. – a expressão de Harry ficou séria e ele murmurou alguma cosia que ela não entendeu. – Como? – mas ele não repetiu. – Voltando ao assunto: em que você tem que pensar?
Harry revirou os olhos, encarando o tento novamente.
- Eu preciso descobrir uma coisa.
- Ótimo. Posso te ajudar com isso. É sempre mais fácil descobrir as coisas junto com alguém. – ele a olhou demoradamente, havia algo nos olhos dele que ela não conseguia decifrar. – O que foi?
- Você me lembra alguém.
Ginny piscou.
- Sério? Quem? – Harry sacudiu a cabeça. – Ei! Você não pode me deixar esperando aqui! Tem que me dizer agora.
- Não tenho não.
A garota mostrou a língua.
- Você é mau.
- É, eu sei.
A voz dele perdera o tom brincalhão. O garoto se sentou na beira da cama, de costas para ela.
Ginny engoliu em seco.
- Eu não acho que você seja mau, sabe disso, certo?
Mas ele não se virou ou disse a ela que estava apenas brincando.
- Você estava certa mais cedo. Eu sou um guerreiro treinado.
- Harry…
Mas o garoto apenas balançou a cabeça.
- Você mesma disse isso.
- Sim, mas eu estava brincando. – ela disse, desesperadamente tentando sair daquela conversa séria, mesmo sabendo que não estivera realmente brincando.
- Não estava não. Está tudo bem.
Ele começou a calçar os sapatos novamente. Ginny mordeu o lábio. Ele não podia ir embora pensando daquela forma. Ela engatinhou até a beira da cama e se levantou, ficando bem de frente ao garoto. Quando ele não parou o que estava fazendo, ela cutucou a cabeça dele. Harry olhou para cima, seu rosto com uma expressão fria e dura. Ela engoliu em seco.
- Você. Não. É. Mau. – a cada palavra ela cutucava a cabeça dele de novo, encarando-o intensamente.
- Pare de se enganar, Ginny. Está tudo bem. É verdade no fim das contas.
A jovem rosnou.
- Nós vamos conversar sobre isso agora, Potter.
- Isso é uma ameaça?
- Se precisar ser, sim. – ela sustentou o olhar. – Você não é mau. – ele abriu a boca. – Calado, eu ainda não terminei. – Harry revirou os olhos. – Talvez uma parte sua seja má, cruel, o que seja. – ela jogou as mãos para cima. – E talvez essa parte seja um guerreiro treinado.
Ele concordou com a cabeça.
- Então concordamos.
O garoto se levantou, ficando, agora, mais alto que ela. Ginny colocou as mãos nos quadris e o encarou, inconscientemente assumindo a postura que sua mãe usava para dar um aviso.
- Mas, Harry, isso não é você, isso não é tudo que você é. – ele balançou a cabeça, tentando se afastar dela. Ela não deixou. Tinha que haver uma forma de convencê-lo. – Se você fosse realmente apenas mau, eu estaria a sete palmos do chão agora, apodrecendo. – ele parou, a encarou e em seguida desviou o olhar. – Ou eu teria morrido naquele dia em Hogsmeade. Eu estaria morta há muito tempo. Assim como os filhos de Madame Pomfrey e Damy. – o rapaz sentou de novo na cama, encarando o chão. – Você só tem que acred...
- Você fez eu me lembrar de mim mesmo naquela hora. – ele a interrompeu. Ginny fechou a boca. – Você não sabe quantas vezes eu argumentei que descobrir as coisas junto com alguém é mais fácil.
A garota sabia o que aquilo significava e suspirou baixinho. O outro assunto estava encerrado. Ele não falaria mais sobre aquilo com ela.
- Então, o que você precisa descobrir?
- É melhor se sentar novamente. Pode levar um tempo. – Ginny voltou para sua posição anterior, na cabeceira da cama. Ele tirou os sapatos também, deitando-se novamente. A jovem não conseguiu evitar o pequeno sorriso que se formou no canto de sua boca. – Eu estou procurando um objeto, protegido por uma pessoa, mas eu não faço ideia do que seja. Eu tenho que encontrá-lo e destruí-lo.
- Por que está procurando por algo assim? – ela perguntou intrigada. Parecia que ele não tinha a menor ideia do que estava procurando.
Ele fez uma pausa, refletindo sobre alguma coisa.
- Lembra a conversa que tivemos sobre vingança?
- Claro.
- É essa a vingança.
- Encontrar um objeto e… hum… destruí-lo?
- Há mais de um.
A garota bufou.
- Parece uma grande e louca vingança.
- É a vingança perfeita.
- Se você diz.
- Eu digo.
- É, não posso garantir. Eu não tive nenhuma visão da mente do Lorde das Trevas ultimamente.
Harry riu e Ginny suspirou silenciosamente. Parecia que ele conseguira, finalmente, ignorar o que aconteceu antes. Ela sorriu para ele.
- Então… Esses objetos o tornam imortal? – a garota perguntou inocentemente. Ele congelou e estreitou os olhos. – Sabe, mesmo que você não pense assim, eu presto atenção ao que você fala.
Harry suspirou.
- Muito sonserino de sua parte, Weasley.
- Isso deveria ser um elogio, certo?
- Não deveria ser, é um.
- Então, eu acho que… - a garota fez uma pausa. "Obrigada" passou por sua mente, mas ela fez uma careta. – Eu não posso acreditar que quase te agradeci por você ter dito que me comportei como uma sonserina.
A boca de Harry se contraiu.
- Então... como você descobriu?
- Você acabou de dizer que está procurando por alguns objetos e que essa é sua vingança. Você lembra a vez em que... – ela fez uma careta novamente. – me encontrou chorando?
- Aham…
- Você disse que estava planejando acabar com a imortalidade dele. – a garota fez uma pausa. – Então, eu apenas associei as coisas e voilà: objetos que o mantém imortal.
Harry assentiu.
- Eles se chamam Horcruxes.
- Nunca ouvi falar.
- Não é algo que eles ensinam na escola.
- O quê? Eu sempre achei que era para isso que História da Magia servia. Eles contratam um professor super chato, que fala sobre história na maior parte do tempo, mas em pequenas frases, escondidas profundamente, estão coisas das trevas, e todos aqueles que se mantiverem acordados se tornam um excelente lorde das trevas um dia. – ela respondeu com sarcasmo, e em seguida adicionou: - Droga! Por que eu não tentei ficar acordada?
Harry riu e Ginny sorriu feliz. Gostava de vê-lo assim e queria que ele sorrisse com mais frequência.
- Você é muito divertida, sabia disso?
O sorriso dela se alargou mais e ela encheu o peito de modo importante, tentando se lembrar de como Percy sempre dizia.
- Foi o que me disseram.
Harry riu mais ainda, e ela não conseguiu não cair na risada. Quando se acalmou, jogou-se na cama ao lado dele e eles descansaram lado a lado. Juntos, encararam o teto.
- Então… alguma ideia que possa me ajudar? – Harry a perguntou.
- Quem você acha que poderia estar com uma Horcrux?
Harry franziu o cenho, virando-se para encará-la.
- O que importa?
A garota encolheu os ombros.
- Não sei, talvez ajude.
- Eu pensei em Bella. – ele disse depois de um tempo.
Ginny franziu a testa, perdida em pensamentos.
- Uma joia?
- Por que uma joia?
- Ela é mulher, não é? – Ginny perguntou, o encarando de volta.
- O que isso tem a ver?
Ela revirou os olhos.
- Se ela possui uma Horcrux, provavelmente fica com ela o tempo todo, certo?
- É claro.
- O que seria melhor que uma joia?
Harry bufou.
- Bella não usa joia.
- Talvez seja algo pequeno e simples, que não chamou sua atenção. – ele tentou convencê-lo.
- As Horcruxes do meu pai não são coisas pequenas e simples. – ele disse de uma vez.
Ela engoliu em seco, percebendo como ele tinha se referido a Você-Sabe-Quem novamente.
- Como eu poderia saber disso? – ela olhou para ele.
O garoto suspirou e agarrou a gola de sua camisa, abrindo o primeiro botão.
- O que está fazendo? – ela se sentou abruptamente.
Harry a olhou sombriamente e murmurou com sarcasmo:
- Tirando a roupa, é claro.
- Idiota.
O rapaz olhou surpreso para ela e com um sorrisinho de lado lhe disse:
- Não esqueça sua promessa, Weasley.
Ela mostrou a língua.
- Eu não posso evitar se você disser coisas desse tipo.
- Você insulta os caras que te dizem que estão tirando a roupa. – ela o encarou. – Interessante. – Harry abriu outro botão e tateou por um instante antes de puxar alguma coisa. – Veja você mesma: não é pequeno e simples.
Ginny olhou boquiaberta para ele e para o medalhão em seu pescoço. Ela se inclinou, olhando-o mais de perto. Ele estava certo. Não dava para descrever aquilo como simples. Era um medalhão de ouro maciço, com um "S" em forma de serpente, cravejado de pedras verdes brilhantes. Lentamente, a garota estendeu a mão, roçando os dedos levemente sobre ele. O jovem levantou a cabeça e a apoiou no cotovelo, observando-a atentamente.
- É… - ela mordeu o lábio, tentando encontrar a palavra adequada.
- É, eu sei. – ele sussurrou.
Ela tocou o medalhão novamente, correndo os dedos sobre o objeto e em seguida fechando a mão em torno dele.
- E um pouco... ah... assustador.
Harry olhou confuso para ela.
- Por que acha isso?
Ginny segurou a mão dele e levou-a até o medalhão. Quando ele também o segurou, ela entrelaçou seus dedos, de modo que ambos estavam segurando o objeto. Por um momento, nada aconteceu, até que:
- Ai está! Você sentiu isso?
Ele pestanejou.
- Sim…
- É como se estivesse vivo ou algo assim.
- Hum…
Harry soltou a mão dela, deixando o medalhão descansar em seu peito novamente. Ginny continuou segurando, e inclinou-se na direção dele.
- Por que está usando isso? – ela perguntou, sem tirar os olhos do medalhão.
- Seria suspeito se eu parasse de usar.
Ginny assentiu distraída.
Os dedos de Harry tocaram a mão dela.
- Você está mesmo fascinada por ele, não é?
- Sim, você acha que isso é errado?
Harry balançou a cabeça suavemente.
- Não, nem um pouco.
Ela olhou para cima e encontrou os olhos dele. Quando ela tinha se aproximado tanto?
- Não diga a ninguém, mas... – ela mordeu o lábio. – Magia negra é legal. Sabe, aquelas coisas escuras e proibidas... – ela parou de falar. Os cantos da boca dele se contorceram.
- Não precisa me dizer isso.
Ginny pestanejou e olhou para as mãos deles. Só então ela percebeu que ele começara a acariciar sua mão. A garota soltou o medalhão, que caiu do pescoço dele e deslizou sobre a cama. A mão dela estava agora sobre o peito dele, coberta pela mão de Harry, que continuava a acariciar a sua.
- Hum… - ela deixou escapar, encarando suas mãos. Ele parou bruscamente e puxou a mão para trás. Ela fez o mesmo e olhou para qualquer canto, menos para o garoto. – Então... ela usa um medalhão como esse?
Ele pestanejou.
- O quê?
- Lestrange usa um medalhão como esse?
- Não, que eu saiba, não. Eu não acho que outro Horcrux seja um medalhão.
- Hum… - Ginny olhou novamente para ele. – Que tal um anel? – ela gesticulou para o que ele usava.
Harry levantou a mão e deu uma olhada em seu anel.
- Não, Bella não tem um anel como o meu. Ela só usa... – ele arregalou os olhos. – Evra, você é um gênio! – ele se sentou.
- Obrigada… mas… Evra? – Ginny franziu a testa para ele.
Harry pegou um de seus sapatos e calçou.
A jovem o observou, afirmando secamente:
- Harry, você me chamou de Evra.
Ele parou, olhando para ela por sobre os ombros e sorriu de lado.
- Você não gostou?
- Meu nome é Ginny. – ela disse, sentindo-se desconfortável e confusa. Havia outra garota para ela conhecer?
- Sim, eu sei. – ele rapidamente colocou o outro sapato.
- É para eu te entender? – ela perguntou, repetindo a pergunta que ele tinha feito mais cedo. Ele se virou, ficando de frente para ela. – Por que você me chamou assim?
- Eu não consegui dormir. – ele disse por fim, como se aquilo explicasse tudo.
Ginny pestanejou.
- Isso não explica nada. – ela engoliu em seco. – Sabe, se é outro nome de alguma garota, pode me dizer, sabe.
Harry a encarou.
- Não é assim. – ele passou a mão pelo cabelo, respirando fundo. Ele estava nervoso? Ginny franziu as sobrancelhas. – Olha: eu não consegui dormir e pensei em como deveria te chamar porque Jenny é meio idiota, e se um bruxo escutar eu te chamar de Ginny, pode associar as coisas e Ginevra soa... errado? Então, eu pensei em Evra em vez de Ginevra.
A garota olhou para ele, franzindo ainda mais as sobrancelhas.
- Eu odiei. – ela finalmente disse, cruzando os braços. – E eu odiei Jenny, mas você deve ter imaginado isso. E Ginevra é mesmo errado. Meu pai me chama assim, ou minha mãe quando está com raiva. Mas você não vai me chamar assim. – ela olhou para o garoto, que revirou os olhos, mas assentiu. – Apenas me chame de Ginny, pelo amor de Merlin.
- Mas e se…
- Sério? Bruxos? Por que eles pensariam em mim? Você me matou, caso tenha esquecido. Eles não vão me confundir com Ginny Weasley, eu nem pareço comigo mesma. – ela apontou para o próprio cabelo. – Você, por outro lado, devia parar de parecer consigo mesmo se está tão preocupado que alguém nos reconheça. – a voz dela pingava de sarcasmos enquanto o encarava.
Os olhos dele ficaram duros e seu rosto ficou inexpressivo novamente. Os olhos dela se estreitaram e ela abriu a boca, pronta para fazer um comentário, mas ele se antecipou.
- Estou indo embora.
A raiva dela aumentou, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ele tinha aberto a porta e a fechou atrás de si. Bufando de raiva silenciosamente, ela caiu de costas na cama. Garoto idiota.
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Garota idiota, ele pensou enquanto caminhava pelos corredores da Mansão Riddle. Ela... (ele viu um Comensal da Morte que passava por perto se encolher) Ela conseguia fazê-lo se acalmar num segundo e explodir logo em seguida. Em um instante, ela parecia entendê-lo perfeitamente, mas em seguida era como se não soubesse de nada. Não sabia como a garota conseguia fazê-lo se sentir tão confortável e desconfortável ao mesmo tempo. Às vezes ela dizia coisas tão idiotas, que ele não podia deixar de enxergá-la como uma menina ingênua. Mas então, ela falava algo adulto, como se soubesse das coisas. Mas ela não sabia. Deviam ser apenas golpes de sorte, porque sempre que ele tentava ajudá-la, ela explodia bem na sua cara. Se soubesse das coisas, não faria aquilo. Mas ela sempre agia assim.
Chamá-la de Evra foi só um exemplo. Por que, em algum lugar dentro dele, quando ela reagia daquela maneira aquilo o atormentava, mesmo que só um pouquinho? Por que diabos ela não podia simplesmente deixar que ele a chamasse daquela forma? Ele não queria que ela mudasse o maldito nome. Era para mantê-la segura, pois ele estaria completamente ferrado se alguém descobrisse. Ela não estava apenas arriscando a própria vida, mas a dele também. Se ela estivesse sozinha, podia fazer o que diabos quisesse. Podia andar por ai, dizendo quem era a todo mundo, e então ia ver onde isso a levaria. Mas não era assim, e ele tinha que protegê-la... Tinha que mantê-la segura. Não apenas para seu próprio bem, mas porque ela era uma menina, um inocente. Harry cerrou os dentes. Tudo seria tão mais fácil se ele não tivesse aqueles malditos sentimentos pelas crianças. Não que ele jamais tivesse se arrependido de salvar uma delas, mas, algumas vezes, ela quase o fizera se arrepender.
Mas ele a estava usando também. É claro que sabia que ela seria útil. Ignorou a vozinha em sua cabeça dizendo-lhe o contrário. Ela o ajudou na vingança, nada mais. Enquanto se tratasse apenas de vingança, ele poderia mantê-la por perto. Depois – não importava. Era vingança, nada mais. Voldemort tomara conta daquilo, afinal de contas. Ele nunca teria uma vida normal. Harry engoliu em seco, tentando não explodir de raiva. Não podia estourar agora, não ali.
Pensar nela enquanto deitava acordado não significava nada. Ele só fez aquilo porque não tinha avançado no que realmente devia estar pensando: Horcruxes, é claro. Estivera tão preso ao que era realmente importante, que pensou na garota, no seu nome idiota e em maneiras de mantê-la protegida. Não importava nem um pouco no final das contas... ele tinha que manter ela e o que tinha feito em segredo. Mas isso acabara agora. Tinha uma nova pista e poderia descobrir tudo sobre isso, sem ter que perder tempo com nomes idiotas.
Sonhar com ela também não significava nada. Ou a dança, a dança estúpida deles, que não conseguia tirar da cabeça. Ou ter atacado aquele cara idiota na Destiny's. Amy estava simplesmente errada, ela não entendia. É claro que não, como poderia? Ela não fazia ideia do que estava acontecendo. Ginny tinha apenas arruinado as coisas com Amy. Não que ele se importasse muito com isso. Foi divertido, Amy distraíra sua mente das coisas, mas, de qualquer forma, ela tinha começado a se acostumar demais com aquilo, e se tornara muito pegajosa. Então, ele não tinha discutido muito sobre "seus sentimentos por Jenny". Mas ele não gostava de Ginny. Mesmo que Amy tivesse destacado várias vezes que estava tudo bem, porque embora fossem primos, não era proibido.
Ginny apenas o fazia se sentir… mole por dentro. Harry estremeceu. Aquilo era tão errado. Quando estava com ela, simplesmente esquecia – não, ele não se esquecia de seu treinamento, mas, de alguma forma, não importava tanto. Há alguns meses, ele nunca imaginou ser possível se deitar na presença de outra pessoa que não fosse Voldemort. É claro que teve Hogwarts – mas ele tinha protegido sua cama o máximo possível e tentava só dormir quando todos adormeciam... mas, com Ginny, não era tão importante tomar cuidado, ficar em alerta o tempo todo, pronto para lutar se necessário, não se focar em uma coisa apenas... e aquilo era terrível. Em tempos como aqueles, não podia andar por ai sem prestar atenção. Tinha que se certificar de que ninguém os seguia, de que ninguém estava ouvindo a conversa deles, tinha que estar pronto para lutar a cada maldito segundo. E aquilo não se aplicava apenas àqueles tempos. Perder a concentração era sempre algo horrível.
E ele não agia como ele mesmo quando estava com ela. Nunca se comportava assim. Por que sempre que não vigiava suas mãos elas acabavam tocando as dela? Aparatação conjunta de mãos dadas? Sério? Ainda bem que ela não era uma sonserina, ou teria percebido que eles poderiam simplesmente ter segurado o braço um do outro. E acariciar sua mão enquanto permitia que ela tocasse a Horcrux de seu pai? Isso certamente foi um sinal de que ele estava lentamente ficando louco... e o que ela pensava dele? O que achava que ele estava fazendo?
O garoto balançou a cabeça ligeiramente. Por que era que estava pensando no que ela estaria pensando dele? Não importava nem um pouco. Ia apenas parar de fazer aquelas coisas, de se comportar daquela forma. Ia se focar mais nas outras coisas e não nela. Ia apenas resolver aquela bagunça com o próximo Horcrux e evitá-la pelos próximos dias – por sorte, colocara um pouco de dinheiro na bolsa dela, assim ela conseguiria sobreviver, se não fosse capturada em algum ataque – e então tudo ficaria tão normal quanto poderia naquela situação.
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Enquanto ele se sentava para jantar aquela noite, – só Bella estava presente, pois Lucius e Voldemort estavam elaborando alguns planos – tinha dado uma breve olhada no anel da família Black. É claro que ela o estava usando. Em todas as lembranças de Harry, ela estava com ele. Era um bom sinal, mas não necessariamente queria dizer alguma coisa. Porém o anel podia ser uma Horcrux, não apenas porque ela sempre o usava, mas tinha algum significado para Voldemort. A família Black era, afinal, uma família que tinha lhe apoiado desde o início.
O jovem vagarosamente recostou-se na poltrona, provocando Bella durante o jantar. É claro que ela aderiu à provocação, vangloriando-se e gabando-se de ser a melhor duelista, a seguidora mais leal, de ser a favorita do Lorde das Trevas. Ele a contrariara, dizendo-lhe que podia provar que era ele, enquanto ela não podia... e então ele mostrou o medalhão. Foi uma jogada arriscada, mas lá estava ela, mostrando-lhe a mão e ele soube. Ele disse que estavam empatados, mas a Comensal apenas sorriu, dizendo-lhe que isso não existia para ela.
Quando ele finalmente pôde sair, o fez imediatamente, retirando-se para seus aposentos. Harry assistiu à memória diversas vezes em sua penseira. Não porque quisesse apreciar a artimanha que utilizara para que ela exibisse o objeto, mas para observar o anel de todos os ângulos. Agora, ele só tinha que encontrar uma forma de falsificar um.
Uma semana mais tarde, com poucas horas de sono, sem encontrar Ginny de forma alguma e fingindo estar treinando quando na realidade estava lendo, preparando poções e se dedicando à prática de ilusionismo, o rapaz conseguiu. O anel que outrora fora um objeto normal, agora parecia com o anel original da família Black. Possuía até mesmo as funções do original, de modo que Bella poderia mandar mensagens de emergência por ele e a ajuda chegaria. Estava codificado nos escudos que protegiam o anel original para que não o detectassem como algo estranho. Era igual ao outro, só não era uma Horcrux. Em suma, era perfeito. Mas havia uma parte de Harry que estava com muito, muito medo de quando Voldemort o visse pela primeira vez. Será que ele saberia?
Após sua conversa com Ginny, começou a usar o medalhão o mínimo possível, porque alguma coisa, de fato, moveu-se dentro do objeto… mesmo que jamais tivesse feito aquilo antes. Pelo menos, ele nunca percebera e o objeto vivia em contato com sua pele! Harry não duvidava que aquela magia negra e antiga fosse capaz de reconhecer quem a tocava, as intenções e a relação da pessoa com seu dono. Nunca se preocupara com isso, não precisara também. Mas agora que as coisas estavam diferentes, tinham mudado... o que a Horcrux podia fazer a ele? O que Voldemort seria capaz de saber? Saberia se algo acontecesse com sua Horcrux? Saberia quem a tocou? Ele, de alguma forma, sentiria se algo mudasse? Saberia que o rapaz não era mais leal?
A primeira vez que vira Voldemort depois do incidente com Ginny, quase prendeu a respiração. Mas nada acontecera. O bruxo não ficou subitamente mais interessado em onde o garoto ia e não havia mais Comensais da Morte o seguindo... nada tinha mudado e então finalmente concluiu que ele não sabia o que acontecia com suas Horcruxes. Mas isso não significava que não pudesse senti-las quando estavam por perto ou que sabia o que acontecia com elas. Elas continham partes de sua alma, afinal. Mas a única coisa que podia fazer sobre aquilo era ler o máximo de livros que pudesse sobre o assunto – havia vários na biblioteca deles, é claro – e esperar que não fosse o caso. Ainda não encontrara sequer uma pista sobre isso em livro algum, mas sabia que podia significar as duas coisas. Só lhe restava uma coisa, então: tentar trocar o anel verdadeiro pelo falso e, se Voldemort percebesse, ia ter que manter a calma... ninguém suspeitaria dele primeiro, certo?
Era onde ele estava agora: na pequena casa de campo que pertencia a Bellatrix, = em Cornwall. Não estivera ali com frequência, tinha quase certeza de que só esteve nesse lugar uma única vez. Tinha sido depois do funeral de Rodolphus. Visitara o túmulo do lado de fora e ficou dentro da casa brevemente, tentando sair sem ser percebido novamente. Bella o pegara no flagra. Ela estivera sentada na mesma mesa para a qual ele estava olhando agora. Quando o viu, levou-o de volta para a Mansão imediatamente. Eles não queriam que ele estivesse lá, mas o garoto conseguira chegar via flu. Queria dizer adeus a Rodolphus. Eles sequer tinham permitido que ele comparecesse ao funeral.
Por um instante, seus olhos vagaram em direção a uma das janelas, procurando pelo túmulo. Não conseguiu vê-lo, é claro, pois estava um breu lá fora. Harry balançou a cabeça, tentando se focar na razão de estar ali e em nada mais. Andou sorrateiramente até a porta seguinte, abrindo-a silenciosamente. Parecia errado estar ali, fazendo aquilo. Já repetira diversas vezes em sua cabeça que era por conta da vingança, não por causa de Bella. Não iria machucá-la. Não era errado agir nas costas deles. Não era errado fazer aquilo.
Finalmente ele encontrou o quarto, entrando silenciosamente e fechando a porta. Conseguiu distinguir a forma de Bella, deitada na cama. Caminhou na direção dela, quase tropeçando nas roupas que estavam no chão. Quando chegou ao seu lado, observou as partes de seu rosto que conseguia enxergar. Engoliu em seco diversas vezes, tentando se livrar do caroço que se formou em sua garganta. Estendeu a mão lentamente, puxando o lençol. Ela murmurou alguma coisa e se virou. Xingando silenciosamente, tentou distinguir as mãos dela. Não conseguia. Seus pensamentos aceleraram. Podia acender a varinha, mas ela podia acordar. Poderia lançar um Feitiço de Corpo Preso nela, mas ela iria acordar. Podia tentar encontrar as mãos dela no escuro. O garoto quase bufou pensando no que ela faria ao acordar e encontrar alguém tateando. Aquilo terminaria muito bem.
Silenciosamente, acendeu a varinha. Ela se mexeu na cama, sentando-se de repente e ficando de pé, apontando a varinha para ele e lançando a primeira maldição. Ele mergulhou para o lado e apagou a luz da varinha. Harry disparou um estupefaça na direção dela, mas o feitiço colidiu com outra coisa. Um estrondo soou pelo quarto. O rapaz levantou um escudo bem a tempo de outra maldição que ela lançara se chocar contra ele, dissolvendo-se.
- Bella, sou eu.
As luzes de repente acenderam. Ele tentou não piscar diante da claridade repentina e se concentrar em seu escudo.
- Harry?
Quando ele viu Bella baixar a varinha, deixou seu escudo desaparecer.
- O que está fazendo aqui? – enquanto ela dava alguns passos em sua direção, ele discretamente levantou a varinha. – No meio da noite? Esgueirando-se? Aconteceu alguma coisa? Foi o Lorde das Trevas? Eu deveria ir…
Com um rápido feitiço paralisante e um feitiço de levitação em seguida, ela estava deitada na cama, olhando para ele, sem conseguir mexer nada além dos olhos. Eles estavam arregalados, perguntando-lhe, silenciosamente, o que estava acontecendo, a presunção sombria de que ele era um impostor estava neles. Harry desviou o olhar do rosto dela e pegou sua mão. Tirou o anel de seu dedo e o colocou no bolso, em seguida colocou o falso no lugar.
Os olhos dela estavam ainda mais arregalados quando ele os encontrou novamente. Olhou para ela apenas por um instante.
- Eu sei a verdade agora.
Harry pôde ver em seus olhos como ela tentou se livrar do feitiço, mas não conseguiu.
O garoto levantou a varinha novamente, apontando-a para ela. Ele se concentrou. Os olhos dela se reviraram em pânico, implorando-lhe para que agisse com sensatez, mas ele não o fez. Harry pensou em sua versão mais jovem, implorando, gritando, em dor. A raiva voltou e a forma como ela o olhou não importava mais.
- Obliviate!
O feitiço a atingiu e os olhos dela clarearam. Com uma voz inexpressiva, ele lhe disse do que ela se lembrava e que ela devia voltar a dormir agora. E então, cancelou os feitiços, virou-se e saiu, sem olhar para trás.
N/A: Como na fic da Kurinoone os Horcruxes são diferentes do canon, já que a fic TDW foi escrita antes de DH, TL vai seguir esse mesmo plot ok?
